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A prescrição de tecnologias assistivas e órteses deve considerar a biomecânica da lesão e os objetivos funcionais de independência do paciente em diferentes contextos. Considerando as órteses para membros inferiores, analise as afirmativas a seguir.
I. A órtese tornozelo-pé (AFO) rígida é indicada para pacientes com instabilidade mediolateral severa do tornozelo ou espasticidade extensora que compromete a fase de balanço.
II. O uso de órteses dinâmicas auxilia na prevenção de contraturas, permitindo o movimento articular assistido e favorecendo a aferência proprioceptiva durante a marcha.
III. O objetivo primordial de uma órtese é a substituição total da atividade muscular voluntária, devendo ser utilizada de forma contínua por 24 (vinte e quatro) horas diárias sem remoção.
Está CORRETO o que se afirma em:
I e III apenas.
II apenas.
I, II e III.
I e II apenas.
No pós-operatório imediato e recente (fase I e II) de reconstrução do Ligamento Cruzado Anterior (LCA) com enxerto de flexores ou patelar, os exercícios de Cadeia Cinética Aberta (CCA) para quadríceps, especificamente na amplitude de 0° a 30° de flexão (extensão terminal), são frequentemente evitados ou restritos. A justificativa biomecânica para essa precaução é que, nessa angulação, a contração isolada do quadríceps promove:
Compressão patelofemoral reduzida.
Cisalhamento posterior excessivo da tíbia.
Coativação dos isquiotibiais que anula a extensão.
Translação anterior da tíbia, tencionando o enxerto.
Relaxamento excessivo do ligamento colateral medial.
Uma alavanca é um exemplo de um sistema de força paralela muito comum no sistema musculoesquelético. A alavanca de primeira classe (ou interfixa) no corpo humano ocorre quando:
Força e resistência são aplicadas em lados opostos do eixo.
Resistência é aplicada entre o eixo e a força.
Força é aplicada entre o eixo e a resistência.
Força e resistência são aplicadas em lados paralelos do eixo.
Resistência é aplicada diagonalmente ao eixo.
Durante a avaliação de um paciente com dor lombar crônica, o fisioterapeuta observa redução de mobilidade segmentar, encurtamento de cadeia posterior, fraqueza de estabilizadores do tronco e piora dos sintomas em atividades sustentadas. Ao relacionar esses achados aos princípios cinesiológicos e biomecânicos, a intervenção deve priorizar:
fortalecimento global sem controle de movimento, pois a dor lombar crônica decorre predominantemente de perda de força máxima.
mobilização segmentar, controle motor lombopélvico, alongamento específico e progressão funcional orientada por tolerância.
repouso relativo prolongado, restrição de flexão lombar e retorno às atividades após remissão completa dos sintomas.
manipulação vertebral isolada, pois a correção articular elimina a necessidade de reeducação muscular.
A articulação do ombro apresenta elevada mobilidade, sendo composta por um complexo articular que envolve as articulações glenoumeral, acromioclavicular, esternoclavicular e escapulotorácica. Seu funcionamento adequado depende da integração entre estruturas ósseas, musculares e ligamentares, além do ritmo escapuloumeral durante os movimentos do membro superior. Com base nos princípios da cinesiologia aplicados ao ombro, assinale a alternativa CORRETA.
A articulação glenoumeral é classificada como uma articulação do tipo gínglimo, permitindo movimentos em múltiplos planos.
O ritmo escapuloumeral descreve a relação coordenada entre os movimentos da escápula e do úmero, sendo classicamente descrito na proporção aproximada de 2:1 após a fase inicial da abdução.
O músculo deltoide é o único e principal responsável por iniciar a abdução do ombro nos primeiros 15 graus, sem a participação de outros músculos.
O ritmo escapuloumeral é descrito na proporção aproximada de 1:2 após a fase inicial da abdução.
A articulação escapulotorácica é sinovial verdadeira com cápsula e cartilagem, sendo a responsável direta pela rotação do úmero na elevação do braço.
A cinesioterapia utiliza o movimento corporal para promover a saúde e reabilitar disfunções musculoesqueléticas e neuromusculares. Analise as afirmativas a seguir sobre as modalidades de exercícios terapêuticos:
I. Exercícios passivos são indicados quando o paciente não consegue realizar o movimento voluntário, visando manter a mobilidade articular e prevenir contraturas.
II. O exercício ativo-assistido ocorre quando o paciente realiza a contração muscular, mas recebe auxílio externo para completar a amplitude de movimento.
III. O exercício isométrico é caracterizado pela alteração do comprimento muscular e pelo movimento articular visível contra uma resistência manual constante.
Está correto o que se afirma em:
I, II e III.
I e II apenas.
III apenas.
I e III apenas.
Em amputados de membro inferior, о treinamento funcional não se resume à adaptação protética, pois inclui equilíbrio, descarga de peso, dissociação de cinturas e reorganização do padrão de marcha. Antes da marcha protetizada avançada, uma habilidade essencial para reduzir compensações grosseiras é o controle de:
apoio unipodal.
reflexo miotático.
amplitude cervical.
pronação radioulnar.
excursão diafragmática.
Na correção de anomalias posturais, intervir apenas no segmento visivelmente alterado pode falhar quando a origem do desvio está em cadeias mecânicas relacionadas. Em uma postura com joelhos valgos associados a colapso medial dinâmico, uma conduta mais consistente exige atenção especial ao controle de:
rotação externa do úmero.
flexão plantar do tornozelo.
extensão torácica alta.
adução escapular estática.
adução e rotação medial do quadril.
A análise da marcha e do equilíbrio orienta a avaliação funcional e o planejamento da reabilitação. Sobre o assunto, analise as afirmativas a seguir.
I.O ciclo da marcha compreende a fase de apoio e a fase de balanço, delimitadas pelo contato e pela retirada do pé em relação ao solo durante o deslocamento.
II.O equilíbrio resulta da integração de informações visuais, vestibulares e proprioceptivas, processadas pelo sistema nervoso para a manutenção da postura e a orientação corporal.
III.A base de sustentação ampla reduz a estabilidade do indivíduo na postura ereta, recomendando-se a aproximação dos pés para aumentar a estabilidade no treino de equilíbrio.
Está correto o que se afirma em:
II e III apenas.
I apenas.
I, II e III.
I e II apenas.
Um paciente adulto, amputado transtibial unilateral há 8 meses por etiologia vascular, encontra-se em fase de reabilitação funcional avançada. Apresenta bom controle de tronco, força muscular preservada em quadril e joelho, porém queixa-se de desconforto no coto, instabilidade em terrenos irregulares e aumento do gasto energético durante a marcha com a prótese atual. Na análise biomecânica observam-se assimetria do tempo de apoio, aumento do momento flexor de joelho no membro protetizado e compensações no membro contralateral.
Considerando os princípios da prescrição, adaptação e treinamento de próteses, bem como os aspectos biomecânicos e funcionais da marcha protética, analise as afirmativas a seguir e assinale a alternativa correta.
A substituição do pé protético por um modelo de baixa resposta dinâmica é indicada para reduzir o gasto energético, independentemente do nível funcional do paciente.
A presença de dor no coto indica, obrigatoriamente, falha no encaixe protético, sendo desnecessária a avaliação do alinhamento dinâmico e do padrão de marcha.
A escolha de um pé protético com maior retorno de energia, associada ao treinamento de marcha com ênfase no controle do joelho protetizado e na simetria do apoio, pode reduzir o gasto energético e melhorar a eficiência funcional.
O treinamento funcional deve priorizar exclusivamente exercícios de fortalecimento muscular do membro amputado, uma vez que ajustes proprioceptivos e treino em superfícies variadas não interferem no desempenho com prótese.
A instabilidade em terrenos irregulares está relacionada apenas à falta de força muscular, não sendo influenciada pelo tipo de componente protético ou pelo alinhamento da prótese.
Existem diversos parâmetros relacionados à análise e à inspeção simples da marcha humana. Vale ressaltar alguns deles tais como, comprimento do passo e passada, cadência e velocidade. Assinale a alternativa que melhor define a distância medida desde o contato do calcanhar de um pé até o próximo contato do calcanhar desse mesmo pé.
Cadência.
Comprimento do passo.
Comprimento da passada.
Velocidade.
Assinale a alternativa que justifica CORRETAMENTE a aplicação do Timed Up and Go (TUG) na prática clínica:
Medir a capacidade cardiorrespiratória durante a marcha em longa distância.
Mensurar o nível de independência nas atividades de vida diária por meio de questionário autorreferido.
Analisar apenas o padrão da marcha em ambiente externo e em diferentes superfícies.
Avaliar a mobilidade funcional, o equilíbrio dinâmico e o risco de quedas por meio de uma tarefa funcional cronometrada.
Na doença de Parkinson, como as pistas externas auditivas ou visuais podem auxiliar no bloqueio da marcha e qual é a principal limitação desse recurso?
As pistas restauram a dopamina nos núcleos da base e perdem efeito quando a velocidade executada fica abaixo do ritmo proposto para a tarefa.
As pistas automatizam o padrão de marcha por repetição, e a transferência ocorre diretamente para ambientes com obstáculos, giros e demandas simultâneas.
As pistas aumentam a força dos membros inferiores, enquanto a organização temporal e espacial do passo exerce papel secundário na redução do bloqueio.
As pistas ampliam deliberadamente a carga cognitiva, e o benefício cresce quando tarefas simultâneas competem pela atenção durante a marcha em ambientes complexos.
As pistas oferecem referências temporais e espaciais ao passo, mas o efeito varia com a pessoa, o contexto e a retirada do estímulo.
No consultório, um paciente realiza um teste padronizado de marcha em um ambiente uniforme e percorre uma distância curta com segurança. No domicílio, ele evita caminhar por causa de degraus, passagens estreitas, iluminação precária e receio de cair. Segundo a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, qual a interpretação CORRETA dessa diferença?
O teste no consultório informa desempenho, enquanto a atividade domiciliar informa capacidade, pois a observação direta define o qualificador atribuído à marcha naquele domínio.
As duas situações informam capacidade, enquanto os obstáculos domésticos pertencem aos fatores ambientais e exercem efeito separado da qualificação atribuída à atividade observada.
A marcha no consultório representa participação, enquanto a marcha no domicílio representa atividade, razão pela qual os resultados medem domínios independentes da funcionalidade individual.
O teste em um ambiente uniforme estima capacidade, a realização no contexto habitual informa desempenho e a diferença entre ambas pode revelar barreiras ou facilitadores ambientais.
O teste em um ambiente uniforme estima desempenho, a realização no domicílio informa participação e a diferença entre ambas quantifica diretamente a gravidade da condição de saúde.
Um paciente em reabilitação após fratura de membro inferior foi liberado para deambulação com Descarga Parcial de Peso (DPP) utilizando duas muletas axilares. Durante o treino funcional, o Fisioterapeuta observa dificuldade na coordenação do padrão de marcha e instabilidade ao avançar o membro acometido.
Considerando os princípios biomecânicos de treinamento de marcha e conforme o padrão clássico de marcha com muleta, assinale a afirmativa correta.
No padrão de marcha de três pontos, o paciente deve avançar simultaneamente ambos os membros inferiores antes do deslocamento das muletas.
No padrão de marcha de três pontos com descarga parcial, o paciente deve avançar as muletas junto com o membro inferior acometido, seguido do membro não acometido.
O uso de muletas axilares dispensa a necessidade de ajuste de altura, desde que o paciente consiga apoiar o peso corporal.
Durante o treino com muletas, o apoio de peso deve ser realizado preferencialmente nas axilas para maior estabilidade.
O padrão de marcha de quatro pontos é o mais indicado para pacientes com descarga parcial de peso em membro inferior unilateral.
Um paciente idoso com fraqueza muscular em membros inferiores e instabilidade postural iniciou treinamento de marcha com dispositivo auxiliar.
Durante a avaliação, observou-se redução da força de abdutores do quadril, déficit de equilíbrio e dificuldade em sustentar descarga parcial de peso em membro inferior acometido.
Considerando os princípios cinesiológicos e anatômicos aplicados à escolha e uso de dispositivos auxiliares de marcha, assinale a afirmativa correta.
O uso de muletas axilares é mais indicado que o andador, pois exige menor controle de equilíbrio e menor ativação muscular de membros superiores.
O andador aumenta a base de suporte e reduz a exigência de controle dos abdutores do quadril durante a marcha.
O uso de muletas elimina a necessidade de ativação dos músculos estabilizadores do quadril durante a fase de apoio.
O andador reduz a base de suporte, exigindo maior controle postural e maior demanda dos músculos abdutores do quadril.
O uso de muletas transfere a carga exclusivamente para os membros inferiores, sem participação significativa dos membros superiores.
Durante o acompanhamento de um paciente com deficiência física decorrente de lesão neurológica, observa-se dificuldade na deambulação independente, com redução do equilíbrio e risco aumentado de quedas. O Fisioterapeuta indica o uso de tecnologia assistiva para favorecer a mobilidade funcional e a participação social.
Com base nos princípios da atenção à saúde da pessoa com deficiência (PcD) e no uso de tecnologias assistivas para marcha, assinale a afirmativa correta.
A escolha do dispositivo auxiliar de marcha deve considerar as capacidades funcionais do indivíduo, o ambiente e os objetivos de participação social.
O uso de dispositivos auxiliares de marcha, como bengalas e andadores, deve priorizar exclusivamente a compensação funcional, sem considerar o treinamento motor.
As tecnologias assistivas para marcha devem ser indicadas apenas em fases finais da reabilitação, quando não há possibilidade de recuperação funcional.
As tecnologias assistivas de locomoção reduzem a independência do paciente, devendo ser evitadas sempre que possível.
A prescrição de órteses para membros inferiores não influencia o padrão de marcha, sendo utilizada apenas para conforto.
Durante o treinamento de deambulação de um paciente pós-AVC com hemiparesia direita, o Fisioterapeuta observou dificuldade na fase de apoio do membro afetado, com redução da descarga de peso, instabilidade pélvica e tendência à queda contralateral.
Considerando os princípios de reeducação da marcha, facilitação neuromuscular e progressão do treino funcional, assinale a afirmativa correta.
Deve-se priorizar o uso contínuo de dispositivos auxiliares de marcha, como andador, sem progressão para descarga parcial de peso, a fim de garantir segurança máxima.
A estimulação do membro afetado deve ser evitada durante a fase de apoio, priorizando o fortalecimento do membro não afetado para compensação funcional.
A utilização de feedback sensorial deve ser limitada, pois pode prejudicar a automatização do padrão de marcha em pacientes neurológicos.
A marcha deve ser treinada exclusivamente em ambiente controlado, sem variação de superfície ou tarefas, para evitar interferência no reaprendizado motor.
O treino deve facilitar a transferência de peso para o membro afetado, o uso de pistas proprioceptivas e a progressão gradual da base de suporte, visando melhorar o controle postural e a simetria da marcha.
Um paciente apresenta alteração do padrão de marcha após lesão neurológica, com dificuldade para realizar adequadamente a fase de balanço. Durante a análise do movimento, o fisioterapeuta observa redução da dorsiflexão do tornozelo, comprometendo a passagem do pé durante o avanço do membro. Considerando a cinesiologia e a biomecânica da marcha, a intervenção fisioterapêutica deve priorizar:
Estratégias destinadas exclusivamente ao aumento da flexão do joelho, independentemente da função dos músculos dorsiflexores.
Exercícios e estratégias motoras voltados à recuperação da dorsiflexão e ao controle adequado do membro durante a fase de balanço.
Restrição da mobilidade do tornozelo para impedir movimentos compensatórios durante a marcha.
Fortalecimento isolado da musculatura plantarflexora, pois esses músculos são os principais responsáveis pela passagem do pé durante o balanço.
Paciente com síndrome do impacto subacromial apresenta discinesia escapular tipo II (inclinação anterior excessiva da escápula) associada a fraqueza do serrátil anterior. Durante a avaliação cinesiológica, observa-se "escápula alada" na flexão ativa do ombro. A fisiopatogenia dessa alteração biomecânica compromete primariamente qual mecanismo artrocinético da articulação glenoumeral?
Rolamento superior do úmero.
Rotação superior da escápula.
Deslizamento anterior da clavícula.
Báscula posterior do acrômio.
Rotação externa da glenoide.