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“Entre nós, a literatura é antes de tudo uma forma de consciência nacional, porque os sistemas literários não são apenas fenômenos estéticos, mas manifestações de identidade histórica” (Antonio Candido, Formação da Literatura Brasileira, 1959). No Romantismo brasileiro, a natureza foi convertida em emblema simbólico do nacionalismo literário.
Comando: Considerando a leitura de Candido, identifique a alternativa que melhor caracteriza o papel da natureza na produção romântica.
A natureza perde valor simbólico, convertendo-se em mero cenário textual desprovido de densidade.
A natureza dissolve símbolos regionais, tornando-se representação neutra sem valor identitário explícito.
A natureza compromete identidade nacional, reforçando o cosmopolitismo estético europeu universalista.
A natureza converte-se em alegoria nacional, estruturando identidade literária coletiva e patriótica.
A natureza é excluída da poesia, substituída por abstrações literárias estritamente europeias.
“O texto literário é espaço de estranhamento, mecanismo pelo qual a arte renova a percepção, rompendo com automatismos da vida cotidiana” (Shklovsky, Teoria da Prosa, 1925). Essa função estética permanece central em narrativas experimentais modernas e pós-modernas.
Indique a alternativa que melhor explicita o efeito do estranhamento na literatura.
Dissolve tensões formais, eliminando polissemia e complexidade na construção textual moderna.
Reduz ambiguidades semânticas, garantindo previsibilidade absoluta nos processos interpretativos literários.
Rompe automatismos perceptivos, renovando experiência estética e crítica dos leitores contemporâneos.
Homogeneíza sentidos, assegurando uniformidade interpretativa em diferentes contextos literários.
Neutraliza efeitos estéticos, afastando a experiência crítica do horizonte interpretativo cultural.
Analise as assertivas a seguir a respeito do poema anterior:
I. Trata-se de um poema de Gregório de Matos Guerra, representante do Arcadismo brasileiro.
II. Uma das características típicas do período literário ao qual o poema pertence é a dualidade entre a vida terrena e a salvação da alma, presente na negociação com Deus.
III. Outra característica típica do período do Arcadismo, ao qual o texto pertence, é o bucolismo, como se nota pela temática do pastoralismo no último terceto.
Quais estão corretas?
Apenas I.
Apenas II.
Apenas I e II.
Apenas I e III.
I, II e III.
Assim como Dom Casmurro, são obras realistas machadianas
Falenas e Diva.
Desencantos e O Lustre.
Americanas e A Relíquia.
Esaú e Jacó e Desassossego.
Lição de Botânica e Memorial de Aires.
A Semana de Arte Moderna de 1922 foi um marco na literatura brasileira. Esse movimento, em sua primeira fase ("Fase Heroica"), teve como principais características:
O retorno aos modelos clássicos gregos e latinos, buscando uma linguagem rebuscada e formal (Parnasianismo).
A valorização da vida no campo e a idealização do índio como um herói nacional puro e ingênuo (Romantismo).
A ruptura com o academicismo, a defesa da liberdade formal (verso livre), a linguagem coloquial e a busca por uma identidade nacional autêntica.
O pessimismo, o gosto pela morte e o uso excessivo de metáforas complexas e subjetivas (Simbolismo).
Segundo a Literatura Brasileira, o período compreendido entre 1895 e 1922 é chamado de:
Modernismo.
Barroco.
Pré Modernismo.
Realismo.
Em "Os lusíadas", Camões emprega vocábulos como 'varonil' (relativo a varão, homem) e 'fero' (feroz) que, embora possuam um sentido denotativo claro, assumem, no contexto da epopeia, conotações de bravura e rudeza, respectivamente, que intensificam a caracterização dos heróis portugueses. A coexistência e a interdependência entre denotação e conotação são, portanto, elementos cruciais para a análise da expressividade linguística, notadamente em textos literários, sem que haja uma hierarquia intrínseca de importância entre as duas dimensões significante.
Certo
Errado
TEXTO V
Antífona
Ó Formas alvas, brancas, Formas claras
de luares, de neves, de neblinas!…
Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas…
Incensos dos turíbulos das aras…
Formas do Amor, constelarmente puras,
de Virgens e de Santas vaporosas…
Brilhos errantes, mádidas frescuras
e dolências de lírios e de rosas…
Indefiníveis músicas supremas,
harmonias da Cor e do Perfume…
Horas do Ocaso, trêmulas, extremas,
Réquiem do Sol que a Dor da Luz resume…
(…)
SOUSA, Cruz e. Obra completa. Rio de Janeiro: José Aguiar, 1961. p.70.
A partir da leitura do poema e ao interpretar a Escola Literária do autor Cruz e Sousa, podem-se destacar como características estéticas deste movimento:
A rigorosidade aos padrões métricos e a ideia da “arte pela arte”, com culto ao belo.
A busca por uma temática de caráter social e uma escrita prosaica.
A busca por uma literatura nacional e a valorização do regionalismo.
A tendência ao conceptismo e ao cultismo, com ênfase ao paradoxo e à hipérbole.
A musicalidade e as sugestões cromáticas e sinestésicas, com base materialista.
Baseando-se no texto e nas características listadas da obra da autora, assinale a alternativa que NÃO corresponde com clareza a uma característica de Clarice Lispector manifestada no trecho.
A construção da cena privilegia a análise psicológica, ao revelar as sensações corporais, a respiração, o grito contido e o impacto emocional interno da narradora.
A narrativa evidencia uma estrutura convencional, com encadeamento lógico linear de acontecimentos e descrição objetiva dos fatos externos.
Há forte presença de monólogo interior, pois o narrador se volta para dentro, descrevendo percepções íntimas e um estado liminar entre sentir e ver.
O episódio funciona como reflexão sobre o existir, o “eu” e o mundo — ou seja, temas universais como o encontro com o outro, o desconhecido, o medo — enquanto a metalinguagem permanece mais recorrente no conjunto da obra do que explicitamente no trecho.
Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis explora um narrador “defunto-autor” que sabota a própria confiabilidade por digressões metalinguísticas e apartes ao leitor, convertendo a ironia em método crítico (Candido; Schwarz). Em contraste com a construtividade antissentimental de João Cabral de Melo Neto, a ironia machadiana funciona como dispositivo de desnaturalização: desloca expectativas, relativiza causalidades, convoca o leitor a recompor lacunas e reconhecer a pluralidade de vozes quando o narrador simula transparência e performa cálculo. Esse jogo enunciativo instaura polifonia e tensiona a autoridade narrativa, abrindo espaço para leituras que consideram ethos, foco e pacto ficcional. Assinale a alternativa correta.
A adoção do narrador defunto-autor neutraliza o ponto de vista, convertendo a ironia em ornamento estilístico dissociado de qualquer função crítica na estrutura do romance.
As digressões metalinguísticas reforçam a transparência do relato, pois reduzem ambiguidades interpretativas e estabilizam um pacto ficcional unívoco entre narrador e leitor.
A interlocução direta com o leitor consolida a confiabilidade plena da voz narrativa, apresentada como instância de mediação ética e interpretativa acima das demais vozes do texto.
O jogo irônico, ao sabotar expectativas lineares e simular sinceridade, tensiona a autoridade do narrador e convoca o leitor a reconstruir sentidos a partir de uma polifonia controlada.
A polifonia machadiana esvazia a dimensão crítica do romance, na medida em que impede a identificação de qualquer posicionamento autoral minimamente reconhecível na narrativa.
A poética cabralina é marcada pela “arqueação” construtiva do verso, recusa do sentimentalismo e atenção ao trabalho material da linguagem; Manuel Bandeira combina coloquialidade e lirismo modernista; Ariano Suassuna reelabora épico popular com forte oralidade. A crítica reconhece em João Cabral uma ética da forma, que dramatiza o objeto sem derramar emotividade.
Considerando o texto, assinale o enunciado coerente com a poética de João Cabral.
O romance de José Lins cultiva depuração metalinguística rigorosa, abandonando elementos regionais.
A linguagem cabralina privilegia objetividade construtiva, recusando sentimentalismo e excesso ornamental deliberado.
A prosa de Osman Lins dilui forma, subordinando-se integralmente ao conteúdo temático.
O verso suassuniano elimina oralidade popular, buscando universalidade clássica descontextualizada abstrata teatral.
A dicção bandeiriana equipara-se totalmente, adotando idêntica recusa de imagens sensoriais visuais.
No escopo das concepções de ensino das formas literárias, considere o texto em análise e assinale a alternativa correta quanto ao potencial formativo da proposta apresentada com o desenvolvimento do projeto “Memória em papel”, tendo em vista o compartilhamento dos sentidos construídos nas atividades de leitura com vistas ao exercício do diálogo coletivo para a construção de uma perspectiva crítica.
O trabalho proposto pelo projeto objetiva a formação de um leitor com habilidades de leitura estética e formalista, considerando os aspectos composicionais da literatura e da fotografia, sem o estabelecimento de diálogo crítico com outros sujeitos ou obras.
A concepção de ensino adotada para a execução do projeto reside no compartilhamento dos sentidos produzidos nas trocas entre os discentes e a escolha das fotografias em um trabalho coletivo, dialógico e intermodal, cujo objetivo é o desenvolvimento do leitor crítico.
A formação do leitor reside em uma concepção que o forma para o trabalho de leitura e escrita de legendas, sem abordar a produção de sentidos ou o diálogo com outras formas de linguagem.
O ensino promovido pelo projeto se restringe a uma concepção que privilegia a apreciação estética individual, sem tensionamento entre as formas de apreensão do texto literário.
O desenvolvimento da exposição e da curadoria apresenta como concepção de ensino uma formação literária homogeneizante, com vistas à desconsideração das leituras individuais em detrimento da coletividade.
O título da obra Cartas Perto do Coração dialoga com o título da primeira obra literária publicada por Fernando Sabino.
Certo
Errado
Leia o fragmento de texto a seguir.
Se desejei alguma coisa neste mundo foi ser escritor. Ser escritor como uma forma superior de vida, assim como o monaquismo e o sacerdócio. Ser escritor será, talvez, mais uma posição diante da vida que uma realização exterior, extrínseca ao homem. [....] Literatura é uma forma de conhecimento e uma forma de comunicação. Um testemunho, para que a vida e a morte não sejam em vão. Encaro a literatura como uma vitória sobre o tempo e a morte.
(VILLAÇA, Antônio Carlos. In Quando eu chegar ao céu. )
A partir do fragmento, assinale a opção que indica, corretamente, a função da Literatura.
Destacar a superioridade dos valores literários sobre os demais tipos de textos.
Demonstrar que a escrita tem valor permanente, superando o tempo e o espaço.
Indicar valores permanentes, preservando-os contra as mudanças políticas e sociais.
Mostrar o valor político-cultural dos textos produzidos, importantes para a cultura nacional.
Apontar a arte como o caminho para a preservação dos textos contra a passagem de tempo.
Com base na perspectiva sociológica da literatura, assinale a alternativa que apresenta CORRETAMENTE uma instância de legitimação da produção literária:
O uso predominante da linguagem conotativa como critério de literariedade.
A leitura espontânea de obras pelos leitores nos mais variados meios.
A atuação de editoras, críticos literários, universidades e prêmios literários na validação e consagração de autores e obras.
A subjetividade do autor no momento da escrita, desconsiderando o leitor e o meio.
A presença de marcas de oralidade na construção da voz narrativa e da aprovação dos críticos literários de uma obra.
Símbolos
Eu e tu, ante a noite e o amplo desdobramento
do mar, fero, a estourar de encontro à rocha nua...
Um símbolo descubro aqui, neste momento
esta rocha, este mar... a minha vida e a tua.
O mar vem, o mar vai, nele há o gesto violento
de quem maltrata e, após, se arrepende e recua.
Como compreendo bem da rocha o sentimento!
São muito iguais, por certo, a minha mágoa e a sua.
Contemplo neste quadro a nossa triste vida;
tu és dúbio mar que, na sua inconsciência,
tem carinhos de amor e fúrias de demência!
Eu sou a dor estanque, a dor empedernida,
sou rocha a emergir de um côncavo de areia,
imóvel, muda, isenta e alheia ao mar, alheia.
MACHADO, G. Poesia completa. Rio de Janeiro:
Cátedra/MEC, 1978.
Nesse soneto, os traços da estética simbolista são resgatados pelo eu lírico ao
rejeitar as emoções de “amor” e “mágoa”.
expressar a dubiedade do olhar sobre o outro.
representar o “eu” e o “tu” como sujeitos volúveis.
associar a sua inconsciência a elementos da natureza.
metaforizar o conflito amoroso nas imagens de “mar” e “rocha”.
A análise do modo como Machado de Assis compôs “um romance na contracorrente das ideologias vigentes” (oitavo período) impossibilita a interpretação de que ele tenha produzido “uma obra revolucionária” (nono período).
Certo
Errado
Do TEXTO 1, infere-se uma proposta para o ensino de literatura embasada no contato com diferentes manifestações artísticas e literárias, contemplando tanto a produção erudita quanto a popular. Considerando a curadoria correspondente a essa proposta, é relevante lembrar a importância de trazer o teatro e o cordel ao chão da escola.
Associando isso à inclusão da Literatura Potiguar na sala de aula, determinada pela Lei Nº 11.231, de 4 de agosto de 2022, são obras, respectivamente, representativas dessa curadoria:
As Velhas, de Lourdes Ramalho, e Cancioneiro Geral, de Garcia Resende.
A Farsa do Poder, de Racine Santos, e As Seis Moedas de Ouro, de Antônio Francisco.
Auto da Feira, de Gil Vicente, e O Violino do Diabo, de Maria das Neves Pimentel.
O Verdugo, de Hilda Hilst, e Quando Começo a Cantar, de António Aleixo.
A leitura de obras literárias pressupõe a adesão a determinados contratos de sentido entre autor, texto e leitor. Assinale a alternativa que representa corretamente um pacto de leitura da literatura.
Interpretação literal dos textos, sem considerar a subjetividade do leitor.
Compromisso com a verdade factual dos eventos narrados.
Aceitação de mundos possíveis e sentidos figurados criados pela obra.
Recusa de ambiguidades como forma de respeitar a norma culta.
Num comentário literário que relacione “Memórias Póstumas de Brás Cubas” à estética realista, a estratégia interpretativa mais pertinente é:
Reconstruir apenas o enredo cronológico para evidenciar linearidade típica do período.
Comparar a obra a romances indianistas, sublinhando o mesmo projeto nacionalista.
Evidenciar o narrador defunto-autor como ruptura com o pacto ficcional romântico, articulando ironia metalinguística.
Listar palavras arcaicas do texto como prova de fidelidade linguística ao século XIX.