Questões de Concurso sobre Literatura

 
 
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Todas as opções a seguir enumeram, respectivamente, um tema textual e uma frase pertinente a ele; todas da autoria de Machado de Assis.


Assinale a opção em que a relação tema/frase está inadequada.


A

Religião – Jesus disse: não se colhem figos dos abrolhos”.(Helena)


B

Aparências – “As coisas boas são belas por si mesmas; por isso é comum vermos um rosto feio abrigando um elevado espírito.” (Contos)


C

Amizade – “Quem não tem dinheiro não tem amigos.” (Crônicas)


D

Ambientalismo – “Cumpre vencer o caminho a todo o custo; no fim há sempre uma tenda para descansar, e uma relva para dormir”. (Crônicas)


E

Catolicismo – “Quem esperará que a Igreja reconheça nenhum outro matrimônio, além do católico? (A Semana)

A literatura, ao mobilizar múltiplas possibilidades de linguagem, sentidos e vozes, constitui-se como espaço simbólico de tensão e reflexão, permitindo a problematização das relações humanas, das estruturas sociais e das construções identitárias, uma vez que:


A

A natureza estética da literatura autoriza seu isolamento metodológico no ensino, de modo que a leitura literária, para preservar sua integridade poética, deve ser conduzida à margem de qualquer perspectiva crítica de análise ideológica ou contextual.


B

O caráter formativo da literatura reside na exposição do leitor a estruturas narrativas regidas por coerência interna e estabilidade semântica, uma vez que tal ordenação do discurso modela a sensibilidade ética e linguística a partir de padrões discursivos previsíveis.


C

A literatura, ao acionar um discurso plurivocal e ideologicamente tensionado, constitui-se como território de inscrição simbólica da alteridade, desestabilizando sentidos cristalizados e produzindo zonas de fricção entre linguagem, sujeito e mundo.


D

A inserção da literatura nos processos formativos deve priorizar sua capacidade de reforçar repertórios morais compartilhados, o que implica a valorização de obras cujos enredos promovam identificações éticas universalizáveis e condutas socialmente aceitáveis.


E

A singularidade da experiência estética literária está na dissociação entre texto e mundo, sendo a linguagem literária concebida como um jogo autorreferente de formas cuja função se limita à amplificação do efeito poético na consciência individual.

Sobre a escritora Conceição Evaristo e sua contribuição para a literatura brasileira, assinale a alternativa CORRETA.


A

Destacando-se com livros como A Obscena Senhora D e Cartas de um Sedutor, sua obra mergulha em questões metafísicas, místicas e eróticas, com forte experimentalismo de linguagem.


B

A autora é conhecida por obras como Perto do Coração Selvagem e A Hora da Estrela, nas quais a escrita introspectiva e o fluxo de consciência revelam personagens interagindo com suas nuances existenciais.


C

A autora publicou livros como Eu Sei mas Não Devia e Do Lado de Dentro do Vidro, em que o lirismo breve e os contos simbólicos revelam as tensões e sutilezas do universo feminino


D

É autora de Olhos d'Água e Ponciá Vicêncio, obras estas que articulam memória, identidade e ancestralidade, a partir de uma escrita comprometida com as vivências da mulher negra, marcada pelo conceito de "escrevivência".


E

Com obras como Romanceiro da Inconfidência e Ou isto ou Aquilo, sua poesia alia musicalidade e lirismo a uma sensibilidade histórica, transitando entre o simbólico e o engajado.

Em leituras de Suassuna, o humor de Chicó (“não mente: seleciona verdades”) evidencia implicaturas (Grice): inferências não ditas, sustentadas por contexto cooperativo e expectativas partilhadas. Diferencie de pressupostos (informações que tendem a sobreviver à negação) e da força ilocutória (o que se faz ao dizer). Em cena, o dito e o implicado distanciam-se; o leitor reconstrói sentidos por conhecimentos enciclopédicos e situacionais. Assinale a alternativa correta.


A

Implicaturas derivam apenas de léxico, independem de contexto.


B

Ironia anula cooperação, logo não produz implicaturas.


C

Ato ilocutório corresponde ao conteúdo proposicional literal.


D

Pressuposto e implicatura são equivalentes semanticamente.


E

Implicatura é informação sugerida, inferida pelo princípio de cooperação.

A reportagem sobre o projeto “Memória em papel” descreve o trabalho com uma obra literária que aborda a memória, o racismo, a identidade negra e os desdobramentos da escravidão no Brasil. Considerando a importância do estabelecimento de relações entre a literatura brasileira e as literaturas africanas de língua portuguesa, assinale a alternativa que melhor fundamenta uma proposta de trabalho nessa temática.


A

As literaturas africanas de língua portuguesa e as obras brasileiras devem ser estudadas separadamente porque não há diálogo temático entre elas, e não há necessidade de discussão acerca do racismo e da identidade negra no Brasil.


B

A inclusão das literaturas africanas de língua portuguesa não se justifica meramente como cumprimento formal da Lei nº 10.639/2003, prescindindo de um trabalho crítico e aprofundado sobre sua relevante produção literária contemporânea.


C

A proposta de diálogo entre as obras deve restringir-se a questões estritamente linguísticas, e limitar-se a uma abordagem superficial sobre as complexas questões históricas e identitárias, de modo a reforçar a hegemonia do cânone literário tradicional.


D

A obra de Evaristo e as literaturas africanas de língua portuguesa, ainda que de perspectivas distintas, são fundamentais para promover o diálogo intercultural, problematizar questões da colonialidade e pós-colonialidade e ampliar o repertório dos alunos por meio de discussões sobre resistência e memória.


E

O trabalho entre as duas literaturas deve priorizar apenas países africanos, tendo em vista o fato de que a colonização no Brasil ocorreu de modo distinto e, consequentemente, a tradição literária retrata de outro modo a colonialidade.

O trecho aborda as relações afetivas entre colonizadores e mulheres indígenas em um novo mundo, como nas obras “O Guarani”, “Iracema” e “Ubirajara”, que, pertencentes ao Romantismo, apresentam como ocorreu o processo de miscigenação no Brasil.


C

Certo


E

Errado

Fica evidenciada no texto a opinião de seus autores quanto à necessidade de os escritores se dedicarem a uma construção textual que facilite o desenvolvimento do prazer da leitura já que o texto — do mais simples ao literário — apresenta ao leitor dificuldades crescentes.


C

Certo


E

Errado

Segundo Lajolo, como a literatura assume seu extremo poder transformador?


A

Por meio do cruzamento do mundo simbolizado pela palavra em estado de literatura com a realidade diária dos homens.


B

Por meio do cruzamento da perspectiva do professor e do aluno.


C

Por meio da intuição do leitor.


D

Por meio do domínio de linguagem do leitor.


E

Por meio da análise aprofundada da perspectiva do autor.

Considerando a obra de Machado de Assis, assinalar a alternativa INCORRETA.


A

Machado de Assis trabalhou com textos fragmentados e capítulos curtos, como em Memórias póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro.


B

O personagem Brás Cubas é um “defunto-autor” que examina a própria vida de forma memorialística.


C

Machado mantinha um tom predominantemente romântico, evitando críticas aos contextos sociais de sua época.


D

Os contos Pai contra mãe e O caso da vara abordam a escravidão.

Para não repetir, no ensino de literatura, as exclusões históricas denunciadas por Gina Ponte, é fundamental saber distinguir as diferentes formas como os povos indígenas foram representados – ou se autorrepresentam – na literatura brasileira.


Reconhecendo as disputas de autoria, voz e perspectiva que marcam essas produções literárias, assinale a opção em que se estabelece, corretamente, a distinção entre a literatura indianista, a indigenista e a indígena.


A

A literatura indigenista é marcada pela defesa da identidade cultural dos povos indígenas a partir de suas próprias vozes, como ocorre nas obras de Daniel Munduruku e Graça Graúna. A literatura indígena, por sua vez, idealiza os povos originários com fins estéticos, como se vê em Iracema, de José de Alencar. Já a literatura indianista busca representar, de forma crítica, os impactos da colonização, investigando a formação e a identidade do povo brasileiro, como em Macunaíma, de Mário de Andrade.


B

A literatura indígena é produzida por autores pertencentes a povos originários, como Eliane Potiguara e Yaguarê Yamã, que escrevem a partir de suas experiências e seus saberes, muitas vezes em diálogo com tradições orais. Já a literatura indianista, como a de Gonçalves de Magalhães, idealiza o indígena segundo valores do Romantismo. E a literatura indigenista, como a de Antonio Callado, em Quarup, aborda temas indígenas sob uma ótica externa, podendo ser crítica, mas não indígena.


C

A literatura indígena é escrita por autores não indígenas que se dedicam à causa dos povos originários, como Márcia Kambeba e Ailton Krenak. Já a literatura indianista, como Paraguaçu e Caramuru: Paixão e Morte da Nação Tupinambá, de Assis Brasil, e Simá, de Lourenço Amazonas, tem por objetivo denunciar o extermínio indígena. A literatura indigenista, por sua vez, representa o indígena idealizado, geralmente como símbolo de brasilidade, tal qual em Os Timbiras, de Gonçalves Dias.


D

A literatura indigenista busca mediar um diálogo intercultural, como se vê no poema épico Caramuru, de Frei José de Santa Rita Durão. A literatura indianista, por sua vez, é escrita por autores indígenas, como Olívio Jekupé e Auritha Tabajara, com o objetivo de preservar mitos e lendas de seus povos. Já a literatura indígena é escrita por intelectuais não indígenas que vivenciaram o contato com etnias originárias e buscam representá-las com base na observação, como Darcy Ribeiro.

O romance de Mary Shelley, como Literatura Gótica ou de Horror, inaugura a ficção científica, gênero que, mais tarde, inspirou obras literárias cinematográficas. Acerca desse diálogo do texto com obras mais atuais, a partir dos enunciados que explicam tais obras, analise os tópicos abaixo.


I. O homem Bicentenário - um robô se torna humano, ao longo de dois séculos, e o faz questionando o significado da humanidade e da vida.

II. O médico e o monstro - Dr. Jeky faz pesquisas para entender os impulsos e os sentimentos mais profundos. Ele acaba por criar uma droga que libera os seus impulsos mais primitivos.

III. Pobres Criaturas - a civilização que pesa entre nós - Bella Baxter é trazida de volta à vida pelo cientista e guardião Dr. Godwin. Bela está ansiosa para aprender sobre o mundo ao seu redor, embora sob a proteção de Godwin.

IV. Entrevista com Vampiro - Um vampiro chamado Louit de Point du Lac, atormentado pela morte de seu irmão, busca a morte de todas as formas possíveis. Louit é transformado em vampiro por Lestat. Louit sobrevive de animais mortos pois acha repugnante matar humanos para sobreviver.


Assinale a alternativa correta em que os textos estabelecem relação temática com o texto de Frankenstein.


A

I e III


B

I, II e III


C

II e IV


D

III e IV

Considere as seguintes obras representativas da prosa literária potiguar:



I

Opúsculo Humanitário, de Nísia Floresta.

II

A Princesa de Bambuluá, de Câmara Cascudo.

III

Rua da Estrela, de Nei Leandro de Castro.

IV

Francisca, de Ana Cláudia Trigueiro.


Analise as afirmativas, relacionando obras e autores indicados em cada item, e assinale a opção correta.


A

A prosa potiguar marca-se pela rigidez de formas narrativas e pela forte predominância da estética modernista, centrando-se, sobretudo, nas representações da seca (I e IV) e da figura do vaqueiro nordestino (III), como arquétipos dominantes em seus diversos gêneros, com exceção dos temas folclóricos presentes na obra de Câmara Cascudo (II).


B

A prosa potiguar manifesta-se em múltiplos gêneros, como o ensaio (I), o conto (II), a crônica (III) e o romance (IV), revelando uma produção literária que atravessa o tempo ao tematizar a crítica social, a memória cultural, a experiência urbana e o universo feminino, por meio de vozes diversas que vão de Nísia Floresta a Ana Cláudia Trigueiro.


C

As crônicas de Nísia Floresta (I) e os contos de Ana Cláudia Trigueiro (IV) mostram que, a despeito da diversidade de gêneros, a prosa potiguar manteve-se essencialmente voltada ao folclore e à memória cultural, que têm em Câmara Cascudo (II) sua maior referência, excluindo-se as experiências urbanas e subjetivas de Nei Leandro de Castro (III).


D

As crônicas de Câmara Cascudo (II) e os contos de Nei Leandro de Castro (III) seguem a mesma matriz regionalista e assumem a oralidade como principal recurso expressivo, prescindindo de inovações formais ou temáticas, a fim de preservar o folclore potiguar, sendo Nísia Floresta (I) e Ana Cláudia Trigueiro (IV) exceções a essa matriz.

Todas as obras fazem parte do vasto repertório literário de José de Alencar, exceto:


A

Iracema.


B

Senhora.


C

O guarani.


D

Til.


E

Três minutos.

Considere a coletânea de excertos a seguir:


Fio partido

Fugir à mágoa terrena,

E ao sonho, que faz sofrer,

Deixar o mundo sem pena

Será morrer?

[...]

Jesus, este voo infindo,

Há de me amparar nos braços,

Enquanto eu direi sorrindo

Quebrei meus laços!


(Auta de Souza)



Trovas

Um passarinho no laço

Prendi com satisfação...

Qualquer dia estou prendendo

Teu amor na minha mão.


Outro dia, meu amigo,

Um rico mimo te dei...

Peço agora que me voltes

O beijo que te mandei.


(Palmyra Wanderley)



Meu poema parnasiano nº 1

“Que linda manhã parnasiana...

Que vontade de escrever versos metrificados

Contadinhos nos dedos…

Chamar de reserva todas as rimas

Em - or - para rimar com amor...

Todas as rimas em - ade - pra rimar com saudade...

Todas as rimas em - uz - pra rimar com Jesus, cruz, luz...


Enfeitar de flores de afeto um soneto ajustadinho

Todo trancado na sua chave de ouro...

Remexo os velhos livros...


“Ah! que saudades eu tenho

Da aurora da minha vida

Da minha infância querida...”


Zim... (ligaram um dínamo de milhares de cavalos

E as polias giram e as máquinas abafam o último verso da quadrinha...)”


(Jorge Fernandes)



Um poema é um poema é um poema

um seridó é um seridó é um seridó

um potengi é um potengi é um potengi

o fluminense é o fluminense é o fluminense

um abc é um santa cruz é um são paulo é o abc

um flamengo é um vasco é botafogo fogo fogofogo

uma cidade é uma cidade é um rio natal caicó de janeiro

um poema é um poema é um poema é um poema/processo

um três é um quatro é um cinco é um seis é um sete é um oito


(Moacy Cirne)


A poesia potiguar, segundo proposta sistematizada por Constância Lima Duarte e Diva Cunha, na obra Literatura do Rio Grande do Norte, percorre quatro grandes fases: formação, transição, modernismo e vertentes contemporâneas. A partir dos excertos colacionados, é possível observar transformações temáticas e formais nesse percurso histórico-literário. Com base nesses versos e em aspectos de cada fase, assinale a opção correta.


A

Auta de Souza e Palmyra Wanderley reafirmam a herança lírica do século XIX, com temas voltados à religiosidade, ao amor romântico e à musicalidade formal, sem indicar rupturas estéticas com o Romantismo e o Simbolismo, aos quais se filiam. Jorge Fernandes, embora tenha iniciado o Modernismo potiguar, conserva os mesmos padrões poéticos de seus antecessores parnasianos. Moacy Cirne é, nesse cenário, o único que promove uma verdadeira inovação ao romper com a palavra poética e ao adotar estruturas experimentais visuais, embora dialogue diretamente com a tradição regional.


B

Auta de Souza inaugura uma tendência que se verifica nos demais poetas: o vínculo com temas ligados à afetividade e à subjetividade. A reprodução sonora de Moacy Cirne ecoa as preferências afetivas do eu-lírico, enquanto a expressividade de Jorge Fernandes e sua menção tanto à forma clássica do soneto quanto aos versos românticos são um reflexo da mesma disposição de espírito presente nas trovas de Palmyra Wanderley. Assim, apesar das diferenças formais, há uma continuidade estilística que atravessa as quatro fases da poesia potiguar, apegada à tradição.


C

Auta de Souza, Palmyra Wanderley, Jorge Fernandes e Moacy Cirne apresentam novidades diferentes de uma poesia que, embora se modifique ao longo do tempo, mantém-se fiel ao projeto de exaltação da terra natal e da paisagem potiguar. Ainda que haja elementos de ruptura formal em Jorge Fernandes e Moacy Cirne, o compromisso com a identidade local, a afetividade e a permanência da tradição lírica subsistem como traços comuns entre os autores, sustentando a coesão temática da literatura norte-rio-grandense, caracterizada pela musicalidade e pela preocupação com a métrica.


D

Auta de Souza expressa a espiritualização da dor em uma lírica marcada pela religiosidade romântica; Palmyra Wanderley introduz uma subjetividade feminina lúdica e intimista; Jorge Fernandes rompe com a tradição formal ao inserir a cidade e o operário como temas poéticos, parodiando o Parnasianismo; Moacy Cirne desconstrói a noção de poesia ao dissolver a linguagem verbal em repetições gráficas e jogos intertextuais, conforme os princípios do poema/processo. Essa trajetória revela uma literatura tensionada entre tradição e invenção, mas aberta para múltiplas linguagens poéticas.

Sobre a literatura negra ou afro-brasileira, assinale a opção correta.


A

A literatura afro-brasileira, ao se consolidar como movimento identitário autônomo, recusa qualquer relação com o cânone e o pensamento literário tradicional, afirmando-se como uma produção militante e desvinculada de preocupações estéticas ou estruturais. Nessa perspectiva, a literatura se constitui, sobretudo, como lugar de fala dos afrodescendentes, cujas escrevivências se expressam como manifestação do pensamento decolonial.


B

A literatura negra exemplifica o pensamento decolonial, caracterizando-se pela escrita espontânea e desvinculada de projeto literário consciente, manifesta no testemunho isolado das escrevivências, e não pelo processo de reivindicação política ou identitária. A presença da oralidade e de socioletos nessa escrita reflete limitações formais, e não uma crítica à normatividade da literatura tradicional, tendo valor pelo lugar de fala que expressa.


C

A literatura negra e o pensamento decolonial tensionam a visão tradicional da identidade nacional, propondo uma ressignificação da literatura brasileira ao incorporar experiências, narrativas e estéticas marginalizadas pela historiografia oficial. Nas suas escrevivências, a subalternidade e as interseccionalidades de raça, de classe e, em alguns casos, de gênero evidenciam um Brasil real, até então invisibilizado pela literatura hegemônica.


D

A literatura afro-brasileira e o pensamento decolonial buscam estabelecer um novo cânone nacional, no qual os autores tradicionais são substituídos por aqueles que representam a periferia, tornando irrelevante a análise da literatura produzida antes da valorização das vozes negras e marginalizadas. Nessa óptica, a literatura surge principalmente como escrevivência, resistência e contraponto à tradição literária hegemônica.

Os movimentos literários brasileiros refletem as transformações socioculturais e políticas ao longo da história do país, e sua análise exige um conhecimento aprofundado sobre as características de cada período, seus autores e as obras representativas.


Assinale a alternativa CORRETA sobre os movimentos literários brasileiros do Quinhentismo ao Modernismo.


A

O Quinhentismo brasileiro, embora não seja considerado um movimento literário autêntico, reflete as primeiras manifestações literárias no Brasil, com textos de exploração e evangelização, como as Cartas de Pero Vaz de Caminha e o Diário de Anchieta.


B

O Barroco brasileiro se caracteriza pela busca da simplicidade e clareza na expressão literária, com autores como Gregório de Matos e Padre Antônio Vieira, cujas obras se destacam pela leveza e pela ausência de elementos de tensão religiosa e moral.


C

O Romantismo brasileiro, influenciado por ideais europeus, teve um forte foco na objetividade e na representação do mundo como ele é, com uma ênfase no nacionalismo e na exaltação do índio, representado por autores como José de Alencar e Gonçalves Dias.


D

O Realismo no Brasil, principalmente no final do século XIX, apresentou uma visão objetiva e crítica da sociedade, com ênfase nas classes médias e urbanas, e foi representado por autores como Machado de Assis e Aluísio Azevedo.


E

O Modernismo brasileiro, iniciado na década de 1920, se caracteriza pela continuidade das formas tradicionais de escrita e pela rejeição da experimentação estilística, com autores como Mário de Andrade e Oswald de Andrade que se recusam a modificar as normas literárias.

Assinale a alternativa que NÃO indica um autor que tenha produzido romances, na década de 1930, de cunho regionalista, focados na realidade social e política do Nordeste brasileiro.


A

Rachel de Queiroz.


B

José Lins do Rego.


C

Rubem Fonseca.


D

Graciliano Ramos.


E

José Américo de Almeida.

Antonio Candido, quando compara Caramuru à obra O Uraguai, de Basílio da Gama, pondera que aquela


A

sofre por não ter o fulgor épico desta.


B

dissocia índio e religião como esta.


C

propõe o sincretismo religioso como esta.


D

traz o índio de forma marginal como esta.


E

compõe visivelmente uma réplica desta.

Em relação aos versos de Cecília Meireles, Alfredo Bosi explica que eles se alinham ao chamado


A

ultrarromantismo, no qual a poesia é concebida pelo prisma do sentimentalismo exacerbado, do que decorrem temas marcadamente soturnos e fúnebres.


B

neoparnasianismo, no qual a poesia é concebida como expressão lógica do pensamento, devendo, portanto, primar pela contenção sentimental.


C

neossimbolismo, no qual a poesia é concebida como sentimento transformado em linguagem, como se comprova pelos versos de metros breves.


D

pré-modernismo, no qual a poesia é concebida como uma forma de ruptura com o academicismo, buscando formas livres e alternativas de expressão.


E

naturalismo, no qual a poesia é concebida como expressão das emoções coletivas, em uma espécie de catarse pela qual se exploram temas de ordem social.

TEXTO II


Poema tirado de uma notícia de jornal [Manuel Bandeira]


João Gostoso era carregador de feira livre e morava no

morro da Babilônia num barracão [sem número

Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro

Bebeu

Cantou

Dançou

Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.


[Libertinagem, 1930]


O poema “Poema tirado de uma notícia de jornal” (1930), de Manuel Bandeira, integra o Modernismo brasileiro e apresenta características que rompem com modelos estéticos anteriores.


Considerando os paradigmas literários do século XX, o texto revela:


A

A retomada do rigor formal e da idealização do sujeito poético, aproximando-se dos princípios estéticos do Parnasianismo, especialmente na regularidade rítmica e no vocabulário selecionado.


B

A valorização da introspecção filosófica e da musicalidade simbolista, com versos longos e reflexivos que privilegiam a sugestão em vez da narrativa direta.


C

A incorporação de elementos do cotidiano, a linguagem coloquial e o antissentimentalismo, característicos do Modernismo de 1922, que buscava romper com o academicismo e aproximar a poesia da experiência comum.


D

A defesa de uma estética nacionalista e ufanista, marcada pela idealização do herói brasileiro e pela exaltação épica da pátria, como propunha o Romantismo indianista do século XIX.

   
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