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Joana foi encaminhada por seu médico psiquiatra a um psicólogo pois estava apresentando alguns sintomas físicos muito intensos, como: taquicardia, sudorese, tontura e náusea. Esses sintomas apareciam nos momentos em que ela pensava sobre a sua saúde, sobre a segurança da sua família e sobre sua vida financeira. Ela dizia não conseguir parar de pensar nessas coisas diariamente, mas também considerava isso positivo, pois assim poderia se precaver caso o pior pudesse vir a acontecer. Diante desta descrição, de acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR) (APA, 2022), Joana poderia ter recebido dos profissionais de saúde mental que a acompanharam o diagnóstico de:
transtorno de ansiedade generalizada e transtorno de pânico.
transtorno depressivo maior com ataques de pânico.
transtorno de ansiedade generalizada com ataques de pânico.
transtorno de estresse pós-traumático e transtorno de pânico
transtorno de estresse agudo e transtorno de pânico.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS, 2022), um transtorno mental pode ser caracterizado por uma perturbação clinicamente significativa na cognição, regulação emocional ou comportamento de um indivíduo. Geralmente, está associado a angústia ou prejuízo em áreas importantes de funcionamento. Com base nesse conceito, assinale a afirmativa incorreta.
A etiologia dos transtornos mentais deve considerar, principalmente, fatores genéticos em detrimento de outros fatores.
A etiologia dos transtornos mentais deve considerar, principalmente, fatores sociais em detrimento de outros fatores.
A etiologia dos transtornos mentais deve considerar, principalmente, fatores biopsicossociais.
A etiologia dos transtornos mentais deve considerar, principalmente, fatores inconscientes em detrimento de outros fatores.
De acordo com as disposições da Lei nº 10.216/2001, analise as sentenças a seguir, assinalando a alternativa que contém as sentenças verdadeiras.
I. Apesar dos avanços da lei, ela permite ainda a internação de pacientes portadores de transtornos mentais em instituições com características asilares.
II. A internação só È indicada se os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes.
III. O regime de internação deve oferecer assistência integral à pessoa portadora de transtornos mentais, incluindo serviços médicos, assistência social, psicológica, ocupacional e atividades de lazer.
Apenas a I é correta.
II e III são corretas.
I e III são corretas.
Apenas a III é correta.
I, II e III estão corretas.
A Prática Psicológica Baseada em Evidências (PPBE) inspirou-se no movimento da Medicina dos anos 1990, Medicina Baseada em Evidências, que surgiu da Epidemiologia Clínica anglo-saxônica. Com base nessa relação da PPBE com a Epidemiologia, assinale a alternativa CORRETA.
A busca de evidências científicas que sustentem a PPBE tem como objetivo à prevenção, para que seja evitado ou reduzido o sofrimento psíquico decorrente do prolongamento ou do agravamento dos distúrbios psíquicos.
A Medicina Baseada em Evidências, que surgiu da Epidemiologia, tem que seu objeto é quantitativo, emergindo relações numéricas entre eventos, processos e fenômenos.
A epidemiologia é fundamental para psicologia baseada em evidências, pois indica as áreas da saúde que são prioritárias para a intervenção, baseados nos indicadores epidemiólogicos.
A PPBE presume uma ou mais decisões clínicas, que devem ser feitas em unicamente pelo profissional adequado para isso.
Sobre as diferentes perspectivas acerca do sofrimento psíquico e dos sintomas decorrentes dele, assinale a alternativa correta.
A Psicanálise considera os sintomas como um sinal de distúrbio orgânico, de origem endógena, que leva a alterações do comportamento, da afetividade e do pensamento.
Para a Psiquiatria Clássica, o que distingue o normal do anormal é uma questão de grau, e não de natureza. Todas as manifestações de neurose possuem sua origem em vivências e situações conflitantes que ocorreram na vida infantil.
A Psiquiatria Social questiona as abordagens clássicas da doença mental, mas não nega a existência das doenças. Nessa abordagem, a doença seria um produto da interação dos níveis psicológico e sociológico.
A Antipsiquiatria consiste em uma negação radical da Psiquiatria Clássica e considera que a doença mental tem origem nas relações e no ambiente social e político.
Para a Psicologia Jungiana, a causa dos sintomas está nas crenças centrais formuladas ao longo da vida do indivíduo.
Amarante (2013) aponta para a necessidade de serviços de atenção psicossocial que possibilitem o acolhimento das pessoas em crise nos quais todas as pessoas envolvidas possam ser ouvidas, expressando suas dificuldades, temores e expectativas. É importante que sejam estabelecidos vinculas afetivos e profissionais com essas pessoas. Dessa forma, na saúde mental e atenção psicossocial, o que se pretende é uma rede de relações entre:
médico-paciente.
médico-doença.
sujeitos que cuidam-sujeitos em crise.
profissionais de saúde-usuários.
sujeitos que escutam e cuidam-sujeitos que vivenciam problemáticas.
De acordo com a legislação, que dispõe acerca da proteção e dos direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental, assinale a alternativa correta.
A internação psiquiátrica pode ser realizada sem laudo médico circunstanciado que caracterize os seus motivos.
A internação psiquiátrica somente será realizada mediante laudo médico circunstanciado que caracterize os seus motivos.
A internação voluntária é aquela que se dá sem o consentimento do usuário.
A internação involuntária é aquela que se dá com o consentimento do usuário e a pedido de terceiro.
A internação compulsória é aquela determinada pela família.
Conforme especificado por José Bleger, o fato que caracteriza a relação entre os transtornos mentais e a dinâmica do grupo familiar no plano de uma absorção massiva do indivíduo no intragrupo, com forte clivagem intra-extragrupo, sem interação de ambos é
a simbiose patológica
a dinâmica dissociativa
a simbiose esquizotípica
a dinâmica egocentrada
a simbiose de confronto
Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que fazem parte da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) na Política Nacional de Saúde Mental do Ministério da Saúde, constituem-se como uma estratégia de atenção psicossocial ao sujeito com sofrimento psíquico, proporcionando acolhimento e escuta por meio de um trabalho de equipe, envolvendo profissionais e familiares numa estrutura mais flexível, diferente do modelo asilar que havia antes da reforma psiquiátrica.
Nessa perspectiva, analise as afirmativas a seguir.
I. Os CAPS devem ser espaços flexíveis, constituindo-se como serviços de caráter aberto e comunitário no qual o foco do trabalho da equipe multiprofissional seja o sujeito e não a “doença”, buscando-se um atendimento humanizado.
II. Os serviços de atenção psicossocial devem se articular com todos os recursos no campo da saúde mental, como cooperativas, residências terapêuticas e outros da Rede de Atenção Psicossocial.
III. O princípio da intersetorialidade na atenção psicossocial implica em estratégias que perpassem vários setores tanto no campo da saúde mental, como saúde em geral, políticas públicas e sociedade como um todo.
IV. Os serviços de atenção psicossocial ofertam atendimento às pessoas com sofrimento psíquico, incluindo aquelas com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas, em sua área territorial, seja em situações de crise ou nos processos de reabilitação psicossocial.
Estão corretas as afirmativas
I e IV, apenas.
I e III, apenas.
II e IV, apenas.
I, II, III, e IV.
No que se refere à intersetorialidade relacionada à saúde mental, dizemos ser INCORRETO colocar entre suas diretrizes a(o)
promoção da equidade, reconhecendo, assim, os determinantes sociais da saúde do usuário.
combate a estigmas e preconceitos entre os usuários e destes com a população em geral
desenvolvimento de uma atenção humanizada e centrada nas necessidades das pessoas.
promoção de estratégias de educação disciplinar direcionadas a institucionalização legal.
desenvolvimento contínuo e permanente de estratégias veiculadas À Redução de Danos.
As dificuldades socioeconômicas representam importante fator de adoecimento, tanto físico quanto mental, na comunidade acadêmica, e o psicólogo não deve ficar alheio a essa realidade.
Certo
Errado
Entre os materiais produzidos para debater os aspectos teóricos e metodológicos das vertentes de pensamento no campo da saúde mental e do trabalho, alguns argumentam que, apesar das diferenças entre modelos teóricos e conceituais, existe concordância sobre o impacto que isso tem no âmbito do estudo. Atente-se à descrição deste modelo relevante: seleciona, como elementos principais, a organização do trabalho e o sofrimento psíquico, logo torna proeminente o relato das vivências dos próprios trabalhadores com sua exposição sobre o trabalho, as emoções, sentimentos e reações por ele provocados. Ainda, nesta abordagem o sofrimento mental foi adotado como categoria de análise para demarcar um campo de investigação distinto dos modelos que adotam a doença mental como objeto superior de análise. Descreve-se o modelo ou abordagem conhecido como:
Teoria do estresse ocupacional.
Ergonomia laboral.
Psicodinâmica do trabalho.
De base diagnóstica.
De base epidemiológica.
Para Amarante (2007), a saúde mental não se restringe apenas à psicopatologia ou à semiologia dos transtornos mentais. Rompendo com o modelo teórico conceitual vigente anteriormente, buscou-se a construção de uma nova imagem social dada à loucura e ao sujeito “em sofrimento” a partir da reforma psiquiátrica. Os serviços de saúde mental passaram então a lidar mais com pessoas e não com doença.
Nesse sentido, são estratégias e princípios no campo da saúde mental e atenção psicossocial, apontados por Amarante, exceto:
Ampliação de leitos psiquiátricos em hospitais para internação.
Apoio das cooperativas, centros de convivência e empresas sociais.
Atenção primária em saúde, tendo como foco a saúde da família.
Estratégias de residencialidade e emancipação dos sujeitos.
Ainda que muitos usuários acompanhados pelo CAPS tenham dificuldade de empregabilidade, o trabalho continua sendo uma questão sobre a qual as equipes precisam se debruçar para a composição de Projetos Terapêuticos; no entanto, Silva e Ramminger (2014) em seu artigo intitulado “O trabalho como operador de saúde”, aponta condições específicas para que o trabalho se apresente de forma positiva, uma delas é:
Engessando oferta e demanda.
Separando quem produz do que é produzido.
Acomodando trabalhadores de modo que repitam sempre o mesmo processo.
Dando lugar à criação coletiva e individual.
Suprimindo hierarquias.
Considerando o processo de reestruturação da assistência em saúde mental, em andamento no Brasil, é INCORRETO afirma que se oriente pela
produção das reflexões críticas que provocaram uma ruptura epistemológica.
mobilização dos trabalhadores de saúde no cotidiano de suas práticas institucionais e nas universidades.
politização das questões em saúde mental, especialmente na luta contra as instituições psiquiátricas.
reestruturação do modelo hospitalocêntrico, preservando-se as condições de trabalho e tratamento psiquiátrico.
conquista de mudanças configurada em normas legais e na busca da produção de efeitos no campo sociocultural.
As tecnologias utilizadas no cuidado ofertado pelos CAPS, em sua maioria têm na relação entre os indivíduos e na garantia de direitos, boa parte do seu investimento. Portanto, a utilização de poucos recursos materiais é uma marca desses serviços pelo Brasil, com exceção para uma ampla quantidade de medicamentos. No entanto, o investimento crescente em materiais para a realização de oficinas no interior dessas unidades é premente, segundo Tavares (2003), pois a partir deles é possível
estabelecer comunicações não verbais.
realizar a decoração das unidades.
melhorar a ambiência dos espaços ocupados.
produzir obras de qualidade.
contribuir com a cogestão dos CAPS.
O CAPS I é um ponto da Rede de Atenção Psicossocial indicado para Municípios com população acima de vinte mil habitantes. Dentre suas atribuições está:
A separação de pessoas que fazem uso prejudicial de álcool e outras drogas.
O atendimento a crianças com transtorno mental grave e persistente.
O Centro de Convivência.
O funcionamento 24 horas.
A realização de hemograma completo.
No âmbito das políticas públicas de Saúde Mental, a internação, em qualquer de suas modalidades, só será indicada quando
a pessoa não puder responder por si.
o usuário de droga estiver em situação de rua.
os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes.
o médico informar ao CAPS.
não existir CAPS AD em um município com população superior a 20 mil habitantes.
Embora durante muito tempo, o campo da Saúde Mental tenha deixado de atentar para estados corporais como algo relevante para o cuidado integral, historicamente, ele é composto por um paradigma originário do programa DST/AIDS, que passou a fundamentar ações voltada para pessoas em uso abusivo de álcool e outras drogas. Tal paradigma é:
O monitoramento
A monogamia
A Redução de Danos
Narcóticos Anônimos
Abstinência
A formação de grupos compondo as agendas dos serviços de saúde mental é estabelecida como ponto consensual entre os diversos estudiosos da Atenção Psicossocial. Um dos argumentos abordados na defesa da importância dos grupos de psicóticos feita por Lancetti (1993), é que:
Pessoas psicóticas têm direito de se divertir coletivamente, tendo em vista seu isolamento amplamente incentivado ao longo da história.
A partir dos grupos se pode atender mais pessoas em menos tempo, reduzindo o gasto público com a assistência a esse grupo.
Psicóticos têm habilidades artísticas mais desenvolvidas, e a percepção disso aumenta a autoestima deles.
Receber em grupo pessoas com transtorno mental grave, treina coordenação para posterior replicação no âmbito da família.
A produção de subjetividade não se pode entender sem processos coletivos serem considerados como componente da subjetivação.