Questões de Concurso sobre Obstetrícia

 
 
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Uma doença ou síndrome para a qual, durante a gravidez, há um risco de ruptura de vasos arteriais de grande calibre e do útero é o(a)


A

pseudoxantoma elástico.


B

síndrome de Marfan.


C

síndrome de Ehlers-Danlos.


D

artrite reumatoide.


E

lúpus eritematoso sistêmico.

Gestante de 31 anos, G2P1, com 28 semanas de gestação, sem comorbidades prévias, realizou teste oral de tolerância à glicose (TOTG 75 g) com os seguintes resultados: jejum: 104 mg/dL, 1 hora: 198 mg/dL, 2 horas: 162 mg/dL. Foi diagnosticado diabetes mellitus gestacional e orientada a iniciar dieta. Após duas semanas de acompanhamento, apresenta registros glicêmicos domiciliares: glicemias de jejum entre 102–108 mg/dL e glicemias pós-prandiais de 1h entre 145–160 mg/dL. Ultrassonografia obstétrica mostra feto único, peso estimado no percentil 70, líquido amniótico normal.


A conduta padrão-ouro nesse momento é


A

intensificar a dieta.


B

associar atividade física à dieta.


C

iniciar metformina.


D

iniciar glibenclamida.


E

iniciar insulina.

Multigesta de 28 anos, G3P2, com 39 semanas e 2 dias de gestação, em trabalho de parto espontâneo, sem comorbidades. Bolsa rota espontaneamente há 6 horas, líquido claro com grumos. Refere 2 contrações em 10 minutos, durante 30 segundos. Não realizou analgesia. Ao exame obstétrico: dilatação cervical: 7 cm, apagamento: 90%, apresentação cefálica em plano +1, variedade de posição occipitoanterior, contrações uterinas: 2 em 10 minutos, batimentos cardíacos fetais normais, boa variabilidade. Peso fetal estimado: 3.300 g. Pelvimetria clínica adequada. Partograma mostra lentificação da progressão da dilatação, sem ultrapassar a linha de ação.


A conduta mais adequada nesse momento é


A

conduta expectante, sem intervenções.


B

iniciar ocitocina endovenosa.


C

realizar manobra de Kristeller para auxiliar a progressão.


D

indicar parto operatório vaginal com fórcipe.


E

indicar cesariana por falha de progressão

Gestante de 32 anos, G2P1, com 38 semanas de gestação, dá entrada na maternidade com queixa de dor abdominal súbita e intensa, associada a sangramento vaginal escuro em pequena quantidade. Refere diminuição da movimentação fetal nas últimas horas. Nega trauma. Ao exame: PA: 140 × 90 mmHg, FC: 102 bpm, útero hipertônico e doloroso à palpação. Altura uterina compatível com a idade gestacional. Ao exame obstétrico: colo uterino com 4 cm de dilatação e bolsa íntegra. Monitorização fetal: batimentos cardíacos fetais com bradicardia e variabilidade mínima. Ultrassonografia sugere área retroplacentária compatível com descolamento. Feto único e vivo.


A conduta mais adequada nesse momento é


A

manter conduta expectante com vigilância materno-fetal contínua.


B

realizar amniotomia para acelerar o trabalho de parto.


C

colocar a paciente em decúbito lateral esquerdo e iniciar oxigenioterapia.


D

iniciar ocitocina endovenosa para acelerar o parto vaginal.


E

indicar cesariana imediata.

Gestante de 35 anos, G2P1, com 39 semanas e 2 dias de gestação, em trabalho de parto ativo, sob analgesia peridural. Bolsa rota há 3 horas, líquido claro. Dilatação cervical de 6 cm, dinâmica uterina com 4–5 contrações em 10 minutos. Durante a monitorização intraparto, a cardiotocografia evidencia linha de base fetal: 150 bpm, variabilidade ausente, desacelerações tardias recorrentes, em mais de 50% das contrações e ausência de acelerações. Ao exame clínico materno: PA 120 × 80 mmHg, FC 88 bpm, afebril. Apresentação cefálica em plano +1.


A conduta mais adequada é


A

manter observação e repetir cardiotocografia em 30 minutos.


B

realizar medidas de ressuscitação intrauterinas (decúbito lateral, oxigênio, suspensão de ocitocina) e aguardar resposta.


C

administrar tocolítico e reavaliar após 1 hora.


D

iniciar ocitocina para corrigir possível inércia uterina.


E

interromper imediatamente a gestação.

Gestante de 29 anos, G3P2, com 24 semanas de gestação, moradora de rua, procura atendimento com tosse produtiva há 2 meses, emagrecimento, sudorese noturna e febre vespertina. Refere diagnóstico prévio de tuberculose pulmonar há 8 meses, tendo iniciado tratamento, porém abandonou o esquema após 2 meses. Não realizou seguimento.


Na avaliação atual, baciloscopia de escarro é positiva (++) e o teste molecular rápido para tuberculose detecta resistência à rifampicina. Radiografia de tórax compatível com TB ativa. A paciente encontra-se clinicamente estável, sem sinais de insuficiência respiratória. Sorologia para HIV negativa.


A conduta mais adequada é


A

manter apenas isolamento respiratório e suporte clínico até o parto.


B

reiniciar esquema com rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol.


C

adiar tratamento até o puerpério devido ao potencial risco fetal das drogas de segunda linha.


D

iniciar tratamento para tuberculose resistente à rifampicina durante a gestação, em regime especializado.


E

indicar interrupção da gestação devido à tuberculose resistente.

De acordo com as diretrizes nacionais de assistência ao parto normal, os opioides não devem ser utilizados de rotina pois estes oferecem alívio limitado da dor e apresentam efeitos colaterais significativos para a mulher e para a criança, assim como interferência negativa no aleitamento materno (Brasil, 2017).


Considerando o contexto da analgesia intramuscular e endovenosa, analise as sentenças a seguir:


I- Diante da administração de opioides (EV ou IM) utilizar concomitantemente um antiemético.

II- Até três horas após a administração de opioides (EV ou IM) ou se sentirem sonolentas, as mulheres não devem entrar em piscina ou banheira.

III- Analgesia com opioides é acompanhada de aumento na complexidade da assistência ao parto, como por exemplo: maior necessidade de monitorização e acesso venoso.

IV- Uma vez que a segurança da realização de analgesia farmacológica no ambiente extrahospitalar ainda não foi estabelecida, esta é restrita ao complexo hospitalar, seja bloco cirúrgico ou PPP (sala de pré-parto, parto e pósparto).


Analisadas as sentenças, estão CORRETAS apenas:


A

I e III.


B

II, III e IV.


C

I, II e IV.


D

I, III e IV.


E

Todas estão corretas.

Primigesta de 32 anos, idade gestacional de 34 semanas, é encaminhada à emergência obstétrica referindo cefaleia occipital intensa e escotomas visuais. Ao exame, apresenta pressão arterial de 160/110 mmHg (confirmada após 15 minutos), edema de membros inferiores ++/4+ e reflexos patelares exaltados. Exames laboratoriais evidenciam proteinúria de fita 3+ e plaquetopenia leve. Diante do diagnóstico clínico de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade e iminência de eclampsia, a droga de escolha imediata para a profilaxia de convulsões, atuando no bloqueio da transmissão neuromuscular e redução da excitabilidade neuronal, é:


A

sulfato de magnésio.


B

hidralazina.


C

nifedipina.


D

diazepam.


E

fenitoína.

Gestante em trabalho de parto, período expulsivo prolongado, apresenta feto único, cefálico, com variedade de posição Occipito-Esquerda-Transversa (OET). O plano de De Lee encontra- se em +2, com a cabeça fetal encravada e aspinclitismo posterior corrigível. Diante da necessidade de abreviação do período expulsivo por exaustão materna, opta-se pelo parto instrumental. O instrumento clássico indicado especificamente para realizar a rotação da cabeça fetal de variedades transversas para a posição occipto-púbica, corrigindo o asinclitismo antes da tração, devido à sua ausência de curvatura pélvica fixa, é o:


A

fórcipe de Simpson.


B

fórcipe de Kielland.


C

fórcipe de Piper.


D

fórcipe de Salinas.


E

vácuo-extrator.

Segundo o Position Statement da FEBRASGO sobre hemorragia pós-parto, é correto afirmar que:


A

A hemorragia pós-parto é a principal causa de morte materna e histerectomia no mundo.


B

Somente as gestantes acima de 40 anos com história de cesárea prévia devem fazer ultrassonografia para localização da placenta.


C

A principal medida preventiva para hemorragia pós-parto é o uso de ácido tranexâmico.


D

A estimativa da perda sanguínea deve ser exclusivamente visual.

Gestação ectópica tubária provável, estável, sem ruptura, massa pequena, sem batimento embrionário e hCG baixo. Critério que favorece metotrexato?


A

Hemodinâmica instável favorece metotrexato.


B

Batimento embrionário sempre favorece metotrexato.


C

Incapacidade de retorno para controle favorece metotrexato.


D

Estabilidade hemodinâmica e possibilidade de seguimento ambulatorial rigoroso, com critérios laboratoriais/US favoráveis.

Distócia de ombro: após reconhecer e pedir ajuda, qual primeira manobra mais indicada?


A

McRoberts associada à pressão suprapúbica.


B

Kristeller (pressão no fundo uterino).


C

Tração vigorosa da cabeça fetal.


D

Versão interna com extração podálica como primeira manobra.

Assinale a alternativa correta em relação ao acompanhamento de pré-natal de baixo risco na atenção primária.


A

A vacina da influenza é contraindicada na gestação.


B

A primeira consulta deve ocorrer idealmente na 20ª semana de gestação.


C

Exames de HIV devem ser solicitados apenas se houver comportamento de risco.


D

O uso de ácido fólico é recomendado no terceiro trimestre da gestação.


E

O rastreamento de diabetes gestacional deve ser realizado preferencialmente entre a 24ª e a 28ª semana em mulheres sem diagnóstico prévio.

Uma gestante de 24 anos, na 12ª semana de gestação (primeiro trimestre), apresenta teste rápido para Sífilis reagente e VDRL 1:4. Ela nega alergias, e não realizou tratamento prévio e nunca havia realizado testes para infecções sexualmente transmissíveis.


Qual a conduta imediata preconizada pelo Ministério da Saúde para o manejo clínico na APS?


A

Prescrever Penicilina G Benzatina 2,4 milhões UI, IM, uma vez por semana por 3 semanas e repetir o VDRL mensalmente.


B

Solicitar FTA-Abs para confirmar o diagnóstico antes de realizar qualquer aplicação de penicilina.


C

Prescrever Ceftriaxona 1g IM por 7 dias, devido ao menor risco de reações alérgicas no primeiro trimestre.


D

Encaminhar para pré-natal de alto risco, pois toda sífilis na gestação deve ser acompanhada pelo infectologista.


E

Aguardar o resultado do VDRL do parceiro para iniciar o tratamento simultâneo do casal.

Primigesta, 33 semanas, gestação gemelar dicoriônica e diamniótica, interna em trabalho de parto após ruptura prematura de membranas há duas horas. Realizada ultrassonografia que evidencia boa vitalidade fetal, com o primeiro gemelar em apresentação pélvica, pesando 1.810 g e o segundo gemelar em apresentação cefálica, pesando 1.750 g. Ao exame: pressão arterial de 120/80 mmHg, 3 contrações moderadas em 10 minutos, batimentos cardiofetais do primeiro e segundo gemelar, respectivamente, de 150 bpm e 145 bpm, exame especular com saída de líquido claro sem grumos, toque vaginal com colo médio, centralizado e 4 cm de dilatação. Qual é a conduta adequada?


A

Cesariana de urgência.


B

Tocólise e corticoterapia.


C

Assistência ao trabalho de parto vaginal.


D

Sulfato de magnésio e assistência ao trabalho de parto vaginal.


E

Tocólise, antibioticoprofilaxia e corticoterapia.

O diabetes gestacional (DG) é uma forma de hiperglicemia detectada pela primeira vez durante a gravidez, geralmente assintomática, mas associada a riscos maternos-fetais/neonatais.


De acordo com a Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) 2025 e os protocolos do Ministério da Saúde (MS) no Manual Técnico de Gestação de Alto Risco, como é feita a confirmação diagnóstica do DG?


A

Pela glicemia de jejum isolada ≥126 mg/dL em qualquer momento da gestação, sem necessidade de TTOG se houver sintomas como poliúria ou polidipsia, dispensando rastreio universal.


B

Exclusivamente por HbA1c ≥5,7% no 2º trimestre, combinada com ultrassonografia fetal para macrossomia, sem testes de sobrecarga glicêmica se idade <30 anos.


C

Através de glicosúria positiva em exame de urina rotineiro, confirmada por auto-monitoramento glicêmico capilar diário, priorizando em gestantes de baixo risco sem TTOG.


D

Pelo teste de tolerância oral à glicose (TTOG) com 75 g de glicose anidra entre 24-28 semanas, confirmando DG se glicemia de jejum ≥92 mg/dL, ou 1h ≥180 mg/dL, ou 2h ≥153 mg/ dL (qualquer valor alterado), após glicemia de jejum normal (<92 mg/dL) na 1ª consulta pré- -natal para exclusão de DM manifesto.


E

Pela resposta clínica à dieta hipocalórica por 2 semanas, avaliada por perda de peso fetal, sem obrigatoriedade de exames laboratoriais glicêmicos iniciais.

O rastreamento sorológico da toxoplasmose na gestação é rotina no Brasil, visando identificar pacientes suscetíveis e casos de infecção aguda. O manejo da infecção aguda é crucial para prevenir a transmissão vertical. Analise as afirmativas sobre o tratamento da toxoplasmose aguda na gestante.


I.Em gestantes com diagnóstico de infecção aguda (IgM reagente e IgG de baixa avidez) antes de 30 semanas de gestação, a Espiramicina é o fármaco de escolha para a mãe, pois reduz o risco de transmissão transplacentária, embora não trate o feto.

II.Se a infecção fetal for confirmada por Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) no líquido amniótico, ou se a infecção aguda materna ocorrer após as 30 semanas, o tratamento deve ser trocado para o esquema tríplice (Sulfadiazina, Pirimetamina e Ácido Folínico), que atravessa a placenta e trata o feto.

III.A Espiramicina é um agente teratogênico potente e seu uso é contraindicado no primeiro trimestre, devendo-se aguardar a 14ª semana para iniciar qualquer tratamento.


Assinale a alternativa que apresenta apenas as proposições CORRETAS:


A

I, II e III.


B

II e III.


C

I e II.


D

I e III.

Uma gestante primigesta, com ciclos menstruais previamente regulares e DUM de certeza, comparece à consulta de pré-natal apresentando um laudo de ultrassonografia transvaginal realizado precocemente. Ao comparar os métodos, o médico observa que a Idade Gestacional (IG) calculada pela DUM é de 8 semanas e 2 dias, enquanto a IG estimada pela medida do Comprimento Cabeça-Nádegas (CCN) no exame de imagem é de 7 semanas e 3 dias.


De acordo com os critérios de datação da gestação recomendados pela Febrasgo para o primeiro trimestre, qual deve ser a conduta do médico em relação à definição da idade gestacional para o acompanhamento pré-natal?


A

Manter a DUM como parâmetro oficial para o cálculo da IG e da Data Provável do Parto (DPP), pois em gestações de primeiro trimestre a ultrassonografia só substitui a DUM se a diferença for superior a 7 dias.


B

Adotar a ultrassonografia como parâmetro oficial, pois o Comprimento Cabeça-Nádegas (CCN) é o marcador mais preciso para datação da gravidez, devendo substituir a DUM sempre que houver uma diferença superior a 5 dias em exames realizados antes de 9 semanas.


C

Manter a DUM, pois a ultrassonografia de primeiro trimestre possui uma margem de erro de até 10 dias, sendo utilizada para correção da idade gestacional apenas no segundo trimestre da gestação.


D

Adotar a média aritmética entre a idade gestacional da DUM e a da ultrassonografia, visando reduzir a margem de erro biológica individual de cada método de datação.

A classificação do American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), classifica a hipertensão na gravidez em 4 categorias: (1) PE/eclâmpsia; (2) hipertensão crônica (de qualquer causa); (3) hipertensão crônica com PE sobreposta; e (4) hipertensão gestacional. Segundo os parâmetros para diagnóstico da hipertensão gestacional, analise as sentenças a seguir:


I- Todas as principais recomendações para hipertensão na gestação utilizam a definição de Pressão Arterial Sistólica (PAS) ≥ 140 mmHg ou Pressão Arterial Diastólica (PAD) ≥ 90 mmHg.

II- A proteinúria deve ser aferida em todas as mulheres com hipertensão arterial na gestação. A proteinúria maciça (> 5 g/24 horas) é considerada critério de gravidade de PE.

III- A hipertensão gestacional é a elevação da pressão sanguínea após 20 semanas de gestação.

IV- A Pressão Arterial (PA) deve ser aferida com a mulher sentada (pés apoiados no chão), com braço no nível do coração e utilizando manguito de tamanho apropriado à circunferência do braço.


Analisadas as sentenças, estão CORRETAS apenas:


A

I e III.


B

II, III e IV.


C

I, II e III.


D

I, III e IV.


E

Todas estão corretas.

Leia a definição a seguir:


Manobra que consiste em apreender o corpo fetal com uma das mãos sobre o dorso e os dedos indicador e médio em torno da região cervical. A outra mão deve segurá-lo pelo ventre, com os dedos indicador e médio locados no interior da boca fetal, mais propriamente na base da língua. Por meio de movimento de tração delicada, flexiona-se o tronco do feto para baixo e traz-se o mento de encontro ao esterno. Ao se visualizar a raiz do couro cabeludo, levanta-se o corpo do feto em direção ao ventre materno para que ocorra desprendimento cefálico.


A definição acima refere-se CORRETAMENTE a:


A

Manobra de Mauriceau.


B

Manobra Liverpool e de McRoberts.


C

Manobra de Pajot.


D

Manobra de Rojas.


E

Manobra de Deventer-Müller.

 
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