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Uma mulher de 59 anos submetida à cirurgia bariátrica há cerca de 3 anos, tendo emagrecido 30 kg de peso desde a cirurgia, apresenta quadro depressivo associado, tendo interrompido a suplementação de vitaminas. Com frequência, abusa de álcool quando seu humor fica mais deprimido. Após libação alcoólica desenvolve quadro de vômitos, sendo então trazida à emergência hospitalar. Durante atendimento, é administrada glicose hipertônica a 25% por endovenosa, ondesartana 4 mg e hidratação venosa com soro glicosado a 10%, continuamente à razão de 51 mL/hora. Horas mais tarde, paciente apresenta quadro de desorientação importante (que não estava presente na admissão), dificuldade para deambular com ataxia de marcha e estrabismo convergente bilateral, e nistagmo à mirada lateral, bilateral, inesgotável. Seu exame físico (aparelho cardiovascular, respiratório, abdomee membros) não identificaram anormalidades, pressão arterial: 120/60 mmHg, frequência cardíaca 98 bpm, temperatura axilar 36,5 ºC, saturação de oxigênio 98% em ar ambiente, frequência respiratória 18 IRPM. Exames de laboratório não demonstram anormalidades bioquímicas (sódio, potássio, cálcio, fósforo), hepatograma sem anormalidades expressivas, e hemograma sem alterações relevantes. Tomografia de crânio realizada não identificou sangramentos, mas identificou pequenas lesões hipodensas no diencéfalo, mesencéfalo e periventriculares que se intensificaram com contraste.
Diante do exposto, marque a alternativa que apresenta o provável diagnóstico, etiologia, investigação e tratamento respectivamente:
Síndrome de Korsakoff, dosagem da tiamina, realizar reposição oral de tiamina.
Síndrome de Wernicke, diagnóstico clínico, realizar reposição endovenosa de tiamina.
Encefalopatia hepática, dosagem de amônia, usar lactulona e neomicina oral.
Acidente vascular cerebral, angiotomografia de crânio, usar aspirina.
Depressão catatônica, eletroencefalograma, realizar eletroconvulsoterapia.
Caso clínico para as questões 49 e 50.
Um paciente de 70 anos de idade compareceu ao pronto-socorro com queixa de dor abdominal em cólica, há 9 dias, com piora progressiva de sua intensidade, tendo feito uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINE), sem melhora. A dor apresentou piora significativa e se tornou contínua há 1 dia. Refere associação de vômitos tardios e parada da eliminação de gases e fezes ao quadro clínico no período. Foi submetido a tomografia computadorizada de abdome que evidenciou grande distensão de alças colônicas, com ceco de diâmetro aproximado de 10 cm, região de aparente estenose em transição retossigmoide, que pode corresponder a processo neoplásico e pneumoperitônio.
Considerando que seja indicada a laparotomia exploradora, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada no caso desse paciente.
colectomia total
retossigmoidectomia, colostomia à Hartmann e sutura de perfuração/laceração do ceco
retossigmoidectomia, anastomose primária e sutura de perfuração/laceração do ceco
colostomia em alça e sutura de perfuração/laceração de ceco
hemicolectomia direita, ileotransverso anastomose e retossigmoidectomia à Hartmann, preservando-se o cólon transverso
Com base nesse caso clínico, assinale a alternativa correta, em relação ao provável diagnóstico do paciente em questão.
Trata-se de abdome agudo perfurativo, com provável perfuração de ceco relacionada ao uso de AINE; a conduta indicada é a laparotomia exploradora.
Trata-se de abdome agudo obstrutivo complicado, com provável perfuração da área da neoplasia; a conduta indicada é a laparotomia exploradora.
Trata-se de abdome agudo perfurativo, com provável perfuração da área da neoplasia; a conduta indicada é a laparotomia exploradora.
Trata-se de abdome agudo obstrutivo complicado em alça fechada, com provável perfuração de ceco; a conduta indicada é a laparotomia exploradora.
Trata-se de abdome agudo obstrutivo não complicado; a conduta indicada é a laparotomia exploradora.
Paciente realizou colonoscopia de rastreio que identificou um pólipo de 1,5 cm em cólon ascendente, o qual foi ressecado com alça de polipectomia. O anátomo‑patológico mostrou um adenoma túbulo‑viloso com displasia de alto grau com margens livres.
Com base nessa situação hipotética, o paciente deve repetir a colonoscopia em
seis meses.
um ano.
três anos.
cinco anos.
dez anos.
Um paciente de 63 anos de idade compareceu ao pronto-socorro com queixa de distensão abdominal e dor abdominal difusa em cólica associadas a interrupção da eliminação de fezes. Refere que não está se alimentando. Não sabe referir presença de flatos nem tempo exato da história clínica. Ao exame físico abdominal, apresenta abdome distendido, timpânico, doloroso difusamente à palpação, sem sinais de peritonite. Ao toque retal, apresenta neoplasia tocável a 6 cm, aproximadamente, da borda anal, estenosante. Foi solicitada radiografia de abdome, que evidenciou grande distensão de alças de cólon, com nível hidroaéreo quando em ortostase. Foi feito diagnóstico de abdome agudo obstrutivo e indicou-se abordagem cirúrgica.
Nesse caso, a conduta cirúrgica mais adequada para esse paciente na urgência é
colostomia em alça para posterior programação de tratamento radioterápico e quimioterápico e, se possível, ressecção de neoplasia primária eletivamente.
amputação abdominoperineal do reto, ressecando-se a neoplasia na urgência e mantendo-se paciente com colostomia definitiva.
colostomia terminal (à Hartmann), com secção próxima à reflexão peritoneal sem abri-la, para melhorar quadro obstrutivo e programação de tratamento cirúrgico eletivo após realização de radioterapia e quimioterapia ambulatorial.
proctocolectomia total e ileostomia definitiva.
retossigmoidectomia à Hartmann com abertura da reflexão peritoneal para acesso ao reto médio e baixo, ressecção com margem cirúrgica de segurança distal próxima à borda anal.
No câncer do reto, está indicada nos casos em que não há uma margem cirúrgica distal, a cirurgia de:
Talles
Miles
Mawroy
Better
Lows
O diagnóstico de Doença de Crohn deve ser considerado em todo paciente que apresente episódios crônicos e recorrentes de dor abdominal associados à diarreia e perda de peso. Em algumas situações a diferenciação entre Doença de Crohn e colite ulcerativa pode ser difícil e alguns dados na história clínica podem ser fundamentais. Das opções abaixo relacionadas, qual a que apresenta uma característica mais comum na colite ulcerativa?
Fístula anal.
Sangramento retal.
Úlceras lineares.
Fissura anal.
Algumas funções corporais, como o trânsito intestinal, podem ser de recuperação lenta após uma cirurgia oncológica e, às vezes, podem se tornar uma manifestação importante do que não está funcionando adequadamente. Para auxiliar no processo de recuperação do paciente póscirúrgico, é correto afirmar:
Repouso absoluto.
Repouso parcial, o paciente só deverá caminhar para ir ao banheiro, se não for possível a realização do banho no leito e uso de fraldas.
Levantar e caminhar após a cirurgia.
Sentar à beira do leito com os pés elevados.
Dieta fica em fibras e sais minerais.
Qual dos pacientes a seguir preencheria critérios para indicação de encaminhamento para cirurgia bariátrica?
Paciente com IMC de 38 kg/m2, independentemente de comorbidades, após tratamento clínico longitudinal por dois anos sem sucesso, realizado na Atenção Primária.
Paciente com IMC de 48 kg/m2, independentemente de comorbidades.
Paciente com IMC de 37 kg/m2, com hipertensão arterial de difícil controle, após tratamento clínico longitudinal por dois anos sem sucesso, realizado na Atenção Primária.
Paciente com IMC de 33 kg/m2, com síndrome da apneia e hipopneia obstrutiva do sono, após tratamento clínico longitudinal por dois anos sem sucesso, realizado na Atenção Primária.
Paciente com IMC de 32 kg/m2 com Diabetes Melito de difícil controle, após tratamento clínico longitudinal por dois anos sem sucesso, realizado na Atenção Primária.
A colelitíase apresenta importante correlação com os pacientes candidatos à cirurgia bariátrica. Tanto a obesidade quanto a perda de peso rápida predispõem à formação de cálculos biliares. A rápida perda de peso proporcionada pela cirurgia bariátrica associada a múltiplos fatores fisiológicos, como hipersaturação da bile com colesterol, aumento da produção de mucina e hipomotilidade da vesícula, assim como a divisão do ramo hepático do nervo vago afetam a ocorrência de colelitíase. Considerando o exposto e, ainda, as recomendações das diretrizes sobre a colelitíase associada à cirurgia bariátrica, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), assinale a afirmativa correta.
Recomenda-se o uso de ácido ursodesoxicólico por via oral após a cirurgia bariátrica.
No período pós-operatório, a ultrassonografia abdominal deve ser solicitada de rotina, antes da alta hospitalar.
Recomenda-se a realização de uma ultrassonografia de abdômen total como triagem de rotina no pré-operatório de cirurgia bariátrica.
Recomenda-se a colecistectomia profilática de forma rotineira em pacientes assintomáticos, principalmente os submetidos à gastrectomia vertical.
A colecistectomia realizada simultaneamente com a cirurgia bariátrica eleva o risco de complicações cirúrgicas graves; mortalidade em trinta dias; tempo de hospitalização; e, taxa de reoperações.
Quanto ao megaesôfago chagásico, assinale a alternativa incorreta.
Endoscopia digestiva alta é fundamental para a confirmação diagnóstica, além de avaliar o grau de inflamação da mucosa e afastar a presença de lesões neoplásicas.
Na radiografia simples de tórax, pode-se suspeitar da presença de um megaesôfago avançado.
De acordo com a classificação de Rezende, as ondas terciárias são evidenciadas nos graus II e III.
As complicações da mucosectomia incluem sangramento excessivo durante retirada da mucosa e submucosa e complicações pleuropumonares; no entanto, a incidência de tais complicações é significativamente menor do que na esofagectomia.
Para casos não avançados, opta-se pela cardiomiotomia de Heller, ao passo que, em casos avançados, opta-se pela esofagectomia subtotal com esofagogastroplastia transmediastinal posterior, mucosectomia ou cirurgia de Serra Doria.
Em relação ao câncer gástrico, é correto afirmar que
o adenocarcinoma responde por 50% dos tumores gástricos.
o adenocarcinoma do tipo difuso é mais comum nas mulheres e em pacientes mais jovens e a disseminação linfática é comum.
o câncer gástrico precoce acomete a mucosa e a submucosa sem o acometimento linfonodal.
a cadeia gástrica número 7 na linfadenectomia corresponde aos linfonodos da artéria hepática comum.
a terapia neoadjuvante com quimioterapia é indicada apenas nos casos de tumores gástricos estádio IV.
A embolização esplênica tem sido considerada uma ferramenta para diminuir os casos de falha do tratamento não operatório (TNO) do trauma esplênico. Considerando essa informação, assinale a alternativa incorreta.
A embolização tem sido aplicada diante de condições de alto risco para falha do TNO, como lesões esplênicas de alto grau (graus IV e V), anormalidades vasculares e hemoperitônio grande.
Nos casos em que o sangramento é focal, utiliza‑se a embolização distal, pois, em caso de falha, ainda restaria a possibilidade de uma nova tentativa de embolização, porém, dessa vez, proximal.
A embolização proximal geralmente é utilizada quando o sangramento é difuso, quando o paciente está chocado ou quando a anatomia vascular é desfavorável.
As principais complicações da embolização esplênica são: infarto esplênico; abscesso; hipertermia; e hiperalgesia sem infarto esplênico associado.
Há controvérsias na indicação da arteriografia (embolização) quando se analisa o significado do blush tomográfico nas principais referências a respeito do tema.
Homem de 40 anos, portador de obesidade grau 2 e histórico de hipertensão controlada, foi submetido a uma gastrectomia vertical laparoscópica. Desde o início do procedimento, manteve-se o pneumoperitônio insuflado a 15 mmHg. Após 45 minutos de cirurgia, o paciente evolui bradicardia seguida de hipotensão arterial (70 x 40 mmHg). A equipe cirúrgica não identificou sinais de sangramento ativo. Gasometria arterial: pH = 7,15; PaO2 = 95 mmHg; PaCO2 = 82 mmHg; bicarbonato = 22 mmol/L; SaO2 = 92%. Assinale a alternativa que apresenta qual das seguintes medidas é a mais adequada a ser tomada neste momento.
Administrar corticoide endovenoso suspeitando de reação anafilática
Elevar a cabeceira para melhorar a perfusão cerebral
Interromper o pneumoperitônio e, na ausência de melhora, realizar procedimentos para monitorização hemodinâmica
Reduzir minimamente a pressão do gás e manter a ótica na cavidade para monitorar possíveis sangramentos
Transfundir concentrado de hemácias baseando-se na possibilidade de sangramento oculto
Ao dissecar o infundíbulo da vesícula biliar buscando o Critical View of Safety durante uma colecistectomia laparoscópica, o cirurgião observa uma faísca elétrica entre o instrumento e uma estrutura metálica adjacente ao campo cirúrgico. Não há sinais imediatos de lesão tecidual. Assinale a alternativa que apresenta qual das seguintes medidas é a mais apropriada para prevenir complicações relacionadas a esse evento.
Ajustar a potência do aparelho de eletrocirurgia para um nível mais baixo
Inspeção cuidadosa do local para avaliar danos teciduais ocultos
Isolamento de todas as estruturas metálicas no campo cirúrgico
Substituição do instrumento de eletrocirurgia por um novo
Uso de solução salina para irrigar o campo cirúrgico e reduzir a resistência elétrica
Um cirurgião está realizando uma colecistectomia videolaparoscópica em um paciente com diagnóstico de colecistite aguda Tokyo grau 3. Durante o procedimento, torna-se evidente que a 'visão crítica de segurança' de Strasberg não pode ser adequadamente alcançada devido a aderências e inflamação severas. Assinale a alternativa que apresenta a conduta mais apropriada a seguir neste caso.
Conversão cuidadosa para cirurgia aberta devido a dificuldades técnicas e segurança do paciente
Continuar com a laparoscopia, utilizando técnicas avançadas de imagem para melhor visualização
Interrupção do procedimento e transição para tratamento clínico conservador
Realização de colecistostomia percutânea como uma alternativa temporária
Utilização de agentes hemostáticos locais para melhorar a visualização no campo cirúrgico
Considerando o uso da videolaparoscopia no contexto do trauma abdominal, assinale a alternativa correta.
A laparoscopia é contraindicada no trauma abdominal devido ao risco de lesões adicionais
A laparoscopia tem um papel limitado na avaliação de órgãos retroperitoneais em cenários de trauma
Em pacientes hemodinamicamente estáveis, a laparoscopia pode ser valiosa para excluir penetração peritoneal oculta
Laparoscopia é o método preferencial para avaliação de lesões hepáticas em trauma abdominal fechado
Videolaparoscopia deve ser evitada em ferimentos penetrantes da parede abdominal anterior devido à alta probabilidade de falsos negativos
Homem de 55 anos foi diagnosticado com uma lesão cística benigna no corpo do pâncreas. O paciente sempre foi assintomático e a lesão foi identificada incidentalmente durante uma tomografia computadorizada. Considerando o manejo laparoscópico de lesões pancreáticas, assinale a alternativa que apresenta a melhor abordagem neste caso.
Aspiração laparoscópica da lesão cística para análise citológica
Enucleação laparoscópica da lesão cística pancreática
Pancreatectomia distal laparoscópica
Ressecção laparoscópica do corpo do pâncreas
Vigilância ativa sem intervenção cirúrgica
Durante uma fundoplicatura de Nissen em um paciente com doença do refluxo gastroesofágico grave com esôfago de Barrett associado a encurtamento do órgão, o cirurgião encontra o fundo gástrico com vasos curtos significativos e muito tenso a mobilização. A mobilização completa do fundo gástrico para uma fundoplicatura de 360 graus parece arriscada, aumentando o risco de comprometimento vascular e tensão na válvula. Neste contexto complexo, assinale a alternativa que apresenta qual abordagem laparoscópica é mais apropriada para minimizar o risco de isquemia e garantir a eficácia do procedimento.
Aplicação de gastropexia para estabilizar o fundo gástrico sem fundoplicatura
Conversão para cirurgia aberta devido à complexidade anatômica
Realização de uma fundoplicatura parcial tipo Toupet (270 graus) para evitar tensão no esôfago de Barrett e no fundo gástrico
Uso de ligadura dos vasos curtos gástricos para permitir a mobilização total e fundoplicatura de Nissen completa
Utilização de um enxerto para extensão do esôfago e realização segura de uma fundoplicatura de 360 graus
A apendicite é uma inflamação do apêndice vermiforme constituindo uma das causas mais comuns de abdome agudo e uma das indicações mais frequentes para procedimento cirúrgico abdominal de emergência em todo o mundo. A respeito dessa patologia, analise as afirmativas abaixo e dê valores Verdadeiro (V) ou Falso (F).
( ) A apendicite é causada por uma obstrução luminal.
( ) Entre os diagnósticos diferenciais, temos adenite mesentérica, nefrolitíase a direita, gravidez ectópica e doença inflamatória pélvica.
( ) A cobertura polimicrobiana e antibiótica deve incluir bactérias gram-positivas e anaeróbias.
( ) O sinal do obturador é a dor no quadrante inferior direito na rotação externa do quadril.
( ) Na apresentação tomográfica, o apêndice é normalmente maior do que 7 mm de diâmetro com parede espessada e inflamada e realce mural ou “sinal de alvo”.
( ) No escore de Alvarado modificado, a leucocitose tem pontuação de 2.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de cima para baixo.
F - V - V - F - F - F
V - V - F - F - V - V
V - V - V - F - F - V
F - V - F - F - F - V
V - F - V - F - V - V