Questões de Concurso sobre Cirurgia Cardiovascular

 
 
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Mulher de 64 anos, com diabetes mellitus tipo 2 e insuficiência cardíaca, em uso de inibidor do cotransportador sódio-glicose 2 (SGLT2i), será submetida à cirurgia abdominal eletiva de grande porte. No pré-operatório, encontra-se estável, sem sintomas respiratórios, com creatinina 1,2 mg/dL.


Qual conduta em relação ao SGLT2i é mais adequada para reduzir complicações metabólicas perioperatórias?


A

Manter o SGLT2i até a manhã da cirurgia, para reduzir hiperglicemia.


B

Suspender o SGLT2i 3 a 4 dias antes do procedimento, quando viável.


C

Suspender o inibidor do cotransportador sódioglicose 2 (SGLT2i) 48 horas antes do procedimento e reforçar vigilância metabólica perioperatória.


D

Trocar o SGLT2i por metformina apenas no dia da cirurgia, para reduzir cetose.


E

Manter o SGLT2i e monitorar apenas glicemias capilares, pois cetoacidose cursa sempre com hiperglicemia.

Em relação à antibioticoprofilaxia em cirurgia cardíaca com esternotomia, qual conduta está mais alinhada às recomendações atuais?


A

Administração de cefazolina exclusivamente após a indução anestésica, independentemente do tempo cirúrgico.


B

Uso rotineiro de vancomicina associada à cefazolina em todos os pacientes.


C

Considerar redose do antibiótico conforme duração do procedimento e condições clínicas do paciente.


D

Administração de cefazolina antes da incisão, com redose intraoperatória em cirurgias prolongadas.


E

Substituição sistemática da cefazolina por antibióticos de amplo espectro em pacientes diabéticos.

Paciente em cirurgia cardíaca apresenta aumento de catecolaminas plasmáticas, hiperglicemia e elevação da pressão arterial. Nesse caso, é CORRETO afirmar que o estresse cirúrgico:


A

Não altera catecolaminas, sendo apenas psicológico.


B

Ativa o eixo simpático-adrenal e eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, aumentando catecolaminas e cortisol.


C

Reduz catecolaminas por inibição hipotalâmica.


D

Depende apenas de fatores emocionais, sem repercussão metabólica.


E

Não possui impacto clínico relevante durante perfusão.

Em relação ao traumatismo cardíaco, analise as assertivas abaixo e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.


( ) Eletrocardiograma e estabilidade hemodinâmica são excelentes indicativos da condição cardíaca, podendo-se descartar traumas cardíacos contundentes se não houver taquiarritmias ou distúrbios de condução.

( ) O trauma contuso do miocárdio apresenta sintomas muito semelhantes aos da insuficiência coronariana aguda.

( ) O tratamento do trauma se faz com vasoconstritores coronarianos, sem necessidade de controle rigoroso de volemia.


A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:


A

V – V – F.


B

V – F – V.


C

V – F – F.


D

F – V – F.


E

F – F – V.

Paciente, 12 anos de idade, sexo masculino, portador de cardiopatia congênita. A ecocardiografia demonstrou comunicação inter-atrial tipo seio venoso de 4 cm x 3,5 cm. Paciente apresentava-se sintomático.


Para esse caso, assinale a afirmativa correta.


A

Tamponamento cirúrgico é a maior complicação no pós operatório tardio.


B

A correção dessa CIA deve ser feita com prótese percutânea por ter dimensões pequenas.


C

num caso como este não se deve tratar cirurgicamente, mas otimizar o tratamento clínico.


D

O maior risco da cirurgia é lesar o seio venoso.


E

A correção dessa CIA deve ser feita por cirurgia aberta com circulação extracorpórea e correção deste tipo de CIA com patch pericárdico.

Das alterações cardiológicas numa criança com Síndrome de Down portadora de Tetralogia de Fallot associada, o defeito cardíaco que mais promove a cianose logo após o nascimento é a


A

comunicação interatrial normalmente associada.


B

comunicação interventricular muito ampla.


C

dextroposição da aorta sobre a comunicação interventricular.


D

hipertrofia do ventrículo direito.


E

gravidade da estenose pulmonar.

Nas cardiopatias congênitas, inúmeras cirurgias paliativas podem ser usadas. Por vezes, essas cirurgias podem permanecer como tratamento definitivo devido à dificuldade de se realizar cirurgia anatômica.


A cirurgia de Glenn é uma dessas técnicas e está mais especificamente indicada em casos de


A

cirurgia do truncus arteriosus tipo aórtico.


B

cirurgia da atresia tricúspide.


C

cirurgia do canal átrioventricular parcial.


D

cirurgia de correção da CIA (comunicação interatrial) tipo ostium primum.


E

tetralogia de Fallot em pacientes com síndrome de Down.

Com relação à clássica síndrome do marca-passo cardíaco definitivo, é correto afirmar que


A

nunca ocorre no modo DDI.


B

não ocorre nos pacientes com condução 1:1 e é assintomático.


C

geralmente os pacientes apresentam sintomas como fadiga/dispneia, hipotensão arterial, palpitação.


D

é mais frequente nos pacientes com marca-passo bicameral.


E

o tratamento consiste na administração de corticoides.

Em caso de paciente que apresenta quadro de infarto agudo do miocárdio, algumas complicações mecânicas sobre o coração podem ocorrer e pode haver a necessidade de cirurgia cardíaca para solucionar essa intercorrência.


Das opções a seguir, assinale a que apresenta as complicações que necessitam mais frequentemente de intervenção correta e imediata.


A

Insuficiência mitral e aórtica moderadas.


B

Insuficiência aórtica, comunicação interventricular.


C

Trombose em átrio esquerdo, dissecção aórtica.


D

Ruptura cardíaca, insuficiência multivalvar.


E

Ruptura cardíaca, comunicação interventricular e insuficiência mitral aguda.

Entre as características das cardiopatias congênitas acianóticas que são caracterizadas por hiperfluxo pulmonar, as manifestações clínicas são: pneumonias de repetição, dificuldade de ganho de peso e, nos casos mais graves, insuficiência cardíaca, necessitando de assistência ventilatória.


Entre as patologias cirúrgicas listadas a seguir, assinale a cardiopatia congênita que não apresenta essas características.


A

DSAV (defeito do septo atrioventricular).


B

CIV (comunicação interventricular).


C

CIA (comunicação interatrial).


D

PCA (persistência do canal arterial patente).


E

Tetralogia de Fallot.

A fibrilação atrial é complicação frequente em pacientes submetidos a cirurgia de revascularização do miocárdio.


O seguinte procedimento é considerado classe I para a prevenção dessa arritmia no pós-operatório desses pacientes:


A

a terapia preventiva no pré-operatório com o uso de betabloqueadores.


B

a oclusão da auriculeta esquerda de rotina.


C

a terapia com propafenona em pacientes com fração de ejeção normal.


D

a revascularização sem CEC (circulação extracorpórea).


E

a dupla antiagregação plaquetária.

Paciente, sexo masculino, 80 anos, lúcido e orientado, mas com fragilidades. Apresenta estenose aórtica calcificada grave, DPOC grave. Foi indicada a troca valvar por uma TAVI.


Em comparação à troca de valva aórtica convencional, no pósoperatório pós TAVI a complicação mais encontrada é:


A

tamponamento cardíaco.


B

vazamento perivalvar.


C

fibrilação atrial.


D

endocardite infecciosa.


E

insuficiência renal aguda.

Pacientes com estenose valvar mitral com indicação cirúrgica apresentam características anatômicas variáveis da valva e do aparelho valvar. O escore de Wilkins-Block pode ser usado como método de avaliação para indicar e realizar tratamento percutâneo ou indicar o tratamento cirúrgico convencional, dependendo da mobilidade da valva, espessamento da valva, nível de calcificação dos folhetos da valva e acometimento subvalvar da valva mitral.


No tratamento percutâneo com balão, o melhor resultado é indicado por um escore


A

menor ou igual a 8.


B

de 9 a 11.


C

12 ou 13.


D

14 ou 15.


E

maior do que 15.

Paciente de 72 anos, diabético e obeso, submetido à revascularização do miocárdio por esternotomia mediana, encontra-se no pós-operatório imediato em unidade de terapia intensiva. Evolui com dor moderada a intensa, hiperglicemia persistente e risco elevado de complicações infecciosas de ferida. Considerando estratégias atuais de analgesia e prevenção de infecção, a conduta integrada mais apropriada é


A

analgesia baseada predominantemente em opioides intravenosos, com ajustes conforme sedação e parâmetros ventilatórios.


B

analgesia multimodal poupadora de opioides, associada a controle glicêmico estruturado e medidas de prevenção de complicações de ferida.


C

analgesia com foco em minimizar uso de medicações sistêmicas, priorizando tolerância clínica até a extubação.


D

estratégia analgésica com anti-inflamatórios não esteroidais como eixo principal, associada à revisão do esquema de insulina conforme glicemias.


E

analgesia escalonada após estabilização respiratória, com foco inicial em metas hemodinâmicas e ventilatórias.

Homem de 59 anos, com cardiomiopatia isquêmica, fração de ejeção de 28%, em classe funcional II da New York Heart Association, apresenta taquicardia ventricular sustentada documentada, revertida com cardioversão elétrica. Não há indicação atual de cirurgia de revascularização. Qual estratégia terapêutica é mais adequada para redução de mortalidade nesse paciente?


A

Implantação de marca-passo definitivo bicameral.


B

Ablação cirúrgica isolada da taquicardia ventricular como terapia definitiva.


C

Uso de antiarrítmico em longo prazo, que pode reduzir recorrência de episódios, sendo utilizado como estratégia complementar em pacientes selecionados.


D

Implantação de cardiodesfibrilador implantável para prevenção secundária.


E

Observação clínica, pois o evento foi isolado.

Homem de 69 anos, no pós-operatório imediato de revascularização do miocárdio com circulação extracorpórea, evolui com sangramento acima do esperado e necessidade crescente de hemocomponentes. Simultaneamente, apresenta sinais de hipoperfusão periférica e aumento de lactato, sem evidência clara de tamponamento ao ecocardiograma.


Considerando mecanismos fisiopatológicos associados à cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea, assinale a alternativa que apresenta a explicação mais consistente para a coexistência de sangramento e disfunção microvascular.


A

Hemodiluição e hipotermia são fenômenos transitórios, restritos ao intraoperatório, sem impacto relevante sobre a perfusão tecidual ou a hemostasia no pós-operatório imediato.


B

Lesão endotelial e degradação do glicocálice, associadas a inflamação e estresse oxidativo, contribuem para disfunção microcirculatória e alterações de hemostasia no pós-operatório imediato.


C

Deficiência de fatores dependentes de vitamina K por jejum prolongado explica sangramento e hipoperfusão por redução do débito cardíaco.


D

Hemólise relacionada ao circuito explica sangramento por consumo de fatores e hipoperfusão por redução da capacidade de transporte de oxigênio, sem participação relevante do endotélio.


E

Efeito de anticoagulação residual é explicação suficiente para sangramento e hipoperfusão, com baixa contribuição de mediadores inflamatórios.

Paciente masculino, 74 anos, com doença arterial coronariana multivascular conhecida, fração de ejeção de 35% e hipertensão arterial sistêmica, é submetido à cirurgia abdominal eletiva de grande porte sob anestesia geral. Durante o intraoperatório, apresenta hipotensão persistente, com pressão arterial média variando entre 60 e 65 mmHg, apesar de reposição volêmica adequada. Lactato sérico permanece estável e não há sinais clínicos evidentes de hipoperfusão periférica.


Considerando o perfil cardiovascular do paciente e o risco de lesão miocárdica perioperatória, qual conduta reflete melhor julgamento clínico nesse cenário?


A

Aceitar os níveis pressóricos observados, desde que não haja sinais clínicos de hipoperfusão sistêmica.


B

Intensificar a reposição volêmica para elevar a pressão arterial média.


C

Introduzir vasopressor em baixa dose, visando manter pressão arterial média mais próxima do basal habitual do paciente.


D

Reduzir a profundidade anestésica e reavaliar resposta hemodinâmica, associando essa medida a ajustes graduais conforme evolução intraoperatória.


E

Interromper temporariamente o procedimento cirúrgico até normalização completa da pressão arterial.

Paciente do sexo masculino, 68 anos, submetido à cirurgia cardíaca eletiva, encontra-se na unidade de terapia intensiva em pós-operatório imediato, intubado, monitorizado e com acesso arterial invasivo. Evolui subitamente com assistolia durante aspiração traqueal. A equipe inicia imediatamente reanimação cardiopulmonar (RCP) com compressões torácicas de alta qualidade e ventilação por via aérea avançada. Após 2 minutos de RCP: pressão arterial invasiva durante compressões mostra pressão diastólica média de 18 mmHg; capnografia mostra pressão expiratória final de dióxido de carbono (ETCO₂) persistente em 8 mmHg; não há retorno da circulação espontânea.


De acordo com as recomendações atuais para reanimação cardiopulmonar em ambiente hospitalar, a conduta que deve ser priorizada para otimizar a chance de retorno da circulação espontânea é


A

aumentar a frequência das compressões acima de 130 por minuto.


B

priorizar ventilação adequada e correção de hipóxia, associadas à reanimação cardiopulmonar contínua.


C

iniciar desfibrilação elétrica de alta energia


D

administrar bicarbonato de sódio de forma empírica.


E

otimizar a qualidade das compressões e administrar epinefrina intravenosa.

Paciente de 70 anos, submetido à cirurgia cardiovascular de grande porte, evolui no pós-operatório com instabilidade hemodinâmica, sangramento moderado persistente e necessidade de suporte intensivo. Apresenta histórico de perda ponderal significativa nos últimos meses e baixa ingestão alimentar pré-operatória. No segundo dia pós-operatório, observa-se hipofosfatemia, hipocalemia e retenção hídrica após início de nutrição enteral. Sobre a explicação fisiopatológica e a conduta nesse contexto, assinale a alternativa correta.


A

Trata-se de resposta inflamatória esperada, devendo-se acelerar a progressão da dieta para atingir metas calóricas.


B

O quadro sugere síndrome de realimentação, sendo indicada progressão lenta da nutrição com monitorização eletrolítica rigorosa.


C

As alterações eletrolíticas indicam falha da nutrição enteral, devendo-se suspender qualquer suporte nutricional.


D

A hipofosfatemia é irrelevante no pós-operatório cardiovascular e não exige ajuste da terapia nutricional.


E

A nutrição parenteral total deve ser iniciada imediatamente em altas doses calóricas.

No contexto da anatomia cirúrgica das raízes arteriais, assinale a alternativa correta.


A

O anel valvar arterial corresponde a uma estrutura anatômica fibrosa contínua.


B

A raiz pulmonar possui suporte muscular apenas parcial em sua base.


C

As cúspides valvares arteriais se inserem exclusivamente acima da junção ventrículoarterial.


D

A raiz aórtica encontra-se centralmente posicionada na base do coração, com relação íntima com o septo membranoso.


E

Os seios aórticos apresentam sempre suporte miocárdico em sua totalidade.

 
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