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De acordo com a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD), como é definida a deficiência?
É o resultado da interação entre impedimentos físicos, mentais, intelectuais ou sensoriais e as diversas barreiras atitudinais e ambientais.
Incapacidade para realizar atividades de vida diária sem assistência.
Incapacidade para o trabalho e sustentabilidade financeira independente.
É uma característica intrínseca e imutável do indivíduo relacionada à sua condição física ou sensorial.
É uma condição orgânica que requer intervenção clínica para permitir a participação social.
A criança foi reabilitada. Atualmente ela realiza marcha independente para quase todas as atividades diárias, com suporte de órteses suropodálicas flexíveis. Com base no padrão funcional descrito, assinale o nível mais apropriado na Classificação da Função Motora Grossa (GMFCS).
Nível I – anda sem limitações, mas com restrições em habilidades mais avançadas.
Nível II – anda sem dispositivos, mas com limitações ao longo de ambientes ou em terrenos irregulares.
Nível III – anda usando dispositivo de assistência (andadores) para mobilidade.
Nível IV – mobilidade autolimitada, com uso de cadeira de rodas na maior parte do tempo.
Nível V – restrito à mobilidade em supino/sedentário, dependente de assistência contínua.
Homem de 58 anos com lombalgia crônica há mais de 2 anos, associada a descondicionamento muscular e fraqueza de musculatura paravertebral e glútea, refere dor contínua em região lombar (EVA 6/10), piora ao permanecer sentado por longos períodos e melhora parcial com calor local. Ao exame, apresenta redução de força grau 4 em glúteo médio bilateral, sem déficits sensitivos objetivos. O fisioterapeuta decide associar eletroterapia para controle da dor e eletroestimulação para fortalecimento muscular. Assinale a alternativa correta quanto aos objetivos, parâmetros gerais e indicações dessas modalidades.
A estimulação motora é indicada apenas em músculos totalmente paralisados, sendo contraindicada em casos de fraqueza grau 4.
A eletroterapia analgésica deve sempre provocar contração muscular vigorosa, enquanto a estimulação motora é feita apenas em nível sensitivo para evitar dor.
Ambas as modalidades utilizam exatamente os mesmos parâmetros elétricos, diferindo apenas na posição dos eletrodos.
Para analgesia, pode-se utilizar TENS convencional (alta frequência e baixa intensidade sensitiva); para estimulação motora, utiliza-se corrente de baixa frequência com intensidade suficiente para gerar contração visível, respeitando o tempo de repouso para evitar fadiga.
A TENS é contraindicada em dor crônica musculoesquelética e só deve ser usada em dor aguda pós-operatória.
Assinale a alternativa na qual a associação do paciente com a órtese indicada está correta.
Paciente A: Homem de 25 anos com lesão medular incompleta T6, força grau 3 em membros inferiores esquerdos, marcha com apoio parcial, apresenta instabilidade do joelho esquerdo – órtese cruropodálica com joelho articulado à esquerda.
Paciente B: Mulher de 60 anos com Acidente Vascular Encefálico (AVC) crônico, paresia de dorsiflexores do tornozelo direito, déficit de 30 graus para flexão plantar, marcha em estepagem – órtese suropodálica não flexível a 90 graus.
Paciente C: Criança de 7 anos com paralisia cerebral espástica, marcha em ponta de pés, encurtamento de tríceps sural bilateral – órtese cruropodálica bilateral rígida.
Paciente D: Homem de 50 anos com neuropatia periférica diabética, fraqueza distal de ambos os pés, instabilidade ao caminhar e risco de quedas – palmilha com elevação do arco plantar.
Paciente E: Mulher de 40 anos, com 58 kg e altura de 1,50 m, com histórico de poliomielite desde 1 ano de idade, força de extensão do joelho direito grau 2, cujo joelho tende a colapsar durante apoio – órtese suropodálica de reação ao solo.
Com base nos achados, assinale a alternativa correta sobre o diagnóstico.
Bexiga neurogênica flácida – caracteriza-se por incapacidade de a detrusora contrair, baixa pressão vesical e esvaziamento incompleto, sem contrações involuntárias.
Bexiga neurogênica espástica – caracteriza-se por contrações involuntárias da musculatura detrusora, pressão vesical aumentada, urgência urinária, incontinência por esforço ou urgência e esvaziamento incompleto secundário a hipertonias do esfíncter.
Dissinergia vesicoesfincteriana – caracteriza-se por contrações involuntárias simultâneas da detrusora e do esfíncter externo, levando à obstrução do fluxo urinário e ao aumento da pressão intravesical.
Bexiga neurogênica flácida com refluxo vesicoureteral – caracteriza-se por baixa pressão vesical, esvaziamento incompleto e refluxo em exames de imagem, sem contrações involuntárias da detrusora.
Bexiga neurogênica hipoativa – caracteriza-se por baixa capacidade vesical, contrações mínimas da detrusora, urgência urinária mínima e retenção crônica.
Assinale a alternativa que representa um achado compatível com esse caso clínico.
Ausência ou acentuada redução da amplitude do potencial de ação motor do nervo mediano na eminência tenar.
Velocidade de condução motora normal do nervo ulnar no antebraço.
Presença de ondas F preservadas e simétricas bilateralmente.
Latência sensitiva normal do nervo radial superficial.
Potenciais motores do nervo mediano com latência distal discretamente aumentada, sem redução de amplitude.
Homem de 35 anos com lesão medular completa T6 há 2 anos após trauma automobilístico apresenta bexiga neurogênica com episódios frequentes de incontinência urinária, mesmo realizando cateterismo vesical limpo intermitente 5 vezes ao dia. Refere urgência urinária intensa, escapes noturnos e sensação de plenitude vesical não confiável. Exames de rotina descartam infecção urinária ativa. Considerando o quadro de bexiga hiperativa neurogênica em lesão medular crônica, assinale a alternativa que indica o tratamento medicamentoso correto.
Recomendar aumento da frequência de cateterismo para 10 vezes/dia sem associar medicação, pois o controle medicamentoso é ineficaz em lesão medular crônica.
Prescrever diurético de alça para reduzir frequência urinária, mantendo a mesma rotina de cateterismo; não há necessidade de monitorar função renal ou pressão arterial.
Indicar antibiótico profilático diário por tempo indeterminado para prevenir perdas urinárias, sem necessidade de antimuscarínico ou agonista β3.
Utilizar apenas relaxante muscular sistêmico (baclofeno oral) para controlar espasmos vesicais, substituindo o cateterismo intermitente.
Iniciar antimuscarínico oral (ex.: oxibutinina ou tolterodina) ou agonista β3 adrenérgico (mirabegrona) para reduzir espasmos detrusoriais, mantendo cateterismo limpo intermitente; monitorar função renal e efeitos colaterais como boca seca e constipação.
O paciente iniciou treino com a prótese escolhida após fisioterapia pré-protética de ganho de força, alongamento e controle de edema. Atualmente apresenta dor leve no coto, boa força de quadríceps e glúteos remanescentes (grau 4), equilíbrio estático adequado, marcha inicial com auxílio de muletas axilares e risco de abdução excessiva e sobrecarga lateral do quadril. O objetivo é a progressão segura da marcha, prevenindo deformidades residuais e dor no coto. Assinale a alternativa correta quanto à conduta de cinesioterapia, treino de marcha e prevenção de complicações.
Priorizar exercícios funcionais intensos e corrida desde o início, mesmo com dor no coto; realizar alongamentos e treino de força apenas de forma complementar, sem progressão gradual da marcha.
Iniciar marcha sem auxílio, aplicando carga total sobre a prótese; evitar treino de equilíbrio ou alongamentos do coto; progredir rapidamente para corrida e exercícios intensos para acelerar a adaptação funcional.
Focar apenas em fortalecimento de membros superiores e tronco, evitando marcha com prótese até completa cicatrização do coto; alongamentos e treino de equilíbrio são realizados de forma mínima para não irritar o coto.
Iniciar marcha com apoio de duas muletas, progredir para muleta única e, posteriormente, marcha independente; associar treino de equilíbrio dinâmico, fortalecimento de quadríceps, glúteos e abdutores; realizar alongamentos do coto e monitorar sinais de dor ou edema para prevenir deformidades residuais.
Evitar treino de força e equilíbrio; limitar o uso da prótese a transferências e atividades de vida diária leves; alongamento e progressão da marcha são dispensáveis para não aumentar a dor no coto.
Paciente do sexo feminino, 45 anos, com diagnóstico clínico e funcional de disfunção da articulação sacroilíaca, encontra-se em acompanhamento há alguns meses, tendo realizado fisioterapia convencional, sem resposta satisfatória em relação ao controle da dor. Mantém limitação funcional e dor localizada em região lombossacra, sem sinais neurológicos associados.
Diante da falha do tratamento conservador inicial, a modalidade terapêutica mais indicada é
eletroterapia de alta frequência (TENS).
acupuntura.
infiltração intra-articular.
manutenção da fisioterapia convencional.
tração lombar sustentada.
Para a avaliação da espasticidade em um paciente hemiplégico, utilizando-se o Índice de Tardieu para os flexores do cotovelo, é fundamental o correto posicionamento do goniômetro durante a mensuração da amplitude articular.
Nesse contexto, o posicionamento adequado do goniômetro é:
haste fixa ao longo do úmero e haste móvel ao longo da ulna.
haste fixa ao longo da ulna e haste móvel ao longo do úmero.
articulação do goniômetro posicionada no tórax.
haste fixa ao longo do úmero e haste móvel ao longo do rádio.
haste fixa e móvel ao longo do úmero.
Paciente jovem sofreu entorse de joelho durante prática esportiva. Após a fase aguda do trauma, durante o processo de reabilitação, evoluiu com encurtamento muscular, o qual passou a prejudicar o início da fase de balanço da marcha. O objetivo terapêutico é obter ganho de amplitude articular por meio da cinesioterapia.
A modalidade terapêutica mais indicada como recurso adjuvante, por promover aquecimento profundo e facilitar o alongamento muscular, é a(o)
massoterapia.
ultrassom.
infravermelho.
turbilhão.
TENS.
Ao planejar o início de um programa de reabilitação, o médico fisiatra deve considerar critérios clínicos e funcionais que garantam segurança, adesão e potencial de benefício terapêutico ao paciente.
Os fatores fundamentais para o início de um programa de reabilitação são
existência de deficiência já instalada e saída recente do coma.
prognóstico de evolução pobre e quadro clínico estável.
cognição preservada e saída recente do coma.
idade inferior a 80 anos e deficiência já instalada.
cognição preservada e quadro clínico estável.
No processo de envelhecimento, ocorrem alterações fisiológicas no sistema respiratório que devem ser consideradas na avaliação e no planejamento da reabilitação respiratória do idoso.
Assinale a opção que descreve uma mudança respiratória esperada no envelhecimento normal.
Redução da capacidade residual funcional.
Redução do volume residual.
Aumento do volume residual pulmonar.
Redução do espaço morto pulmonar.
Redução da PaCO₂ arterial.
Um paciente de 60 anos, cadeirante devido a uma lesão medular há 5 anos, vem à consulta para acompanhamento. Ele não possui cuidador e mora em uma casa com escadas. A equipe da Unidade Básica de Saúde (UBS), ao planejar o cuidado, deve focar qual aspecto principal, de acordo com a Política Nacional de Saúde da Pessoa com Deficiência?
Apenas a prescrição de medicamentos para dor neuropática.
O encaminhamento para um centro de reabilitação de alta complexidade, encerrando o acompanhamento na UBS.
A concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC), pois é a única necessidade do paciente.
A busca por uma instituição de longa permanência para idosos (ILPI).
A elaboração de um Projeto Terapêutico Singular (PTS) que inclua ações de reabilitação e promoção da autonomia.
Quanto aos fatores prognósticos para recuperação neuromotora pós-AVC, assinale a alternativa correta.
A presença de heminegligência não interfere no prognóstico de recuperação de marcha.
Podem ajudar a determinar a recuperação funcional da marcha mais lenta a presença de diabetes, etiologia isquêmica e lesão hemisférica esquerda.
O comprometimento cognitivo não interfere no prognóstico e na velocidade de recuperação da marcha após AVC.
Lesões bi-hemisféricas e de tronco cerebral, a princípio, não têm pior prognóstico da recuperação da disfagia.
Os prognósticos de melhor recuperação da função manual são gravidade inicial do comprometimento motor (força de abdução do ombro e extensão dos dedos), função cognitiva preservada e menor tempo desde o AVC.
Considerando as propriedades terapêuticas da reabilitação aquática, a temperatura da água conforme o tipo de atividade e as principais contraindicações, assinale a alternativa correta.
O empuxo reduz a descarga de peso articular, e a viscosidade fornece resistência graduável ao movimento; para analgesia e relaxamento muscular, recomenda-se água entre 33–35°C, sendo ferida operatória não cicatrizada contraindicação absoluta.
A pressão hidrostática aumenta o edema periférico, e a turbulência diminui a estabilidade postural; exercícios ativos exigem água abaixo de 28°C, sendo hipertensão controlada contraindicação absoluta.
A água aquecida aumenta a rigidez periarticular, e a flutuação prejudica o treino funcional; fortalecimento deve ocorrer entre 36–38°C, sendo prótese recente contraindicação permanente.
O empuxo não interfere na carga corporal, e a viscosidade não gera resistência útil; alongamentos exigem água fria (24–26°C), sendo diabetes tipo 2 contraindicação absoluta.
A pressão hidrostática reduz o retorno venoso, e a temperatura não influencia na dor; treino de marcha deve ocorrer acima de 36°C, sendo uso de andador contraindicação absoluta.
O paciente relata dor intensa na região do coto e membro fantasma, principalmente à noite, com sensação de que o pé amputado está em posição dolorosa ou em choque. A dor limita o sono e o treino fisioterápico. Assinale a alternativa correta quanto ao tratamento medicamentoso da dor neuropática associada ao membro fantasma.
Indicar apenas AINEs orais de dose plena, pois dor neuropática responde bem a anti-inflamatórios.
Prescrever opioide forte como primeira linha, evitando gabapentinoides ou antidepressivos.
Iniciar gabapentinoide (gabapentina ou pregabalina) em titulação progressiva ou antidepressivo tricíclico (amitriptilina) para analgesia neuropática, monitorando efeitos adversos.
Iniciar relaxante muscular central (baclofeno ou ciclobenzaprina) isoladamente, sem analgesia neuropática.
Não prescrever medicação, pois dor do membro fantasma desaparece espontaneamente com reabilitação funcional.
Considerando os marcos normais do desenvolvimento neuropsicomotor, assinale a alternativa que indica o marco que certamente encontra-se atrasado nessa criança.
Sustentar a cabeça de forma estável aos 3 meses e sorrir socialmente aos 2 meses.
Sentar sem apoio por volta dos 6 meses e realizar pinça fina aos 10 meses.
Andar de forma independente entre 12 e 18 meses de idade.
Emitir sons guturais aos 4 meses e balbuciar aos 6 meses.
Rolar do decúbito dorsal para ventral entre 4 e 6 meses.
Considerando a elegibilidade para reabilitação e o fluxograma do processo, assinale a alternativa correta.
Devido ao histórico psiquiátrico e ao abuso de substâncias, o paciente é inelegível para reabilitação, devendo apenas receber acompanhamento ortopédico e cuidados domiciliares.
O paciente só estaria elegível para reabilitação após a estabilidade da fratura, não havendo objetivos de reabilitação nesse caso de lesão medular antes da autorização ortopédica.
Pacientes com lesão medular incompleta devem aguardar a recuperação completa da força antes de iniciar qualquer programa de reabilitação funcional.
A reabilitação pressupõe o objetivo de melhora da força muscular, a reabilitação urinária, fecal ou a participação social só podem ser realizadas após esse objetivo.
A reabilitação deve ser iniciada imediatamente com intervenções multidisciplinares, incluindo fisioterapia, terapia ocupacional, manejo da função vesical e intestinal, suporte psicológico e avaliação social, independentemente do histórico psiquiátrico.
Sobre a reabilitação de amputados, pode-se afirmar corretamente que
as alterações visuais não interferem no equilíbrio e sucesso na protetização de membros inferiores.
para amputações de membros superiores, em pacientes jovens, o sucesso de protetização para amputados acima e abaixo do cotovelo é semelhante.
populações geriátricas com amputação transfemoral não se beneficiam de joelhos protético com microprocessador.
a taxa de abandono de próteses para amputados de membros superiores é alta, mas vem diminuindo com a incorporação de novas tecnologias.
a idade está fortemente associada a piores resultados, com apenas 25% dos amputados transfemorais acima de 50 anos de idade alcançando mobilidade comunitária.