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A presença da traqueostomia pode trazer consequências que influenciam na deglutição. Analise as sentenças a seguir, relacionadas à atuação do fonoaudiólogo em pacientes traqueostomizados, e assinale a alternativa CORRETA.
I- Na presença de traqueostomia, o cuff, quando insuflado, reduz a luz esofágica, aumentando o risco de aspiração traqueal após a deglutição pelo acúmulo de alimento em recessos piriformes ou região retrocricoídea.
II- O ideal é poder manter o cuff desinsuflado durante a fonoterapia, mas isto nem sempre é viável, pois depende das condições clínicas e respiratórias do paciente, sendo necessário, por vezes, iniciar as estimulações ainda com cuff insuflado ou parcialmente insuflado.
III- A manutenção do cuff insuflado impossibilita o uso de técnicas para propriocepção intraoral, deglutição de saliva, coordenação, mobilidade, sensibilidade e tônus de órgãos fonoarticulatórios e ejeção de língua.
É CORRETO afirmar:
Apenas II é verdadeira.
Apenas III é verdadeira.
I e II são verdadeiras.
Todas as sentenças são verdadeiras.
A escala de penetração/aspiração de Rosenbek et al. (1996) oferece dados sobre o maior ou menor risco para a manutenção da via oral total, parcial ou para treino de reabilitação, tendo também sua relevância para a comparação após a reabilitação. Segundo esta escala, a aspiração laríngea ocorre quando o conteúdo alimentar
acumula em valécula.
entra em via aérea.
permanece acima das pregas vocais.
passa o nível glótico.
Leia as informações a seguir.
Paciente com queixa de engasgos e tosse durante a alimentação, após avaliação fonoaudiológica, recebe o diagnóstico de disfagia.
Neste caso, a alteração na fase faríngea da deglutição pode ocorrer em razão de:
alteração na contratilidade do esfíncter esofágico superior.
distúrbios na movimentação da musculatura facial.
alteração na adução de pregas vocais.
distúrbios cognitivos com alteração da consciência e da volição.
A deglutição é um ato fundamental para a manutenção da vida, desenvolve-se com o crescimento e maturação de estruturas e funções oral e faríngea. A ingestão oral adequada para a nutrição requer controle neuromuscular refinado na cavidade oral, faringe, laringe e esôfago, a fim de reduzir o alimento a uma consistência apropriada para a deglutição e para propelir o bolo resultante da região anterior da boca ao estômago. Considerando a fisiologia da deglutição, assinale a afirmativa correta.
Na etapa involuntária da deglutição, tem início a fase faríngea, na qual ocorre o direcionamento da ejeção oral, com consequente dissipação da pressão gerada, bloqueio parcial das vias aéreas, diminuição da pressão orofaríngea e impedimento do escape nasal.
Estudos experimentais evidenciaram que núcleos de nervos cranianos envolvidos no processo de deglutição, como o VI, VII, IX, X e XII, determinam o ritmo de sucção, mesmo que um grupo neural esteja separado do outro. Esses grupos neuronais são coordenados a trabalharem conjuntamente a partir do meio da gestação e início da vida extrauterina.
A fase esofágica tem início quando o bolo deglutido, transferido da cavidade oral para o esôfago, percorre a luz desse órgão a uma velocidade média de 7 a 10 cm/seg, até passar pelo esfíncter esofágico superior e penetrar no estômago por meio de movimentos peristálticos. Nesse momento, hioide e laringe retomam a posição de repouso e a transição faringoesofágica se fecha.
Os primeiros sinais de movimentos de deglutição surgem em torno da 25ª semana de vida intrauterina. A deglutição, nessa fase, tem um papel fundamental na regulação da circulação do líquido amniótico. Quando ocorre o nascimento, a modificação fisiológica brusca, advinda com a função respiratória, faz com que o bebê, que há pouco deglutia dentro de um ambiente líquido e não apresentava necessidade de ter ar nos pulmões, passe a incoordenar a sucção com a deglutição e os movimentos respiratórios.
É na fase oral que ocorre a preparação do alimento de acordo com as suas características, como o volume, a consistência, a densidade e o grau de umidificação. Após a preparação, o bolo deverá ser posicionado sobre a língua, sofrendo efeito das estruturas osteomusculoarticulares para a ejeção oral, momento em que, com as paredes bucais ajustadas, o escape anterior bloqueado e a língua em projeção posterior, ocorrem a pressão propulsiva de condução do bolo e pressurização da faringe. O controle eferente da fase oral envolve três nervos cranianos: V, VII e XII. Já na efetivação do controle sensorial, atuam os nervos V, VII e IX.
Analise as assertivas abaixo, relacionadas à fisiologia da deglutição:
I. O aumento da viscosidade do bolo leva ao aumento do tempo de trânsito orofaríngeo.
II. Com o aumento do volume, a atividade do músculo elevador do véu palatino aumenta durante a deglutição.
III. O líquido fino atinge a hipofaringe antes e permanece mais tempo nela quando comparado ao líquido espessado.
Quais estão corretas?
Apenas I.
Apenas I e II.
Apenas II e III.
I, II e III.
A deglutição é um processo contínuo, dividido em fases ligadas entre si. Sobre esse tema, assinale a alternativa CORRETA:
A deglutição é dividida em duas fases: oral e faríngea.
Na fase faríngea ocorrem a captação, contenção, preparação e o posicionamento do bolo alimentar.
Na fase laríngea que ocorre o fechamento das vias aéreas inferiores e o transporte do bolo alimentar da faringe para o esôfago.
A proteção das vias aéreas durante a deglutição se dá por meio da elevação e anteriorização da laringe e do fechamento glótico.
A musculatura da bochecha (músculo bucinador) condiciona o bolo alimentar, dando-lhe um formato e impulsionando-o para a faringe.
Qual a relação entre os fatores etiológicos dos distúrbios da deglutição, as alterações da função e os resultados da terapia miofuncional?
Mordida aberta anterior: paciente deglute com língua interposta entre as arcadas. O trabalho de posicionamento da língua deve ser iniciado antes do tratamento ortodôntico.
Mordida profunda: interfere no posicionamento da língua durante a deglutição e a fala, devido à diminuição da altura vertical do terço médio da face. O trabalho será benéfico quando realizado no final do tratamento ortodôntico.
Classe II: paciente deglute com movimento póstero anterior de língua, interposição do lábio inferior, participação da musculatura perioral e do músculo mentual. O trabalho deve ser realizado em conjunto com a ortodontia.
Classe III: deglutição ocorre com anteriorização de língua e excessiva participação da musculatura perioral e do lábio inferior. A terapia miofuncional para adequação da deglutição deve ser realizada concomitantemente ao tratamento ortodôntico.
Língua alterada: alterações do tamanho, altura, mobilidade e força interferem na deglutição, que ocorre com interposição da língua entre as arcadas, movimento de cabeça e ausência de vedamento labial. Prognóstico da terapia miofuncional não é bom.
Segundo Pernambuco et al. (2021, p.144), “a avaliação clínica da deglutição busca estabelecer o raciocínio clínico com base nos desfechos que evidenciam o transtorno de deglutição, sua etiologia e as condições de integração sensório-motora presentes ao longo do trajeto do bolo alimentar, líquidos e secreções da boca ao es ômago”. Sobre a avaliação clínica da deglutição, pode-se afirmar que:
A investigação de possíveis alterações no sistema estomatognático e faringolaríngeo por meio do exame físico normalmente é realizada após o exame funcional com a oferta de alimentos.
A aplicação de instrumentos de autopercepção do paciente quanto ao impacto do transtorno da deglutição na qualidade de vida só é pertinente em casos específicos, pois geralmente a opinião do paciente sobre o seu problema de deglutição não é diferente do resultado da avaliação clínica do fonoaudiólogo.
Alterações isoladas do sistema estomatognático identificadas no exame físico nem sempre representam impacto funcional na deglutição.
Como o objetivo da avaliação funcional da deglutição é detectar o risco de aspiração laringotraqueal, a sequência de oferta de alimentos deve ser logo iniciada com a consistência e volume que ofereçam mais risco para o paciente de acordo com a fisiopatologia da doença de base.
Na avaliação funcional padronizada da deglutição existe um tipo de sólido universalmente aceito, mas o mesmo consenso não ocorre em relação ao tipo de líquido.
Os mecanismos glóticos são citados por VAN DEN BERG, 1962, diferenciando cada uma das fases do ciclo glótico.
Ao encontro disso, assinale as fases correspondentes:
Aberta, fechada e fechamento.
Abertura, aberta, fechamento e fechada.
Aberta, abertura e fechada.
Abertura, fechada e fechamento.
Abertura, fechamento e fechada.
De forma genérica, o termo disfunção velofaríngea é utilizado quando há alteração no mecanismo velofaríngeo.
Assinale a alternativa correta em relação ao assunto.
A presença de fissura de palato submucosa, um subtipo da fissura de palato caracterizada por mucosa oral íntegra, também é uma das causas da incompetência velofaríngea.
A incompetência veloraríngea pode ser consequência de alterações adquiridas após a ressecção de tumores, de traumas sofridos ou de falta de tecido residual após a palatoplastia.
Na insuficiência velofaríngea pode-se encontrar extensão do véu palatino reduzida, como o palato curto, bem como a profundidade aumentada da faringe.
A insuficiência velofaríngea é comumente consequência de paralisia parcial ou total do véu palatino devido ao traumatismo crânioencefálico, miastenia gravis, encefalopatia, acidente vascular cerebral, aneurisma, entre outros.
A avaliação perceptiva da fala torna-se um importante indicador clínico do impacto da disfunção velofaríngea sobre a fala, sendo considerada “padrão ouro” e dispensando outras avaliações complementares.
Assinale a alternativa que NÃO corresponde a uma das causas da disfagia orofaríngea mecânica:
Macroglossia.
Acidente vascular cerebral.
Inflamações agudas dos tecidos da orofaringe.
Câncer na região de cabeça e pescoço.
Ressecções cirúrgicas.
O balão insuflado pode causar lesões na parede traqueal, como úlceras, estenose e traqueomalácia, os quais podem se manifestar semanas após a retirada da traqueostomia.
Certo
Errado
Um dos principais objetivos da reabilitação fonoaudiológica nas disfagias orofaríngeas é obter um padrão de deglutição sem riscos de complicações. Considerando as técnicas utilizadas na intervenção fonoaudiológica, assinale a alternativa INCORRETA.
A manobra supraglótica melhora o fechamento de vias aéreas antes e depois da deglutição no nível da glote e reduz as chances de aspiração.
Modificações na consistência e no volume do bolo alimentar modulam o desempenho sensoriomotor oral e faríngeo da deglutição; porém, não há efeito no trânsito orofaríngeo.
A realização do exercício de Shaker, técnica que possui eficácia comprovada no tratamento das disfagias orofaríngeas, há impactos positivos na abertura do esfíncter cricofaríngeo.
A manobra de Masako tem como objetivo aumentar a movimentação da parede posterior da faringe e o tempo de elevação laríngea, evitando estases alimentares e protegendo vias aéreas inferiores.
O desvio de ar pela cânula de traqueostomia leva à diminuição da sensibilidade da laringe e das pregas vocais, provocando, em alguns casos, aspiração de resíduos alimentares.
Certo
Errado
A traqueostomia interfere diretamente na deglutição, sendo seu uso a relação causal na incidência de aspiração.
Certo
Errado
A função de sucção, que desempenha papel diretamente relacionado à sobrevivência do bebê, pois através dela o indivíduo supre suas necessidades nutricionais logo que nasce, pode ser detectada por volta da 16.ª semana de vida intrauterina e apresenta-se desenvolvida a partir de 32 semanas de vida intrauterina.
Certo
Errado
A deglutição é um ato reflexo e complexo, multissináptico, com respostas motoras padronizadas e modificáveis por alterações no estímulo, no volume e na consistência do bolo alimentar. Músculos e cartilagens da laringe são interligados por nervos periféricos através dos pares cranianos, que, por sua vez, estão interligados ao tronco e ao córtex cerebral do sistema nervoso central, que realiza um comando central. O sistema nervoso central é responsável por iniciar e coordenar as várias estruturas envolvidas nas fases da deglutição.
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FURKIM, A.M. et al. Manual de Cuidados do Paciente com Disfagia. São Paulo: Lovise, 2000.
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Analise as afirmações abaixo com relação às estruturas anatômicas envolvidas na deglutição:
I- As estruturas anatômicas da cavidade oral responsáveis pela deglutição são: lábios, dentes, bochechas, palato duro, palato mole, úvula, mandíbula, assoalho da boca, língua e pilares amigdalianos.
II- As estruturas anatômicas da faringe responsáveis pela deglutição são: músculos constritores da faringe, bandas ventriculares, ligamentos ariepiglóticos e aritenóides.
III- As estruturas anatômicas da laringe responsáveis pela deglutição são: epiglote, valéculas, vestíbulo laríngeo, seios piriformes, cricofaríngeo, ventrículos laríngeos e pregas vocais.
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Está(ão) CORRETA(s) apenas a(s) alternativa(s):
II.
I e II.
II e III.
III.
I.
Alimentação é um processo complexo que inclui nível de atenção, cognição, desenvolvimento motor e neurológico, vínculo com a mãe, maturação fisiológica, estado geral de saúde e medicações. O desenvolvimento da alimentação consiste na maturação e na integração de todos os componentes necessários para a alimentação normal. São características encontradas por volta do sexto mês de vida durante a alimentação:
Canolamento (elevação das bordas laterais) da língua.
Movimento de língua e de mandíbula dissociado.
Reflexo de procura, de apreensão e sucção por anteriorização da língua.
Sucção caracterizada por anteriorização e posteriorização de língua.
Laringe elevada e anteriorizada, mais próxima da base da língua.
Acerca da fisiologia e execução dos exercícios em terapia de motricidade orofacial, assinale a alternativa CORRETA:
Em relação à assimetria de tônus entre as hemifaces, a literatura revela que o lado pior deve ser mais trabalhado que o bom, na proporção de dois para um.
Sabe-se que, quando há a necessidade de fazer os três tipos de exercícios (isotônico/isométrico/isocinético), é interessante começar pelo isocinético para o ganho de mobilidade, seguido de isotônico para a melhora do tônus e, por fim, o isométrico, objetivando o aumento de força.
Os músculos faciais são músculos esqueléticos; porém, diferem em alguns aspectos, como ausência de fusos musculares, unidades motoras pequenas, maior proximidade e pequeno tamanho dos músculos, tornando mais fácil a contração isolada.
A terapia miofuncional visa, por meio de exercícios específicos, a modificar o comportamento muscular, enquanto a mioterapia trabalha diretamente com as funções orais que se quer adequar, objetivando, dessa forma, a modificação muscular.
A contração isométrica ocorre quando uma extremidade do músculo está fixa e a outra móvel, contra uma força constante, determinando a diminuição do tamanho do músculo e consequente movimento do seguimento a que está fixado. Já a isotônica ocorre quando as duas extremidades musculares estão fixas, determinando o aumento da tensão ou força, sem haver encurtamento do músculo ou movimento perceptível.
Nos processos de mastigação e deglutição são identificados alguns circuitos reflexos, entre esses o reflexo de Gag, o qual gera:
expulsão por via oral de conteúdo alimentar já em porção gástrica.
movimentos de protusão e retração da língua e fechamento dos lábios, elicitado pelo leve contato nas bordas internas da boca.
movimentos rotatórios da mandíbula e da língua para que o bolo alimentar seja levado aos dentes para trituração.
contração abdominal, aumentando pressão subglótica e forçando exalação.
resposta ao estímulo tátil dado pelo contato do bolo alimentar com os pilares da fauce, parede posterior das fauces ou porção posterior da língua.