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Leia o fragmento.
"Senti um consolo equivalente, a mesma compreensão profunda, à medida que andava a esmo em torno dos museus.
Não estou falando do Louvre nem do Beauborg, nem dos outros museus lotados e importantes da mesma estirpe; estou falando dos muitos museus vazios que encontrei em Paris, coleções que ninguém jamais visita. Havia o Museé Édith Piaf, fundado por um grande admirador, onde com hora marcada pude ver escovas, pentes e ursos de pelúcia".
ORHAN, Pamuk. O Museu da Inocência. Tradução Sergio Flaksman. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 523-524.
Circe Bittencourt (2008, p. 353) no capítulo intitulado Documentos não escritos na sala de aula, afirma que objetos de museus que compõem a cultura material, são portadores de informações sobre costumes, técnicas, condições econômicas, ritos e crenças de nossos antepassados. Levando em consideração o escrito pela a autora, considere (V) para Verdadeiro e (F) para Falso.
( ) As visitas aos museus merecem atenção, para que possam constituir uma situação pedagógica privilegiada com o trabalho de análise da cultura material.
( ) A potencialidade de um trabalho com objetos transformados em documentos reside na inversão de um “olhar de curiosidade” a respeito das “peças de museus” em um “olhar de indagação”.
( ) Os especialistas em educação museológica afirmam que o processo de descobrimento de um objeto obedece a dois critérios: o estético e o científico.
( ) O princípio básico do método de investigação de objetos reside somente no método de observação livre.
O preenchimento correto das lacunas é:
V – F – V – F
V – F – V – V
F – F – V – F
F – V – V – V
V – V – V – F
Famoso por ser o encantador de viúvas da cidade de Cabaceiras, na Paraíba, Zé de Sila é um contador de histórias parecido com o personagem Chicó, do Auto da Compadecida. Ele defende veementemente que a oração da avó sustentava mais a chuva. “Quando era pequeno e chovia por aqui, ajudava minha avó colocando os pratos emborcados no terreiro para diminuir o vento. Ela fazia isso e rezava para a chuva durar mais”, diz Zé de Sila.
GALDINO, V.; BARBOSA, R. C. Artistas por um dia? João Pessoa: Editora Universitária, 2009.
Ao destacar expressões e vivências populares do cotidiano, o texto mobiliza os seguintes aspectos da diversidade regional:
Alianças afetivas conectadas ao ritual matrimonial.
Práticas místicas associadas ao patrimônio cultural.
Manifestações teatrais atreladas ao imaginário político.
Narrativas fílmicas relacionadas às intempéries climáticas.
Argumentações literárias interligadas às catástrofes ambientais.
Texto 1
"Todas essas mudanças na maneira de ver o mundo, as sociedades e as pessoas, que não eram mais hierarquizadas a partir das suas características biológicas, fortaleceram um movimento de afirmação da negritude e de valorização das coisas africanas, do qual participaram os países que no passado estiveram envolvidos com a escravidão e o tráfico de escravos – razão do transporte de mais de 10 milhões de pessoas da África para as Américas."
(SOUZA, Marina de M. África e Brasil africano. 2. ed. São Paulo: Editora Ática, 2007, p. 143.)
Texto 2
"Está em curso uma reconsideração da história do Brasil por meio do ensino de história (...). Por um lado, em direção à positivação, operação necessária, o que pode gerar a superação de abordagem marcadas por tons vitimizantes ou pautadas pela violência e sub-representação. A positivação envolve, nesse contexto, tanto a afirmação do dever de memória convocado pela sub-representação ou pelo silenciamento, quanto a consciência do direito à história negado socialmente e mantido pelas tradições didáticas."
(PEREIRA, Júnia S. Da ruína à aura: convocações da África no ensino de história. MAGALHÃES, Marcelo; ROCHA, Helenice; RIBEIRO, Jayme; CIAMBARELLA, Alessandra (org.). Ensino de História.Usos do Passado, memória e mídia. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2014, p. 193.)
Um professor de História levou para sala de aula uma propaganda comercial vinculada em 2018 de uma famosa marca, prometendo a cada Chester vendido a doação de outro para “uma família que precisa”. Na peça de divulgação da campanha, foram representadas pessoas negras como a “família que precisa” na ceia de Natal e, por outro, atribuída a virtude da caridade a uma família branca.
Considerando que os trechos acima foram as referências para a elaboração da sequência didática, a proposta consistia em
desenvolver a autoestima de estudantes negros e a promoção de uma educação livre de estereotipias.
denunciar o racismo estrutural e a vitimização da população negra promovida pelos meios de comunicação de massa.
cultivar a história de grandes personagens afro -brasileiros e a rememoração de datas simbólicas para o movimento negro.
De acordo com o Conselho Internacional de Museus, o ICOM, museu é uma instituição permanente, aberta ao público, sem fins lucrativos, que adquire, conserva, pesquisa e expõe coleções e objetos de caráter cultural ou científico para fins de estudo, educação e entretenimento. Analise as alternativas abaixo e assinale aquela que não corresponde ao conceito de museu ou suas tipologias:
Em se tratando de museus de história natural, os dioramas são fundamentais para que o museu possa desenvolver exposições didáticas.
Na atualidade, o ecomuseu tem sido considerado como um museu sem acervo, apresentando uma mudança na concepção de objeto estudado, acompanhando a tendência de dessacralização que a nova museologia prega.
O conhecimento da museologia pode ser empregado conforme a tipologia de espaços culturais.
Quando se trata de interatividade, os museus, sendo fixos ou móveis, podem usar recursos como: exposições temáticas, maquetes, hologramas, audiovisuais, videodiscos, maquete animada, entre outros.
Cada museu possui um espólio exclusivo, constituído por peças únicas e uma realidade singular, definida através dessa mesma exclusividade.
A museologia como campo de estudos no Ensino Superior é considerada recente, encontrando-se ainda em processo de construção, mas seu estatuto científico já é reconhecido. Sobre o conceito e trajetória do ensino de museologia no Brasil, analise as assertivas a seguir.
I. A expansão dos cursos de graduação e a criação de cursos de pós-graduação em museologia no país já era uma necessidade apontada desde os anos 1980. Mas foi a partir dos anos 2000 que a necessidade de formação e capacitação de recursos humanos na área ganhou força, passando a compor um dos eixos programáticos de uma estratégia do governo federal do Brasil: a Política Nacional de Museus.
II. O primeiro curso em museologia no país, sob o título de Curso de Museus, apontado como o primeiro do gênero nas Américas, foi criado em 1932 pelo Museu Histórico Nacional, localizado no Rio de Janeiro.
III. A criação do curso em uma instituição museológica se deu para suprir as necessidades do Museu Histórico Nacional por profissionais com formação especializada para atuar no âmbito da instituição, mas também com base nas ideias e correntes de pensamento sobre os museus disseminadas principalmente pela criação de uma organização destinada a sistematizar informações sobre museus de todo o mundo, o Office International des Musées.
Quais estão corretas?
Apenas II.
Apenas I e II.
Apenas I e III.
Apenas II e III.
I, II e III.
Sobre a definição de Patrimônio Histórico, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta.
( ) É um bem móvel, imóvel ou natural, que seja considerado valioso para um povo, uma sociedade, uma região, um povoado, ou uma comunidade.
( ) Também são práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas transmitidos de geração em geração e constantemente recriados pelas comunidades e grupos.
( ) São os monumentos, edificações históricas, vestígios históricos considerados excepcionais e dispostos no espaço público.
V – F – V.
F – V – F.
V – F – F.
F – F – V.
V – V – F.
"A ideia dos conceitos históricos como construções históricas exacerba as práticas historiográficas como práticas políticas, cravadas no tempo, portadoras, portanto, de intenções e inseridas em projetos. (...) Nesse sentido, a própria ciência histórica é um campo de disputas, e o ensino de história foi um dos principais palcos de discussão. Foram frequentes os enfrentamentos entre os grupos que disputaram a hegemonia intelectual no decorrer de todo o processo de constituição da história como disciplina escolar, desde o início do século XIX."
(LIMA, Maria. Consciência Histórica e Educação Histórica. MAGALHÃES, Marcelo; ROCHA, Helenice; RIBEIRO, Jayme; CIAMBARELLA, Alessandra (org.). Ensino de História. Usos do Passado, memória e mídia. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2014, p. 55-56.)
Dentre as machetes e lides apresentadas abaixo, aquela que não confirma o argumento sustentado, nesse trecho, é:
De FordLândia a ‘bem comum’: as contradições na história do interesse estrangeiro na Amazônia. Criticado pelos incêndios na Amazônia, o governo diz ser vítima de uma campanha no exterior.
(BBC News Brasil, 27 de agosto de 2019. https://www.bbc.com/portuguese/ brasil-49363394 , em 03/09/2019.)
Como a ditadura entra na sala de aula: a história contada pelos livros didáticos. Para chegar aos professores e aos alunos da rede pública, os livros precisam atender às exigências que constam no edital do MEC.
(Nova Escola, 29 de abril de 2019. https://novaescola.org.br/conteudo/ 17098/como-a-ditadura-entra-na-sala-de-aula-a-historia-contada-pelos- livros-didaticos, , acesso em 03/09/2019.)
MEC muda regras para seleção de livros didáticos e tira restrição sobre publicidade nas obras. Órgão também suprimiu combate à violência contra mulheres, promoção da cultura quilombola e exigência sobre revisão bibliográfica.
(O Globo, 09 de janeiro de 2019. https://oglobo.globo.com/sociedade/mec- muda-regras-para-selecao-de-livros-didaticos-tira-restricao-sobre-publicidade- nas-obras-23357912 , acesso em 03/09/2019.)
Justiça decide verificar cumprimento do ensino da história afro-brasileira. Pela primeira vez a justiça foi favorável à verificação do cumprimento da Lei 10.6339/2003, que incluiu no currículo oficial da rede de ensino e na LDB a obrigatoriedade da temática.
(EBC Agência Brasil, 08 de abril de 2018. http://agenciabrasil.ebc.com.br/ educacao/noticia/2018-04/justica-decide-verificar-cumprimento-do-ensino- da-historica-afro-brasileira acesso em 03/09/2019.)
“O que têm em comum um palacete barroco, uma festa paraense, um bairro paulistano, um terreiro de candomblé, um mapa setecentista, uma obra de arte e um queijo mineiro? Nos dias de hoje, todos eles podem ser considerados patrimônio cultural” (MARTINS, 2011, p. 281). Em consonância com a ampliação do conceito de patrimônio, os planejamentos escolares têm incorporado a educação patrimonial e os professores de História têm sido sensibilizados para essa tarefa. Em relação aos limites e possibilidades dos usos do patrimônio histórico nas aulas de História, considere os itens seguintes, numerados de la ll e, em seguida, assinale a alternativa correta.
I- À educação patrimonial! deve ser norteada pelo pluralismo cultural, não evocando apenas fatos históricos “notáveis”, alusivos a grupos sociais privilegiados, mas também fomentando a rememoração e preservação de patrimônios histórico-culturais significativos para as comunidades locais e regionais.
II - Visitas guiadas a locais como o Arquivo Público do Estado do Pará, custodiador de mais de 4 milhões de documentos e o Cemitério da Soledade, uma das mais antigas necrópoles do município de Belém, podem subsidiar experiências pedagógicas concernentes à abordagem do patrimônio histórico-cultural material.
III - Ao incorporar a abordagem do patrimônio histórico nas aulas de História, é fundamental que o professor deixe claro aos alunos que o conceito de patrimônio na atualidade é uma construção social cujo significado tem diferentes conotações, sendo resultado de um processo histórico produzido na configuração dos Estados nacionais modernos, que defendiam a existência de uma herança pública a ser preservada para o futuro.
Todos os itens estão corretos.
Apenas o item I está correto.
Apenas o item II está correto.
penas o item III está correto.
À primeira vista, quando se fala em patrimônio histórico, há uma imediata associação da palavra a monumentos e edifícios antigos. Assim, o senso comum relaciona a expressão patrimônio histórico a prédios, monumentos e outras edificações de notável valor histórico-arquitetônico que, pelo seu caráter de excepcionalidade, devem ser preservados. Isso se deve, em grande medida, à primeira legislação patrimonial do país, o Decreto-lei nº 25/37, ainda em vigor, que, em seu art. 1º, explicita o conceito de “patrimônio histórico e artístico”:
Constitui o patrimônio histórico e artístico nacional o conjunto de bens móveis e imóveis existentes no país e cuja conservação seja de interesse público, quer por sua vinculação a fatos memoráveis da História do Brasil, quer por seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico.
[Ricardo Oriá, Memória e ensino de História. Em Circe Bittencourt (org). O saber histórico na sala de aula]
Segundo Ricardo Oriá, essa política preservacionista teve como efeito
privilegiar o tombamento de bens imóveis referentes aos setores dominantes da sociedade, caso das casas-grandes e dos sobrados coloniais.
impedir que os mais importantes bens relacionados à história nacional fossem tombados.
mostrar os conflitos efetivos do passado nacional, com fortes referências à escravização dos africanos e dos indígenas.
reforçar a pluralidade étnico-cultural da formação histórica brasileira, com destaque para as sociedades indígenas.
produzir uma cuidadosa memória nacional, na qual todas as classes e grupos sociais são contemplados com bens tombados.
Na notícia sobre o sítio ferroviário no Vale da Estação, para comprovar a importância histórica da preservação do lugar, foram empregados (as):
depoimentos de especialistas no assunto.
dados estatísticos de Domingos Martins.
as leis municipais de proteção ao meio-ambiente.
relatos de antigos moradores e trabalhadores do Vale.
regras de administração do DINIT, administrador local.
Leia atentamente as afirmativas abaixo e marque V para as verdadeiras e F, para as falsas.
Com relação à ampliação da noção de patrimônio cultural, Maria Cecília Londres Fonseca considera que:
( ) Os efeitos da globalização, na medida em que aspectos da cultura são reconhecidos como patrimônio mundial, contribuem com benefícios políticos e econômicos.
( ) A abertura do processo de produção dos patrimônios culturais apresenta novos problemas para uma prática de caráter seletivo.
( ) A ampliação do conceito de patrimônio cultural não contribui para aproximar as políticas culturais dos contextos multiétnicos, multirreligiosos e heterogêneos, que caracterizam as sociedades contemporâneas.
( ) A necessidade de diminuir o repertório das práticas de preservação no Brasil, identificadas exclusivamente como tombamento.
Assinale a alternativa CORRETA, considerando as afirmativas, de cima para baixo.
F, V, F, V.
V, V, F, F.
F, F, V, V.
V, F, V, F.
V, V, V, V.
Na década de 1960, Regina M. Real definiu o verbete “exposição” objetivamente como “uma mostra de trabalhos de arte, ciência ou história em recinto apropriado. Pode ser permanente (coleções de museus), temporária (por tempo determinado), itinerante (várias localidades), retrospectiva, comemorativa”
(REAL, Regina M. Termos técnicos e matérias afins, 1962. p. 227).
Essa definição de “exposição” passou por alterações desde os anos 1960, especialmente porque a(s)
mostras passaram, desde então, a se concentrar, sobretudo, em trabalhos artísticos.
expressão “exposição permanente” vem caindo em desuso, sendo mais usual a expressão “exposição de longa duração”.
definição de “recinto apropriado” foi reduzida, tendo em vista que os espaços expositivos demandam recursos financeiros vultuosos.
A Igreja de Nossa Senhora do Rosário, construída no século XVIII, está situada no Centro Histórico da cidade de Santa Luzia e é um dos principais patrimônios do município.
Trazer um patrimônio da própria cidade, no âmbito do ensino de História,
é perigoso, tendo em vista que o estudante pode se limitar a uma percepção local da História, perdendo, dessa forma, a perspectiva global.
possui a vantagem de isentar o docente da necessidade de planejamento de sua aula, tendo em vista a proximidade do conteúdo com a realidade dos estudantes.
é salutar, pois confere sentido ao conhecimento histórico, possibilitando, a partir da realidade do estudante, vínculo com outros fatos históricos.
esvazia o sentido do estudo da História ao priorizar a identificação de pontos turísticos do município de vivência.
No início do século XXI, um dos campos de trabalho para os historiadores que mais cresce no Brasil é o de patrimônio histórico. No entanto, a maioria dos cursos de graduação em História não possui ainda em seu currículo disciplinas suficientes para contemplar tal crescimento. Em geral têm sido os cursos de especialização, assim como as graduações e os cursos técnicos de turismo, que respondem à demanda por profissionais que trabalhem com o patrimônio histórico e cultural brasileiro.
A partir do texto introdutório da questão, assinale a alternativa incorreta sobre Patrimônio Histórico:
A noção de patrimônio histórico tradicionalmente se refere à herança composta por um complexo de bens históricos. Em sua origem, todavia, o patrimônio tem sentido jurídico bastante restrito, sendo entendido como um conjunto de bens suscetíveis de apreciação econômica.
Com a retomada da preocupação com o patrimônio cultural no Brasil, vemos no século XXI um incremento do turismo cultural que valoriza igualmente manifestações folclóricas, sítios históricos e arqueológicos e reservas ambientais, fomentando-se assim uma crítica histórica considerável em detrimento de uma busca de um passado que se escolheu lembrar como sendo glorioso.
A noção de patrimônio Histórico é pouco conhecida mesmo pelos egressos dos cursos de História do Brasil. O fato é que os especialistas vêm continuamente substituindo o conceito de patrimônio histórico pela expressão patrimônio cultural.
Pode-se definir patrimônio cultural (incluindo nessa ideia a de patrimônio histórico) como o complexo de monumentos, conjuntos arquitetônicos, sítios históricos e parques nacionais de determinado país ou região que possuem valor histórico e artístico e compõem um determinado entorno ambiental de valor patrimonial.
Na Constituição Brasileira de 1988, os termos de regulamentação do serviço do patrimônio cultural, atualmente centralizados no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), determinam que tal serviço objetiva a promoção do tombamento e da conservação do patrimônio histórico e artístico nacional.
A partir de nossa experiência como educadores de museu, gostaríamos de apresentar alguns pontos fundamentais que devem ser levados em conta no planejamento de uma visita.
[Adriana Mortara Almeida e Camilo de Mello Vasconcellos, Por que visitar museus. Em Circe Bittencourt (org). O saber histórico na sala de aula]
Nesse caso, os autores sugerem, entre outros pontos,
evitar museus que não sejam históricos para que a visita tenha ligação direta com o que é apresentado em sala de aula.
que todos os espaços do museu sejam visitados e que todos os objetos sejam observados e analisados.
que a escolha do espaço a ser visitado deve ter como principal critério a sua ligação com uma universidade pública.
uma visita antecipada à instituição com o objetivo de conseguir uma familiaridade com o espaço a ser trabalhado.
que as visitas privilegiem os alunos de Ensino Médio, capazes de compreender a complexidade de um museu.
Patrimônio Cultural Ferroviário de Domingos Martins está em ruínas
O sítio ferroviário, localizado no Vale da Estação, no município de Domingos Martins, reconhecido como Patrimônio Cultural Ferroviário, nos termos da Lei nº 11.483, de 31 de maio de 2007, encontra-se em ruínas. Esse reconhecimento é um tipo de procedimento que se aplica, exclusivamente, aos bens oriundos do espólio da extinta RFFSA, explicou o Iphan.
A assessoria de Comunicação do Iphan informou que, por ser um bem operacional, a estação Vale da Estação está sob a responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), que atua em parceria com o Iphan visando à preservação desses bens.
“Esclarecemos ainda que, desde 2016, o Iphan tem cobrado da Prefeitura de Domingos Martins, que utiliza o espaço, a realização de serviços para a preservação da edificação. Em maio desse ano, foi realizada uma reunião com a prefeitura e o DNIT para que o município pudesse viabilizar a obra necessária. Atualmente, o Iphan ainda aguarda o retorno da prefeitura sobre as providências que serão tomadas em relação ao bem”, informou a assessoria.
Em 2018, a arquiteta da prefeitura de Domingos Martins, Fernanda Magnago, esteve visitando o sítio histórico e disse que os imóveis são muito importantes para o estado. “Estive aqui em agosto de 2016, junto com uma arquiteta do Iphan, e descobrimos que só temos quatro patrimônios de ferrovias com valor igual ao do Vale da Estação. O local tem valor histórico muito importante para o Espírito Santo”, ressaltou Fernanda.
O sítio histórico ferroviário de Domingos Martins é composto por uma estação ferroviária, uma caixa de água de ferro que alimentava a Maria Fumaça e uma casa de turma que abrigava os trabalhadores da linha férrea, da década de 1900.
https://www.folhavitoria.com.br/geral/noticia/10/2019 - Redação - 28 de Outubro de 2019 às17:08 Atualizado 28/10/2019 – Acessado em novembro de 2019.
O Patrimônio Cultural Ferroviário, as fotos das estações, a Maria Fumaça, o depoimento de antigos funcionários de Domingos Martins forma um conjunto de vestígios denominado:
Os chamados patrimônios históricos receberam reconhecimento no Brasil em 1937, com o decretolei que regulamentava a existência dos patrimônios, definidos como conjunto de bens móveis e imóveis, que exigem conservação por sua vinculação a fatos memoráveis. Na década de 1980, esta definição foi ampliada, recebendo a inclusão de:
Ampliou o conceito, estendendo-se para as construções e realizações materiais dos povos indígenas brasileiros.
Tornou-se mais abrangente, dividindo-se entre bens de natureza material e imaterial.
Levou em consideração a construção de identidades formadas pelos imigrantes europeus.
Reconheceu também as reservas naturais como patrimônios históricos brasileiros.
DECRETO-LEI Nº 25, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1937.
Organiza a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional.
O Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil, usando da atribuição que lhe confere o art. 180 da Constituição,
DECRETA:
CAPÍTULO I
DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL
Art. 1° Constitue o patrimônio histórico e artístico nacional o conjunto dos bens móveis e imóveis existentes no país e cuja conservação seja de interêsse público, quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico.
§ 1º Os bens a que se refere o presente artigo só serão considerados parte integrante do patrimônio histórico o artístico nacional, depois de inscritos separada ou agrupadamente num dos quatro Livros do Tombo, de que trata o art. 4 ° desta lei.
§ 2° Equiparam-se aos bens a que se refere o presente artigo e são também sujeitos a tombamento os monumentos naturais, bem como os sítios e paisagens que importe conservar e proteger pela feição notável com que tenham sido dotados pela natureza ou agenciados pela indústria humana.
(BRASIL. Decreto-Lei nº 25, de novembro de 1937. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ Decreto-Lei/Del0025.htm. Acesso em: 05 ago. 2019).
Sobre a Política de Proteção do Patrimônio Nacional do Estado Varguista, pode-se afirmar que
as ações de tombamento atenderam os desejos das elites que viram seus imóveis e status social reconhecidos pelo Estado, não oferecendo resistências aos limites de uso previstos no aparato jurídico.
o conceito de patrimônio histórico e artístico nacional, presente no decretolei nº 25, de 30 de novembro de 1937, possuía destacada abrangência, no entanto o tombamento concentrou-se no barroco brasileiro.
o Serviço do Patrimônio Artístico Nacional - SPHAN atuou com acentuada autonomia que o distanciava do projeto autoritário de Vargas.
o Estado Varguista demonstrou pouco interesse no Patrimônio Nacional por considerar tema de segunda categoria frente à nova concepção de política que deveria consolidar.
os intelectuais modernistas teceram duras críticas ao modelo de proteção implementado pelo SPHAN durante a Era Vargas.
"Os museus exerceram papel significativo no contexto dos novos estados nacionais. Criados no contexto dos novos estados nacionais surgidos a partir do século XVIII e no XIX, eles contribuíram tanto para a formação de uma identidade nacional como, também, para reforçar a ideologia imperial das grandes potências, empenhadas em conquistas coloniais. Reuniam artefatos vindos do próprio país e do mundo, como no caso do Museu Britânico ou o Museu do Louvre ou mesmo do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Esses artefatos reunidos já não eram coleções privadas de antiquário, como nos séculos anteriores, mas estavam nos museus públicos, instituições científicas, e serviam, de forma explícita, como fonte de informação para os historiadores positivistas."
Fonte: FUNARI, Pedro Paulo Abreu. "Os historiadores e a cultura material" In: PINSKY, Carla Bassanezi (org.). Fontes históricas. São Paulo: Editora Contexto, 2011, p.86.
Em relação aos museus é incorreto afirmar:
Mutuamente interligados, censos nacionais, mapas e museus iluminam o estilo de pensamento dos Estados nacionais e dos impérios coloniais em relação aos seus domínios.
O termo museu, originário do grego mouseion, significava Templo das Musas, filhas de Zeus com Mnemosine, deusa da memória.
Os museus e a imaginação museologizante foram profundamente políticos durante o século XIX, tornando-se instituições de caráter exclusivamente educativo a partir do século XX.
As instituições museológicas são responsáveis pela preservação, em nome desta, justifica-se todas as outras ações como a coleta, pesquisa, a salvaguarda de coleções e/ou referências culturais.
[...] os museus sempre foram pensados como instituições de ensino. Locais onde se acessa um conjunto de objetos com a intenção de obter informações sobre determinado tema ou assunto.
PACHECO, Ricardo de Aguiar. O museu na sala de aula: propostas para o planejamento de visitas aos museus. Florianópolis: UDESC, 2012 p. 64. Disponível em: <https://bit.ly/2ROiset>. Acesso em: 19 ago. 2018.
Ricardo de Aguiar Pacheco propõe que, para um trabalho com fins pedagógicos em museus, o professor de história deve
ater-se ao roteiro pré-definido, descartando outras possiblidades que possam surgir durante a visitação.
iniciar sua abordagem antes da visita, orientá-la, e, após sua finalização, desenvolver atividades sobre ela.
limitar a visita a um trabalho de campo e solicitar aos estudantes um relatório livre do acervo em exposição.
priorizar os museus reconhecidos como históricos, por guardarem relação direta com a disciplina lecionada.