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No diagnóstico diferencial das encefalites virais agudas na infância, os achados de neuroimagem e laboratoriais são fundamentais para direcionar a terapia. Sobre a encefalite por Vírus Herpes Simples tipo 1 (HSV-1), assinale a alternativa correta.
A encefalite por HSV-1 caracteriza-se por hipersinal bilateral e simétrico dos corpos estriados (caudado e putâmen) na Ressonância Magnética (RM), sendo um diagnóstico diferencial de encefalopatias mitocondriais.
A encefalite por HSV-1 em neonatos é rara, sendo o Citomegalovírus (CMV) o principal agente nesse período, cursando com calcificações periventriculares e cistos temporais.
O achado eletroencefalográfico patognomônico da encefalite por HSV-1 são os complexos de ondas de alta voltagem periódicos (Complexos de Radermecker), associados a um prognóstico invariavelmente fatal.
A encefalite por HSV-1 é a causa mais comum de encefalite esporádica, com acometimento necro-hemorrágico do lobo temporal e córtex órbito-frontal, e o líquor pode ser normal (com Reação em Cadeia da Polimerase - PCR - negativa) na fase inicial em até 10% dos casos.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é definido por déficits na comunicação social e padrões restritos/repetitivos de comportamento. Sobre a investigação complementar no TEA, assinale a alternativa correta.
A investigação de rotina com Eletroencefalograma (EEG) e Neuroimagem (TC ou IRM) deve ser desencorajada, sendo o EEG realizado somente se houver indícios de epilepsia, e a neuroimagem somente se houver razão clínica específica (ex: HIC), mesmo na presença de macrocefalia.
A regressão da linguagem no TEA é clinicamente indistinguível da Síndrome de Landau-Kleffner, sendo o EEG o único método diagnóstico para diferenciar as duas condições.
A investigação de Erros Inatos do Metabolismo (EIM) é obrigatória, pois correspondem à maioria das causas de TEA, especialmente a Fenilcetonúria e a deficiência de biotinidase.
A presença de macrocefalia (crescimento de 5 a 10% acima do normal nos primeiros 2 anos) é um sinal de alarme no TEA, indicando obrigatoriamente a realização de IRM para descartar hidrocefalia associada.
Recém-nascido a termo, por parto vaginal complicado por distocia de ombro, apresenta ptose palpebral direita com miose e mão direita, em posição de garra, com importante redução da motilidade dos dedos.
A seguinte síndrome neurológica explica esse quadro clínico:
paralisia obstétrica de Erb-Duchenne.
síndrome de Horner congênita.
lesão do tronco superior do plexo braquial.
paralisia isolada do nervo radial.
lesão do tronco inferior do plexo braquial (Síndrome de Dejerine-Klumpke).
Uma menina de 5 anos, previamente saudável, é levada ao neurologista por apresentar episódios diários de interrupção súbita das atividades, caracterizados por olhar fixo, perda do contato com o ambiente e automatismos discretos, com duração aproximada de 10 segundos. Após cada episódio, retoma imediatamente suas atividades habituais, sem sonolência ou confusão.
O eletroencefalograma evidencia descargas generalizadas de ponta-onda a 3 Hz, desencadeadas pela hiperventilação.
O tratamento de primeira escolha para essa paciente é
Carbamazepina.
Fenitoína.
Fenobarbital.
Etossuximida.
Gabapentina.
O transtorno de déficit de atenção (TDAH) é uma condição que impacta diversas áreas da vida do paciente e requer uma abordagem diagnóstica cuidadosa. O tratamento varia de acordo com a gravidade dos sintomas e o perfil do paciente. Acerca do diagnóstico e manejo do TDAH, marque (V), para as afirmativas verdadeiras, e (F), para as falsas.
(__) A avaliação diagnóstica considera a manifestação dos sintomas em diferentes contextos e os prejuízos funcionais associados.
(__) A primeira linha de tratamento para crianças pequenas com sintomas leves é o uso de medicação, ajustada à idade.
(__) Fatores externos, como o ambiente familiar e escolar, podem influenciar a apresentação clínica e a gravidade dos sintomas.
(__) Estratégias de intervenção inicial podem incluir abordagens não medicamentosas, especialmente em sintomas leves.
A sequência está correta em:
V − V − V − V.
V − F − V − V.
F − F − V − V.
V − F − F − F.
Durante investigação de episódios noturnos em uma criança de 6 anos, caracterizados por crises com náusea intensa, vômitos, sudorese profusa e olhar fixo seguidos de perda de consciência prolongada e, ocasionalmente, crises tônico-clônicas generalizadas, um eletroencefalograma mostra paroxismos occipitais ativados pelo sono. Considerando o diagnóstico mais provável, é correto afirmar que:
O curso clínico é geralmente benigno, com resolução espontânea, mesmo com a ocorrência de crises prolongadas e generalizadas.
A duração prolongada das crises (>10 minutos) afasta o diagnóstico de síndromes epilépticas autolimitadas da infância.
Crises com sintomatologia autonômica são raras em epilepsias idiopáticas da infância.
O diagnóstico depende necessariamente da identificação de uma lesão estrutural occipital na neuroimagem.
A recorrência de crises tônico-clônicas noturnas é indicativo de epilepsia autolimitada com espículas centrotemporais.
Na reabilitação de crianças com mielomeningocele, é fundamental o seguinte:
Restringir a atividade física para evitar lesões articulares em função da instabilidade muscular e atrofia muscular em membros inferiores.
Focar na correção cirúrgica de deformidades, sem intervenção funcional precoce, por se tratar de medida corretiva definitiva.
Priorizar o uso de dispositivos de mobilidade assistida e estimular a independência funcional desde a primeira infância.
Utilizar apenas técnicas de reabilitação passiva, uma vez que o tônus muscular em membros inferiores é flácido e devido ao risco de deformidades ósseas.
Evitar o uso de órteses devido à limitação mecânica imposta pelos dispositivos, indicando precocemente o uso de cadeira de rodas como meio auxiliar de locomoção.
Na síndrome perisylviana congênita bilateral, os achados clínicos mais comuns são
ataxia, simultanagnosia e distonia.
alteração cognitiva, epilepsia e paralisia pseudobulbar.
alteração cognitiva, paralisia de membros inferiores e distonia.
ataxia, epilepsia e oftalmoparesia.
oftalmoparesia, epilepsia e distonia.
Assinale a alternativa que descreve corretamente a apresentação clínica típica e a evolução de meningite viral em crianças imunocompetentes, considerando que enterovírus são os agentes etiológicos mais comuns.
Apresenta febre baixa, ausência de rigidez de nuca, pleocitose neutrofílica no liquor com glicose reduzida, requerendo antibióticos intravenosos para prevenção de complicações como hidrocefalia.
Manifesta-se com febre alta, rigidez de nuca, pleocitose linfocítica no liquor com glicose normal e proteína levemente elevada, evoluindo para resolução espontânea em 7-10 dias com tratamento sintomático, sem sequelas neurológicas na maioria dos casos.
Caracteriza-se por erupções cutâneas generalizadas, rigidez de nuca ausente, pleocitose linfocítica com proteína normal, e evolução crônica com necessidade de antiviral específico como aciclovir.
Inicia com tosse produtiva, rigidez de nuca intermitente, pleocitose eosinofílica no liquor, e resolução apenas após imunossupressores, com alto risco de encefalite associada.
Envolve dor abdominal intensa, ausência de febre, pleocitose monocítica no liquor com glicose elevada, demandando hospitalização prolongada e vacina preventiva pós-infecção.
Qual das enzimas apresentadas abaixo está diretamente envolvida na fisiopatologia da leucodistrofia metacromática?
Galactocerebrosidase.
Arilsulfatase A.
Hexosaminidase A.
Ácido siálico sintase.
Sulfamidase.
Em relação à neuropatia periférica em hanseníase, é correto afirmar que:
É causada apenas por danos mecânicos aos nervos.
É irreversível em todos os casos.
Está associada à destruição de células de Schwann pelo M. leprae.
Não ocorre em formas paucibacilares.
Segundo o DSM-V, é essencial para o diagnóstico de autismo que:
os sintomas tenham se iniciado na adolescência
haja deficiência intelectual
haja epilepsia comórbida
haja hipersensibilidade sensorial
Um menino de 7 anos vem à consulta trazido por seus pais devido a estar apresentando mal desempenho escolar. Eles relatam que constantemente chamam a atenção do menino por parecer distraído durante a aula. Realizou exame de imagem sem particularidades e eletroencefalograma em investigação prévia que evidencia presença de pontas-ondas 3 Hz no traçado. Qual é o diagnóstico e o manejo correto?
Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade – manter apoio pedagógico.
Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade – iniciar ritalina.
Crise de ausência – iniciar ácido valproico.
Crise focal de lobo temporal – iniciar carbamazepina.
Crise focal de lobo temporal – iniciar fenitoína e avaliar possibilidade de cirurgia da epilepsia.
Paciente de 2 anos, previamente hígido, foi levado ao pronto atendimento após apresentar um episódio de crise convulsiva em casa. Os pais referem que o paciente está resfriado há dois dias, com coriza e tosse, e apresentava febre no momento. Em uso de sintomáticos para febre e tosse. A crise convulsiva foi caracterizada por movimentos tônico-clônicos generalizados, com duração de 3 minutos e após a crise ficou sonolenta por 15 minutos. Sobre esse caso é correto, afirmar:
o diagnóstico é de uma crise convulsiva febril complexa, deve ser avaliada pelo neurologista.
a paciente deve receber uso preventivo de antitérmicos em casos de febre.
esses casos têm grande probabilidade de recorrência e devem ser monitorados continuamente.
o quadro é compatível com uma provável anormalidade estrutural cerebral e deve ser feita uma ressonância magnética cerebral.
os pais devem ser informados sobre a natureza benigna e bom prognóstico do padrão de convulsão febril apresentado.
A malformação de Chiari tipo 2 é mais comumente associada a qual das condições abaixo?
Mielomeningocele.
Atrofia pontocerebelar.
Heterotopia periventricular.
Encefalocele.
Lipomas de linha média.
Um menino de 11 anos de idade iniciou quadro de febre, cefaleia e vômitos há 72 horas. Ao exame físico, paciente em regular estado geral, sonolento, febril (temperatura axilar = 38,8ºC). Ausculta cardiopulmonar e exame abdominal sem alterações. Sinal de Kernig e Brudzinski positivos. Líquido cefalorraquidiano apresentando leucócitos aumentados, (predomínio de polimorfonucleares), proteinorraquia e glicorraquia. Com isso, qual é a principal hipótese diagnóstica para o caso?
Meningite viral.
Tuberculose meníngea.
Meningoencefalite herpética.
Meningite bacteriana.
Uma menina de 10 anos é trazida à consulta por seus pais, que relatam que, há duas semanas, a criança apresentou uma febre alta (38,8 °C) e sintomas de resfriado, incluindo dor de garganta e tosse leve. Após uma semana, os pais notaram que ela começou a se queixar de fraqueza nas pernas e dificuldade para caminhar, evoluindo para episódios de perda de força completa nas extremidades inferiores, que duravam de alguns minutos a horas.
Nos últimos dias, a menina também teve episódios de dor de cabeça intensa e começou a apresentar dificuldade na fala, com um discurso arrastado e alterações de comportamento (agressividade). O exame neurológico apresentava alterações de sensório e sinais meningorradiculares. Qual provável diagnóstico?
Encefalomielite Disseminada Aguda (ADEM).
Encefalite.
Esclerose múltipla.
Meningite Viral.
Acidente Vascular Cerebral Isquêmico.
Uma criança previamente saudável, de 4 anos, inicia quadro progressivo de regressão do desenvolvimento, ataxia, distúrbios de movimento e episódios de perda de visão transitória. A ressonância magnética evidencia hipersinal em T2 simétrico em substância branca occipitoparietal, com relativa preservação subcortical anterior e envolvimento do corpo caloso. O estudo metabólico demonstra elevação de ácidos graxos de cadeia muito longa, com razão C24:0/C22:0 aumentada.
Qual hipótese diagnóstica é mais compatível com esse conjunto de achados?
Doença de Canavan
Doença de Alexander
Metacromática (Leucodistrofia Metacromática)
Doença de Krabbe
Adrenoleucodistrofia ligada ao X (ALD cerebral infantil)
Uma criança de 8 anos, previamente saudável, com diagnóstico confirmado de TDAH − subtipo combinado, inicia tratamento com metilfenidato de liberação imediata. Após duas semanas, os pais relatam melhora parcial da desatenção, mas surgem dor abdominal recorrente, discreta perda de peso, e um aumento inesperado de irritabilidade noturna, apesar de o medicamento ter sido administrado exclusivamente pela manhã. A criança dorme tardiamente, com latência aumentada, porém sem insônia de meio de noite. A avaliação do neuropediatra mostra peso e altura no percentil adequado, sem outras alterações.
Qual é a conduta clínica mais apropriada neste cenário?
Suspender imediatamente o metilfenidato e substituir por atomoxetina devido à irritabilidade.
Aumentar a dose matinal para evitar sintomas tardios e melhorar o controle comportamental ao final do dia.
Manter a mesma dose, mas passar para formulação de liberação prolongada para reduzir flutuações plasmáticas e efeitos rebote.
Introduzir clonidina noturna para tratar irritabilidade e distúrbios de sono, mantendo o metilfenidato atual.
Reduzir a dose e administrar o metilfenidato mais cedo pela manhã, associando higiene do sono antes de considerar troca de fármaco.
Segundo a International Association for Child and Adolescent Psychiatry and Allied Professions (IACAPAP) e a diretriz do National Institute for Health and Care Excellence (NICE), algumas patologias têm uma correlação significativa com o TEA. Com base nessa afirmação, qual é a patologia que NÃO tem, ou tem baixa associação, com o aumento da prevalência de TEA?
Síndrome do X frágil.
Esclerose Tuberosa.
Síndrome de Down.
Esclerose Multipla.
Deficiência intelectual.