Questões de Concurso sobre Literatura

 
 
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Baseando-se no texto e nas características listadas da obra da autora, assinale a alternativa que NÃO corresponde com clareza a uma característica de Clarice Lispector manifestada no trecho.


A

A construção da cena privilegia a análise psicológica, ao revelar as sensações corporais, a respiração, o grito contido e o impacto emocional interno da narradora.


B

A narrativa evidencia uma estrutura convencional, com encadeamento lógico linear de acontecimentos e descrição objetiva dos fatos externos.


C

Há forte presença de monólogo interior, pois o narrador se volta para dentro, descrevendo percepções íntimas e um estado liminar entre sentir e ver.


D

O episódio funciona como reflexão sobre o existir, o “eu” e o mundo — ou seja, temas universais como o encontro com o outro, o desconhecido, o medo — enquanto a metalinguagem permanece mais recorrente no conjunto da obra do que explicitamente no trecho.

Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis explora um narrador “defunto-autor” que sabota a própria confiabilidade por digressões metalinguísticas e apartes ao leitor, convertendo a ironia em método crítico (Candido; Schwarz). Em contraste com a construtividade antissentimental de João Cabral de Melo Neto, a ironia machadiana funciona como dispositivo de desnaturalização: desloca expectativas, relativiza causalidades, convoca o leitor a recompor lacunas e reconhecer a pluralidade de vozes quando o narrador simula transparência e performa cálculo. Esse jogo enunciativo instaura polifonia e tensiona a autoridade narrativa, abrindo espaço para leituras que consideram ethos, foco e pacto ficcional. Assinale a alternativa correta.


A

A adoção do narrador defunto-autor neutraliza o ponto de vista, convertendo a ironia em ornamento estilístico dissociado de qualquer função crítica na estrutura do romance.


B

As digressões metalinguísticas reforçam a transparência do relato, pois reduzem ambiguidades interpretativas e estabilizam um pacto ficcional unívoco entre narrador e leitor.


C

A interlocução direta com o leitor consolida a confiabilidade plena da voz narrativa, apresentada como instância de mediação ética e interpretativa acima das demais vozes do texto.


D

O jogo irônico, ao sabotar expectativas lineares e simular sinceridade, tensiona a autoridade do narrador e convoca o leitor a reconstruir sentidos a partir de uma polifonia controlada.


E

A polifonia machadiana esvazia a dimensão crítica do romance, na medida em que impede a identificação de qualquer posicionamento autoral minimamente reconhecível na narrativa.

A poética cabralina é marcada pela “arqueação” construtiva do verso, recusa do sentimentalismo e atenção ao trabalho material da linguagem; Manuel Bandeira combina coloquialidade e lirismo modernista; Ariano Suassuna reelabora épico popular com forte oralidade. A crítica reconhece em João Cabral uma ética da forma, que dramatiza o objeto sem derramar emotividade.


Considerando o texto, assinale o enunciado coerente com a poética de João Cabral.


A

O romance de José Lins cultiva depuração metalinguística rigorosa, abandonando elementos regionais.


B

A linguagem cabralina privilegia objetividade construtiva, recusando sentimentalismo e excesso ornamental deliberado.


C

A prosa de Osman Lins dilui forma, subordinando-se integralmente ao conteúdo temático.


D

O verso suassuniano elimina oralidade popular, buscando universalidade clássica descontextualizada abstrata teatral.


E

A dicção bandeiriana equipara-se totalmente, adotando idêntica recusa de imagens sensoriais visuais.

No escopo das concepções de ensino das formas literárias, considere o texto em análise e assinale a alternativa correta quanto ao potencial formativo da proposta apresentada com o desenvolvimento do projeto “Memória em papel”, tendo em vista o compartilhamento dos sentidos construídos nas atividades de leitura com vistas ao exercício do diálogo coletivo para a construção de uma perspectiva crítica.


A

O trabalho proposto pelo projeto objetiva a formação de um leitor com habilidades de leitura estética e formalista, considerando os aspectos composicionais da literatura e da fotografia, sem o estabelecimento de diálogo crítico com outros sujeitos ou obras.


B

A concepção de ensino adotada para a execução do projeto reside no compartilhamento dos sentidos produzidos nas trocas entre os discentes e a escolha das fotografias em um trabalho coletivo, dialógico e intermodal, cujo objetivo é o desenvolvimento do leitor crítico.


C

A formação do leitor reside em uma concepção que o forma para o trabalho de leitura e escrita de legendas, sem abordar a produção de sentidos ou o diálogo com outras formas de linguagem.


D

O ensino promovido pelo projeto se restringe a uma concepção que privilegia a apreciação estética individual, sem tensionamento entre as formas de apreensão do texto literário.


E

O desenvolvimento da exposição e da curadoria apresenta como concepção de ensino uma formação literária homogeneizante, com vistas à desconsideração das leituras individuais em detrimento da coletividade.

Leia o fragmento de texto a seguir.


Se desejei alguma coisa neste mundo foi ser escritor. Ser escritor como uma forma superior de vida, assim como o monaquismo e o sacerdócio. Ser escritor será, talvez, mais uma posição diante da vida que uma realização exterior, extrínseca ao homem. [....] Literatura é uma forma de conhecimento e uma forma de comunicação. Um testemunho, para que a vida e a morte não sejam em vão. Encaro a literatura como uma vitória sobre o tempo e a morte.


(VILLAÇA, Antônio Carlos. In Quando eu chegar ao céu. )


A partir do fragmento, assinale a opção que indica, corretamente, a função da Literatura.


A

Destacar a superioridade dos valores literários sobre os demais tipos de textos.


B

Demonstrar que a escrita tem valor permanente, superando o tempo e o espaço.


C

Indicar valores permanentes, preservando-os contra as mudanças políticas e sociais.


D

Mostrar o valor político-cultural dos textos produzidos, importantes para a cultura nacional.


E

Apontar a arte como o caminho para a preservação dos textos contra a passagem de tempo.

Com base na perspectiva sociológica da literatura, assinale a alternativa que apresenta CORRETAMENTE uma instância de legitimação da produção literária:


A

O uso predominante da linguagem conotativa como critério de literariedade.


B

A leitura espontânea de obras pelos leitores nos mais variados meios.


C

A atuação de editoras, críticos literários, universidades e prêmios literários na validação e consagração de autores e obras.


D

A subjetividade do autor no momento da escrita, desconsiderando o leitor e o meio.


E

A presença de marcas de oralidade na construção da voz narrativa e da aprovação dos críticos literários de uma obra.

Símbolos

Eu e tu, ante a noite e o amplo desdobramento

do mar, fero, a estourar de encontro à rocha nua...

Um símbolo descubro aqui, neste momento

esta rocha, este mar... a minha vida e a tua.

O mar vem, o mar vai, nele há o gesto violento

de quem maltrata e, após, se arrepende e recua.

Como compreendo bem da rocha o sentimento!

São muito iguais, por certo, a minha mágoa e a sua.

Contemplo neste quadro a nossa triste vida;

tu és dúbio mar que, na sua inconsciência,

tem carinhos de amor e fúrias de demência!

Eu sou a dor estanque, a dor empedernida,

sou rocha a emergir de um côncavo de areia,

imóvel, muda, isenta e alheia ao mar, alheia.

MACHADO, G. Poesia completa. Rio de Janeiro:

Cátedra/MEC, 1978.

Nesse soneto, os traços da estética simbolista são resgatados pelo eu lírico ao


A

rejeitar as emoções de “amor” e “mágoa”.


B

expressar a dubiedade do olhar sobre o outro.


C

representar o “eu” e o “tu” como sujeitos volúveis.


D

associar a sua inconsciência a elementos da natureza.


E

metaforizar o conflito amoroso nas imagens de “mar” e “rocha”.

Todas as obras a seguir foram escritas por Aluísio de Azevedo, exceto:


A

“O cortiço.”


B

“A lágrima.”


C

“O mulato.”


D

“O coruja.”


E

“A mortalha de Alzira.”

Leia o texto a seguir: Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso. (Fernando Pessoa)

Com base no texto, como Fernando Pessoa caracteriza a literatura em comparação com outras formas de arte?


A

A literatura é mais acessível e compreensível que as outras artes.


B

A literatura é uma forma de arte que se distancia da vida real, simulando experiências fictícias.


C

A literatura é a única forma de arte que utiliza a linguagem.


D

A literatura se baseia em fatos reais, ao contrário das outras formas de arte.


E

A literatura é considerada a forma mais direta de se conectar com a vida.

Analise o trecho a seguir:


“A síntese brasileira não existia no plano histórico e, portanto, não poderia ocorrer no plano artístico. Apropriaram-se, assim, da mitologia do povo, das tradições dos índios, etc., mas sem mostrar como essas realidades culturais haviam se gerado e sobrevivido. Por isso, muitas das criações literárias do período flutuam sem uma base histórica que lhes dê sustentação, estabelecendo mais uma espécie de mitologia para a nacionalização da arte do que verdades humanas por experiências populares ou pela sociedade indígena” (Gonzaga, 2012).


De acordo com o autor do trecho acima, os próprios modernistas não conseguiram definir um único caminho que pudesse dar conta do que eles chamavam de “autenticidade nacionalista”, havendo a coexistência de diferentes grupos. Sobre três desses grupos, analise as assertivas a seguir:


I. O movimento primitivista Pau-Brasil era um movimento intermediário, que acreditava que se chegaria à verdadeira identidade nacional através de uma postura intermediária entre a pura cópia dos valores ocidentais e o nacionalismo conservador e antieuropeu.

II. Os movimentos da Anta e Verde-Amarelo eram movimentos que se opunham ao primitivismo destruidor abraçado por Oswald de Andrade, reforçando o “sentido de brasilidade”, o nacionalismo conservador e uma visão direitista no plano social.

III. O Movimento Antropofágico deu origem ao movimento “Pau-Brasil”, adotando uma postura de completa rejeição aos produtos culturais das grandes metrópoles europeias e de contemplação às raízes puras e autóctones das culturas indígenas.


Quais estão corretas?


A

Apenas I.


B

Apenas II.


C

Apenas III.


D

Apenas II e III.


E

I, II e III.

Leia as assertivas abaixo:


I - As obras literárias que seguem uma linha realista trazem a expressão da realidade cotidiana.

II -A literatura fantasista tem como principal característica o desvelar de um mundo em que a realidade (razão) se sobrepõe à fantasia.

III - Um exemplo clássico de autor que segue a linha fantasista é Monteiro Lobato.


É verdadeiro o que se afirma em:


A

I apenas


B

Il apenas


C

III apenas


D

I e III apenas


E

I, II e III

Considerado o exposto no quinto período, é coerente afirmar, em relação ao texto, que a “coragem de Machado de Assis”, mencionada no sexto período, pode ser medida por meio do contraste entre o autor brasileiro e os estrangeiros Gustave Flaubert e Eça de Queirós, quanto ao modo de abordar o tema do adultério.


C

Certo


E

Errado

Todas as obras abaixo foram escritas por João Cabral de Melo Neto, exceto:


A

Os Homens de Barro.


B

O Rio.


C

Museu de Tudo.


D

Agreste


E

Auto do Frade.

O soneto é uma forma fixa que foi criada no século XIII, na Itália, tendo sido suporte de várias correntes literárias. Desse modo, analise o poema A vingança da porta e aponte a alternativa correta.


A

Evidencia-se no poema características do Simbolismo pela progressão dos versos enfatizar o tédio, a espiritualidade e a morte, em uma atmosfera onírica e surreal.


B

Exemplifica-se, por meio da idealização do amor paterno e do culto à forma, aspectos da poesia clássica, enfatizando ainda um certo bucolismo e um estilo de vida simples.


C

Destacam-se traços da poesia palaciana à medida que os versos são apresentados em forma de diálogo, numa espécie de submissão do feminino em relação ao masculino.


D

Trata-se de um poema parnasiano, cuja narração, descrição e rigor formal são sobressalentes, por meio de uma interação travada objetivamente entre um ser e a personificação da porta.


E

O poema é um exemplo da estética romântica, em que o exagero sentimental, por meio do egocentrismo, do pessimismo e da temática da morte são pungentes no texto, temáticas evidentes no Byronismo.

Assinale a alternativa que contém os principais autores do Modernismo:


A

Almeida Garret - João de Deus - Júlio Dinis.


B

José de Alencar - Franz Kafka - Bernardo Guimarães.


C

Carolina Maria de Jesus - Bruna Beber - Machado de Assis.


D

Ariano Suassuna - Antonio Candido - Adélia Prado.


E

Mário de Andrade - Oswald de Andrade - Virginia Woolf.

De acordo com Dolz, Noverraz e Schneuwly (Gêneros orais e escritos na escola, 2004), o gênero textual a que pertence o texto de Daniel Munduruku circula no domínio social de comunicação da cultura literária ficcional, estando a sua capacidade de linguagem dominante relacionada a


A

representações para tomadas de decisão.


B

mimeses da ação por meio da criação do conflito.


C

textualizações de diferentes formas dos saberes.


D

regulações mútuas de comportamentos.


E

propostas de sustentação e refutação de ideias.

O TRAPICHE.


É aqui também que mora o chefe dos Capitães da Areia: Pedro Bala. Desde cedo foi chamado assim, desde seus cinco anos. Hoje tem quinze anos.

Pedro Bala era muito mais ativo, sabia planejar os trabalhos, sabia tratar com os outros, trazia nos olhos e na voz a autoridade de chefe. Um dia brigaram. A desgraça de Raimundo foi puxar uma navalha e cortar o rosto de Pedro, um talho que ficou para o resto da vida.

Uma noite, quando Raimundo quis surrar Barandão, Pedro tomou as dores do negrinho e rolaram na luta mais sensacional a que as areias do cais jamais assistiram. Raimundo era mais alto e mais velho. Porém Pedro Bala, o cabelo loiro voando, a cicatriz vermelha no rosto, era de uma agilidade espantosa e desde esse dia Raimundo deixou não só a chefia dos Capitães da Areia, como o próprio areal. Engajou tempos depois num navio.


O texto acima é um trecho do romance Capitães da Areia, cujo autor é:


A

Jorge Amado.


B

Fernando Pessoa.


C

Carlos Drummond de Andrade.


D

José de Alencar.


E

Cecília Meireles.

Bentinho e Capitu são personagens da célebre obra Dom Casmurro, de Machado de Assis. Pertencem também ao enredo da obra:


A

Ezequiel e Camilo.


B

José Dias e Amaro.


C

Dona Glória e Sofia.


D

Tio Cosme e Vilela.


E

Prima Justina e Pádua.

   
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