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Leia o texto a seguir.
O termo periodização indica uma ação humana sobre o tempo e sublinha que seu recorte não é neutro. Essa divisão não é um mero fato cronológico, mas expressa também a ideia de passagem, de ponto de viragem ou até mesmo de retratação em relação à sociedade e aos valores do período precedente.
LE GOFF, Jacques. A história deve ser dividida em pedaços?. São Paulo: Editora UNESP, 2015. [Adaptado].
De acordo com Le Goff, a periodização deve ser entendida como
uma constatação natural das rupturas históricas causadas por eventos políticos.
um critério cronológico universal para compreender as transformações da história.
uma ferramenta técnica que organiza a história em marcos cronológicos desvinculados de questões culturais.
uma operação cognitiva que expressa mudanças de valores e interpretações sobre a sociedade e o tempo.
As concepções contemporâneas de tempo e espaço histórico romperam com a tradição positivista e linear que predominou no século XIX. Sob a influência das correntes hermenêuticas e culturais, o tempo e o espaço passaram a ser compreendidos como dimensões de significação e experiência social. Nesse sentido, qual perspectiva se alinha à crítica historiográfica atual?
A visão de espaço como entidade física fixa e atemporal, independente das relações culturais.
A leitura de tempo histórico como reflexo direto dos ciclos econômicos determinados por fatores geográficos.
A compreensão de tempo e espaço como construções simbólicas e sociais, resultantes da interação entre sujeitos, práticas e representações que configuram múltiplas experiências históricas.
A noção de tempo histórico como sequência factual isenta de mediações simbólicas ou ideológicas.
A concepção de tempo como sucessão cronológica universal e de espaço como cenário neutro dos acontecimentos humanos.
Sobre os níveis e ritmos de duração do tempo histórico, considere as seguintes afirmativas:
I. O tempo do acontecimento breve se refere a eventos que têm uma duração longa e impactante, como regimes políticos ou transformações econômicas significativas.
II. O tempo da conjuntura pode ser identificado por eventos com duração que abrange períodos de vida, como guerras e crises econômicas.
III. O tempo da estrutura corresponde a mudanças que ocorrem de forma rápida e visível, como a assinatura de um acordo ou a fundação de uma cidade.
IV. O tempo da estrutura reflete mudanças lentas e duradouras, como hábitos religiosos e sistemas de trabalho que persistem por longos períodos.
Com base nas afirmativas, estão corretas:
Apenas I e III.
Apenas II e IV.
Apenas I e II.
Apenas III e IV.
I, II, III e IV.
Observe as duas imagens a seguir:
Imagem I

Fonte: Mercado de Escravos no Rio de Janeiro. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2023. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra9872/mercado-de-escravos-no-rio-de-janeiro.
Imagem II

Fonte: https://www.gov.br/palmares/pt-br/assuntos/noticias/cais-do-valongo-ganha-titulo-de-patrimonio-mundial-da-unesco
A imagem I retrata o Mercado de escravos na cidade do Rio de Janeiro no século XIX. Na cena pintada por Augustus Earle em 1824, estão representados homens em vestimentas próprias das classes abastadas e homens afrodescendentes despidos ou semidespidos em condição de cativo sendo comercializados. A imagem II é uma fotografia atual da mesma região da imagem I, que é o Sitio Arqueológico do Cais do Valongo, onde contém vestígios materiais da presença de afrodescentes escravizados na cidade carioca.
A análise das duas imagens em perspectiva comparada foi proposta por um docente como atividade didática sobre a escravidão, tendo o uso histórico dos espaços urbanos como objeto de estudo.
A respeito dessa atividade, avalie se as afirmativas a seguir são verdadeiras (V) ou falsas (F).
( ) Promove estudos e reflexões sobre a presença na atualidade de elementos materiais e mentais de outros tempos e incentivar reflexões sobre as relações entre presente e passado, entre espaços locais, regionais, nacionais e mundiais;
( ) Promove estudos e reflexões sobre a diversidade de modos de vida e de costumes que convivem na mesma localidade;
( ) Propõe estudos das relações e reflexões que destaquem diferenças, semelhanças, transformações, permanências, continuidades e descontinuidades históricas.
Assinale a afirmativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
V – V – V.
V – F – V.
V – V – F.
F – V – F.
F – F – V.
A respeito da relação entre a memória e a história, marcar C para as afirmativas Certas, E para as Erradas e, após, assinalar a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
( ) A memória é um atributo somente individual, tendo a interação com os outros uma função menos importante.
( ) A memória pode ser fonte para a história, mas não pode ser objeto de estudo.
( ) A memória não é sinônimo de história ou da realidade histórica passada.
C - C - E.
E - E - C.
C - E - E.
E - C - C.
Segundo Norbert Elias (1998, p. 13), o indivíduo não tem a capacidade de forjar, por si só, o conceito de tempo. Este, tal como a instituição que lhe é inseparável, vai sendo assimilado pela criança à medida que ela cresce numa sociedade em que ambas as coisas são tidas como evidentes. Numa sociedade assim, o conceito de tempo não é objeto de uma aprendizagem em sua simples qualidade de instrumento de uma reflexão destinada a encontrar seu resultado em tratados de filosofia.
(ELIAS, Norbert. 1998, p. 13.)
A questão da temporalidade pode ser trabalhada na escola. Trata-se de tema de grande pertinência em história. No caso das crianças, por exemplo, a aprendizagem do tempo:
Não é a mesma dos adultos. A ideia que concebemos de tempo (ontem e amanhã, antes e depois) é cultural e a aprendemos ao longo da vida.
É uma das coisas mais complexas, pois depende inequivocamente da capacidade lógico-matemática do indivíduo, o que é muito raro em crianças.
Só é possível a partir de lembranças de objetos que forem trabalhados em sala de aula, com contexto e significados determinados pelos docentes.
Principalmente, nos primeiros anos de desenvolvimento, serão definidos, por completo, as noções temporais do indivíduo e que o orientarão para o resto de sua vida.
“É nesta acepção que muitos historiadores empregam, com o mesmo sentido de documento, os termos fonte histórica, testemunho histórico, vestígio histórico, restos históricos, para designar os materiais que permitem a reconstituição do passado. Outros preferem utilizar a palavra documento para designar textos escritos e reservar o conceito de fonte histórica para todo o material utilizável na reconstituição da vida humana” (Aquino, 2008). Considerando o tema sobre fontes históricas, analise a sentença abaixo:
Atualmente, todos os vestígios deixados pelas gerações passadas são fontes históricas que podem ser analisadas pelos historiadores para produzir conhecimento histórico, constituindo um amplo campo documental constituído por diferentes tipos de registros (1ª parte). No século XIX, com o reconhecimento da História como uma disciplina acadêmica, assim como da profissão de historiador, as fontes históricas consideradas pelos historiadores constituíam apenas os registros escritos, especialmente aqueles de cunho cotidiano como cartas e diários (2ª parte). A partir da segunda metade do século XX, o conceito de fonte histórica mudou consideravelmente, passando-se a admitir toda a produção realizada pelos seres humanos como acervo documental, incluindo diferentes tipos de vestígios arqueológicos, monumentos, fotografias, pinturas, instrumentos de trabalho, vestimentas, entre outros (3ª parte).
Quais partes estão corretas?
Apenas a 1ª parte.
Apenas a 2ª parte.
Apenas a 1ª e a 2ª partes.
Apenas a 1ª e a 3ª partes.
Todas as partes.
A diversidade étnico-cultural nos mostra que os sujeitos sociais, sendo históricos, são, também, culturais. Essa constatação indica que é necessário repensar a nossa escola e os processos de formação docente, rompendo com as práticas seletivas, fragmentadas, corporativistas, sexistas e racistas ainda existentes.
(GOMES e SILVA, 2006, p. 25.)
A formação continuada deveria ser uma premissa em qualquer profissão. Mas quando se trata do caso específico de um professor, que se prepara do ponto de vista teórico e pedagógico para o ingresso no mundo educacional, essa questão é premente. Em relação às questões ligadas à diversidade étnico-cultural, em se tratando especificamente do professor da área de história:
O trabalho docente precisa ser construído a cada dia, enfatizando que o professor tem um significativo papel social na superação das barreiras e conflitos relacionados a esse e outros temas.
É fundamental que, para compreender a realidade na qual está inserido, sua prática educativa seja direcionada ao estudo de casos específicos de sua sala e/ou comunidade de referência para resolvê-los por inteiro.
É necessário que haja o acolhimento e a inclusão dos sujeitos aprendentes, mas, ao mesmo tempo, para evitar polêmicas ou constrangimentos, não se pode aludir de forma direta em sala sobre a discriminação racial ou cultural.
Independentemente de ter uma postura crítica, conscientizadora, ou democrática, o importante é que o docente seja um profundo conhecedor das causas desses processos, estudando-os, mas mantendo a neutralidade e a distância necessárias.
Marc Bloch escreveu que "a história é a ciência dos homens no tempo" (BLOCH, Marc. Apologia da História. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997, p. 55). Essa afirmação aborda um conceito fundamental da História: o tempo. Considere as afirmativas sobre o conceito de tempo e assinale V, para as verdadeiras, e F, para as falsas:
(__) O passado é objeto fundamental e único da História.
(__) O tempo na História pode englobar a diacronia (simultaneidade de fatos no tempo) e a sincronia (sucessão de fatos no tempo).
(__) O conceito de tempo engloba a noção de duração, a qual pode variar de acordo com o ritmo das mudanças e suas percepções nas sociedades.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
V − V − F.
F − F − V.
F − V − F.
V − F − V.
F − V − V.
A relação entre Tempo e História envolve uma série de conceitos e abordagens teóricas que influenciam a forma como interpretamos o passado. O entendimento do tempo, na historiografia, difere do conceito científico e pode afetar a maneira como os historiadores constroem suas narrativas e análises. Com base nas informações fornecidas e no seu conhecimento sobre a teoria histórica e as noções de tempo, assinale a alternativa correta:
A teoria da longa duração, desenvolvida por Fernand Braudel, propõe que os fenômenos históricos devem ser analisados em períodos curtos e eventos pontuais para melhor entendimento.
A abordagem teleológica da história, que vê o tempo como uma progressão linear em direção a um objetivo final, é fundamental para a compreensão das temporalidades braudelianas.
A noção de tempo cíclico foi central para a historiografia do século XIX, que buscava explicar a repetição de eventos históricos a partir de uma perspectiva determinista.
A periodização histórica, baseada na passagem do tempo natural ao tempo social, é uma característica das abordagens historiográficas estruturalistas, que se concentram nas relações de poder e economia.
A concepção de tempo linear progressivo é um elemento-chave nas filosofias da história de Hegel e Marx, ambos influenciados pela ideia de progresso contínuo da humanidade.
Os “caminhos da história ocidental” abrangem uma série de períodos históricos, desde a antiguidade clássica até os dias atuais, e envolvem uma análise profunda das mudanças e continuidades que ocorreram ao longo do tempo. Ao examinar os “caminhos da história ocidental”, os historiadores devem buscar entender:
A história eurocêntrica.
A cronologia exata dos eventos históricos.
Apenas as transformações políticas na história ocidental.
As interações entre diferentes sociedades e culturas ao longo do tempo.
A história ocidental como uma narrativa linear de progresso.
Por meio da descrição de uma aldeia no sudoeste da França no início do século XIV, o historiador francês Le Roy Ladurie encontrou, em Montaillou, vestígios sobre os relacionamentos sociais, as concepções locais de tempo, espaço e religião, sobre a economia pastoril e a vida material de seus moradores. Publicada em 1975, sua obra “Montaillou, povoado occitânico de 1294 a 1324”, transformou essa aldeia em um documento histórico.
De acordo com o exposto, assinale a alternativa que não se relaciona com a emergência desse tipo de trabalho na historiografia.
A influência da antropologia permitiu aos historiadores a análise microssocial.
A crise da ideia de progresso acentuou o interesse por culturas pré‑industriais.
A história cultural entre os Annales cedeu lugar à história econômica e social.
A história local emergiu dos estudos históricos de comunidade dos etnólogos.
De acordo com o trecho, é correto afirmar que a proposta de concepção de tempo histórico de Fernand Braudel admite
os ciclos vitais individuais de personagens históricos.
a rapidez das mudanças na estrutura social.
as rupturas resultantes dos grandes acontecimentos.
a convergência de diferentes tempos históricos.
a dimensão cronológica dos eventos cotidianos.
Por meio de acontecimentos concretos do passado, as narrativas históricas podem gerar regras de ação abstratas que podem ser aplicadas no presente ou remeter a expectativas de futuro. Ao propor o conhecimento histórico dentro do contexto anterior ilustrado, trabalha-se que tipo de orientação?
Memoração histórica
Análise crítica dos fatos
Relação passado versus presente
História prática
Teoria aplicada à prática
A "história das mentalidades", como promovida pelo(a) X, busca entender como as pessoas de diferentes épocas pensavam, sentiam e interpretavam o mundo ao seu redor. Essa abordagem foi particularmente desenvolvida por historiadores como Georges Duby e Philippe Ariès, que investigaram temas como a sexualidade, a morte e as concepções de tempo e espaço, revelando como essas mentalidades moldaram as práticas sociais e as estruturas culturais. Essa vertente de estudo contribuiu para uma compreensão mais profunda e complexa da história, indo além dos eventos e instituições para explorar as dimensões subjetivas e coletivas da experiência humana.
Preencha a lacuna acima e assinale a alternativa correta.
Historicismo
Escola dos Annales
Positivismo
Marxismo
Por ser heterogênea e imperfeita, a memória seleciona, elimina, exagera, minimiza, glorifica e modela uma versão dos fatos.
Certo
Errado
De acordo com Antoine Prost, "o que distingue a questão do historiador, situando-a à parte da questão formulada pelo sociólogo ou pelo etnólogo, é um aspecto que ainda não abordamos: sua dimensão diacrônica" (PROST, Antoine. Doze Lições sobre a história, 2017. p. 95). Sobre a História e o conceito de tempo no mundo globalizado atual é correto afirmar que:
O objeto da ciência história é exclusivamente o passado, por isso se distingue do sociólogo.
A memória é a própria História, sendo a História oral a materialização dessa premissa.
A sincronia é similar à diacronia, uma vez que ambas significam o mesmo para a produção da História.
A diacronia é importante para o historiador, pois a questão do historiador é formulada no presente.
A diacronia consiste no estudo exclusivo das permanências, por isso é fundamental para o trabalho historiográfico.
É importante perceber como a apropriação e a troca entre culturas se desenvolvem, fazendo com que não seja possível, por vezes, afirmar um lugar social estático e permanente para o tratamento de certo grupo. As experiências culturais são necessariamente intercambiantes e fenômenos culturais desse tipo são comuns nos países americanos, podendo-se citar, por exemplo, as culturas nativas do México e as tradições religiosas dos povos andinos, que conjugam a sua raiz axiológica com a tradição cristã. Assim, quando “o apropriante e o apropriado terminam por coexistir”, não caberia apelar para “uma certa pureza dos povos originários e das tradições”, uma vez que essas manifestações culturais são transformadas ao longo da história.
(CUCHE, Denys, 2009.)
No excerto anterior, as falas relativas ao “apropriante” e “apropriado” deixam patente que:
Os fenômenos culturais americanos, haja vista os processos de intercâmbio ao qual foram submetidos, são considerados intactos.
A raiz axiológica com a tradição cristã foi, sem dúvida, a única influência descaracterizante da cultura dos povos originários no processo de colonização americano.
A forma como ocorreram os processos de dominação do antigo sistema colonial influenciou a cultura dos ameríndios, mas não a homogeneidade da mesma.
A puridade tanto étnica quanto cultural no que se refere às manifestações culturais e ao próprio povo da América Latina, não condizem com a realidade histórica.
As correntes historiográficas são influenciadas por diversas concepções. Para compreender cada uma delas, é necessário saber diferenciá-las, a partir da compreensão de suas especificidades. Sobre a concepção de tempo, é possível destacar os seguintes predicativos, exceto:
Caráter puro
Caráter absoluto
Independente dos objetos materiais
Independente dos acontecimentos
Caráter intuitivo
A história descreve o fato que o Tratado de Tordesilhas dividiu o mundo conhecido e as terras “a descobrir” entre posses portuguesas e espanholas. Nesse sentido, assinale a assertiva que indica de forma correta o ano em que esse tratado foi assinado.
1501
1494
1323
1559