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Em relação ao carcinoma epidermoide da cavidade oral, assinale a alternativa correta sobre fatores prognósticos.
Tamanho tumoral (T) e presença de invasão linfovascular não influenciam sobrevida.
Presença de tumor multicêntrico sempre indica metástase a distância.
Taxa de recidiva locorregional não está correlacionada com status nodal.
Esvaziamento cervical está indicado apenas nos casos com metástase clinicamente detectável.
Margem cirúrgica microscópica positiva (R1) está associada a pior prognóstico e indica adjuvância.
A respeito da anatomia do triângulo carotídeo no pescoço, assinale a alternativa correta.
O ramo marginal do nervo facial (VII) atravessa o triângulo carotídeo em sua porção profunda.
O ramo terminal da artéria carótida interna é a artéria occipital.
O nervo vago (X) situa-se inicialmente posteromedial à artéria carótida comum.
A veia jugular interna está medial à artéria carótida comum em toda sua extensão cervical.
O músculo esternocleidomastoideo forma a parede medial do triângulo carotídeo.
Ao se considerar indivíduo hígido, na faixa etária dos 40 anos, portador de carcinoma epidermoide em amigdala palatina, clinicamente estadiado como T2N1M0, p16+, assinale a alternativa correta.
A associação etiológica com a infecção pelo HPV confere um melhor prognóstico ao portador dessa neoplasia, quando adequadamente tratado, anulando os efeitos do tabagismo e do etilismo, independentemente de sua carga de consumo, na evolução oncológica.
p16+ à coloração imuno-histoquímica reflete a atividade transcricional viral.
Espera-se, para esse paciente, a mesma resposta oncológica por meio da ressecção cirúrgica da neoplasia primária, esvaziamento cervical e radioterapia adjuvante (e quimioterapia a depender dos achados) ou quimio-radioterapia definitivos.
Quimio-radioterapia definitivos é o esquema terapêutico preferencial, uma vez que os efeitos adversos dessa terapia são menores, a longo prazo, em relação aos efeitos cirúrgicos.
O tratamento deverá ser desintensificado frente ao status p16+ e idade, visando a redução de dose de radioterapia e/ou a modificação do esquema terapêutico sistêmico, sem impacto na sobrevivência.
Mulher, 62 anos, apresenta diagnóstico de hipercalcemia (11,5 mg/dL, referência laboratorial 8,5 a 10,5 mg/dL) e elevação do PTH sérico (136 pg/mL, referência laboratorial 10 a 65 pg/mL) em check-up. A dosagem de vitamina D está dentro do desejado para a idade, bem como sua função renal. Pratica musculação 3 x semana, regulamente, e não há antecedentes de nefrolitíase ou fraturas patológicas. A densitometria óssea conta com um T-score -2,5 em coluna lombar, -1,9 em fêmur e -2,3 em rádio distal.
Com base nas informações expostas, qual a melhor conduta?
Administração de cinacalcete para redução dos níveis séricos de cálcio e PTH.
Tratamento com bifosfonatos para controle da perda óssea e seguimento laboratorial do hiperparatireoidismo.
Definição da conduta após dosagem de cálcio em urina de 24 horas.
Solicitação de ultrassonografia cervical e/ou cintilografia com sestamibi, para localização de provável lesão, e programação cirúrgica.
Observação clínica, pois a paciente é assintomática e conta com mais de 60 anos.
Em esvaziamentos cervicais de resgate, após falha do tratamento quimio-radioterápico para carcinomas epidermoides de cabeça e pescoço, não é infrequente a ocorrência de deiscências da ferida operatória, retração e necrose tecidual.
Qual a alternativa correta acerca do retalho de Bakamjian (delto-peitoral)?
Não é um retalho passível de ser confeccionado no mesmo lado da rotação prévia de um retalho de músculo peitoral maior com túnel cutâneo.
Como retalho fascio-cutâneo, não é uma opção segura para a cobertura de estruturas vitais expostas, como a artéria carótida.
A radioterapia prévia em sua área doadora pode comprometer o aporte vascular desse retalho com maior risco de necrose e não integração dele.
Sua vascularização baseia-se na artéria cervical transversa, sendo contraindicado em pacientes submetidos ao esvaziamento do nível IV cervical e com ligadura desse suprimento arterial.
Na situação descrita no enunciado, prioriza-se a confecção de um retalho microcirúrgico livre.
Paciente do sexo feminino, 59 anos, foi submetida à paratireoidectomia focalizada por hiperparatireoidismo primário. Procedimento transcorreu sem intercorrências. Retorna em consulta ambulatorial no primeiro mês de seguimento pós-operatório. No momento, paciente nega sintomas e está fazendo uso via oral de carbonato de cálcio (2.500 mg ao dia) e calcitriol (0,75 mcg ao dia). Traz consigo os seguintes exames laboratoriais de controle: cálcio total 8,7 mg/dL (referência: 8,6-10,2 mg/dL), PTH 112 pg/mL (referência: 15-65 pg/mL), fósforo 2,7 mg/dL (referência: 2,7-4,5 mg/dL), fosfatase alcalina 125 U/L (referência: 35-104 U/L), vitamina D 31 ng/mL (referência: 30-60 ng/mL), creatinina 0,7 mg/dL (referência: 0,5-0,9 mg/dL). Considerando o caso apresentado, assinale a alternativa que indica a melhor conduta a ser tomada nesse momento.
Solicitação de nova ultrassonografia cervical ou cintilografia de paratireoide.
Indicação de reexploração cervical, sem necessidade de novos exames.
Observação clínica com novo controle laboratorial em 2 meses.
Investigação de presença de paratireoide ectópica em tórax.
Suspensão de reposições orais de cálcio e calcitriol e introdução colecalciferol.
Homem com 73 anos, tabagista e etilista, apresenta aumento de volume indolor em região parotídea direita, com evolução de um ano. Ao exame físico, observa-se lesão nodular profunda em região parotídea à direita com cerca de 2,5 cm no maior diâmetro, de consistência dura, móvel, sem linfonodos significativos palpáveis e com mímica facial preservada. Ressonância magnética evidencia lesão bem delimitada, com 2,8 cm, restrita ao lobo superficial da parótida direita, sem invasão de estruturas adjacentes. A punção aspirativa por agulha fina (PAAF) revela carcinoma mucoepidermoide de baixo grau.
Qual a conduta mais adequada para esse caso?
Parotidectomia total com sacrifício do nervo facial.
Parotidectomia superficial com preservação do nervo facial.
Parotidectomia superficial com esvaziamento cervical seletivo ipsilateral.
Parotidectomia total com esvaziamento cervical radical modificado.
Radioterapia exclusiva com técnica de intensidade modulada (IMRT).
Paciente do sexo masculino, com 52 anos, tabagista e etilista, foi submetido à glossectomia com ressecção de assoalho bucal por carcinoma epidermoide T3N0M0. Após a ressecção, observa-se um defeito de aproximadamente 4,0 x 3, 5 cm envolvendo metade da língua móvel e assoalho bucal anterior.
Qual a melhor opção de reconstrução para esse caso, considerando a funcionalidade e a qualidade de vida pós-operatória?
Retalho miocutâneo de peitoral maior.
Retalho de grande dorsal.
Retalho nasogeniano bilateral.
Retalho microcirúrgico antebraquial (retalho chinês).
Fechamento primário com sutura direta.
Homem, 64 anos, história de etilismo e tabagismo, dá entrada no ambulatório de cirurgia de cabeça e pescoço com uma lesão infiltrativa em trígono retromolar direito. Laringoscopia sem outras lesões. Foi realizada uma biópsia incisional da lesão sob anestesia local com o seguinte resultado: carcinoma epidermoide invasivo. Foi solicitada tomografia computadorizada para estadiamento com os seguintes achados: presença de lesão ulceroinfiltrativa de aproximadamente 3 x 3 cm em região de trígono retromolar direito, DOI estimada em 7 mm. Medialmente, invade o palato duro e palato mole, sem ultrapassar a linha média, estendendo-se até loja amigdaliana. Inferiormente, acomete porção de 1,0 cm em borda lateral de língua oral (desce pelo ligamento palatoglosso) e assoalho da boca ipsilateral. Presença de infiltração óssea extensa. Múltiplas linfonodomegalias à esquerda, a maior de 2,6 cm, suspeitas para acometimento neoplásico secundário. Tórax sem evidência de lesões. Considerando o caso exposto, qual é o correto estadiamento clínico desse paciente?
T4a N2a.
T3 N2b.
T3 N1.
T4a N2b.
T4b N2a.
Paciente do sexo masculino, 10 anos de idade, vem à consulta acompanhado da mãe devido a um nódulo cervical anterior com crescimento progressivo. Relata ter percebido a lesão há cerca de 6 anos. Nunca apresentou episódios prévios de inflamação local ou fistulização. Ao exame físico, o nódulo possui cerca de 2,0 cm, localizado na linha cervical média anterior, levemente supra-hióideo, com consistência amolecida, móvel e indolor. Quando foi solicitado ao paciente para realizar a protrusão da língua, o nódulo permanecia estático. Considerando a principal hipótese diagnóstica, assinale a alternativa correta.
O tratamento de tais lesões compreende a injeção percutânea de agentes esclerosantes, como a bleomicina.
Sua gênese está intimamente relacionada à migração da glândula tireoide da cavidade oral (base da língua) até a porção anterior da traqueia.
O tratamento baseia-se na ressecção da lesão, associada à exérese da porção central do osso hioide e trajeto até a base da língua.
Cerca de um quarto dessas lesões encontra-se na linha média, enquanto os três quartos restantes em até 2 cm desta.
À análise anatomopatológica, é possível observar presença de anexos epiteliais nas lesões.
Paciente do sexo masculino, com 38 anos, descendente de chineses, apresenta-se com linfonodomegalia cervical bilateral alta (níveis IIA e IIB) de evolução progressiva há três meses. Relata episódios de epistaxe leve, zumbido no ouvido esquerdo e cefaleia occipital. Nega tabagismo ou etilismo. Ao exame físico, observam-se múltiplos linfonodos cervicais bilaterais nos níveis II, III e V, o maior com 4 cm, de consistência endurecida e pouco móveis. A nasofibroscopia evidencia lesão submucosa em parede posterolateral da rinofaringe à esquerda. A biópsia revela carcinoma não queratinizante (tipo II da OMS). O PET-CT não evidencia metástases à distância.
Assinale a alternativa que apresenta, correta e respectivamente, o principal fator etiológico associado a esse tipo de tumor e o melhor método para avaliar a resposta ao tratamento.
Tabagismo e etilismo; PET-CT com FDG.
Exposição ocupacional a formaldeído; ultrassonografia cervical.
Vírus Epstein-Barr (EBV); ressonância magnética com contraste.
Papilomavírus humano (HPV); tomografia computadorizada com contraste.
Nitrosaminas da dieta; endoscopia com biópsia.
Paciente do sexo masculino, 62 anos, com diagnóstico de CEC de língua, estádio cT3 N0 M0. Foi submetido à pelveglossectomia associada a esvaziamento cervical dos níveis I a III ipsilateral à lesão. Durante o esvaziamento do nível II, após a retirada do tecido linfático e gorduroso, é possível observar, profundamente ao nervo acessório, qual músculo, que compõe o “assoalho” da região?
Escaleno posterior.
Esplênio da cabeça.
Omo-hióideo.
Trapézio.
Digástrico.
Homem com 72 anos, agricultor, apresenta lesão ulcerada com bordas elevadas e peroladas na região temporal direita, com 2,5 cm de diâmetro, evolução de oito meses e crescimento progressivo. Ao exame, observa-se ulceração central com crosta sero-hemática, bordas elevadas, endurecidas e peroladas, com telangiectasias superficiais. Não há linfonodomegalias cervicais palpáveis. A biópsia confirma carcinoma basocelular (CBC) nodular infiltrativo.
Qual a melhor conduta terapêutica para esse caso?
Ressecção cirúrgica com margens de 1 cm e reconstrução com retalho local.
Terapia com vismodegibe.
Curetagem e eletrocoagulação.
Radioterapia exclusiva.
Ressecção cirúrgica com margens de 2,5 cm e reconstrução com retalho pediculado.
Mulher, de 48 anos, foi submetida à maxilectomia total à direita com exenteração orbital ipsilateral por carcinoma epidermoide de seio maxilar. Após a ressecção, observa-se um defeito complexo tridimensional envolvendo maxila, palato duro, assoalho orbital e conteúdo orbital. A paciente será submetida à radioterapia adjuvante.
Considerando a complexidade do defeito e a necessidade de radioterapia pós-operatória, qual a melhor opção reconstrutiva para esse caso?
Prótese obturadora maxilar e ocular.
Retalho microcirúrgico anterolateral da coxa.
Retalho temporal associado a enxerto ósseo de crista ilíaca.
Retalho miocutâneo de peitoral maior.
Retalho microcirúrgico de fíbula osteocutâneo.
O câncer de tireoide engloba diversas histologias distintas. O subtipo histológico mais comum entre todas as neoplasias malignas da tireoide é o:
Carcinoma Papilífero.
Carcinoma Folicular.
Carcinoma Anaplásico.
Carcinoma Medular.
Linfoma de Tireoide.
Os tumores de glândulas salivares são um grupo diverso de neoplasias. A glândula salivar mais frequentemente acometida por tumores é:
A glândula sublingual.
A glândula parótida.
As glândulas salivares menores.
A glândula submandibular.
A glândula lacrimal.
Em um paciente com um schwannoma vestibular grande estendendo-se para o ângulo pontocerebelar e comprimindo o tronco encefálico, qual das seguintes abordagens cirúrgicas seria a mais indicada para garantir uma ressecção completa do tumor e preservar a função do nervo facial, considerando a complexa anatomia da região e a necessidade de minimizar o risco de complicações neurológicas?
Abordagem translabiríntica, com remoção completa do labirinto e acesso amplo ao ângulo pontocerebelar.
Abordagem retrosigmoide, com acesso posterior à fossa posterior e preservação da audição.
Abordagem da fossa média, com acesso lateral ao ângulo pontocerebelar e preservação da audição.
Abordagem transpetrosa, com acesso combinado através da mastoide e da fossa média, permitindo a ressecção de tumores extensos com preservação do nervo facial.
Abordagem endoscópica endonasal, com acesso minimamente invasivo à base do crânio, mas com limitações para tumores grandes e complexos.
A sequela vocal típica da lesão do nervo laríngeo recorrente durante tireoidectomia total é:
Unilateral: rouquidão; bilateral: afonia.
Unilateral: afonia; bilateral: rouquidão.
Unilateral: estridor; bilateral: sem alteração funcional.
Unilateral: perda do reflexo do vômito; bilateral: sinal de cortina.
Unilateral: trismo; bilateral: anquilose da ATM.
Paciente do sexo feminino, com 22 anos, apresenta nódulo tireoidiano único de 3,2 cm em lobo direito, descoberto em exame de rotina. Nega sintomas compressivos, disfagia ou disfonia. Não há histórico familiar de câncer de tireoide. Ao exame físico, observa-se nódulo palpável, mas não visível, móvel à deglutição, sem linfonodomegalias cervicais. A função tireoidiana está normal (TSH: 1,8 mUI/L; T4 livre: 1,2 ng/dL). A ultrassonografia evidencia nódulo sólido, isoecogênico, com margens regulares, sem microcalcificações, mais largo do que alto, classificado como TIRADS 3. A punção aspirativa por agulha fina (PAAF) revela Bethesda II (benigno), compatível com nódulo coloide.
Qual a conduta mais adequada para esse caso?
Repetição da PAAF em 3 a 6 meses.
Observação clínica com ultrassonografia anual.
Lobectomia direita.
Tireoidectomia total.
Ablação percutânea com etanol.
Paciente de 68 anos, tabagista, apresenta massa cervical lateral indolor, de 4 cm, endurecida e fixa, sem lesão primária aparente ao exame clínico da boca, faringe e laringe. Ultrassom cervical sugere provável metástase cervical sem tumor primário evidente. A conduta mais adequada para investigação inicial é
excisão imediata do nódulo com esvaziamento cervical radical modificado.
punção aspirativa por agulha fina (PAAF) com citologia e tomografia de cabeça e pescoço e tórax.
biópsia incisional do nódulo e pesquisa de HPV na amostra.
observação clínica por 6 semanas e reavaliação somente se crescer.
radioterapia cervical empírica sem confirmação histológica.