Questões de Concurso sobre Cirurgia Cardiovascular

 
 
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Mulher de 76 anos, com bioprótese aórtica transcateter implantada há 4 anos, passa a apresentar dispneia aos esforços e queda de tolerância ao exercício. No ecocardiograma transtorácico (ETT), há aumento do gradiente médio transvalvar em relação ao exame basal e redução do índice Doppler (Doppler Velocity Index – DVI). Não há febre ou sinais clínicos de infecção. Qual é a melhor conduta diagnóstica inicial para confirmar o mecanismo da disfunção da bioprótese e evitar erro de classificação?


A

Concluir disfunção estrutural da bioprótese com base apenas no gradiente elevado e indicar reintervenção.


B

Solicitar avaliação multimodal, priorizando ecocardiografia transesofágica (ETE) e tomografia computadorizada (TC) para diferenciar disfunção estrutural, trombose e mismatch prótese-paciente.


C

Considerar mismatch prótese-paciente como diagnóstico principal, independentemente do exame basal pós-implante.


D

Solicitar cateterismo cardíaco quando houver discrepância clínica importante com os achados ecocardiográficos, como complemento à investigação.


E

Suspender investigação por imagem e tratar clinicamente como insuficiência cardíaca sem reavaliação valvar.

Durante evento adverso grave com sangramento intraoperatório inesperado, observa-se falha de comunicação entre membros da equipe cirúrgica e início de clima de responsabilização individual. Após estabilização do paciente, o serviço discute as atribuições do Núcleo de Segurança do Paciente (NSP), conforme a Portaria MS nº 529/2013 e a RDC Anvisa nº 36/2013. Assinale a alternativa que apresenta corretamente uma atribuição obrigatória do NSP nesse contexto.


A

Elaborar, implantar e manter atualizado o Plano de Segurança do Paciente, com monitoramento sistemático de indicadores.


B

Realizar auditorias externas independentes com periodicidade mínima anual.


C

Responsabilizar individualmente os profissionais envolvidos em eventos adversos graves.


D

Promover reuniões de análise do evento com a equipe envolvida, visando identificar falhas de processo e oportunidades de melhoria.


E

Substituir automaticamente as demais comissões internas do serviço de saúde.

Paciente de 68 anos, diabético, com doença coronariana triarterial, será submetido à cirurgia de revascularização do miocárdio. A equipe discute estratégia de enxertos considerando prognóstico, perviedade e risco de complicações relacionadas ao acesso, incluindo risco infeccioso esternal.


Nesse contexto, sobre escolha e combinação de enxertos arteriais e venosos no cenário contemporâneo, assinale a alternativa correta.


A

Enxerto de artéria torácica interna para a artéria descendente anterior apresenta melhor perviedade tardia, devendo a ampliação do uso de enxertos arteriais considerar perfil clínico e risco de complicações.


B

Enxertos venosos apresentam desempenho equivalente aos arteriais no longo prazo, por isso, a escolha deve priorizar facilidade técnica e tempo operatório.


C

Enxertos arteriais são preferíveis em todos os territórios coronarianos, independentemente de calibre do vaso-alvo e risco de complicações esternais.


D

Enxertos venosos têm falência tardia predominantemente por mecanismos idênticos aos enxertos arteriais, o que limita o impacto da escolha do conduto.


E

A estratégia de enxertos deve ser definida exclusivamente por anatomia coronariana, sem necessidade de ponderar comorbidades e riscos associados ao acesso cirúrgico.

A atuação multidisciplinar de cirurgões cardíacos, cardiologistas, patologistas e imunologistas contribuiu significativamente para os avanços no manejo de pacientes submetidos ao transplante cardíaco, permitindo excelentes resultados de curto e longo prazo. Nesse contexto, avalie as afirmativas a seguir.

I. Em alguns países, o aumento no volume de transplantes tem sido atribuído parcialmente ao tratamento bem-sucedido da hepatite C e à expansão do número de potenciais doadores.

II. Entre as etiologias virais, o herpes simples é o mais frequentemente associado a infecções após o transplante cardíaco.

III. A vasculopatia coronariana do enxerto permanece como a complicação de longo prazo mais significativa do transplante cardíaco.

Está correto o que se afirma em


A

I, apenas.


B

I e II, apenas.


C

I e III, apenas.


D

II e III, apenas.


E

I, II e III.

O implante de filtro de veia cava inferior é uma opção terapêutica em situações clínicas específicas. Em relação a esse procedimento, é correto afirmar que:


A

é indicado rotineiramente em todos os pacientes com trombose venosa profunda


B

tem como objetivo prevenir embolia pulmonar


C

substitui definitivamente o tratamento anticoagulante


D

é isento de complicações tardias

Na cirurgia vascular das patologias aneurismáticas da aorta torácica descendente, o cuidado com a artéria radicular magna ou artéria de Adamkiewicz é importante.


Nesse caso, devemos drenar líquor cefalorraquidiano nas cirurgias


A

das lesões da aorta abdominal.


B

do aneurisma da aorta infra-renal.


C

das artérias carótidas e subclávia esquerda.


D

das lesões da aorta ascendente.


E

das lesões aneurismáticas da aorta descendente.

Paciente, 65 anos, portador de insuficiência coronariana multiarterial, com lesões críticas e já tendo infartado (infarto ínfero-posterior) há um ano, associada a insuficiência mitral grave, será submetido a cirurgia de revascularização do miocárdio.


Em relação à conduta recomendada para a correção da insuficiência mitral, assinale a afirmativa correta.


A

Deve-se observar, no ecotransoperatório, se houve melhora da função da valva mitral.


B

Deve-se revascularizar o miocárdio e, se a insuficiência mitral não melhorar, indicar o implante de clip mitral para corrigir a IM grave, alguns dias após a RM.


C

Deve-se garantir a preservação da valva mitral e aguardar a melhora após a revascularização do miocárdio.


D

Plastia mitral sempre deve ser feita.


E

Recomenda-se troca valvar mitral com preservação do aparelho subvalvar, se possível, e RM.

Nas crianças que nascem com estenose valvar aórtica, a técnica de substituição valvar que apresenta melhor sobrevida em médio prazo é


A

plastia valvar com anel maleável.


B

enxerto pulmonar (técnica de Ross).


C

utilizar uma prótese híbrida sem anel.


D

prótese mecânica de duplo folheto.


E

prótese biológica sem suporte (stentless).

Paciente masculino, 52 anos, com cardiomiopatia dilatada não isquêmica, evolui com insuficiência cardíaca avançada refratária, sendo implantado dispositivo de assistência ventricular esquerda como ponte para transplante. Após o transplante cardíaco, no terceiro mês de seguimento, apresenta queda progressiva da função ventricular, com biópsia endomiocárdica demonstrando infiltrado capilar com macrófagos CD68 positivos e deposição de C4d. Qual é o mecanismo fisiopatológico predominante nesse quadro?


A

Rejeição celular mediada por linfócitos T.


B

Toxicidade aguda por inibidor de calcineurina.


C

Rejeição mediada por anticorpos com ativação do complemento.


D

Vasculopatia do enxerto de evolução crônica.


E

Infecção viral oportunista com miocardite direta.

Paciente de 52 anos, diabético, apresenta doença arterial coronariana triarterial com comprometimento proximal da artéria descendente anterior e função ventricular preservada. Após discussão em Heart Team, considera-se cirurgia de revascularização do miocárdio. Assinale a alternativa que apresenta o argumento mais consistente que favorece a cirurgia em relação à intervenção coronariana percutânea nesse caso.


A

Maior previsibilidade de evolução clínica ao longo do seguimento, especialmente em pacientes com doença coronariana extensa.


B

Redução da necessidade de terapias antiplaquetárias combinadas no pósprocedimento imediato, com menor complexidade farmacológica inicial.


C

Redução de eventos isquêmicos tardios e menor necessidade de novas intervenções ao longo do seguimento.


D

Perfil de risco perioperatório considerado aceitável quando comparado a estratégias percutâneas em pacientes selecionados e adequadamente preparados.


E

Potencial benefício em desfechos clínicos sustentados, mesmo com recuperação inicial mais prolongada e maior impacto funcional no curto prazo.

Considerando pacientes com endocardite infecciosa esquerda, qual dos seguintes conjuntos de situações resume corretamente as principais indicações cirúrgicas aceitas atualmente?


A

Presença de febre persistente por mais de 72 horas, independentemente da resposta hemodinâmica.


B

Insuficiência cardíaca por disfunção valvar, infecção não controlada e prevenção de eventos embólicos.


C

Qualquer vegetação documentada ao ecocardiograma transesofágico.


D

Endocardite por Streptococcus viridans, independentemente do tamanho da vegetação.


E

Endocardite infecciosa tratada com antibiótico intravenoso por mais de 7 dias.

Paciente masculino, 72 anos, com histórico de diabetes mellitus tipo 2 em uso de insulina, doença arterial coronariana com infarto do miocárdio há 6 anos, insuficiência renal crônica estágio 3 (creatinina 2,1 mg/dL) e capacidade funcional limitada, sendo incapaz de subir dois lances de escada, será submetido à cirurgia vascular de grande porte eletiva. Nesse caso, na avaliação pré-operatória cardiovascular, qual estratégia inicial é mais adequada para estimar o risco de eventos cardiovasculares perioperatórios e orientar a necessidade de investigação adicional?


A

Solicitar teste ergométrico para avaliação funcional objetiva antes de qualquer outra medida


B

Calcular um escore de risco validado e integrar a avaliação da capacidade funcional.


C

Solicitar ecocardiograma transtorácico de rotina para todos os pacientes idosos.


D

Solicitar coronariografia invasiva devido à história prévia de infarto.


E

Dosar troponina cardíaca seriada em todos os pacientes no pré-operatório.

Homem de 68 anos, com endocardite infecciosa da válvula mitral por Staphylococcus aureus, evolui após 5 dias de antibioticoterapia adequada com dispneia progressiva e episódio de acidente vascular cerebral isquêmico, sem rebaixamento importante do nível de consciência. O ecocardiograma transesofágico mostra insuficiência mitral grave por destruição valvar e vegetação móvel de 14 mm. A conduta mais adequada em relação ao tempo cirúrgico é


A

adiar a cirurgia por pelo menos 4 semanas devido ao risco neurológico.


B

manter tratamento clínico exclusivo até completa esterilização microbiológica.


C

indicar cirurgia urgente, pois o AVC isquêmico não contraindica intervenção quando há insuficiência cardíaca ou infecção não controlada.


D

indicar tratamento clínico inicial com antibióticos intravenosos, reavaliando necessidade cirúrgica conforme resposta clínica e microbiológica.


E

suspender antibióticos e priorizar anticoagulação plena antes de qualquer decisão cirúrgica.

Uma estenose aterosclerótica fixa, focal e limitante de fluxo de uma artéria coronária epicárdica é uma condição essencial para justificar esse quadro clínico.


C

Certo


E

Errado

A comunicação interventricular é uma das cardiopatias congênitas mais encontrada nas cardiopatias congênitas.


A principal complicação no fechamento cirúrgico da CIV, entre as relacionadas abaixo, é a(o)


A

insuficiência mitral.


B

sangramento por ruptura da parede do ventrículo direito.


C

taquicardia supraventricular e ventricular.


D

CIV residual após cirurgia aberta.


E

insuficiência pulmonar grave.

Paciente do sexo feminino, 45 anos, previamente saudável, procura atendimento por história de episódios recorrentes de dispneia aos esforços, sensação de desmaio intermitente e febre baixa nas últimas semanas. Refere também episódios de dor torácica atípica e perda ponderal de 4 kg nos últimos 3 meses. No exame físico: ausculta cardíaca com sopro diastólico de baixa intensidade em foco mitral, que varia com a posição corporal. Ecocardiograma transtorácico: massa móvel, de 4 cm, em forma de bola, aderida ao septo interatrial, estendendo-se para a válvula mitral durante a diástole.

Com base no caso, qual é a abordagem terapêutica para essa paciente?


A

Realizar biópsia percutânea da massa antes de decidir a intervenção cirúrgica.


B

Tratar os sintomas com betabloqueadores e reavaliar após 3 meses.


C

Prescrever anticoagulação oral e acompanhamento ambulatorial com ecocardiogramas regulares.


D

Indicar cirurgia cardíaca para remoção da massa.


E

Acompanhar clinicamente com controle periódico dos sintomas e exames laboratoriais.

Classicamente pode ser definida como a delaminação da camada média da aorta ocasionada pelo influxo de sangue através de um orifício de entrada na camada íntima, podendo acontecer dissecções atípicas por outras condições, como hematoma intramural e úlcera penetrante da aorta.


C

Certo


E

Errado

Acerca da indicação de implante de marca-passo cardíaco definitivo, assinale a afirmativa incorreta.


A

A cirurgia de troca valvar-aórtica , assim como o implante de TAVI (implante percutâneo), pode evoluir com bloqueio átrio ventricular e indicação de marca-passo cardíaco.


B

O bloqueio de segundo grau, tipo Mobitz II, com paciente sintomático é indicação de implante de marca-passo cardíaco definitivo.


C

O bloqueio átrio-ventricular de primeiro grau associado a um hemibloqueio anterior esquerdo é indicação clássica de implante de marca-passo cardíaco.


D

O bloqueio AV de terceiro grau é uma indicação de implante de marca-passo cardíaco definitivo.


E

A correção cirúrgica de uma CIV (comunicação interventricular) pode evoluir com bloqueio AV com indicação de implante de marca-passo cardíaco.

Paciente do sexo masculino, 58 anos, foi submetido à revascularização do miocárdio com enxerto de safena e artéria torácica interna esquerda há 5 dias. Ele evolui com dispneia em repouso, febre (38,3 ºC) e hipotensão leve (PA = 90 x 60 mmHg). Exame físico: estertores crepitantes bibasais, taquicardia (FC = 110 bpm), extremidades frias e aumento da pressão venosa jugular. Radiografia de tórax: congestão pulmonar. Ecocardiograma transtorácico: FEVE = 35%, presença de derrame pericárdico moderado sem sinais de tamponamento.

Qual é a melhor conduta para esse paciente?


A

Realizar drenagem do derrame pericárdico de urgência.


B

Introduzir diuréticos e suporte inotrópico com dobutamina.


C

Administrar antibióticos empíricos para tratamento de mediastinite.


D

Iniciar anticoagulação plena com enoxaparina.


E

Observar clinicamente e reavaliar com novo ecocardiograma em 48 horas.

Paciente de 78 anos, portador de marca-passo cardíaco definitivo há 15 anos, está evoluindo com disfunção cardíaca progressiva de ventrículo esquerdo, fração de ejeção no momento de 29%, complexo QRS alargado com dissicronismo ventricular (QRS>150ms) e apresenta estenose mitral leve.


Nesse caso, a conduta correta inicialmente é


A

trocar a valva mitral.


B

transplante cardíaco.


C

realizar uma cardiomioplastia.


D

aumentar medicação já prescrita.


E

troca do marca-passo para o multissítio.

 
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