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Certas práticas jurídicas parecem perigosamente identificar o sujeito psicológico com o sujeito de direitos, reduzindo o primeiro ao segundo e transformando certas atividades que envolvem o psicólogo em meras sanções. Com a finalidade de refletir sobre essa questão, convém citar uma das formas com que Foucault pensava a relação entre direito e norma, a saber:
há uma colonização recíproca entre as normas disciplinares e o direito, servindo este último como veículo para as primeiras.
o direito se opõe à norma, tendo o primeiro cedido lugar às disciplinas a partir das sociedades monárquicas.
a economia industrial foi crucial para o desenvolvimento das disciplinas, deslocando o direito de sua antiga função de ordenador social.
a repressão é o elemento central da dinâmica do poder agenciado pela norma e pelo direito
o direito é aquele que organiza os corpos no tempo e no espaço, mantendo a vigilância contínua sobre cada individualidade.
Com frequência, encontra-se a responsabilização da estrutura social como argumento e causa direta das perturbações mentais. Nesta concepção, existe o pressuposto de uma identidade entre os fenômenos da alienação social e da alienação mental; entretanto, eles não são idênticos e não variam apenas quantitativamente na sua abrangência. Bezerra Jr. apud Tundis e Costa (2000) considera a alienação social como:
resultado individual do modo como se organiza a sociedade
modo como cada sujeito realiza e reconhece sua produção
identificação da insubordinação do sujeito ao modelo social
consciência crítica do sujeito sobre sua produção
perturbação da organização dominante na sociedade
Dadas as afirmativas abaixo sobre a psicologia social, a qual se dedica a estudar o processo de trabalho,
I. A psicologia social do trabalho aborda temas como desemprego, vida do trabalhador fora do trabalho, saúde do trabalhador e as relações de trabalho.
II. A psicologia social do trabalho dialoga com a psicologia comunitária e com a psicologia política.
III. A questão de gênero é negligenciada pela psicologia social do trabalho.
verifica-se que está(ão) correta(s)
I, apenas.
I e II, apenas.
I e III, apenas.
II e III, apenas.
I, II e III.
A Psicologia Social dedicou grande parte de seus estudos à compreensão de processos grupais e aponta que a intermediação entre o conjunto social mais amplo e o indivíduo é feita
pelas posições pessoais.
pelos grupos sociais.
pelo mundo subjetivo do indivíduo.
pelas emoções espontâneas.
pela racionalidade difundida.
Sabe-se que, em muitos processos de Destituição do Poder Familiar, os argumentos utilizados contra as famílias de origem consistem em comparações entre esses núcleos familiares e “pais” e “mães” idealizados, sem que se problematizem as condições sociais e políticas articuladas às alegadas dinâmicas de negligência, risco ou abandono da criança. Nesses processos são usualmente solicitados estudos técnicos sobre a dinâmica familiar. Na produção desses documentos cabe ao psicólogo atentar para os seguintes Princípios Fundamentais previstos no Código de Ética Profissional do Psicólogo:
I. Basear o trabalho no respeito, promoção da liberdade, da dignidade, da igualdade e da integridade do ser humano que embasam a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
II. Trabalhar visando promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades, contribuindo para eliminação de quaisquer formas de negligência, exploração, violência, crueldade e opressão.
III. Atuar com responsabilidade social, analisando crítica e historicamente a realidade política, econômica, social e cultural.
IV. Assumir responsabilidades profissionais somente por atividades para as quais esteja capacitado pessoal, política, teórica e tecnicamente.
Assinale se:
As ações de adoção postuladas por pessoas homossexuais e por casais homoafetivos são uma realidade nas Defensorias Públicas com atribuição de Infância e Juventude. Essas configurações familiares têm sido objeto de estudos na área da Psicologia que apontam que
a ausência de modelos do gênero masculino e feminino pode, eventualmente, tornar confusa a própria identidade sexual, havendo o risco de a criança tornar-se homossexual.
a criança que vive em um lar homossexual será socialmente estigmatizada ou terá prejudicada a sua inserção social, o que lhe acarretará perturbações psíquicas.
a função parental não está contida no sexo e sim na forma como os adultos que estão no lugar de cuidadores lidam com as questões de poder, hierarquia e disciplina no relacionamento com os filhos.
a habilitação para adoção de pares homoafetivos é indicada para a consecução de adoções necessárias, a saber, de crianças mais velhas, doentes e grupos de irmãos, para os quais há poucos pretendentes.
a partir de um viés psicanalítico é correto afirmar que “função materna” e “função paterna” correspondem necessária e biunivocamente a uma mulher e a um homem.
São fundamentos da teoria de Vigotski, EXCETO:
A partir da organização linguístico-cognitiva, o pensamento se torna verbal e a linguagem racional.
As funções do desenvolvimento do indivíduo aparecem primeiramente no nível individual e depois no nível social, por meio das interações com o outro.
Pensamento e linguagem estão conectados e evoluem dinamicamente com o desenvolvimento global dos sujeitos.
As estruturas do pensamento modificam-se e encontram raízes na sociedade e na cultura.
Silvia Tatiana Maurer Lane, em sua conhecida obra Psicologia Social − o homem em movimento, afirma que a análise ideológica é fundamental para o conhecimento psicossocial pelo fato de ela determinar e ser determinada pelos comportamentos
sociais do indivíduo e pela rede de relações sociais que, por sua vez, constituem o próprio indivíduo.
morais do indivíduo e pela rede de relações sociais que, por sua vez, constituem o próprio enredo.
discursivos do indivíduo e pela rede de relações sociais que, por sua vez, constituem o próprio mundo da linguagem.
diretos do indivíduo e pela rede de relações sociais que, por sua vez, constituem o próprio método.
básicos do indivíduo e pela rede de relações sociais que, por sua vez, constituem o próprio conteúdo interno.
Segundo Serge Moscovici, a Teoria das Representações Sociais constitui, de certo modo, o coração da Psicologia Social, sendo que os fenômenos sociais que permitem identificar de maneira concreta as representações e trabalhar sobre elas, dentro das quais se elaboram os saberes populares e o senso comum, são as
ligações.
suposições.
fantasias.
previsões.
conversações.
De acordo com a teoria da aprendizagem social do psicólogo Albert Bandura, a modelagem é definida como:
a internalização inconsciente de padrões de comportamento adquiridos através de transmissão intergeracional;
a imposição assimétrica de padrões comportamentais socialmente aprovados;
a mudança de um comportamento a partir da observação do comportamento de outra pessoa;
o resultado do treinamento de habilidades sociais e de comunicação interpessoal;
a diluição da identidade determinada pela massificação da aprendizagem grupal escolar.
A família é um fato social, anterior e acima do próprio Direito, tendo em vista as suas constantes transformações. Segundo Maria Berenice Dias, “a família agora passa por um processo evolutivo de dissociação, desaparecendo a subordinação, prevalecendo a igualdade, ganhando o afeto o reconhecimento como núcleo ensejador da família moderna.” (DIAS, 2010).
Nesse contexto, passamos a identificar como entidade familiar a “família mosaico”, que é
Baptista (2010) questiona a relevância para nós, psicólogos, em trabalhar com a questão da mobilidade/imobilidade humana no estudo da subjetividade, bem como em que política sobre este tema apostamos em nossas pesquisas e qual mobilidade desejamos. De acordo com o autor, está correto afirmar que:
I. Tradicionalmente os discursos psi utilizam o argumento que caracteriza a cidade como um exterior que age na subjetividade, como se o traçado urbano não contivesse em suas linhas formas particulares de experienciar o tempo, a alteridade e a nós mesmos.
II. Muros, pavimentos, espaços vazios, grades, calçadas e a paisagem construída, longe de reduzir-se a funções necessárias da vida urbana, enunciam memórias, medos, passagens, gestos nem sempre visíveis por aqueles que os usam.
III. O movimento das metrópoles não interfere no corpo citadino, como se o corpo fosse o efeito e a recusa deste movimento; adjetiva o móvel e o imóvel na contramão do argumento que os define como criações da história.
Quais estão corretas?
Apenas III.
Apenas I e II.
Apenas I e III.
Apenas II e III.
I, II e III.
O estigma, segundo Goffman (1978), não envolve unicamente a divisão entre sujeitos normais e sujeitos estigmatizados, mas sim uma complexidade maior que diz respeito a:
um processo interativo entre o sujeito normal e o sujeito cumpridor das normas estabelecidas
um processo social de dois papéis, onde cada sujeito participa de ambos
uma interface entre o estigmatizado e o patológico
um conflito social gerado por normas cumpridas e não cumpridas
uma interação entre os papéis desempenhados pelo sujeito
Goffman (1978) descreve os símbolos de prestígio e de estigma como dados necessários à informação social sobre o sujeito. Refere-se, ainda, a outra informação que busca, de forma real ou ilusória, quebrar uma imagem estabelecida e encontrar uma direção positiva. A esta denomina:
projetores sociais
encobridores
informadores
desidentificadores
diferenciadores
“Poderes e prozacs são artefatos de uma mesma cultura em que todos os domínios da experiência humana estão sendo radicalmente alterados. Ao mesmo tempo que é possível reconstruir e remodelar corpos ao gosto do cliente, providencia-se para que sua alma seja aquietada com produtos psicofarmacológicos” (VORRABER, Marisa. A educação na cultura da mídia e do consumo. Lamparina: Rio de Janeiro, 2009, p.62).
Esses fenômenos vêm sendo estudados por diversos autores nas áreas da Psicologia Social e Psicologia Educacional
e se articulam:
aos impactos das novas mídias, ao desmonte das escolas com o espaço formador de saber e à resistência das comunidades locais diante da globalização;
à reconfiguração dos modelos familiares, aos apelos do marketing cultural e à ascensão dos discursos religiosos alternativos;
à comodificação dos sujeitos nas relações de trabalho, ao conservadorismo das famílias e à desvalorização do individualismo;
à dissolução das estruturas referenciais tradicionais, à valorização do corpo como suporte identitário e à globalização do capitalismo;
à colonização dos relacionamentos pela mídia, ao consumismo exacerbado e aos conflitos bélicos internacionais.
Jurandir Freire Costa, na análise de importantes transformações na subjetividade contemporânea, considera que o “corpo está se tornando o referente privilegiado para a construção das identidades pessoais”. Segundo Freire Costa, esse fenômeno se articula
à não superação do Édipo na cultura contemporânea e à derrocada das instâncias educativas tradicionais.
ao capitalismo globalizado que disseminou atributos físicos como modelos e ao esvaziamento da política partidária.
à proliferação do uso de drogas (lícitas e ilícitas) e ao consumismo sem limites.
ao remapeamento cognitivo do corpo físico e à invasão da cultura pela moral do espetáculo
à educação sentimental e às transformações no funcionamento familiar.
No conhecido livro “Vigiar e Punir”, Foucault reflete sobre a técnica do exame, que consistiria em uma tecnologia
do poder soberano que invisibiliza, desterritorializa e militariza.
do poder disciplinar que visibiliza, individualiza e normaliza.
do poder disciplinar que singulariza, invisibiliza e pune.
do poder fluido que controla, medicaliza e incita.
do poder soberano que normaliza, cerimonializa e pune.
A contribuição de Kurt Lewin para Psicologia Social expressa uma abordagem particular sobre a dinâmica grupal. A inovação de Lewin, criada nos estudos e experimentos com pequenos grupos, caracteriza-se pela utilização?
Do grupo como sistema p o psicosocioanalítico, no modelo freudiano.
Da dinâmica do espaço grupal e dos sistemas de força psicológicas e sociais no grupo.
Da dissonância (falta de harmonia) cognitiva interferindo na coesão grupal.
Da reflexão do espaço grupal na dinâmica do inconsciente.
Da existência do grupo como mediador necessário entre o indivíduo e o mundo.