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As dimensões psíquicas e subjetivas devem ser consideradas no processo de adoecimento e na constituição da doença.
Nos últimos anos vem aumentando a inserção do psicólogo nas instituições de saúde e, consequentemente, ampliando a visão para o entendimento dos aspectos psicológicos implicados no processo de adoecer. No entanto, ainda há um limite na ciência, não do ponto de vista tecnológico, mas da ética em relação ao respeito à pessoa. Entre os aspectos de Bioética a serem preservados em relação à criança hospitalizada, estão:
Atitude de cuidado e apoio familiar.
Apoio social e respeito a sua família
O respeito à privacidade e a confidencialidade.
Respeito à autonomia da criança com responsabilidade na atenção a sua saúde.
Diversos fatores sociais e históricos contribuíram para a criação de um modelo amplo para o estudo da relação entre saúde e doença entre as pessoas, na década de 70. Assim, algumas tendências tiveram influência para moldar a psicologia da Saúde, com exceção de:
Necessidade de superar o modelo biomédico.
Surgimento de transtornos relacionados com o estilo de vida.
Aumento da expectativa de vida.
Diminuição dos custos dos tratamentos de saúde.
Segundo Simonetti (2004), a Psicologia Hospitalar é o campo de entendimento e tratamento dos aspectos psicológicos em torno do adoecimento. O aspecto psicológico em torno do adoecimento é o nome dado:
para os sintomas psicológicos causados pela doença física ou pelo tratamento. Refere-se aos efeitos da doença na subjetividade humana, como sentimento de impotência e revolta
para as manifestações da subjetividade humana diante da doença, tais como o estilo de vida e o estilo de adoecer. Pode aparecer como causa, fator desencadeante, fator agravante, fator mantenedor ou conseqüência da doença
para as manifestações da subjetividade humana diante da doença, tais como desejos e fantasias. Aparece sobretudo como causa de doenças psicossomáticas e fatores complicadores na relação do paciente com sua doença física
para a dimensão simbólica em torno do adoecimento, para além da dimensão biológica. É constituído tanto por representações individuais quanto por representações sociais relacionadas à doença
Leia as afirmações abaixo e assinale a INCORRETA:
Paralelamente ao avanço e sofisticação da biomedicina percebe-se sua impossibilidade de oferecer respostas conclusivas ou satisfatórias para os componentes psicológicos que acompanham qualquer doença.
O modelo biomédico estimula os médicos a aderirem a um comportamento extremamente cartesiano na separação entre o observador e o objeto observado.
Medicalização pode ser entendida como a crescente e elevada dependência dos indivíduos e da sociedade para com a oferta de serviços e bens de ordem médico-assistencial e seu consumo cada vez mais intensivo.
O manejo da gravidez e do parto como se fosse uma "doença" e, por isto mesmo, requerendo atenção permanente do aparato médico, é um bom exemplo de algo fisiológico que é "medicalizado".
O modelo biopsicossocial possui um vasto e aprofundado poder explicativo sobre o processo saúde-doença, centrado no diagnóstico das doenças e na sua cura.
Leia as afirmações abaixo, baseadas no texto "O processo saúde-doença como foco da Psicologia: as tradições teóricas", de Gustavo C. Matta e Kenneth Camargo Jr., e assinale a alternativa INCORRETA:
Existem outros determinantes que disputariam a causalidade das doenças, sendo que o processo saúde-doença não pode ser reduzido exclusivamente a uma descrição anátomo-fisiológica.
A Biomedicina pode ser entendida como o estudo das doenças por meio de um processo ampliado, agregando várias áreas do saber de maneira equitativa e compartilhada, onde se inclui a Psicologia.
A Biomedicina também é designada por alguns autores como Medicina moderna.
As vertentes anátomo-clínica e a microbiologia sanitarista fundaram a base do conhecimento médico moderno, que possibilitou a construção de uma versão hegemônica de categorias no campo da saúde.
A Biomedicina foi construída sob a égide da neutralidade e a elitização do saber científico, impondo suas descrições e seu método de produzir verdades.
Considerando o texto IV, é correto concluir que a atuação do psicólogo em unidades básicas de saúde é dificultada por limitações, tais como o(a)
destaque dado ao profissional no contexto de saúde.
grande número de pacientes encaminhados aos serviços de atendimento.
falta de queixas claras, o que deve levar a diagnósticos adequados.
trabalho em equipes que garantam uma intervenção multidisciplinar e complexa.
concepção da psicologia como intervenção inadequada.
O evento da hospitalização acarreta uma alteração no psiquismo do paciente. São dois os principais problemas a serem resolvidos pelos psicólogos em um ambiente hospitalar: a despersonalização do paciente e o significado social do adoecer. Adoecer, em nossa sociedade, significa
perda de noção da realidade pelo distanciamento do paciente do seu meio familiar e do trabalho, gerando sua alienação.
perda de referências espaço-temporais, em um fenômeno denominado de aestese.
desintegração dos valores em relação à vida, pois todas as perspectivas anteriores se perdem em função da possibilidade da morte.
improdutividade, o que é vergonhoso e deve ser ocultado, gerando sentimentos de culpa.
fugacidade da vida, o que conduz o paciente a aterradoras perspectivas de futuro.
Durante a contemplação, o paciente nega a existência de um problema específico a ser resolvido.
A pré-contemplação é um estágio no qual a intenção de mudança ocorre, devido à influência de terceiros significativos, como amigos e parentes.
Um paciente homossexual, de 32 anos, ao receber a notícia de que seu parceiro estava com AIDS, ficou muito ansioso, sentindo-se ameaçado pela notícia e temeroso de também ser portador do HIV. Dias mais tarde, resolveu fazer o teste para pesquisa de anticorpos HIV, pois não estava suportando os sentimentos que lhe estavam sobrevindo após aquela notícia. Ao saber que também estava contaminado, passou a apresentar crise de ansiedade aguda e reações fisiológicas, seguidas de insônia. Posteriormente, foi surpreendido por intensos sentimentos persecutórios, ficando com a idéia fixa de que desejavam matá-lo. Foi levado a um hospital psiquiátrico da rede pública e internado. Ao saberem que era HIV positivo, colocaram-no em setor de isolamento. Sendo transferido posteriormente para outro hospital, foi medicado com neurolépticos e outros psicofármacos. Nesse novo espaço, as doses dos medicamentos foram mantidas e o paciente, pelo acolhimento recebido, passou a se sentir melhor e mais encorajado para revelar seus problemas à equipe. Suas idéias persecutórias cederam e em poucos dias teve alta, passando a ser tratado em ambulatório. Com base nos dados acima, podemos afirmar que esse paciente viveu:
uma reação patológica típica de um esquizofrênico.
uma reação de sentimento de culpa normal e esperada, por ser homossexual.
uma reação psicológica paranóide.
uma reação patológica histeriforme.
uma reação própria de personalidades psicopáticas.
Sobre a inserção do psicólogo em Unidade de Terapia Intensiva (U.T.I.), assinale a alternativa correta.
A instalação de uma doença costuma levar o paciente de UTI – e eventualmente a família inteira – a um estado conhecido por "regressão", que consiste num retorno a um nível de funcionamento mais primitivo, com a reedição de ansiedades, fantasias e expectativas próprias às da época de quando ele era criança.
O paciente de UTI, pelo quadro clinico considerado como grave, é irremediavelmente enquadrado como "paciente terminal".
Um critério que o psicólogo pode utilizar na U.T.I. é a observação e o reconhecimento de se o paciente apresenta, de forma repetida, os mesmos problemas que uma mesma categoria de pacientes. Esses dados, embora não sejam úteis para um trabalho de pesquisa cientifica, podem auxiliar a equipe medica no tratamento do mesmo.
O fato de o paciente estar em U.T.I. não justifica para o psicólogo que o primeiro possa estar apresentando eventualmente um quadro de estranhamento do ambiente físico pela sucessão de rostos não familiares, sentimento de estar sendo coagido.
Quando um paciente sai de um centro cirúrgico para uma U.T.I. os vínculos são desfeitos com a equipe responsável pela cirurgia, ficando então o paciente à mercê do trabalho de uma nova equipe, cabendo ao psicólogo colaborar no sentido de respeitar essa quebra de vínculos.
Em seu trabalho na área hospitalar o psicólogo é freqüentemente solicitado a emitir parecer sobre o paciente. As questões que mais requerem um exame pormenorizado dizem respeito:
às condições emocionais do indivíduo para ser informado acerca do diagnóstico e do prognóstico de sua doença, do nível de aceitação e colaboração ante o tratamento da hospitalização e dos procedimentos médicos, bem como das fantasias e expectativas que possam estar interferindo em seu processo de recuperação.
ao entendimento claro e à informação sobre o efeito farmacológico que os medicamentos que o paciente passou a utilizar, eventualmente, podem produzir no seu organismo, alterando-o em sua bioquímica e funcionalidade.
ao encaminhamento do paciente por parte do médico para a avaliação e assistência psicológicas.
à atuação preventiva realizada pelo psicólogo e à descrição pormenorizada da problemática fundamental, visando facilitar a resolução desses problemas, da forma mais adequada e breve possível.
à adaptação do paciente em relação à situação da doença e em relação à terapia.
No que se refere às abordagens teóricas que norteiam a prática psicológica, o psicólogo no hospital deve:
adotar aquela que trabalhe apenas com o "aqui e agora", já que a doença fala apenas sobre o momento atual do paciente.
adotar aquela que trabalhe apenas com o "aqui e agora", já que a doença fala apenas sobre o momento atual do paciente.
utilizar-se de sua leitura de homem, de modo que a abordagem escolhida e por ele adotada lhe auxilia da melhor forma possível na compreensão do seu objeto.
ser eclético, visto que no hospital não é possível ser ortodoxo ou defender ideologias.
adaptar abordagem teórica com técnicas psicológicas modernas, testando a que se adequar melhor para cada paciente.
São objetivos específicos da intervenção psicológica, em situação de ambulatório:
identificar, selecionar, analisar e planejar todos os passos a serem dados no período pós- internação.
identificar, selecionar, avaliar e analisar os passos a serem dados no período pós- internação.
identificar fatores relacionados ao diagnóstico que estejam obstaculizando o tratamento durante a internação.
facilitar a troca de informações entre os pacientes, selecionando e separando os que falam dos que não gostam de falar, dando prioridade aos primeiros.
dar apoio psicológico, preparar e motivar o paciente para a adesão ao tratamento.