Questões de Concurso sobre Endocrinologia pediátrica

 
 
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Menino de 3 meses, nascido de parto vaginal a termo sem intercorrências, em aleitamento materno exclusivo, foi internado por quadro clínico de choque circulatório e acidose metabólica. A mãe informou que, há 15 dias, a alimentação complementar fora iniciada (50 ml da fórmula láctea de partida em alguns períodos do dia) e que, há 1 dia, após uma mamadeira de 180 ml da fórmula láctea, o filho apresentara vômitos, fezes semilíquidas explosivas, esforço respiratório e cianose de extremidades. O hemograma indicou 13.500 leucócitos/mm³, com 20% de segmentados e 10% de eosinófilos; a proteína C reativa era de 3,5 mg/l. Recebeu tratamento para sepse. Considerando a possibilidade de síndrome da enterocolite induzida por proteína alimentar (FPIES), a conduta diagnóstica mais adequada é realizar


A

dosagem sérica de IgE específica para caseína, betalactoglobulina e alfalactoalbumina.


B

teste de exclusão de proteína do leite de vaca e, em momento posterior, provocação oral assistida.


C

endoscopia de esôfago-estômago-duodeno com biópsias.


D

teste de contato alérgico (patch test) para proteína do leite de vaca.

O manejo do diabetes tipo 1 em crianças exige monitoramento glicêmico contínuo, ajuste de insulina e suporte multiprofissional para otimizar o controle e a qualidade de vida. Sobre esse tema, analise as afirmativas a seguir.


I.O monitoramento contínuo de glicose (CGM) permite ajustes precisos nas doses de insulina, reduzindo episódios de hipoglicemia e internações por cetoacidose.

II.O controle do diabetes tipo 1 em crianças depende exclusivamente de ajustes de insulina, dispensando a educação familiar sobre contagem de carboidratos e reconhecimento de hipoglicemia.

III.O suporte multiprofissional é opcional no manejo do diabetes tipo 1, já que o tratamento pode ser realizado adequadamente apenas pelo médico endocrinologista.


Está correto o que se afirma em:


A

II, apenas.


B

I, II e III.


C

I, apenas.


D

I e III, apenas.

Paciente do sexo feminino, 4 anos de idade, foi encaminhada ao endocrinologista pediátrico, com relato de múltiplas fraturas, sem mecanismo de trauma significativo, além de queixa de sangramento vaginal há 2 meses, em aspecto de borra de café. Ao exame físico, apresentava manchas café com leite em hemicorpo esquerdo, deformidade óssea em perna esquerda e presença de telarca bilateral.


Considerando o quadro clínico apresentado, a hipótese diagnóstica para a paciente seria


A

neurofibromatose.


B

osteogênese imperfeita.


C

síndrome de Turner.


D

síndrome de McCune-Albright.


E

osteodistrofia de Albright.

Paciente de 13 anos de idade apresenta queixa de dor em coluna após queda da própria altura. Em avaliação no pronto-socorro, foi identificada uma única fratura vertebral. Ao exame físico, observou-se: fácies de dor, dificuldade para deambular e escoriações em dorso. Estatura: 116,3 cm (Z escore: -2,11). Tanner G1P2. O médico plantonista o diagnosticou com osteoporose, recomendou repouso e solicitou densitometria óssea. No dia seguinte, foi realizada a densitometria óssea com o seguinte laudo: coluna lombar L1-L4 com densidade mineral óssea de 0,579 g/cm², Z escore –2,1; corpo total, exceto cabeça, com densidade mineral óssea de 0,748 g/cm², Z escore –2,2.


Considerando a densitometria óssea desse paciente e os exames complementares apresentados, é correto


A

realizar a densitometria óssea e realizar também o terço distal do rádio.


B

realizar o ajuste da densidade mineral óssea pelo Z escore de estatura, considerando a baixa estatura do paciente.


C

realizar o ajuste da densidade mineral óssea pelo estadiamento puberal de Tanner.


D

converter os resultados da densitometria para T escore.


E

repetir a densitometria óssea e realizar também a avaliação do quadril.

Sobre o diabetes mellitus na pediatria, é correto afirmar:


A

a insuficiência renal aguda é a complicação mais temida da cetoacidose diabética.


B

segundo a American Diabetes Association, o diagnóstico de diabetes pode ser feito na presença de glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL, recomenda-se repetir o teste para confirmação.


C

dentre os autoanticorpos que auxiliam no diagnóstico do diabetes tipo 1, destaca-se o anti-Mi2 contra as células beta pancreáticas.


D

não se recomenda a contagem de carboidratos na pediatria pelo risco de hipoglicemia.


E

o diabetes tipo 2 não ocorre na pediatria e é uma doença relacionada à síndrome metabólica do adulto.

Menino de 7 anos com baixa estatura (altura -3,5 DP), velocidade de crescimento 3,5 cm/ano; idade óssea de 5 anos. Testes de estímulo com clonidina e glucagon mostram pico de GH < 5 ng/mL. IGF-1: 55 ng/mL (VR: 88-474). RM hipófise: neurohipófise ectópica e haste hipofisária não visualizada.


O diagnóstico mais provável é


A

resistência ao GH (Síndrome de Laron).


B

deficiência isolada de GH idiopática.


C

deficiência de GH por alteração no HESX1.


D

baixa estatura constitucional.


E

hipotireoidismo primário.

Menino de 8 anos foi trazido à consulta para avaliação de crescimento, tendo sido constatada a situação registrada no gráfico (Figura 1). O raio X da mão esquerda solicitado para avaliação da idade óssea está reproduzido na Figura 2.


Imagem associada para resolução da questão


A respeito do caso, é correto afirmar que o paciente


A

tem prognóstico de altura final comprometido pelo avanço da idade óssea quando comparada à idade cronológica.


B

pode apresentar baixa estatura constitucional, estando a idade óssea atrasada, porém compatível com o canal de crescimento familiar.


C

pode apresentar hiperplasia adrenal congênita e, em decorrência, avanço da idade óssea.


D

apresenta hipogonadismo com atraso da idade óssea.

Paciente de 16 anos de idade é encaminhada para endocrinologia pediátrica para investigação de baixa estatura. Apresentava queixa de cefaleia ocasional, fronto-temporal e vista “embaçada”, sobretudo à esquerda. Refere telarca aos 12 anos de idade, mas nega menarca. Estatura: 146 cm (Z escore: 2,838), peso: 42 kg, IMC: 19,7 kg/m² (Z escore: 0,311). Tanner M2P4. Sem dismorfiais faciais. Sem outras alterações no exame físico. Na investigação de baixa estatura, realizou ressonância magnética de sela turca com presença de lesão supraselar de conteúdo parcialmente cístico com compressão de quiasma óptico à esquerda. Não foi possível visualizar haste hipofisária e hipófise devido à presença de lesão.


Considerando o quadro clínico precedente, a principal hipótese diagnóstica para a paciente seria


A

astrocitoma.


B

cisto de bolsa de Rathke.


C

meduloblastoma.


D

craniofaringioma.


E

glioma.

Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, uma doença que causa alcalose metabólica por perda de cloreto.


A

Fibrose cística.


B

Hiperaldosteronismo primário.


C

Síndrome de Cushing.


D

Hipertensão renovascular.


E

Síndrome de Gilteman.

O diabetes é uma síndrome de etiologia múltipla, decorrente da falta de insulina e(ou) da incapacidade da insulina de exercer adequadamente seus efeitos.


C

Certo


E

Errado

Em relação aos distúrbios metabólicos e genéticos em endocrinologia pediátrica, assinale a alternativa INCORRETA.


A

A faixa de normalidade do TSH em crianças é diferente da dos adultos, sendo o limite superior maior.


B

Crianças obesas podem apresentar níveis de TSH mais elevados que as não obesas.


C

O nível de TSH no hipotireoidismo central pode estar baixo, normal ou pouco elevado.


D

Doença ocular ocorre na minoria dos pacientes pediátricos com doença de Graves.


E

A presença de anticorpos antitireóideos em crianças é indicativo para tratamento com levotiroxina.

A obesidade infantil é um problema crescente em todo o mundo, com implicações significativas para a saúde das crianças. Ela não apenas afeta o bem-estar físico, mas também pode ter consequências profundas no crescimento e no desenvolvimento hormonal. A compreensão dos mecanismos pelos quais a obesidade influencia as vias hormonais é crucial para endocrinologistas pediátricos, que buscam intervir precocemente e melhorar os resultados de saúde a longo prazo.


Indique a alternativa correta sobre os efeitos da obesidade no crescimento e desenvolvimento hormonal das crianças.


A

Crianças obesas apresentam níveis elevados de cortisol que inibem o crescimento linear, mas essa condição é revertida com a perda de peso, sem necessidade de intervenção médica adicional.


B

A leptina, um hormônio produzido pelo tecido adiposo, desempenha um papel crucial na regulação do apetite e no controle da secreção de gonadotrofinas, podendo impactar o desenvolvimento sexual em crianças obesas.


C

O aumento da adiposidade leva à resistência à insulina, que por sua vez pode estimular a secreção excessiva de hormônio do crescimento (GH), resultando em gigantismo nas crianças obesas.


D

A obesidade infantil está associada à hiperatividade do eixo hipotálamo-hipófisegonadal, levando ao início precoce da puberdade em meninas, mas não tem impacto significativo na puberdade em meninos.

Um menino de 10 anos é trazido ao pronto-socorro após ter apresentado vômitos, dor abdominal intensa, desidratação e alteração do nível de consciência. O médico suspeita de uma cetoacidose diabética, uma emergência endocrinológica comum em crianças com diabetes tipo 1.


Tendo em vista as emergências endocrinológicas mais comuns em pediatria e seus tratamentos adequados, qual das afirmativas é verdadeira?


A

A cetoacidose diabética deve ser tratada com fluidos intravenosos e insulina para corrigir a acidose metabólica e a hiperglicemia.


B

O tratamento da tireotoxicose em crianças não é considerado uma emergência e pode ser feito com medicamentos orais apenas.


C

A crise adrenal aguda em crianças não requer tratamento urgente e pode ser gerida, ambulatorialmente, com medicamentos orais.


D

A administração imediata de insulina deve ser evitada até que os níveis de glicose sejam confirmados, para não causar hipoglicemia.

A insuficiência suprarrenal secundária consiste na hipofunção suprarrenal decorrente da falta do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH). Sobre este assunto na pediatria, analise as alternativas e assinale a incorreta:


A

Em pacientes com suspeita de insuficiência suprarrenal secundária, alguns especialistas acreditam que se deve fazer um teste de estimulação com ACTH em baixa dose utilizando 1 mcg de cosintropina IV em vez da dose padrão de 250 mcg porque o cortisol sérico nesses pacientes pode aumentar normalmente em resposta à dose mais alta.


B

Pacientes que recebem corticoides por < 2 semanas podem apresentar secreção suficiente de ACTH durante estresse metabólico para estimular as suprarrenais a produzirem quantidades adequadas de corticoides, ou podem apresentar suprarrenais atróficas que respondem ao ACTH.


C

Pacientes com pan-hipo-hipo-hipofisarismo têm função tireoidiana e gonadal deprimida e algumas vezes hipoglicemia. Coma também pode ocorrer quando há insuficiência suprarrenal secundária sintomática.


D

O Pan-hipopituitarismo pode ocorrer secundário a tumores hipofisários, vários outros tumores e granulomas e, raramente, na infecção ou no trauma com destruição do tecido hipofisário. Especialmente em crianças e adolescentes, mas também em adultos, o pan-hipopituitarismo pode ocorrer secundário a um craniofaringioma.


E

Os sinais e sintomas são semelhantes àqueles da doença de Addison e incluem fadiga, fraqueza, perda ponderal, náuseas, vômitos e diarreia. Características clínicas e laboratoriais gerais incluem ausência de hiperpigmentação e valores relativamente normais de eletrólitos e nitrogênio da ureia sanguínea (nitrogênio da ureia sanguínea).

O Diabetes mellitus envolve a ausência da secreção de insulina (tipo 1) e resistência periférica à insulina (tipo 2), causando hiperglicemia. Os sintomas iniciais estão relacionados à hiperglicemia e incluem polidipsia, polifagia, poliúria e perda ponderal. Sobre este tema em pediatria, analise as alternativas e assinale a incorreta:


A

Sistemas de monitoramento contínuo de glicose (MCG) são um método incomum para monitorar os níveis de glicose no sangue e não podem substituir o automonitoramento rotineiro da glicose no sangue para alguns pacientes. Esses sistemas são cada vez menos utilizados em crianças, e utilização com taxas mais baixas em crianças < 6 anos de idade.


B

No diabetes tipo 1, as manifestações iniciais variam de hiperglicemia assintomática à cetoacidose diabética potencialmente fatal. Mais comumente, as crianças se apresentam com hiperglicemia sintomática sem acidose, com vários dias a semanas de frequência urinária, polidipsia e poliúria.


C

Sinais e sintomas do diabetes em crianças e adolescentes: Fadiga, fraqueza, exantema por Cândida, visão turva (decorrente de estado hiperosmolar do cristalino e humor vítreo) e/ou náuseas e vômitos (decorrente de cetonemia) também podem estar presentes inicialmente.


D

Diagnóstico de diabetes em crianças e adolescentes: Avaliação inicial - Para pacientes com suspeita de diabetes, mas que não parecem enfermos, os testes iniciais para estabelecer o diagnóstico devem incluir um painel metabólico básico, incluindo eletrólitos e glicose, e urinálise.


E

No diabetes tipo 2, a apresentação clínica varia amplamente. As crianças são frequentemente assintomáticas ou minimamente sintomáticas, e a doença só pode ser detectada em testes de rotina. Entretanto, algumas crianças têm manifestação grave de hiperglicemia sintomática, estado hiperglicêmico hiperosmolar ou Cetoacidose Diabética (CAD).

A forma predominante de hipertireoidismo em crianças mais velhas e jovens adolescentes, de origem autoimune e com presença de anticorpos que ativam o receptor de TSH, manifestando-se pela combinação de aumento difuso da tireoide, protrusão ocular e excesso de hormônios tireoidianos, é a:


A

Tireoidite de Hashimoto.


B

Doença de Graves.


C

Tireoidite subaguda de Quervain.


D

Toxicose nodular.


E

Disgenesia tireoidiana.

A adrenarca constitui um processo fisiológico que acontece na infância e na passagem para a adolescência, servindo como antecedente ao desenvolvimento puberal.


Assinale a alternativa correta sobre a adrenarca.


A

A apresentação clínica típica é o atraso no surgimento de pelos (axilares, pubianos ou ambos), acne e odor corporal, sem outros indícios de puberdade.


B

Observa-se maior incidência no gênero masculino (razão 10:1), em indivíduos de etnia negra, nascidos grandes para a idade gestacional (GIG), com obesidade ou com disfunções no sistema nervoso central (SNC).


C

O conceito de “pubarca precoce” refere-se ao aparecimento antecipado das mamas e pode decorrer da adrenarca.


D

A adrenarca precoce é uma variação benigna marcada pelo início precoce da produção androgênica pela suprarrenal, antes dos 8 anos em meninas e 9 anos em meninos.


E

A adrenarca caracteriza-se pelo início da síntese de hormônios androgênicos (como DHEA) nos testículos ou ovários, levando a pelos pubianos e axilares, odor axilar, oleosidade cutânea e acne.

Criança de 2 anos com genitália ambígua, hiperpigmentação e crises de desidratação. Sódio: 124 mEq/L, potássio: 6,1 mEq/L. 17-OH-progesterona: 16.000 ng/dL. Cariótipo: 46,XX.


O tratamento indicado é


A

hidrocortisona + fludrocortisona + correção cirúrgica.


B

hidrocortisona, apenas.


C

dexametasona + espironolactona.


D

prednisona + suplementação de sal.


E

observação até a puberdade.

Um menino de 15 anos é trazido à consulta por baixa estatura e ausência de desenvolvimento puberal. Ele não possui pelos pubianos, o volume testicular é de 3 mL bilateralmente e a idade óssea é de 12,5 anos. Seu pai relata ter tido um desenvolvimento mais tardio também. A velocidade de crescimento está em 4 cm/ano. Qual a hipótese diagnóstica provável?


A

Hipogonadismo hipergonadotrófico (Síndrome de Klinefelter).


B

Hipogonadismo hipogonadotrófico congênito.


C

Atraso constitucional do crescimento e da puberdade (ACCP).


D

Deficiência de hormônio do crescimento (GH).

A respeito da doença nodular da tireoide na população pediátrica, assinale a opção correta.


A

Quando indicada, a dose ablativa de iodo no pós-operatório de doença maligna primária de tireoide deve ser realizada preferencialmente com 123I.


B

Mutações do gene RET estão associadas ao carcinoma folicular da tireoide.


C

A cintilografia de tireoide constitui ferramenta diagnóstica fundamental na investigação clínica da doença nodular da tireoide em crianças, sendo capaz de diferenciar doença maligna de benigna.


D

O risco de desenvolvimento de neoplasia maligna primária da tireoide em nódulos da tireoide em crianças é quatro vezes maior do que em adultos.


E

O carcinoma medular da tireoide, que corresponde a 5% das neoplasias da tireoide em crianças, está associado a síndromes genéticas da neoplasia endócrina múltipla (NEM) tipo 1 e tipo 2.

 
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