Questões de Concurso sobre Filosofia e Educação

 
 
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A partir do texto acima, é correto afirmar:


A
Que a única dificuldade encontrada no ensino de filosofia diz respeito à grade curricular.

B
Um dos aspectos importantes do trabalho do professor de filosofia no ensino médio insere-se na importância mais ampla da escola de consolidar um projeto democrático de acesso ao saber.

C
Pesquisadores e especialistas, na área da filosofia, são unânimes em afirmar a importância do trabalho do professor de filosofia no ensino médio.

D
Que são apenas duas as dificuldades encontradas no ensino de filosofia: a formação precária do professor de filosofia para esta função e as carências dos alunos.

E
O trabalho do professor de filosofia não é um trabalho simples devido à complexidade da vida dos alunos

Alejandro Cerletti, em O ensino de filosofia como problema filosófico (2009) apresenta, às páginas 31 a 40, a ideia de que o fazer filosofia pode se caracterizar como “repetição criativa” (concordando com outro autor, Alan Badiou) e, ao mesmo tempo, por defender que aulas de filosofia devam ser exercícios do filosofar, mediados pelo professor e dentro das possibilidades dos alunos, diz que, assumindo isso, pode-se dizer que esta ideia deve ser a “condição de nosso ensino” (p. 35). Repetição, no caso, tem a ver com o apresentar os problemas postos pela tradição filosófica e as soluções dadas a elas; criação tem a ver com o atualizar estes problemas para a realidade de cada contexto no qual os alunos e o professor estão inseridos. A repetição ele a denomina de “dimensão objetiva” e a criação de “dimensão subjetiva”. Diz, também, que tradicionalmente o ensino de filosofia se esgotou na dimensão objetiva (repetição do já produzido). Indica superar isso mantendo a repetição com a atualização criativa dos problemas e das soluções, sempre provisórias.

Segundo o texto,


A
repetir criativamente, no ensino de filosofia, consiste em oferecer aos alunos acesso a textos dos filósofos, auxiliá-los na identificação de aproximações entre a sua realidade e os problemas que nela os afetam e o pensamento dos filósofos e, ainda, auxiliá-los a pensar filosoficamente, de uma maneira própria, sua realidade e seus problemas.

B
o que importa verdadeiramente num ensino de filosofia que atenda às necessidades dos alunos é fazê-los pensar a partir dos seus problemas, sem necessidade de cotejá-los com os problemas presentes na história do pensamento humano.

C
o autor citado afirma que o ensino tradicional de filosofia foi totalmente inócuo.

D
oferecer aos alunos acesso a produções dos filósofos realizadas ao longo da história do pensamento humano auxiliando os na compreensão delas é algo não recomendável num ensino de filosofia contemporâneo.

E
repetir criativamente, no ensino de filosofia, significa ter acesso a textos dos filósofos para que, apenas por eles mesmos, os alunos identifiquem relações com os problemas de sua realidade.

Partindo do pressuposto que cabe ao professor de filosofia definir a temática filosófica com a qual trabalhará com os alunos, uma pergunta que se coloca é a seguinte: como desencadear o processamento da aula? Lídia Maria Rodrigo (2009, p. 57) indica o seguinte: “Definido o tema filosófico a ser abordado, pode-se promover uma primeira aproximação, ainda pré-filosófica, empregando recursos e materiais que sejam familiares e do interesse do estudante, como por exemplo, música, poesia, trechos literários, textos de jornal, filmes, etc.” Ao mesmo tempo esta autora afirma que “esse ponto de partida deve ser rapidamente superado, se quisermos ingressar no terreno da filosofia, uma vez que uma postura filosófica implica a ruptura com uma visão comum de mundo”. A partir do que é dito acima, considere as afirmações abaixo.

I. Poesia, literatura, filmes, textos de jornais têm pouco valor na educação por serem expressões do senso-comum, ou de uma visão comum de mundo.

II. Só há uma maneira de fazer ocorrer aulas de filosofia no ensino médio: utilizar recursos relacionados à experiência dos alunos, como os da poesia, da música, dos trechos literários, dos filmes, de textos de jornais, etc.

III. Pontos de partida não são pontos de chegada. São iniciadores de uma caminhada que, no caso da caminhada em direção a uma formação filosófica de estudantes do ensino médio, devem ser superados com o alcance do ponto de chegada que é a superação de uma visão comum de mundo.

IV. Filmes, músicas, poesias ou quaisquer outras formas literárias não devem ser utilizadas como conteúdos em aulas de filosofia no ensino médio.

V. Os recursos mencionados no enunciado desta questão, familiares e do interesse dos alunos, podem ser utilizados com proveito como desencadeadores do processo reflexivo e crítico do filosofar que se deseja instaurar nas aulas de filosofia com o objetivo de promover a ruptura ou superação da maneira de pensar, própria do senso comum, relativa aos temas filosóficos.

Está correto o que se afirma APENAS em:


A
I e IV.

B
II e V.

C
II, IV e V.

D
III e V.

E
I e III.

Com relação ao desenvolvimento da capacidade de conceituar, em aulas de filosofia, e partindo-se da aceitação da afirmação de que “não há filosofia sem conceito” (Frédéric Cossutta, 2001, p. 41) e de considerações apresentadas por Lídia M. Rodrigo (2009, p. 39 a 63), fica clara a dificuldade da obtenção de resultados positivos nesta empreitada. Até porque, como é dito aí, há duas dificuldades no trabalho com o conceito: a primeira é a da passagem da concretude da experiência à abstração conceptual e a segunda é a da passagem da abstração conceptual às situações singulares da experiência vivida. O texto de Rodrigo apresenta sugestões. Dentre elas a de caminhar gradualmente através de “pontes cognitivas que facilitem a passagem do concreto ao abstrato”. O uso de metáforas, analogias, comparações, exemplificações e outros meios é sugerido, mas com uma ressalva importante: “... é preciso certo cuidado no emprego desses recursos. Eles constituem pontos de apoio para a abstração, não seu substitutivo; um exemplo ou uma analogia, por mais adequados que sejam, não podem ser tomados como equivalentes do próprio conceito”.

Considere:

I. Sem conceitos não há filosofia e nem o filosofar.

II. Em aulas de filosofia, é fundamental o trabalho com o conceito e com a busca de desenvolvimento do processo de conceituar nos alunos.

III. A busca de desenvolvimento do processo de abstrair por parte dos alunos não é um trabalho fácil, mas é fundamental para que aulas de filosofia sejam, de fato, filosóficas.

IV. Há caminhos facilitadores deste desenvolvimento e cabe ao professor de filosofia buscá-los, como a utilização de analogias, comparações, exemplificações e outros.

V. A exemplificação é facilitadora no processo de busca do desenvolvimento da conceituação nos alunos, mas, por si mesma, não basta. Ela é recurso para algo mais que é a produção conceitual.

Está correto o que se afirma em


A
I, II, III, IV e V.

B
IV e V, apenas.

C
II, III e V, apenas.

D
I, III e IV, apenas.

E
II, IV e V, apenas.

Os conteúdos transversalizados da ética impregnam o cotidiano da escola e devem ser direcionados no sentido de desenvolver valores que promovam o convívio democrático na escola e além de seus muros. Dentre eles são priorizados:


A

solidariedade, ambição, respeito mútuo e justiça.


B

cooperação, respeito mútuo, diálogo e obediência.


C

justiça, diálogo, competição e democracia.


D

respeito mútuo, justiça, diálogo e solidariedade.


E

caridade, respeito mútuo, justiça e segurança nacional.

Ao trabalhar Filosofia com seu grupo de alunos do 5º ano do Ensino Básico, Cristina desenvolveu um projeto para a elaboração coletiva de uma proposta de normas para o convívio escolar. Para isso, partiu de uma reflexão filosófica sobre o cotidiano escolar por meio da observação das características diferenciadas dos alunos, de acordo com os diferentes grupos étnicos e culturais dos quais se originam suas famílias.


O procedimento didático utilizado por Cristina contribui para valorizar a diversidade cultural na medida em que:


A

forneça um modelo de comportamento comum e homogêneo para as atitudes dos alunos.


B

ofereça destaque às características dos mais bem dotados que servirão de modelo para todos.


C

permita justificar as condutas antissociais e a violência existentes no espaço escolar como reflexo da sociedade envolvente.


D

respeite e incorpore diferentes pontos de vista dos participantes integrados num objetivo comum.


E

incentive a competição entre os alunos pela sistemática comparação entre comportamentos distintos.

“A compreensão da Filosofia como disciplina reforça, sem paradoxo, sua vocação transdisciplinar, tendo contato natural com toda ciência que envolva descoberta ou exercite demonstrações, solicitando boa lógica ou reflexão epistemológica. Da mesma forma, pela própria valorização do texto filosófico, da palavra e do conceito, verifica-se a possibilidade de estabelecer proveitoso intercâmbio com a área de linguagens”. O texto citado afirma que:

I. Não há contradição entre o fato de a filosofia, no ensino médio, ser uma disciplina com suas especificidades e a afirmação de seu caráter transdisciplinar.

II. A busca de relações e intercâmbios com outras disciplinas do currículo escolar compromete a especificidade da filosofia como disciplina com identidade própria.

III. O exercício de demonstrações (argumentação), o respeito à boa lógica no pensar e reflexões relativas ao conhecimento e seus fundamentos – aspectos epistemológicos -, são preocupações comuns a todas as disciplinas e, por isso, aspectos a serem considerados em uma metodologia transdisciplinar no ensino de filosofia.

IV. O trabalho com o texto filosófico é algo específico da filosofia e não cabe levá-lo em conta em uma metodologia transdisciplinar no ensino desta disciplina.

V. Há aspectos importantes presentes tanto na filosofia quanto na área de linguagens que devem ser levados em conta numa abordagem transdisciplinar no ensino de filosofia no ensino médio.

De acordo com o recomendado pelo excerto retirado das Diretrizes Curriculares para o Ensino de Filosofia do MEC, está correto o que se afirma em


A
I, II e IV.

B
II, IV e V.

C
I, III e IV.

D
II, III e IV.

E
I, III e V.

“Chamamos essencialista ao tipo de pedagogia que coloca como função da educação realizar o que o homem deve vir-a-ser”.


Aranha e Martins


Entender a pedagogia dessa forma pressupõe:


A

a ideia de homem numa visão antropológica, que admite que o conceito do que é ser homem varia de acordo com cada época e a cultura na qual se constroem as representações sobre o ser humano.


B

a não existência de uma essência universal comum a todos os seres humanos, que o homem não nasce homem e por isso a educação é necessária, para que cada um possa cumprir seu destino social.


C

a concepção metafísica da natureza humana na tradição ocidental que vem desde Aristóteles e admite que existe uma natureza humana universal e idêntica para todos os seres humanos.


D

o homem como ser simbólico, o que o diferencia dos ouros animais e, portanto, precisa da educação para não retornar a seus instintos primitivos e realizar uma natureza selvagem.


E

que o homem foi expulso do paraíso a partir do momento em que deixou de se conduzir pela natureza, deixando pra trás os desígnios da criação divina que lhe permitiriam cumprir sua essência humana.

Leia o texto abaixo.


“Ao invés de indicar algo que seja comum a tudo o que chamamos linguagem, digo que não há uma coisa sequer que seja comum a estas manifestações, motivo pelo qual empregamos a mesma palavra para todas, - mas são aparentadas entre si, de muitas maneiras diferentes. Por causa deste parentesco, ou destes parentescos, chamamos a todas de 'linguagens'”.

Wittgenstein, Investigações Filosóficas.



O texto acima reflete o amadurecimento das ideias de Wittgenstein que, nessa fase,


A

considera a estrutura essencial da linguagem como aquilo que possibilita dizer algo verdadeiro ou falso sobre a realidade.


B

admite uma análise pragmática da linguagem, considerando a multiplicidade de contextos em que a utilizamos.


C

defende que a linguagem é fruto da estrutura lógica do pensamento, unificando pensar, ser e dizer.


D

introduz o conceito de “jogos de linguagem”, cujas regras oferecem a consistência lógica necessária ao discurso sobre a realidade.


E

compreende que os limites da linguagem são, eles mesmos, os limites nos quais pensamos a realidade.

Considere o texto e as afirmativas abaixo.

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Está correto o que se afirma APENAS em


A
IV e V.

B
I, II e V.

C
III e V.

D
I e III.

E
II e IV.

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A partir da citação acima, é correto afirmar:


A
a emotividade e os desejos são móveis indiscutíveis de nossas preferências ao agir daí que, apenas este aspecto deve merecer atenção educacional.

B
as novas filosofias estão corretas ao criticarem os cuidados com o pensamento racional, em especial na educação, pois, somente ele deve ser levado em conta.

C
o autor citado afirma que somente o emocional ou a afetividade merecem atenção por parte da educação, daí a importância de uma educação estética.

D
na educação, tanto os aspectos epistêmicos quanto os aspectos do desejo e da afetividade devem ser bem trabalhados com os estudantes, visto serem muito importantes para a realização do ser humano.

E
o autor afirma que há uma importância maior do aspecto cognitivo no ser humano e que isso deve nortear as propostas pedagógicas.

Considere o texto e as afirmativas abaixo.

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Está correto o que se afirma em


A
I, III, IV e V, apenas.

B
II, III e IV, apenas.

C
I, II, III, IV e V.

D
II e IV, apenas.

E
III e V, apenas.

Leia o texto abaixo.


“Não é demais destacar que, na ótica da LDB, os conhecimentos de Filosofia e Sociologia são justificados como 'necessários ao exercício da cidadania' [...]. Com os demais componentes da Educação Básica, devem contribuir para uma das finalidades do Ensino Médio, que é a de 'aprimoramento como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico' [...]”.

Parecer CNE/CEB: 38/2006.



De acordo com o contexto atual da legislação educacional brasileira, podemos afirmar que a Filosofia


A

passou a ser, recentemente, um conhecimento obrigatório em todas as etapas da educação básica, inclusive no Ensino Médio.


B

ainda hoje, é disciplina obrigatória no Ensino Médio de escolas públicas, e facultativa para a mesma etapa nas escolas privadas.


C

passou a ser, mais recentemente, considerada disciplina obrigatória no Ensino Médio de todas as escolas públicas e privadas.


D

passou, muito recentemente, de conhecimento obrigatório para conteúdo transversal obrigatório, tendo a ética como conteúdo central.


E

desde 2008, assumiu a condição de disciplina obrigatória nos ensinos Fundamental e Médio das escolas públicas.

Com relação a se ter uma organização do plano de ensino de filosofia para o ensino médio ou centrado na história da filosofia, ou tendo como foco temas a serem, de alguma maneira, definidos pelo professor, Lídia Maria Rodrigo afirma que “não é obrigatória a opção por uma dessas alternativas, havendo possibilidade de mesclá-las em um programa composto por uma parte histórica e outra temática”. (2009, p. 53). Pensando assim ela diz ser favorável à organização do plano de ensino de filosofia que tenha a história da filosofia não como centro e sim como referencial.

Tomando por base suas afirmações, pode-se dizer que esta autora:


A
descarta totalmente a presença da produção dos filósofos ocorrida ao longo da história.

B
afirma ser a opção por se organizar a programação do ensino de filosofia no ensino médio aquela que tenha unicamente por base as temáticas filosóficas.

C
propõe uma organização do plano de ensino de filosofia que não descarta a história da filosofia e sim que a tenha como referencial.

D
indica que o professor jamais poderia ter com alternativa organizar seu plano de ensino de filosofia tendo como centro a história da filosofia.

E
sugere que a história da filosofia seja o referencial para os temas a serem trabalhados nas salas de filosofia.

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Segundo o autor,


A
dependendo da opção escolhida para orientar a organização do plano de ensino da disciplina filosofia, o recurso à história da filosofia pode ser dispensado.

B
a melhor maneira de se organizar um plano de ensino de filosofia é a de tomar a história da filosofia como centro do trabalho em sala de aula.

C
seja qual for a orientação escolhida, dentre as duas postas pelo autor, a presença da produção filosófica já realizada historicamente, é fundamental no ensino de filosofia.

D
aulas de filosofia devem promover o “livre pensar” e, isto, não requer nenhum acesso às produções filosóficas ao longo da história.

E
compete ao professor de filosofia definir com seus alunos a temática da aula de filosofia, sem levar em conta as duas orientações colocadas.

“Para não se estabelecer uma univocidade conceitual ou qualquer outro tipo de doutrinação teórico-valorativa que desrespeite a pluralidade de pontos de vista filosóficos, os eixos visam a oferecer diretrizes claras e objetivas para a prática docente e trazem uma abertura para opções teóricas, conceituais e de aplicabilidades conforme a escolha do educador de filosofia. Cabe a esse fazer continuamente uma checagem de qual a melhor estratégia didático-metodológica para o processo de aprendizagem do filosofar”.

“A liberdade de opção teórico valorativa não restringe seu papel formador (o da filosofia), muito pelo contrário, as doutrinações é que podem sufocar a própria possibilidade do filosofar e, paradoxalmente, impedir um diálogo com as outras disciplinas, principalmente com as áreas de humanas”. Os dois excertos acima constam no documento “Currículo Básico Escola Estadual, Ensino Médio, v. 3: Área Ciências Humanas” (2009) na parte relativa à Filosofia do Estado do Espírito Santo. Considere as afirmações abaixo.

I. Afirma-se que muita liberdade teórica e valorativa atrapalha o papel formador da filosofia, visto que pode gerar confusões conceituais e de opções nos jovens estudantes.

II. Qualquer tipo de doutrinação deve ser banido do ensino de filosofia.

III. Cabe ao professor de filosofia, como educador, checar quais os melhores conteúdos devem ser oferecidos aos alunos afim de se garantir uma boa univocidade conceitual, cabível num processo formativo de cunho filosófico.

IV. A filosofia, como um saber específico não deve se preocupar com diálogos com as demais ciências, nem mesmo com as ciências humanas.

V. A doutrinação é o que sufoca ou impede o próprio filosofar e não a liberdade de escolhas teóricas e valorativas as quais, por sua vez, não limitam o papel formativo da filosofia.

Está correto o que se afirma APENAS em


A
I e IV.

B
II e V.

C
I, IV e V.

D
I, III e IV.

E
III e IV.

Diversos estudiosos de metodologia de ensino de filosofia insistem na necessidade de não apenas oferecer informações filosóficas aos alunos, mas também, em buscar, nas aulas de filosofia, desenvolver neles algumas características próprias do filosofar. Alguns destes estudiosos reportam-se a uma fala de Kant posta desta forma: não se deve ensinar filosofia e sim a filosofar. Lídia M. Rodrigo (2009) diz algo a respeito: “Retoma-se, assim, a perspectiva posta pelos PCN sobre o ensino de filosofia, ao propor que a aquisição de um conteúdo filosófico esteja vinculada à apropriação de um método de acesso a esse conhecimento”. Ao se referir a alguns estudiosos, diz ela que eles apontam três aspectos como “definidores da prática do ensino de filosofia: problematizar, conceituar e argumentar”.

A partir do texto acima, é correto afirmar:


A
Não se deve ensinar, nas aulas de filosofia, o pensamento de algum filósofo, mas sim deve-se ensinar a filosofar.

B
Aulas de filosofia devem exclusivamente ensinar ou oferecer ajuda aos alunos para que saibam problematizar, conceituar e argumentar.

C
Kant era contra o ensino de filosofia.

D
Aulas de filosofia devem ser exercícios de filosofar sem preocupação com qualquer conteúdo especificamente filosófico, visto que o que interessa é que o aluno saiba perguntar, problematizar e argumentar.

E
No ensino de filosofia, segundo certa maneira de pensá-lo por parte de alguns estudiosos, deve-se aliar ao estudo de certos conteúdos, a busca de desenvolvimento, nos alunos, de aspectos que caracterizam o filosofar.

“O fato mais marcante da vida humana é que temos valores. Pensamos em modos pelos quais as coisas poderiam ser melhores e mais perfeitas e, portanto, diferentes do que são e também em modos como nós mesmos poderíamos ser melhores, e, portanto, diferentes do que somos. Por que é assim? De onde tiramos estas ideias que vão além do mundo que experimentamos e parecem colocá-lo em questão, julgando-o, dizendo que ele não é satisfatório, que ele não é o que deveria ser? Claramente não as tiramos da experiência, pelo menos não de uma maneira simples. E é intrigante também que estas ideias de um mundo diferente do nosso nos conclamam, dizendo-nos como as coisas deveriam ser e que nós deveríamos tornálas assim”. (Christine KORSGAARD. The Sources of normativity. Cambridge University Press, 1996, p.1. - Tradução de Telma Birchal).


Tomando o texto como referência destaque a atuação do professor ao tratar do assunto com seus alunos.


A

Pode-se tomar como ponto de partida a habilidade “Distinguir entre as esferas dos fatos e dos valores”, definida na Proposta Curricular. Isto pode ser feito mediante a exploração dos pares de conceitos juízos de fato e juízos de valor.


B

Optou-se por introduzir o tema da ética mediante a distinção entre “ser e dever ser”, mas o professor pode traduzir a problemática ao modo dos alunos e apelar a autores e tradições que são necessariamente os indicados aqui.


C

A ideia é evitar que o aluno se sensibilize para uma dimensão fundamental da ética, qual seja a da avaliação sempre possível do “que é” em nome do que “deve ser”, a da sempre possível crítica e negação, ao modo de Platão.


D

A prática efetiva das pessoas, em nome do que seria injusto e incorreto se fazer, é o que chamamos de ética.

Os PCN’s de Filosofia identificam uma série de habilidades e competências necessárias na realização do processo de ensinoaprendizagem do saber filosófico. Nesse sentido, o professor que aborda um novo tema ainda não conhecido pelos alunos, em um primeiro momento, introduz o panorama histórico no qual a temática se desenvolveu.

Para essa abordagem inicial, pela orientação dos PCNs, o professor realiza a habilidade/competência de


A

articular diferentes conteúdos e modos discursivos da Filosofia com outras produções culturais.


B

contextualizar conhecimentos filosóficos, por exemplo, no plano de sua origem específica.


C

ler, de modo filosófico, textos de diferentes estruturas e registros.


D

elaborar, por escrito, o que foi apropriado de modo reflexivo.


E

debater, assumindo e defendendo uma posição argumentativa.

“Não é possível desunir Filosofia de filosofar, pois os dois são uma mesma coisa. O filosofar é uma disciplina no pensamento que, ao ser operada, vai produzindo Filosofia e a Filosofia é a própria matéria que gera o filosofar. São indissociáveis. A matéria Filosofia separada do ato de filosofar é matéria morta, recheio de livro de estante. Para ser Filosofia ela tem que ser reativada, reoperada, assim reaparecendo a cada vez. Como a malha tricotada que só aparece se houver o ato do tricotar”.


(ASPIS, R. P. L. “O professor de Filosofia: o ensino de Filosofia no ensino médio como experiência filosófica”. In: Cadernos Cedes, Campinas, vol. 24, n. 64, p. 305-320, set./dez. 2004.)


A posição teórica sustentada no trecho acima – a de que não há propriamente uma dissociação entre a História da Filosofia e o filosofar –, aplicada ao ensino de Filosofia, pode ser executada com diversas estratégias.


Com relação à perspectiva de vinculação entre história da Filosofia e o filosofar no ensino de Filosofia, assinale V para a afirmativa verdadeira e F para a falsa.


( ) Essa perspectiva permite recuperar a superioridade epistemológica do ensino universitário em relação à educação básica, ao garantir, para essa última, a certeza e a autenticidade do conteúdo filosófico a ser transmitido aos alunos das escolas.

( ) Essa perspectiva cria condições para que o licenciando em Filosofia consiga traduzir, de modo autônomo e produtivo, sua convivência com as questões e os textos clássicos da Filosofia para o contexto de sala de aula.

( ) Essa perspectiva possibilita superar o distanciamento entre a atividade pedagógica e a pesquisa especializada, proporcionando ao estudante de Filosofia uma inserção efetiva no seio da tradição filosófica.


As afirmativas são, respectivamente,


A

F, V e F.


B

F, V e V.


C

V, F e F.


D

V, V e F.


E

F, F e V.

 
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