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Ressaltando algumas pesquisas para o entendimento do Brasil no Mundo Atlântico e da escravidão brasileira nessa arena de debates, podemos ressaltar os trabalhos em conjunto do arqueólogo Luís Cláudio Symanski e o historiador Flávio Gomes. Em parceria institucional, os autores coordenam o projeto “Café com Açúcar: arqueologia da escravidão em uma perspectiva comparativa no sudeste rural escravista”, além de conduzir suas pesquisas particulares. Qual o estudo realizado no projeto em questão?
O colonialismo.
O eurocentrismo.
O capitalismo.
A modernidade.
As experiências da escravidão e do pós-emancipação.
Sobre os registros arqueológicos de grupos humanos no litoral do Paraná, é CORRETO afirmar:
O tipo de solo, a umidade e a pluviosidade do litoral paranaense não permitiram a preservação de material lítico, cerâmico e/ou fóssil que possibilitasse o estudo das populações humanas que podem ter ali habitado em tempos remotos.
O litoral do hoje estado do Paraná, assim como toda a região sul do Brasil, era um espaço geográfico caracterizado pelo “vazio demográfico” até as expedições de entradas e bandeiras durante os séculos XVII e XVIII, por isso, não há ocorrência de registros arqueológicos nessa região anteriores a esse período.
Devido à sua configuração geográfica e a abundância de recursos naturais, o litoral do Paraná foi habitado por diferentes grupos humanos desde tempos remotos. Os vestígios mais antigos da presença de grupos humanos na região são atribuídos aos denominados “sambaqueiros”, “construtores de sambaquis” ou “casqueiros”.
Devido à sua configuração geográfica e abundância de recursos naturais, esse ambiente litorâneo foi habitado por diferentes grupos humanos desde tempos remotos. Os primeiros a se estabelecerem foram os indígenas Kaingangs e Kaiowas, no século XVI.
As lendas sobre Sepé Tiajaru e do Cacique Guairacá fazem parte da tradição oral dos povos nativos do litoral paranaense desde o século XVI. A sua permanência em cânticos e produções literárias registra a manutenção da identidade dos povos originários da referida região.
A influência teórico-metodológica da escola histórico-cultural norte-americana na arqueologia brasileira se iniciou através do curso ministrado pelos arqueólogos:
Ruth Gruhn e Allan Brian.
Mortimer Wheeler e Leroi-Gouhran.
Anette Laming e Joseff Emperaire.
Beth Meggers e Clifford Evans.
Willey e Phillips.
O procedimento básico para remessa para o exterior de objeto que apresente interesse arqueológico implica existência de:
Cópia ou similar na reserva técnica.
Licença do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
Contexto arqueológico.
Referência estratigráfica.
Restauro.
Em relação ao tombamento de bens culturais no Brasil, é correto afirmar que:
Não é um procedimento administrativo que tem suas normas gerais estabelecidas em lei.
Não pode ser considerado uma proteção formal do Poder Público.
Está vinculado à tutela do patrimônio cultural brasileiro desde 1922.
Possibilita a intervenção concreta do Estado na propriedade privada.
Por se traduzir em instrumento protetivo, jamais é compulsório.
Como é encarada a arqueologia na Amazônia, segundo E. G. Neves, em “Os índios antes de Cabral: arqueologia e história indígena no Brasil” (In: SILVA, 1995)?
Uma linha que nos liga diretamente à experiência passada.
Uma fonte de informação.
Algo inserido no campo do patrimônio.
História indígena.
Exercício da alteridade.
Considere um contexto com duas camadas estratigráficas bem definidas. A camada inferior contém os seguintes artefatos: 17 fragmentos de faianças finas creamware padrão Royal Rim (produzido entre 1760 e 1820). A camada superior, por sua vez, contém os seguintes artefatos: 22 fragmentos de faianças finas Azul Borrão (produzidos entre 1835 e 1901) e 14 fragmentos de faianças finas cut sponge (produzidos entre 1845 e 1920).
Em relação aos elementos apresentados, assinale a alternativa CORRETA.
O terminus post quem para a formação da camada inferior é 1820.
O terminus ante-quem para a formação da camada superior é 1835.
Os intervalos de produção das louças sugerem que a formação da camada inferior foi anterior a 1835.
O intervalo de produção do padrão Royal Rim indica que a formação da camada inferior é posterior a 1845.
A respeito da iniciativa de estreitar as conexões entre a reserva técnica do Museu Paraense Emilio Goeldi e as comunidades tradicionais amazônicas, é CORRETO afirmar que
o acesso às coleções e o projeto de produção de réplicas foram inteiramente cooptados pelos agentes do turismo local e não produziram influências efetivas sobre as comunidades atuais produtoras de cerâmica.
a reserva teve pouca ressonância nas comunidades, dada a distância cultural e histórica entre o contexto contemporâneo e os contextos de produção dos itens do acervo.
a coleção de cerâmica marajoara arqueológica do Museu Goeldi não se tornou, com o acesso a ela pelas comunidades, uma referência significativa para diferentes coletivos de Marajó que atuam na educação ou no resgate da memória e tradições da ilha, embora haja uma importante produção artesanal atual que se identifica como marajoara.
foi possível perceber que a sólida tradição de curadoria e gestão dessa histórica instituição carece de ser repensada e transformada, para a ampliação de sua relevância cultural, social e política.
Assinale a alternativa que NÃO se caracteriza como desafio para as instituições guardiãs de ricos acervos arqueológicos.
O reconhecimento pelos profissionais do campo da arqueologia do valor e significância desses acervos e de suas possibilidades de análise.
A descolonização dos olhares e entendimentos sobre o passado.
A promoção da aproximação entre os acervos e os diferentes públicos formadores da sociedade brasileira contemporânea.
O pouco conhecimento do público em geral sobre os acervos arqueológicos e os contextos a que eles se relacionam.
O investimento no estudo de materiais vegetais brasileiros é modesto, em função de uma série de aspectos. Entre as alternativas abaixo, assinale aquela que corresponde ao quadro que especialistas nessa área têm delineado.
Os ambientes tropicais destroem irremediavelmente vestígios orgânicos e daí deriva a pouca expressividade dos estudos arqueobotânicos no quadro geral da arqueologia brasileira.
Embora as condições tropicais coloquem, em alguns casos, dificuldades à sua preservação, um aspecto importante para o fato de vestígios vegetais serem pouco estudados é a dificuldade metodológica de sua coleta e conservação.
Vestígios arqueológicos florísticos e faunísticos são, em geral, constituídos de partes não diagnósticas para a taxonomia de plantas e animais, daí derivam sua restrita capacidade informativa sobre contextos arqueológicos e a restrita relevância que eles têm nas pesquisas arqueológicas.
Procedimentos para coleta em campo e conservação em laboratório de restos faunísticos e florísticos são temática de amplo desenvolvimento na bibliografia arqueológica brasileira, desde suas origens, o que garantiu a inclusão de seus princípios na formação de arqueólogas(os) brasileiras(os) desde as gerações pioneiras.
A respeito das propostas de interação entre comunidades e acervos arqueológicos depositados em instituições públicas, as experiências demonstraram que
o franqueamento do acesso aos acervos arqueológicos a comunidades tradicionais (sejam elas indígenas, quilombolas ou de outra natureza) gerou conflitos irreparáveis e pôs em risco a própria continuidade da existência dos espaços museológicos.
as iniciativas de ampliar a interação entre os acervos arqueológicos depositados em instituições públicas e comunidades locais geraram questionamentos importantes sobre diferentes noções de patrimônio e de conexões entre comunidades e história.
a abertura à visitação aos acervos arqueológicos com interlocução mais ativa com as comunidades locais levou ao colapso da autonomia das instituições na gestão legalmente respaldada de seus acervos.
a abertura à visitação aos acervos com interlocução mais ativa entre museólogas(os), arqueólogas(os) e conservadoras(es)-restauradoras(es) inviabilizou a prática dessas(es) profissionais e diminuiu sua relevância dentro de suas próprias instituições.
A ideia de uma história profunda dos povos ameríndios coloca em pauta a divisão tradicional na Arqueologia brasileira entre “arqueologia histórica” e “arqueologia pré-histórica”.
Assinale a afirmativa CORRETA sobre as críticas a essa divisão.
A opção por aplicar a contextos pré-coloniais a noção de “pré-história” foi ponderadamente realizada pelas(os) arqueólogas(os) brasileiras(os) em função da necessidade de se fazer uso de recursos teóricos e metodológicos que foram criados para lidar com os contextos europeus, para os quais a noção de “pré-história” era uma categoria imprescindível.
O uso da categoria “pré-história” para nos referirmos aos contextos arqueológicos anteriores à invasão colonial europeia nos permite uma conexão com processos de povoamento e constituição de populações em outros continentes, o que assegura maior riqueza de possibilidades teóricometodológicas para a arqueologia produzida no Brasil.
O uso da categoria “pré-história” para contextos arqueológicos brasileiros promove uma ruptura entre as sociedades indígenas atuais ou sub-atuais e seus ancestrais recentes e antigos, o que tem implicações políticas concretas, em relação aos direitos indígenas sobre territórios e à própria constituição do que entendemos como sociedade brasileira.
Na arqueologia brasileira, o uso da ideia de “pré-história”, para se referir aos contextos arqueológicos anteriores à invasão colonial europeia, é unicamente um recurso heurístico, funcional para distinguilos dos contextos mais recentes, e opera sem implicações concretas para o entendimento dos povos indígenas atuais.
Segundo a normativa vigente em matéria de patrimônio arqueológico, se José, contratado para escavar um poço no quintal da casa de Antônio, proprietário e ocupante do imóvel, encontra, na escavação, um vaso muito antigo de provável interesse arqueológico,
o vaso, por integrar o Patrimônio Arqueológico Nacional, é insusceptível de apropriação privada, mas José, como descobridor, terá direito de retenção do bem até que receba indenização das despesas havidas com sua extração, guarda e conservação.
caso a Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, passado um ano de sua notificação sobre a descoberta, não declarar oficialmente o interesse arqueológico do vaso, é presumido seu abandono em favor de quem o descobriu.
Antônio é responsável pela entrega imediata do vaso ao museu histórico mais próximo, ou, na sua ausência, à autoridade policial do território, que fará registro do local da descoberta e da identidade de Antônio.
a descoberta do vaso de interesse arqueológico deverá ser imediatamente comunicada, por José ou por Antônio, à Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ou aos órgãos oficiais autorizados.
a escavação deverá ser imediatamente sobrestada até que a Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ou aos órgãos oficiais autorizados, avaliem o sítio e apontem as condições para o reinício da obra.
A respeito da gestão de acervos arqueológicos em instituições públicas, conforme discute a bibliografia indicada, é INCORRETO afirmar:
Acervos arqueológicos, na medida em que se conectam ou podem se conectar a histórias de populações diversas, podem ser geridos em interlocução com essas populações.
Embora o patrimônio arqueológico seja público, as instituições, sendo as responsáveis por sua guarda, devem estabelecer regras para sua gestão que se pautem inteiramente na legislação e nas normativas do IPHAN, legítimas instâncias decisórias do Estado.
As instituições públicas guardiãs de acervos arqueológicos devem implementar modos de colocar esses acervos em contato com as comunidades locais, regionais ou nacionais, como forma de valorizá-los e de dar-lhes sentido público.
Acervos depositados em instituições públicas devem ser tratados como tais, como “públicos”, e não como patrimônio das instituições de guarda.
Considerando-se a diversidade cultural brasileira e a multiplicidade de atores sociais envolvidos com acervos arqueológicos atualmente depositados em museus, universidades e outras instituições públicas, conforme as discussões hoje dominantes no campo da arqueologia é INCORRETO afirmar:
Conflitos são elementos constitutivos de uma sociedade complexa e multifacetada como a brasileira. Portanto, as instituições públicas devem estar abertas às diferenças e não sustentarem uma interpretação unívoca de seus acervos.
Comunidades tradicionais, com vínculo histórico óbvio ou não com os acervos, devem ser convidadas a conhecê-los e a refletir sobre suas conexões culturais e históricas com eles.
O meio para salvaguardar o patrimônio e garantir seu uso público é atribuir a prerrogativa de geri-lo às(aos) reais especialistas no tema, a saber arqueólogas(os), museólogas(os) e conservadoras(es)- restauradoras(es).
Acervos arqueológicos são, por princípio, passíveis de terem significações diferentes para diferentes setores da sociedade e, portanto, conflitos a seu respeito são parte constitutiva da gestão desses acervos, o que deve ser assumido pelos profissionais envolvidos.
Em relação à conexão entre as ocupações ditas “pré-históricas” do continente americano e os povos indígenas contemporâneos, é CORRETO afirmar que
os povos indígenas contemporâneos se articulam a uma história humana profunda, que se conecta às antigas ocupações humanas do continente americano.
os povos indígenas contemporâneos não se conectam às ocupações humanas antigas da América, na medida em que são formações sociais recentes, cronologicamente muito distintas.
pensar uma história profunda da América é inadequado, pois não há fontes históricas confiáveis que conectem os povos recentes aos mais antigos.
os povos indígenas contemporâneos derivam de um processo de povoamento recente, que não guarda conexões com as ocupações humanas antigas do continente americano.
É CORRETO afirmar que a interação e a interlocução entre os campos da Arqueologia e da Museologia, em contexto brasileiro,
têm potencial para integrarem-se construtivamente na interlocução com as comunidades locais e nas discussões das diferentes noções de patrimônio que circulam em seus respectivos campos.
têm plena integração de suas formações profissionais específicas e partilham integralmente os mesmos referentes teóricos e conceituais.
apresentam uma radical incompatibilidade conceitual e, na interlocução com as comunidades locais, essa incompatibilidade manifesta-se como irremediável.
versam sobre temas afins, porém as práticas efetivas de engajamento com as comunidades locais explicitam a inviabilidade de diálogo entre os campos.
A respeito dos elementos materiais provenientes de contextos funerários pré-coloniais na Amazônia, é INCORRETO afirmar:
Um dos grandes desafios enfrentados para a gestão e conservação de remanescentes humanos em contexto amazônico são as fragilidades das instituições de guarda, em termos de infraestrutura, recursos orçamentários e pessoal especializado.
Divergindo das tradicionais expectativas, a preservação nos sítios arqueológicos de remanescentes humanos é significativamente recorrente, colocando severos desafios para sua conservação, após as intervenções arqueológicas.
As condições ambientais do bioma amazônico colocam desafios complementares à conservação de remanescentes ósseos humanos, uma vez que se apresentam muito favoráveis ao desenvolvimento de agentes bióticos de degradação desses remanescentes.
Remanescentes ósseos humanos têm pouco a informar sobre populações indígenas antigas na Amazônia, uma vez que as condições ambientais são muito desfavoráveis à conservação, o que leva a uma grande escassez de informações bioantropológicas e, especialmente, arqueológicas nesses remanescentes.
A respeito de coleções arqueológicas salvaguardadas em instituições de ensino na Amazônia, é INCORRETO afirmar que
os acervos arqueológicos podem promover o encontro de epistemologias e diálogos entre formas de saber de fundamentos diversos nessas universidades.
o acesso de estudantes indígenas às instituições de ensino do interior da Amazônia promoveu o encontro de conhecimentos de bases diferentes, o que enriqueceu os processos de formação acadêmica nessas universidades.
o entendimento da autoridade arqueológica sobre a significação dos acervos e dos sistemas de conhecimento que o produziram manteve suas bases sólidas, apesar da diversidade dos atores socioculturais dessa região.
a diversidade de percepções e entendimentos sobre a natureza dos acervos arqueológicos nessas instituições é fator multiplicador do impacto e uso social tanto dos acervos, quanto das instituições.
A respeito de estudos de grafismos rupestres desenvolvidos no Brasil, é INCORRETO afirmar que
a discussão do modo de elaboração dos grafismos pode estabelecer outros elementos e critérios para abordar sua variabilidade.
as análises de pinturas e gravuras rupestres, via de regra, em diferentes contextos, priorizaram a forma final das figuras, a partir das quais se propuseram as diferentes abordagens usuais na bibliografia, sejam elas de natureza classificatória ou não.
a análise do modo de construção gráfica de gravuras e pinturas rupestres compôs o cenário das abordagens majoritárias na arqueologia brasileira, contribuindo ativamente para o estabelecimento das unidades classificatórias.
os estudos de grafismos rupestres no Brasil deram notável destaque para as classificações, num intenso esforço de lidar com a grande diversidade que se observava nas diferentes áreas de pesquisa.