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“Torna-se necessário conceber a etnografia não como a experiência e a interpretação de uma "outra" realidade circunscrita, mas sim como uma negociação construtiva envolvendo pelo menos dois (...) sujeitos conscientes e politicamente significativos. Paradigmas de experiência e interpretação estão dando lugar a paradigmas discursivos de diálogo e polifonia.”
(Clifford, James. A experiência etnográfica. Rio de Janeiro: UFRJ, 1998, p.41).
Neste trecho, o antropólogo James Clifford está propondo uma reflexão sobre
a teoria clássica antropológica.
o particularismo histórico.
o relativismo cultural.
a autoridade etnográfica.
o evolucionismo científico.
Na segunda metade do século XX, a antropologia estadunidense foi renovada, entre outras, pelas contribuições do que ficou conhecido como virada interpretativista. Nessa perspectiva, estimulou-se a produção de etnografias como uma "descrição densa" das realidades estudadas.
Assinale a opção que indica o nome do autor da virada interpretativista que disseminou a ideia da etnografia como descrição densa.
Talcott Parsons.
Clifford Geertz.
George Herbert Mead.
James Clifford.
Franz Boas.
No texto “O senso comum como sistema cultural”, Clifford Geertz considera o trabalho de Evans Pritchard sobre feitiçaria entre os “Azande”. E afirma: “se o conteúdo das crenças Azande sobre feitiçaria é ou não místico (...), elas são utilizadas pelos Azande de uma forma nada mística – e sim como uma elaboração e uma defesa das afirmações reais da razão coloquial”. Geertz realiza tal afirmação sobre o trabalho de Evans Pritchard porque entende que as crenças Azande:
Integram a dimensão sobrenatural do sistema religioso dos Azande.
Podem ser equiparadas ao conhecimento científico.
São uma forma de apreensão da realidade imediata.
Constituem uma forma natural e espontânea de apreensão da realidade.
Constituem um sistema cultural, baseado na convicção de seu valor e de sua validade para aqueles que o possuem.
Considerando os conceitos de “experiência próxima” e “experiência distante”, apresentados por Clifford Geertz na obra “O saber local: Novos ensaios em antropologia interpretativa” (1999), qual a diferença de um para o outro?
Experiência próxima seria compreensão de uma habilidade para analisar seus modos de expressão. Experiência distante são sistemas simbólicos.
Experiência próxima seria sermos aceitos de forma a contribuir para o desenvolvimento de uma habilidade. Experiência distante é visto como forma e força da vida interior dos nativos.
Experiência próxima é vista como subjetividades alheias. Experiência distante, como pretensas capacidades extraordinárias para obliterar o próprio ego.
Experiência próxima é como entender os sentimentos de outros seres humanos. Experiência distante é como possuir e desenvolver capacidades normais para determinadas atividades.
Experiência próxima é, mais ou menos, aquela que alguém usaria naturalmente e sem esforço para definir aquilo que seus semelhantes veem, sentem, pensam, imaginam, etc. e que ele próprio entenderia facilmente, se outros utilizassem da mesma maneira. Experiência distante é aquilo que especialistas de qualquer tipo utilizam para levar a cabo seus objetivos científicos, filosóficos ou práticos.
Para os geertzianos, os símbolos têm um lugar central em suas inquietações, bem como se mostram em suas preocupações mais duradouras.
ORTNER, Sherry B. Teoria na Antropologia desde os anos 60.
Mana, v.17, n, 2, pp. 419-466, 2011.
De acordo com a antropologia geertziana, é correto afirmar que
os símbolos ganham centralidade entre os geertzianos por permitirem compreender que a cultura está presa na cabeça das pessoas como símbolos privados, e não como símbolos públicos.
os símbolos ganham centralidade por ser, na antropologia geertiziana, mais importante compreender o conjunto de princípios cognitivos estruturantes a ser examinado a partir de uma teoria antropológica sistematizada.
os símbolos tornaram-se a chave explicativa entre os geertzianos na aplicação de um modelo estruturalista de compreensão da cultura.
a partir do entendimento dos símbolos, na antropologia geertziana, é modelador estrutural, tornou-se possível apresentar uma leitura que rompesse com o estruturalismo.
a preocupação central na antropologia geertiziana está em compreender como os símbolos modelam os modos em que atores sociais veem, sentem e pensam sobre o mundo, ou seja, como símbolos operam como veículos da cultura.


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No livro “A interpretação das culturas”, Clifford Geertz defende um conceito semiótico de cultura. Ele afirma: “acreditando, como Max Weber, que o homem é um animal amarrado a teias de significado que ele mesmo teceu, assumo a cultura como sendo essas teias e sua análise; portanto, não como uma ciência experimental em busca de leis, mas como uma ciência interpretativa à procura do significado” (1989:4). Para esse autor, o método que corresponde a essa perspectiva da cultura é:
A análise de textos, cuja interpretação antropológica consiste em interpretações de segunda e terceira mão, porque somente um nativo faz interpretação de primeira mão.
A descrição densa, por se tratar da observação, registro e análise das totalidades sociais que permitem dar conta de análises amplas e abstratas da vida social.
A descrição etnográfica entendida como uma atividade interpretativa do fluxo do discurso social, que possa ser fixado em formas pesquisáveis, realizada em nível microscópico.
A descrição densa entendida como uma descrição do que os nativos fazem e dizem, em termos de sua própria cultura.
A descrição densa entendida como a interpretação das teias de significado que amarram o homem a uma cultura, a fim de descobrir as regularidades da vida social.
Qual o significado de cultura para Clifford Geertz na obra “A Interpretação das culturas” (1989)?
Dilemas essenciais da vida em favor de algum empírico.
Políticas econômicas das quais os seres humanos são reprimidos em todos os lugares.
Uma ciência interpretativa em busca do significado.
Uma combinação de intuição e alquimia.
Uma ciência estranha.
Qual o significado de etnografia para Clifford Geertz na obra “A Interpretação das culturas” (1989)?
Um repertório de conceitos gerais feitos na academia.
Uma ciência interpretativa que sugere a diferença.
Uma formulação teórica e de contextualização.
Um tipo de esforço intelectual elaborado por uma descrição densa.
Uma teoria cultural.
Para a antropologia interpretativa de Geertz (1989), o que o etnográfico produz são textos ficcionais pelo fato de serem “interpretações de segunda ou terceira mão, sendo apenas a interpretação “nativa” a de primeira mão”, visto que é a sua cultura. Assim, é correto afirmar que as descrições feitas pelo etnógrafo devem ser:
densas, nas quais seja possível distinguir os diferentes significados das ações sociais dos “nativos”
descomprometidas, visto que não é possível captar a interpretação “nativa”
superficiais, visto que não é possível captar a interpretação “nativa”
generalizáveis, visto que independem do contexto
“O conceito de cultura que eu defendo [...] é essencialmente semiótico. Acreditando, como Max Weber, que o homem é um animal amarrado a teias de significados que ele mesmo teceu, assumo a cultura como sendo essas teias e a sua análise; portanto, não como uma ciência experimental em busca de leis, mas como uma ciência interpretativa, à procura do significado. É justamente uma explicação que eu procuro, ao construir expressões sociais, enigmáticas na sua superfície”.
Esta afirmativa é uma definição clássica de cultura na visão de
Clifford Geertz.
Dell Hymes.
Sidney Mints.
George E. Marcus.
Ruth Behar.


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A descrição densa é uma técnica de escrita utilizada para desvendar as estruturas inconscientes do pensamento humano.
Segundo Geertz, a cultura, como sistema simbólico, é composta de diversos subsistemas que se relacionam, como os sistemas legais, religiosos, ideológicos e até mesmo o senso comum.
A concepção hermenêutica proposta por Geertz se alinha ao estruturalismo, visto que concebe a cultura com base na interpretação simbólica e no ponto de vista nativo.
A afirmação de que a escrita etnográfica é uma ficção reflete um profundo questionamento de Geertz acerca da viabilidade da própria antropologia.


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Clifford Geertz analisando o impacto do conceito de cultura sobre o conceito de homem, assinala que “tornar-se humano é tornarse individual, e nós nos tornamos individuais sob a direção dos padrões culturais, sistemas de significados criados historicamente em termos dos quais damos forma, ordem, objetivo e direção às nossas vidas. Os padrões culturais envolvidos não são gerais, mas específicos (...). Com esta afirmação, Geertz está se contrapondo
à perspectiva relativista de certos antropólogos, entre os quais Margareth Mead.
à perspectiva estrutural-funcionalista.
ao estruturalismo lévi-straussiano.
à perspectiva iluminista de natureza humana.
à perspectiva comportamental da Psicologia Social.
No entendimento de Clifford Geertz, o conceito iluminista de natureza humana pressupõe que o homem constitui uma só peça com a natureza e partilha da uniformidade geral de composição que a ciência natural descobriu sob o incitamento de Bacon e a orientação de Newton. Neste contexto, as enormes e amplas variedades de diferenças entre os homens são consideradas
as bases para os estudos relativistas que servirão para completar e iluminar o que é verdadeiramente humano no homem.
as chaves para o surgimento das ciências sociais fundadas no espírito mecanicista.
as características essenciais e definidoras que ampliam o significado do que há de constante e verdadeiramente humano no homem.
os meros acréscimos, até mesmo distorções, sobrepondo e obscurecendo o que é verdadeiramente humano no homem.
as expressões genuínas que exemplificam o espírito do universalismo humano.
Um dos aspectos polêmicos das reflexões de Clifford Geertz sobre o trabalho antropológico consiste na percepção de que a fonte do conhecimento antropológico não é a realidade social, mas um artifício erudito. Em outras palavras, Geertz considera os textos etnográficos como
observações fidedignas da realidade.
verdades científicas que podem ser comprovadas.
ficções no sentido de algo construído ou fabricado.
experimentos verificáveis.