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Segundo Ricardo Oriá, a preservação do patrimônio cultural tem sido valorizada pela historiografia contemporânea. E socializar esse patrimônio na escola, com valores semelhantes, significa:
educar para cuidar de prédios, monumentos e edificação de valor excepcional.
vincular o patrimônio artístico nacional aos fatos memoráveis da história.
cultivar o valor da diversidade de estilos e projetos arquitetônicos coloniais.
conhecer a pluralidade das produções históricas étnicas-culturais e sociais.
apreciar bens materiais, especialmente imóveis e seus contextos ambientais.
Não se discute mais se o patrimônio cultural do país constitui-se apenas dos bens de valor excepcional ou também daqueles de valor cotidiano; se inclui monumentos individualizados ou em conjunto; se apenas a arte erudita merece proteção ou também as manifestações populares; se contém apenas os bens produzidos pelo homem ou se engloba também bens naturais; se esses bens da natureza envolvem somente os dotados de excepcional valor paisagístico ou inclusive o simples ecossistema.
(Ricardo Oriá. Memória e ensino de História. Em Circe Bittencourt (org.). O saber histórico na sala de aula.)
Dessa forma, são considerados patrimônio cultural os bens que
sejam efetivamente um construtor da história nacional, ou seja, remetam a um evento ou personagem que permitiram o avanço da nacionalidade.
sejam portadores de referência à identidade, à ação e à memória dos diferentes elementos étnico-culturais formadores da nação brasileira.
reconheçam, no passado remoto do Brasil, desde a colonização, o esforço nacional em direção à tolerância religiosa e cultural.
tenham efetiva ligação com os heróis da nacionalidade, caso dos grandes dirigentes e das lideranças religiosas.
demostrem os caminhos nacionais na construção de uma história marcada pela democratização racial.
De acordo com IPHAN, a Constituição Federal de 1988, em seus artigos 215 e 216, ampliou a noção de patrimônio cultural ao reconhecer a existência de bens culturais de natureza material e imaterial. Com base no exposto, assinale a alternativa correta.
O Samba de roda do Recôncavo Baiano é um patrimônio cultural imaterial.
A Festa do Senhor Bom Jesus do Bonfim não é um patrimônio imaterial.
A Roda de Capoeira é um patrimônio cultural material do Brasil.
O conjunto arquitetônico do centro histórico de Salvador é imaterial.
O Círio de Nazaré é um patrimônio imaterial de Salvador.
Segundo Ricardo de Aguiar Pacheco, no texto O museu na sala de aula: propostas para o planejamento de visitas aos museus, 2012, “para a maioria dos professores, conduzir uma turma de escola ao museu é uma aventura. Uma operação que demanda esforço de organização e uma disposição para encontrar soluções que já demoveu muitos.”
Dentro da perspectiva abordada por esse autor, pensar em práticas educativas no ensino de História com o museu pressupõe dos educadores a:
clara percepção que a visita se inicia antes do próprio ato de visitar, a partir de planejamento em três tempos: antes, durante e depois.
necessária compreensão de que a visita deve ser uma confirmação daquilo que foi visto em sala de aula para que não se perca o foco do processo.
percepção de que este também deve ser um momento de lazer e descontração, pois assim os educadores poderão promover mais conexões com o museu e a vida.
clareza de que tudo deve ser observado nos mínimos detalhes, todos os elementos devem ser anotados, como se fosse uma “atividade de campo”.
“Se considerarmos plausível a assertiva de que o museu é uma morada de dispersões temporais, corporais e simbólicas, compreenderemos que o objeto cultural recebe nele nova e diversa hospitalidade. Como na vida social, o museu é compreendido pela pluralização movente de sentidos, conferidos e subvertidos a cada visita, posto que o campo da recepção é, também ele, diverso e criativo.”
PEREIRA, Júnia Sales; CARVALHO, Marcus Vinicius Corrêa. Sentidos dos tempos na relação museu / escola. Cad. Cedes. Campinas. v. 30. Nº. 82. p. 384, set.-dez. 2010. Disponível em: < http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v30n82/08.pdf >.
Nesse sentido, para Pereira e Carvalho (2010), o museu é um:
espaço erigido a partir do suposto da totalidade cultural, pretendendo assim encenar os sentidos unívocos do tempo histórico e toda a história nele implicada. E há nele a insistência na representação da verdade encarnada nas mais significativas imagens.
local onde não se pode levar em consideração o possível cruzamento de fronteiras em direção às outras aprendizagens. Seria um espaço específico sobre aquela determinada temática e determinado tempo histórico.
ambiente em que reside a inter-relação das percepções sociais diversas, guardando uma variedade de gestos preservacionistas, silenciamentos monumentalizares, perspectivas historiográficas e museológicas, bem como intenções educativas.
local de uma relação educativa iminente, dependente da capacidade criadora do setor educativo em problematizar seus limites e seus interesses; sem o que haveria, apenas, uma possibilidade latente, mal desdobrada, de uma relação fundamentalmente educativa.
Patrimônio é o conjunto de bens materiais e imateriais que revelam a história de um lugar, de seu povo e a sua relação com o meio ambiente. São marcas preciosas do passado que podem ser transmitidas para as futuras gerações. Segundo artigo 216 da Constituição Federal, configuram patrimônio "as formas de expressão; os modos de criar; as criações científicas, artísticas e tecnológicas; as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; além de conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico." Segundo dados do IPHAN, são patrimônio do Ceará, EXCETO:
O Grupo Penitentes Irmão da Cruz;
Banda cabaçal;
Pau da Bandeira de Barbalha
A Igreja Matriz de Santana está localizada em Iguatu;
Pinturas rupestres na Serra da Capivara.
Procurando apreender as mudanças de conceituação que envolvem o termo “patrimônio”, podemos afirmar que este surge intimamente relacionado ao surgimento do estado-nação.
Diante do contexto do surgimento do estado-nação e das políticas públicas de patrimônio, assinale a afirmativa em que o conceito de patrimônio encontra-se corretamente definido:
Patrimônio: bem de valor material que pode ser negociado no mercado ou guardado, podendo ou não apresentar um valor simbólico.
Patrimônio: artefato ou bem material ou imaterial de valor simbólico e identitário para a nação, a comunidade ou um grupo.
Patrimônio: artefato ou bem material de caráter privado que, pelo seu valor cultural para a humanidade, deve ficar sob a guarda de uma entidade pública.
Patrimônio: artefato ou bem material ou imaterial que deve ser recolhido, selecionado, catalogado e exposto, sendo valorizado pelo seu significado para um grupo específico.
Patrimônio: artefato ou bem que materializa a história/memória nacional que precisa ser preservada, sob a pena de perder-se no tempo.
No Brasil, o reconhecimento da necessidade de proteger o patrimônio histórico e artístico já havia sido apontado nos anos 1920, época em que se registraram iniciativas locais e estaduais. Em 1936, Mário de Andrade foi solicitado a preparar a criação de uma instituição nacional de proteção do patrimônio. Foi esse o documento que foi usado nas discussões preliminares sobre a estrutura e os objetivos do SPHAN (Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), criado afinal por decreto presidencial assinado em 30 de novembro de 1937.
(Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea
do Brasil da Fundação Getúlio Vargas – CPDOC FGV. A Era Vargas:
Diretrizes do Estado Novo 1937-1945 – Serviço do Patrimônio Histórico
e Artístico Nacional. Disponível em:<https://goo.gl/6czzC4> . Adaptado)
A criação do SPHAN reflete
um momento histórico de preservação e valorização dos patrimônios, símbolos, bandeiras e hinos municipais, regionais e estaduais, com o objetivo de fortalecer as múltiplas identidades a partir das quais se constituiria uma única identidade nacional articulada pelo Estado.
uma perspectiva de cultura nacional autoritária e etnocêntrica que procurava negar e proibir as manifestações das camadas populares, especialmente dos negros, tal como o samba, dando ênfase aos patrimônios monumentais católicos, tais como as igrejas mineiras do barroco.
um ambiente de centralização nas políticas de cultura e educação, o que incluía as questões de identidade e de patrimônio, mas que conviveu, contraditoriamente, com políticas economicamente liberais, o que levou à entrada de capital estrangeiro na industrialização.
um contexto de (re)construção da identidade nacional a partir de elementos como o patrimônio, que representava a história na preservação de alguns edifícios históricos, evidenciando a parceria entre os intelectuais e o Estado na formulação de importantes políticas públicas.
uma época de consolidação das propostas de preservação do patrimônio baseadas em concepções eurocêntricas, que tomavam a ideia de civilização como referência e consideravam o nacional como cultura inferior, que deveria ser preservada por suas marcas folclóricas.