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Do ponto de vista das estratégias de atenção aos usuários de álcool e outras drogas, o paradigma proibicionista favorece práticas tutelares, heteronômicas e violadoras de direitos amparadas no modelo médico-moral. Considerando as Referências Técnicas para a Atuação de Psicólogas/os em Políticas Públicas de Álcool e Outras Drogas (CFP, 2013), assinale a alternativa INCORRETA.
O proibicionismo e a redução de danos ensejam dois modos distintos de lidar com o “fenômeno das drogas”. Enquanto o primeiro está empenhado em reduzir a oferta e demanda por substâncias psicoativas (SPA) consideradas danosas com ações repressivas e criminalizadoras da produção, comércio e uso, o paradigma da redução de danos, por sua vez, concentra-se em enfrentar, junto com os principais envolvidos e de modo pragmático, os problemas de saúde, sociais e econômicos relacionados ao uso de substâncias psicoativas, sem avaliações ou prescrições morais sobre essas práticas.
Deve-se considerar o protagonismo dos usuários dos serviços e ativar as redes de cuidado disponíveis nos territórios.
O usuário de drogas não precisa, necessariamente, de tratamento em serviços especializados para álcool e outras drogas.
O sujeito pode não ter nenhuma questão relacionada ao seu próprio uso, mas apresentar outras demandas clínicas e subjetivas, o que torna aceitável o tratamento compulsório.
Dentre as práticas concernentes às ações de atenção no campo de álcool e drogas, os serviços de saúde mental devem levar em consideração novos parâmetros de intervenção considerando suas especificidades. Isso considerado, analise as afirmativas abaixo e assinale aquela que considerar INCORRETA.
Os serviços de Saúde Mental Infanto-Juvenil na assistência aos usuários de álcool e drogas, ao desenvolver uma práxis emancipadora, deve, entre outros, considerar eventuais encaminhamentos para os serviços da rede de proteção e a noção de território como o espaço afetivo e vivencial dos usuários.
As equipes de atenção em saúde mental devem considerar, na elaboração de suas estratégias de intervenção aos usuários de álcool e drogas, as particularidades das condições de vulnerabilidade de populações específicas, como a população de rua, de jovens, e idosos.
Pode ser papel da equipe da atenção especializada da Saúde Mental, na assistência aos usuários de álcool e drogas, a viabilização de trocas sociais em três grandes eixos no processo de reabilitação psicossocial: o habitat, vínculos com a rede comunitária e o trabalho como valor social.
Cabe às equipes na atenção básica a detecção, o tratamento, prevenção e promoção de saúde na assistência integral aos usuários de álcool e drogas no município.
São eixos de estruturação do Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas:
cuidado, prevenção e autoridade.
cuidado, prevenção e solidariedade.
cuidado, desmilitarização e autoridade.
cuidado, intervenção diretiva e autoridade.
cuidado, solidariedade e intervenção diretiva.
A respeito das estratégias de atenção aos usuários de álcool e outras drogas, assinale a alternativa correta.
O paradigma proibicionista favorece práticas tutelares, heteronômicas e violadoras de direitos.
A única meta possível é a abstinência.
A luta antimanicomial prioriza a internação compulsória e involuntária para esses casos em especial.
A partir de 2003, a política pública brasileira passa a destacar as drogas ilícitas como principal problema a ser enfrentado.
Estratégias clínicas de ações de aproximação com os usuários de drogas nas cenas de uso são proibidas.
A política de redução de danos se propõe a reduzir os prejuízos de natureza biológica, social e econômica do uso de drogas, pautada no respeito ao indivíduo, mas não no seu direito de consumir drogas.
Certo
Errado
Os familiares de dependentes químicos sofrem com efeito prejudicial sobre as suas vidas. Destarte, devem fazer parte do tratamento para reduzir o estresse de todos os membros, melhorar o enfrentamento, por meio da combinação de educação, treinamento e habilidade em solucionar problemas.
Certo
Errado
Pedro, com 19 anos de idade, estava sem contato com a família há mais de dois anos. Sua irmã, Mariana, o encontrou perdido numa zona de usuários de drogas no centro da cidade de Goiânia. Ele está totalmente entregue ao uso de crack, sendo que sua saúde se mostra muito debilitada. Nesse cenário, é certo afirmar que:
Pedro só poderá ser internado compulsoriamente se a família o interditar, uma vez que a legislação em vigor não autoriza a internação compulsória de quem teoricamente se encontra capaz para os atos da vida civil.
Os usuários de droga não são considerados pessoas com transtornos mentais pela legislação em vigor e dessa forma Mariana nada pode fazer para ajudar seu irmão, caso ele não se mostre conivente com isso.
A internação de Pedro, em qualquer de suas modalidades, só será indicada quando os recursos extra hospitalares se mostrarem insuficientes e por isso Mariana terá à sua disposição a rede pública de saúde para ampará-lo antes de requerer sua internação.
A lei só autoriza internação compulsória para os menores de 12 anos, e, assim, como Pedro já atingiu a maioridade, sua internação apenas se dará com seu consentimento.
Petuco (2019) relata que a redução de danos (RD), estratégia de cuidado em saúde dirigida a pessoas que usam álcool e outras drogas, não posiciona a abstinência como único objetivo do cuidado. A RD tornou-se conhecida pelas terapias de substituição e pela oferta de seringas esterilizadas para evitar infecções sanguíneas, como aids e hepatites virais. Foi nesta última forma que a RD chegou ao Brasil, em 1989, na cidade de Santos, e sofreu forte oposição por parte de setores da justiça e da segurança pública, mas sem causar mais controvérsias entre trabalhadores e pesquisadores do campo da saúde. Analise as afirmativas abaixo e verifique se são verdadeiras (V) ou falsas (F).
( ) A redução de danos foi, ao longo dos anos, se tornando uma estratégia de produção de saúde alternativa às estratégias pautadas na lógica da abstinência, incluindo a diversidade de demandas e ampliando as ofertas em saúde para a população de usuários de drogas.
( ) A diversificação das ofertas em saúde para usuários de drogas sofreu significativo impulso quando, a partir de 2003, as ações de RD deixaram de ser uma estratégia exclusiva dos Programas de DST/aids e se tornaram uma estratégia norteadora apenas da Política de Saúde Mental.
( ) Por paradigma da abstinência, entende-se uma rede de instituições que define uma governabilidade das políticas de drogas e que se exerce de forma coercitiva, na medida em que faz da abstinência a única direção de tratamento possível, submetendo o campo da saúde ao poder jurídico, psiquiátrico e religioso.
( ) A guerra às drogas, no Brasil, fortemente influenciada pelas políticas norte-americanas desde meados do século passado, perpetua uma série de consequências sociais e segrega os mais pobres e os negros, que preenchem os espaços já superlotados do aparato penitenciário.
A opção que considera a sequência correta é:
F, V, F, V.
V, F, V, F.
V, F, F, F.
V, F, V, V.
F, V, F, F.
A política de redução de danos fez 32 anos, desde que se realizou o primeiro programa de troca de seringas para usuários de drogas injetáveis, em 1989, no município de Santos (SP). Ela implica em um conjunto de estratégias que visam reduzir os efeitos negativos do uso de drogas, sem a necessidade de abstinência, respeitando-se o direito desses cidadãos ao cuidado à saúde. (Fonte: Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz, 2019).
Diante do exposto, aponte qual das alternativas está CORRETA sobre política de Redução de Danos.
Apesar de uma política inovadora, ela é questionada por parte da população, pois não garante, com sua proposta, o tratamento para o abandono do uso de drogas por parte dos usuários.
Pela política de Redução de Danos, a equipe em questão deve fazer a triagem para um seguido encaminhamento do usuário para os programas da rede de atenção primária em saúde mental.
O programa de Redução de Danos indica a participação ativa das pessoas envolvidas em todo processo de elaboração e execução dos projetos de cuidado.
O programa de Redução de Danos é um serviço prestado pelo Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPSad), como parte do conjunto de seus procedimentos destinados ao tratamento da intoxicação/ abstinência decorrente do uso abusivo de álcool e de outras drogas.
A estratégia de Redução de Danos – RD – nas políticas de saúde e socioassistenciais possibilitou o desenvolvimento de práticas para o cuidado integral dos usuários de álcool e drogas nos Centros de Atenção Psicossocial, nos Consultórios da Rua e em outros dispositivos em atenção social. Essa estratégia de atendimento
cria dificuldades para o acolhimento dos usuários de substâncias, porque favorece que sejam discriminados e excluídos.
depende de uma articulação sólida entre os diversos serviços que atuam para o recolhimento e a internação dos usuários de substâncias.
preconiza que a abstinência é a pré-condição e a meta de um atendimento capaz de garantir os direitos dos usuários de substâncias.
afirma que a indicação de abstinência nos tratamentos de usuários de substâncias é inaceitável, pois constitui violação de direitos.
concebe que a interrupção do uso de substâncias pelos usuários é uma decisão clínica, pois não é uma prescrição que atende a todos os casos.
O objetivo geral do tratamento de dependência química é acolher e dar suporte aos pacientes enquanto são treinados no desenvolvimento de habilidades sociais e de enfrentamento de situações de risco.
Certo
Errado
São ações de redução de danos sociais e à saúde, decorrentes do uso de produtos, substâncias ou drogas que causam dependência:
Educação e aconselhamento - Disponibilização de insumos de proteção à saúde e de prevenção ao HIV/Aids e Hepatites - Estabelecer iniciativas relacionadas ao consumo de bebidas alcoólicas.
Informação - Disponibilização de insumos de proteção à saúde e de prevenção ao HIV/Aids - Assistência social e à saúde.
Aconselhamento - Definir que as ações de redução de danos devem ser desenvolvidas em todos os espaços de interesse público em que ocorra ou possa ocorrer o consumo de produtos, substâncias ou drogas que causem dependência, ou para onde se reportem os seus usuários - Disponibilização de insumos de proteção à saúde e de prevenção ao HIV/Aids e Hepatites.
Disponibilização de insumos de proteção à saúde e de prevenção ao HIV/Aids e Hepatites - Definir que as ações de redução de danos devem ser desenvolvidas em todos os espaços de interesse público em que ocorra ou possa ocorrer o consumo de produtos, substâncias ou drogas que causem dependência, ou para onde se reportem os seus usuários.
Informação, educação e aconselhamento - Assistência social e à saúde - Disponibilização de insumos de proteção à saúde e de prevenção ao HIV/Aids e Hepatites.
Antonio Lancetti, no livro “A clínica Peripatética” (2006), toma a redução de danos (RD) como ampliação da vida. Para o autor, RD é uma política e uma prática de saúde pública definidas como uma série de procedimentos destinados a atenuar as consequências adversas do consumo de drogas. Ainda sobre a RD, o autor afirma que:
Está fundamentada numa ideia muito simples: majorar o efeito deletério do consumo de drogas.
Como política, é convergente à política predominante de combate às drogas, fundamentada na criminalização, com o objetivo de eliminá-las.
Como prática de saúde pública, está em franca sintonia com todas as experiências sanitárias que buscam a defesa da vida.
Tal prática é bastante recente, tendo início em 2010, quando o crack apareceu, de maneira devastadora, nas cidades brasileiras.
Ao se trabalhar na perspectiva da RD, o trabalhador de saúde acaba por se posicionar mais do lado do traficante do que do policial e da vida.
Com referência a tratamento, prevenção e manejo da dependência do álcool e de outras drogas, julgue os seguintes itens.
I São fundamentais ações de redução da demanda, com atuação intersetorial por meio de políticas de prevenção do uso de drogas.
II Para o controle e a redução da oferta de drogas e afins, têm-se ações relativas às políticas de saúde, educação e assistência.
III Estratégias de tratamento devem fundamentar-se em redução de danos, suporte social, prevenção e promoção de saúde.
IV As políticas de combate ao uso de drogas só serão efetivas se resultarem de ações e intervenções integradas.
Estão certos apenas os itens
I e II.
I e III.
II e IV.
I, III e IV.
II, III e IV.
Na visão da Organização Mundial de Saúde, a dependência química deve ser tratada como
uma questão específica da relação de uma cultura com a droga em questão.
um problema de natureza tanto social quanto psicológica.
um transtorno psiquiátrico de fundo psicológico.
uma doença médica crônica e, simultaneamente, um problema social.
um transtorno psiquiátrico secundário a uma problemática social.
Naquilo que se refere às políticas sobre drogas, em 2019 foi lançado pelo Conselho Federal de Psicologia a Cartilha de Referências Técnicas para atuação do Psicólogo em Políticas Públicas de Álcool e outras Drogas. Com relação à atenção psicossocial, redução de danos e protagonismo dos usuários é CORRETO afirmar que:
A estratégia da redução de danos, afirma a autonomia, o diálogo e os direitos das pessoas que fazem uso de substâncias psicoativas, sem recorrer a julgamentos morais ou práticas criminalizadoras e punitivas. No contato dos agentes redutores de danos com os usuários de drogas é construído um espaço de corresponsabilização e vínculo.
É aceitável que a abstinência seja, ao mesmo tempo, a pré-condição e a meta a ser atingida pelos usuários de drogas para que seus direitos sejam garantidos. A interrupção do uso de substâncias psicoativas é, em muitas situações, um passo não só necessário como desejável para diminuir os agravos à saúde.
A interrupção do uso é uma decisão clínica e precisa ser feita de modo referenciado, pois é uma prescrição geral que serve para todos os casos. Assim, as estratégias de redução de danos excluem a abstinência como uma direção clínica que precisa ser negociada com a pessoa que faz uso de determinada substância lícita (álcool, tabaco) ou ilícita (maconha, cocaína, crack, ecstasy etc.).
Cabe aos profissionais da Psicologia, envolvidos na equipe profissional, uma forma de julgamento ou censura moral aos comportamentos dos indivíduos, seja com relação ao uso de substâncias psicoativas ilícitas ou a condutas antagônicas à moral e costumes tidos como aceitáveis. O papel dos profissionais é exatamente o de acessar um segmento que muitas vezes está à margem da rede de saúde e social por temer o estigma e a rejeição. A aceitação de cada um destes usuários como sujeitos e o respeito ao lugar que ocupam socialmente confere às abordagens de redução de danos a possibilidade de construção de um vínculo de confiança, base sobre a qual se desenvolverá o trabalho.
Joana é uma jovem saudável de 28 anos de idade que, para não adoecer, adota uma dieta balanceada, não fuma e pratica atividades físicas diariamente. Ela nunca apresentou doença grave. Maria tem 30 anos de idade, nunca teve doença grave, é tabagista, adiciona sal extra às suas refeições, ingere fritura com frequência e é sedentária. Após ter sido diagnosticada com hipertensão arterial sistêmica, Maria, muito assustada com a notícia, expressou sua decisão de mudar suas condutas conforme orientação médica, para manter sua pressão arterial o mais estável possível.
Considerando essa situação hipotética, assinale a opção correta.
O comportamento de Joana caracteriza a prevenção secundária contra doenças cardiovasculares, pois ela adota condutas que minimizam a ação de fatores controláveis causadores dessa doença.
De acordo com o modelo transteórico de Prochaska, a decisão de Maria de mudar seus comportamentos inadequados caracteriza a fase de ação.
Depois de iniciar consultas, realizar exames prescritos e mudar comportamentos de risco, Maria terá iniciado o processo de reabilitação em saúde.
Nem Joana nem Maria realizam prevenção terciária para suas condições de saúde.
Os comportamentos adotados por Joana e planejados por Maria são indicados em todos os níveis de prevenção, exceto no caso de doença grave e avançada, pois nessa situação já não há mais forma de prevenção.
No Brasil, afirma-se que a política de redução de danos, no contexto do abuso de substância,
alinha-se aos princípios gerais definidos pela guerra às drogas.
entende que nem toda relação do homem com as drogas é problemática.
considera drogas recreativas como porta de entrada para o abuso de substância.
concebe o consumo de drogas como indicador, antes de tudo, de fragilidade moral.
define um protocolo de medidas preventivas de eficácia comprovada a ser implantado na atenção básica.
Analise as afirmativas a seguir:
I. A redução de danos é uma estratégia de tratamento da dependência química que pode ser definida como um olhar pragmático para a redução dos prejuízos associados ao consumo de substâncias. Seu espectro de ação vai desde a abordagem do dependente que não deseja reduzir seu consumo, passando pelas estratégias para lidar com a redução do consumo, até chegar às formas de lidar com a abstinência.
II. O tamanho ideal para um típico grupo orientado para a interação interpessoal é de 7 ou 8 membros, e certamente, não mais do que 10. Um número muito pequeno de membros não oferecerá a massa crítica necessária de interações interpessoais. Já em um grupo com mais de 10 membros, haverá uma interação ampla e produtiva, mas alguns membros serão deixados de fora: não haverá tempo suficiente para examinar e compreender todas as interações de cada um dos membros.
III. Por intermédio da avaliação, os psicólogos buscam informações que os impeçam de responder questões sobre o funcionamento psicológico das pessoas e suas implicações. Em geral, essas avaliações são realizadas individualmente e exigem do profissional o uso de alguma ferramenta ou instrumento de apoio, como um questionário
Marque a alternativa CORRETA:
Nenhuma afirmativa está correta.
Apenas uma afirmativa está correta.
Apenas duas afirmativas estão corretas.
Todas as afirmativas estão corretas.
No tratamento da dependência química, as estratégias de redução de danos
pressupõem a interrupção imediata do uso da droga em questão pelo usuário, exceto analgésicos.
envolvem abordagens padronizadas que têm se mostrado eficientes no combate à drogadição.
priorizam as intervenções nas comunidades, por considerar a drogadição como problema social.
procuram levar em conta a relação específica de cada indivíduo com a substância que consome.
limitam-se à prevenção de riscos de transmissão de doenças associados ao uso de drogas injetáveis.