Questões de Concurso sobre Medicina da Família

 
 
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Um Médico de Família e Comunidade (MFC) atende, há alguns meses, um paciente do sexo masculino, de 55 anos, que apresenta postura autoritária, com tom de voz mais elevado, e questiona as orientações terapêuticas, mesmo quando tecnicamente adequadas. O MFC não consegue entender por que se sente tão irritado e impaciente com o paciente, reage de forma mais seca do que o habitual, e chega a considerar encaminhá-lo a outro profissional, mesmo sem uma justificativa clínica clara. Na última consulta, a imagem do pai do MFC veio à sua mente.

Assinale a afirmativa correta a respeito do modo como poderia ser entendida tecnicamente essa dificuldade do MFC.


A

Trata-se de um fato sem relevância clínica e o foco da reflexão deveria estar no comportamento objetivamente inadequado do paciente, que justifica a irritação do MFC.


B

O fato de o paciente evocar a imagem paterna do médico configura um caso de transferência por parte do paciente, que estaria projetando inconscientemente a figura do próprio pai do médico na relação terapêutica.


C

A lembrança do pai é uma associação livre e aleatória, sem relação causal com a irritação sentida durante a consulta, sendo dois fenômenos psíquicos independentes que não devem ser articulados na compreensão do caso.


D

A emergência espontânea da imagem paterna, associada uma reatividade emocional desproporcional à situação, é um indicativo de contratransferência, necessitando ações que favoreçam o autoconhecimento e visando um ajuste atitudinal do MFC.


E

A emergência dessa lembrança indica que o MFC está desenvolvendo um quadro de ansiedade patológica relacionado ao exercício profissional, sendo recomendado o afastamento de suas atividades assistenciais até avaliação psiquiátrica ou psicológica.

Uma Equipe de Saúde da Família, recém-instalada em um bairro periférico de médio porte, inicia o processo de territorialização de sua área de abrangência. O bairro possui aproximadamente 3.000 habitantes, com áreas de risco socioeconômico variado, incluindo uma ocupação irregular às margens de um córrego. Durante o processo de territorialização, a equipe precisa subdividir sua área em microáreas para distribuir o trabalho dos ACSs e identificar os grupos de maior vulnerabilidade.

Considerando os princípios da territorialização da Estratégia Saúde da Família, os critérios que a equipe deve adotar para a delimitação das microáreas são:


A

dividir por faixa etária a população, com no mínimo 1.500 habitantes cada, uma vez que a microárea tem como objetivo principal a organização da demanda espontânea de atendimentos na unidade de saúde.


B

independentemente das condições socioeconômicas, dividir com no máximo 3.500 habitantes cada, considerando apenas os limites geográficos físicos, como ruas e avenidas, já que a microárea corresponde à área de abrangência da UBS.


C

subdividir as microáreas conforme a divisão administrativa do município, com no máximo 2.000 habitantes, sendo a microárea uma unidade político-administrativa que coincide com os limites do distrito sanitário.


D

buscar homogeneidade socioeconômico-sanitária, de modo que cada microárea concentre grupos com características semelhantes, contendo no máximo 750 habitantes cada, sendo a unidade operacional do ACS voltada à prática de vigilância em saúde.


E

priorizar a contiguidade geográfica das residências, de modo que cada microárea contenha no máximo 750 habitantes, sem necessidade de considerar as condições socioeconômicas e sanitárias, já que a homogeneidade social é irrelevante para a prática de vigilância em saúde.

Você está trabalhando como responsável técnico em uma unidade de atenção primária durante um surto de dengue e precisa acompanhar a evolução para poder organizar o serviço e também por seu compromisso epidemiológico com o território.

A medida epidemiológica mais útil para acompanhar a evolução do surto é a(o)


A

prevalência.


B

letalidade.


C

mortalidade proporcional.


D

coeficiente de mortalidade.


E

incidência.

Durante atendimento na Atenção Primária à Saúde (APS), uma paciente estrangeira de 54 anos, com indicação de colonoscopia, é informada de que não há prestador para esse recurso na cidade e que, portanto, deve pagar pelo exame no sistema suplementar.

Sobre a situação acima, assinale a afirmativa correta.


A

O caso é um bom exemplo de descentralização, quando o cuidado deixa de estar centralizado apenas no SUS e envolve também prestadores do sistema suplementar.


B

Universalidade é o princípio do SUS que garante ao usuário acesso global a todos os serviços de saúde necessários ao seu cuidado.


C

O SUS deve garantir cuidado integral ao usuário, sendo uma das opções possíveis o pagamento, pelo município, para a realização do exame no sistema suplementar.


D

A paciente estrangeira foi atendida de maneira igual a qualquer brasileiro, sem barreiras de acesso, sendo este um exemplo de equidade.


E

A decisão sobre se determinado serviço será prestado pela APS ou em outro nível de atenção não varia de local para local.

Adolescente de 17 anos procura atendimento por conta de febre alta, odinofagia e tosse.

No exame físico, você identifica aumento de linfonodo cervical posterior, bilateral e simétrico, e no exame do abdome, o espaço de Traube encontra-se maciço.

Considerando sua principal hipótese diagnóstica para o quadro, o agente etiológico que poderia estar envolvido seria o


A

vírus Coxsackie.


B

vírus Epstein-Barr.


C

estreptococo beta-hemolítico do grupo A.


D

vírus da família paramyxoviridae.


E

vírus da influenza.

Gestante, 28 anos, com 32 semanas de gestação, reside com esposo e três filhos, não tem outros familiares na cidade. Ela vai em consulta de pré-natal, e a médica de família e comunidade percebe que ela está mais calada do que nas consultas anteriores. A gestante diz que está muito triste, sozinha e sobrecarregada.

Assinale a opção que melhor descreve uma intervenção que seja multidisciplinar e interdisciplinar ao caso.


A

A médica determina o acompanhamento com psicólogo imediatamente, encaminha ao pré-natal de alto risco e retorno em consulta médica quinzenal.


B

A médica divide as informações na reunião de equipe, agenda consulta de enfermagem e psicologia e prescreve sertralina 50mg 1 comprimido/dia.


C

A médica agenda consulta da gestante com a enfermagem e a psicologia e reforça sobre necessidade de consulta semanal com estas até o parto.


D

A médica comunica a situação em reunião de equipe, busca redes de apoio com os agentes de saúde e constrói projeto terapêutico singular com a equipe.


E

A médica pede aos agentes de saúde que convoquem o esposo para explicar a sobrecarga da gestante e determina visita domiciliar pela psicologia.

Em uma unidade da Estratégia Saúde da Família, uma das equipes notou um aumento importante no número de faltas de gestantes às consultas de pré-natal. Os dados do prontuário eletrônico mostram que as gestantes que estão faltando mais, pertencem a uma área mais vulnerabilizada. A equipe objetiva resolveu o problema por meio de um estudo que favoreça a resolução do problema pelo entendimento das motivações relacionadas às faltas.

A proposta de estudo que a equipe deve realizar visando o objetivo assinalado é


A

correlacionar a renda familiar das gestantes com a frequência de comparecimento às consultas agendadas.


B

testar a eficácia de diferentes protocolos clínicos de consulta de pré-natal por meio de um ensaio clínico controlado.


C

calcular a média de faltas mensais por idade gestacional para priorizar o atendimento de gestantes no primeiro trimestre.


D

explorar as experiências e percepções das gestantes sobre o cuidado ofertado nas consultas de pré-natal, a fim de melhor compreender o fenômeno.


E

mapear estatisticamente a prevalência de gestantes sem companheiro fixo e com companheiro fixo, para avaliar se esta seria uma justificativa para as faltas.

Mulher, 45 anos, residente em município do Norte do país, chega à UBS com queixa de mancha adormecida no antebraço direito. Percebeu dor e choque no cotovelo direito ao apoiá-lo na mesa. Relata que seu pai fez tratamento para hanseníase há um ano.

Na abordagem inicial dessa paciente, o médico necessariamente deverá fazer


A

inspeção da pele; testar sensibilidade tátil, térmica e dolorosa da mancha e/ou áreas dormentes; palpar nervos periféricos, avaliação sensitivo-motora de pés, mãos e olhos.


B

teste de sensibilidade tátil, térmica e dolorosa da mancha; biópsia da lesão; solicitar baciloscopia; ultrassom de nervos periféricos; micológico para diagnóstico diferencial.


C

exame dermatoneurológico, buscando manchas anestésicas com monofilamento de cor verde; solicitação de baciloscopia e biópsia da lesão.


D

avaliar troncos nervosos; mapeamento sensitivo de mãos e pés; solicitação de baciloscopia; biópsia da lesão; ultrassom de nervos periféricos.


E

exame dermatoneurológico buscando manchas anestésicas com teste de sensibilidade térmica, tátil e dolorosa; baciloscopia; micológico direto para diagnóstico diferencial.

Um médico da Atenção Primária atende um adulto jovem com queixa de olho vermelho há 2 dias, sem trauma associado. O paciente refere leve desconforto ocular, sem dor intensa, sem secreção purulenta espessa, sem alteração da acuidade visual e sem sensação de corpo estranho importante. Nega uso de lentes de contato. Não apresenta fotofobia significativa, não relata halos luminosos e não há histórico de episclerite, uveíte ou glaucoma. O profissional revisa conceitos essenciais relacionados ao manejo do olho vermelho, principalmente critérios de gravidade, formas clínicas mais prevalentes, sinais que sugerem etiologia infecciosa, alérgica ou inflamatória, e situações que não podem ser consideradas benignas.


Com base nas diretrizes mais atuais, avalie as afirmações abaixo.


I- Dor intensa, fotofobia importante, redução da acuidade visual ou halos indicam gravidade.

II- Conjuntivite viral apresenta secreção mucopurulenta densa e dor intensa.

III- Pterígio/pinguécula relacionam-se à exposição crônica à radiação ultravioleta.

IV- Conjuntivite alérgica cursa com prurido intenso e secreção aquosa.

V- Olho vermelho sem dor e com visão preservada exclui doença corneana.


É CORRETO o que se afirma em:


A

III e V, apenas.


B

I, II e III .


C

II e V, apenas.


D

I, III e IV, apenas.


E

I, II, III, IV e V.

Joana, 58 anos, agricultora, comparece à Unidade Básica de Saúde com queixa de dor lombar há 8 meses, sem trauma desencadeante. Refere piora ao esforço, sem irradiação, e leve melhora com repouso. Já fez uso intermitente de anti-inflamatórios, com alívio temporário. Nega sintomas neurológicos, perda de peso ou febre. Durante a consulta, relata tristeza, dificuldade para dormir e que “a dor tirou seu ânimo de viver e trabalhar”.

Ao exame: bom estado geral, sem sinais de alarme, força e sensibilidade preservadas, leve contratura paravertebral lombar.


Considerando os princípios da APS e a abordagem da dor crônica lombar inespecífica, a conduta mais adequada é:


A

Introduzir opioide fraco e manter uso contínuo até melhora sustentada da dor.


B

Iniciar ciclo curto de anti-inflamatório não esteroidal (AINE) e repouso absoluto por 7 dias.


C

Solicitar ressonância magnética lombar e encaminhar para ortopedia para investigação de hérnia discal.


D

Implementar plano de manejo ativo com educação em dor, incentivo à atividade física gradual e intervenções psicossociais, avaliando comorbidades emocionais.

Uma família de cinco membros é acompanhada pela equipe de Atenção Primária à Saúde (APS). A mãe, 34 anos, apresenta diabetes tipo 2 e obesidade; o pai, 37 anos, hipertensão arterial e histórico de alcoolismo; uma filha adolescente apresenta transtorno alimentar leve; outro filho adolescente apresenta asma persistente mal controlada; e a avó, 62 anos, possui artrose avançada e mobilidade reduzida. Durante visitas domiciliares, a equipe identifica dificuldades financeiras, sobrecarga de cuidados sobre a mãe, conflitos de comunicação e baixa adesão ao tratamento de alguns membros. A equipe deve planejar intervenções de saúde, respeitando princípios da Medicina de Família e Comunidade e da APS.


Diante desse cenário, qual a conduta mais adequada?


A

A equipe deve priorizar os casos de maior risco clínico individual (diabetes e hipertensão), deixando os demais membros sob acompanhamento secundário, pois isso garante maior resolutividade técnica.


B

O acompanhamento deve ser limitado a consultas individuais na UBS, sem visitas domiciliares, pois a abordagem familiar em contexto de vulnerabilidade social é de responsabilidade exclusiva dos serviços de referência.


C

A abordagem familiar deve integrar todos os membros da família, considerando aspectos físicos, mentais, sociais e relacionais; identificar fatores de risco e proteção; articular estratégias de autocuidado compartilhadas e coordenação do cuidado.


D

O foco da equipe deve ser apenas fornecer informações padronizadas sobre cada doença, evitando discutir problemas familiares ou sociais, pois esses fatores extrapolam o papel da APS.

Considerando os princípios do MCCP e abordagem familiar na APS, assinale a alternativa correta.


A

Priorizar exclusivamente a mãe gestante, como paciente de maior risco, deixando os demais membros sob acompanhamento secundário.


B

Realizar avaliação integrada de todos os membros da família, identificando fatores de risco e proteção, vulnerabilidades sociais, promovendo diálogo, vínculo, corresponsabilidade e planejamento longitudinal, articulando a atuação multiprofissional.


C

Seguir protocolos clínicos individuais, sem considerar interações familiares ou contexto social neste momento, para garantir eficiência e padronização do cuidado.


D

Limitar o acompanhamento a consultas individuais na UBS, visto que o ambiente hostil no cenário domiciliar poderá propiciar as discussões familiares e prejudicar o trabalho da equipe.

Durante uma oficina de EPS com a família Silva, a equipe percebe que alguns membros acreditam que “profissionais de saúde sabem tudo e nós só precisamos obedecer”, enquanto outros querem discutir problemas reais do cotidiano.


Qual deverá ser a abordagem adequada para esta família pela equipe?


A

Limitar a EPS à mãe gestante, considerando que os demais membros não têm riscos clínicos relevantes, aplicando o princípio da equidade.


B

Realizar palestra e entregar folhetos informativos, mantendo postura hierárquica da equipe e transmitir o conhecimento adequado sem ruidos de comunicação.


C

Realizar processo dialógico, participativo e contextualizado, promovendo construção coletiva do conhecimento, valorizando saberes familiares, fortalecendo autonomia, corresponsabilidade e adesão às práticas de autocuidado.


D

Orientar condutas a partir de protocolos técnicos para cada condição de saúde, sem discussão coletiva, visto que os problemas são individuias e deverá ser considerado a abordagem centrada na pessoa, com cuidados e intervenções particularizadas.

A equipe de Atenção Primária à Saúde acompanha a família Souza, residente em uma comunidade urbana com alto índice de doenças crônicas e baixa adesão ao tratamento.


• Pai (68 anos): hipertenso há 15 anos, diabético tipo 2, insuficiência renal leve, faz uso diário de hidroclorotiazida, metformina, estatina e AAS; apresenta PA de 155/100 mmHg; relata esquecimento frequente da medicação e sintomas leves de hipotensão ocasional.

• Mãe (65 anos): hipertensa controlada com IECA, PA 140/80 mmHg, mas com histórico de tosse persistente e artrite, usando analgésicos esporadicamente.

• Filho (35 anos): saudável, mas envolvido no cuidado da família.


Durante visitas domiciliares, a equipe identifica:


• Uso simultâneo de múltiplos medicamentos (polifarmácia) com risco de interações e eventos adversos;

• Dificuldade da família em organizar horários e adesão às medicações;

• Necessidade de orientação sobre riscos, monitoramento e ajuste terapêutico, integrando MCCP, EPS e coordenação multiprofissional.


Considerando diretrizes atuais de tratamento da HAS, MCCP, abordagem familiar, EPS e polifarmácia na APS, qual deverá ser a conduta mais adequada para esta família?


A

A equipe deve instruir apenas sobre estilo de vida e dieta, sem ajustar medicações, monitorar interações ou revisar polifarmácia, envolver o filho no cuidado, pois mudanças comportamentais e organizacionais serão suficientes.


B

A equipe deve recomendar a suspensão de todos os medicamentos que não são anti-hipertensivos para reduzir polifarmácia, sem avaliar riscos individuais ou interações, pois menos medicamentos significam menos problemas.


C

O manejo da HAS deve ser integral e individualizado, considerando escolha adequada de anti-hipertensivos, revisão da polifarmácia para evitar interações.


D

O manejo da HAS deve priorizar na prescrição de um novo anti-hipertensivo para o pai e trocar o IECA da mãe, pois deve-se controlar a PA imediatamente.

Um teste diagnóstico para determinada doença apresenta sensibilidade de 90% e especificidade de 80%. Esse teste é aplicado em uma população assintomática, com baixa prevalência da doença, como estratégia de rastreamento. Nessa situação, qual é a principal consequência esperada da utilização do teste?


A

Aumento da proporção de resultados falso-positivos.


B

Elevada probabilidade pós-teste após resultado positivo.


C

Elevado valor preditivo positivo.


D

Alta capacidade de confirmação diagnóstica.


E

Redução do impacto da prevalência sobre os resultados.

As Redes de Atenção à Saúde (RAS) são arranjos organizativos de ações e serviços de saúde, de diferentes densidades tecnológicas, que buscam garantir a integralidade do cuidado. Qual dos seguintes atributos NÃO é considerado um elemento fundamental na estrutura operacional das RAS?


A

Uma população e um território definidos, com conhecimento das necessidades de saúde.


B

Um sistema logístico e de apoio diagnóstico e terapêutico eficientes.


C

Uma estrutura de governança única para toda a rede, com gestão centralizada no nível estadual.


D

Um sistema de informação que ligue os pontos de atenção, permitindo a gestão do cuidado.


E

A Atenção Primária à Saúde estruturada como primeiro ponto de contato e coordenadora do cuidado.

Um paciente de 68 anos, diabético, chega à UBS com febre, tosse produtiva e dispneia. Ao exame, apresenta-se taquicárdico (115 bpm), taquipneico (28 irpm), hipotenso (PA 85/50 mmHg) e com alteração do nível de consciência. Utilizando o qSOFA, a conduta imediata que o médico deve adotar é


A

administrar antitérmico e antibiótico oral e reavaliar em 24 horas.


B

iniciar hidratação venosa com 10 ml/kg de cristaloide e aguardar melhora.


C

reconhecer o quadro como suspeita de sepse com disfunção orgânica e acionar o serviço de emergência para transporte hospitalar.


D

realizar uma radiografia de tórax na unidade para confirmar a pneumonia antes de qualquer outra medida.


E

considerar o quadro como uma descompensação do diabetes e administrar insulina regular.

Homem 42 anos com tosse há 3 semanas, emagrecimento, sudorese noturna. RX sugestivo. Qual abordagem diagnóstica inicial é mais alinhada ao manual brasileiro para TB pulmonar?


A

Solicitar apenas PPD e tratar empiricamente se PPD >10 mm.


B

Solicitar teste rápido molecular para TB (TRM-TB) em amostra respiratória como exame inicial, associado à baciloscopia/cultura conforme contexto.


C

Iniciar esquema RHZE sem confirmação laboratorial em todos os casos suspeitos.


D

Solicitar sorologia para TB (IgG/IgM) como triagem.

No contexto do manejo integral e da longitudinalidade do cuidado na Atenção Primária à Saúde (APS), considere o paciente ASC masculino de 52 anos, portador de Hipertensão Arterial Sistêmica e Diabetes Mellitus tipo 2 há 8 anos. Em sua consulta de rotina, apresenta PA de 142/92 mmHg (média de três aferições), Hemoglobina Glicada (HbA1c) de 7,4% e Taxa de Filtração Glomerular (TFG) estimada de 55 mL/min/1,73m². O paciente não possui histórico de eventos cardiovasculares prévios.


Segundo as diretrizes vigentes e o Modelo de Atenção às Condições Crônicas (MACC) adotado pelo Ministério da Saúde, assinale a alternativa que descreve a conduta e a classificação de risco CORRETAS: (dentro das alternativas abaixo assinalar a que melhor reponde ao questionamento)


A

Por não apresentar lesão de órgão-alvo clínica manifesta (como infarto ou AVC), o paciente é classificado como de Risco Intermediário, devendo-se priorizar o Manejo Não Medicamentoso (MNM) por 3 meses antes de qualquer ajuste farmacológico, mantendo o acompanhamento semestral para garantir a longitudinalidade.


B

O paciente deve ser classificado como de Risco Cardiovascular Muito Alto devido à coexistência de DM2 e Doença Renal Crônica (DRC) estágio 3, o que implica em uma meta pressórica imediata de < 130/80 mmHg e intensificação do tratamento medicamentoso para HAS e DM2.


C

A classificação de risco deve ser feita obrigatoriamente pelo Escore de Framingham, sendo que valores de PA entre 140-159/90-99 mmHg em pacientes diabéticos são considerados controlados na APS, não exigindo revisão do Plano Terapêutico Singular (PTS).


D

De acordo com o novo PCDT de HAS, pacientes com PA ≥ 140/90 mmHg devem iniciar tratamento medicamentoso independentemente do risco cardiovascular, porém a meta para este paciente específico seria de < 140/90 mmHg para evitar hipotensão ortostática devido à idade avançada.

G.T.R. 14 anos feminino, com diagnóstico prévio de asma, procura a Unidade de Saúde da Família apresentando dispneia intensa, fala entrecortada, uso evidente de musculatura acessória e incapacidade de completar frases. À ausculta pulmonar observa-se sibilância difusa, e o pico de fluxo expiratório encontra-se significativamente reduzido quando comparado ao melhor valor pessoal previamente registrado no prontuário. A equipe institui prontamente oxigenoterapia e administra broncodilatador inalatório de curta duração em doses repetidas. Após as medidas iniciais, o paciente mantém desconforto respiratório importante, persistência dos sinais de gravidade e resposta clínica insatisfatória. Considerando as recomendações do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas Resumido para Asma do Ministério da Saúde, a conduta mais adequada na Atenção Primária, diante desse quadro, é: (dentro das alternativas abaixo assinalar a que melhor reponde ao questionamento)


A

Encaminhar imediatamente para serviço de urgência ou unidade hospitalar, mantendo o suporte instituído durante o transporte.


B

Indicar a transferência imediata para o nível secundário (AD3), visto que a presença de LPP grau III e GTT são critérios de exclusão para a modalidade AD1 (equipe de eSF), exigindo suporte tecnológico hospitalar para desbridamento cirúrgico.


C

Realizar o manejo da LPP no domicílio com coberturas tecnológicas e orientar a mudança de decúbito a cada 2 horas; em paralelo, iniciar protocolo de Cuidados Paliativos focando no controle de sintomas (como a hialorréia) e na definição de metas de cuidado, evitando a hospitalização fútil perante a fragilidade avançada.


D

Suspender a dieta por GTT e manter hidratação venosa domiciliar exclusiva para prevenir aspiração da saliva, focando no manejo do paciente acamado conforme os protocolos de cuidados paliativos que contraindicam vias alternativas de alimentação em idosos com demência ou sequelas neurológicas graves.

 
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