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Um menino de 7 anos, previamente hígido, é avaliado no ambulatório de reumatologia pediátrica por febre recorrente há 10 meses. Os episódios febris duram de 7 a 10 dias e recorrem a cada 6 semanas. Durante os picos febris, apresenta lesões cutâneas eritematomaculares dolorosas em tronco e membros, mialgia localizada sob as lesões cutâneas e edema periorbitário bilateral. Refere dor abdominal intensa no início dos episódios. O teste genético identifica mutação patogênica no gene TNFRSF1A. Em relação à fisiopatologia dessa condição, a proteína codificada pelo gene mutado está envolvida na:
Ativação do inflamassomo com produção excessiva de IL-1 beta por meio da criopirina.
Regulação da produção de interleucinas pró-inflamatórias por meio da pirina, com ativação da caspase-1.
Diferentes vias de sinalização que levam à ativação de fatores de transcrição, como NF-kB e apoptose.
Deficiência enzimática na via de biossíntese do colesterol, com acúmulo de ácido mevalônico e aumento de IL-1 beta.
Ganho de função da proteína STING com produção excessiva de interferon e imunodesregulação.
Um menino de 11 anos com hipermobilidade articular generalizada é avaliado pelo reumatologista pediátrico. Durante a investigação de diagnósticos diferenciais, o médico identifica estatura elevada, braços longos com aumento da envergadura, escoliose e aracnodactilia. O acometimento cardíaco é confirmado por ecocardiograma. Em relação às manifestações cardiovasculares esperadas nessa condição, é CORRETO afirmar que incluem:
Dilatação da raiz da aorta, prolapso de válvulas mitral e tricúspide e alargamento proximal da artéria pulmonar.
Coarctação da aorta descendente associada a hipertensão arterial sistêmica refratária.
Fibrose endomiocárdica restritiva com disfunção diastólica progressiva biventricular.
Insuficiência aórtica por calcificação degenerativa precoce da valva aórtica.
Cardiomiopatia dilatada com redução da fração de ejeção.
Um menino de 11 anos, sem antecedentes de febre reumática, apresenta faringoamigdalite com teste rápido positivo para estreptococo do grupo A. A mãe relata alergia confirmada à penicilina, sem história de anafilaxia. O reumatologista pediátrico opta por iniciar a erradicação do agente etiológico. Nesse contexto, o esquema de profilaxia primária adequado para esse paciente é:
Azitromicina 20 mg/kg/dia, via oral, uma vez ao dia, por 5 dias.
Sulfadiazina ajustada ao peso, via oral, uma vez ao dia, por 10 dias.
Clindamicina 15-25 mg/kg/dia, via oral, de 8/8 horas, por 5 dias.
Eritromicina 250 mg, via oral, de 12/12 horas, por 10 dias.
Cefalexina 50-100 mg/kg/dia, via oral, de 6/6 horas, por 10 dias.
Menino de 8 anos com diagnóstico de artrite relacionada à entesite há 6 meses é trazido à consulta para avaliação de rotina. Ao exame físico, o reumatologista pediátrico deve buscar ativamente sinais de entesite. Considerando os sítios de acometimento mais prevalentes na espondiloartrite juvenil, assinale CORRETAMENTE os locais que devem ser inicialmente palpados durante o exame semiológico:
Inserção do tendão de Aquiles, tuberosidade tibial e inserção fascial plantar no calcâneo.
Epicôndilo lateral do cotovelo, inserção do tendão patelar e trocânter maior do fêmur.
Inserção do supraespinhal no tubérculo maior do úmero, tuberosidade tibial e crista ilíaca.
Processo estiloide do rádio, inserção fascial plantar nos metatarsos e epicôndilo medial do cotovelo.
Inserção do tendão do bíceps distal, tuberosidade isquiática e maléolo medial.
Uma criança de 8 anos com LESJ em investigação diagnóstica apresenta FAN 1:320, anti-Sm positivo, leucopenia em duas ocasiões e artrite em punhos e tornozelos. O reumatologista pediátrico analisa os critérios de classificação do ACR. Sobre o caso, assinale CORRETAMENTE quantos critérios do ACR essa paciente preenche:
Um critério.
Dois critérios.
Três critérios.
Quatro critérios.
Cinco critérios.
Ao analisar uma radiografia de coluna vertebral nota-se o estreitamento e a calcificação dos discos intervertebrais com aspecto de “biscoito wafer”, discos com múltiplos vácuos e sindesmófitos grosseiros. As articulações sacroilíacas estão preservadas. Diante desses achados, qual é a principal suspeita clínica?
Espondilite anquilosante.
Ocronose.
Artrite psoriática.
Hemocromatose.
Amiloidose.
Em relação ao tratamento da artrite séptica bacteriana, assinale a alternativa correta.
Para pacientes com S. aureus meticilinaresistente (MRSA), indica-se ceftazidima combinada a aminoglicosídeo.
Em casos de bacilo gram-negativo, indica-se oxacilina 2 g, endovenosa, a cada 4 horas.
Em casos suspeitos de P. aeruginosa, indica-se vancomicina 15 a 20 mg/kg/dose, endovenosa, a cada 8 ou 12 horas.
Para infecções por bactérias gram-positivas, o antibiótico de escolha para a terapia inicial empírica recomendada é a vancomicina 15 a 20 mg/kg/dose, endovenosa, a cada 8 ou 12 horas.
Infecção por S. aureus meticilina-sensível pode ser tratada com vancomicina combinada à cefalosporina de 3ª geração.
Paciente M.S.L., 28 anos, sexo feminino, parda, procura a Unidade Básica de Saúde (UBS) queixando-se de dor articular em mãos, punhos e joelhos há 3 meses, de caráter migratório, simétrico e com rigidez matinal de cerca de 40 minutos. Refere também fadiga intensa, queda difusa de cabelo sem cicatrização e úlceras orais indolores recorrentes no palato duro. Relata que, há 2 semanas, apresentou eritema facial bilateral sobre as regiões malares, poupando os sulcos nasolabiais, que surgiu após exposição solar prolongada. Nega uso de medicações crônicas. Ao exame físico: temperatura axilar de 37,8 ºC, PA 130 x 88 mmHg, rash malar eritematoso sem descamação, duas úlceras indolores em palato duro, alopecia difusa não cicatricial, artrite em 2ª e 3ª metacarpofalangianas bilaterais e punhos, sem deformidades erosivas, fenômeno de Raynaud em mãos. Exames laboratoriais: hemograma com leucócitos 3.200/mm³ (linfócitos 900/mm³), plaquetas 118.000/mm³, hemoglobina 10,8 g/dL (VCM 88 fL), VHS 68 mm/1ª hora, PCR 0,8 mg/dL (normal < 1,0), creatinina 0,9 mg/dL, EAS com proteinúria 1+ e hematúria dismórfica (15 hemácias/campo), relação proteína/creatinina urinária 0,6 g/g. FAN (HEp-2) reagente 1:640 padrão nuclear homogêneo, anti-dsDNA reagente em altos títulos, anti-Sm reagente, C3 e C4 consumidos. Anti-CCP negativo.
Considerando o quadro clínico, os achados laboratoriais e as diretrizes atuais (critérios EULAR/ACR 2019), assinale a alternativa que contém, respectivamente, o diagnóstico mais provável e a conduta inicial mais adequada na atenção primária:
Artrite Reumatoide com manifestações extra-articulares; iniciar metotrexato 15 mg/semana associado a ácido fólico e encaminhar ao reumatologista.
Lúpus Eritematoso Sistêmico; iniciar hidroxicloroquina (até 5 mg/kg/dia) associada a prednisona 0,5 a Img/kg/dia, solicitar proteinúria de 24 horas, orientar fotoproteção rigorosa e encaminhar ao reumatologista com urgência pela suspeita de nefrite lúpica.
Doença Mista do Tecido Conjuntivo; iniciar prednisona 1 mg/kg/dia e agendar retorno em 30 dias para reavaliação clínica.
Lúpus Eritematoso Sistêmico; iniciar prednisona 60 mg/dia isoladamente e reavaliar em 3 meses, sem necessidade de encaminhamento imediato.
Lúpus Eritematoso Sistêmico induzido por drogas; suspender a medicação suspeita e prescrever anti inflamatório não esteroidal, com acompanhamento ambulatorial na UBS.
Paciente de 52 anos com diagnóstico confirmado de fibromialgia (WPI ≥ 4 e SSS ≥ 9) comparece à UBS para seguimento. Relata dor persistente, fadiga e distúrbios do sono apesar de amitriptilina 25 mg/noite. Não apresenta contraindicações. De acordo com as diretrizes da Sociedade Brasileira de Reumatologia para tratamento na atenção primária, qual a abordagem terapêutica inicial mais apropriada?
Iniciar pregabalina 150 mg/dia associada à amitriptilina, com escalonamento para 300-450 mg/dia.
Substituir por duloxetina 60 mg/dia isolada, com monitoramento de resposta em 4 semanas.
Manter amitriptilina e associar exercícios aeróbicos combinados com treinamento de força, 2-3 vezes/ semana.
Introduzir ciclobenzaprina 10 mg/noite e programa educacional isolado para autocuidado.
Iniciar milnaciprano 100 mg/dia e neuromodulação com tDCS, encaminhando para especialista.
Em relação à artrite reumatoide, analise as assertivas abaixo:
I. O fator reumatoide é uma imunoglobulina IgM anti-IgG presente em pacientes com artrite reumatoide de início antes dos 60 anos de idade, porém, pode estar presente em 10% dos idosos sem a apresentação clínica de artrite reumatoide.
II. O ACPA dosado é o autoanticorpo contra peptídeo citrulinado cíclico (anti-CCP), que apresenta alta especificidade para o diagnóstico de artrite reumatoide, em torno de 96%.
III. As provas de atividade inflamatória, como VHS e PCR, têm importância no seguimento clínico dos pacientes com artrite reumatoide.
IV. Achados laboratoriais como anemia normocrômica e normocítica, trombocitose, eosinofilia, hipergamaglobulinemia e hipocomplementemia podem ser encontrados nos casos de artrite reumatoide.
Quais estão corretas?
Apenas III e IV.
Apenas I, II e III.
Apenas I, II e IV.
I, II, III e IV.
Uma vez definido o diagnóstico de miosite por corpúsculo de inclusão, o uso de glicocorticoides deve ser
usado preferencialmente por via oral na dose de 2 mg/kg/dia em dose única matinal.
associado a azatioprina em protocolo de doses progressivas por via oral fracionada.
prescrito por via intravenosa em programa de pulsoterapia.
utilizado de forma contínua, por via oral, e de preferência os fluoretados.
evitado.
É considerado um critério menor de Jones, para o diagnóstico de febre reumática:
Eritema marginado.
Coreia de Sydenham.
Nódulos subcutâneos.
Prolongamento do intervalo PR no eletrocardiograma.
Cardite.
Assinale a opção correta quanto a doenças reumáticas.
Nas crises iniciais de gota, as articulações dos tornozelos e joelhos são as mais acometidas.
As úlceras genitais representam as lesões mais específicas da dermatomiosite e ocorrem, comumente, no escroto ou nos lábios vulvares.
O eritema fotossensível em borboleta é a dermatite crônica mais comum em pacientes diagnosticados com lúpus eritematoso sistêmico.
Exames laboratoriais de rotina em pacientes com a síndrome de Sjögren podem revelar leucocitose e, em pouca frequência, linfocitose.
O fenômeno de Raynaud secundário associado à esclerose sistêmica costuma evoluir para alterações estruturais irreversíveis nos vasos sanguíneos pequenos, culminando em úlceras isquêmicas nas pontas dos dedos, necrose e amputação.
No que diz respeito a doenças reumáticas, assinale a opção correta.
A espondilite anquilosante tende a progredir para anquilose vertebral total com mais frequência em pessoas do sexo feminino.
A presença de anticorpos séricos anti-CCP tem praticamente a mesma sensibilidade que o fator reumatoide sérico para o diagnóstico de artrite reumatoide.
Os nódulos da artrite reumatoide, à palpação, são moles e dolorosos.
A manifestação extra-articular mais comum da espondilite anquilosante é a insuficiência valvar aórtica.
O envolvimento da articulação interfalângica distal na artrite reumatoide é uma manifestação da piora evolutiva da doença.
Na patogênese do lúpus eritematoso sistêmico, um dos mecanismos imunológicos que contribui para o dano ao tecido conjuntivo é a formação de imunocomplexos e a ativação do complemento. O autoanticorpo mais específico da doença, diretamente envolvido na fisiopatologia da nefrite lúpica, é o direcionado contra:
peptídeos citrulinados.
DNA de dupla hélice (nativo).
centrômero.
Ro/SS-A.
topoisomerase I (Scl-70).
Na esclerose sistêmica difusa, o acometimento pulmonar constitui importante causa de morbimortalidade. A complicação pulmonar caracterizada por hipertensão arterial pulmonar isolada, sem doença parenquimatosa significativa, mais frequente na forma limitada (CREST), é:
Fibrose pulmonar intersticial difusa basal.
Bronquiectasias de tração com faveolamento.
Pneumonia intersticial usual com opacidades reticulares.
Derrame pleural exsudativo bilateral volumoso.
Hipertensão arterial pulmonar isolada.
A síntese adequada do colágeno maduro e funcional requer a hidroxilação de resíduos específicos de prolina e lisina no retículo endoplasmático. A enzima responsável por essa etapa, cuja atividade é dependente de ácido ascórbico (vitamina C) como cofator, é a:
prolil hidroxilase.
lisil oxidase.
peptidase de pró-colágeno.
glicosiltransferase.
metaloproteinase de matriz.
O mecanismo de mimetismo molecular é uma das principais teorias para a quebra da autotolerância e o desenvolvimento de doenças autoimunes. Qual é a definição deste processo?
A semelhança estrutural entre um antígeno de um patógeno (ex: bactéria, vírus) e um autoantígeno do hospedeiro, levando os linfócitos T ou B, ativados contra o patógeno, a reagirem cruzadamente contra o tecido sadio.
A ativação policlonal de linfócitos B por um superantígeno, que induz a produção de múltiplos autoanticorpos de baixa afinidade.
A falha da deleção clonal no timo (seleção negativa), permitindo que linfócitos T autorreativos madurem e migrem para a periferia.
A liberação de autoantígenos previamente sequestrados (ex: do cristalino ou testículos) após um trauma, que são então reconhecidos como "estranhos" pelo sistema imune.
A artrite reativa é relativamente rara, e a incidência em estudos populacionais é relatada como sendo de 0,6 a 27 por 100.000 habitantes. É mais comum em homens adultos na segunda e terceira décadas de vida. No geral, observa-se maior atividade da doença e pior capacidade funcional em populações de nível socioeconômico mais baixo. O objetivo do tratamento da artrite reativa é proporcionar alívio dos sintomas e prevenir complicações crônicas. Em relação aos critérios diagnósticos da artrite reativa, assinale a alternativa INCORRETA.
Artrite com, pelo menos, 2 de 3 características: assimétrica, mono ou oligoarticular, envolvimento de membros inferiores.
Infecção sintomática precedendo o quadro articular com pelo menos uma das características: enterite – diarreia por ao menos um dia entre 3 dias a 6 semanas do início da artrite; uretrite – disúria ou descarga uretral por ao menos um dia entre 3 dias a 6 semanas do início da artrite.
Comprovação do agente infeccioso no líquido sinovial.
Evidência de infecção uretral ou cérvicite uterina por Chlamydia trachomatis.
Em relação a um quadro de monoartrite aguda, sugestivo de gota, assinale a alternativa INCORRETA:
A variação da uricemia, traumas ou ingesta de bebidas alcoólicas podem funcionar como fatores precipitantes.
A artrocentese é a abordagem preferencial para o diagnóstico de artite gotosa, que evidencia cristais de urato monossódico no líquido sinovinal.
No tratamento das crises de gota, deve-se iniciar colchicina associada ao alopurinol, de modo a reduzir a uricemia e evitar novas crises.
O surto de gota é uma artrite inflamatória intensamente dolorosa e incapacitante, geralmente envolvendo uma única articulação, mas ocasionalmente envolvendo duas ou mais articulações.