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O câncer de cabeça e pescoço ocorre mais frequentemente nas vias respiratórias digestivas superiores, sendo o de laringe um dos mais comuns. Sobre o assunto, julgue as seguintes afirmações como verdadeiras (V) ou falsas (F):
(__)Hemilaringectomia (HL) é indicada para tumores T1 da glote com invasão do ventrículo e prega vestibular ou com extensão para a aritenoide.
(__)O câncer de laringe tem predominância no sexo masculino.
(__)A laringectomia frontal é uma técnica de indicação bastante restrita, tendo em vista a posição do tumor para que seja realizada: comissura anterior e o terço anterior de ambas as pregas vocais que são removidos com a "quilha" da cartilagem aritenoide.
Assinale a alternativa cuja respectiva ordem de julgamento esteja CORRETA:
V, V, F.
V, V, V.
V, F, F.
F, F, F.
Responda as questões 39 e 40 com base nos Planos Terapêuticos Fonoaudiológicos – PTFs (Pró-Fono, 2012; 2015).
A disfagia neurogênica é observada como alguma frequência em pacientes idosos. Assinale a alternativa que NÃO corresponde a um achado fonoaudiológico esperado para esses casos.
Desnutrição.
Trânsito oral lento.
Aspiração.
Aumento gradual dos tremores.
Engasgos.
A avaliação clínica da biomecânica da deglutição deve ser realizada pelo fonoaudiólogo que poderá munir-se de exames complementares. Quais são os principais exames para avaliação da deglutição?
Audiometria tonal e vocal.
Videoendoscopia e videofluoroscopia da deglutição.
Análise acústica e estroboscopia.
Tomografia computadorizada e ressonância magnética.
No Brasil, dados do Ministério da Saúde indicam que oAcidente Vascular Cerebral (AVC) é a segunda principal causa de mortalidade, afetando significativamente a qualidade de vida dos sobreviventes. Um caso clínico apresentado no estudo de Silva et al (2023) descreveu a evolução de um paciente de 31 anos com AVC isquêmico, que inicialmente apresentava disfagia grave, sendo alimentado exclusivamente por Terapia Nutricional Enteral (TNE). Após um mês de intervenção fonoaudiológica intensiva e ajustes nutricionais, o paciente evoluiu para uma dieta oral segura e funcional, atingindo na Escala Funcional de Ingestão Por Via Oral (FOIS) escore 6.
Fonte: SILVA, Isabella Louise; MOTA, Isabela Cardoso Pimentel; GRITTI, Tatiana Magalhães de Almeida. Atuação interdisciplinar da nutrição e fonoaudiologia no desmame da via alternativa de alimentação em paciente grave pós AVC: um relato de caso. Revista da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo – Suplemento, São Paulo, v. 33, n. 2B, p. 267, 2023. Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.
Com base neste relato, avalie as seguintes afirmações relacionadas à intervenção interdisciplinar em pacientes com disfagia pós-AVC e marque a alternativa CORRETA.
A escala funcional de ingestão por via oral (FOIS) é uma ferramenta importante desenvolvida para que o nutricionista consiga avaliar a progressão da dieta em pacientes com disfagia, permitindo ajustes adequados de consistência e ponderação acerca da necessidade de intervenção fonoaudiológica.
Para diminuir o risco de aspiração e complicações pulmonares. É recomendado que o nutricionista inicie uma dieta oral nos pacientes alimentados por TNE, e, havendo engasgos, deve ser solicitada avaliação fonoaudiológica.
A adaptação da consistência alimentar é uma estratégia eficaz para melhorar a segurança da deglutição em pacientes com disfagia pós-AVC, reduzindo o risco de aspiração.
A atuação integrada das equipes de nutrição, determinando a consistência segura para o paciente, e fonoaudiologia, realizando exercícios sensoriomotores e manobras de proteção de via aérea adaptadas para ingestão segura da dieta, é uma estratégia fundamental para a recuperação funcional da deglutição, promovendo uma transição segura da TNE para a dieta oral.
Cabe à equipe de nutrição aumentar a quantidade de fórmula enteral, de maneira a estimular o avanço na terapia de deglutição para evitar o atraso no desmame da sonda nasoenteral e favorecer a introdução da alimentação por via oral.
A mucosa oral possui numerosas glândulas que, embora não estejam estritamente dentro da cavidade oral, lançam sua secreção nessa cavidade.
O conjunto de secreções dessas glândulas é a saliva, que atua sobre o bolo alimentar e possui poder enzimático. Há dois grupos de glândulas salivares: as principais e as acessórias.
Assinale a opção que relaciona, corretamente as glândulas acessórias.
Gânglios linfáticos, parótidas e sublinguais.
Papilas gustativas, parótidas, submandibulares e sublinguais.
Parótidas, submandibulares, sublinguais e pequenas glândulas salivares dispersas sobre o palato, lábios, bochehas, tonsilas e língua.
Papilas gustativas, parótidas, submandibulares, sublinguais e pequenas glândulas salivares dispersas sobre o palato, lábios, bochechas, tonsilas e língua.
Gânglios linfáticos, parótidas, submandibulares, sublinguais e pequenas glândulas salivares dispersas sobre o palato, lábios, bochechas, tonsilas e língua.
A cordectomia, um procedimento cirúrgico que envolve a remoção de parte ou de toda a prega vocal, é uma intervenção comum no tratamento de certos distúrbios da laringe. Este procedimento pode ser realizado por meio de uma abordagem aberta, através de uma laringofissura, ou transoralmente, utilizando técnicas endoscópicas. No ano 2000, a European Laryngological Society, uma organização renomada na área de laringologia, propôs uma classificação específica para as cordectomias realizadas por endoscopia. Esta classificação, que se tornou amplamente aceita na comunidade médica, descreve vários tipos de cordectomias, cada um correspondendo a um grau específico de ressecção da prega vocal. Sobre essa classificação, as cordectomias tipo IV são:
Transmusculares.
Subepiteliais.
Totais ou completas.
Subligamentais.
Sobre a possibilidade segura de prosseguir ou não com a oferta de alimento considere as assertivas a seguir:
I. Não é necessário o paciente estar responsivo para algumas repostas voluntárias de limpeza das vias aéreas, tendo em vista que esses aspectos não fazem a diferença.
II. Tosse eficiente para eliminar algum alimento que possa adentrar a via aérea.
III. Coordenação dos órgãos fonoarticulatórios, sendo a qualidade vocal molhada, para executar a função da deglutição de forma eficaz.
IV. Em caso de baixa responsividade, o paciente responde de modo eficiente à manobra de fúrcula.
Está(ão) correta(s):
I, II, III e IV.
Apenas II e IV.
Apenas I e III.
Somente I.
Quais são as estruturas anatômicas primárias envolvidas no processo de deglutição?
Faringe e laringe.
Língua e epiglote.
Esôfago e estômago.
Traqueia e pulmões.
A deglutição é um processo complexo que envolve várias etapas e estruturas do sistema digestivo e respiratório. Durante a deglutição, o alimento é transportado da boca para o estômago de forma segura, evitando a entrada de alimentos na via aérea. Uma das estruturas essenciais envolvidas na deglutição é a epiglote.
Qual é a função da epiglote no processo de deglutição?
A epiglote ajuda a moer e digerir os alimentos durante a mastigação.
A epiglote atua como uma válvula que impede a entrada de alimentos na traqueia durante a deglutição.
A epiglote secreta enzimas digestivas que quebram os alimentos.
A epiglote armazena temporariamente os alimentos antes de serem engolidos.
De acordo com Jotz et al (2018), os tumores do sistema nervoso central são o segundo câncer com mais frequência em crianças, representando 20% de todas as neoplasias que acometem pacientes menores de 15 anos de idade em todo o mundo. Tumores que comprometem a base do crânio e todos os tumores de fossa posterior, como meduloblastomas, astrocitomas, tumores de tronco cerebral e ependiomas podem afetar a deglutição.
Assinale a alternativa que apresenta um sintoma do acometimento no nervo glossofaríngeo por esses tipos de tumores.
Desvio do véu do palato e regurgitação nasal.
Regurgitação nasal e desvio da língua para o lado parético.
Desvio da parede posterior da faringe e lesões bilaterais.
Anestesia e analgesia da porção superior da faringe e abolição do reflexo nauseoso.
Paralisia do trapézio e do esternocleidomastóideo com dificuldade de sustentação da cabeça.
De acordo com Magalhães e Magnoni (2022), na obra “Disfagia Orofaríngea no Adulto em Ambiente Hospitalar”, são muitas as doenças neurológicas que podem cursar com disfagias. Vários estudos relacionam alterações da biodinâmica da deglutição pós-acidente vascular encefálico (AVE). Além do tipo do AVE, a extensão e o local do acometimento são informações que norteiam o planejamento terapêutico e, muitas vezes, conduzem o prognóstico.
Antes da avaliação fonoaudiológica e diariamente durante todo o processo terapêutico, é importante verificar em que nível da escala de Glasgow o paciente se encontra, uma vez que, dependendo do escore encontrado, não é possível iniciar a avaliação ou prosseguir os atendimentos.
Assinale a alternativa que apresenta os indicadores corretos da escala de Glasgow.
Nível de saturação, frequência cardíaca e resposta motora.
Nível de consciência, reatividade pupilar, capacidade respiratória.
Percepção sensorial, mobilidade e nutrição.
Nível de sedação, saturação e mobilidade.
Abertura ocular, resposta verbal e resposta motora.
Homem de 56 anos foi diagnosticado com carcinoma espinocelular de laringe, iniciando tratamento com radioterapia associada à quimioterapia. Foi realizada avaliação fonoaudiológica, com diagnóstico de disfagia orofaríngea mecânica, decorrente das alterações provocadas pela neoplasia, radioterapia e quimioterapia. Para avaliação objetiva, a partir dos resultados da avaliação fonoaudiológica funcional, realizou-se videofluoroscopia da deglutição, que acusou disfagia leve/moderada, com necessidade de prescrição de dieta modificada.
Qual o nível correspondente desse achado clínico na escala de 7 pontos de O’Neil et al., considerando o nível de gravidade?
Nível 1.
Nível 2.
Nível 3.
Nível 4.
Nível 5.
Observe a imagem em corte coronal feita por Ressonância Magnética de crânio, na fase sem contraste.

(Jotz et.al. Tratado de Deglutição
e Disfagia no adulto e na criança. p. 257)
Assinale a alternativa que apresenta a avaliação correta da região apontada pela seta branca.
Quarto ventrículo, com compressão hipotalâmica.
Atlas e Axis, com compressão do lobo occipital.
Sela túrcica, com compressão hipofisária.
Forame magno, com compressão do tronco encefálico.
Corpo caloso, com compressão do nervo trigêmeo.
Uma mãe procura um fonoaudiólogo com queixas de dificuldade para amamentar seu bebê de 2 meses. Relata que o bebê apresenta choro excessivo durante as mamadas, engasgos frequentes e ganho de peso insuficiente. Qual a principal hipótese diagnóstica e quais as possíveis intervenções fonoaudiológicas para este caso?
Anquiloglossia, exercícios de alongamento lingual e orientação à mãe sobre a pega correta.
Refluxo gastroesofágico, encaminhamento ao pediatra e acompanhamento nutricional.
Distúrbio do processamento auditivo central, avaliação audiológica completa e terapia fonoaudiológica específica.
Alergia alimentar, exclusão de alimentos alergênicos da dieta materna e acompanhamento pediátrico.
A aspiração é definida como a inalação de conteúdo orofaríngeo ou gástrico para a laringe e o trato respiratório inferior. Algumas síndromes pulmonares podem ocorrer após a aspiração, dependendo da quantidade e natureza do material aspirado, da frequência da aspiração e da resposta do hospedeiro ao material aspirado. Embora haja semelhanças entre a pneumonite de aspiração e a pneumonia de aspiração, são entidades clínicas distintas.
Assinale a alternativa que apresenta uma característica diagnóstica diferencial que caracteriza a pneumonite de aspiração.
Aspiração de conteúdo gástrico estéril.
Aspiração de material orofaríngeo colonizado.
Inflamação aguda em resposta a bactérias.
Típica de pessoas idosas.
Taquipneia e dismotilidade gástrica.
A presbifagia é caracterizada por modificações da deglutição, em todas as suas fases, decorrentes do processo de envelhecimento das estruturas envolvidas, incluindo o sistema neurológico. Assinale a alternativa correta referente às mudanças inerentes ao envelhecimento, envolvendo as fases da deglutição:
Na fase oral, podem ocorrer problemas de mastigação devido as perdas dentárias. A presença de próteses dentárias favorece a mastigação, mesmo em casos de próteses mal adaptadas.
Na fase faríngea, ocorrem alterações como a diminuição na elevação laríngea, decorrente da hipotonia faríngea e da redução da sensibilidade da faringe e laringe. Nesta fase, não há riscos de microaspirações.
As modificações na fase faríngea podem ser decorrentes, também, de causas mecânicas, como o divertículo faringoesofágico, mais conhecido como divertículo de Zenker, a partir dos 60 anos.
Todas as alternativas estão corretas.
Segundo Rossi et al. (2021), os pacientes com câncer de cabeça e pescoço frequentemente enfrentam desafios significativos na comunicação e na deglutição devido aos tratamentos agressivos. A American Speech-Language-Hearing Association (ASHA) acrescenta que entre 50% a 75% dos pacientes com câncer de cabeça e pescoço necessitam de algum tipo de intervenção fonoaudiológica devido a problemas relacionados à deglutição (disfagia), voz (disfonia) e comunicação (afasia).
Fonte: ROSSI, V. C. et al. Speech therapy in head and neck cancer. Braz J Otorhinolaryngol, 2021;87:495---6. DOI: https://doi.org/10.1016/j.bjorl.2021.02.002AMERICAN SPEECH-LANGUAGE-HEARING ASSOCIATION. American Speech-Language-Hearing Association (ASHA). Disponível em: https://www.asha.org/. Acesso em: 6 jul. 2024
Considerando a atuação do fonoaudiólogo nesse contexto, analise as afirmações a seguir.
I- O fonoaudiólogo participa ativamente na equipe multidisciplinar, atuando no momento do diagnóstico e orientação pré-cirurgia por meio de técnicas para a produção de voz esofágica ou traqueoesofágica para evitar possíveis sequelas.
II- A quimioterapia e radioterapia causam sequelas temporárias ou permanentes na deglutição e na fala e a intervenção do fonoaudiólogo busca minimizar esses efeitos adversos.
III- A fonoterapia inicia-se entre 45 e 60 dias após a cirurgia de cabeça e pescoço, após o período de cicatrização, visando a manter a função vocal e incluindo orientações sobre o cuidado com o estoma e técnicas de reabilitação vocal.
IV- A fono-oncologia busca promover a reintegração social e a qualidade de vida dos pacientes através da reabilitação vocal e da adaptação funcional da alimentação.
V- Em casos de laringectomia total, o fonoaudiólogo desempenha um papel crucial na reabilitação vocal, incluindo o uso de próteses fonatórias e técnicas para a produção de voz esofágica ou traqueoesofágica, com o objetivo de restaurar a capacidade de comunicação dos pacientes.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
I e III.
I, II e IV.
II e III.
II, IV e V.
IV e V.
Ao realizar uma avaliação de mastigação e deglutição no leito, utilizando a técnica dos 4 dedos junto à ausculta cervical com estetoscópio, o fonoaudiólogo consegue observar, de forma subjetiva, o timing da deglutição orofaríngea (presença e o grau de excursão laríngea) e detectar presença de tosse ou pigarro, o momento da penetração e/ou aspiração laríngea, promovendo, assim, uma reflexão/raciocínio clínico de indicação de manobras, dependendo do momento de sua ocorrência.
Em relação à presença de tosse, relacione a segunda coluna com a primeira:
1. Presença de tosse antes do início da excursão laríngea, sinais de alteração controle sensório-motor oral.
2. Presença de tosse durante a deglutição (movimentação laríngea), déficits na elevação e/ou fechamento da laringe.
3. Presença de tosse após o retorno da laringe para sua posição de repouso, sinais de estase e posterior entrada de alimento na laringe.
( ) São indicadas manobras de limpeza faríngea.
( ) Podem ser introduzidas manobras de proteção de vias aéreas inferiores.
( ) Sendo indicado manobras de cabeça para a frente durante a deglutição.
( ) Troca para consistência mais espessa.
A associação CORRETA, considerando-a de cima para baixo, é:
1, 3, 2, 1.
1, 2, 3, 2.
3, 1, 2, 1.
3, 1, 2, 2.
3, 2, 1, 1.
Considere a seguinte definição sobre o esôfago: tubo muscular que apresenta as partes toráxica e abdominal com três áreas de estreitamento esofágico, no nível da cartilagem cricoide, no tórax e no nível do hiato esofágico do diafragma. O nível da cartilagem cricoide corresponde
ao esfíncter inferior do esôfago.
ao esfíncter superior do esôfago.
ao arco da aorta.
ao brônquio fonte esquerdo.
à laringe.
Uma das técnicas diagnósticas para realizar avaliação funcional da deglutição por meio da nasofaringolaringoscopia flexível, que permite visualizar a fase faríngea da deglutição, determinando a segurança da alimentação por via oral, é o(a):
Videoendoscopia da deglutição (FEES).
Videofluoroscopia da deglutição (VFD).
Fibrobroncoscopia.
Blue Dye Test.