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A justiça é um dos temas fundamentais da investigação política de Aristóteles. No capítulo 12 do livro III da Política (1282 b 14-22), ele afirma: “Uma vez que, em todas as ciências e em todas as artes, o fim é um bem, mas o bem maior e no sentido mais pleno é aquele que serve de fim na arte ou ciência é que é a mais soberana de todas, e essa é a capacidade política, mas o bem político é o justo (to dikaion), essa é, portanto, a vantagem comum que nos interessa”. Para Aristóteles, a justiça é a ordem da comunidade política. Aristóteles, nesse contexto político, vê a justiça como “justiça distributiva”, aquela que vigora na relação do todo (polis) com as partes (cidadãos), tem por princípio permitir e promover a participação dos cidadãos na promoção do bem comum da polis ou de forma absolutamente igual ou de forma proporcionalmente igual. A justiça vigora mais propriamente ali onde os homens são livres e iguais e, entre eles, subsistem relacionamentos regulados pela lei. Faz parte dessa liberdade os cidadãos poderem participar de maneira alternada do governo e das funções públicas, governando não em favor de si mesmos, mas em favor dos governados. A justiça na polis, portanto, culmina em uma convivência pacífica, baseada na philia (amizade em sentido amplo, solidariedade).
Com relação às ideias apresentadas no texto acima, assinale a opção correta.Para Aristóteles, justiça é o resultado de um acordo entre os homens, que estabelece o meio-termo entre fazer injustiça sem ser penalizado e sofrer injustiça sem poder se defender ou vingar.
Na concepção de Aristóteles, a política não possui relação com felicidade nem com amizade, mas unicamente com a justiça.
A justiça é o bem comum em devir, como constante exigência histórica de uma convivência social ordenada segundo os valores da liberdade e da igualdade.
O governo mais justo é aquele em que os governantes visam ao seu bem em primeiro lugar, e não ao bem dos governados.
Do ponto de vista político, Aristóteles considera a justiça eminentemente como justiça corretiva, isto é, como modo de se conseguir que um cidadão seja punido por um delito que ele tenha cometido.
Sócrates não deixou escrito, seu pensamento é conhecido pelos diálogos de Platão, especialmente nas obras O banquete e Apologia de Sócrates, em que Sócrates é personagem central, e também pelos escritos de Xenófanes e Aristóteles. Com base nos conhecimentos sobre a teoria Socrática, assinale a alternativa correta:
Sócrates nunca criticou o ceticismo e o relativismo dos sofistas e o fato de serem pagos para ensinar técnicas de convencimento.
O método socrático da ironia parte do fortalecimento das falsas convicções, indo à busca da essência.
O objetivo da definição socrática não é somente procurar a verdade sobre os conceitos, mas conhecer a si mesmo, refletir sobre si.
Sócrates ensinou que era melhor cuidar das riquezas do que das virtudes.
Segundo Sócrates os valores éticos são inerentes ao ser humano, portanto o homem já nasce bom, mas se corrompe pela sociedade.

(http://www.filosofia.eom.br/figuras/charge/76.jpg)
A imagem acima é uma releitura do quadro "Morte de Sócrates" do pintor francês Jacques-Louis David (1748-1825). A imagem Intitula-se "Dirija-te a ti mesmo - a auto-escola socrática", e constitui uma maneira bem-humorada de situar a filosofia socrática, em referência a um de seus lemas fundamentais.
Assinale a alternativa que identifica corretamente o lema ao qual a imagem acima se refere.
"Só sei que nada sei".
"Aqui não entre quem não souber geometria".
"Não force o que não é belo a ser feio, nem o que não é bom a ser mau".
"Tudo o que é gênio está entre um deus e um mortal".
"Conhece-te a ti mesmo".
Considerando o contexto histórico da democracia ateniense, assinale a opção correta.
A concepção ateniense de democracia na antiguidade grega atribuía a todos os habitantes da cidade o título de cidadãos.
A ideia de justiça, sobre a qual se funda a democracia, exigia que todos fossem considerados iguais. Seguindo esse ideário igualitário, a sociedade ateniense esforçava-se para que não houvesse estratificação social na sua população.
A concepção de democracia na Atenas do século VIII a.C. não pode ser identificada com a concepção de democracia moderna nem pode ser identificada com um igualitarismo social tomado em sentido moderno.
A ideia de liberdade, sobre a qual também se funda a democracia, exigia que todos fossem considerados como cidadãos livres. Portanto, faziam-se esforços para que os escravos fossem reconhecidos em sua dignidade de seres humanos e fossem libertados do regime de escravidão.
Os trabalhadores eram respeitados como sujeitos de direito civis e políticos e exaltados como agentes de transformação social.

Na visão de Péricles, a igualdade democrática exige excluir como injustas todas as diferenças entre os cidadãos.
A democracia, segundo Péricles, caracteriza-se pelo jogo de interesses entre partidos. Consiste em fazer passar a visão do próprio partido como a melhor para o todo da polis.
Democracia é o estado político em que a soberania pertence somente aos nobres por nascimento ou à elite dos mais ricos e visa servir aos interesses desses dois segmentos.
Segundo Péricles, a democracia exclui o mérito como princípio para avaliar a capacidade de os cidadãos prestarem seu serviço ao público.
Na concepção de Péricles, democracia implica compartilhar o cuidado pela polis entre todos os cidadãos, buscando em todas as decisões favorecer a maioria; entretanto, possuir iguais direitos em relação às leis não exclui o princípio do mérito, ou seja, que os cidadãos mais virtuosos tenham papéis mais destacados na condução da vida em comum.

Toda opinião é necessariamente falsa, pois é baseada na aparência, e não na essência das coisas.
Para Sócrates, como educador, o importante era que o homem se tornasse capaz de ter opiniões sobre a realidade.
A ironia socrática era o modo de interrogar por meio do qual Sócrates levava o seu interlocutor ao reconhecimento de sua própria ignorância, fazendo a crítica das opiniões baseadas nas aparências assumidas pelos homens no cotidiano.
Na concepção socrática, o não saber é mera ignorância, portanto é o maior impedimento ao pensamento filosófico.

Da democracia grega fazia parte a isonomia, que é entendida, fundamentalmente, como a igualdade de todos perante a lei ou a igualdade da lei para todos os cidadãos.
Para os gregos, os escravos e bárbaros eram seres sem o domínio da palavra porque não eram seres humanos, mas meros animais.
Na vida política dos gregos, isonomia é entendida como isegoria, ou seja, liberdade de falar. O exercício político originário da linguagem consiste na conversa livre entre homens livres e iguais, em que se discute e se decide sobre os rumos da vida comum na polis.
Para os gregos, a palavra ou o discurso (logos) não tem importância, visto que o que importa na vida da comunidade política é agir.
Mesmo em uma relação despótica, dá-se o exercício político da linguagem, pois o déspota usa a palavra para dar ordens aos que lhe estão sujeitos e estes se utilizam da linguagem para obedecer às ordens.
Em O que é isto: a filosofia, Heidegger declara: “A palavra philosophia diz-nos que a filosofia é algo que, pela primeira vez e antes de tudo, vinca a existência do mundo grego (...): A filosofia é, nas origens de sua essência, de tal natureza que ela primeiro se apoderou do mundo grego e só dele, usando-o para se desenvolver”. Esse assenhoreamento ocorreu pelo despertar do espanto ou da admiração (thaumadzo) com o ser: “precisamente isto, que o ente permaneça recolhido no ser, que no fenômeno do ser se manifesta o ente; isto jogava os gregos, e a eles primeiro unicamente, no espanto. Ente no ser: isto se tornou para os gregos o mais espantoso”. O thaumadzo é atestado como princípio (arkhé) da filosofia por Platão e Aristóteles. Primeiramente, Platão (no Teeteto 155d) afirma: “É verdadeiramente de um filósofo esse pathos — o espanto (thaumadzein); pois não há outra origem imperante (arkhé) da filosofia do que este”. E Aristóteles (na Metafísica A 2, 982b 12ss) confirma o dito de Platão: “Pelo espanto, os homens chegaram agora e chegaram antigamente à origem imperante do filosofar”.
Acerca do tema abordado no texto acima, assinale a opção correta.Os primeiros filósofos podem ser considerados como primitivos cientistas da natureza, cujo thaumadzo decorria da precariedade de sua ciência.
Para os gregos, o espanto filosófico ocorria em relação ao mistério do ser, que abrangia e recolhia a totalidade do ente.
A filosofia é atemporal e, dessa forma, estranha à historicidade do ser humano.
O pathos que está no princípio da filosofia grega é a dúvida.
Para Platão e Aristóteles, o thaumadzo é apenas o início da filosofia, ou seja, ele deixa de valer em estágios mais avançados do filosofar.
Considerando a dialética platônica, assinale a opção correta.
A dialética, na concepção de Platão, é a lógica da aparência, ou seja, a arte dos raciocínios ilusórios; nesse sentido, a dialética identifica-se com o sofisma.
A dialética, na concepção de Platão, é meramente um instrumental de argumentação que se destaca pelo excessivo emprego de sutilezas, de distinções engenhosas e inúteis.
A dialética, em Platão, é a arte de discutir por perguntas e respostas, de dividir as coisas em gêneros e espécies, é remontar de conceitos em conceitos, de proposições em proposições, até os conceitos mais universais e os primeiros princípios, que não são meras ficções do espírito, mas têm uma consistência no ser.
A dialética platônica não está relacionada à ironia nem à maiêutica socrática.
A dialética, segundo Platão, é a aplicação científica da conformidade às leis, inerentes à natureza do pensamento; é a verdadeira natureza própria das determinações do entendimento, das coisas e, de uma maneira geral, do finito.
Aristóteles afirma no Livro V da Ética a Nicômaco:“A justiça é a forma perfeita de excelência moral, porque ela é a prática efetiva da excelência moral perfeita. Ela é perfeita porque as pessoas que possuem o sentimento de justiça podem praticá-la não somente em relação a si mesmas como também em relação ao próximo”. Tendo em vista o conceito de justiça apresentado acima, é correto afirmar que
a justiça deve ser compreendida nos termos das categorias aristotélicas.
o ato justo implica no aprimoramento da noção de cidadania.
um Estado justo necessita do exercício de atitudes que sejam convenientes a todos.
a concepção aristotélica de justiça sustenta-se principalmente na noção de alteridade.
Nos primórdios da filosofia, a sede pela descoberta da origem de tudo levou muitos filósofos a desenvolverem teorias que possuíam elementos primordiais, ou seja, elementos de onde vinham todas as coisas, como foi o caso com a água, o ar e os números. O argumento dos números, como elemento primordial, deve ser atribuído ao pensamento de
Anaximandro de Mileto.
Tales de Mileto.
Heráclito de Éfeso.
Xenófanes.
Pitágoras.
Segundo Aristóteles, o homem é animal gregário, mas se distingue de outros animais de mesma natureza por ser o único a experimentar o sentimento do bem e do mal, do justo e do injusto e outras qualidades morais.
Sobre os Pré-Socráticos, associe as ideias/feitos expressos nas máximas abaixo a seus respectivos pensadores:
(1) O estado inicial de todas as coisas tem de ser indeterminado, ou seja, não se identifica com nenhum outro elemento já descoberto.
(2) Foi o primeiro a afirmar que a Lua recebe sua luz do Sol.
(3) O mundo é um fluxo perpétuo onde nada permanece idêntico a si mesmo, mas tudo se transforma no seu contrário.
(4) O ser é uno, contínuo, único e eterno; sem princípio nem fim.
(5) Foi o primeiro a conceber a água como substrato e força geradora de tudo.
( ) Parmênides de Eleia.
( ) Tales de Mileto.
( ) Anaximandro de Mileto.
( ) Anaxímenes de Mileto.
( ) Heráclito de Éfeso.
A sequência numérica, de cima para baixo, que contém a associação correta é:
4, 5, 1, 2, 3
4, 5, 3, 2, 1
5, 4, 1, 2, 3
1, 2, 3, 4, 5
5, 4, 3, 2, 1
"Com efeito, ao falar do caráter de um homem não dizemos que ele é sábio ou que possui entendimento, mas que é calmo ou temperante. No entanto, louvamos também o sábio, referindo-nos ao hábito; e aos hábitos dignos de louvor chamamos virtudes." (Aristóteles, Ethica Nicomacheia, 1103b 11).
Das alternativas abaixo, NÃO correspondem à doutrina aristotélica da virtude:
Como hábitos, as virtudes são modos constantes de agir que se adquirem pelo exercício, não sendo, assim, inatas.
Sendo a política superior à ética, é em A Política de Aristóteles que encontraremos a síntese das virtudes que constituem a arete, “a virtude ou excelência ética”.
As virtudes intelectuais ou dianoéticas operam na parte racional do homem, isto é, na razão.
As virtudes práticas ou éticas operam na parte irracional do homem, nas suas paixões ou apetites, guiadas racionalmente.
A virtude se define como meio termo ou justa medida entre os extremos da falta e do excesso, sendo a virtude da coragem o justo meio entre os extremos da temeridade e da covardia.
O mito grego é uma narrativa sobre a origem das coisas, fundamentando a ordem do mundo segundo as leis, relações e feitos dos deuses. Sobre o mito, assinale a alternativa INCORRETA.
A genealogia é o modo pelo qual o mito narra a geração dos deuses, das coisas, das qualidades, por outros seres que são seus pais ou antepassados.
O mito narra acontecimentos na terra como consequência de alianças e rivalidades entre deuses, a exemplo da Guerra de Troia.
O mito narra a origem das coisas no mundo encontrando recompensas e castigos que os deuses dão aos que os obedecem, ou desobedecem, a exemplo do mito de Prometeu.
Os mitos são cosmologias e teologias, na medida que explicam o surgimento das coisas e dos deuses.
Os mitos são cosmogonias e teogonias, na medida que explicam o surgimento das coisas e dos deuses.
Para Aristóteles, o que diferencia a tékhne (arte, técnica) e os conhecimentos práticos (política e moral)?
A tékhne é superior à política e à moral porque é mais útil.
A política e a moral são conhecimentos, ao passo que a tékhne não é um saber, já que não pode ser nem aprendida e nem ensinada.
Enquanto a política e a moral têm como objeto o próprio agente do saber, o escopo da tékhne está em algo exterior ao agente.
Enquanto a política e a moral não podem constituir objetos de teoria, a tékhne pode.
Para Heráclito, o movimento resulta da oposição entre as coisas da natureza e é harmonioso.
Para Platão, o homem é a medida de todas as coisas e o conhecimento do real é sempre relativo.
A legitimidade do saber mítico-religioso, transmitido pelos poetas-rapsodos do mundo antigo, deriva da evocação de um saber lógico, ancorado no uso estrito da razão.