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A memória coletiva e a sua forma científica, a história, aplicam-se a dois tipos de materiais: os documentos e os monumentos.
(...). O monumento tem como características o ligar-se ao poder de perpetuação, voluntária ou involuntária, das sociedades históricas (...) e o reenviar a testemunhos que só numa parcela mínima são testemunhos escritos.
O termo latino documentum, derivado de docere ‘ensinar’, evoluiu para o significado de ‘prova’ e é amplamente usado no vocabulário legislativo.
(Jacques Le Goff. História e Memória, 1990. Grifos do autor)
Considerando a corrente historiográfica relativa ao excerto, monumento e documento diferenciam-se, entre outras razões, pelo fato de que o primeiro é entendido por ser
ligado à cultura material e o segundo, à cultura escrita.
fruto de seu tempo e o segundo, uma criação oficial e institucional.
acessível ao conhecimento popular e o segundo, restrito aos especialistas.
resultado da memória coletiva e o segundo, de uma memória individual.
herança do passado e o segundo, uma escolha do historiador.
A emergência da história e memória como campos interdisciplinares tem produzido debates intensos sobre os usos do passado, a construção de identidades coletivas e as disputas por reconhecimento. Autores como Paul Ricoeur, Pierre Nora e Michel Pollak destacam os diferentes regimes de historicidade em jogo nas narrativas públicas. Qual alternativa expressa uma compreensão crítica e metodologicamente sólida sobre a relação entre história e memória?
A memória coletiva, por sua natureza subjetiva, deve ser excluída das análises históricas rigorosas, pois compromete a objetividade do conhecimento.
O lugar de memória, enquanto categoria analítica, refere-se apenas a monumentos e datas comemorativas reconhecidas oficialmente pelo Estado.
A noção de trauma coletivo, ao ser incorporada pela história, dissolve as fronteiras entre fato e mito, inviabilizando a escrita histórica.
A história deve submeter-se à memória social para legitimar as narrativas dos grupos subalternos sem necessidade de análise documental.
A tensão entre história e memória revela disputas pelo sentido do passado, em que o historiador atua como mediador crítico das representações sociais.
As discussões sobre poder cultural e dominação simbólica, especialmente em Gramsci e Foucault, deslocam a análise da coerção estatal visível para processos difusos de produção de consentimento, disciplinamento e normalização. Em Gramsci, hegemonia envolve direção intelectual e moral, articulando sociedade civil, aparelhos privados e Estado ampliado. Em Foucault, o poder atravessa corpos, saberes e práticas, constituindo sujeitos por meio de dispositivos e discursos. Feminismos e ambientalismos também disputam representações culturais, regimes de visibilidade e significados políticos. Assinale a alternativa plenamente compatível com esse quadro teórico.
Teorias do poder cultural tendem a reduzir dominação a práticas explícitas de violência física estatal, minimizando o papel de discursos, pedagogias do consentimento e disputas de sentido na manutenção de ordens sociais historicamente determinadas.
As análises foucaultianas tratam o poder principalmente como atributo localizado em instituições estatais centrais, externo aos corpos e aos saberes, que funcionam como objetos passivos de estratégias disciplinadoras unilaterais.
A primeira onda feminista concentrou-se sobretudo em agendas de interseccionalidade pós-colonial e disputas ambientais globais, relegando a sufrágio, direitos civis e reformas jurídicas posição marginal na definição de suas pautas históricas.
Os ambientalismos oitocentistas consolidaram imagem linear de progresso industrial ilimitado, recusando a problematização de recursos naturais, colonialismo ou desigualdades territoriais nas críticas à expansão capitalista.
A noção gramsciana de hegemonia compreende liderança intelectual e moral, articulando coerção e consentimento em relações nas quais sociedade civil, aparelhos privados e Estado se entrelaçam na produção de direção política e de consensos culturais.
A respeito do tempo e do calendário entre os povos mesoamericanos, é correto afirmar que:
Os povos mesoamericanos não possuíam escrita, sendo importante a marcação de traços nas construções de pedras para registrar a temporalidade.
Os maias desenvolveram e utilizavam um calendário refinado, o qual possuía 130 dias contados a partir de 15 símbolos.
Os astecas não utilizavam datação ou calendários, pois marcavam suas informações em quipus. Esses eram objetos feitos de pano e amarrações.
Diferentes calendários marcavam o cotidiano das populações mesoamericanas, entre os quais se destacavam aqueles compostos por 365 dias e 260 dias.
A temporalidade na Mesoamérica era exclusivamente sincrônica e seus povos possuíam somente uma forma de calendário em comum para registrar a passagem do tempo.
O conceito de tempo histórico se distingue de outros conceitos relacionados à temporalidade. Sobre o tempo histórico, registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:
(__)O tempo histórico não é meramente uma extensão do tempo natural nem uma simples projeção da consciência, mas uma construção que interpreta, narra e coordena os eventos humanos inseridos numa temporalidade não estritamente sucessiva.
(__)Para a História, a temporalidade não é apenas uma questão de marcar datas ou sucessões cronológicas, mas envolve uma abordagem que considera a experiência subjetiva do tempo, seus ritmos, duração e a maneira como os eventos se inserem em uma cadeia de sentido.
(__)Para a História não é necessário analisar os diferentes ritmos e tipos de tempo (como o tempo de vida breve, o tempo natural, o tempo de inquietação), pois seu trabalho consiste principalmente na construção cronológica da narrativa respeitando a experiência humana.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
V − F − F.
F − F − V.
F − V − V.
V − V − F.
F − V − F.
No planejamento e na gestão de espaços de memória, devese atentar para a suscetibilidade dos arquivos a várias ameaças e riscos à sua integridade, como perda, dispersão, obsolescência tecnológica, entre outros.
Certo
Errado
Robert Darnton, em seu livro O grande massacre de gatos, discute o papel dos gatos na história cultural francesa do século XVIII. A relação entre os humanos e os gatos estava entrelaçada com as crenças sobre a natureza e as forças sobrenaturais. Segundo o historiador, qual era a percepção social dos gatos na França do século XVIII, e como isso se relacionava com a cultura popular da época?
Os gatos eram vistos como animais sagrados e objeto de culto, representando a harmonia entre o homem e a natureza.
Os gatos eram considerados animais de estimação e na cultura popular da época eram utilizados como companhia para as crianças.
Os gatos eram associados a práticas de bruxaria e superstição e também eram popularmente relacionados ao sexo feminino e ao pecado.
A população acreditava que os gatos traziam sorte e prosperidade, cultivando uma imagem positiva do animal.
Os gatos eram valorizados como caçadores de roedores, e sua presença nas casas era amplamente incentivada como uma ferramenta econômica.
Observe a imagem a seguir.

Fonte: https://expresso.pt/sociedade/2020-06-11-Estatua-do-Padre-Antonio-Vieiravandalizada-em-Lisboa.-PSP-procura-autores
Em 2020, a estátua do padre jesuíta Antônio Vieira, localizada na cidade de Lisboa, foi alvo de protestos com o escrito “Descoloniza”. Esse evento está associado a outros movimentos globais de remoção ou destruição de monumentos de personagens históricos ligados a práticas de opressão, como escravidão e maus tratos a grupos vulneráveis.
A respeito do episódio descrito, assinale a afirmativa correta.
Mostra a necessidade social de apagar o passado histórico para isentar alguns personagens de responsabilidade.
Mostra a intenção social de modernizar a cidade, ao remover elementos que se relacionam com o passado histórico.
Apresenta a vontade da população de apagar a história de personagens históricos que foram marginalizados.
Manifesta o questionamento social sobre os lugares de memória, ao criticar a exaltação de figuras ligadas à violência.
Expressa o desejo de um movimento social que busca resgatar o passado de glória de Portugal como um império.
Observe e analise a charge a seguir, reconhecida como a primeira charge política publicada no Brasil. O autor, Manoel de Araújo, nasceu em 1806 na cidade de Rio Pardo/RS. Começa a estudar pintura e desenho aos 16 anos, adotando o sobrenome Porto-Alegre em referência ao estado em que nasceu. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1827, ingressando na Academia Imperial de Belas Artes, estudando com o francês JeanBaptiste Debret. Em 1831, viaja com Debret para a Europa, tendo lições com outros grandes mestres da França, da Itália, da Inglaterra e da Bélgica. Por lá conheceu as publicações humorísticas de caricaturas políticas que circulavam no continente. Ao regressar ao Brasil em 1837, publica no Jornal do Commercio do Rio de Janeiro, no dia 14 de dezembro, a charge intitulada “A Campainha e o Cujo”.

A legenda no rodapé da página representa um diálogo:

Disponível em: https://nanquim.com.br/1837-a-campainha-e-o-cujo-de-manoel-de-araujo-porto-alegre/ Acesso em 20 ago 2025.
A charge apresentada aponta para uma questão frequente ao longo de diferentes épocas e conjunturas da História, inclusive no Brasil regencial, pois se refere:
à defesa da liberdade de imprensa em contextos de crescente democratização como o período regencial
à celebração da profissionalização do jornalismo como instrumento de construção cívica nacionalista
ao compromisso da produção de informação pautada pela imparcialidade e fidedignidade inerentes aos fatos
à intencionalidade de elaboração de discursos que corroborem ou disseminem as narrativas oficiais ao grande público
A crítica à noção de tempo histórico linear e progressivo, fundamental para as abordagens historiográficas influenciadas pelo positivismo, encontra no conceito de 'longa duração', formulado por Fernand Braudel, uma de suas principais contestações, ao propor que certos fenômenos estruturais persistem por séculos, minimizando a relevância de eventos conjunturais e da história factual na decifração das dinâmicas sociais mais profundas.
Certo
Errado
Assinale a opção que apresenta corretamente as contribuições e potencialidades da Arqueologia para o estudo da História.
Fornece novos dados aos estudos históricos por meio de elementos materiais, principalmente relacionados a sociedades que não possuíam sistemas de escrita.
Adiciona aos estudos históricos elementos materiais que ilustram o conhecimento, sem constituírem fontes históricas por carecerem de caráter textual.
Contribui para os estudos históricos ao fornecer materiais que revelam verdades históricas objetivas, que dispensam interpretações.
Incorpora aos estudos históricos elementos culturais imateriais, como saberes e práticas, que não estão presentes nas fontes primárias utilizadas pelos historiadores.
Colabora com os estudos históricos e prioriza objetos culturais da elite como os mais representativos, que resumem os aspectos cotidianos do passado.
A valorização das histórias locais e regionais é essencial para a construção das identidades culturais e sociais, conectando os estudantes ao seu entorno imediato e ampliando a compreensão das dinâmicas históricas. Avalie as afirmativas e registre V, para verdadeiro, e F, para falso:
(__)O estudo da história local contribui para o fortalecimento da cidadania, ao permitir que os estudantes reconheçam as especificidades e as memórias de sua comunidade.
(__)Histórias regionais e locais devem ser tratadas como complementos opcionais ao currículo, sem a necessidade de serem articuladas com as narrativas nacionais e globais.
(__)A valorização da história local e regional pode contribuir para o desenvolvimento de um senso de pertencimento e identidade, reforçando a conexão dos alunos com o lugar em que vivem.
(__)Estudos de caso sobre eventos locais podem ser utilizados como ferramentas para desenvolver o pensamento histórico e crítico dos estudantes.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
V, F, F, V.
V, V, V, V.
V, V, F, V.
V, F, V, V.
A relação entre memória, identidade e cultura é um tema central para a História, permitindo compreender como diferentes narrativas moldam as experiências sociais e coletivas. Analise as sentenças abaixo e registre V, para verdadeiro, e F, para falso:
(__)A memória coletiva é um elemento essencial na construção de identidades culturais, sendo sempre homogênea entre os diferentes grupos sociais.
(__)A identidade cultural está relacionada tanto à preservação de tradições quanto à incorporação de elementos de outras culturas.
(__)O ensino de História pode atuar como um espaço para questionar narrativas oficiais, promovendo o reconhecimento de memórias marginalizadas.
(__)As relações entre memória e cultura não são influenciadas por processos históricos de poder e dominação.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
F, V, V, F.
F, F, V, F.
F, V, F, V.
V, F, V, F.
A história oral tem se consolidado como uma metodologia relevante nas ciências humanas, especialmente pela possibilidade de acesso a memórias e perspectivas de indivíduos e grupos. Sobre a história oral, assinale a afirmativa correta.
Sua validade reside na própria capacidade de registrar eventos históricos com precisão factual.
Tem como objetivo basilar substituir as fontes escritas, consideradas escassas para o estudo do passado.
Rejeita criticismo ou método analítico, uma vez que as narrativas orais são consideradas fontes neutras e imparciais.
Entende-se que os conceitos de sujeito, linguagem e discurso são constitutivos do referencial teórico e filosófico da análise do discurso.
Permite compreender como os indivíduos constroem suas narrativas sobre o passado, valorizando as subjetividades e os contextos sociais.
A memória do ato administrativo é formada por três elementos: o documento de arquivo; o documento técnico-científico ou informativo; e os elementos dispersos.
Certo
Errado
"A periodização é uma ferramenta utilizada pelos historiadores para organizar e analisar o tempo histórico, dividindo-o em períodos que ajudam a compreender as transformações sociais, culturais, políticas e econômicas ao longo da história.” A periodização deve ser interpretada como:
Um recurso metodológico para dividir o tempo histórico em compartimentos rígidos e consensuais.
Uma convenção que reflete o ponto de vista histórico, sociocultural e geográfico.
Um método que considera apenas eventos de impacto global.
Uma técnica que tem predominância apenas na história contemporânea.
Uma estrutura obrigatória utilizada em todos os currículos escolares.
“Definir a história como o estudo do homem no tempo foi, portanto, um passo decisivo para a expansão dos domínios historiográficos. Contudo, a definição de História, no seu aspecto mais irredutível, deve incluir ainda uma outra coordenada para além do ‘homem’ e do ‘tempo’. Na verdade, a História é o estudo do Homem no Tempo e no Espaço” (Barros, 2006). A respeito da observação e organização do tempo ao longo da história das sociedades, assinale a alternativa INCORRETA.
Nas sociedades agrárias e pré-industriais, a medida do tempo foi feita conforme o ciclo das estações e os trabalhos agrícolas.
Nas sociedades industriais modernas, o tempo é medido por instrumentos mecânicos, marcando o horário de iniciar o trabalho e encerrar as atividades.
Para organizar o tempo histórico, os historiadores dividiram a História em quatro períodos, sendo uma convenção que apresenta acontecimentos significativos para todos os povos.
A necessidade de organizar o tempo social deu origem aos calendários, sendo criado com base em informações astronômicas, mas também nos ciclos da natureza.
O pensamento pós-estruturalista sugere que as identidades são mutáveis, sendo o sujeito construído a partir do inconsciente no desejo, na fantasia e na memória.
Certo
Errado
Um professor de história decide incluir no currículo um estudo sobre a história local da cidade onde seus alunos vivem, abordando movimentos sociais e ideológicos locais no século XX. Com base em Schmidt (2009) e Fonseca (1997), qual seria a abordagem metodológica mais eficaz para conectar a história local à história nacional e estimular o pensamento crítico dos alunos?
Utilizar fontes primárias locais, como jornais e documentos, analisando como esses eventos dialogam com movimentos nacionais e globais.
Concentrar-se exclusivamente nos aspectos locais, evitando relacionar os eventos com narrativas nacionais para não diluir a identidade local.
Aplicar um método de ensino tradicional baseado na memorização de datas e eventos, assegurando que os alunos adquiram uma base factual sólida antes de interpretarem o contexto nacional.
Priorizar a história nacional e global, abordando a história local apenas como um complemento secundário no currículo.
Basear-se unicamente em entrevistas com moradores locais, sem recorrer a outras fontes, para privilegiar narrativas orais e subjetivas.
Dentro das reflexões apresentadas por meio dos Parâmetros Curriculares Nacionais, analise as afirmativas abaixo e marque, posteriormente, a alternativa pertinente.
I- A organização dos conteúdos deve obedecer o princípio da linearidade.
II — É preciso que os conteúdos sejam analisados e abordados de modo a formarem uma rede de significados.
III - Um desenho curricular pode ser, portanto, composto de uma pluralidade de pontos, ligados entre si por uma pluralidade de ramificações ou caminhos, em que nenhum ponto (ou caminho) é privilegiado em relação a um outro, nem subordinado, de forma única, a qualquer um.
Todas as afirmativas são verdadeiras.
Todas as afirmativas são falsas.
Apenas a afirmativa I é falsa.
Apenas a afirmativa II é falsa.
Apenas a afirmativa III é falsa.