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O aumento da população, da diferenciação social e da desigualdade pressiona a sociedade à desordem, o que força a polícia a atuar.
Com a democratização da esfera política na América Latina, os indivíduos socialmente excluídos deixaram de ser as vítimas mais freqüentes da violência policial, e os sindicalistas, ativistas e militantes políticos passaram a ser os mais perseguidos.
Não existe relação entre o crescimento da população urbana e o aumento da criminalidade nos grandes centros urbanos, visto que as instituições sociais responsáveis mantêm toda a população sob vigilância, o que facilita o controle e o planejamento dos órgãos do Estado.
A lógica da suspeita sistemática dirige à população pobre e estigmatizada a maioria de esforços investigativos e práticas policiais de repressão e punição.
Alguns dos exemplos de organizações criminosas globais citadas no texto sugerem ser o tráfico de drogas ilícitas um dos segmentosmais importantes desse tipo de atividade, com suas ramificações e contatos também ocorrendo em escala global.
Estudo oficial mostra não ser pequeno o número de municípios brasileiros nos quais há registro de exploração sexual de menores, inscrevendo-se entre os crimes mais comuns a prostituição, o tráfico de seres humanos, a pornografia e o turismo sexual. Por trás do problema, dizem os especialistas, está a pobreza, associada à desigualdade social e à capacidade de aliciamento das redes criminosas.
Os mecanismos hoje utilizados pela economia oficial para suas transações financeiras e comerciais não diferem, a rigor, daqueles de que faz uso o crime global. Assim, complexos esquemas financeiros e uma verdadeira rede de comércio internacional também são utilizados por essas organizações e, em face do caráter extremamente volátil de suas aplicações financeiras, acabam também por colocar em risco as economias nacionais já frágeis.
Especialistas apontam diversos fatores determinantes para a aproximação de crianças e adolescentes ao tráfico de drogas, fenômeno que atinge número significativo de países. De problemas domésticos com a família à violência dos agentes do Estado (polícia), da falta de alternativas realçada pela baixa escolaridade ao elevado nível de desemprego, passando por racismo, baixa auto-estima e preconceito, não são poucos os fatores que levam a essa aproximação.
Quando se examinam os mecanismos com os quais opera a rede transnacional do crime organizado, fica difícil, se não impossível, desvinculá-los de algumas formas de cumplicidade entre seus agentes e os operadores da economia formal, que podem ser traduzidas, entre outros, por atos de corrupção e de impunidade.
A crise que levou à desintegração da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) ensejou, entre outros desdobramentos, a expansão de um tipo especial de crime dito organizado, o do contrabando de armas e de material nuclear.
Ao contrário do que dizem os comentários desprovidos de base empírica, os cartéis colombianos conseguiram passar ao largo da guerra civil que, há décadas, convulsiona o país. Estudos mostram que essa decisão é estratégica para a manutenção das altas taxas de lucratividade de seus negócios ilícitos.
Sabe-se que, entre 2004 e 2005, foram decretadas dezenas de feriados escolares em favelas do Rio de Janeiro por ordens do tráfico de drogas e por conflitos com a polícia ou entre facções rivais. A anomalia do quadro indica como a rotina de violência interfere nas ações sociais em comunidades carentes, além de, em larga medida, atestar a ausência — ou frágil presença — do Estado nessas áreas.
Embora o resultado do referendo de outubro de 2005 tenha, na prática, revogado o Estatuto do Desarmamento, sabe-se que a situação da violência no país segue assustando. Há alento, no entanto: recente pesquisa da UNESCO mostra que, nos últimos anos, diminui sensivelmente o número de mortes provocadas por armas de fogo, sobretudo entre jovens na faixa etária dos 15 aos 24 anos.
A expressão lavagem de dinheiro, hoje bastante conhecida, é elemento fundamental no esquema utilizado pelos grandes grupos criminosos globais e corresponde, em linhas gerais, a operações realizadas com o objetivo de tornar legal dinheiro obtido de forma ilegal, o que supõe, entre outras atitudes, sua contínua aplicação em distintos mercados financeiros, normalmente os que oferecem mais flexibilidade e menores mecanismos de controle.
Apesar de todo o aparato bélico e financeiro que envolve o Plano Colômbia, pelo qual os EUA assumiram papel protagonista no combate às drogas na região em que elas são produzidas e processadas, sabe-se que o êxito — ainda que parcial — da missão deve-se muito mais à inesperada redução da demanda por essas drogas nos mercados norteamericano e europeu.
Cocaína colombiana e andina e ópio e heroína da Ásia (Sudeste e Central) são algumas das mercadorias que integram a estratégia dos grandes grupos criminosos de instalar suas funções gerenciais e produtivas em regiões de risco relativamente baixo, onde exercem um certo controle institucional, e de concentrar suas exportações para mercados de maior demanda, que lhes permitem cobrar preços mais elevados.
Estudos de especialistas contratados pela ONU e por outras instituições internacionais confirmam que a ação dos poderosos grupos criminosos somente não é maior e mais nefasta para as sociedades onde atuam porque a enorme rivalidade, que é a marca registrada de sua coexistência, acaba por inibir sua ação e por inviabilizar o estabelecimento de alianças estratégicas entre eles.
O contrabando de armas, ao qual o Brasil ainda se mantém imune, pelo menos aparentemente, constitui mercado de alto valor, razão suficiente para explicar a força que representa no conjunto das ações praticadas pelos grupos criminosos a que o texto se refere.