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Um professor de Geografia do Ensino Médio percebe que seus alunos, apesar de estarem constantemente conectados a redes sociais e terem acesso imediato a notícias globais via smartphones, demonstram grande dificuldade em analisar criticamente os fenômenos geográficos complexos (como a crise climática ou os fluxos migratórios) que extrapolam sua experiência local imediata. Eles tendem a ver a informação como fatos isolados, sem compreender as interconexões espaciais e as dinâmicas de poder subjacentes. Para superar essa dificuldade e promover uma leitura crítica do espaço, o professor decide afastar-se da abordagem tradicional de memorização de localizações e estatísticas. Qual abordagem metodológica de ensino de Geografia é a mais indicada para auxiliar os alunos a desenvolverem a capacidade de analisar a complexidade espacial e a interdependência dos fenômenos contemporâneos?
O ensino puramente topográfico e descritivo, focando na memorização dos nomes de rios, capitais e limites dos blocos econômicos, como forma de garantir a base factual necessária para análises futuras.
A utilização exclusiva de mapas mentais individuais como principal ferramenta de avaliação, desconsiderando a necessidade de ferramentas de geoprocessamento e análise espacial formal.
A adoção do Geocartográfico Tradicional, limitando o uso de novas tecnologias (como SIG ou Google Earth) ao mínimo, sob a premissa de que o foco deve permanecer na leitura crítica de atlas impressos e na simbologia tradicional.
A abordagem territorial ou problemática, estruturando o ensino em torno de temas geradores complexos (e.g., "Segurança Alimentar Global"), utilizando o território como um conceito relacional que articula as escalas (local, regional, global) e as dimensões do espaço (natural, social, econômica).
Qual é o primeiro nome dado por certos povos indígenas ao território hoje conhecido como Brasil?
Tupinambá.
Ilha Brasil.
Pindorama.
Ilha de Vera Cruz.
Terra de Santa Cruz.

THÉRY, H.; MELLO-THÉRY, N. A. Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas do território. São Paulo: Edusp, 2018 (adaptado).
Ao utilizar os mapas, com destaque para a incorporação de terras, um professor de Geografia pretende organizar uma atividade com o objetivo de refletir sobre a formulação do pensamento espacial sobre o processo de formação territorial do Brasil com base nas dinâmicas econômicas entre os séculos XVI e XIX. Qual proposta atende ao objetivo da atividade do professor?
Descrição da produção agrícola e dos eixos de escoamento desses produtos para entender o papel do comércio exterior nos ciclos econômicos.
Pesquisa sobre as características dos ciclos econômicos e o debate sobre a relação desses ciclos com o surgimento de vilas e cidades no interior do país.
Produção de mapa conceitual para o entendimento das mudanças culturais entre os ciclos econômicos e a atuação de diferentes atores, como bandeirantes e jesuítas.
Elaboração de fichas descritivas que sintetizam informações sobre a exploração mineral para o entendimento das diferentes forças produtivas que caracterizavam os ciclos econômicos.
A análise de representações espaciais, sejam mapas, gráficos ou charges, evidencia que tais linguagens não são registros neutros, mas construções situadas, permeadas por intenções ideológicas, escolhas técnicas e contextos históricos. A cartografia crítica, conforme apontam J. Brian Harley e Denis Wood, ressalta que os mapas devem ser compreendidos como discursos de poder que produzem sentidos sobre o território. No ensino de Geografia, essa abordagem exige formar leitores capazes de problematizar a pretensa objetividade das representações, articulando dimensões técnicas, políticas e culturais.

Considerando essa perspectiva, assinale a proposição mais coerente com a função pedagógica da cartografia crítica:
A leitura cartográfica deve integrar a dimensão técnica das escalas e projeções com a análise das condições históricas e políticas que orientam a produção dos mapas e seus usos sociais.
O ensino da cartografia crítica pode incorporar metodologias interativas, articulando linguagens multimodais, mas enfrenta o desafio de evitar leituras reducionistas que absolutizam a dimensão simbólica em detrimento da técnica.
A função crítica da cartografia escolar consiste em ampliar a capacidade técnica dos alunos na leitura de coordenadas, mas articulando esse domínio à compreensão de intencionalidades implícitas nos discursos cartográficos.
O trabalho pedagógico com mapas e charges deve problematizar as representações espaciais como construções discursivas, revelando as relações de poder e as disputas simbólicas nelas inscritas.
A análise de mapas e imagens geográficas deve considerar tanto a materialidade técnica de sua construção quanto os contextos sociopolíticos que condicionam a seleção de dados e a forma de representação espacial.
A partir da incorporação das teorias da geopolítica crítica e dos estudos pós-estruturalistas, a geografia política contemporânea rompe com a concepção clássica do território como extensão fixa e domínio absoluto do Estado. Nessa chave teórica, o território é entendido como produto relacional, constituído por múltiplos atores, escalas e normatividades. Assinale a alternativa que expressa, com maior precisão, essa perspectiva crítica.
A soberania territorial se fundamenta na dominação geofísica, bastando o controle militar de fronteiras e recursos naturais.
O Estado exerce controle territorial absoluto, independentemente das dinâmicas sociotécnicas transnacionais.
A política territorial depende da estabilidade geográfica, o que a torna imune a processos de desterritorialização digital.
As fronteiras territoriais são exclusivamente definidas por acordos jurídicos entre Estados soberanos, sem influência social.
O território é constituído por múltiplas redes de poder, sendo tensionado por atores estatais e não estatais em escalas locais e globais.
A “invenção” dessa nova anatomia política não deve ser entendida como uma descoberta súbita. Mas como uma multiplicidade de processos muitas vezes mínimos, de origens diferentes, de localizações esparsas, que se recordam, que se repetem, ou se imitam, apoiam-se uns sobre os outros e esboçam aos poucos a fachada de um método geral. Encontramo-los em funcionamento nos colégios, muito cedo; mais tarde, nas escolas primárias, no espaço hospitalar e na organização militar.
FOUCAULT, M. Vigiar e punir. Petrópolis: Vozes, 2011.
O texto indica o seguinte aspecto da disciplina como ferramenta política:
Expansão das técnicas de suplício.
Judicialização das relações de poder.
Dissolução das distinções de nobreza.
Capilarização das práticas de controle.
Espetacularização das medidas de penitência.
O papel do conceito de território alterou-se ao longo dos séculos. De certa forma, pode-se afirmar que o conceito existiu muito antes do século XIV e adquiriu novos significados desde então. No tempo em que vivemos, esse conceito passa por uma modificação substancial que reflete transformações mais amplas na sociedade.
(Adaptado de: GOTTMANN, Jean. "A evolução do conceito de território". (2012). AGB − Boletim Campineiro de Geografia.)
Sobre o conceito de território, é correto afirmar que:
Refere-se apenas a locais de expansão do solo urbano.
Trata-se do espaço apropriado e controlado por relações de poder, sejam elas econômicas, políticas ou simbólicas.
Diz respeito exclusivamente aos espaços sob domínio de Estados nacionais.
Representa uma simples extensão do espaço rural e urbano.
Corresponde a áreas delimitadas apenas por critérios naturais.
Julgue os itens a seguir, relativos a locação de parcelamento do solo, loteamento, desmembramento e remembramento.
O remembramento é um procedimento de parcelamento do solo que ocorre quando um lote ou gleba de terra é dividido em frações menores para comercialização.
Certo
Errado
O conceito de território é compreendido a partir das relações de poder, o que configura o território como um espaço político.
Certo
Errado

THÉRY, H.; MELLO-THÉRY, N. A. Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas do território. São Paulo: Edusp, 2018 (adaptado).
Ao utilizar os mapas, com destaque para a incorporação de terras, um professor de Geografia pretende organizar uma atividade com o objetivo de refletir sobre a formulação do pensamento espacial sobre o processo de formação territorial do Brasil com base nas dinâmicas econômicas entre os séculos XVI e XIX. Qual proposta atende ao objetivo da atividade do professor?
Descrição da produção agrícola e dos eixos de escoamento desses produtos para entender o papel do comércio exterior nos ciclos econômicos.
Pesquisa sobre as características dos ciclos econômicos e o debate sobre a relação desses ciclos com o surgimento de vilas e cidades no interior do país.
Produção de mapa conceitual para o entendimento das mudanças culturais entre os ciclos econômicos e a atuação de diferentes atores, como bandeirantes e jesuítas.
Elaboração de fichas descritivas que sintetizam informações sobre a exploração mineral para o entendimento das diferentes forças produtivas que caracterizavam os ciclos econômicos.

Disponível em: https://apiboficial.org. Acesso em: 8 jun. 2025.
Em uma aula sobre os conceitos fundantes da Geografia, o professor solicitou aos estudantes que fizessem uma análise reflexiva dessa figura identificando o conceito ao qual ela se refere. Como resultado, os estudantes indicaram:
Região: formação idealizada, separada de um todo, por suas características particulares e singulares.
Paisagem: representação simbólica de um evento, formada por expressões culturais do ser humano e percebida pelos sentidos.
Espaço geográfico: expressão material e imaterial sobre a qual se dão as relações de produção desenvolvidas pela sociedade.
Território: manifestação espacial de um indivíduo, grupo ou Estado, tendo por base relações sociais determinadas por estruturas concretas e simbólicas.
O conceito básico da técnica de mapeamento por ângulo espectral consiste em tratar a curva de resposta espectral de um alvo como um vetor em um espaço multidimensional, sendo amplamente aplicada na mineralogia para identificação de minerais e em estudos de vegetação.
Certo
Errado
São Capitais da Região Sudeste, EXCETO:
Vitória.
Florianópolis.
Belo Horizonte.
Rio de Janeiro.
São Paulo.
Discutindo a atualização do conceito de território, Marcelo Lopes de Souza entende que “a fixação da Geografia Política clássica no Estado, conduzindo à percepção do território nacional como o território por excelência, redundou na cristalização do sentimento, implícito nos discursos, de que territórios são entidades que se justapõem contiguamente, mas não se superpõem, uma vez que para cada território nacional só há um Estado-nação”.
(SOUZA, M.J.L. in CASTRO, I. E., GOMES, P.C.C., CORRÊA, R. L. (Org.). Geografia: Conceitos e Temas)
Crítico à essa perspectiva da Geografia Política clássica, o autor defende que
pode existir superposição de diversos territórios, com formas variadas e limites não coincidentes, e podem existir contradições entre as diversas territorialidades como, por exemplo, entre territorialidades formais (legalmente definidas) e informais.
o conceito de território é obsoleto para a atual configuração política e social, quando as redes informacionais e o crescente acesso a recursos de comunicação tornaram os indivíduos capazes de criar e intervir nas relações de poder sem hierarquias formais.
a ascensão das organizações não governamentais subverteu o modelo de território da Geografia Clássica, substituindo o poder do Estado-nação pela opinião pública internacional, mobilizada através do cyberespaço e com poder de influência.
a redefinição do papel do Estado na economia e na sociedade, sob a perspectiva do neoliberalismo, possibilitou a criação de vários níveis de territórios, desde o definido pelo Estado-nação até o nível da comunidade local, que se manifesta na escala do município.
a Geografia Política clássica não levava em consideração as dimensões econômica e cultural do espaço geográfico, nas quais outras formas de território são mais importantes, como os territórios étnico-culturais e de disputas entre grupos empresariais.
Em um contexto de crescente urbanização e desigualdade regional, o papel do Estado nas políticas territoriais tem se tornado cada vez mais central para promover o desenvolvimento equilibrado e a justiça social. O Estado, ao formular políticas públicas voltadas para a gestão do território, pode influenciar diretamente a distribuição dos recursos, o uso da terra e as condições de vida das populações. Dentre as alternativas a seguir, assinale a que apresenta a principal função das políticas territoriais adotadas pelo Estado em relação à equidade e ao desenvolvimento sustentável.
As políticas territoriais devem priorizar a centralização das decisões políticas nas grandes metrópoles, deixando os territórios rurais e periferias com pouca intervenção do Estado, para estimular a livre iniciativa e o crescimento econômico desregulado.
O Estado deve atuar com políticas territoriais focadas exclusivamente na redução dos impactos ambientais nas áreas urbanas, deixando as áreas rurais e os pequenos municípios sem a necessidade de regulação ou intervenção.
As políticas territoriais devem promover a redistribuição equitativa dos recursos naturais e da infraestrutura entre diferentes regiões, com o objetivo de reduzir as disparidades entre as áreas centrais e periféricas, assegurando o desenvolvimento sustentável e a justiça social.
O papel do Estado nas políticas territoriais é garantir a concentração das atividades econômicas em áreas metropolitanas, uma vez que a densidade populacional e a infraestrutura urbana são fatores que contribuem para o crescimento acelerado e sustentável da economia nacional.
A principal função das políticas territoriais é fomentar a especulação imobiliária nas grandes cidades, incentivando a construção de grandes empreendimentos para impulsionar o crescimento do mercado financeiro, sem considerar as necessidades das populações locais.
Os dados raster são mais eficazes para a representação de fenômenos contínuos, como a variação de temperatura, do que de dados discretos, como o limite de propriedade.
Certo
Errado
Ainda em se tratando dos conceitos e temas da Geografia assinale a alternativa correta quanto ao conceito de território:
O território é exclusivamente definido por limites naturais, como rios e montanhas, sendo um conceito independente das relações de poder e dos processos sociais.
O território é compreendido como um espaço geográfico delimitado por fronteiras formais, exclusivamente relacionado à soberania estatal e à demarcação política.
O território é uma construção social que envolve a apropriação do espaço por grupos ou indivíduos, sendo marcado pelas relações de poder que se estabelecem sobre ele.
O território é sinônimo de espaço geográfico, não havendo distinção conceitual entre ambos, já que ambos englobam as interações entre sociedade e natureza.
Leia o excerto a seguir:
Para cumprir os objetivos do ensino de Geografia, sintetizados na ideia de desenvolvimento do raciocínio geográfico, é preciso que se selecionem e se organizem os conteúdos que sejam significativos e socialmente relevantes. A leitura do mundo do ponto de vista de sua espacialidade demanda a apropriação, pelos alunos, de um conjunto de instrumentos conceituais de interpretação e de questionamento da realidade socioespacial. Esses conceitos são considerados como fundamentais para o raciocínio espacial e são citados como os mais elementares para o estudo da Geografia.
(Lana de Souza Cavalcanti, Geografia, escola e construção de conhecimentos)
São exemplos desses conceitos:
lugar, paisagem e território.
globalização, tecnificação e território.
segunda natureza, globalização e domínios morfoclimáticos.
domínios morfoclimáticos, paisagem e globalização.
lugar, segunda natureza e tecnificação.
Os conceitos de espaço geográfico, tempo geográfico, paisagem e território constituem as bases da análise geográfica e orientam as diferentes abordagens epistemológicas da ciência.
Com base nesses conceitos, assinale a alternativa INCORRETA.
O território, segundo a abordagem geográfica, corresponde unicamente à delimitação física de uma área geográfica controlada por um Estado, sendo um conceito puramente político e desprovido de dimensão simbólica.
Os conceitos de paisagem, espaço e território devem ser compreendidos de modo inter-relacionado, pois expressam diferentes níveis de análise do mesmo processo de organização social do espaço.
O tempo geográfico refere-se à escala temporal das transformações espaciais, permitindo compreender como os processos naturais e sociais produzem continuidades e rupturas nas paisagens ao longo da história.
O espaço geográfico é entendido, na perspectiva crítica, como produto histórico das relações sociais, econômicas e políticas, sendo simultaneamente condição e resultado da ação humana sobre a natureza.
Observe a imagem:

O esquema apresentado representa a dinâmica sistêmica do território por meio do conceito de geossistema, evidenciando a relação entre os componentes naturais e as ações humanas. A partir da análise da imagem e dos conhecimentos sobre geossistemas, assinale a alternativa correta.
O potencial ecológico, ao se constituir exclusivamente da fauna e da cobertura vegetal, exerce influência direta apenas sobre a ação antrópica, não tendo relação com o geossistema.
A imagem apresenta uma visão fragmentada da dinâmica territorial, desconsiderando as interações entre natureza e sociedade, incompatível com o paradigma do desenvolvimento sustentável.
A ação antrópica é considerada uma variável externa ao geossistema e, portanto, não interfere na exploração biológica ou no potencial ecológico.
O geossistema atua como mediador das relações entre os subsistemas naturais e as práticas humanas, sendo ao mesmo tempo condicionado e condicionante da ação antrópica.
A exploração biológica corresponde à capacidade de intervenção humana sobre os elementos físicos do território, como relevo e clima, e está dissociada das dimensões ecológicas.