Questões de Concurso sobre Neuropediatria

 
 
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Menino de 7 anos chega ao pronto atendimento sonolento, com febre alta, dor de cabeça intensa, vômitos (em jato), mal-estar e prostração. Rigidez de nuca e sinais meníngeos: sinal de Kernig (+) sinal de Brudzinski (+); exantema com lesões avermelhadas que não desaparecem à digitopressão; LCR: turvo; células: 2550 células/mm³; predomínio: polimorfonucleares; proteína 500 mg/dL; glicose 25 mg/dl; bacterioscopia: diplococos gram-negativos. Nesse caso, a hipótese diagnóstica é


A

meningite por herpes vírus.


B

meningite por Streptococcus pneumoniae.


C

meningite por Neisseria meningitidis.


D

meningite por citomegalovírus.


E

meningite por Escherichia coli.

Menina de 11 anos apresenta episódio de borramento visual bilateral e parestesias em hemicorpo direito. Na ressonância magnética, apresenta múltiplas lesões hiperintensas em FLAIR, algumas periventriculares e outras justacorticais; quatro lesões apresentam realce com gadolínio; o líquor apresenta pleocitose discreta, proteinoraquia e presença de bandas oligoclonais; pesquisa de anti-aquaporina 4 e antiMOG negativas. O diagnóstico para o caso é


A

esclerose múltipla.


B

AVC isquêmico.


C

glioma de alto grau hemisférico.


D

adrenoleucodistrofia ligada ao X.


E

doença de Alexander.

A primeira linha de tratamento medicamentoso no transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é


A

psicolestimulante.


B

atomoxetina.


C

clonidina.


D

antidepressivo tricíclico.


E

inibidor seletivo da recaptação da serotonina.

A topografia mais frequente de hemorragia intracraniana em recém-nascidos prematuros é


A

matriz germinativa subependimária.


B

putâmen.


C

substância branca periventricular.


D

tálamo.


E

plexo coroide.

Sobre o Transtorno do Espectro Autista e seu diagnóstico, marque a alternativa CORRETA.


A

Pesquisa de Erros Inatos do Metabolismo devem ser realizadas em todas as crianças em investigação de Transtorno do Espectro Autista pela sua forte correlação com o desenvolvimento dos sintomas.


B

O Eletroencefalograma em sono deve ser realizado em toda criança que ainda não apresente comunicação verbal para descartar Síndrome de Landau-Kleffner.


C

A neuroimagem (ressonância magnética de crânio ou tomografia computadorizada de crânio) deve ser realizada em todas as crianças com macrocrania pois não é achado comum no transtorno do espectro autista.


D

Os sintomas devem estar presentes no período do neurodesenvolvimento, mas podem não se manifestar completamente até que as demandas sociais excedam o limite de suas capacidades.

Criança de 6 anos é avaliada por dificuldade progressiva para caminhar e realizar atividades finas desde os 3 anos, com piora gradual da coordenação e quedas frequentes.

A família refere episódios recorrentes de infecções respiratórias desde a primeira infância. Ao exame físico, observa-se marcha atáxica, disartria, movimentos involuntários e pequenas lesões vasculares visíveis na conjuntiva ocular.

Exames laboratoriais mostram níveis reduzidos de IgA, e a história familiar é negativa para doenças neurológicas conhecidas.


Considerando a principal hipótese diagnóstica, o tipo de neoplasia ao qual esses pacientes estão especialmente mais predispostos é(são)


A

o linfoma de Hodgkin.


B

as leucemias de células T.


C

a leucemia mieloide aguda.


D

a leucemia mieloide crônica.


E

a histiocitose de células de Langerhans.

Uma criança de 4 anos apresenta atraso significativo na linguagem, dificuldade em manter contato visual, padrões repetitivos de comportamento e resistência a mudanças na rotina. O diagnóstico CORRETO de acordo com esse caso é:


A

Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, caracterizado por desatenção e impulsividade.


B

Transtorno do espectro autista, definido por déficits na comunicação social e comportamentos restritos e repetitivos.


C

Transtorno opositor desafiador, marcado por comportamento negativista e provocador.


D

Transtorno de linguagem expressiva, restrito a dificuldades na produção verbal.


E

Transtorno de ansiedade de separação, caracterizado por medo excessivo de afastar-se dos cuidadores.

O Estado de Mal Epiléptico (EME) é a emergência neurológica mais frequente na infância, exigindo um plano terapêutico imediato e estruturado para prevenir danos irreversíveis ao Sistema Nervoso Central (SNC).


Assinale a alternativa correta em relação ao tema.


A

Na investigação etiológica de um primeiro episódio de EME associado a quadro febril em lactentes menores de 6 meses, a realização da punção lombar é considerada facultativa, devendo ser priorizada apenas em casos de abaulamento de fontanela ou sinais evidentes de irritação meníngea.


B

Em crianças com diagnóstico de Síndrome de Dravet (SD), o uso de bloqueadores de canais de sódio, como a carbamazepina (CBZ) e a fenitoína (PHT), é recomendado como primeira linha para o controle de crises em EME, visando a estabilização rápida da membrana neuronal e o controle das mioclonias.


C

O monitoramento contínuo por Videoeletroencefalograma (VEEG) em ambiente de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é indicado exclusivamente para pacientes com epilepsia focal conhecida, sendo o eletroencefalograma de rotina suficiente para descartar o EME não convulsivo em pacientes com rebaixamento de consciência de início recente.


D

No EME convulsivo generalizado, o tempo operacional T1, que define o momento de início obrigatório do tratamento farmacológico, é de 5 minutos, enquanto o tempo T2, após o qual o tratamento deve ser agressivo para prevenir sequelas, como morte neuronal e lesão do (SNC), é de 30 minutos.


E

Após a resolução de um episódio isolado de crise febril simples, a prescrição contínua de fármacos anticrise para profilaxia de longo prazo é obrigatoriamente indicada para evitar a recorrência de novos eventos de EME e prevenir o desenvolvimento de epilepsia futura.

Um menino de 8 anos é encaminhado à consulta de neuropediatria em um hospital público por queixa dos pais e professores de dificuldade persistente em manter a atenção em tarefas escolares, impulsividade em respostas durante as aulas e hiperatividade motora constante, como inquietação e dificuldade em permanecer sentado. Os sintomas estão presentes há mais de 6 meses, ocorrem em casa e na escola, e causam prejuízo nas relações sociais, sem evidências de outros transtornos evidentes.


A abordagem terapêutica inicial recomendada nesse caso é de:


A

Prescrever metilfenidato de liberação imediata como monoterapia inicial, monitorando efeitos colaterais cardiovasculares e de crescimento, conforme protocolos internacionais adaptados ao SUS.


B

Encaminhar diretamente para medicação com lisdexanfetamina, associada à terapia ocupacional, uma vez que o PCDT do MS prioriza estimulantes de ação prolongada para casos escolares graves.


C

Recomendar apenas observação e reavaliação em 6 meses, pois os sintomas de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) podem regredir espontaneamente na pré-adolescência sem intervenção precoce.


D

Iniciar intervenção multimodal não farmacológica, incluindo psicoeducação familiar, terapia cognitivo-comportamental e adaptações escolares, priorizando avaliação multidisciplinar para confirmação diagnóstica.


E

Iniciar atomoxetina como primeira linha, combinada com estimulação neuropsicológica, alinhada às diretrizes do MS que enfatizam inibidores de recaptação de noradrenalina para minimizar riscos de abuso.

Crianças com dificuldades persistentes na aquisição da leitura e da escrita, com desempenho escolar abaixo do esperado para a idade e série, apesar de inteligência preservada, com ausência de déficits sensoriais e exposição adequada ao ensino formal. O exame revela compreensão oral intacta, mas erros frequentes na decodificação de palavras e na fluência leitora.


O tipo de transtorno específico da aprendizagem mais característico nesse quadro clínico é de:


A

Transtorno específico da aprendizagem com déficit em matemática, manifestado por problemas na compreensão de conceitos numéricos e cálculos básicos.


B

Transtorno específico da aprendizagem com déficit em leitura, caracterizado por dificuldades na decodificação e compreensão de textos escritos.


C

Transtorno específico da aprendizagem com déficit em expressão escrita, evidenciado por erros gramaticais e dificuldades na organização de ideias no papel.


D

Transtorno da linguagem, marcado por déficits primários na expressão oral e recepção verbal, sem envolvimento específico da modalidade escrita.


E

Transtorno da comunicação social (pragmático), definido por dificuldades no uso contextual da linguagem em interações sociais, independentemente de habilidades de leitura.

Em relação aos distúrbios do sono na infância, é correto afirmar que


A

as parassonias do sono não-REM estão associadas principalmente a distúrbios respiratórios do sono e não possuem componente hereditário.


B

o sonambulismo é uma parassonia do sono não-REM que ocorre tipicamente no primeiro terço da noite e é acompanhada de amnésia do episódio.


C

o diagnóstico de sonambulismo requer obrigatoriamente polissonografia com vídeo.


D

o terror noturno ocorre geralmente no final da noite e é facilmente interrompido ao acordar a criança.


E

os despertares confusionais são eventos típicos da fase REM, geralmente acompanhados de sonhos vívidos.

Criança de 5 anos, saudável, chega à emergência após acidente automobilístico em que estava no banco traseiro sem cinto de segurança, tendo sido ejetada durante a colisão. O resgate a encontra lúcida, comunicativa e orientada. Aproximadamente 30–60 minutos depois, começou a apresentar: cefaleia intensa e progressiva, irritabilidade, agitação e vômitos, evoluindo para sonolência e rebaixamento do nível de consciência com necessidade de intubação orotraqueal. No exame neurológico: pupila direita dilatada e pouco reativa (anisocoria), hemiparesia à esquerda, FC 50 bpm, PAl 140/95 mmHg e ritmo respiratório irregular. Qual é a hipótese diagnóstica e a conduta para o caso?


A

Hematoma epidural à esquerda / manitol.


B

Acidente vascular hemorrágico em tronco / embolização endoscópica.


C

Concussão cerebral / monitorização em UTI.


D

Hematoma subdural à esquerda / corticosteroide.


E

Hematoma epidural à direita / comunicar neurocirurgia imediatamente.

Leia a descrição do quadro clínico e em seguida marque a alternativa CORRETA que contenha a melhor opção terapêutica:


L. M. de 3 anos de idade está internado em tratamento de hepatite viral aguda e evolui com quadro de sonolência excessiva, asterixis e movimentos coreiformes. Ao eletroencefalograma observa-se ondas trifásicas de predomínio anterior.


A

Eritromicina.


B

Ácido Valpróico.


C

Acetaminofeno.


D

Lactulose.

Em uma criança internada em UTI após traumatismo craniano, ocorre hiponatremia com osmolaridade plasmática baixa. A criança apresenta urina com sódio elevado (>20 mEq/L) e osmolaridade urinária aumentada. Entretanto, o exame físico revela hipovolemia (taquicardia, tempo de enchimento capilar aumentado, mucosas secas). Qual é o diagnóstico mais provável?


A

Síndrome da secreção inapropriada de ADH (SIADH).


B

Ingestão excessiva de água livre.


C

Síndrome cerebral perdedora de sal.


D

Insuficiência adrenal aguda.


E

Acidose tubular renal.

Um menino de 4 anos é encaminhado à consulta de neuropediatria em um ambulatório do Sistema Único de Saúde (SUS) pelos pais, que relatam atraso no desenvolvimento motor com marcha independente adquirida aos 18 meses, hipertrofia de panturrilhas e dificuldade para levantar do chão (sinal de Gowers positivo). O exame neurológico revela fraqueza muscular proximal simétrica, sem déficits sensitivos ou cranianos. Investigação inicial mostra níveis séricos de creatinoquinase (CK) 50 vezes acima do normal.


Esse quadro clínico é sugestivo de:


A

Polimiosite.


B

Mielite transversa.


C

Atrofia muscular espinhal.


D

Síndrome de Guillain-Barré (SGB).


E

Distrofia Muscular de Duchenne (DMD).

Uma criança de 6 anos é atendida na Unidade Básica de Saúde (UBS) com queixa de febre alta há 3 dias, cefaleia intensa, vômitos e rigidez de nuca. O exame físico revela temperatura axilar de 39°C, sinal de Kernig positivo, sem petéquias ou focos infecciosos aparentes. A equipe da Atenção Primária à Saúde (APS) suspeita de meningite e encaminha emergencialmente para hospital de referência, onde a punção lombar revela pleocitose com predomínio linfocitário (80% linfócitos), glicose normal e proteína ligeiramente elevada, com Gram e cultura negativos.


A conduta inicial nesse caso, considerando o diagnóstico de meningite viral aguda, é:


A

Instituir tratamento de suporte com hidratação venosa, antipiréticos e analgésicos, sem antibioticoterapia, com monitoramento clínico hospitalar por 48-72 horas, uma vez que a meningite viral aguda é geralmente autolimitada e de bom prognóstico em crianças imunocompetentes.


B

Iniciar antibioticoterapia empírica com ceftriaxona intravenosa em dose elevada por pelo menos 7 dias, associada a dexametasona, para cobertura de meningite bacteriana, mesmo com liquor sugestivo de etiologia viral, devido ao risco de sobreposição etiológica.


C

Administrar aciclovir intravenoso por 14 dias para cobertura de herpes simplex vírus, combinado com ressonância magnética cerebral, considerando a possibilidade de encefalite herpética, apesar da ausência de crises convulsivas ou alteração de consciência.


D

Realizar tomografia computadorizada de crânio contrastada imediatamente, seguida de alta com orientação domiciliar, para excluir complicações como abscessos cerebrais, ignorando a análise do liquor até confirmação imagética.


E

Encaminhar para isolamento respiratório estrito e iniciar corticoterapia isolada com prednisona oral por 5 dias, focando na redução da inflamação meníngea, sem necessidade de suporte hidroeletrolítico ou monitoramento hospitalar inicial.

Uma vez confirmado o diagnóstico de epilepsia (geralmente após duas crises não provocadas com intervalo maior de 24h), o tipo epilepsia focal, é aquela:


A

Que inclui transtornos com crises focais unifocais ou multifocais e o eletroencefalograma (EEG) tipicamente mostra descargas focais.


B

Que o paciente apresenta crises generalizadas (ausências, mioclonias, etc.) e o eletroencefalograma (EEG)revela complexos ponta-onda generalizados.


C

Que frequentemente encontrada em síndromes pediátricas graves, onde o paciente apresenta ambos os tipos de crises.


D

Que o termo é Epilepsia utilizado quando não há informação suficiente para classificar como focal ou generalizada.


E

Que envolve rapidamente redes distribuídas bilateralmente. Inclui crises de ausência, mioclônicas, tônicas, clônicas e tônico-clônicas.

Os tumores do Sistema Nervoso Central (SNC) são os tumores sólidos mais comuns na infância. Sobre as características específicas dos gliomas de tronco e meduloblastomas, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.


(__)O Glioma Pontino Intrínseco Difuso (GPID) representa 80% dos tumores de tronco, tem início agudo (dias/semanas) com a tríade clássica de ataxia, sinais piramidais e paralisia de nervos cranianos, e o tratamento cirúrgico (ressecção) não é indicado.

(__)Os gliomas focais do tronco encefálico (20% dos casos) são histologicamente de alto grau (Grau III/IV), infiltrativos e têm prognóstico reservado, mesmo com ressecção cirúrgica.

(__)A classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2016 para Meduloblastoma exige definição genética (WNT-ativado, SHH-ativado, Grupo 3, Grupo 4), pois esta subclassificação é fundamental para o prognóstico.

(__)O Tumor Teratoide/Rabdoide Atípico (TTRA), um tumor de OMS Grau IV, é histologicamente diferenciado do Carcinoma do Plexo Coroide (OMS Grau III) pela ausência (negatividade) da proteína INI1 no TTRA.


A sequência CORRETA é, "de cima para baixo":


A

F, F, V, V


B

F, V, V, F


C

V, F, V, V


D

V, V, F, F

A crise febril (CF) é o evento epiléptico mais comum na infância. A correta classificação entre CF simples e complicada é essencial para definir o prognóstico e a conduta. Sobre este tema, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.


(__)Define-se CF complicada (também chamada complexa) como aquela de natureza focal, ou com duração superior a 15 minutos, ou que recorre no período de 24 horas.

(__)Os principais fatores de risco para a recorrência de uma crise febril são: idade superior a 10 anos na primeira crise, ausência de histórico familiar de crises febris e febre prolongada e de alta intensidade antes do primeiro episódio.

(__)Os fatores de risco para o desenvolvimento de epilepsia futura após uma CF são os mesmos da recorrência, destacando-se a idade inferior a 18 meses e a história familiar positiva para crise febril.

(__)A Síndrome de Dravet usualmente se inicia após os 5 anos de idade com crises febris simples, mas que evoluem rapidamente para crises mioclônicas refratárias.


A sequência CORRETA é, "de cima para baixo":


A

F, F, V, V


B

V, F, V, F


C

F, V, F, V


D

V, F, F, F

Em relação aos marcos do neurodesenvolvimento na criança até os 24 meses, assinale a alternativa correta.


A

Aos 6 meses, espera-se que a criança forme frases simples com duas palavras e apresente marcha independente.


B

Aos 9 meses, a criança geralmente apresenta sorriso social, sustenta a cabeça e reconhece a mãe.


C

Aos 18 meses, a ausência de qualquer balbucio ainda pode ser considerada normal se houver bom contato visual.


D

Aos 24 meses, é esperado apenas o uso de palavras isoladas, sem combinação verbal.


E

Aos 12 meses, é esperado que a criança ande sem apoio, apresente pinça fina e fale pelo menos uma palavra com significado.

 
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