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Segundo Valdemar Augusto Angerami Camom, foi a partir do desenvolvimento da Psicologia no Brasil que a própria Psicologia, enquanto ciência, redefiniu conceitos teóricos, ganhou espaço e notoriedade junto à sociedade e à comunidade científica. Baseado nesses aspectos históricos da Psicologia Hospitalar, é correto afirmar que:
a Psicologia Hospitalar transformou tanto a realidade institucional quanto a realidade do próprio profissional de Psicologia.
as perspectivas da Psicologia Hospitalar não são promissoras como o esperado, pois seu avanço no mundo acadêmico não tem ocorrido de modo abrangente ou sistematizado.
o trabalho do psicólogo no hospital impõe a este um repensar da própria trajetória de suas conquistas e realizações, no sentido inclusive de começar a se tornar polivalente nas tarefas.
a Psicologia Hospitalar, enquanto atividade, veio acrescer, ao profissional de psicologia, exigências, como a aquisição de novos valores e a definição de novos objetivos, levando-o a lutar, juntamente com as famílias e com os seus pacientes, contra a "ordem médica".
a Psicologia Hospitalar é o questionamento da prática médica numa atuação determinada pela direção hospitalar
Segndo René Spitz, o hospitalismo é:
uma manifestação comportamental resultante do estresse psicorgânico vivido pelo paciente em situação de hospitalização.
uma reação de medo real ligada a um evento do mundo interno do paciente, que afeta seu juízo de realidade, quando em situação de hospitalização.
conseqüência da permanência prolongada ou de internações subseqüentes que podem fazer com que o indivíduo prefira ficar hospitalizado a ter que enfrentar o sofrimento social a que está submetido.
uma atitude de rejeição hospitalar, em que muitos pacientes sentem-se também rejeitados pela instituição hospitalar, desenvolvendo dessa maneira um tipo de mecanismo de enfrentamento.
uma manifestação de desamparo em relação à perda de autonomia do paciente, frente à situação hospitalar, onde o mesmo procura reagir com sentimentos de esperança e com a conquista da autonomia novamen
Um paciente, após o atendimento médico-ambulatorial, receeu a informação de que seu caso teria indicação mputação do membro inferior esquerdo, tendo programada a cirurgia para as próximas 24 horas. ntão encaminhado ao serviço de psicologia do hospital. Qual a conduta que o psicólogo deve adotar de imediato?
Comunicar ao paciente que irá acompanha-lo no Bloco Cirúrgico durante a amputação.
Aplicar um teste para avaliar a condição de o paciente se submeter a uma cirurgia agressiva de um dia para o outro e, em seguida, marcar a segunda entrevista para o período pós- operatório.
Procurar o cirurgião para questionar a emergência da situação, discutindo com ele sobre sua onipotência em tomar uma decisão desse nível sem saber a repercussão do seu ato para o paciente.
Aceitar prontamente a prescrição médica e convidar a família para uma entrevista em grupo, com o objetivo de convence-la da necessidade da amputação do membro do paciente.
Entrevistar o paciente, inicialmente, para avaliar o grau de conhecimento deste em relação à proposta cirúrgica, antes de tomar qualquer atitude ou medida.
Em um hospital, além de uma formação individual, o profissional de Psicologia, trabalhando em equipe, deve estar preparado para:
um trabalho clínico-hospitalar, em que os profissionais dos demais campos de saberes possam consultá-los individualmente, fazendo do âmbito hospitalar o lugar mais seguro para solução dos problemas profissionais e pessoais.
realizar interconsultas, com o objetivo de preparar melhor a equipe médica para desenvolver um relacionamento mais sensível e humanizado com outros membros da equipe e com os pacientes.
da mesma forma como foi preparado em sua equação pessoal, reivindicar que a equipe multiprofissional submeta-se a um trabalho psicoterapêutico.
na ausência do médico, assumir a responsabilidade pela comunicação de um diagnóstico severo.
interpretar e esclarecer todas as transferências em jogo da equipe em relação aos seus próprios membros, na tentativa de suplementar suas atividades com mais uma tarefa.
A equipe de saúde é freqüentemente mobilizada pelo doente e seu adoecer. Nesse sentido, é tarefa do psicólogo:
trabalhar com a equipe e com o paciente, para que haja uma aliança favorável e imprescindível entre ambos.
influenciar nas condutas de todos os profissionais que integram a equipe, de forma que o modelo médico de onipotência e o conhecido "poderio médico" sejam combatidos
questionar determinados comportamentos e estilos de vida não só daqueles que adoecem mas também daqueles que tratam.
deixar-se ser atendido pelos médicos da equipe com toda confiança e interesse, pois se os médicos assistem o paciente e toda a família, poderão assistir também o psicólogo.
intervir nos atendimentos médicos, quando estes estiverem acontecendo com dificuldades por parte do profissional de medicina ou mesmo de outro serviço do hospital.
Na atuação do psicólogo em relação às famílias dos pacientes hospitalizados, cabe ao psicólogo:
deixar a família consciente de que o trabalho é feito com o paciente, não permitindo que a mesma intervenha na psicoterapia, para não prejudicar o tratamento.
por questões éticas, manter a família desinformada do trabalho, sobretudo se esse estiver se desenvolvendo com pacientes adultos.
observar de que forma a família do paciente se estrutura em torno de conflitos que dificultam a relação empática entre o terapeuta e seu paciente, responsabilizando aqueles que por ventura não estejam tomando atitudes favoráveis neste aspecto.
observar de que forma a família do paciente se estrutura em torno de conflitos que dificultam a relação empática entre o terapeuta e seu paciente, responsabilizando aqueles que por ventura não estejam tomando atitudes favoráveis neste aspecto.
dar apoio psicológico, como também tirar dúvidas a respeito da doença, dar esclarecimentos quanto a possíveis contágios e reforçar a importância de sua participação ativa na aceitação do tratamento
Do ponto de vista epistemológico, como a Psicologia Hospitalar, enquanto disciplina, incide e abre espaços criativos, introduzindo o novo no campo dos saberes e práticas psicológicas e psicanalíticas?
Não é papel da Psicologia Hospitalar introduzir questões novas no campo dos saberes e práticas psicológicas e psicanalíticas, para que uma multiplicidade de psicologias não seja criada.
No campo hospitalar, a Psicologia se voltará para uma perspectiva epistemológica sim, porém sem permitir que questões éticas passem a ocupar um lugar decisivo para ela.
Fazendo com que valores pretensamente transcendentais da moral e da epistemologia, como por exemplo o bem, o justo e o verdadeiro, sejam cada vez mais modificados na prática do psicólogo.
São os momentos de crise que levam à perda da exclusividade e da dominância do pensamento. A partir desses momentos, a Psicologia Hospitalar vai então se inserir no contexto, abrindo espaço para novos saberes, levando às disciplinas um lugar de interdisciplinaridade.
Para o saber psicológico, o novo é tudo aquilo que já existia, mas não fora ainda descoberto.
Sobre a realização de anamnese no contexto hospitalar, assinale a alternativa correta.
O termo `anamnese´, do grego "mnesis", significa "memória". Nesse sentido, o psicólogo deve considerar que não há como resgatar do paciente essa "memória", no espaço hospitalar.
Deve ser utilizada preferencialmente com pacientes de ambulatório e conduzida de forma a auxiliar no planejamento da psicoterapia e, posteriormente, como fonte de dados para a pesquisa.
O psicólogo deve estar consciente de que o contexto hospitalar é outro, bem diferenciado do contexto clínico, devendo deixar as anamneses para serem realizadas em consultórios particulares.
Para que a anamnese seja realizada de modo adequado, o psicólogo não deve deixar de interrogar minuciosamente seu paciente sobre cada item da seqüência de seu material.
Após a coleta de dados realizada com a ajuda da anamnese, o psicólogo hospitalar deve identificar a queixa principal do paciente, visto que esta será idêntica ao foco do seu trabalho.