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A frase “A gente vai resolver isso amanhã.” emprega, segundo a norma culta e os estudos de variação linguística:
Uso incorreto de pronome pessoal, típico de dialeto regional.
Registro formal com sujeito indeterminado.
Linguagem técnica de caráter especializado.
Uso coloquial legitimado pela norma padrão contemporânea.
A língua apresenta usos diversos que se modificam conforme circunstâncias de tempo, espaço e interação social. Esses usos refletem condições específicas de comunicação e pertencimento, exigindo do leitor a capacidade de reconhecer regularidades e diferenças nos modos de expressão linguística (BAGNO, 2015).
Assinale a alternativa correta.
A variação linguística decorre da interação entre fatores regionais, históricos, econômicos e de pertencimento a grupos sociais.
A variação regional explica-se prioritariamente por fatores econômicos, sendo os aspectos históricos, culturais e sociais apenas secundários na constituição e consolidação dos falares locais.
A variação econômica corresponde exclusivamente ao domínio individual da norma-padrão, sendo independente das condições materiais de vida, de acesso a bens simbólicos e de circulação social.
A variação histórica restringe-se a mudanças lexicais pontuais, sem interferir na organização gramatical da língua nem nos modos sociais de uso ao longo do tempo.
A variação de grupo está associada apenas a faixas etárias específicas, não mantendo relação significativa com identidade social, valores simbólicos ou práticas culturais compartilhadas.
O texto a seguir refere-se ao trecho de uma fala de Ataliba Castilho, linguista brasileiro, que concedeu uma entrevista a Carlos Fioravante.
O r caipira tem 500 anos?
Ninguém sabe ao certo. Uns dizem que índios do Vale do Paraíba teriam esse r, mas a explicação só vale se se provar que essa tribo se estendeu sobre São Paulo e foi com os bandeirantes para o interior. Outros fonólogos acham que o r caipira é um traço que não se desenvolveu na fonologia portuguesa, mas poderia ter surgido naturalmente, como uma consequência do sistema fonológico, e não do contato com os índios. Sistema fonológico quer dizer sistema de sons. Sempre existem tendências para combinações de sons que explicam essas mudanças. Uma tendência do português brasileiro é a forma de tratar os sons sibilantes, é o que faz a diferença entre nós, paulistas, e os moradores do Rio de Janeiro, do Sul e do Nordeste. De onde veio o s chiado, como em “ach criançach”? Foi uma tendência palatizar o som sibilante. Agora essa mudança deu outro passo, porque a vogal em contexto palatal está se ditongando, como em “aichs pessoaisch”.
FIORAVANTI, C. Ataliba Teixeira de Castilho: o linguista libertário. Entrevistado: Ataliba Teixeira de Castilho. Pesquisa Fapesp, São Paulo, n.259, set 2017. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/ataliba-teixeira-de-castilho-o-linguista-libertario/. Acesso em: 30 jan. 2026.
Ao longo da entrevista, o linguista reflete sobre as variações linguísticas e seus diferentes aspectos. Ao se referir à diferença entre sons sibilantes falados entre paulistas, moradores do Rio, do Sul e do Nordeste, Castilho demonstra que:
A variação diamésica é discutida pelo grau de formalidade que predomina no falar paulista em detrimento a outras regiões mencionadas.
A variação diatópica é responsável pela identificação dos sons sibilantes que diferenciam os falantes de variados lugares.
A variação diastrática se apresenta por representar a baixa escolaridade do caipira, que faz determinados usos da língua, como o “r” e o “s” diferenciados.
A variação diacrônica é evidenciada na substituição do ditongo palatal “aichs pessoaisch” por “achs pessoasch”, o que demonstra uma tendência à economia de fonemas.
A variação de registro é preponderante no sistema fonológico, pois o falante caipira demonstra pela pronúncia o seu grau de formalidade ou informalidade.
“Nonada. O diabo não há! É o que eu digo, se for...”
(Grande Sertão: Veredas)
Considerando a variação linguística presente no fragmento, assinale a alternativa correta.
O trecho apresenta marcas de oralidade e regionalismo linguístico.
O uso de “Nonada” demonstra inadequação que compromete o sentido do texto.
O fragmento rejeita completamente elementos da fala popular brasileira.
A linguagem utilizada elimina características culturais das personagens.
O texto exemplifica exclusivamente a norma-padrão formal da língua portuguesa.
Texto 13

Disponível em: https://sbpt.org.br/portal/dia-mundial-sem-tabaco-2023.
Com base no texto 13 e na variedade padrão da língua escrita, indique se as afirmativas abaixo são verdadeiras (V) ou falsas (F) e assinale a alternativa com a sequência correta de cima para baixo.
( ) Há dois tipos de cigarro bem diferentes: um que causa dano ao organismo humano, e outro que não.
( ) Há um único tipo de cigarro, sem nenhuma diferença na forma e/ou no dano causado ao organismo humano.
( ) Há dois tipos de cigarro cuja forma é diferente, mas o dano causado ao organismo humano é semelhante.
( ) Os óculos, o nariz e o bigode em um dos cigarros simbolizam um disfarce para sugerir que cigarro eletrônico não é tão danoso quanto o cigarro tradicional.
F – F – V – F
F – F – V – V
F – V – F – V
V – F – F – V
V – V – V – F
A variação linguística pode ocorrer em todos os níveis da língua: lexical, fonético, morfológico, sintático e até pragmático. Esses níveis podem estar vinculados a três tipos de fatores, os quais são:
etários; culturais; geográficos.
geográficos; sociais e socioculturais; contextuais.
escolares; socioculturais; etários.
etários; escolares; contextuais.
geográficos; escolares; sociais e culturais.
Trechos como “O puxador de palmas não tá nem aí pro que os outros pensam [...]” e “[...] ‘não importa o que o cês acharam, eu adorei!’” evidenciam a presença de variantes linguísticas fora da norma-padrão. A respeito desse tema, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta.
( ) Considerando o gênero textual ao qual o texto pertence, o uso de variantes linguísticas fora da norma-padrão está inadequado.
( ) A utilização de variantes linguísticas fora da norma-padrão promove uma aproximação com o leitor e é coerente com o tema cotidiano tratado no texto.
( ) A presença de variantes linguística como “tá” e “o cês” indica que o autor do texto desconhece as regras da norma-padrão da língua portuguesa.
F – V – F.
F – F – V.
V – F – V.
V – V – F.
F – F – F.
Sobre variação linguística e ensino de Língua Portuguesa, assinale a alternativa correta.
A presença de marcas de oralidade em determinados gêneros textuais evidencia inadequação linguística e desvio da norma culta.
O reconhecimento dos diferentes níveis de linguagem em gêneros textuais contribui para combater o preconceito linguístico e ampliar a competência comunicativa do aluno.
A Sociolinguística contemporânea defende a substituição da norma-padrão pelas variedades populares no ensino formal.
O preconceito linguístico ocorre apenas em situações de fala informal, não se manifestando em práticas institucionais de escrita.
Os gêneros textuais exigem uniformidade linguística, independentemente da situação de comunicação e do contexto social.
O uso da palavra “velhinhos” no texto (diminutivo afetivo) é um exemplo de:
linguagem coloquial, com valor subjetivo e expressivo.
variante histórica, comum em textos antigos.
registro formal, adequado a documentos oficiais.
gíria própria de adolescentes do século XXI.
A língua portuguesa não é uniforme: ela varia conforme a região geográfica, o grupo social, o contexto de comunicação e o grau de formalidade da situação. Essa variação manifesta-se na pronúncia, no vocabulário, na sintaxe e até mesmo na entonação. Os níveis de linguagem — coloquial, informal, formal e culto — refletem a adequação do discurso ao interlocutor e ao propósito comunicativo. Reconhecer essas variações é essencial para interpretar textos que retratam a diversidade linguística e para empregar a modalidade adequada em cada situação. Considere as afirmações abaixo sobre variação linguística, assinale a alternativa correta:
A variação geográfica ocorre quando falantes de regiões diferentes empregam a mesma língua com diferenças de pronúncia, vocabulário e sintaxe, como "você" (Sudeste) e "tu" (Sul).
O nível coloquial e o nível culto constituem modalidades idênticas da língua, diferindo na escolha de palavras isoladas, sem implicações sintáticas.
A norma-padrão coincide com a fala natural de todos os falantes letrados, independentemente do contexto comunicativo em que se encontram.
A variação social diz respeito às diferenças de pronúncia entre homens e mulheres dentro de uma mesma comunidade linguística.
Em sentido geral, o termo “norma”, nos estudos de linguagem verbal, cobre “como se diz” e “como se deve dizer”. No entanto, nenhuma língua é homogênea e uniforme, como vemos nos estudos de variação linguística. Considerando o assunto, analisar os itens.
I. Não podemos dizer que línguas são homogêneas porque devemos considerar a diversidade das experiências históricas de atividades sociais e culturais dos falantes, admitindo sua heterogeneidade.
II. Para a definição de dialetos, pouco importa idade, gênero ou onde os falantes nascem e vivem.
III. Os registros estão vinculados à função sociocultural da linguagem verbal em determinada sociedade, em diferentes situações de uso.
Está CORRETO o que se afirma:
Apenas no item I.
Apenas no item II.
Apenas nos itens I e III.
Apenas nos itens II e III.
Com base nos estudos sociolinguísticos, notadamente aqueles que abordam a heterogeneidade linguística, assinale a alternativa CORRETA.
A norma-padrão corresponde à única forma legítima de uso da língua portuguesa, motivo pelo qual se pode afirmar que as demais variedades não possuem sistematicidade.
A heterogeneidade linguística constitui um desvio ocasional do sistema da língua, razão pela qual a escola deve priorizar a eliminação de variantes não padrão.
A variação linguística ocorre no plano fonético, não atingindo aspectos lexicais, morfológicos ou sintáticos da língua.
As variedades linguísticas são determinadas pela região geográfica dos falantes, sendo irrelevantes fatores sociais, históricos e situacionais.
A variação linguística é um fenômeno não aleatório, estruturado, organizado e condicionado por fatores linguísticos e extralinguísticos.
Em trechos da canção, ocorrem formas linguísticas que não seguem o padrão da variedade escrita formal, integrando escolhas de linguagem características do uso cotidiano. Esse emprego exemplifica variação
histórica, relacionada a formas linguísticas que deixaram de ser usadas ao longo do tempo.
situacional, associada ao ajuste da fala conforme o contexto de uso.
sociocultural, manifestada em práticas linguísticas de determinados grupos sociais.
geográfica, identificada pela distribuição regional de certas formas de fala.
De acordo com Ronald Beline (apud Fiorin, J.L. (org.) Introdução à Linguística I. Objetos teóricos), a variação linguística pode ocorrer em diferentes planos da língua, caracterizando-se como diatópica ou diafásica. Identificam-se esses tipos de variação, correta e respectivamente,
na sintaxe, pela inversão de ordem dos termos do sintagma nominal; na fonética, pela supressão do “r” final do infinitivo, pelo falante de centros urbanos.
no léxico, pela diferença de designação de um elemento do mundo; na fonética, pelo apagamento de sons de palavras, em situações informais de interlocução.
na fonética, pela uniformidade de realização de um som, independentemente do local da fala; na morfologia, pela realização do R retroflexo (R caipira) pelo falante da área rural.
na morfologia, pela supressão de sílabas finais de palavras; no léxico, pela utilização de termos de gíria em situações informais de interlocução.
na morfologia, pela inversão da posição sujeito-predicado no sintagma oracional; na sintaxe, pela ressignificação de palavras em situações informais.
Em relação à variedade linguística presente na charge abaixo, assinalar a alternativa CORRETA.

Trata-se de uma variação geográfica ou diatópica, pois está relacionada com o local em que é desenvolvida.
Trata-se de uma variação histórica ou diacrônica, pois a linguagem do médico, um senhor mais velho, é distinta da de um jovem.
Trata-se de uma variação situacional ou diafásica, pois essa variação ocorre segundo o contexto, por exemplo, situações formais e informais.
Trata-se de uma variação social ou diastrática, pois a linguagem técnica utilizada pelos médicos nem sempre é entendida pelos seus pacientes.
Analise as afirmativas tendo em vista as ideias que se podem inferir do texto.
I- A figura de linguagem hipérbole está presente na expressão “A maior prova”, a qual foi usada como um recurso de argumentação.
II- A referência a uma variação linguística regional é usada para construir a argumentação apresentada no texto.
III- O termo “trem” está presente na fala dos habitantes de Minas Gerais substituindo vários outros nomes, e, no texto, foi usado para se referir à palavra “avião”.
IV- O preconceito linguístico está presente no texto em relação ao uso da palavra “trem” pelos habitantes do Estado de Minas Gerais.
V- A palavra “trem” é característica da linguagem dos mineiros e forma a expressão “trem de pouso”, que substitui o termo “rodas”.
Estão CORRETAS as afirmativas
I, II e V, apenas.
I, III e IV, apenas.
II, III e IV, apenas.
II, III e V, apenas.
III, IV e V, apenas.
As variações (variantes ou variedades) linguísticas são as ramificações naturais de uma língua, as quais se diferenciam da norma-padrão em razão de fatores como convenções sociais, momento histórico, contexto ou região em que um falante ou grupo social insere-se.

Disponível em: https://www.propagandashistoricas.com.br. Acesso em: 14 fev. 2025.
Nesse anúncio publicitário, ocorre a variação
diacrônica
diastrática
diatópica
diafásica
“No sertão, o ‘ocê’ é mais do que pronome: é o jeito de falar, de chegar, de estar.”
(GUIMARÃES ROSA, João. Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006.)
A citação apresenta uma forma regional do pronome “você”. Com base nesse exemplo, identifique a afirmativa correta sobre variação linguística.
Representa um erro gramatical típico do português.
É uma forma inadequada, incompatível com a norma padrão em qualquer registro.
Demonstra a flexibilidade da língua e seu enraizamento cultural.
Indica que a norma culta deve prevalecer em todas as situações comunicativas.
Mostra uma tentativa de corrigir o uso popular do pronome de tratamento.
Leia o texto a seguir.
De um modo poético, podíamos dizer que a língua, como todas as formas de comportamento do ser humano, palpita, cresce, torna-se flexível e colorida, expande-se, enfim, vive. E isso só acontece porque usamos a língua para comunicar com os outros e conosco mesmos. [...] E como todo ser humano muda durante a vida – embora nem sempre sinta essa mudança –, também a língua que nos acompanha muda e se adapta às novas necessidades, mantendo, no entanto, a sua identidade.
MATEUS, Maria Helena Mira; CARDEIRA, Esperança. Norma e Variação. Lisboa: Caminho, 2007, p. 43.
Na mudança linguística, segundo o texto, a variação linguística
é um fenômeno que ocorre no âmbito das sociedades multiculturais e reflete a dinâmica do século atual.
é ocasionada pela instabilidade das línguas e promove a perda da sua identidade ao longo do tempo.
é característica das línguas naturais e, mesmo diante das transformações, mantém a identidade da língua.
é um problema decorrente do uso informal da língua e deve ser barrada para evitar a sua degeneração.
Em relação à variação linguística e à prática pedagógica, de acordo com Marcos Bagno, Imguistas e educadores sem formação sociológica adequada acabam produzindo análises equivocadas. Assinale a alternativa que apresenta um desses equívocos:
Empregar as expressões norma-padrão e norma culta diferentemente, entendendo que não são sinônimos.
Usar criticamente o adjetivo “culto”, discutindo sobre a forte conotação ideológica e o preconceito social que ele carrega.
Ter a ideia de que existe uma “variedade padrão” ou um “dialeto padrão”.
Entender que a norma-padrão não faz parte do espectro continuo de variedades linguísticas reais.
Não equiparar a língua falada à informalidade e a língua escrita à formalidade, já que existem usos falados formais e usos escritos informais.