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Considerando que, durante o Barroco, os poetas escreviam praticamente para si mesmos e que, no Arcadismo, a intenção é divulgar as ideias em textos acessíveis ao maior número de leitores, identifique as características desses estilos, listadas a seguir, escrevendo (1) para as características do Barroco e (2) para as características do Arcadismo.
( ) Volta à Idade Média.
( ) Volta ao Renascimento.
( ) Autêntico, ainda que paradoxal.
( ) Celeste, espiritual, místico.
( ) Campestre, pastoril, bucólico.
( ) Todo conhecimento vem da experiência e da reflexão.
A sequência correta, de cima para baixo, é:
“As figuras de linguagem podem atuar na área da semântica lexical, da construção gramatical, da associação cognitiva do pensamento ou da camada fônica da linguagem. Assim, temos o que tradicionalmente se denomina de figuras de palavras, figuras de construção (ou de sintaxe), de pensamento e figuras fônicas.” (AZEREDO, José Carlos de. Gramática Houaiss da língua portuguesa. São Paulo: Publifolha, 2010, p. 484.)
No Texto X, a linguagem literária se faz presente e ganha força expressiva também com a utilização de algumas figuras de linguagem.
Assinale a alternativa que apresenta a correta relação entre o(s) verso(s) destacado(s) e as figuras de linguagem correspondentes.
“A linguagem / na superfície estrelada de letras” (versos 5 e 6) – eufemismo, metáfora e sinestesia.
“e vai desmatando / o amazonas de minha ignorância” (versos 9 e 10) – aliteração, hipérbole e metáfora.
“Figuras de gramática, esquipáticas, / atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me” (versos 11 e 12) – anáfora, assonância e prosopopeia.
“O português são dois; o outro, mistério” (verso 18) – oxímoro, zeugma e sinédoque.
Segue um fragmento do primeiro texto do livro Sobre pessoas, de Antônio Torres.
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Para começar
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Quereria um começo com a delicadeza de Fernando Sabino, em A última crônica, que cada vez que releio mais me encanta. E agora a ela retorno, em busca de ensinamentos. (...)
Foi em tais circunstâncias, a confabular consigo mesmo pelas ruas do Rio, que Fernando Sabino acabou por nos legar uma pequena obra-prima. (...)
Este aqui de vez em quando batia perna ao lado do mestre, nos calçadões à beira-mar, Copacabana-Ipanema-Leblon. Numa dessas vezes, ele perguntou:
- Você já leu o meu livro sobre a Zélia?
Por essa eu não esperava. Uma pedra no meio do caminho. Sinuca de bico. Cul-de-sac.
Persignando-me mentalmente diante da imagem de Nossa Senhora do Amparo, a padroeira do Junco, onde nasci, e dizendo-me “Nas horas de Deus e da Virgem Maria, amém”, criei coragem e respondi que Zélia, uma paixão era o único livro dele que eu jamais leria. (...)
Como bom mineiro, ficou em silêncio, remoendo a sua falha trágica ao declarar: “Zélia sou eu”. No calor da hora, a sua brincadeira não teve graça.
Levaram-na a sério demais. Como se ele acreditasse, verdadeiramente, que a personagem que causara um terremoto na economia dos cidadãos, na era Collor, tivesse o mesmo status literário da heroína de Gustave Flaubert, Madame Bovary. (...)
Mas por que, e para que o chatear ainda mais, quando privava de sua camaradagem, durante uma caminhada para desenferrujar as pernas, desanuviar a mente, e suar todas as tristezas? – eu me perguntava. Ora, ora, quem mandou Fernando Sabino tocar no assunto? Pensei que ele ia ficar zangado, a ponto de cortar a nossa relação, para sempre.
Numa manhã de domingo o telefone tocou e era o próprio, de viva voz.
Disse:
- Acordei hoje com vontade de ligar para o Mário de Andrade, o Rubem Braga, o Paulo Mendes Campos, o Otto Lara Resende e o Hélio Pellegrino. Como nenhum deles pode atender...
Foi um começo de conversa e tanto. Ao final, convidou-me para um drinque em sua casa.
- Que tal amanhã? - perguntei-lhe.
- Ih! Amanhã não dá. Ao descobrirem que fiz oitenta anos, me empurraram para os exames médicos. Assim que me livrar dessas chateações, telefono para combinar.
Não telefonou mais. Só iria voltar a vê-lo já embalado para a última viagem, no cemitério São João Batista.
Ah, Fernando. Para começar, que falta que você faz.
-
(TORRES, Antônio. Para começar. In: Sobre pessoas. Disponível em: www.antoniotorres.com.br. Acesso: 20 dez. 2017. Fragmento)
-
Em relação à construção e à linguagem do texto, aplica-se a seguinte análise:
As duas primeiras frases do texto “escondem” o foco narrativo em primeira pessoa. Essas frases, em princípio não trazem marcas do narrador-personagem, como acontece na última frase do texto, onde figura implicitamente o dêitico “eu”.
A recriação da língua oral (em discurso direto) aparece no texto em diferentes momentos. Primeiro num diálogo face a face entre as personagens; e depois na conversa telefônica; em ambos os casos há a reprodução em discurso direto das vozes dos dois interlocutores, em situação de relativa serenidade.
No texto, registram-se situações linguísticas de menor ou maior formalidade. Observam-se marcas coloquiais como os usos de termos obscenos e vulgares (Cul-de-sac) e expressões típicas populares (batia perna, sinuca de bico, desenferrujar as pernas, desanuviar a mente e suar todas as tristezas).
Quando menciona a declaração histórica de Sabino, “Zélia sou eu”, associando-a à famosa frase de Gustave Flaubert, "Madame Bovary sou eu", o narrador tem a intenção de demonstrar o quanto Sabino, assim como Flaubert, identificava-se com a sua personagem e partilhava dos seus sentimentos.
Assim como costuma ocorrer em sua ficção, nesse texto, Torres faz largo uso das intertextualidades. Em “Nas horas de Deus e da Virgem Maria, amém”, fundem-se à narrativa fragmentos híbridos da liturgia católica. No segmento “a padroeira do Junco, onde nasci”, há indícios da biografia do próprio autor.
Leia os textos simbolistas I e II.
Texto I
Alucinação
Cruz e Sousa
Ó solidão do Mar, ó amargor das vagas,
Ondas em convulsões, ondas em rebeldias,
Desespero do Mar, furiosa ventania,
Boca em fel dos tritões engasgada de pragas.
Velhas chagas do sol, ensanguentadas chagas
De ocasos purpurais de atroz melancolia,
Luas tristes, fatais, da atra mudez sombria
Da trágica ruína em vastidões pressagas.
Para onde tudo vai, para onde tudo voa,
Sumido, confundido, esboroado, à toa,
No caos tremendo e nu dos tempos a rolar?
Que Nirvana genial há de engolir tudo isto
- Mundos de Inferno e Céu, de Judas e de Cristo,
Luas, chagas do sol e turbilhões do Mar?!
Texto II
Ismália
Alphonsus de Guimaraens
Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar…
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar…
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar…
E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar…
Estava perto do céu,
Estava longe do mar…
E como um anjo pendeu
As asas para voar…
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar…
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par…
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar…
Escreva 1 para as características relativas ao Texto I, de Cruz e Sousa; 2 para as características relativas ao Texto II, de Alphonsus de Guimaraens e 3 para o que é comum aos Textos I e II.
( ) Morte como símbolo da eterna busca.
( ) Valorização das sensações provenientes de sentidos diferentes.
( ) Decadência anunciada em todos os elementos da natureza.
( ) Relações entre o mundo visível e o mundo das essências.
( ) Separação da matéria e do espírito sobrevivente às contingências terrenas.
A sequência correta, de cima para baixo, é:
=
3, 2, 2, 2, 1.
1, 2, 3, 3, 2.
2, 3, 1, 3, 2.
2, 1, 3, 1, 3.
Com relação aos períodos literários e ao contexto histórico brasileiro, assinale a alternativa correta.
A literatura barroca atuou predominantemente como instrumento descolonizador, questionando a ordem política, religiosa e social estabelecida pela Metrópole e o monopólio da língua portuguesa.
A literatura árcade, marcada pelo requinte das elites, confirmou a prevalência social dos homens cultos da Colônia, que, entretanto, se mostravam insatisfeitos com a Metrópole e interessados nos movimentos revolucionários dos Estados Unidos e da França.
Durante o Romantismo, com a consolidação da independência do País em relação à Metrópole, a literatura se tornou menos empenhada na construção de símbolos nacionais, dando liberdade aos poetas para a realização de uma literatura mais intimista e imaginativa.
No Realismo, a preponderância do regionalismo nas obras literárias abriu caminho para a representação das grandezas naturais do País, afirmando, pela literatura, os elementos da cor local que refletiam, sobretudo, a identidade cultural brasileira, fruto da mistura entre indígenas, africanos e brancos.
A Semana de Arte Moderna, realizada no período em que o Brasil vivia o Centenário da Independência (1922), foi a confirmação da emancipação cultural da literatura brasileira, que, valorizando a matriz cultural popular, se manteve distante das correntes externas predominantes, como a das vanguardas europeias.
Observe os tópicos a seguir.
- Extravasa as emoções íntimas pela expressão verbal rítmica e melodiosa;
- Valor de expressar e despertar emoções;
- Subjetividade;
- Primeira pessoa / presente.
Indique o gênero literário que compreende as características descritas acima:
Lírico.
Dramático.
Épico.
Epopeia.
Prosa.
São obras do autor.
Lira dos Vinte Anos - Trovas.
Suspiros Poéticos e Saudades - Meridionais.
Primeiros Sonhos - Sinfonias.
Primeiros Cantos - Aleluias.
Primaveras - Primeiros Sonhos.
As obras “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, “Cartas Chilenas” e “Vidas Secas” pertencem, respectivamente, a:
Machado de Assis / Cláudio Manoel da Costa / Jorge Amado.
Machado de Assis / Tomás Antônio Gonzaga / Érico Veríssimo.
Machado de Assis / Jorge Amado / Rachel de Queiroz.
Machado de Assis / Tomás Antônio Gonzaga / Graciliano Ramos.
Machado de Assis / Érico Veríssimo / Raul Pompeia.
Nesse trecho, percebe-se uma característica marcante do romance Memórias de um sargento de milícias, qual seja:
a idealização da personagem feminina, o que reflete uma postura fantasiosa e acrítica.
a representação caricatural da personagem, o que resulta em um discurso cômico.
a elevação dos valores religiosos, condizente com uma abordagem espiritualista.
a descrição pormenorizada dos hábitos da elite carioca, traço típico do Realismo.
a tensão entre os valores materiais e espirituais, revelando um estilo barroco.
Embora a literatura não tenha uma finalidade prática imediata, ela exerce uma função insubstituível na vida social: refletir fielmente, para os homens, a realidade em sua unidade contraditória.
Certo
Errado
Leia o trecho e complete com os termos adequados.
Suspiros Poéticos e Saudades / a subjetividade
Suspiros Poéticos e Saudades / a objetividade
Memórias Póstumas de Brás Cubas / a objetividade
Evocações / a subjetividade
Suspiros Poéticos e Saudades / o rebuscamento da forma
Em Dom Casmurro, assim como em grande parte da prosa de Machado de Assis, observa-se a ênfase
no resgate de um passado mítico e grandioso da história do Brasil.
na descrição de comportamentos instintivos de pobres marginalizados.
na caracterização social e psicológica de personagens tipicamente urbanas.
na produção de um discurso regionalista que retratasse o interior do Brasil.
na criação de enredos cheios de aventura e ação, com vistas ao entretenimento.