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Os psicólogos da saúde devem defender políticas públicas que promovam a justiça social, os direitos humanos e a igualdade no acesso a tratamentos de saúde, além de atuarem nelas. Sobre a relação da psicologia com o Sistema Único de Saúde (SUS), como proposta por Benevides (2005), assinale a alternativa incorreta.
Discute-se a relação da Psicologia com o SUS tomando-se como ponto de partida uma crítica à separação entre clínica e política fortemente presente na formação e na prática profissional dos psicólogos.
Indicam-se três princípios para a construção de políticas públicas em saúde: o da inseparabilidade; o da autonomia e da corresponsabilidade; e o da transversalidade.
Constata-se que a contribuição da Psicologia no SUS pode estar no entrecruzamento do exercício dos três princípios para a construção de políticas públicas em saúde.
Conclui-se que pensar e fazer políticas de saúde exige criação de espaços de contratualização entre os diversos atores que compõem as redes de saúde, em que a Psicologia pode fazer intercessão.
Indica-se a urgência na criação de dispositivos que deem suporte à Psicologia, desconsiderando o jogo de conflito de interesses, desejos e necessidades dos diferentes atores que compõem a rede de saúde.
O termo acessibilidade possui um sentido multidimensional e um caráter social e político no âmbito do SUS. O termo “Acessibilidade Oportuna” refere-se à
disponibilidade, sensibilidade e atenção ao estado de sofrimento.
distribuição e integração dos serviços e da rede intersetorial.
reduzida colaboração entre o setor da saúde e o setor da justiça.
especificação de critérios seletivos e hierarquização da demanda.
alta exigência que o usuário deve cumprir para ter acesso ao tratamento.
"Reunir-se-á a cada quatro anos com a representação dos vários segmentos sociais, para avaliar a situação de saúde e propor as diretrizes para a formulação da política de saúde nos níveis correspondentes, convocada pelo Poder Executivo ou, extraordinariamente, por esta ou pelo Conselho de Saúde". Qual o nome da instância de controle social descrita na Lei Nº 8.142, de 28 de dezembro de 1990?
Conselho de Saúde.
Conselho Nacional de Secretários de Saúde - CONASS.
Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde - CONASEMS.
Conferência de Saúde.
Segundo as Referências Técnicas para Atuação de Psicólogas(os) nos serviços hospitalares do SUS (2019) no campo da saúde, e particularmente na formulação de políticas e prestação de serviços de atenção e cuidado, conhecer a diversidade cultural dos povos representa um dispositivo disparador de alternativas e possibilidades, para auxiliar na solução de problemas e no atendimento das demandas da população. Com base nesta premissa, analise as afirmativas seguintes e assinale (V) para verdadeira e (F) para falsa:
( ) A desqualificação do saber popular pelo saber técnico gera enorme desgaste, despotencializando os usuários, levando-os a desacreditar no sistema de saúde.
( ) Há muitos grupos que conseguem ser acessados e cuja adesão ao serviço de saúde pode ser promovida através de manifestações culturais. Particularmente nos trabalhos voltados à saúde mental, é bastante comum o uso do teatro, dança, música e artesanato, como produtores de vínculos e restabelecimento de coesão social e comunitária.
( ) Para realizar o trabalho em saúde é importante que haja, principalmente, reconhecimento do saber técnico dos trabalhadores, compreendidos como principais agentes do cuidado, secundarizando-se os saberes dos usuários, com base em seus contextos de vida.
( ) No campo da Saúde Mental, a apropriação da noção de diversidade cultural representa ainda uma ruptura com caráter de resistência ao processo de medicalização/psiquiatrização que ocorre na área, pois significa que nem tudo o que é diferente, diverso ou desviante é patológico, tanto no aspecto das diversidades coletivas quanto individuais.
A sequência correta é
V, V, F e V.
F, V, V e V.
F, V, F e V.
V, F, V e V.
V, V, F e F.
De acordo com as Referências Técnicas para atuação de psicólogas(os) nos Programas e Serviços de IST/HIV/aids, é consenso que os Programas de IST/HIV e Aids não podem ser dissociados de outras ações do setor público, incluindo-se as do próprio setor de saúde. As ações relacionadas com a gestão do trabalho devem, portanto, ser pautadas por princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) abaixo descritos, EXCETO:
a integralidade e a interdisciplinaridade das ações, a partir das quais compreende-se que o Estado precisa garantir ao cidadão uma concepção ampliada de saúde (incluindo-se ações de prevenção e promoção da saúde).
a universalidade da atenção, princípio por meio do qual a saúde é entendida como direito de todas e todos os cidadãos.
a centralização das ações, a fim de organizar o número de atores institucionais envolvidos na responsabilização das ações do SUS.
a participação e o controle social, com o objetivo de garantir a participação da sociedade no cotidiano dos serviços e na formulação do SUS em todos os níveis da política.
a regionalização e hierarquização, com objetivo de organizar os equipamentos e serviços disponíveis, conforme a complexidade e o grau de especificidade das demandas por saúde nos territórios.
Sabemos que saúde é direito de todos e dever do estado. Deste modo, ela foi reconhecida pela Constituição da República Federativa do Brasil em 1988. A partir desse reconhecimento, qual Sistema foi organizado voltado às ações e serviços públicos de saúde no país?
CAPS - Centro de Atenção Psicossocial.
UBS - Unidade Básica de Saúde.
SUS - Sistema Único de Saúde.
Serviço Social.
Segundo a Lei nº 8.080, de 19 de Setembro de 1990, estão incluídas no campo de atuação do Sistema Único de Saúde (SUS) a execução de ações de vigilância sanitária, de vigilância epidemiológica, de saúde do trabalhador, e de assistência terapêutica integral. Acerca desses campos de atuação, marque a alternativa INCORRETA.
Entende-se por vigilância epidemiológica um conjunto de ações que proporcionam o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes não mais que da saúde coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos.
Vigilância sanitária é um conjunto de ações capaz de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde, abrangendo o controle de bens de consumo que, direta ou indiretamente, se relacionem com a saúde, compreendidas todas as etapas e processos, da produção ao consumo.
A saúde do trabalhador corresponde ao conjunto de atividades que se destina, através das ações de vigilância epidemiológica e vigilância sanitária, à promoção e proteção da saúde dos trabalhadores, assim como visa à recuperação e reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de trabalho.
A avaliação do impacto que as tecnologias provocam à saúde faz parte do campo de atuação da saúde do trabalhador.
Com base nas Referências Técnicas para Atuação de Psicólogas(os) nos serviços hospitalares do SUS (2019), considere as afirmativas abaixo:
I. O trabalho da(o) psicóloga(o) em hospitais do SUS se insere na chamada Atenção Terciária ou Atenção de Alta Complexidade ou alta densidade tecnológica.
II. É importante destacar que historicamente no Brasil o cuidado hospitalar seguiu o modelo biomédicohegemônico, centrado em procedimentos tecnológicos que produziam uma atenção fragmentada, desarticulada e organizada, em função da demanda espontânea. Tal modelo provocou, ao longo de décadas, o empobrecimento da dimensão cuidadora, gerando insatisfação dos usuários.
III. A Clínica Ampliada é um modelo de atenção à saúde que tem ganhado cada vez mais espaço nas instituições públicas e privadas. Ela é baseada no conceito de saúde integral, que vê a qualidade de vida como o resultado de fatores biopsicossociais. Outro pilar do modelo é integrar a equipe de profissionais de diferentes áreas na busca de um cuidado e tratamento, de acordo com cada caso, criando, assim, vínculo e diálogo com os usuários.
IV. Pensar na promoção e recuperação da saúde no âmbito do SUS requer da(o) psicóloga(o), além de competência técnica, um compromisso ético e participação cidadã, com atenção especial às lutas pela mudança das condições sociais da população brasileira, através de participação política, para a garantia dos direitos da população, tendo como horizonte de atuação a defesa do SUS. São condizentes com as discussões apresentadas nas Referências Técnicas para Atuação de Psicólogas(os) nos serviços hospitalares do SUS (2019)
I, II, III, somente.
I, II, III e IV.
I, II, somente.
III, IV, somente.
II, III, IV, somente.
Analise as proposições e marque a opção CORRETA.
I. O Pacto pela Vida é o compromisso entre os gestores do SUS em torno de prioridades que apresentam impacto sobre a situação de saúde da população brasileira. A definição de prioridades deve ser estabelecida por meio de metas nacionais, estaduais, regionais ou municipais. Prioridades estaduais ou regionais podem ser agregadas às prioridades nacionais, conforme pactuação local.
II. O Pacto em Defesa do SUS deve firmar-se através de iniciativas que busquem: 1) a despolitização da saúde, como um movimento que retoma a Reforma Sanitária Brasileira aproximando-a dos desafios atuais do SUS; 2) a promoção da cidadania como estratégia de mobilização social tendo a questão da saúde como um direito; 3) o financiamento de acordo com as necessidades do Sistema.
III. O pacto em Defesa do SUS objetiva discutir o sistema a partir dos seus princípios fundamentais. Repolitizar o debate em torno do SUS, para reafirmar seu significado e sua importância para a cidadania brasileira, retomando seus princípios declarados na Constituição Federal. O SUS é parte do processo democrático do país e tem como primeira finalidade a promoção e efetivação do direito à saúde. Embora esse propósito muitas vezes seja desvirtuado por interesses diferentes, é fundamental que a sociedade compreenda a importância da política pública para a efetivação dos seus direitos.
IV. A regionalização é uma diretriz do Sistema Único de Saúde e um eixo estruturante do Pacto de Gestão e deve orientar a descentralização das ações e serviços de saúde e os processos de negociação e pactuação entre os gestores. Os principais instrumentos de planejamento da regionalização são o Plano Diretor de Regionalização – PDR –, o Plano Diretor de Investimento – PDI – e a Programação Pactuada e Integrada da Atenção à Saúde – PPI.
Somente as proposições I,II e III estão corretas.
Somente as proposições I,II e IV estão corretas.
Somente as proposições II,III e IV estão corretas.
Somente as proposições I,III e IV estão corretas.
Todas as proposições estão corretas.
Segundo a Lei 8080 Art. 7º: As ações e serviços públicos de saúde e os serviços privados contratados ou conveniados que integram o Sistema Único de Saúde (SUS), são desenvolvidos de acordo com as diretrizes previstas no art. 198 da Constituição Federal, obedecendo ainda aos seguintes princípios:
I - universalidade de acesso aos serviços de saúde em todos os níveis de assistência;
II - integralidade de assistência, entendida como conjunto articulado e contínuo das ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso em todos os níveis de complexidade do sistema;
III - preservação da autonomia das pessoas na defesa de sua integridade física e moral;
IV - igualdade da assistência à saúde, sem preconceitos ou privilégios de qualquer espécie;
V - direito à informação, às pessoas assistidas, sobre sua saúde;
VI - divulgação de informações quanto ao potencial dos serviços de saúde e a sua utilização pelo usuário;
VII - utilização da epidemiologia para o estabelecimento de prioridades, a alocação de recursos e a orientação programática;
São corretas;
I, II, IV e VI.
I, II, III e IV.
I, II, III, IV, V e VI.
I, II, III, IV,V, VI e VII.
Assinale a alternativa que contempla uma atuação do psicólogo no SUS prevista na legislação federal de saúde:
É integrante na equipe mínima para atenção básica no sistema penitenciário.
Com relação ao primeiro nível de atenção, a inclusão do psicólogo é prevista por lei unicamente nos consultórios de rua.
É integrante nas equipes de atenção à saúde em geral nos hospitais e serviços especializados.
É integrante de equipe multiprofissional (Equipe de Saúde da Família) junto com médico generalista, ou especialista em Saúde da Família, médico de Família e Comunidade, enfermeiro generalista ou especialista em Saúde da Família, auxiliar ou técnico de enfermagem e agentes comunitários de saúde.
É incluído na atenção terciária, desempenham o papel de apoio filial nas equipes NAPS/CAPS.
Uma paciente, de 79 anos, internada há três dias, com diagnóstico de desidratação. Sente-se irritada e nervosa. Preocupa-se com suas eliminações diarreicas e odores exalados. Atualmente encontra-se no hospital, por ter "abusado" de alimentos condimentados, o que causou, há uma semana atrás, fezes diarreicas. Diz que o tratamento atual está lhe fazendo "muito bem". Pensa ficar no hospital por mais uma semana porque quer ir embora, curada.( GUIMARÃES, R. Assistência a um paciente geriátrico: estudo de caso. Página do Estudante • Rev Bras Enferm 31 (4) • Oct-Dec 1978). Um bom exemplo de aplicação das técnicas de aconselhamento é o trabalho com os pacientes geriátricos, como a paciente do exemplo acima. As intervenções com os idosos têm como objetivo, não só perspectivas do prolongamento da vida, mas a qualidade de vida dos anos adicionados. No âmbito das ações de saúde no SUS, o processo de aconselhamento contém três componentes. são eles:
atende somente patologias, de caráter reconstrutivo, demandando tempos prolongados.
facilitação, acolhimento e compreensão existencial.
objetiva dar apoio emocional, educativo, e fazer avaliação de riscos.
acolhimento, escuta sensível e fortalecimento de vínculos.
diagnóstico, prevenção e assistência.
Dentre as principais críticas que recaem sobre as práticas do/a psicólogo/a no SUS, marque a opção INCORRETA:
Manutenção do clássico modus operandi de atuação clínica liberal-privatista, de cunho individual e curativista, busca de nexos causais para a compreensão do quadro clínico e psicossocial do paciente.
Pouca atenção às determinações sociais do processo saúde-doença-cuidado da população-usuária.
Realização de ações profissionais isoladas, justificadas pelo respeito ao sigilo profissional, por isso a esquiva para a atuação em equipe.
Trabalho técnico dissociado das ações de gestão, seja ele realizado no próprio serviço, por meio de ações de gestão da clínica e do cuidado, seja ele voltado para a estrutura e a organização de sistemas de serviços e de redes integradas de saúde.
Realização de ações preventivas em saúde com base no trabalho em educação em saúde para mudanças de comportamentos e hábitos, com vista a melhorar a qualidade de vida de indivíduos e grupos sociais.
O Sistema Único de Saúde preconiza que as ações da Política de Promoção da Saúde devem estar envolvidas em um processo de habilitação da comunidade, que transcende a concepção de prevenção e visa a fusão da saúde e bem-estar em geral. No âmbito da Atenção Básica, como a Psicologia pode se inserir nesta Política?
Na via do cuidado, da humanização e da qualificação da atenção à saúde, pela sua ligação à prática educativa.
No uso de práticas desvinculadas da dimensão coletiva, que individualizam o sintoma e patologizam as questões sociais.
No compromisso com a normatização, com a adaptação e com a adequação dos indivíduos aos lugares sociais já existentes.
No aperfeiçoamento de programas de disponibilização de medicamentos, com especial atenção à desburocratização e aos princípios éticos na dispensação dos opioides.
O fazer psicológico na perspectiva da Saúde necessita considerar os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), que são: universalidade, equidade e integralidade. O que esta perspectiva demanda do profissional de psicologia?
A representação dos vários segmentos sociais, para analisar a situação de saúde e propor as diretrizes para a formulação da política de saúde.
A formulação de estratégias e o controle da execução da política de saúde na instância correspondente, inclusive nos aspectos econômicos e financeiros.
A compreensão do processo de cuidado na rede de Saúde pela perspectiva do diálogo transdisciplinar entre a Atenção Básica e os níveis de atenção de média e de alta complexidade.
A avaliação de protocolos de pesquisa, com prioridade para os temas de relevância pública e de interesse estratégico da agenda de prioridades do SUS, com base nos indicadores epidemiológicos.
O Sistema Único da Assistência Social (SUAS) tem como preceito a universalização dos acessos e da responsabilidade estatal e outras políticas públicas para garantia dos direitos de cidadania. É/São atribuição(ões) do Psicólogo na Proteção Social Especial de Alta complexidade:
oferta de serviços a indivíduos e famílias que se encontram em situação de risco pessoal ou social por violação de direitos.
planejamento e implementação do PAIF (Programa de Atenção Integral às Famílias), de acordo com as características do território de abrangência.
atendimento de situações nas quais os vínculos familiares foram rompidos ou extremamente fragilizados, com necessidade de acolhimento institucional.
acompanhamento a adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas.
realização de atendimento particularizado e visitas domiciliares às famílias referenciadas ao CRAS.
São considerados obstáculos ao trabalho do psicólogo a serem enfrentados através de olhar ampliado, sob o filtro do apoio matricial na Atenção Básica do SUS:
O número reduzido de equipes de Saúde da Família a serem apoiadas, pois a redução dificulta a compreensão do trabalho do psicólogo e a formação de vínculos entre os profissionais.
A lógica do atendimento individualizado, curativista, descontextualizado e desvinculado de outros saberes.
Manutenção da implicação dos demais profissionais com o cuidado da pessoa em sofrimento mental, o que possibilita que a atenção seja feita pelos diversos profissionais envolvidos.
O baixo número de encaminhamentos equivocados para o profissional da Psicologia, o que gera uma demanda pequena e organizada, fruto da compreensão adequada quanto às possibilidades de trabalho do psicólogo.
O profissional de Psicologia se vê impelido ao compartilhamento de saberes com disciplinas que dialogam de forma enfática e eficiente com necessidades cruciais dos sujeitos em seus contextos de vida, considerando os diversos determinantes do processo saúde-doença.
Sobre a Atenção psicossocial a crianças e adolescentes no SUS (BRASIL, 2014), assinale a alternativa correta.
Crianças e adolescentes são seres em desenvolvimento e, neste sentido, são seres “por vir” e não são iguais aos adultos desenvolvidos. Porém, ao contrário da tradição, que considera este inacabamento como negatividade e o equaciona com menos direitos, a nova doutrina reconhece que, exatamente porque tais seres são ainda “inacabados”, tal “por vir” deve ser valorizado positivamente e indica a necessidade de mais direitos para preservar e fazer o referido “por vir” se realizar em toda a sua potência.
É importante que, no processo de desenvolvimento humano, crianças e adolescentes tenham acesso ao convívio com adultos acolhedores, eventualmente familiares; ao sentimento de pertença a um grupo social; à educação formal; às ações de promoção, proteção e recuperação da sua saúde; ao desenvolvimento e à qualificação profissional; e à possibilidade de realização de seus projetos de vida, reconhecendo os fatores sociais, econômicos, políticos e culturais que influenciam sua exequibilidade.
A inviabilidade de qualquer fator dado como protetivo exige do Estado e de outros atores sociais posicionamentos e atuações que resguardem os espaços de desenvolvimento individual e social de crianças e adolescentes. As respostas devem priorizar, tanto quanto possível, opções de cuidado em clínicas privadas, valorizando os mecanismos de organização e autonomia que os sistemas possuem.
A proteção integral, nota-se, não invalida ou desqualifica a compreensão de crianças e adolescentes como sujeitos autônomos, capazes de estabelecer suas próprias regras. Essa característica, muito cara ao setor Saúde, deve ser objeto de atenção dos agentes de cuidado (família, comunidade, a sociedade em geral e o Poder Público), por se configurar como habilidade indesejável aos sujeitos quando eles lidam com os processos de saúde individuais e coletivos. Mas é necessário que não se confunda autonomia com independência. As crianças e os adolescentes dependem dos adultos. Dependem da responsabilidade dos adultos para acessar os meios para realizar a sua potência e manter um devir aberto.
“Tratar da integralidade como exercício concreto é, então, tratar de dois temas fundamentais quando discutimos uma questão dessa natureza: ética e política” (Silva e Barros, 2010, p. 383). Sobre integralidade da atenção, os autores afirmam que
I O tema é potente em promover transformações nas práticas que constituem o SUS.
II A integralidade como prática está colocada como desafio ou como método para se efetivar outros princípios do SUS, ou seja, universalidade do acesso e equidade dos serviços.
III A integralidade como princípio afirma todos os sujeitos do SUS como protagonistas e corresponsáveis pela produção de saúde.
As afirmações acima se encontram ordenadas, de cima para baixo, do seguinte modo:
Falsa, verdadeira, falsa.
Verdadeira, verdadeira, falsa.
Verdadeira, falsa, falsa.
Verdadeira, verdadeira, verdadeira.
Falsa, falsa, falsa.
A Política Nacional de Humanização deflagrou, no plano das políticas públicas, um movimento de mudança dos modelos de atenção e gestão. A PNH definiu três princípios orientadores da ação para o SUS. O princípio “indissociabilidade entre atenção e gestão” é orientado APENAS pela seguinte formulação:
Alteração dos modos de cuidar inseparável da alteração dos modos de gerir e se apropriar do trabalho, pela transformação dos modos de relação e de comunicação entre os sujeitos implicados nos processos de produção de saúde.
Alteração dos modos de cuidar, inseparável da alteração dos modos de gerir e se apropriar do trabalho; Inseparabilidade entre clínica e política, entre produção de saúde e produção de sujeitos; Integralidade do cuidado e integração dos processos de trabalho.
As mudanças na gestão e na atenção ganham maior efetividade quando produzidas pela afirmação da autonomia dos sujeitos envolvidos, que contratam entre si responsabilidades compartilhadas nos processos de gerir e de cuidar.
Integralidade do cuidado e integração dos processos de trabalho, uma vez que trabalhar implica a inseparabilidade da produção de si e a produção do mundo, das diferentes realidades sociais, ou seja, econômicas, políticas, institucionais e culturais.
Transformação dos modos de relação e de comunicação entre os sujeitos implicados nos processos de produção de saúde, produzindo como efeito a desestabilização das fronteiras dos saberes, dos territórios de poder e dos modos instituídos na constituição das relações de trabalho.