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Um indivíduo submetido a amputação transfemoral recebe alta hospitalar e regressa ao seu domicílio, o qual apresenta barreiras arquitetônicas, nomeadamente escadas, íngremes e portas com largura reduzida. Considerando os princípios de acessibilidade e adaptação do ambiente físico, e tendo em vista a promoção da autonomia e segurança funcional, assinale a alternativa que indica a medida prioritária a ser implementada:
Instalação de tapetes antiderrapantes.
Alargamento das portas para mínimo de 80 cm.
Colocação de corrimão apenas num lado.
Iluminação decorativa.
Espelhos amplos nos corredores.
Suponha-se os desafios na reabilitação de um paciente adulto que sofreu Amputação Transfemoral Unilateral com comprimento do coto curto. Nesta situação, o braço de alavanca do quadril é hipossuficiente com tendência ao:
Posicionamento em flexão e abdução, sendo necessário iniciar a fase pré-protética pelo molde do coto, dessensibilização da cicatriz e fortalecimento de membros superiores e quadril.
Posicionamento em rotação externa e flexão, sendo necessário iniciar a fase pré-protética pelo fortalecimento de membros superiores, transferência de peso e treino de integração sensorial.
Posicionamento em extensão e adução, sendo necessário iniciar a fase pré-protética pelo molde do coto, encaixe do cone da prótese e treino precoce de marcha com apoio.
Posicionamento em rotação interna e extensão, sendo necessário iniciar a fase pré-protética pela dessensibilização da cicatriz, transferência de peso e treino de marcha livre.
No âmbito da Atenção Primária e dos serviços de Reabilitação, o Projeto Terapêutico Singular (PTS) configura-se como um dispositivo de gestão do cuidado que visa à superação do modelo biomédico fragmentado. Ao operacionalizar um PTS para um usuário com demandas complexas de saúde, a equipe multidisciplinar e o fisioterapeuta deve pautar-se pela seguinte premissa:
A elaboração deve ser prerrogativa exclusiva do profissional de referência de nível superior, visando a otimização do tempo assistencial e a verticalidade das decisões clínicas.
O foco central reside na aplicação rigorosa de protocolos de diretrizes clínicas baseadas em evidências para grupos diagnósticos homogêneos, garantindo a padronização do cuidado.
A pactuação das metas terapêuticas é um ato unilateral da equipe de saúde, sendo a adesão do usuário uma etapa secundária e independente do processo de co-gestão.
O plano deve restringir-se à dimensão anátomofisiológica e curativa, evitando a incursão em determinantes sociais que extrapolam a competência técnica da fisioterapia.
A estratégia pressupõe uma análise multidimensional que articula a vulnerabilidade biológica, o contexto socioeconômico e a subjetividade do sujeito, integrando ações intersetoriais.
Um homem de 62 anos sofreu um AVE isquêmico em território da artéria cerebral média direita há 1 mês. Na avaliação fisioterapêutica, observa-se assimetria postural em sedestação, apoio preferencial no hemicorpo direito, redução da transferência de peso para o lado esquerdo, espasticidade leve em flexores de membro superior esquerdo e déficit de controle seletivo distal.
Assinale a alternativa correta considerando a fisiopatologia da lesão, as manifestações clínicas esperadas e as recomendações baseadas em evidências para a reabilitação.
A presença de hemiplegia direita indica lesão no hemisfério direito, sendo prioritário o treino de força muscular máxima do hemicorpo acometido para restaurar a simetria funcional.
A espasticidade leve observada contraindica o treino funcional em cadeia cinética fechada, devendo a fisioterapia concentrar-se em alongamentos prolongados e inibição reflexa.
A assimetria postural e o apoio preferencial no lado não afetado indicam ausência de potencial de recuperação funcional, sendo indicado apenas treino compensatório com dispositivos auxiliares.
O padrão clínico descrito sugere comprometimento do trato corticoespinal e intervenções baseadas em tarefas, com prática intensiva e orientação para transferência de peso.
A reabilitação fisioterapêutica no período crônico do AVE apresenta evidência limitada, não havendo benefício clínico relevante após os primeiros dois meses do evento.
Dona Valquíria, 60 anos, participa de um programa de reabilitação pulmonar devido a um quadro de fraqueza muscular respiratória. Na avaliação inicial através da manovacuometria, o fisioterapeuta seguiu o protocolo de realizar a medida da pressão inspiratória máxima (PImáx) a partir do volume residual (VR). O valor de PImáx basal obtido foi de 60 cmH2O. O profissional planeja iniciar o treinamento muscular inspiratório (TMI) para aumentar a força e a endurance da paciente, utilizando um dispositivo de carga linear pressórica. Considerando as diretrizes para o treinamento muscular respiratório, assinale a afirmativa CORRETA.
O treinamento muscular inspiratório deve ser iniciado com uma carga de 10% da PImáx para evitar o risco de fadiga excessiva do diafragma.
A avaliação da PImáx deve ser realizada obrigatoriamente a partir da capacidade pulmonar total (CPT) para garantir a fidedignidade do teste.
O treinamento muscular deve focar exclusivamente nos músculos expiratórios, uma vez que o fortalecimento do diafragma não possui impacto na redução da dispneia.
A carga mínima recomendada para iniciar o treinamento da musculatura inspiratória é de 30% da PImáx, devendo ser progredida gradativamente até atingir 60-70% do valor basal.
A utilização da Escala de Borg durante o treino é contraindicada, pois a percepção subjetiva de esforço do paciente não possui correlação com a evolução clínica na reabilitação.
A decisão de conceder alta na fisioterapia é, de fato, um processo clínico complexo e de responsabilidade do fisioterapeuta. Ela deve ser embasada em uma análise criteriosa que combine dados mensuráveis (objetivos) com a percepção e relato do paciente (subjetivos). Nesse contexto, analise as seguintes assertivas:
I- A Restauração da amplitude de movimento (ADM) dentro dos limites funcionais é um critério subjetivo mensurável.
II- Redução significativa da dor, medida por escalas, é um critério objetivo.
III- O paciente relata sentir-se melhor, mais confiante e seguro para realizar suas atividades, tornando-se uma autopercepção de melhora subjetiva.
IV- Retorno às atividades desejadas, quando o paciente relata sucesso no retorno às suas atividades esportivas, laborais, de lazer e sociais sem restrições significativas, é um critério objetivo.
V- Retorno às atividades da vida diária (AVDs) e laborais sem auxílio ou com auxílio mínimo, utilizando escalas apropriadas à análise da capacidade funcional, é um critério objetivo.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
I, III e V.
I, II e III.
II, III e V.
II, III e IV.
II, IV e V.
Paciente de 55 anos, em tratamento com taxano por câncer de mama, evolui com neuropatia periférica sensitivo-motora grau 2, apresentando desequilíbrio, redução da propriocepção e episódios de quase queda. De acordo com as recomendações internacionais (diretriz ESMO–EONS–EANO) para manejo da neurotoxicidade induzida por quimioterapia, qual é a abordagem de reabilitação mais consistente no que se refere à prescrição de exercício físico?
Evitar treino de equilíbrio e focar apenas em força máxima.
Reabilitação com treino sensório-motor e de equilíbrio, estratégia de prevenção de quedas, com progressão conforme tolerância.
Manter exercícios de intensidade alta, apesar dos episódios de quase quedas para acelerar neuroplasticidade.
Somente utilizar eletrotermoterapia, sem exercício físico.
Suspender toda atividade física até remissão completa dos sintomas.
Conforme descrito por Dutton (2010), no pós-cirúrgico para reparo de uma lesão do tendão calcâneo, deve-se:
na fase 1 (1ª a 3ª semana), iniciar a progressão para sustentação total de peso com o padrão de marcha normal, utilizando um aparelho auxiliar, de acordo com a necessidade.
na fase 2 (4 a 6ª semana), obter ADM do tornozelo em 5° de dorsiflexão com a articulação subtalar na posição neutra e o joelho estendido e em 10° com o joelho flexionado.
na fase 4 (a partir de 15 semanas), iniciar programa com treino de corrida e retornar às atividades funcionais e esportivas pré-operatórias.
evitar o uso da bicicleta ergométrica, liberar apenas em fases mais tardias (após a 12ª semana).
iniciar o treinamento da marcha, progredindo com a sustentação parcial de peso para carga total por volta da 10ª a 12ª semana.
Um serviço público de reabilitação pretende adaptar para a realidade local um programa de fisioterapia neurofuncional utilizado em um grande centro de reabilitação de um país desenvolvido.
O programa tem componentes terapêuticos potencialmente úteis, mas depende de equipamentos, alta frequência presencial, transporte regular e monitoramento domiciliar por tecnologia não disponível localmente.
Sobre a estratégia de adaptação para esse caso, assinale a afirmativa correta.
Substituir o programa por orientações gerais de autocuidado, porque a falta de tecnologia impede a oferta de reabilitação estruturada e mensurável.
Identificar os componentes essenciais e mecanismos do programa, adaptar a forma de entrega com usuários e equipe local e monitorar viabilidade, fidelidade e resultados.
Descartar integralmente o programa, porque intervenções testadas em países de alta renda não podem produzir benefícios em contextos com menos recursos.
Reduzir igualmente a dose de todos os componentes e iniciar a aplicação, sem necessidade de acompanhar quais adaptações alteraram adesão ou efetividade.
Reproduzir integralmente os componentes e a forma de entrega do programa, mesmo que isso limite o acesso e a adesão dos usuários, pois fidelidade exige correspondência completa com o protocolo original.
Uma pessoa com ataxia cerebelar degenerativa apresenta instabilidade importante de tronco, dismetria dos membros inferiores e quedas frequentes. Consegue deambular com auxílio de andador e supervisão, compreende bem comandos e possui bom condicionamento cardiovascular para tolerar as sessões de treinamento.
Nesse contexto, assinale a opção que indica a progressão inicial que oferece melhor equilíbrio entre prática específica, segurança e possibilidade de aprendizagem.
Iniciar por terreno irregular e mudanças imprevisíveis de direção, pois grandes erros desde o começo da intervenção aumentam a capacidade cerebelar de correção automática.
Manter o tratamento restrito ao controle de tronco sentado até que a oscilação desapareça, iniciando o treinamento em pé somente após a estabilidade estar próxima da normal.
Retirar gradualmente o andador desde a primeira sessão para impedir dependência, mesmo que seja necessário reduzir o tempo de treinamento da marcha.
Aumentar precocemente a cadência e a velocidade da marcha para utilizar a inércia dos membros inferiores e reduzir o tempo disponível para ocorrência de dismetria.
Utilizar o apoio externo para permitir repetições seguras de transferências, equilíbrio e treinamento de marcha, incluir treinamento de estabilidade de tronco e progredir suporte, velocidade e variabilidade conforme o desempenho.
A respeito do planejamento dos objetivos terapêuticos na reabilitação em neuropediatria, assinalar a alternativa CORRETA.
Os objetivos precisam ser estruturados na abordagem “SMART” — S: específico; M: mensurável; A: alcançável; R: relevante; T: temporal.
Os objetivos precisam ser estruturados na perspectiva “SMART” — S: específico; M: memorável; A: alcançável; R: realista; T: teste dependente.
Os objetivos terapêuticos devem ter o foco exclusivo nas alterações da função e estrutura do corpo.
Os objetivos terapêuticos devem ter o foco exclusivo nas limitações para atividades.
O treinamento de equilíbrio e a reeducação neuromuscular objetivam restaurar a estabilidade articular dinâmica e o controle postural em indivíduos com incapacidades. No contexto das ações do Nasf, assinale a alternativa CORRETA.
A reeducação neuromuscular restringe-se ao sistema musculoesquelético isolado, sendo irrelevante o apoio psicossocial ou orientações para a realização das atividades de vida diária.
A reabilitação deve envolver a transformação do ambiente para a eliminação de barreiras arquitetônicas e atitudinais que impedem a efetiva participação social do cidadão.
O treinamento proprioceptivo deve focar exclusivamente na normalização dos padrões mecânicos, proibindo-se a mobilização de recursos comunitários para construir espaços de reabilitação.
O desenvolvimento de ações de reabilitação baseadas na comunidade dispensa a integração ensino-serviço, bastando a aplicação de exercícios em clínicas especializadas de nível secundário.
A reeducação neuromuscular é ineficaz para idosos acamados, devendo o fisioterapeuta priorizar o isolamento desses sujeitos para evitar o contato com as dores ocasionadas pela impotência.
Um paciente com lesão medular no nível C4 apresenta força residual apenas na musculatura do ombro (elevação de ombros/trapézio) e está em uso de uma órtese.
O objetivo de utilizar a órtese nesse paciente é
assessório, pois a indicação de órtese nesse nível de lesão é controversa, pois a função da mão já deve estar preservada.
posicionar estaticamente o punho em extensão com um dispositivo articulado tipo catraca.
potencializar a flexão dos dedos por meio de um efeito de tenodese a partir da extensão do punho.
utilizar a força residual do ombro por meio de um suporte móvel de braço, para potencializar a função
prevenir contraturas mantendo punho e dedos em posição funcional com uma órtese de repouso de mão.
Paciente do sexo masculino, com 63 anos de idade, necessita de assistência para reabilitação pulmonar.
A prescrição recomendada de frequência e volume para o componente de força e resistência muscular nesse contexto é
diariamente, até a exaustão total em cada sessão.
4 a 6 dias por semana, realizando apenas exercícios de flexibilidade estática.
2 a 3 dias por semana, realizando apenas exercícios de flexibilidade estática.
5 a 7 dias por semana, uma série de 5 repetições em 4 a 5 exercícios cobrindo os principais grupos musculares.
2 a 3 dias por semana, uma série de 3 a 20 repetições em 8 a 10 exercícios cobrindo os principais grupos musculares.
A Reabilitação Cardiovascular (RCV) com ênfase nos exercícios físicos demonstra significativas reduções da morbimortalidade cardiovascular e global, bem como da taxa de hospitalização, com expressivo ganho de qualidade de vida. Acerca da RCV, assinale a alternativa INCORRETA.
O principal objetivo da RCV com ênfase nos exercícios físicos é propiciar uma melhora dos componentes da aptidão física, tanto aeróbicos quanto não aeróbicos – força/potência muscular, flexibilidade, equilíbrio.
Na RCV, a equipe multiprofissional habitualmente é composta por médicos, educadores físicos, fisioterapeutas e profissionais de enfermagem, podendo ser integrada também por nutricionistas, psicólogos e assistentes sociais.
A fase 1 da RCV ocorre no ambiente intra-hospitalar, pautando-se na combinação de exercícios físicos de baixa intensidade, técnicas para o controle do estresse e programas de educação em relação aos fatores de risco e à cardiopatia.
A fase 2 da RCV inicia-se após a estabilização do paciente e a liberação da cardiologia, podendo ser realizada em meio hospitalar ou em centros de RCV especializados. Uma avaliação inicial identifica limitações físicas, restrições de atividades devido a comorbidades e outras barreiras à participação.
A fase 3 da RCV geralmente dura de 3 a 6 semanas e deve incluir um programa de exercício físico individualizado em termos de intensidade, duração, frequência e tipo de treino, além de acompanhamento constante visando ao retorno às atividades sociais e profissionais.
Quando é indicada a avaliação da fadiga em pacientes oncológicos no contexto da reabilitação funcional?
Apenas na fase inicial, para estratificação de risco funcional.
Apenas ao término do tratamento, para planejamento da alta.
Somente em pacientes com metástases ou doença avançada.
De forma contínua durante o tratamento e no seguimento, para monitoramento e ajuste das intervenções.
Na prática fisioterapêutica, a utilização da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) pode contribuir de forma significativa para a definição de metas funcionais centradas no paciente. Considerando essa aplicação da CIF, assinale a alternativa correta.
A CIF orienta a definição de metas apenas no nível das estruturas corporais, não contemplando atividades e participação.
A CIF favorece a formulação de metas relacionadas ao desempenho em atividades e participação, alinhadas às demandas reais do paciente e ao seu contexto de vida.
As metas funcionais devem ser baseadas exclusivamente em funções do corpo, como força e amplitude de movimento.
A CIF é utilizada apenas para classificação administrativa, sem relação com o planejamento terapêutico.
As Medidas de Resultados Relatados pelo Paciente (Patient-Reported Outcome Measures – PROMs) são instrumentos utilizados na prática fisioterapêutica para avaliar desfechos de saúde a partir da perspectiva do próprio paciente. Nesse contexto, assinale a alternativa correta.
Avaliam apenas parâmetros objetivos, como força muscular e amplitude de movimento.
Devem ser utilizadas apenas em pesquisas, não sendo recomendadas para a prática clínica.
Permitem avaliar sintomas, funcionalidade, qualidade de vida e percepção do paciente sobre seu estado de saúde.
São instrumentos aplicados exclusivamente por profissionais de saúde, com base em observação clínica.
Durante a avaliação fisioterapêutica, um profissional opta por utilizar a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) para estruturar o raciocínio clínico e o planejamento terapêutico. Considerando o uso da CIF no contexto da Fisioterapia, assinale a alternativa correta.
A CIF permite identificar problemas de funcionalidade, definir objetivos centrados no desempenho em atividades e participação e considerar fatores ambientais como barreiras ou facilitadores do tratamento.
A CIF substitui a avaliação clínica fisioterapêutica tradicional, dispensando testes físicos e funcionais.
A CIF organiza a avaliação apenas em funções e estruturas do corpo, excluindo aspectos funcionais e contextuais.
A CIF deve ser utilizada apenas para descrever a condição de saúde, não sendo útil para definição de objetivos terapêuticos.
Um paciente acamado há vários dias apresenta risco aumentado para perda funcional e declínio da mobilidade. Considerando os níveis de prevenção e os objetivos da reabilitação, qual abordagem fisioterapêutica é mais adequada?
Mobilização precoce, treino funcional progressivo e orientações voltadas à manutenção da capacidade física.
Realização de exercícios resistidos máximos para acelerar o retorno às atividades.
Restrição de movimento até a total recuperação clínica.
Apenas alongamentos passivos sem progressão.
Estímulo a repouso prolongado para poupar energia.