Questões de Concurso sobre Literatura

 
 
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TEXTO II

...

A TRISTE PARTIDA

..

Patativa do Assaré

Meu Deus, meu Deus. . .

..


Setembro passou

Outubro e Novembro

Já tamo em Dezembro

Meu Deus, que é de nós,

Meu Deus, meu Deus

Assim fala o pobre

Do seco Nordeste

Com medo da peste

Da fome feroz

Ai, ai, ai, ai

..

A treze do mês

Ele fez experiência

Perdeu sua crença

Nas pedras de sal,

Meu Deus, meu Deus

Mas noutra esperança

Com gosto se agarra

Pensando na barra

Do alegre Natal

Ai, ai, ai, ai

..

Sem chuva na terra

Descamba Janeiro,

Depois fevereiro

E o mesmo verão

Meu Deus, meu Deus

Entonce o nortista

Pensando consigo

Diz: "isso é castigo

não chove mais não"

Ai, ai, ai, ai

..

Apela pra Março

Que é o mês preferido

Do santo querido

Senhor São José

Meu Deus, meu Deus

Mas nada de chuva

Tá tudo sem jeito

Lhe foge do peito

O resto da fé

Ai, ai, ai, ai

..

Agora pensando

Ele segue outra tria

Chamando a famia

Começa a dizer

Meu Deus, meu Deus

Eu vendo meu burro

Meu jegue e o cavalo

Nós vamos a São Paulo

Viver ou morrer

Ai, ai, ai, ai

..

Nós vamos a São Paulo

Que a coisa tá feia

Por terras alheia

Nós vamos vagar

Meu Deus, meu Deus

Se o nosso destino

Não for tão mesquinho

Cá e pro mesmo cantinho

Nós torna a voltar

Ai, ai, ai, ai

..

E vende seu burro

Jumento e o cavalo

Inté mesmo o galo

Venderam também

Meu Deus, meu Deus

Pois logo aparece

Feliz fazendeiro

Por pouco dinheiro

Lhe compra o que tem

Ai, ai, ai, ai

..

Em um caminhão

Ele joga a famia

Chegou o triste dia

Já vai viajar

Meu Deus, meu Deus

A seca terrível

Que tudo devora

Lhe bota pra fora

Da terra natá

Ai, ai, ai, ai

..

O carro já corre

No topo da serra

Oiando pra terra

Seu berço, seu lar

Meu Deus, meu Deus

Aquele nortista

Partido de pena

De longe acena

Adeus meu lugar

Ai, ai, ai, ai

..

No dia seguinte

Já tudo enfadado

E o carro embalado

Veloz a correr

Meu Deus, meu Deus

Tão triste, coitado

Falando saudoso

Seu filho choroso

Exclama a dizer

Ai, ai, ai, ai

..

De pena e saudade

Papai sei que morro

Meu pobre cachorro

Quem dá de comer?

Meu Deus, meu Deus

Já outro pergunta

Mãezinha, e meu gato?

Com fome, sem trato

Mimi vai morrer

Ai, ai, ai, ai

..

E a linda pequena

Tremendo de medo

"Mamãe, meus brinquedo

Meu pé de fulô?"

Meu Deus, meu Deus

Meu pé de roseira

Coitado, ele seca

E minha boneca

Também lá ficou

Ai, ai, ai, ai

..

E assim vão deixando

Com choro e gemido

Do berço querido

Céu lindo azul

Meu Deus, meu Deus

O pai, pesaroso

Nos filho pensando

E o carro rodando

Na estrada do Sul

Ai, ai, ai, ai

..


Chegaram em São Paulo

Sem cobre quebrado

E o pobre acanhado

Procura um patrão

Meu Deus, meu Deus

Só vê cara estranha

De estranha gente

Tudo é diferente

Do caro torrão

Ai, ai, ai, ai

..

Trabaia dois ano,

Três ano e mais ano

E sempre nos prano

De um dia vortar

Meu Deus, meu Deus

Mas nunca ele pode

Só vive devendo

E assim vai sofrendo

É sofrer sem parar

Ai, ai, ai, ai

..

Se arguma notícia

Das banda do norte

Tem ele por sorte

O gosto de ouvir

Meu Deus, meu Deus

Lhe bate no peito

Saudade lhe molho

E as água nos óio

Começa a cair

Ai, ai, ai, ai

..

Do mundo afastado

Ali vive preso

Sofrendo desprezo

Devendo ao patrão

Meu Deus, meu Deus

O tempo rolando

Vai dia e vem dia

E aquela famia

Não vorta mais não

Ai, ai, ai, ai

..

Distante da terra

Tão seca mas boa

Exposto à garoa

À lama e o paú

Meu Deus, meu Deus

Faz pena o nortista

Tão forte, tão bravo

Viver como escravo

No Norte e no Sul

Ai, ai, ai, ai



De que maneira o trecho seguinte pode ser reescrito para que tenhamos uma oração coordenada sindética explicativa.


Trabaia dois ano/Três ano e mais ano/E sempre nos prano /De um dia vortar/Meu Deus, meu Deus/Mas nunca ele pode/Só vive devendo/E assim vai sofrendo/É sofrer sem parar/Ai, ai, ai, ai


A

Trabaia dois ano/Três ano e mais ano/E sempre nos prano /De um dia vortar/Meu Deus, meu Deus/Mas nunca ele pode/Por isso só vive devendo/E assim vai sofrendo/É sofrer sem parar/Ai, ai, ai, ai


B

Trabaia dois ano/Três ano e mais ano/E sempre nos prano /De um dia vortar/Meu Deus, meu Deus/Mas nunca ele pode/E só vive devendo/E assim vai sofrendo/É sofrer sem parar/Ai, ai, ai, ai


C

Trabaia dois ano/Três ano e mais ano/E sempre nos prano /De um dia vortar/Meu Deus, meu Deus/Mas nunca ele pode/Porque só vive devendo/E assim vai sofrendo/É sofrer sem parar/Ai, ai, ai, ai


D

Trabaia dois ano/Três ano e mais ano/E sempre nos prano /De um dia vortar/Meu Deus, meu Deus/Mas nunca ele pode/Mas só vive devendo/E assim vai sofrendo/É sofrer sem parar/Ai, ai, ai, ai


E

Trabaia dois ano/Três ano e mais ano/E sempre nos prano /De um dia vortar/Meu Deus, meu Deus/Mas nunca ele pode/Para tanto só vive devendo/E assim vai sofrendo/É sofrer sem parar/Ai, ai, ai, ai

Assinale a alternativa em que a comparação entre as características do Realismo e as do Romantismo está incorreta.

A
No Realismo, destacam-se o universalismo e a linguagem culta e direta; no Romantismo, destacam-se o individualismo e a linguagem culta, em estilo metafórico e poético.

B
As descrições no Realismo apresentam adjetivação objetiva, voltadas a captar o real como ele é; no Romantismo, a adjetivação é voltada a elevar o objeto descrito.

C
A narrativa no Realismo é de ação e de aventura com personagens planas e previsíveis; no Romantismo, a narrativa é lenta, acompanhando o tempo psicológico das personagens.

D
No Realismo, o herói é problemático, repleto de fraquezas e incertezas – predomina o objetivismo; no Romantismo, o herói é íntegro, de caráter irrepreensível – predomina o subjetivismo.

Em seu livro História Concisa da Literatura Brasileira (1978), Alfredo Bosi expõe: "O papel que Lobato exerceu na cultura nacional transcende de muito a sua inclusão entre os contistas regionalistas, ele foi, antes de tudo, um intelectual participante que empunhou a bandeira do progresso social e mental de nossa gente".

Considerando a exposição de Bosi sobre o autor e as caraterísticas do texto "Drama da Geada", verifica-se que tal obra corresponde ao estilo de época:


A

Romantismo.


B

Realismo.


C

Pré-Modernismo.


D

Modernismo.

Diferentes pesquisas têm sido realizadas sobre o ensino de literatura no tocante

I. ao tipo de obra mais lida por jovens de determinada faixa etária ou de determinado nível escolar;

II. aos livros de literatura mais indicados pelas escolas públicas ou privadas em diferentes cidades;

III. à recepção das obras pelos leitores, colocados, segundo a Estética da recepção, como eixo da experiência literária;

IV. às novas formas de trabalhar o texto literário na sala de aula através de experimentos.

Considerando os itens acima apresentados, é correto afirmar que


A
I trata apenas de pesquisas apoiadas na estética da recepção.

B
I e II podem tratar da qualidade estética dos livros, o modo como estas obras são abordadas na escola, o que motivou o professor, a escola a efetuar aquela escolha, dentre outras questões.

C
III trata de fazer um levantamento de gosto ou desgosto, sem levar em conta as motivações, os sentidos atribuídos às obras e questões temáticas e estéticas.

D
IV trata de um modelo que visa cristalizar o ensino de literatura mais voltado para a memorização de estilos de época do que para a leitura, discussão e interpretação de textos.

Na primeira fase do modernismo, Oswald de Andrade, através do poema “Pronominais”, faz uma sátira contra a cultura acadêmica e, por extensão, contra o rigor da norma culta que privilegia os moldes lusitanos.


PRONOMINAIS


Oswald de Andrade


Dê-me um cigarro

Diz a gramática

Do professor e do aluno

E do mulato sabido

Mas o bom negro e o bom branco

Da Nação Brasileira

Dizem todos os dias

Deixa disso camarada

Me dá um cigarro.


Fonte: https://www.todamateria.com.br/oswald-de-andrade. Acesso em 15/09/2018.


O conteúdo gramatical que o poeta utiliza para a defesa de uma linguagem cotidiana brasileira é a sintaxe


A

de colocação.


B

dos modos e dos tempos.


C

de regência.


D

de concordância.

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do seguinte texto.


A literatura brasileira constitui-se de peculiaridades distintas, que marcam a sua divisão ou periodização. Nesse viés, os aspectos políticos e econômicos do Brasil estão diretamente relacionados com os diferentes momentos de nossa literatura, a qual se divide, de modo geral, em duas fases. A primeira, ____________, refere-se às manifestações durante o período e vai da descoberta – 1500 – até 1822 – ano da Proclamação da Independência. Nessa fase, mesmo distante das metrópoles europeias, artistas brasileiros receberam influência do que se produzia lá e usaram tal influência para suas produções locais. Exemplo disso é ___________, escola literária marcada com traços do Iluminismo. A segunda fase, também denominada ___________, compreende a fase que vai da independência até os dias de hoje e buscou, no seu início, estabelecer uma identidade nacional, tarefa de que se ocuparam os poetas da primeira geração do ___________.




A

Colonial – o Barroco – Contemporânea – Modernismo


B

Colonial – o Arcadismo – Nacional – Romantismo


C

Pré-Colonial – o Quinhentismo – Nacional – Barroco


D

Informativa – a Literatura de Catequese – Colonial – Real-Naturalismo


E

Indianista – o Romantismo – Social – Parnasianismo

TEXTO II

...

A TRISTE PARTIDA

..

Patativa do Assaré

Meu Deus, meu Deus. . .

..


Setembro passou

Outubro e Novembro

Já tamo em Dezembro

Meu Deus, que é de nós,

Meu Deus, meu Deus

Assim fala o pobre

Do seco Nordeste

Com medo da peste

Da fome feroz

Ai, ai, ai, ai

..

A treze do mês

Ele fez experiência

Perdeu sua crença

Nas pedras de sal,

Meu Deus, meu Deus

Mas noutra esperança

Com gosto se agarra

Pensando na barra

Do alegre Natal

Ai, ai, ai, ai

..

Sem chuva na terra

Descamba Janeiro,

Depois fevereiro

E o mesmo verão

Meu Deus, meu Deus

Entonce o nortista

Pensando consigo

Diz: "isso é castigo

não chove mais não"

Ai, ai, ai, ai

..

Apela pra Março

Que é o mês preferido

Do santo querido

Senhor São José

Meu Deus, meu Deus

Mas nada de chuva

Tá tudo sem jeito

Lhe foge do peito

O resto da fé

Ai, ai, ai, ai

..

Agora pensando

Ele segue outra tria

Chamando a famia

Começa a dizer

Meu Deus, meu Deus

Eu vendo meu burro

Meu jegue e o cavalo

Nós vamos a São Paulo

Viver ou morrer

Ai, ai, ai, ai

..

Nós vamos a São Paulo

Que a coisa tá feia

Por terras alheia

Nós vamos vagar

Meu Deus, meu Deus

Se o nosso destino

Não for tão mesquinho

Cá e pro mesmo cantinho

Nós torna a voltar

Ai, ai, ai, ai

..

E vende seu burro

Jumento e o cavalo

Inté mesmo o galo

Venderam também

Meu Deus, meu Deus

Pois logo aparece

Feliz fazendeiro

Por pouco dinheiro

Lhe compra o que tem

Ai, ai, ai, ai

..

Em um caminhão

Ele joga a famia

Chegou o triste dia

Já vai viajar

Meu Deus, meu Deus

A seca terrível

Que tudo devora

Lhe bota pra fora

Da terra natá

Ai, ai, ai, ai

..

O carro já corre

No topo da serra

Oiando pra terra

Seu berço, seu lar

Meu Deus, meu Deus

Aquele nortista

Partido de pena

De longe acena

Adeus meu lugar

Ai, ai, ai, ai

..

No dia seguinte

Já tudo enfadado

E o carro embalado

Veloz a correr

Meu Deus, meu Deus

Tão triste, coitado

Falando saudoso

Seu filho choroso

Exclama a dizer

Ai, ai, ai, ai

..

De pena e saudade

Papai sei que morro

Meu pobre cachorro

Quem dá de comer?

Meu Deus, meu Deus

Já outro pergunta

Mãezinha, e meu gato?

Com fome, sem trato

Mimi vai morrer

Ai, ai, ai, ai

..

E a linda pequena

Tremendo de medo

"Mamãe, meus brinquedo

Meu pé de fulô?"

Meu Deus, meu Deus

Meu pé de roseira

Coitado, ele seca

E minha boneca

Também lá ficou

Ai, ai, ai, ai

..

E assim vão deixando

Com choro e gemido

Do berço querido

Céu lindo azul

Meu Deus, meu Deus

O pai, pesaroso

Nos filho pensando

E o carro rodando

Na estrada do Sul

Ai, ai, ai, ai

..


Chegaram em São Paulo

Sem cobre quebrado

E o pobre acanhado

Procura um patrão

Meu Deus, meu Deus

Só vê cara estranha

De estranha gente

Tudo é diferente

Do caro torrão

Ai, ai, ai, ai

..

Trabaia dois ano,

Três ano e mais ano

E sempre nos prano

De um dia vortar

Meu Deus, meu Deus

Mas nunca ele pode

Só vive devendo

E assim vai sofrendo

É sofrer sem parar

Ai, ai, ai, ai

..

Se arguma notícia

Das banda do norte

Tem ele por sorte

O gosto de ouvir

Meu Deus, meu Deus

Lhe bate no peito

Saudade lhe molho

E as água nos óio

Começa a cair

Ai, ai, ai, ai

..

Do mundo afastado

Ali vive preso

Sofrendo desprezo

Devendo ao patrão

Meu Deus, meu Deus

O tempo rolando

Vai dia e vem dia

E aquela famia

Não vorta mais não

Ai, ai, ai, ai

..

Distante da terra

Tão seca mas boa

Exposto à garoa

À lama e o paú

Meu Deus, meu Deus

Faz pena o nortista

Tão forte, tão bravo

Viver como escravo

No Norte e no Sul

Ai, ai, ai, ai



Foram analisados sintaticamente os termos sublinhados do texto II. Assinale a alternativa correta.


A

Diz: “isso é castigo/não chove mais não”- predicativo do sujeito


B

Meu Deus, meu Deus/ Se o nosso destino/ não for tão mesquinho – aposto


C

Meu Deus, meu Deus/ Se o nosso destino/ não for tão mesquinho – sujeito


D

Apela para março/Que é o mês preferido – pronome relativo


E

Por pouco dinheiro/Lhe compra o que tem – objeto direto

No que diz respeito à Padaria Espiritual, considere as seguintes afirmações:

I. A Padaria Espiritual foi uma agremiação literária que surgiu no Ceará por volta de 1892. II. Antônio Sales foi o inspirador e principal animador dessa original agremiação Literária, sendo o Primeiro Padeiro-mor (Presidente).

III. As reuniões ou sessões, quase sempre marcadas a partir das dezenove horas, eram as Fornadas; os sócios, os amassadores ou padeiros; o Presidente, o Padeiro-mor; os Secretários, Primeiro e Segundo Forneiros; o Tesoureiro, Gaveta; o Bibliotecário, Guarda-livros e o Investigador das coisas e das gentes, o Olho da Providência.

IV. O Forno foi um dos principais órgãos de divulgação em três fases: a primeira no ano de 1892, com a publicação de seis exemplares; a segundo em 1895, com a publicação de vinte e quatro exemplares; e a terceira 1896, com a publicação de seis números.

V. A importância do movimento se deu pelo fato de ele haver proporcionado a consolidação do Realismo e o nascimento do Simbolismo no Ceará.

É correto o que se afirma somente em


A
I e IV.

B
II, III e V.

C
II e IV.

D
I, III e V.

É correto afirmar que o eu lírico, isto é, a voz que fala na letra do samba,


A

explicita o caráter pacífico daqueles que almejam “conseguir o que não está escrito”.


B

critica certas atitudes da humanidade, pelo fato de elas provocarem o desentendimento entre as pessoas.


C

abona a desigualdade social, na medida em que justifica a exploração de um segmento social por outro.


D

lamenta o fato de os desprovidos de recursos não poderem nem mesmo recorrer ao sonho como alternativa.

“Em resumo, que elementos distinguiriam essa literatura? Para além das discussões conceituais, alguns indicadores podem ser destacados: uma voz autoral afrodescendente, explícita ou não no discurso; temas afro-brasileiros; construções linguísticas marcadas por uma afro-brasilidade de tom, ritmo, sintaxe ou sentido; um projeto de transitividade discursiva, explícita ou não, com vistas ao universo recepcional; mas sobretudo, um ponto de vista ou lugar de enunciação política e culturalmente identificado à afrodescendência, como fim e começo.” (DUARTE, Eduardo de Assis. “Por um conceito de literatura afro-brasileira”. In: DUARTE, Eduardo de Assis; FONSECA, Maria Nazareth Soares (Org.). Literatura e afrodescendência: antologia crítica. Belo Horizonte: UFMG, 2011, p. 385.)


Segundo o conceito defendido por Duarte, assim como Carolina Maria de Jesus, também constitui exemplo legítimo de literatura afro-brasileira



A

a engajada poesia condoreira de Castro Alves, autor de “O navio negreiro”, considerado o poeta dos escravos.


B

o dissimulado lugar de enunciação de contos como “Pai contra mãe” e “O caso da vara”, de Machado de Assis.


C

o negrismo modernista no ponto de vista que conduz a perspectiva dos “Poemas negros”, de Jorge de Lima.


D

a ficção narrativa de cunho abolicionista de romances como A escrava Isaura, de Bernardo Guimarães.

Imagem associada para resolução da questão

Ainda que as histórias da literatura brasileira tradicionalmente insiram Machado de Assis no bojo do Realismo, parte da crítica contemporânea vê em sua narrativa traços sui generis, que extrapolam os limites daquele estilo de época.


O traço presente no Texto V que o afasta da proposta realista, segundo a qual a literatura deve apresentar-se ao leitor como uma representação o mais possível mimética da realidade, dissimulando o jogo literário, é a



A

crítica social.


B

misantropia filosófica.


C

autoconsciência narrativa.


D

problematização psicológica.

Assinale a alternativa correta acerca da composição do narrador em Memórias póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro, de Machado de Assis, e São Bernardo e Vidas secas, de Graciliano Ramos.


A

O foco narrativo nas obras de Machado de Assis e Graciliano Ramos é constituído por narradores confiáveis, pois, seguindo o modelo naturalista, apresentam os fatos sem ironia e sem subjetivismo, fazendo com que eles falem por si mesmos.


B

Em Memórias póstumas de Brás Cubas, o narrador em terceira pessoa e onisciente entrecorta a narrativa das aventuras da vida do protagonista com digressões filosóficas que encaminham o texto para uma dimensão mais existencial que histórica.


C

Em D. Casmurro, o narrador personagem, apesar de narrar a sua própria história de vida tendo como mote as suspeitas de adultério por parte de sua esposa, consegue assumir uma posição de neutralidade diante dos fatos narrados, levando o leitor a compreender por si mesmo que as suspeitas do narrador eram bem fundamentadas.


D

Em São Bernardo, o foco narrativo em primeira pessoa atua como se fosse composto em terceira pessoa, pois os fatos são descritos de maneira objetiva e distante, sem que seja possível ao leitor entrar em contato com os pensamentos e as angústias do narrador, que, do começo ao fim do romance, se apresenta linear como narrador e plano como personagem.


E

Em Vidas secas, o narrador em terceira pessoa narra a história de Fabiano e sua família, personagens cujo discurso é tão limitado e áspero quanto as condições sociais a que estão submetidos, entretanto a utilização do discurso indireto livre permite que a voz desses personagens seja ouvida na narrativa sem se confundir totalmente com a do narrador letrado.

Diferentemente da segunda geração romântica, marcada pelo sentimentalismo exacerbado, a poesia de Castro Alves afirma-se como instrumento de luta e de reformas sociais.

C
Certo

E
Errado

Imagem associada para resolução da questão

Em João Cabral de Melo Neto, a simples pontuação é discurso, uma vez que reverbera certos efeitos de sentido elaborados pelo poeta. Nessa perspectiva, tal recurso linguístico


A

busca uma expressão mínima, condensada, adjetiva, ansiando o onirismo vigilante do eu lírico.


B

aponta um lirismo altamente musical, que tropeça e embala, que prefere o abstrato em vez do concreto.


C

produz uma leitura em permanente vigília, pedindo ao leitor que se detenha em cada verso, palavra e fonema.


D

almeja uma poética fluida, marcada pelas repetições de vocábulos, por paralelismos, aliterações e assonâncias.

Sabendo que o Romantismo considera a imaginação superior à razão e que a originalidade substitui a imitação dos (neo)clássicos, identifique as características desses estilos a seguir, escrevendo nos parênteses (1) para características do Arcadismo e (2) para características do Romantismo.

( ) exaltação ao racionalismo e ao convencionalismo rígidos da literatura clássica

( ) transposição, para a obra, do amor, paixão, emoção, intuição e alma do artista

( ) consubstanciação da natureza com o escritor

( ) rigor formal

( ) liberdade criadora

( ) nacionalismo

A sequência correta, de cima para baixo, é


A
1, 2, 1, 2, 1, 1.

B
1, 2, 2, 1, 2, 2.

C
2, 1, 2, 2, 1, 1.

D
1, 2, 1, 1, 2,2.
O trecho do romance Esaú e Jacó, de Machado de Assis, tem como objetivo:

A
narrar um episódio marcado pela diferença social.

B
opinar contra o hábito do prejulgamento.

C
descrever o falecimento de um homem importante.

D
dissertar sobre as missas por alma.

E
exortar a elegância da classe abastada.

Pelas precedentes considerações se manifesta que não é ofício do poeta narrar o que aconteceu; é, sim, o de representar o que poderia acontecer, quer dizer: o que é possível segundo a verossimilhança e a necessidade. Com efeito, não diferem o historiador e o poeta, por escreverem verso ou prosa (pois que bem poderiam ser postas em verso as obras de Heródoto, e nem por isso deixariam de ser histórias, se fossem em verso o que eram em prosa), ̶ diferem, sim, em que diz um as coisas que sucederam, e outro as que poderiam suceder.


Aristóteles (tradução de Eudoro de Sousa). Poética. Porto: Casa da Moeda, 1986, p. 50.


O texto acima apresenta uma das primeiras iniciativas no sentido de formular um conceito de literatura a partir de uma das especificidades da linguagem literária que a difere das demais expressões culturais. Sendo assim, assinale a alternativa que apresenta o conceito de literatura com base em uma especificidade da linguagem literária que dialoga com a anunciada no texto de Aristóteles.



A

A literatura é, assim, vida, parte da vida, não se admitindo que possa haver conflito entre uma e outra. Através das obras literárias, tomamos contato com a vida, nas suas verdades eternas, comuns a todos os homens e lugares, porque são as verdades da mesma condição humana (Afrânio Coutinho. Notas de teoria literária. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978, p. 67).


B

Literário é um certo tipo de texto que tem literariedade. A literariedade são as metáforas, as metonímias, as sonoridades, os ritmos, a narratividade, a descrição, os personagens, os símbolos, as ambiguidades e alegorias, os mitos e outras propriedades da literatura. A literatura é a narrativa, o drama, o poema (R. Samuel (org.). Manual de teoria literária. Petrópolis: Vozes, 1985, p. 10).


C

A criação literária traz como condição necessária uma carga de liberdade que a torna independente sob muitos aspectos, de tal maneira que a explicação dos seus produtos é encontrada, sobretudo, neles mesmos. Como conjunto de obras de arte a literatura se caracteriza por essa liberdade extraordinária que transcende as nossas servidões (Antonio Candido. Literatura de dois gumes. In: A educação pela noite e outros ensaios. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul, 2006, p. 197).


D

A distinção entre literatura e demais artes vai operar‐se nos seus elementos intrínsecos, a matéria e a forma do Verbo. De que se serve o homem de letras para realizar seu gênio inventivo? Não é, por natureza, nem do movimento como o dançarino, nem da linha como o escultor ou o arquiteto, nem do som como o músico, nem da cor como o pintor. E sim – da palavra. A palavra é, pois, o elemento material intrínseco do homem de letras para realizar sua natureza e alcançar seu objetivo artístico (Alceu Amoroso Lima. A estética literária e o crítico. Rio de Janeiro: Agir, 1954, p. 44).


E

Uma coisa que realmente não existe é aquilo a que se dá o nome de Arte. Existem somente artistas. Outrora, eram homens que apanhavam terra colorida e modelavam toscamente as formas de um bisão na parede de uma caverna; hoje, alguns compram suas tintas e desenham cartazes para os tapumes; eles faziam e fazem muitas outras coisas. Não prejudica ninguém chamar a todas essas atividades de arte, desde que conservemos em mente que tal palavra pode significar coisas muito diferentes, em tempos e lugares diferentes, e que Arte com A maiúsculo não existe (E. H. Gombrich. História da arte. Rio de Janeiro: Zahar, 1978, p. 4).

A divisão clássica dos gêneros literários é a seguinte: Épico, Lírico e Dramático. A respeito dos três gêneros, assinale a alternativa CORRETA:


A

O gênero Dramático também é conhecido como o gênero Narrativo.


B

No gênero Lírico, o foco está na expressão da subjetividade, isto é, na expressão das emoções do eu-lírico.


C

A Epopeia, típica do gênero Épico, narra os conflitos individuais do sujeito com ele próprio e com o mundo.


D

No gênero Dramático, a principal forma de expressão é por meio do narrador.

Em Memórias póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis, ao delegar a narrativa a um narrador volúvel e não confiável, criou uma configuração realista da vida social brasileira pelo desmascaramento irônico do narrador e da classe que ele representa.

C
Certo

E
Errado

Coloque V (verdadeiro) ou F (falso) nas afirmativas a seguir e assinale a alternativa correta:


( ) Buscando exprimir o “eu profundo”, as realidades vagas e complexas do inconsciente, os simbolistas propõem uma “gramática psicológica”, baseada em neologismo e metáfora inesperada. A poesia é vaga, imprecisa e nebulosa, sugerindo mundos que escapam ao controle da lógica e da razão.

( ) O homem do Barroco foi marcado por impulsos contraditórios. Claro que sua produção artística haveria de ter como traço fundamental o culto do contraste, do conflito e da contradição, que se expressa, na literatura, pela frequência das antíteses e paradoxos; na pintura, pelo jogo de massas e pelo contraste claro / escuro; na escultura, pelo exagero do alto / baixo relevo, como se vê nos profetas de Aleijadinho, com os queixos pontiagudos e as órbitas oculares exageradamente côncavas; na música, pela presença do canto / contracanto, do contraponto e da fuga.

( ) Parnasianismo é a denominação que recebe o movimento artístico do Século XVIII. Caracteriza-se pelo restabelecimento do equilíbrio clássico, define-se como uma reação ao rebuscamento, à ornamentação exagerada, é uma volta à simplicidade e à clareza, orientadas no sentido da razão, da verdade e da natureza, que se tornam as molas mestras da criação.

( ) No Pré-modernismo, a imposição do eu do artista à realidade opera-se de modo radical. Assim, a função emotiva ou expressiva da linguagem, centrada no emissor, é predominante. A realidade é captada pelo prisma pessoal do poeta.

( ) O Realismo, o Naturalismo e o Parnasianismo são as correntes artísticas mais expressivas da segunda metade do Século XIX até o limiar do Século XX. Refletem, no plano artístico, a consolidação da burguesia e seu fortalecimento, enquanto classe detentora do poder, em função do triunfo definitivo do capital industrial sobre o capital de comércio e da implementação do capitalismo avançado e sua expansão às áreas periféricas do sistema mundial, América, África e Ásia.


A

F – V – F – F – V.


B

V – F – V – F – F.


C

V – V – F – F – V.


D

V – V – F – F – F.


E

V – V – V – V – V.

   
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