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Uma pessoa vê-se forçada pela necessidade a pedir dinheiro emprestado. Sabe muito bem que não poderá pagar, mas vê também que não lhe emprestarão nada se não prometer firmemente pagar em prazo determinado. Sente a tentação de fazer a promessa; mas tem ainda consciência bastante para perguntar a si mesma: não é proibido e contrário ao dever livrar-se de apuros desta maneira? Admitindo que se decida a fazê-lo, a sua máxima de ação seria: quando julgo estar em apuros de dinheiro, vou pedi-lo emprestado e prometo pagá-lo, embora saiba que tal nunca sucederá.
KANT, I. Fundamentação da metafísica dos costumes. São Paulo: Abril Cultural, 1980.
De acordo com a moral kantiana, a “falsa promessa de pagamento” representada no texto
assegura que a ação seja aceita por todos a partir da livre discussão participativa.
garante que os efeitos das ações não destruam a possibilidade da vida futura na terra.
opõe-se ao princípio de que toda ação do homem possa valer como norma universal.
materializa-se no entendimento de que os fins da ação humana podem justificar os meios.
permite que a ação individual produza a mais ampla felicidade para as pessoas envolvidas.

Considerando o texto precedente e outros aspectos da filosofia kantiana a ele associados, assinale a opção correta no que refere às concepções kantianas de razão prática e liberdade.
Analise os trechos abaixo.
“Se, porém, todo o conhecimento se inicia com a experiência, isso não prova que todo ele derive da experiência” (Crítica da Razão Pura, B1)
“Sem a sensibilidade, nenhum objeto nos seria dado; sem o entendimento, nenhum seria pensado. Pensamentos sem conteúdo são vazios; intuições sem conceitos são cegas [...] Só pela sua reunião se obtém conhecimento”. (Crítica da Razão Pura, B75)
A respeito dos trechos assinale a alternativa incorreta.
Do debate que acompanhou a filosofia moderna entre os dogmáticos, sejam empiristas ou intelectualistas, sobre as fontes do conhecimento científico, Kant parece se posicionar em um “meio termo”, quando, de fato, muda os termos do problema
Kant parece aderir ao ceticismo quando recusa que nosso conhecimento alcance as coisas em si; estas, não podemos conhecer. Só podemos conhecer os objetos da experiência sensível, que são condicionados pela forma em que são recepcionados pela sensibilidade e pela forma em que são pensados pelo entendimento
Kant consegue assim conciliar o inatismo das ideias dos intelectualistas com os dados empíricos dos objetos fora da consciência, concedendo igualmente a ambos os lados da disputa dogmática
A Crítica da Razão Pura toma primeiramente intuições cegas para saber o que nos fornecem de antemão; após isto, toma pensamentos vazios para também deles saber o que fornecem, para extrair disso os limites e condições de toda experiência possível
Consideradas as coisas assim – do ponto de vista transcendental –, Kant salvaguarda os direitos da Metafísica em tomar os objetos para além da experiência, os mais dignos de serem pensados, como Deus, liberdade, alma, mas com esta restrição: só pensados, pois já não podem ser de modo algum conhecidos
Assinale a alternativa que apresenta o ente racional para o qual o conceito de vontade boa contém o de dever, manifestando-se na forma do mandamento, do imperativo, conforme defende Kant em sua obra “Fundamentação da Metafísica dos Costumes”.
Sujeito cuja vontade é necessariamente boa.
Sujeito que possui exclusivamente bons talentos.
Sujeito que possui tanto apetite racional quanto inclinações naturais.
Sujeito exclusivamente mau.
Sujeito santificado.
Leia as afirmativas a seguir:
I A moral kantiana, alicerçada na possibilidade do imperativo categórico, não dá conta de deliberar sobre ações em situações particulares, em que se consideram as consequências previsíveis das ações que requer o resgate da prudência aristotélica.
II A moral kantiana considera as motivações dos atos, os seus fins e fornece os critérios formais (e, por isso, universais) de deliberação, na forma de um dever, um mandamento que a razão dá à vontade e, assim, pode prescindir da experiência.
III A ética aristotélica considera as motivações dos atos, os fins (o bom, o justo e a felicidade) e trata de julgar caso a caso, segundo os critérios extraídos da experiência; opera assim por imperativos hipotéticos.
IV A ética aristotélica considera que a virtude se identifica com a razão, cujo desenvolvimento, isto é, do movimento da potência ao ato, é um fim determinado pela natureza.
Estão corretas as afirmativas:
I, III, IV apenas
II, III, IV apenas
I, II, III apenas
I, III apenas
II, IV apenas
asdJosé, taxista, passa por dificuldades financeiras. Seu pai, doente, requer tratamento que a família não pode custear. Certo dia, tendo constatado que a mala esquecida por um passageiro em seu táxi estava repleta de dinheiro, José vislumbrou a possibilidade de ficar com o dinheiro e utilizá-lo no tratamento de seu pai. Após muito refletir, José chegou à conclusão de que o correto seria devolver o dinheiro a seu proprietário e levou a mala com o dinheiro à delegacia de polícia.
Nessa situação hipotética, a atitude de José de devolver o dinheiro
remete à noção de justiça distributiva proposta por Aristóteles: a recompensa a cada indivíduo deve ser proporcional aos seus próprios méritos.
refuta o valor da ação política proposta por Arendt: os atos individuais, coordenados aos dos outros membros da sociedade, têm potencial de transformação social.
alinha-se ao pensamento kelseniano: o plano do dever ser é de natureza normativa e, nele, direito e moral se confundem.
corrobora a assertiva hobbesiana: toda ação humana voluntária é determinada pelas emoções, que incluem o egoísmo como destaque.
atende ao imperativo categórico kantiano: as escolhas que guiam as ações humanas devem seguir princípios universalizáveis.
Kant resume a lição básica da estética e da analítica transcendental ao afirmar que “as condições da possibilidade da experiência em geral são, ao mesmo tempo, as condições da possibilidade dos objetos da experiência” (Crítica da Razão Pura, A 158/B 197).
Assinale a alternativa que apresenta a consequência desta lição.
Podemos conhecer alma como se esta fosse um objeto de experiência.
Podemos conhecer a extensão espacial e temporal do universo como se fosse um objeto de experiência.
Podemos conhecer as coisas elas mesmas quando as colocamos numa experiência.
Podemos conhecer os objetos que estamos aptos a experimentar, aqueles que nos aparecem, e não as coisas em si mesmas e que estão para além da nossa experiência.
Podemos conhecer dialeticamente as ideais regulativas enquanto princípios constitutivos da experiência possível.