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Considere o seguinte texto:
Não indagues, Leucónoe
Não indagues, Leucónoe, ímpio é saber,
a duração da vida
que os deuses decidiram conceder-nos,
nem consultes os astros babilônios:
melhor é suportar tudo o que acontecer.
[...]
Enquanto conversamos,
foge o tempo invejoso.
Desfruta o dia de hoje [carpe diem],
acreditando o mínimo possível no amanhã.
Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos. São Paulo: Cutrix, 1964. p. 185. (fragmento)
Como tema literário, o carpe diem faz referência à filosofia de vida que recomenda aproveitar intensamente o momento presente. Tendo por base esse contexto, aponte a seguir a alternativa correta.
O carpe diem é um conceito que foi evidenciado pela primeira vez no século XVIII pelos poeta árcades, os quais buscavam uma fuga da vida urbana e seus conflitos, utilizando a natureza como cenário principal de suas obras.
A poesia romântica, a partir da temática do indianismo, idealizou pela primeira vez o conceito de carpe diem, uma vez que defendia uma literatura mais ligada à natureza, evidenciando o “aproveitar o dia” em oposição ao pessimismo byroniano.
A poesia clássica evidenciou a temática do bucolismo, em que a natureza é caracterizada como espaço de harmonia para “cantar o dia” (carpe diem), termo cunhado pela primeira vez no chamado carpe diem horaciano, baseado em ideias epicuristas.
O carpe diem é um conceito nascido na escola barroca, em que os poetas lutavam contra conflitos internos como o “aproveitar o dia” (carpe diem), considerado um ideal profano, e os dogmas do teocentrismo, em que Deus era o centro de tudo.
O carpe diem é interpretado como um convite para aproveitar os prazeres da vida, mas também como um lembrete da brevidade da existência, tendo sido uma das filosofias da escola trovadoresca ao ser usado pela primeira vez na cortesia das cantigas de amor.
Considerando o trecho da Carta de Pero Vaz de Caminha e os pressupostos discursivos do Quinhentismo no Brasil, particularmente no âmbito da escrita informativa e catequética que caracteriza a literatura de viagem, assinale a alternativa que apresenta uma interpretação crítica coerente com o contexto ideológico e estético do documento.
O narrador constrói uma perspectiva etnográfica isenta, reconhecendo a alteridade indígena como sistema cultural autônomo e atribuindo ao encontro uma interação simétrica, própria de um olhar protomoderno sobre a diversidade.
A descrição do território e da população indígena está subordinada a um projeto expansionista e evangelizador, que mobiliza topoi da abundância natural e da “simplicidade” dos nativos para legitimar a missão colonizadora da Coroa portuguesa.
O texto rompe com os paradigmas da literatura medieval europeia, recusando metáforas religiosas e abandonando por completo o discurso teleológico associado à salvação e ao domínio espiritual.
A carta evidencia uma crítica explícita ao etnocentrismo europeu, defendendo que a conversão forçada comprometeria a integridade cultural dos povos originários e deveria ser evitada pelas autoridades régias.
A valorização do ambiente brasileiro e de seus habitantes emerge de uma noção de alteridade romântica, típica do indianismo oitocentista, que idealiza o indígena como herói nacional anterior à construção do Estado.
Leia o texto a seguir.
O trabalho de leitura do texto, da interpretação, do entendimento requer o discernimento metodológico. E interpretar é, em grande parte, usar a capacidade intelectual de superação do esqueleto do conhecimento objetivamente estabelecido respectivamente. O momento decisivo da leitura pressupõe o exercício intelectual de perceber, compreender e julgar, contudo, o juízo, não é julgamento puro e simples, mas avaliação, reconhecimento e definição de valor.
CANDIDO, Antonio. Formação da literatura brasileira: momentos decisivos. 7.ed. Belo Horizonte: Itatiaia, 1993, v.1, p. 31. [Adaptado].
Antonio Candido evidencia, em sua prática reflexiva acerca da formação da literatura brasileira, a legitimidade de se abordar a literatura a partir de um ponto de vista histórico, sem renunciar à consideração estética. Além disso, o autor menciona que a literatura não é apenas uma coleção de textos isolados, para tanto, explicitando sua concepção de literatura, que é compreendida como sendo
a disciplina escolar que se confunde com a história literária.
o sistema de obras, autores e público.
o conjunto de fenômenos literários consagrados pela crítica.
a instituição nacional fruto do patrimônio cultural.
A interpretação de textos literários exige que o leitor compreenda elementos subjacentes ao enredo. Na leitura de um conto de Machado de Assis, qual estratégia seria mais apropriada para compreender o tom irônico característico do autor?
Priorizar a análise das relações familiares no enredo, pois a crítica social de Machado de Assis sempre se manifesta nesse contexto específico.
Analisar as falas e atitudes dos personagens, buscando entender o contraste entre o que eles dizem e o que realmente pensam ou fazem.
Focar nas ações dos personagens principais, pois elas são as que melhor representam as intenções reais do autor.
Concentrar-se na descrição dos cenários e nos aspectos visuais do texto, pois esses elementos refletem a crítica social implícita.
Leia o excerto a seguir.
“A história da literatura brasileira é em grande parte a história de uma imposição cultural que foi aos poucos gerando expressão literária diferente, embora em correlação estreita com os centros civilizadores da Europa. [...] Com efeito, além de sua função própria de criar formas expressivas, a literatura serviu para celebrar e inculcar os valores cristãos e a concepção metropolitana de vida social, consolidando não apenas a presença de Deus e do rei, mas o monopólio da língua. [...] Em suma, desqualificou a possibilidade de expressão e visão de mundo dos povos subjugados.”
CANDIDO, Antonio. Iniciação à literatura brasileira. 5ª ed. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2007.
Qual das obras listadas nas alternativas NÃO corresponde a uma manifestação literária do período histórico brasileiro descrito nesse excerto?
Sermões (Padre António Vieira)
Carta de achamento do Brasil (Pero Vaz de Caminha)
Iracema (José de Alencar)
Caramuru (Frei Santa Rita Durão)
Leia o fragmento a seguir.
“Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira. O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.
Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.”
ALENCAR, José de. Iracema. 24. ed. São Paulo: Ática, 1991.
A obra Iracema, escrita por José de Alencar, é um dos marcos do romantismo brasileiro e se insere no contexto do Nacionalismo que predominava na época. A relação da obra com o contexto histórico-social do Brasil no século XIX é clara ao retratar a luta pela construção de uma identidade nacional, utilizando-se do indígena como símbolo de pureza e origem da nação. Considerando o contexto histórico e as características do Romantismo, assinale a alternativa CORRETA.
Iracema reflete a ideia de nacionalismo, mas é uma obra que apenas idealiza a figura do indígena, sem apresentar qualquer crítica social ao processo de colonização.
O romance Iracema é uma obra exclusivamente literária, sem qualquer relação com o momento histórico de transição da monarquia para a república no Brasil, tendo foco apenas nas questões amorosas de seus personagens.
A obra Iracema é marcada pela presença de um herói romântico, representando o arquétipo da luta pela construção de um país, com a ênfase na idealização da figura do indígena, conforme a visão do nacionalismo romântico.
A obra Iracema busca ilustrar uma visão positivista do Brasil, com foco na ciência, no desenvolvimento e no progresso, muito distantes do Romantismo.
Em Iracema, o autor José de Alencar busca expor de forma crítica as tensões sociais da época, com um enfoque nas questões de desigualdade racial e no sofrimento das populações indígenas durante a colonização.
“As personagens: Guma - Mestre de Saveiro; Lívia - Esposa de Guma; Mestre Manuel - Marinheiro; Maria Clara - Companheira de Mestre Manuel; Francisco - Velho Mestre de Saveiro, tio de Guma; Rosa Palmeirão - Prostituta muito valente; Rufino - Melhor amigo de Guma; Esmeralda - Esposa de Rufino e apaixonada por Guma”, pertencem à obra de Jorge Amado:
Capitães da Areia.
Mar Morto.
Gabriela, Cravo e Canela.
Dona Flor e seus dois Maridos.
Qual é a inovação narrativa apresentada em "Memórias Póstumas de Brás Cubas" e qual é o impacto dessa técnica?
A história é contada por um narrador onisciente, proporcionando uma visão abrangente da sociedade.
O romance é narrado em primeira pessoa por um defunto autor, quebrando a linearidade tradicional e refletindo sobre a vida e a morte.
A narrativa é feita em terceira pessoa, focando na objetividade e na descrição detalhada dos eventos.
O livro é escrito em forma de diário, oferecendo uma perspectiva íntima e pessoal.
Leia o fragmento abaixo e responda à questão.
Oh! bendito o que semeia
Livros... livros à mão cheia...
E manda o povo pensar!
O livro, caindo n'alma
É germe – que faz a palma,
É chuva – que faz o mar! (Castro Alves)
São características da fase da literatura brasileira em que se insere essa obra:
predomínio da emoção, subjetivismo, amor intenso
formas livres, temáticas cotidianas, carpe diem
a retomada da forma do soneto, visão objetiva, arte pela arte
simbologias pagãs, universalismo, racionalismo
Na obra “A literatura em perigo”, de Tzvetan Todorov (2009), nota-se uma inquietação do autor quanto à forma como a literatura vem sendo ensinada e entendida nas instituições educacionais. Todorov defende a ideia de que a literatura corre o risco de perder sua função primordial de humanizar o ser humano e de favorecer uma compreensão mais profunda tanto do mundo quanto de si mesmo. A crítica de Todorov pode ser explicada pelo fato de o ensino de literatura
ser usado como meio para debates triviais, relegando ao segundo plano a compreensão estética da obra.
não ser embasado em teorias da crítica literária, prevalecendo o debate pelo gosto ou não da obra.
desconsiderar obras não canônicas, por terem sido consideradas pela crítica como pouco eruditas.
focar na análise estrutural e técnica dos textos, não se debatendo o conteúdo das experiências humanas.
Leia o seguinte excerto do conto “A causa secreta”, de Machado de Assis:
“Fortunato saiu, foi deitar-se no sofá da saleta contígua, e adormeceu logo. Vinte minutos depois acordou, quis dormir outra vez, cochilou alguns minutos, até que se levantou e voltou à sala. Caminhava nas pontas dos pés para não acordar a parenta, que dormia perto. Chegando à porta, estacou assombrado.
Garcia tinha-se chegado ao cadáver, levantara o lenço e contemplara por alguns instantes as feições defuntas. Depois, como se a morte espiritualizasse tudo, inclinou-se e beijou-o na testa. Foi nesse momento que Fortunato chegou à porta. Estacou assombrado; não podia ser o beijo da amizade, podia ser o epílogo de um livro adúltero. Não tinha ciúmes, note-se; a natureza compô-lo de maneira que lhe não deu ciúmes nem inveja, mas dera-lhe vaidade, que não é menos cativa ao ressentimento. Olhou assombrado, mordendo os beiços.
Entretanto, Garcia inclinou-se ainda para beijar outra vez o cadáver; mas então não pôde mais. O beijo rebentou em soluços, e os olhos não puderam conter as lágrimas, que vieram em borbotões, lágrimas de amor calado, e irremediável desespero. Fortunato, à porta, onde ficara, saboreou tranquilo essa explosão de dor moral que foi longa, muito longa, deliciosamente longa.”
(50 contos de Machado de Assis. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. p. 368-76.)
Pode-se afirmar que está presente a seguinte característica, típica da literatura realista de Machado de Assis:
Preocupação do autor com a questão da ascensão social, envolvendo amor, dinheiro, família e casamento, tudo movido por interesse.
Introspecção psicológica e uma temática voltada para a falsidade do casamento, marcado pela traição.
Retrato fiel e sem retoques de membros da elite brasileira, mostrando a arrogância no comportamento de quem ocupa altas posições.
Narrativa em primeira pessoa, a partir do olhar de um homem que está certo de ter sido traído, tornando sem confiabilidade a tese da traição.
Uso de conhecimentos da Biologia, da Psicologia e da Sociologia para explicar casos patológicos individuais em razão do determinismo do ambiente.
Conforme Zilberman, Monteiro Lobato adapta várias obras, no intuito de falar uma linguagem acessível para criança, como por exemplo: D. Quixote das crianças (1936). A seguir, foram destacadas alguns estratégias empregadas nesse sentido. Uma das alternativas foi elaborada de forma incorreta, destaque-a:
Cortes
Supressões
Explicações mais detalhadas
Simplificações
Traduções literais
Complete o excerto abaixo com o termo correspondente, extraído de Lajolo, “O que é literatura”.
“Os textos a que a tradição reserva o nome de literatura, embora nascendo de uma elite e a ela dirigidos, não costumam confinar-se às rodas que detêm o poder. Transformam daí e, como pedra lançada às águas, seus últimos círculos vão atingir as margens, ou quase. Seus efeitos, a ________________________ que provocam, podem repercutir em camadas mais marginalizadas, mais distantes dos círculos oficiais da cultura”.
apatia
alegria
dúvida
inquietação
esperança
No fragmento do romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, prevalecem as relações de contraste — “autor defunto” e “defunto autor” — e a digressão do narrador; no fragmento de O cortiço, predomina uma sequência narrativa coesa de determinada situação ficcional com começo, meio e fim.
Certo
Errado
O texto poético apresentado, além da referência explícita a Graciliano Ramos, reflete, em versos, a essência dos romances desse escritor, notadamente Vidas secas.
Certo
Errado
A caracterização da personagem Bertoleza como “anta bravia” que morre “rugindo e esfocinhando moribunda numa lameira de sangue” expressa uma das principais características de O cortiço: a zoomorfização dos seres humanos.
Certo
Errado
Assinale a alternativa que contenha a associação incorreta.
Ariano Suassuna → Morte e Vida Severina, poema de crítica social.
José de Alencar → O Guarani, romance indianista.
Cecília Meireles → Romanceiro da Inconfidência, poesia histórica.
Euclides da Cunha → Os Sertões, prosa que denuncia a violência.
A partir da leitura dos excertos acima, pode-se entender a linguagem e projeto da Geração de 45 e o Concretismo (Pós-Modernismo) a partir do fato de que:
|- A valorização da técnica de composição promovida pela poesia da “Geração de 45” constitui-se, essencialmente, como continuidade da poética parnasiana.
Il - No Pós-Modernismo, o domínio da forma deve permitir que a combinação entre código e mensagem aconteça de modo absoluto, para que o poder de significação da palavra seja ampliado e o texto também tenha sua significação ampliada por essa articulação.
IIl - Diferentemente dos parnasianos, que investiam no rebuscamento formal sem pretender, com isso, criar novos sentidos para o texto (a arte pela arte, a perfeição formal, a imparcialidade diante do objeto do poema eram seus objetivos), os concretistas desejavam que a perfeição formal expressasse uma observação crítica da realidade.
IV - O planejamento do poema e a reflexão sobre o próprio processo de composição são a base do fazer literário de muitos poetas dessa geração. Dentre eles, destaca-se João Cabral, que pode ser visto como um poeta cerebral, e a essência de sua poética foi investir na forma, construindo poemas palavra por palavra, como um operário constrói uma parede tijolo por tijolo.
Estão CORRETAS somente as afirmativas:
I, II e IV.
II, III e IV.
I, II e III.
I e IV.
I, II, III e IV.
Vinicius de Moraes construiu o poema “Soneto de Separação” empregando antíteses em quase todos os versos para revelar a mudanças na relação amorosa que se processam de uma forma:
abrupta e prevista.
súbita e inesperada.
postergada e delongada.
procrastinada e brusca.
Em relação ao gênero narrativo, avalie a relação entre os romances e autores, assinalando a alternativa cuja correspondência está INCORRETA.
“Os sofrimentos do jovem Werther”, de Goethe.
“Madame Bovary”, de Gustave Flaubert.
“Dom Casmurro”, de Machado de Assis.
“Macunaíma”, de Simões Lopes Neto.