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Com a promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em 1990, a criança e o adolescente passaram a ser considerados sujeitos de direitos, em peculiar condição de desenvolvimento. Assim, os direitos das crianças e dos adolescentes devem ser prioritariamente garantidos pela família, pelo Estado e pela sociedade civil. Em relação aos adolescentes aos quais são atribuídos o cometimento de atos infracionais, rompe-se com a perspectiva anterior, que se pautava na situação irregular, no assistencialismo e no punitivismo.
Com base nesse contexto, avalie as afirmações a seguir.
I. A cisão com o paradigma da pobreza como norteadora das políticas sociais destinadas a crianças e adolescentes foi uma das mudanças instituídas pelo ECA.
II. A universalização dos direitos da criança e do adolescente, a partir da promulgação do ECA, está fundada no princípio de que toda criança e adolescente está sob a mesma condição jurídica.
III. De acordo com o disposto no ECA, a aplicação de medidas socioeducativas pelo juiz deve levar em consideração a gravidade do ato, o nível de compreensão do adolescente e a sua condição socioeconômica.
IV. Uma mudança instituída pelo ECA foi a imposição da medida socioeducativa de internação a adolescentes em situação de vulnerabilidade social, como forma de proporcionar-lhes uma nova possibilidade de socialização e acesso aos direitos fundamentais.
É correto apenas o que se afirma em
I e II.
I e IV.
III e IV.
I, II e III.
II, III e IV.
Durante consulta de pré-natal, Mariana relatou para a enfermeira que estava escondendo de sua família a gestação e iria deixar o bebê na maternidade para que ele fosse adotado.
Nesta situação, a enfermeira deverá
encaminhar o caso imediatamente à autoridade judiciária.
indicar a família habilitada para adoção para receber a criança recém-nascida.
contatar a família extensa da gestante para que busque o bebê no abrigo.
sensibilizar e encaminhar Mariana para programa de apoio, para que ela desista da entrega do bebê.
efetuar o imediato encaminhamento do caso à autoridade policial, considerando o crime de abandono.
Segundo Carvalho et al. (2017), inicialmente o termo Alienação Parental (AP) foi proposto por:
Jeffrey Young.
Silvia Lane.
Richard Gardner.
Paulo Freire.
Albert Bandura.
Embora as justificativas para a criação da Lei da Alienação Parental (Lei nº 12.318/10) mencionem aspectos ligados à Psicologia, o assunto parece não ter sido motivo de análise detalhada pelos profissionais da área na ocasião em que foi sancionada. Em sendo assim, foi deixada de lado uma discussão mais aprofundada sobre gênero.
Sobre essa questão, por meio de uma perspectiva sócio-histórica, assinale a afirmativa correta.
A mulher possui atributos naturais para a maternidade, sendo mais indicado que ela detenha a guarda das crianças nos primeiros anos de vida.
A mulher e o homem possuem a mesma vocação natural para os cuidados infantis, de modo que o tempo de convivência da criança deve ser dividido igualmente entre eles.
A representação da criança como sujeito em desenvolvimento e vulnerável é resultado da pós-modernidade, estimulada pela revalorização da paternidade.
A acusação de Alienação Parental acaba sendo dirigida na maioria das vezes contra a mulher, presumindo nela má-fé em situações em que ela busca proteger a prole.
A criança precisa passar pelo Édipo, sendo necessário que ela se aliene primeiramente à mãe para que em seguida ela seja interditada pelo pai.
Guilherme, 14 anos, encontra-se há dois anos em acolhimento institucional. Ele não tem pai registral. Quando Guilherme tinha 8 anos, sua mãe o deixou informalmente com vizinhos idosos, a quem ele dava o tratamento de avós, sendo o paradeiro dela desconhecido. A idosa faleceu e o idoso está asilado com um quadro de demência senil.
Sobre o direito de Guilherme à convivência familiar e comunitária, de acordo com a Resolução nº 71 do CNMP, assinale a afirmativa correta.
Deverá ser promovido por meio de inclusão em programa de apadrinhamento afetivo.
Deverá ser formalizado mediante a guarda pelo avô sócioafetivo.
Deverá ser realizado por meio de diligências para o reconhecimento tardio da paternidade.
Deverá ser promovido graças à citação da genitora por meio de edital, com vistas à reintegração familiar.
Deverá ser formalizado mediante o encaminhamento para entidade de acolhimento própria para adolescentes.
Cristiane, 18 anos, é mãe de uma menina de 2 anos e está grávida novamente de um ex-namorado de quem se separou após sofrer agressões. Mãe e filha estão vivendo em um serviço de acolhimento para famílias. Cristiane confidenciou à psicóloga que havia tentado abortar e perguntou à profissional se ela conhecia alguém a quem ela pudesse entregar o bebê.
Deverá a psicóloga nesse caso:
encaminhar Cristiane sem constrangimento para a Justiça da Infância e da Juventude para a garantia de seus direitos;
atender Cristiane em psicoterapia para minimizar os efeitos do estado gestacional e puerperal;
advertir Cristiane quanto aos riscos de perder a guarda da filha mais velha por conta do abandono do nascituro;
acolher o pedido de Cristiane sem julgamento moral e ajudá-la a encontrar uma nova família para o bebê;
encaminhar Cristiane para o PAIF para que ela fortaleça os vínculos com o bebê e desista da entrega.
Julgue os itens a seguir.
I Segundo Silva (2006), o processo de alienação pode assumir a forma de obstrução a todo contato, sendo que o argumento mais utilizado é o de que o outro genitor não é capaz de ocupar‐se dos filhos e que estes não se sentem bem quando voltam das visitas.
II Segundo Silva (2006), o processo de alienação pode assumir a forma de argumento de que ver o outro genitor não é conveniente para os filhos e que estes necessitam de tempo para se adaptar.
III Segundo Silva (2006), o processo de alienação pode assumir a forma de mensagem dirigida aos filhos de que é desagradável ir conviver com o outro genitor.
IV Segundo Silva (2006), o processo de alienação pode assumir a forma de denúncias falsas de abuso; dos abusos normalmente invocados, o mais grave é o “abuso sexual”, que ocorre em cerca de metade dos casos de separação problemática, especialmente quando os filhos são pequenos e mais manipuláveis.
V Segundo Silva (2006), o processo de alienação pode assumir a forma de “abuso emocional”, que ocorre quando um genitor acusa o outro, por exemplo, de mandar os filhos dormirem demasiadamente tarde.
A quantidade de itens certos é igual a
1
2
3
4
5
Considera-se ato de alienação parental a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este. São formas exemplificativas de alienação parental, além dos atos assim declarados pelo juiz ou constatados por perícia, praticados diretamente ou com auxílio de terceiros, EXCETO:
Facilitar o exercício da autoridade parental.
Realizar campanha de desqualificação da conduta do genitor no exercício da paternidade ou maternidade.
Omitir deliberadamente a genitor informações pessoais relevantes sobre a criança ou adolescente, inclusive escolares, médicas e alterações de endereço.
Mudar o domicílio para local distante, sem justificativa, visando a dificultar a convivência da criança ou adolescente com o outro genitor, com familiares deste ou com avós.
Na perícia realizada no âmbito da justiça, no sentido de avaliar a guarda de menores, a solicitação de avaliação para ambos os genitores tem qual função?
Aferir indício de psicopatologia no histórico familiar avoengo.
Avaliar qual dos genitores tem melhores condições emocionais.
Identificar doenças físicas e não tratáveis.
Verificar se os genitores são portadores de deficiência física.
Investigar se os genitores possuem inteligência inferior.
“O direito inalienável da criança em manter o convívio familiar (...) constitui o eixo nevrálgico do dispositivo jurídico da guarda compartilhada.”
Com relação à guarda compartilhada, assinale a afirmativa correta.
Privilegia a continuidade da relação da criança com ambos os genitores, que devem se manter implicados nos cuidados com os filhos.
É sinônimo do deslocamento pendular da criança entre os lares de seus pais e familiares extensos e deve ser evitada.
É indicada para qualquer tipo de família, inclusive para pais que são beligerantes e competitivos, pois sempre se revela bem sucedida.
Não é indicada na hipótese de identificação da falta conjugal, devendo, nesses casos, priorizar sempre a guarda monoparental.
Inova na ampliação do poder familiar, porque prioriza a vontade do genitor com quem a criança fique mais tempo, quando há divergência de opiniões sobre a educação.
Quando tratamos da colocação de uma criança e/ou adolescente em família substituta, podemos dizer que está INCORRETO o que se afirma na alternativa:
Tratando-se de maior de 10 (dez) anos de idade, será necessário seu consentimento, colhido em audiência.
A colocação em família substituta far-se-á mediante guarda, tutela ou adoção, independentemente da situação jurídica da criança ou adolescente.
A colocação em família substituta não admitirá transferência da criança ou adolescente a terceiros ou a entidades governamentais ou não-governamentais, sem autorização judicial.
A colocação em família substituta estrangeira constitui medida excepcional, somente admissível na modalidade de adoção.
Na apreciação do pedido levar-se-á em conta o grau de parentesco e a relação de afinidade ou de afetividade.
Uma gestante que está sendo acompanhada por um serviço de atenção psicossocial manifesta o desejo de entregar seu filho para adoção. Nesse caso, a equipe de profissionais do serviço
deve, obrigatoriamente, encaminhar essa gestante à Justiça da Infância e da Juventude.
precisa indicar um atendimento psicológico, para que essa gestante aceite sua gestação.
deve denunciar essa gestante a um Conselho Tutelar, para prevenir o abandono futuro da criança.
precisa orientar essa gestante em relação aos procedimentos apropriados para promover a adoção desse bebê.
deve acompanhar essa gestante durante o pré e pós-natal, para diminuir as chances de uma depressão pós-parto.
Frente aos aspectos psicossociais envolvidos nos processos de adoção, é correto afirmar que
esgotadas as possibilidades de manter a criança junto aos pais biológicos ou familiares, há que se iniciar a oitiva da criança, a fim de identificar seu interesse pela adoção ou manutenção na família de origem, uma vez que esta escuta se apresenta como definidora do processo.
recomenda-se intervenção da Defensoria Pública quando esgotadas as possibilidades de manter a criança junto aos pais biológicos ou familiares, uma vez que se faz necessário trabalhar, nesta esfera legal, as relações de confiança e de afeto da criança com os novos pais, guardiões ou tutores.
o desenvolvimento pleno de um bebê adotado só poderá ocorrer se contar com o amor de seus pais adotivos, expresso como uma íntima relação que os estudiosos chamam de cooping.
não se reconhece salutar a ciência do status adotivo pela criança adotada, a fim de que esta possa estabelecer, com maior tranquilidade e empatia, elos de filiação com a família substituta.
a colocação de criança em família substituta não pode preceder trabalho com os vínculos afetivos em relação a sua família natural.
A não aprovação dos pretendentes à adoção, motivada por causas psicológicas e sociais, resulta de um conjunto de fatores desfavoráveis a serem identificados pela equipe técnica responsável pelo caso.
-
Qual das alternativas abaixo apresenta APENAS esses fatores adversos?
Crise conjugal, histórico da condição econômica dos pretendentes, motivação advinda da não elaboração da perda de um filho.
Adoção para amenizar problemas de solidão, homossexualidade, aproximação da meia idade e a presença do ninho vazio, decorrente do afastamento dos filhos do lar.
Desejo de adoção não compartilhado pelo casal, não elaboração da infertilidade.
Decisão impulsiva e sem reflexões, adoção para tentar engravidar, capacidade emocional adequada para o exercício da parentalidade.
Casal com perspectivas de residência fora do país, rede social e familiar ampla e motivada com relação ao processo de adoção.
A alienação parental, disposta na Lei nº 12.318, de 26 e agosto de 2010, foi descrita pela primeira vez em 1985 por R. A. Gardner como Síndrome de Alienação Parental-SAP, a qual consiste em uma relação originária entre criança e um dos genitores, cujo objetivo é banir o outro. Essa dinâmica envolvida na alienação parental pressupõe, pois, a existência de um vínculo emocional particular entre a criança e seus cuidadores, o qual possibilita elencar alguns critérios para identificação da SAP. Tendo isso em vista, assinale a alternativa que descreve corretamente um critério de identificação da SAP.
A ambivalência de sentimentos é presente também em um filho de um pai alienado, ele seria incapaz, portanto, de expressar um sentimento de ódio puro, o que se deve ao efeito do progenitor reportado como alienador se permitir identificar alegando síndrome.
A campanha para promover um dos progenitores, um dos critérios para definir a SAP, envolve acusações tácitas, injúrias, ataques depreciativos e/ou mal-intencionados, mas com aumento do contato com justificações diversas (doenças, excursões, atividades extracurriculares, familiares, dentre outras).
A percepção de qualquer ataque ao progenitor alienador é vista pela criança como um ataque a si própria, o que a faz assumir a responsabilidade pela defesa tanto de si, quanto do genitor, o que revela um tipo de vínculo ambivalente, no qual há tanto a acusação do progenitor odiado de ter maltratado o outro membro do casal sem evidências ou certezas, com também a defesa consciente de que houve invenção dos fatos.
As racionalizações fracas, absurdas ou frívolas referem-se, nomeadamente, à forma como as crianças reagem a obrigações que os pais impõem, relacionadas com hábitos de higiene ou alimentares, por exemplo, atribuindo doenças dermatológicas exclusivamente a padrões de higiene do progenitor alienado ou doenças gastroenterológicas a características sui generis na alimentação fornecida pelo mesmo, também incidem em um dos critérios para a identificação da SAP.
Bandeira e Lago (2008) desenvolveram pesquisa a fim de investigar as práticas de psicólogos na avaliação envolvendo disputa de guarda. As autoras citam as orientações de Karras e Berry (1985) na definição dos aspectos que devem ser avaliados nesse tipo de avaliação.
-
Assinale a alternativa que NÃO apresenta um desses aspectos.
Saúde mental de cada um dos pais.
Atitude da criança com cada genitor.
Condição socioeconômica de cada um dos pais.
Atitude de cada genitor com a criança.
Natureza do relacionamento entre os membros da família.
No âmbito da parentalidade, uma grave situação de convívio familiar, seja qual for o tipo de arranjo familiar, é a alienação parental, e, mais ainda, a Síndrome da Alienação Parental (SAP). Sobre isso, assinale a alternativa cujo sintoma está INCORRETAMENTE relacionado a essa síndrome.
Justificativas fúteis ou infundadas para o ódio ao genitor
Extensão do ódio pelo genitor aos familiares deste
Atitudes de desrespeito em relação ao genitor alienado
Sentimentos ambivalentes relacionados ao genitor alienado
Apoio automático ao genitor alienador no conflito parental
Júlio é dirigente de uma instituição de acolhimento que atende adolescentes do sexo masculino. Felipe, de 16 anos, é um dos jovens ali institucionalizados que, recentemente, iniciou estágio de aprendizagem, necessitando abrir uma conta bancária para receber a bolsa-aprendizagem. O banco, ao ser procurado por Júlio para a abertura da conta, exigiu autorização judicial para realizar tal operação.
À luz do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/90), assinale a afirmativa correta.
O banco não agiu corretamente, pois o dirigente da instituição de acolhimento equipara-se ao guardião para todos os efeitos de direito.
O banco agiu de forma acertada, pois é imprescindível a autorização judicial frente à ausência dos pais e/ou parentes consanguíneos.
O banco agiu corretamente, pois, nesse caso, é necessária a manifestação do Ministério Público na função de curadoria especial.
O banco não agiu corretamente, pois como se trata de adolescente ele poderia abrir a conta sem nenhum representante legal.
o banco agiu corretamente, pois a partir de sua solicitação, a Defensoria Pública será acionada para suprir o consentimento paterno inexistente.
Após a queda da ditadura comunista em dezembro de 1989, as imagens dos orfanatos e hospitais romenos onde se amontoavam mais de 100 mil crianças rodaram o mundo, revelando as consequências desastrosas dos maus tratos, negligência e privação emocional e social prolongada a que eram submetidas crianças abandonadas e institucionalizadas desde tenra idade.
São providências que devem ser adotadas pelas entidades de acolhimento no Brasil, para minimizar os danos emocionais da medida:
a especialização por idade, privilegiando a convivência dos abrigados com pares de sua faixa etária;
a orientação moral e religiosa de acordo com os preceitos observados pela entidade e seus mantenedores;
a garantia da privacidade dos abrigados, protegendo-os dos contatos com a comunidade local;
o diagnóstico precoce e o tratamento psicoterápico do Transtorno do Apego Reativo e do Transtorno Opositor Desafiador;
a preservação dos vínculos familiares das crianças e adolescentes acolhidos e a promoção da reintegração familiar.
O Sr. João é dirigente da instituição Amor e Vida, que acolhe protetivamente meninos entre 8 e 18 anos incompletos. Diante do baixo índice de reinserção familiar e /
correto, pois como o programa de apadrinhamento afetivo está sendo desenvolvido em parceria com a Vara da Infância, as autorizações judiciais para saídas de final de semana estão explícitas;
errado, pois na hipótese de saída de crianças e adolescentes do ambiente institucional, faz-se necessária prévia anuência expressa do represente do Conselho Tutelar;
errado, pois na hipótese de saída de crianças e adolescentes, afastados de suas famílias de origem, que estejam acolhidos protetivamente, faz-se necessária a anuência dos pais ou responsáveis que não estejam destituídos;
correto, pois o dirigente da entidade que desenvolve programa de acolhimento institucional é equiparado ao guardião, para todos os efeitos de direito;
errado, pois a liberação para saída de final de semana deve ser peticionada individualmente por cada padrinho na Defensoria Pública, que apresentará a solicitação no processo de DPF, para que os pais possam exercer o direito ao contraditório.