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A inserção do psicólogo no hospital se deve à constatação de que o adoecimento sofre interferência significativa dos aspectos psicológicos, mobilizando nos doentes mecanismos psicológicos de adaptação à doença e à hospitalização. Um paciente que demonstra muita disponibilidade para discutir, de forma animada, sobre os aspectos técnicos de seus diagnóstico e tratamento, está utilizando como defesa a
sublimação.
racionalização.
anulação.
regressão.
negação.
A Psicologia Hospitalar busca comprometer-se com questões ligadas à qualidade de vida dos usuários bem como dos profissionais da saúde. Sendo assim, a atuação do psicólogo hospitalar abrange a(s) área (s):
I. clínica.
II. organizacional.
III. social.
IV. educacional.
Dos itens acima mencionados, estão corretos:
somente I, II e III.
somente I, III e IV.
somente II, III e IV.
somente I, II, e IV.
I, II, III, IV.
No contexto de hospitalização, o paciente é considerado o alvo legítimo dos planos de cuidado, já que, por vezes, as equipes assistenciais criam expectativas de que a participação da família restrinja-se aos momentos de solicitação. De forma indireta, há uma expectativa convencionada que o cuidador realize um trabalho quando a equipe de saúde se ausenta (SILVA; ZIHLMANN, 2018).
A partir da problemática associada a familiares/cuidadores de adolescentes hospitalizados, é correto afirmar que
a expectativa dirigida aos familiares contempla o conhecimento intenso de práticas assistenciais como administração venosa de medicamentos, aferição de sinais vitais, registro em prontuário de saúde, etc.
se compreende que, em um contexto com inúmeras inseguranças, a necessidade de tomada de decisões junto ao paciente, o enfrentamento direto da finitude e a presença dos familiares terminam por fragilizar emocionalmente o paciente.
é frequente a percepção dos familiares de que estejam colocados à margem do processo de cuidado, a partir, por exemplo, da lógica operante de que a equipe de saúde é detentora de um saber que pode ajudar a fazer cessar o sofrimento.
frequentemente, a equipe apresenta a expectativa de que os familiares ocupem centralidade no olhar assistencial no hospital, enquanto o adolescente e suas demandas sejam parte de uma queixa excessiva e própria do momento de metamorfose do corpo.
diante da soma de tantos elementos psicossociais preponderantes à família/cuidadores no hospital, observa-se que estes conseguem privilegiar seus sentimentos, baseando-se na necessidade própria de suporte emocional ao cuidado prático do adolescente.
Além do seu caráter assistencial à tríade paciente-família-equipe, a Psicologia Hospitalar constitui-se fundamentalmente pela tríade assistência, pesquisa e ensino. Sobre as atividades desempenhadas pelo Psicólogo Hospitalar é correto afirmar:
Oferece e desenvolve atividades em diferentes níveis de tratamento, visando basicamente a promoção e/ou a recuperação da saúde física;
Atua em instituições de ensino superior e/ou centros de estudo e de pesquisa visando o aperfeiçoamento ou a especialização de profissionais em sua área de competência;
Pode desenvolver diferentes modalidades de intervenção, dependendo da demanda e da formação do profissional específico; dentre elas ressaltam-se: atendimento psicoterapêutico; grupos psicoterapêuticos; grupos de psicoprofilaxia; grupos motivacionais, consultoria e interconsultoria;
No trabalho com a equipe multidisciplinar, preferencialmente interdisciplinar, participa de decisões em relação à conduta a ser adotada pela equipe, objetivando promover apoio e segurança a equipe, aportando informações pertinentes à sua área de atuação.
Freud propôs que se escutasse sob atenção flutuante, que não se fizesse uma seleção dos elementos do discurso do paciente. Em psicologia hospitalar isso significa que o psicólogo deve:
Dar atenção ao que o paciente fala sobre a doença, sua principal questão no momento.
Flutuar sua atenção durante a fala do paciente, apenas focando-a quando o tema do adoecimento aparecer.
Escutar livremente, sem valorizar previamente temas relacionados à doença.
Permitir que o paciente fale sobre o que desejar, evitando excessos em relação a temas médicos.
Direcionar a conversa para o tema do adoecimento, já que por questões de saúde as consultas são breves.
O hospital possui estratégias de intervenções específicas que se relacionam com o saber médico e o saber psicológico. No hospital, o psicólogo deve definir sua atuação baseada
na atuação profissional análoga à forma como obteve em sua formação, com ênfase na individualidade e no atendimento da psicologia clínica.
na inserção junto à equipe de saúde para afirmar-se e poder interagir com a equipe, constituindo-se como um agente de humanização, de modo a ampliar o modelo assistencial para pacientes, familiares, equipes de saúde e para a própria instituição.
no auxílio à tarefa médica com o objetivo de realizar diagnósticos diferenciais do estado emocional do paciente, para que seja elaborado o prognóstico do tratamento e as possíveis intervenções.
no atendimento de pacientes difíceis de modo a privilegiar os interesses do hospital na organização do fluxo hospitalar, para estimular a administração de medicamentos e os procedimentos mais caros.
no atendimento prioritário às demandas da instituição de saúde com a inclusão tão somente dos aspectos psicológicos do adoecimento.
Uma das estratégias que podem ser adotadas por um psicólogo que trabalha em um ambulatório de um hospital geral é a realização de um grupo de sala de espera. Essa modalidade de atendimento grupal
consegue atender tanto aos objetivos da instituição quanto aos objetivos dos pacientes que aguardam atendimento.
atende à grande demanda de pacientes que esperam atendimento, mas aumenta o tempo de espera pelo cuidado efetivo.
estimula uma atitude passiva nos pacientes, que favorece a aceitação das condutas e procedimentos médicos indicados.
acolhe os pacientes durante a espera pelo atendimento, impedindo a manifestação das questões individuais que se sobrepõem à doença.
oferece soluções imediatas para a maioria dos pacientes, identificando aqueles que realmente precisam de cuidados médicos.
“Os critérios adotados para interpretar o desenho, de modo geral, pautam-se no traçado, cores, localização, elementos constitutivos e faixa etária das crianças submetidas à avaliação psicológica. No contexto hospitalar, o desenho infantil está associado à avaliação de ansiedade em intervenções précirúrgicas e à investigação de conceitos de saúde e doença para crianças com doenças crônicas e agudas. Fora do ambiente hospitalar, o desenho infantil tem sido utilizado como instrumento de coleta de dados em pesquisas sobre dificuldades emocionais ou na compreensão de conceitos de saúde, doença e morte de crianças doentes crônicas e saudáveis” (MENEZES; MORÉ; CRUZ, 2008, p. 189).
A análise de resultados provenientes do desenho infantil no hospital fornece elementos relativos a dados __________________.
A alternativa que preenche, corretamente, a lacuna do trecho acima é
Ao avaliar um paciente internado em hospital geral, o psicólogo deve procurar identificar possíveis preditores psicossociais de enfrentamento que contribuirão no planejamento de estratégias de intervenção adequadas ao paciente e família. De acordo com Chiattone (2018) quais são esses preditores sociais?
Relações com a equipe de saúde, escolaridade e grau de suporte social.
Repressão dos sentimentos, fortes mecanismos defensivos e crença religiosa.
Forte inibição à agressão, estilo de vida e sentimentos de culpa graves e insolúveis.
Agressão auto dirigida, presença de desesperança, menor grau de aceitação das intervenções psicoterapêuticas.
Nas enfermarias os atendimentos costumam se iniciar a partir de um pedido de interconsulta ou da busca ativa realizada pelo psicólogo. Ao receber um pedido de interconsulta para um paciente internado, qual o primeiro aspecto que o psicólogo deve observar?
O motivo do pedido.
A dinâmica da família.
O prognóstico do paciente.
As comorbidades do paciente.
Sobre a prática em Psicologia Hospitalar, marque a alternativa CORRETA:
Em um primeiro atendimento hospitalar não deve realizar qualquer intervenção, observando apenas a realidade do paciente e fazendo uma escuta adequada.
O psicólogo que atende pacientes hospitalizados não deve atender os familiares do mesmo.
O psicólogo pode discutir o atendimento psicológico com outros profissionais da equipe, desde que o motivo seja voltado às questões hospitalares e respeite a privacidade do paciente.
Um psicólogo hospitalar não deve olhar o prontuário médico visto que esse é um instrumento privativo do médico, assim como os testes psicológicos são privativos do psicólogo.
Uma importante função do psicólogo hospitalar é a administração das rotinas e procedimentos hospitalares, tal qual um gestor da equipe.
Sobre a atuação do psicólogo no contexto hospitalar, verifica-se a importância do mesmo no trabalho interdisciplinar (Lima, 2011). Analise as afirmativas e marque a alternativa falsa:
A interconsulta no ambiente hospitalar é entendida como a ação de um profissional de saúde no processo de atendimento que um paciente vem recebendo. A responsabilidade pelo atendimento global do paciente é do profissional que faz o pedido de interconsulta. Ele atendia o paciente antes e vai continuar a atender depois da interconsulta. O interconsultor é sempre um especialista de outra área, chamado a esclarecer, diagnosticar ou dar solução a uma problemática de saúde que o paciente tenha e que fuja da competência do profissional ou equipe responsável.
O interconsutor vem para avaliar um problema específico e vai depois que o problema é solucionado. Esta é uma prática comum entre médicos, especialmente em hospitais universitários. Na medida em que começou a trabalhar em hospitais, ligado a equipes ou em Serviços de Psicologia independentes, o psicólogo passou a ter um status de especialista, diferente do status do psiquiatra, que mais freqüentemente lida com os casos de: distúrbio psiquiátrico ou psicótico que requerem o uso de psicofármacos e passou a ser chamado em interconsultas para tratar de questões psicológicas que pacientes apresentam no decorrer de seu atendimento medico.
Procurar envolver os outros profissionais numa melhor relação médico-paciente ou enfermeiropaciente, identificar ações que possam surtir efeitos imediatos, como estimular o médico a melhor esclarecer o problema do paciente, solicitar ao serviço social que providencie condições para que os familiares venham visitar o paciente e, especialmente, ouvir, apoiar e permitir ampla ventilação ao paciente. Após esta intervenção inicial, pode-se detectar a presença ou ausência de quadros psicológicos específicos que precisem ser tratados na forma de uma psicoterapia breve.
Assim, dificuldades de aceitação do diagnóstico e/ou prognóstico, ansiedade exacerbada em situações de exame, tristeza e/ou depressão eliciadas pelo quadro clínico ou pelo isolamento social e familiar decorrentes da hospitalização, somatizações, reações condicionadas a procedimentos, etc., passaram a se constituir em motivos para efetuar um pedido de interconsulta ao Psicólogo para participar do atendimento a um paciente internado em clínicas onde ele não atua. Nesta situação, o essencial da ação do psicólogo é ser capaz de fazer uma rápida análise da situação para identificar a origem do problema e depois deixar o trabalho para os outros profissionais sem necessariamente um acompanhamento contínuo.
É essencial o psicólogo como interconsultor num hospital geral e uma das suas ações mais visíveis perante os outros profissionais é a facilitação no processo de adesão de pacientes frente ao tratamento, os quais por sua vez encontram-se resistentes e a interconsulta viabiliza mudar crenças advindas do adoecimento.
Visto que, frente à morte, não há o que ser feito, muitas vezes, o que as pessoas enlutadas precisam é, principalmente em um hospital, apenas a compreensão da sua forma de externalizar o luto (Silva, 2003). Por isso, é importante ao profissional de psicologia oportunizar ao paciente e familiares, EXCETO:
Dar acolhimento, deixar a pessoa falar, desabafar, chorar etc. O importante para que isto ocorra com eficácia é ter um vínculo estabelecido. Ter acompanhado o paciente (e os familiares) durante o seu período de internação pode auxiliar.
Esclarecer aos familiares não tão ligados ao paciente terminal que manifestações emocionais vindas para eles daqueles que estão mais ligados ao paciente não devem ser entendidas como agressões pessoais.
Falar sempre a verdade em relação ao prognóstico do paciente. Isto é importante principalmente para manter o vínculo com a família e estabelecer laços de confiança, aqui deve-se também incentivar ao resto da equipe de saúde a desenvolver a mesma postura.
É o momento de começar a enfatizar as perdas. Aqui, pode-se incentivar a família a fazer uma avaliação geral de como entrou, como está, e de como sairá da situação com a perda do parente.
Incentivar a família a respeitar e também vivenciar junto com o paciente o tempo que resta, respeitando os limites e as vontades deste (o que não significa se submeter a qualquer imposição vinda do paciente, sob o fantasma de um futuro remorso ou culpa).
No hospital, encontramos pacientes em isolamento, geralmente por infecções que podem ser transmissíveis. O paciente nesses casos pode apresentar sensação de abandono e fantasias diante do seu quadro clínico, além de despessoalização, limitação de atividades e perda da autonomia. Corresponde a possibilidade de atuação do psicólogo hospitalar neste caso:
Desmistificar o isolamento;
Evitar recursos audiovisuais aos pacientes;
Restringir ao extremo o contato físico da família junto ao paciente;
Orientar a esclarecer à família que deve dar espaço ao paciente e evitar as visitas;
Ampliar o campo de visão do paciente para que ele entenda que deve ficar sozinho nesse momento.
O registro em prontuário interdisciplinar de procedimentos específicos da psicologia, além de promover a comunicação na instituição hospitalar, também fornece dados sobre o estado emocional do paciente para que o mesmo possa ser percebido e avaliado em sua totalidade. Nesse sentido, algumas atitudes devem ser evitadas. Assinale a alternativa INCORRETA sobre o que deve ser evitado.
Escrever com objetividade;
Informações desnecessárias ou irrelevantes para a conduta da equipe;
Falta de clareza ou linguagem inadequada para compreensão da equipe composta por várias áreas;
Quebra de sigilo;
Ausência de síntese.
Quanto a atuação do psicólogo na maternidade, podem ser observadas condições muito significativas relacionadas à vivência da mãe diante da chegada de um bebê. Assinale a opção INCORRETA.
Os transtornos psiquiátricos associados ao puerpério estão tipicamente classificados em três categorias diagnósticas: blues, depressão puerperal e psicose puerperal;
O fator que mais dificulta o diagnóstico da depressão materna é o estigma associado à discrepância entre a expectativa de felicidade da mulher em uma gestação planejada e os sintomas de tristeza e irritabilidade;
A depressão materna pode interferir significativamente na unidade familiar e está associada a dificuldades interpessoais e prejuízos na interação entre mãe e bebê;
Toda gravidez, é marcada por fantasias inconscientes, muitas vezes contraditórias com os ideais conscientes, que podem influenciar muito na forma como a mãe significa sua própria condição, a condição da criança e dos familiares envolvidos;
Os sintomas prodômicos da psicose puerperal são inquietação, irritabilidade e alterações do sono que evoluem rapidamente para choro fácil, ansiedade e inapetência.
No que diz respeito à Psicologia Hospitalar, é correto afirmar que:
por ser uma prática que acontece dentro do hospital, a psicologia hospitalar é o campo de entendimento e tratamento das doenças.
é possível definir a filosofia da psicologia hospitalar como psicologia da escuta; contudo, essa escuta se torna inviável quando o paciente se encontra impossibilitado, organicamente, de falar.
o objeto de estudo da psicologia hospitalar diz respeito, prioritariamente, às doenças com causas psíquicas.
a Psicologia hospitalar é o campo de entendimento e tratamento dos aspectos psicológicos em torno do adoecimento.
a psicologia hospitalar vem-se desenvolvendo, ancorada num paradigma epistemológico que valoriza o conhecimento interdisciplinar e, como consequência, privilegia a existência de doenças e não de doentes.