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A recuperação da herança cultural africana deve levar em conta o que é próprio do processo cultural: seu movimento, pluralidade e complexidade. Não se trata, portanto, do resgate ingênuo do passado nem do seu cultivo nostálgico, mas de procurar perceber o próprio rosto cultural brasileiro. O que se quer é captar seu movimento para melhor compreendê-lo historicamente.
MINAS GERAIS. Cadernos do Arquivo 1: Escravidão em Minas Gerais. Belo Horizonte: Arquivo Público Mineiro, 1988.
Com base no texto, a análise de manifestações culturais de origem africana, como a capoeira ou o candomblé, deve considerar que elas
permanecem como reprodução dos valores e costumes africanos.
perderam a relação com o seu passado histórico.
derivam da interação entre valores africanos e a experiência histórica brasileira.
contribuem para o distanciamento cultural entre negros e brancos no Brasil atual.
demonstram a maior complexidade cultural dos africanos em relação aos europeus.
Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados:
No âmbito de todo o currículo escolar, em especial na disciplina de História.
No âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras.
No âmbito de todo o currículo escolar, apenas no ensino fundamental e como tema transversal.
No âmbito de todas as atividades escolares na educação básica dando ênfase no mês de novembro quando se comemora, no dia 20, o “Dia Nacional da Consciência Negra”.
O Brasil foi um dos últimos países a abolir a escravidão. Uma das formas de resistência dos escravos era a fuga e a consequente formação de núcleos de povoamento livres da opressão dos senhores. Esses núcleos eram os(as)
quimbandas.
caifazes.
candomblés.
camélias.
quilombos.
O art. 68 do Ato das Disposições Transitórias da Constituição Federal dispõe que “aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos”.
Com relação ao assunto, assinale a alternativa correta.
Os quilombos eram comunidades formadas por índios que resistiram à colonização europeia.
Os quilombos eram comunidades onde viviam pessoas de origem africana, independente da causa de sua formação.
Os quilombos eram comunidades isoladas formadas por escravos fugidos do cativeiro, sendo que os quilombos maiores, como Palmares, reproduziam a organização social africana, com reis e diversas classes sociais, incluindo escravos.
Os quilombos eram comunidades formadas por pessoas que resistiram às diversas formas de opressão, tais como a escravidão, a ditadura e as perseguições políticas.
Torna-se claro que quem descobriu a África no Brasil, muito antes dos europeus, foram os próprios africanos trazidos como escravos. E esta descoberta não se restringia apenas ao reino linguístico, estendia-se também a outras áreas culturais, inclusive à da religião. Há razões para pensar que os africanos, quando misturados e transportados ao Brasil, não demoraram em perceber a existência entre si de elos culturais mais profundos.
SLENES, R. Malungu, ngoma vem! África coberta e descoberta do Brasil. Revista USP, n. 12, dez./jan./fev. 1991-92 (adaptado).
Com base no texto, ao favorecer o contato de indivíduos de diferentes partes da África, a experiência da escravidão no Brasil tornou possível a
formação de uma identidade cultural afro-brasileira.
superação de aspectos culturais africanos por antigas tradições europeias.
reprodução de conflitos entre grupos étnicos africanos.
manutenção das características culturais específicas de cada etnia.
resistência à incorporação de elementos culturais indígenas.
A Lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003, inclui no currículo dos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, a obrigatoriedade do ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira e determina que o conteúdo programático incluirá o estudo da História da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil, além de instituir, no calendário escolar, o dia 20 de novembro como data comemorativa do “Dia da Consciência Negra”.
Disponível em: http://www.planalto.gov.br. Acesso em: 27 jul. 2010 (adaptado).
A referida lei representa um avanço não só para a educação nacional, mas também para a sociedade brasileira, porque
legitima o ensino das ciências humanas nas escolas.
divulga conhecimentos para a população afro-brasileira.
reforça a concepção etnocêntrica sobre a África e sua cultura.
garante aos afrodescendentes a igualdade no acesso à educação.
impulsiona o reconhecimento da pluralidade étnicoracial do país.
A lei 10.639 foi sancionada em 2003 instituindo o ensino da cultura e história afro-brasileiras e africanas nos currículos escolares do Brasil, e a lei 11.645 de 10 de março de 2008 a complementa ao acrescentar o ensino da cultura e história indígenas. Ambas alteram a lei 9.394, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Tal legislação representa um enorme avanço dado em direção ao oferecimento de um ensino de história renovado na medida que, EXCETO:
propicia a valorização dos diversos grupos étnicos e culturais do país, incentivando um conhecimento mais abrangente de nossa cultura e de nossa história, estimulando o desenvolvimento de uma consciência política e histórica da diversidade.
leva ao fortalecimento de identidades étnicas e de direitos, além de promover ações educativas de combate ao racismo e às diferentes formas de discriminações, gerando condições para o estabelecimento de uma sociedade mais igualitária e mais justa.
traz para os alunos uma discussão sobre a história como construção de toda a sociedade, valorizando o papel de outros atores além daqueles tradicionais que escreveram a história oficial, ressaltando a condição de agente histórico de todos nós.
desmistifica a chamada “história oficial” de caráter eurocêntrico, recontando a história nacional a partir da perspectiva dos excluídos e da construção de uma história propriamente brasileira, desvinculada do processo histórico observado na Europa.
“É quase impossível falar da África no singular, de uma só África no Brasil: são muitas as origens, as trajetórias, as culturas.” (Mônica Lima). Sobre os princípios que norteiam o estudo de História e Cultura da África (e também indígena) na Educação Básica, todas as afirmativas estão corretas. EXCETO:
Volta-se para a discussão de preconceitos etnocêntricos, de olhar um povo ou etnia com os valores de um outro povo, considerando numa situação de superioridade e inferioridade.
Veio pela atualidade da História imediata para se pensar a integração existente hoje no mundo globalizado ao estudar outros países importantes pela sua relação comercial com o Brasil.
Responde a uma necessária reparação histórica de grupos relegados em escala inferior na memória e que ganham espaço de estudo e de composição na construção da identidade nacional
Abre discussão importante sobre desigualdade e exclusão no Brasil, traduzindo em cor as diferenças e assinalando a fratura ainda exposta da desigualdade étnico-racial brasileira.
Os mitos do “Eldorado” e da “herança sagrada”, segundo Leila Leite Hernandez, estão presentes nos versos de Fernando Pessoa, na medida em que, nesses versos, fica evidente, entre outras,
a imagem de um povo que via a si próprio como “único”, “escolhido” por Deus, e que concebia o “outro”, diferente, no caso o africano, como bárbaro, desprovido de religião e de civilização.
a visão de que as sociedades africanas só começam a integrar-se nas estruturas religiosas e culturais mundiais por meio de um povo escolhido por Deus e pela ação dos navegantes cristãos
o pensamento anticlerical iluminista, que condenava a ação das ordens religiosas portuguesas nos diferentes povos do continente africano, sob a justificativa de convertê-los ao cristianismo.
o retrato de um povo valente e corajoso, protegido pela ação divina, que se lançou aos perigos da navegação atlântica para se apropriar dos elementos culturais, materiais e religiosos do “além mar”.
uma crítica à versão da literatura religiosa portuguesa que considerava a conquista uma ação humanitária que salvaria os habitantes de um continente tenebroso, pelo contato da civilização ocidental.

A partir do texto é possível afirmar que a vitalidade do comércio dentro do continente africano, de curta, média e longa distância,
reforça a idéia de existência de uma África subsaariana definida como um todo homogêneo, indiviso e estático, marcado pelo primitivismo nas relações com o outro
apresenta a África como um continente marcado pela luta para promover a unificação política dos vários povos e culturas por meio dos intercâmbios comerciais.
permite identificar as principais organizações sociais e políticas na África pré-colonial, genericamente denominadas reinos e impérios e os sistemas de governo local.
afasta a idéia de um continente cindido em duas partes incomunicáveis, ao mesmo tempo que supera a idéia de homogeneização da África subsaariana
derruba a tese que define a África como um continente que é um verdadeiro mosaico de heterogeneidades, uma totalidade caracterizada pela complexa diversidade cultura
O texto e o conhecimento histórico permitem afirmar que a criação da Libéria foi uma resposta dos Estados Unidos da América
aos direitos de igualdade racial, defendidos pelos escravos que participaram da marcha para o oeste, ampliando as fronteiras do estado americano.
aos estados europeus, que expandiam seus territórios no continente africano, em defesa da democracia, contrapondo-se à prática imperialista da época.
às reivindicações por parte dos escravos negros, esperançosos em obter a liberdade como recompensa por sua participação na luta pela independência.
ao movimento dos escravos africanos, recapturados dos navios negreiros, pela Marinha norte-americana, em busca da garantia do direito a territórios livres.
aos negros alforriados, durante a guerra dos sete anos, que estavam convencidos que a emigração era a saída para fugir do racismo dos brancos.
Segundo Marina Mello e Souza (África e Brasil Africano. São Paulo: Ática, 2006), um conjunto importante de práticas e crenças mágico-religiosas de matrizes africanas que germinou no Brasil foram os candomblés, sendo do século XIX as primeiras referências a eles. Apesar de o termo pertencer à língua banto, no Brasil se refere a cultos religiosos de origem ioruba e daomeana. Nelas, as principais entidades sobrenaturais são os orixás e voduns. Estas entidades são a
origem da organização social e política e também aquelas que orientam toda ação dos homens em sua vida terrena, à semelhança do que ocorre entre os povos bantos.
fonte da leitura de indícios do além, feita por sacerdotes por meio de rituais e que permite que as forças do sobrenatural ajam para solucionar problemas do cotidiano, como no caso dos povos bantos.
fonte das práticas mágico-religiosas mais mestiças do Brasil colonial, segundo alguns autores, e que também agregam mais elementos cristãos, islâmicos, ameríndios e africanos tradicionais.
origem de formas de consulta aos oráculos, como o do Ifá, quando se jogam nozes-de-cola sobre a tábua esculpida, e também de rituais que permitem reconstruir os costumes africanos
origem de rituais banto associados ao termo kimbundo e também meios de punição pela falta de respeito a um ancestral.
O texto e da imagem permitem afirmar que o reino de Portugal, ao conquistar os mares e atingir um grande poder imperial em torno de 1500,
justificou o direito de se apossar de terras e subordinar populações com o argumento de estar levando a mensagem de Cristo e a salvação eterna para todos os povos conquistados.
contribuiu para o desenvolvimento cultural dos diferentes povos africanos por meio do trabalho de catequese dos missionários jesuítas que preservavam as crenças e valores dos nativos.
realizou um grande serviço aos africanos ao impedir a conversão dos povos primitivos do continente ao islamismo e levar a crença religiosa da existência de um único Deus aos africanos.
tinha como meta propagar as idéias iluministas praticadas na Europa Ocidental, como meio de desmistificar as crenças primitivas da existência de vários deuses dos povos africanos.
consolidou a organização social e política das sociedades africanas com a introdução da idéia de que os povos podem ser salvos se agregados em torno da crença monoteísta.
Com os elevados custos do transporte em lombo de burro dificultando que se plantasse café muito distante dos portos de embarque (Mambucaba, Ubatuba, Santos), os cafeicultores investiram na ferrovia. Inicialmente, com o apoio da Inglaterra, que forneceu recursos financeiros e tecnologia, e, em seguida, pela providência dos fazendeiros de café, a estrada de ferro se espalhou, sobretudo pela província de São Paulo.
(Ana Luiza Martins. Império do café)
A partir do fragmento, sobre a relação entre a produção cafeeira e a expansão ferroviária, é correto afirmar que
rapidez, facilidade e eficiência da ferrovia foram contribuições decisivas para a expansão da cafeicultura em São Paulo.
o alto custo do transporte ferroviário inviabilizou a exportação do café e gerou, na década de 1870, a primeira crise de superprodução desse produto.
o rápido desenvolvimento da ferrovia em São Paulo teve como consequência imediata o atraso na transição da escravidão para o trabalho livre.
a Inglaterra vinculou o financiamento da ferrovia em São Paulo à venda de café por um custo menor aos comerciantes ingleses.
embora as ferrovias tivessem surgido em função do café, ainda no século XIX foram substituídas pelas estradas de rodagem.

O texto revela que as medidas tomadas pelos colonizadores, na exploração do território africano,
a cobrança de impostos, tal como era feita na África pré-colonial, e a valorização do trabalho, com o declínio do número de agricultores africanos.
a discriminação racial, fundada no preconceito de que o negro era inferior, e o processo de proletarização do trabalho agrícola.
a propriedade fundiária, concentrada nas reservas nativas, e a ocupação de áreas livres pelos colonos brancos e africanos.
um sistema econômico nas áreas rurais, que permitia o uso costumeiro da terra em comum, e a prática da agricultura mista.
o confisco de terras aos colonos brancos e a regulamentação do trabalho compulsório nas propriedades agrícolas.

A visão de Mia Couto pode ser associada à ideia de que
a África é um continente homogêneo e o seu passado explicável através das tradições orais, devido ao fato de não ter produzido documentos escritos.
o racismo se explica pela uniformidade política e cultural dos povos que vivem dispersos pelo território do continente africano, desde sua pré-história.
os países africanos, ao mesmo tempo em que se libertaram da tutela colonial, conquistaram a independência econômica interna e externamente.
o endividamento e o aprofundamento da dependência da ajuda financeira externa dos países africanos resultaram da dominação européia.
os sistemas econômicos, administrativos, políticos e sociais das antigas metrópoles foram eliminados no processo de descolonização.
Considere os itens abaixo.
I. Participação de africanos na Primeira Guerra Mundial, que se repetiu na Segunda Guerra, quando perto de mil homens estiveram em frentes de batalha em países da Europa, no Oriente Médio etc., colocando os povos negros em contato com o caráter instrumental da técnica multiplicada pela violência exercida pelos povos brancos entre si.
II. Perdas materiais e humanas sofridas por uma Europa que, para se reerguer, precisou aceitar a desconfortável situação de depender do Plano Marshall e que, em razão das guerras, em particular da Segunda, teve de ceder sua hegemonia para os Estados Unidos e a URSS, o que deu início a um mundo caracterizado pela bipolaridade.
III. A experiência de uma revolução (Revolução Soviética de 1917) em um país de muito baixo desenvolvimento econômico que implementava o monopólio estatal nas relações de produção socialista, tornou-se um modelo para os países do Terceiro Mundo, em particular no continente africano.
IV. A importância do ideário liberal composto por direitos conquistados ao longo da história, abrangendo as liberdades fundamentais contidas na Declaração dos Direitos dos Estados Norte-Americanos e da Revolução Francesa, entre outros.
Assinale a alternativa que reúne corretamente os elementos que, segundo Leila Leite Hernandez, configuram a grande reviravolta que se iniciou na África, a partir 1914, e cujo caráter explosivo convergiu para os movimentos de independência naquele continente.
I e II, apenas.
I e IV, apenas.
II e III, apenas.
II, III e IV, apenas.
I, II, III e IV.
Segundo Marina de Mello e Souza (2007), algumas sociedades africanas formaram grandes reinos, como o Egito, o Mali, Songai etc., outras eram agrupamentos muito pequenos de pessoas que caçavam e coletavam o que a natureza oferecia ou plantavam o suficiente para o sustento da família e do grupo, mas, todas, das mais simples às mais complexas, se organizaram a partir
de uma capital, na qual morava um chefe responsável pela administração da justiça, da defesa do reino e da distribuição da riqueza produzida pelos trabalhadores e escravos.
de confederações de aldeias, que envolviam grupos de pessoas de várias origens africanas, em que os chefes religiosos possuíam autoridade absoluta sobre os outros chefes.
da fidelidade ao chefe e das relações de parentesco em que o chefe de família, cercado de seus dependentes e agregados, era o núcleo básico de organização.
de grupos nômades, compostos tanto de pastores do deserto quanto de coletores e caçadores das florestas, que se reuniram em torno de um chefe considerado heroi.
da instalação de um conselho de chefes em que o chefe de cada grupo, reunido com seus auxiliares conselheiros, era o sustentáculo da estrutura da sociedade.
Observe a pintura.

No que se refere ao estudo da história da sociedade brasileira, a obra de Debret, ao reproduzir os vários tipos de negras africanas que o artista encontrou no Rio de Janeiro,
representa um importante recurso para enriquecer os livros de história com obras consagradas.
constitui-se em um testemunho exemplar da diversidade étnica e cultural dos africanos no Brasil.
permite compreender a organização social e política da sociedade brasileira no período colonial.
é apontada como instrumento didático para concretizar noções abstratas sobre o tempo histórico.
realiza uma transposição do saber artístico para o saber escolar no processo ensino-aprendizagem.

O texto permite concluir que o tráfico de escravos, ao aumentar o número de guerras e fortalecer os chefes guerreiros no continente africano,
favoreceu a unificação política das aldeias e dos reinos africanos, na medida em que os escravos passaram a ser utilizados nos exércitos dos chefes guerreiros.
contribuiu para a organização política da sociedade, na qual os estrangeiros capturados passaram a comandar rebeliões nos reinos e escravizar as pessoas.
impediu que a presença de povos europeus nas aldeias e reinos modificasse os valores e costumes de diversas sociedades africanas, espalhadas no continente.
influiu na história dos reinos que com ele se envolveram, sendo uns superados por outros, conforme mudavam as zonas de apresamento e as rotas de comércio.
desestimulou os interesses europeus na região para a comercialização de escravo e matérias-primas usadas na incipiente mas crescente industrialização europeia.