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Com relação à arqueologia dos grupos indígenas do período histórico no Brasil, é INCORRETO afirmar que
nos seus anos iniciais, na década de 1960, a arqueologia histórica dedicou-se à investigação de sítios ligados a esses grupos.
à medida que o interesse pela escravidão africana intensificou-se, os grupos indígenas foram sendo deixados de lado na agenda de pesquisa da arqueologia histórica.
a maior parte dos estudos arqueológicos envolvendo grupos indígenas do período histórico está focado em contextos de copresença – i.e. aqueles contextos rurais e urbanos que foram compartilhados com a sociedade colonial.
a presença dos grupos indígenas nunca se fez notar como tema das pesquisas em arqueologia histórica no Brasil.
Assinale a alternativa cujas características NÃO se aplicam aos acervos arqueológicos salvaguardados em instituições museológicas e educacionais.
Acervos arqueológicos são elementos de constituição de identidades culturais e de determinações territoriais.
O colecionismo, que marcou a constituição de grande parte dos acervos arqueológicos institucionalizados, faz desses acervos reflexos estagnados de contextos históricos específicos e superados, desconectando-os irremediavelmente de questões contemporâneas.
Acervos museológicos podem operar como forças de opressão social e econômica entre os diferentes grupos constitutivos das sociedades contemporâneas.
Grupos sociais e relações de poder diversas estiveram e estão em ação na construção de acervos arqueológicos em instituições, de modo que a diversidade de perspectivas e de possibilidades de uso desses acervos é parte de destaque em sua constituição.
Assinale a alternativa INCORRETA acerca das características peculiares dos Museus universitários.
O caráter de produção de pesquisa e de formação dessas instituições secundarizou os investimentos e preocupações com curadoria e gestão dos acervos.
A formação de acervos sempre foi muito enfraquecida pela escassez das pesquisas acadêmicas nos diversos campos que os museus congregam.
A condição dos museus nos corpos administrativos das universidades lhes trouxe dificuldades de gestão e de consolidação dos seus setores de museologia, pois muitos acervos mantêm vínculos fortes com os departamentos e programas de ensino em torno dos quais se articulam as pesquisas.
A forte vinculação às pesquisas e à formação dos discentes gerou um enfraquecimento da perspectiva museológica na formação das identidades dos museus universitários.
A legislação brasileira acerca do patrimônio arqueológico estabelece que sítios arqueológicos e seu conteúdo são
bens cuja posse e salvaguarda constituem, em princípio, direito imanente ao Estado.
bens privados, porém, dada sua relevância histórica e cultural, devem ser geridos por instituições ou pessoas físicas exclusivamente sob autorização expressa do Poder Público.
bens públicos, porém seu achado fortuito assegura ao proprietário predial ou territorial o direito a sua gestão, desde que sob autorização expressa do Poder Público.
bens de duplo caráter, igualmente público e privado, quando seu achado se fez em propriedade particular, e, portanto, demandam uma gestão compartilhada entre o proprietário da unidade territorial e o Poder Público.
No estudo de contextos funerários amazônicos, o emprego de referentes da ontologia ameríndia pretende atuar como
fonte de analogias informativas sobre a conexão entre os elementos integrantes dos contextos, por meio da similaridade nos usos de vasilhames e nos ritos funerários etnograficamente registrados.
base sólida para o estabelecimento de conexões históricas diretas entre identidades étnicas indígenas dos séculos XX e XXI e os contextos do último milênio de ocupações indígenas.
repertório interpretativo de relações entre elementos e seres do mundo, considerando o entendimento indígena sobre suas naturezas e capacidades de agir.
contrapontos interpretativos para demonstrar a radicalidade das transformações experimentadas pelos povos indígenas com o processo de invasão colonial de origem europeia.
A respeito de acervos arqueológicos sob guarda de instituições públicas seria CORRETO dizer que eles
podem se constituir como espaços de encontros epistemológicos e de saberes de distintas tradições e fundamentações, bem como de trocas de saberes.
põem em evidência uma pluralidade de saberes, de tecnologias, modos de vida e intercâmbios culturais; contudo, dar sentido a essa pluralidade e dar-lhe uso social é tarefa específica das(os) arqueólogas(os), as(os) profissionais efetivamente qualificados para atribuir-lhes sentido.
envolvem saberes e conhecimentos distintos, de diferentes tradições e culturas, mas não há divergências sobre a natureza dos elementos que compõem os acervos arqueológicos e sobre como eles devem ser tratados, uma vez que a epistemologia científica estabelece bases estáveis e permanentes para sua organização e gestão.
devem ser objeto de salvaguarda em relação aos usos que diferentes setores da sociedade pretendam fazer deles, uma vez que o conhecimento científico tem a obrigação de colocar-se de fora e acima das questões sociais e políticas.
A legislação brasileira e as regulamentações baseadas na Constituição Federal estabelecem que a gestão do patrimônio arqueológico
cabe aos estados e municípios, por meio de seus respectivos órgãos de patrimônio cultural, que devem garantir sua preservação e autorizar eventuais intervenções sobre eles.
cabe ao Estado, por meio da Diretoria (hoje, Instituto) do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que pode conceder licenças para o aproveitamento econômico dos sítios e de seu conteúdo.
cabe ao Estado, por meio dos órgãos encarregados da gestão ambiental, de forma equânime entre as esferas federal, estadual e municipal.
cabe ao Estado, por meio da Diretoria (hoje, Instituto) do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que pode conceder licenças para intervenções nos sítios de caráter científico e acadêmico.
A revisão dos paradigmas tradicionais sobre a materialidade e o patrimônio arqueológico NÃO se conectou
às orientações teóricas de caráter adaptativista, que pautaram a preocupação com as implicações ambientais da preservação do patrimônio arqueológico.
ao reconhecimento da relevância das ontologias tradicionais para a gestão do patrimônio arqueológico e do acesso público a ele.
ao desenvolvimento das práticas arqueológicas denominadas de Arqueologia do Presente, Arqueologia Colaborativa, Arqueologia Comunitária e Etnografia Arqueológica.
aos questionamentos sobre as motivações e compromissos políticos das escolhas do que se deveria preservar e por quais razões.
Conforme as discussões contemporâneas sobre a constituição de acervos arqueológicos em museus e instituições de guarda, é INCORRETO afirmar que
o ponto crucial para o fortalecimento dos museus é criar infraestruturas, construir paredes e espaços adequados, capazes de salvaguardar artefatos e domesticar objetos, de modo a protegê-los das constantes expansões de empreendimentos econômicos de alto poder de impacto sobre o patrimônio.
uma das condutas que atualmente se demanda dos museus e demais instituições de guarda é evitar a exotização de povos nativos, com engajamento nas lutas antirracistas.
os museus não são guardiões do passado, mas atores sociais no presente, que precisam se posicionar a respeito de propostas de futuro para a sociedade brasileira contemporânea.
desafios de gestão, no que tange à preservação e acesso público aos acervos, são e continuarão sendo desafios constantes, que devem ser encarados como dimensão constitutiva dos museus e das demais instituições de guarda.
A arqueologia brasileira e a etnologia construíram entre si um distanciamento muito nítido no decorrer do século XX. Atualmente, esforços de reaproximação têm sido empreendidos por arqueólogas(os) brasileiras(os).
Assinale a alternativa INCORRETA em relação a essa reaproximação.
A principal potência da reaproximação entre arqueologia e etnologia é a possibilidade de fazer analogias diretas entre os contextos arqueológicos indígenas e práticas específicas de comunidades indígenas contemporâneas, tais analogias atuando como chaves interpretativas dos contextos, das estruturas, dos artefatos e dos indicadores de comportamentos encontrados nos sítios arqueológicos.
Uma das possibilidades de convergência entre a arqueologia e a etnologia é o acionamento de conceitos e noções do chamado ‘pensamento ameríndio’ - tal como os encontramos na bibliografia etnológica - como recursos teóricos, para fomentar interpretações de contextos arqueológicos indígenas pré-coloniais.
A prática de arqueologias colaborativas, em que arqueólogas(os) e comunidades indígenas constroem um diálogo intencionalmente menos hierarquizado, tem possibilitado que se explore a aplicação de categorias de entendimento indígenas para a construção de interpretações de contextos arqueológicos.
Um dos modos de se conectar contextos arqueológicos indígenas e contextos indígenas conhecidos etnograficamente é lidar com elementos de compartilhamento amplo entre culturas indígenas contemporâneas, tais como princípios ontológicos, entendendo que esses elementos operam na longa duração. E seria, portanto, razoável estendê-los, ao menos para o último ou os últimos milênios de ocupações pré-coloniais, estabelecendo uma conexão histórica entre o presente etnográfico e o passado arqueológico.
No que se refere à expansão da arqueologia dita “de contrato” e suas relações com as instituições públicas de caráter museológico, é CORRETO afirmar que
a absorção de acervos gerados pelos trabalhos de licenciamento trouxe ônus para muitas dessas instituições, em função de não haver um repasse de recursos suficientes para a curadoria e gestão desses acervos.
os acervos gerados pelos trabalhos de licenciamento se constituíram na principal base de recursos para o funcionamento das maiores instituições públicas de caráter museológico.
os acervos gerados pelos trabalhos de resgate arqueológico nunca assumiram dimensão relevante e não se integram à problemática de gestão das instituições públicas.
a recepção de acervos gerados nos trabalhos de licenciamento não impactou as instituições de guarda, pois não demandou delas nem recursos financeiros, nem humanos para a gestão desses acervos.
A respeito das discussões sobre o povoamento inicial da América, sua antiguidade e seus processos, é adequado afirmar, à luz das discussões contemporâneas, que
as narrativas sobre o povoamento inicial do continente americano, na medida em que se conectam a processos históricos de grande profundidade cronológica, não têm consequências políticas para as comunidades indígenas e os estados nacionais contemporâneos.
apesar da diferença de recursos para pesquisas e da consolidação das instituições de pesquisa estadunienenses em relação às brasileiras, questões geopolíticas não estiveram ativas na formação e sustentação das hipóteses sobre a antiguidade e os modelos de povoamento do continente americano.
a construção de hipóteses, a apresentação e a aceitação de novos resultados sobre os processos de povoamento do continente são historicamente marcadas por questões geopolíticas e envolvem a disputa, entre cientistas de nacionalidades e linhas teóricas distintas, pela supremacia nas narrativas sobre esses processos.
embora questões geopolíticas sempre tenham tido certa relevância, as discussões sobre a antiguidade das ocupações, em diferentes áreas do continente americano, e sobre os resultados das pesquisas de arqueólogas(os) de diferentes nacionalidades foram pautadas por um consenso e pela isonomia dos critérios de validação de datações e contextos.
Sobre os conceitos arqueológicos e seus principais pensadores teóricos, relacione a Coluna 1 à Coluna 2 (Barreto, 1999; Robrahn-González, 2000; Lima, 2002; Renfrew; Bahn, 2006).
Coluna 1
1. Histórico-cultural.
2. Pós-processual.
3. Processual.
4. Neoevolucionista.
5. Particularista.
Coluna 2
( ) Ian Hodder.
( ) Lewis Binford.
( ) Leslie White.
( ) Franz Boas.
( ) Gordon Childe.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
5 – 2 – 1 – 4 – 3.
4 – 3 – 2 – 1 – 5.
5 – 1 – 3 – 4 – 2.
3 – 5 – 4 – 2 – 1.
2 – 3 – 4 – 5 – 1.
A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, no seu Artigo 216, delibera: “Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira...” (Rodrigues, 1995; Funari, 2009). Assinale a alternativa correta quanto à designação da expressão patrimônio cultural imaterial.
Monumentos e representações físicas, junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares que lhes são associados e que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural imaterial.
Práticas, saberes, habilidades, conhecimentos, técnicas, crenças e lugares que lhes são associados e que as comunidades, os grupos e os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural imaterial.
Práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas fortemente relacionadas aos instrumentos, objetos, artefatos e lugares que apenas as comunidades e os grupos definem como parte integrante de seu patrimônio imaterial.
Representações, expressões, conhecimentos e técnicas, associados aos artefatos e lugares que estão nas suas memórias, sem associação com as comunidades, os grupos, mas com os indivíduos que reconhecem estas representações como parte integrante de seu patrimônio cultural imaterial.
Expressões, práticas, monumentos arquitetônicos diretamente relacionados aos instrumentos, objetos que aqueles que praticam estas habilidades, como parte de uma comunidade, designam como parte integrante do patrimônio cultural imaterial do grupo.
No século XIX e no início do século XX, a arqueologia era caracterizada pela procura e descoberta de sítios monumentais e urbanos (BAHN, 1996; TRIGGER, 2004). Relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando os arqueólogos às suas respectivas descobertas.
Coluna 1
1. Austen Henry Layard.
2. Heinrich Schliemann.
3. Henri Mouhot.
4. Hiram Bingham.
5. John Lloyd Stephens.
Coluna 2
( ) Troia.
( ) Nínive.
( ) Machu Picchu.
( ) Copán.
( ) Angkor Wat.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
2 – 1 – 4 – 5 – 3.
3 – 4 – 2 – 1 – 5.
3 – 5 – 1 – 4 – 2.
5 – 3 – 4 – 2 – 1.
5 – 2 – 1 – 4 – 3.
A pesquisa arqueológica no âmbito acadêmico, mas principalmente a arqueologia desenvolvida por contrato, tem proporcionado uma quantidade de cultura material arqueológica trazida aos museus e acervos, acompanhado por material documentário na forma de diários de campo, fotografias, mapas, etc. (Bastos et al., 2005). A quem pertence o material arqueológico que foi descoberto no território brasileiro?
Ao arqueólogo e à instituição que faz a guarda do material e que investe na preservação do patrimônio arqueológico.
Ao dono do terreno em que o material arqueológico foi encontrado, sobretudo quando esse terreno está em sua propriedade e na da sua família há mais de 150 anos.
Ao Estado brasileiro, determinado por Lei.
À pessoa que encontrou o material arqueológico, pois os antigos donos já não vivem mais.
Ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), já que é responsável pela preservação e divulgação do patrimônio material e imaterial do país.
Os conceitos teóricos e as metodologias arqueológicas formam uma união inseparável (Renfrew et al., 2006; Bicho, 2007). O fazer e o pensar arqueologia também caracterizam um importante projeto de pesquisa arqueológica no Brasil, desenvolvido na década de 1970 e conhecido como PRONAPA. Sobre alguns conceitos e metodologias de campo e do laboratório inerentes a esse programa, assinale V, se verdadeiros, ou F, se falsos.
( ) Realizar coletas superficiais por amostragem.
( ) Realizar coletas superficiais com plotagem individual das evidências arqueológicas.
( ) Analisar a cultura material arqueológica através da sequência da sua produção.
( ) Aplicar métodos estatísticos conhecidos como Método Ford.
( ) Escavar pelo método conhecido como Método Wheeler.
( ) Escavar por decapagem em superfícies amplas em níveis antroponaturais.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
F – F – F – V – V – V.
V – F – F – F – V – V.
F – V – V – F – V – V.
V – F – F – V – F – F.
F – V – V – V – F – F.
Na época da chegada de Cristóvão Colombo na América (1492), as populações nativas americanas dominaram o cultivo de uma grande quantidade de vegetais (Fausto, 2000; Fiedel, 1996), tais como:
I. Feijão.
II. Milho.
III. Tomate.
IV. Mandioca.
V. Batata-doce.
Quais estão corretos?
Apenas I e II.
Apenas III e IV.
Apenas I, III e V.
Apenas II, IV e V.
I, II, III, IV e V.
A Educação Patrimonial é um instrumento de “alfabetização cultural”. Ela consiste em criar situações de aprendizado sobre o processo cultural e, a partir de suas manifestações, despertar nas pessoas o interesse em resolver questões significativas para sua vida pessoal e coletiva (Horta, 1999; Soares e Klamt, 2008). A metodologia específica da Educação Patrimonial pode ser aplicada a:
I. Qualquer evidência material ou manifestação da cultura.
II. Um monumento ou um sítio histórico ou arqueológico.
III. Uma paisagem natural, um parque ou uma área de proteção ambiental.
IV. Uma manifestação popular de caráter folclórico ou ritual.
Quais estão corretas?
Apenas I.
Apenas I e II.
Apenas II e III.
Apenas III e IV.
I, II, III e IV.
A Lei Municipal Complementar nº 25/2007, seção VII, Art. 142, trata das áreas especiais de interesse, em geral. Assinale a alternativa correta quanto à definição das áreas especiais de interesse cultural (Art. 148, subseção).
Unidades territoriais destinadas à implantação de equipamentos urbanos e culturais.
Territórios delimitados com a destinação de produção de habitações social e cultural.
Áreas destinadas à recuperação cultural e urbanística.
Áreas com funções de conservar o bem-estar das pessoas.
Áreas com ocorrência de patrimônio cultural.