Questões de Concurso sobre Clínica Geral

 
 
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Em relação ao raciocínio clínico para reconhecimento de doenças raras em pacientes atendidos inicialmente por manifestações aparentemente comuns, assinale a alternativa correta.


A

A presença de manifestações em múltiplos sistemas aumenta a probabilidade de diagnósticos independentes e, pelo princípio da parcimônia, deve-se evitar buscar uma etiologia unificadora.


B

Uma doença rara deve ser considerada apenas após exclusão sistemática de todas as doenças prevalentes, pois a probabilidade pré teste determinada pela prevalência sempre se sobrepõe à especificidade dos achados individuais.


C

História familiar negativa reduz substancialmente a probabilidade de doença genética, especialmente em condições de início na vida adulta, permitindo interromper a investigação genética na maioria dos casos.


D

Achados incomuns, precoces, desproporcionais ou aparentemente não relacionados podem atuar como sinais de alerta e, quando apresentam elevada especificidade ou formam um padrão fenotípico coerente, modificar de maneira relevante a probabilidade pré teste de uma condição rara.


E

Na presença de múltiplas comorbidades, a utilização de painéis genéticos amplos como primeira etapa diagnóstica é preferível à caracterização fenotípica, pois reduz o risco de viés clínico e elimina variantes de significado incerto.

Homem de 29 anos de idade procurou serviço médico com história de dor na região lombar há três anos, com irradiação para os glúteos. Refere leve melhora com exercício físico ou uso de AINES, mas piora em repouso principalmente no período noturno que chega a acordá-lo durante a noite. É acompanhada de rigidez matinal de mais de uma hora e quadro de dor em calcâneos principalmente ao acordar. Refere que passa o dia sentado, pois trabalha em escritório de contabilidade. Considerando a principal hipótese diagnóstica, das manifestações abaixo, a mais comum de ocorrer em algum momento da evolução da doença é


A

blefarite.


B

ceratite aguda.


C

esclerite aguda.


D

iridociclite aguda.


E

coriorretinite aguda.

Paciente comparece a unidade de saúde com queixa de mancha clara no corpo, nega prurido no local. Ao exame: paciente apresentava máculas hipocrômicas na região da face e tronco, totalizando 6 lesões com alteração da sensibilidade térmica. O provável diagnóstico e sua classificação, respectivamente, são


A

hanseníase indeterminada – palcibacilar.


B

hanseníase indeterminada – multibacilar.


C

hanseníase tuberculoide – multibacilar.


D

hanseníase wirshoviana – multibacilar.


E

hanseníase histioide – paucibacilar.

Bebidas adulteradas com metanol representam um grave risco à saúde. A substância é altamente tóxica e sua presença em bebidas alcoólicas é resultado de falsificação, geralmente em fábricas clandestinas. No ano de 2025, houve casos suspeitos e confirmados de intoxicação por metanol no Brasil. Analise as assertivas abaixo relacionadas à intoxicação por metanol e marque V (verdadeiro) ou F (falso):


( ) Lavagem gástrica e carvão ativado são indicados nas primeiras 4 horas após a ingestão do metanol.

( ) A hemodiálise é recomendada em pacientes com acidose metabólica grave, alterações visuais, injúria renal aguda, instabilidade hemodinâmica refratária, distúrbios eletrolíticos refratários e nível sérico de metanol maior que 50 mg/dL.

( ) Intoxicação por metanol é uma das causas de acidose metabólica com ânion-gap aumentado.

( ) O etanol e o fomepizol são antídotos que podem ser utilizados em casos graves de intoxicação por metanol.


Marque a alternativa que corresponda, na ordem de cima para baixo, à sequência CORRETA.


A

V, V, V, V.


B

F, F, V, F.


C

V, V, F, F.


D

F, V, V, V.

Os Distúrbios Hidroeletrolíticos são eventos frequentes na prática médica pediátrica, sobretudo em situações de emergência, podendo representar risco imediato à vida ou causar sequelas, a depender de sua magnitude. Sobre esses distúrbios, assinale a alternativa correta:


A

A gravidade da desidratação pediátrica é determinada exclusivamente pela etiologia da perda hídrica, sendo irrelevante a intensidade ou o tipo de perda salina envolvida.


B

A desidratação deve ser caracterizada apenas pelo grau de perda hídrica, não sendo necessária a avaliação da proporção entre perdas de água e de sais.


C

Os distúrbios do sódio apresentam maior risco de comprometimento do sistema nervoso central, enquanto os distúrbios do potássio estão associados principalmente ao risco de arritmias cardíacas, exigindo atenção e tratamento cuidadosos.


D

Os distúrbios do cálcio, magnésio e fósforo são os mais ameaçadores à vida, sendo responsáveis, principalmente, por alterações cardíacas graves.


E

Os distúrbios hidroeletrolíticos em pediatria raramente ocorrem em situações de emergência e, em geral, não demandam caracterização detalhada para definição terapêutica.

Sobre a rabdomiólise, marque a alternativa CORRETA.


A

Insuficiência renal aguda é comum em pacientes com rabdomiólise secundária a atividade física, especialmente em jovens.


B

A presença de grupamento heme na urina é sugestiva do diagnóstico, sobretudo se o exame de urina rotina, na microscopia, não mostra hematúria.


C

Entre as possíveis causas de rabdomiólise estão os distúrbios hidroeletrolíticos: hipercalemia (> 6 mEq/L), hipofosfatemia, hipocalcemia, hipo/hipernatremia.


D

O uso de estatinas é uma das causas de rabdomiólise. As duas estatinas que parecem ter maior associação com miopatias são a Pravastatina e a Fluvastatina.

Uma paciente de 42 anos, previamente hígida, procura atendimento médico com queixa de dor e inchaço em pequenas articulações das mãos (interfalangianas proximais e metacarpofalangianas) e punhos, de caráter simétrico e progressivo, há aproximadamente 3 meses. Relata rigidez matinal que dura cerca de 2 horas. Ao exame físico, apresenta edema e dor à palpação em 4 articulações metacarpofalangianas e punhos bilateralmente. Exames laboratoriais revelam velocidade de hemossedimentação (VHS) de 55 mm/1ª hora e proteína C reativa (PCR) de 18 mg/L (VR < 5 mg/L). O fator reumatoide (FR) é positivo em altos títulos, e anticorpos anti-peptídeos citrulinados cíclicos (anti-CCP) também são detectados em altos títulos.


Considerando o quadro clínico e laboratorial da paciente, marque a alternativa que apresenta a conduta inicial CORRETA para a condição exposta, em paciente virgem de tratamento, de acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde.


A

Iniciar terapia combinada com metotrexato, sulfassalazina e hidroxicloroquina, associada a glicocorticoides em baixas doses, devido à alta atividade da doença.


B

Optar por um agente biológico anti-TNF, como o adalimumabe, em monoterapia, para um controle rápido e eficaz da inflamação e prevenção da progressão radiográfica.


C

Prescrever metotrexato em monoterapia, com uso concomitante de ácido fólico, por ser a primeira escolha terapêutica nessa etapa da doença.


D

Iniciar naproxeno e prednisona em baixas doses para controle sintomático e, se não houver resposta satisfatória, iniciar imunossupressor.

Ano: 2026
Prova: FGV - ENARE - Residência Pré Requisito - Área: Geriatria - 2026

Homem de 58 anos de idade é atendido em Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com dor contínua, de forte intensidade, em flanco e região lombar à direita, iniciada há cerca de 12 horas.

Na admissão, apresenta-se consciente e orientado, com pontuação 15 na Escala de Coma de Glasgow. Ao exame físico, apresenta sinal de Giordano positivo à direita. Os sinais vitais iniciais são: pressão arterial de 183 × 100 mmHg, frequência cardíaca de 83 bpm e saturação periférica de oxigênio de 95% em ar ambiente.

Foi submetido à tomografia computadorizada de abdome e pelve sem contraste, que evidenciou cálculo piélico à direita medindo 9,5 × 7 mm, associado à hidronefrose moderada, densificação da gordura perirrenal e peripiélica à direita e múltiplos cálculos calicinais não obstrutivos no mesmo rim.

Durante o período de observação na UPA, após alívio parcial da dor com analgesia endovenosa, foram liberados os exames laboratoriais colhidos na admissão, que demonstraram leucograma de 17.800/mm³, com 12% de bastões; creatinina de 1,8 mg/dL, com valor basal desconhecido; e EAS (Urina I) com leucocitúria maciça, nitrito positivo e bacteriúria abundante.

Ao reavaliar o paciente no leito da emergência, o médico observa temperatura de 38,4°C, pressão arterial de 105 × 65 mmHg, frequência cardíaca de 108 bpm e frequência respiratória de 22 irpm.

Diante do quadro clínico, laboratorial e dos achados tomográficos, assinale a conduta médica imediata mais adequada.


A

Prescrever antibioticoterapia oral com fluoroquinolona, otimizar a analgesia e agendar avaliação ambulatorial urológica para programação de litotripsia extracorpórea por ondas de choque (LEOC) em até 7 dias.


B

Solicitar tomografia computadorizada de abdome com contraste endovenoso para descartar abscesso renal, manter o paciente em observação na UPA sob antibioticoterapia parenteral e reavaliar a função renal em 24 horas.


C

Indicar ureterorrenolitotripsia de urgência para fragmentação imediata do cálculo piélico e desobstrução definitiva da via urinária, seguida de antibioticoterapia por 7 dias.


D

Coletar culturas, desde que não haja atraso do tratamento, iniciar imediatamente antibioticoterapia endovenosa empírica de amplo espectro e administrar cristaloides com reavaliação hemodinâmica, providenciando transferência imediata para serviço com suporte urológico para descompressão urgente do trato urinário.


E

Prescrever alfa bloqueador (tansulosina) associado a anti-inflamatório não esteroidal para terapia expulsiva medicamentosa (TEM) e conceder alta hospitalar com orientação de retorno em caso de piora álgica.

Ano: 2026
Prova: FGV - ENARE - Residência Pré Requisito - Área: Geriatria - 2026

Mulher de 43 anos procura serviço de emergência por dificuldade progressiva para caminhar, visão borrada e comportamento desorganizado há cerca de 24 horas. Há três meses foi submetida à derivação gástrica em Y de Roux e, nas últimas quatro semanas, apresentou vômitos recorrentes, redução importante da ingestão alimentar e perda ponderal de 14 kg. Nos dois dias anteriores, recebeu em outro serviço hidratação intravenosa contendo solução glicosada, sem suplementação vitamínica.

Ao exame, encontra-se sonolenta, porém despertável, desorientada no tempo, com dificuldade para fixar novas informações. Apresenta nistagmo horizontal, discreta limitação bilateral da abdução ocular e marcha de base alargada. Não há febre, rigidez de nuca ou déficit motor focal.

Exames laboratoriais mostram: Glicemia: 106 mg/dL; Sódio: 138 mEq/L; Potássio: 3,7 mEq/L; Creatinina: 0,8 mg/dL; AST: 29 U/L; ALT: 25 U/L; Lactato: 5,6 mmol/L; pH arterial: 7,31; Bicarbonato: 18 mEq/L; Cetonemia: negativa.

A tomografia computadorizada de crânio não evidencia alterações agudas. Foi coletada amostra sanguínea para investigação de deficiências vitamínicas, cujos resultados estarão disponíveis em alguns dias.

Considerando a hipótese diagnóstica mais provável, assinale a opção que apresenta a conduta imediata e o mecanismo bioquímico que melhor explica a indicação do tratamento.


A

Administrar cianocobalamina parenteral, pois sua conversão em metilcobalamina restabelece diretamente a atividade da piruvato desidrogenase e reduz a formação de lactato.


B

Administrar tiamina parenteral imediatamente, antes de novas cargas de carboidratos, pois sua forma ativa participa como cofator de enzimas do metabolismo oxidativo da glicose, e sua deficiência favorece acúmulo de piruvato, formação de lactato e déficit energético neuronal.


C

Administrar piridoxina intravenosa e manter a oferta de glicose, pois a deficiência de piridoxal fosfato reduz a transaminação do piruvato e constitui o principal mecanismo da encefalopatia apresentada.


D

Aguardar a dosagem sanguínea de tiamina antes da reposição e, se confirmada a deficiência, iniciar tiamina por via oral, cuja principal ação é ativar diretamente a succinato desidrogenase no ciclo do ácido cítrico.


E

Manter inicialmente a infusão de glicose e administrar ácido fólico parenteral, pois o aumento da disponibilidade de tetraidrofolato restaura a oxidação mitocondrial do piruvato e corrige rapidamente a disfunção neurológica.

Ano: 2026
Prova: FGV - ENARE - Residência Pré Requisito - Área: Geriatria - 2026

Homem de 68 anos, com hipertensão e diabetes, é internado por pneumonia comunitária grave. Após receber 30 mL/kg de cristaloide balanceado, permanece com pressão arterial de 78 por 46 mmHg, frequência cardíaca de 118 bpm, lactato de 5,2 mmol/L e débito urinário de 0,2 mL/kg/h. Noradrenalina em dose crescente, atualmente a 0,28 micrograma/kg/min, mantém pressão arterial média de 67 mmHg. A ultrassonografia à beira leito mostra ventrículo esquerdo hiperdinâmico, ventrículo direito sem dilatação, ausência de derrame pericárdico e linhas B esparsas. A elevação passiva das pernas aumenta o VTI da via de saída do ventrículo esquerdo em apenas 4%, afastando responsividade a volume. Não há evidência de disfunção miocárdica ou de baixo débito cardíaco.

Considerando o choque séptico vasoplégico persistente, a próxima conduta mais apropriada é


A

substituir a noradrenalina por dopamina com o objetivo de aumentar a diurese.


B

iniciar dobutamina imediatamente, apesar da ausência de disfunção miocárdica ou baixo débito.


C

administrar mais 1.500 mL de cristaloide em infusão rápida e suspender temporariamente a noradrenalina.


D

associar vasopressina em dose fixa de 0,03 unidade/minuto à noradrenalina e considerar hidrocortisona intravenosa diante da necessidade persistente de suporte vasopressor.


E

substituir a noradrenalina por adrenalina como único vasopressor e reduzir a meta de pressão arterial média para 55 mmHg.

Homem de 22 anos, previamente saudável, é internado por dor abdominal intensa e difusa, sem sinais de irritação peritoneal, acompanhada de náuseas e constipação intestinal há 4 dias. Evoluiu com dor lombar, parestesias distais e fraqueza progressiva dos membros inferiores, que, em 72 horas, evoluiu para tetraparesia flácida. Durante a internação, a equipe de enfermagem observou urina avermelhada.

O exame de urina (EAS) não evidenciou hematúria, leucocitúria ou bacteriúria. Ao exame neurológico, apresentava tetraparesia flácida simétrica, arreflexia generalizada e hipoestesia distal leve.

O diagnóstico mais provável é


A

polineuropatia inflamatória aguda idiopática.


B

botulismo.


C

neuropatia aguda por intoxicação por arsênico.


D

porfiria aguda intermitente.


E

neuropatia diftérica.

Mulher de 38 anos, sem diagnóstico prévio de doença autoimune, procura atendimento por dor e edema progressivos no membro inferior esquerdo há 3 dias. Há quatro anos, apresentou trombose venosa profunda (TVP) proximal não provocada, tratada com anticoagulação durante seis meses. Dois anos depois, sofreu acidente vascular cerebral isquêmico, também sem fator desencadeante identificado. Nega uso de anticoncepcionais, tabagismo ou história familiar de trombofilia.

Ao exame, encontra-se hemodinamicamente estável, com edema assimétrico e dor à palpação da panturrilha esquerda. A ultrassonografia com Doppler demonstra nova TVP envolvendo as veias femoral e poplítea.

Os exames laboratoriais mostram: hemoglobina: 12,6 g/dL; leucócitos: 7.800/mm³; plaquetas: 108.000/mm³; creatinina: 0,8 mg/dL; TP/INR: 1,0; TTPa: 58 segundos (controle: 30 segundos); anticoagulante lúpico: positivo; anticardiolipina IgG: 92 GPL; anti-β2-glicoproteína I IgG: fortemente positivo; FAN: negativo; anti-DNA de dupla hélice: negativo.

Os anticorpos antifosfolípides permanecem positivos em nova determinação realizada 12 semanas depois.

Após o tratamento da fase aguda do evento trombótico com anticoagulação parenteral, deve-se definir a estratégia de prevenção secundária em longo prazo.

Considerando o diagnóstico mais provável, o significado dos achados laboratoriais e o mecanismo farmacológico do tratamento, assinale a afirmativa correta.


A

A paciente apresenta síndrome antifosfolípide trombótica, mas o TTPa prolongado indica efeito anticoagulante sistêmico do anticorpo in vivo; por isso, após a fase aguda, deve-se priorizar ácido acetilsalicílico isoladamente para reduzir o risco hemorrágico associado à anticoagulação.


B

A paciente apresenta síndrome antifosfolípide trombótica e deve receber apixabana em longo prazo, pois a inibição direta e reversível do fator Xa oferece proteção equivalente à varfarina em pacientes com tripla positividade, independentemente de eventos arteriais prévios.


C

A paciente apresenta síndrome antifosfolípide associada à trombocitopenia imune, devendo-se priorizar corticosteroide sistêmico até normalização da contagem plaquetária e iniciar anticoagulação apenas após atingir valores superiores a 150.000/mm³.


D

A paciente apresenta síndrome antifosfolípide provável, porém a persistência dos anticorpos por 12 semanas, na ausência de lúpus eritematoso sistêmico, não estabelece relevância clínica suficiente para anticoagulação prolongada; recomenda-se tratamento da TVP atual pelo período convencional de três a seis meses.


E

A paciente apresenta síndrome antifosfolípide trombótica de alto risco; deve receber anticoagulação prolongada com varfarina, que reduz a síntese hepática funcional dos fatores II, VII, IX e X dependentes de vitamina K, sendo inadequada a substituição rotineira por anticoagulante oral direto nesse perfil.

O colesteatoma é uma lesão osteolítica benigna, porém de caráter cronicamente agressivo e destrutivo. A sua classificação etiológica e patogênica pode ser adquirida primária, secundária ou congênita. O tratamento do colesteatoma é estritamente cirúrgico. Diante disso, assinale a alternativa INCORRETA acerca do colesteatoma.


A

O colesteatoma é caracterizado pelo acúmulo de epitélio escamoso estratificado queratinizado no interior da orelha média, mastoide e ápice petroso.


B

A lise das estruturas ósseas vizinhas é mediada por um processo imuno-inflamatório local ativado por queratinócitos e fibroblastos.


C

Na otoscopia, o achado clássico de massa esbranquiçada/amarelada associada a bolso de retração na pars flaccida ou pars tensa, otorreia fétida e pólipos.


D

A ressonância magnética com sequência de difusão é o padrão-ouro para delimitação anatômica; ela identifica erosão do scutum, lise do ramo longo da bigorna, erosão do canal do facial ou fístula labiríntica.

A psoríase é uma doença inflamatória crônica, imunomediada e não contagiosa. A sua gravidade é classificada pela área de superfície corporal: <3% leve, 3-10% moderada, >10% grave — mas a doença pode ser considerada grave independentemente da área de superfície corporal, se houver impacto emocional significativo ou acometimento de mãos, pés, couro cabeludo, face ou genitália. Diante disso, assinale a alternativa CORRETA em relação à psoríase.


A

Essa doença é decorrente da ativação inapropriada de células T e dendríticas cutâneas, com liberação de citocinas que causam hiperproliferação de queratinócitos.


B

A psoríase em placas é a forma clínica mais comum da doença; caracteriza-se por placas eritematosas bem demarcadas, recobertas por escamas esbranquiçadas ou prateadas, que surgem tipicamente em superfícies extensoras (como cotovelos e joelhos), no couro cabeludo e na região lombossacra.


C

As manifestações associadas são acometimento ungueal e artrite psoriásica, além de comorbidades sistêmicas como síndrome metabólica, dislipidemia e doença cardiovascular.


D

O diagnóstico é clínico e diagnósticos diferenciais incluem eczema, tinha e carcinoma espinocelular.

Mulher, 41 anos, com história de vômitos incoercíveis e soluços por seis dias há dois meses (resolvidos espontaneamente), agora apresenta dor cervicotorácica, seguida de paraparesia rapidamente progressiva (48 h), nível sensitivo em T6, retenção urinária e alodinia.

Exame: paraparesia espástica, hiperreflexia, Babinski bilateral, nível sensitivo T6.

Exames: RM medula: lesão T2 hiperintensa longitudinalmente extensa (C7–T7), com edema e realce central patchy; RM encéfalo: sem lesões típicas de Esclerose Múltipla; LCR: 12 células/mm³ (linfomononuclear), proteína 62 mg/dL, glicose normal, bandas oligoclonais negativas; Sorologia: AQP4-IgG positivo (Antiaquaporina-4 /célula-based assay); MOG-IgG negativo (Myelin Oligodendrocyte Glycoprotein); VDRL/HTLV negativos; B12 normal; cobre normal


Assinale a opção que apresenta a melhor estratégia terapêutica aguda e o cuidado-chave para não piorar o curso da doença.


A

Metilprednisolona EV 1 g/d por 3–5 dias e considerar plasmaférese precoce se resposta incompleta; evitar terapias modificadoras de doença de Esclerose Múltipla (ex.: interferon-beta), pois podem piorar Neuromielite Óptica.


B

Iniciar imediatamente interferon-beta, pois a mielite extensa é marcador de alta atividade inflamatória desmielinizante.


C

Tratar como isquemia medular: antiagregação e controle pressórico, sem imunoterapia, pois a progressão em 48 h é rápida demais para autoimune.


D

Anticoagular empiricamente por possível TVC medular (sic) e aguardar evolução.


E

Antibioticoterapia de amplo espectro por mielite infecciosa; corticosteroide apenas após culturas negativas.

Homem, 62 anos, previamente hígido, apresenta 8 semanas de episódios breves (3–10 s), dezenas ao dia, descritos pela família como “contrações súbitas do braço direito com careta”, sem perda sustentada da consciência. Evolui com déficit subagudo de memória recente, irritabilidade e piora do desempenho executivo.

Exame: orientado parcialmente, amnésia anterógrada, sem déficit focal. Eletrocardiograma normal. Sem febre.

Exames: Na 123 mEq/L, osm sérica baixa; urina inapropriadamente concentrada (perfil compatível com SIADH). PCR baixa; hemograma normal. Punção lombar: 2 células/mm³, proteína 48 mg/dL, glicose normal, bandas oligoclonais negativas. Eletroencefalograma: descargas temporais esparsas, sem status epilepticus. RM encéfalo (FLAIR): hipersinal discreto em hipocampo bilateral, sem realce significativo. PET-FDG: hipermetabolismo mesial temporal bilateral.


A melhor conduta imediata (diagnóstica + terapêutica), com maior impacto em prognóstico cognitivo, é


A

iniciar imunoterapia de primeira linha imediatamente (metilprednisolona EV + IVIG ou plasmaférese), colher anticorpos séricos/CSF e rastrear neoplasia, pois o fenótipo é altamente sugestivo de encefalite por LGI1 (Leucine-Rich Glioma-Inactivated 1).


B

solicitar anticorpos anti-LGI1 (Leucine-Rich Glioma-Inactivated 1) apenas no líquor e aguardar resultado para iniciar metilprednisolona.


C

iniciar levetiracetam em alta dose e observar resposta por 2–4 semanas antes de imunoterapia.


D

tratar hiponatremia como causa primária do quadro neuropsiquiátrico; corrigir sódio e reavaliar em 72 h.


E

indicar biópsia cerebral do lobo temporal antes de imunoterapia para excluir linfoma primário do SNC.

Homem, 38 anos, encontrado confuso após “beber algo da garagem”. Chega ao PS com vômitos, dor abdominal e taquipneia.

Ao exame: PA 132/78 mmHg, ; FC 118 bpm, ; FR 32 irpm, ; SatO₂ 97% AA, ; T 36,4C. Confuso, sem focalidade; hálito “não alcoólico”; sem rigidez de nuca. Gasometria: pH 7,08 / PaCO₂ 18 / HCO₃ 5. Ânion gap: 33. Bioquímica: Na 140, Cl 102, K 5,2, ureia 48, creatinina 2,1 (prévia desconhecida), glicose 92. Lactato 2,0. Cetonas negativas. Osmolalidade medida: 340 mOsm/kg; calculada: 292 mOsm/kg e osmolar gap: 48. Urina: numerosos cristais em “envelope”; cálcio baixo-normal. Nível sérico de etilenoglicol: 320 mg/dL. Inicia-se fomepizol + bicarbonato EV e suporte.


A conduta mais adequada quanto a indicar terapia extracorpórea (hemodiálise/ECTR) é


A

indicar hemodiálise, pois o nível de etilenoglicol é compatível com critério de ECTR mesmo com fomepizol e há acidose grave; ajustar dose do antídoto durante ECTR.


B

indicar hemodiálise apenas se houver convulsões ou coma; caso contrário, observar ânion gap cair.


C

não indicar hemodiálise, pois fomepizol bloqueia metabolismo e o nível “não é tão alto”.


D

indicar diurese forçada com furosemida e evitar hemodiálise para não “remover fomepizol”.


E

trocar fomepizol por etanol e evitar hemodiálise, pois etanol é “equivalente” e mais barato.

Um paciente adulto, etilista crônico, apresenta perda ponderal, diarreia crônica, dermatite em áreas fotoexpostas e alterações cognitivas progressivas. A avaliação clínica sugere deficiência nutricional associada a erro alimentar prolongado e má absorção intestinal. A síndrome descrita decorre, classicamente, da deficiência de:


A

tiamina.


B

niacina.


C

riboflavina.


D

vitamina A.

Homem de 67 anos, diabético e hipertenso, dá entrada no pronto-socorro com febre, confusão mental e dispneia. Apresenta pressão arterial de 78/46 mmHg, frequência cardíaca de 118 bpm, frequência respiratória de 28 irpm e saturação de oxigênio de 91% em ar ambiente. Lactato inicial de 4,6 mmol/L. Após infusão rápida de 30 mL/kg de cristaloide, mantém hipotensão, com pressão arterial média de 58 mmHg. Nesse caso, de acordo com as recomendações atuais, a conduta mais adequada a ser priorizada neste momento é


A

repetir expansão volêmica com mais 30 mL/kg de cristaloide.


B

iniciar norepinefrina visando à pressão arterial média ≥ 65 mmHg.


C

administrar dopamina como vasopressor inicial.


D

aguardar resultado de culturas antes de iniciar drogas vasoativas.


E

introduzir corticosteroide como primeira medida farmacológica.

Os Distúrbios Hidroeletrolíticos são eventos frequentes na prática médica pediátrica, sobretudo em situações de emergência, podendo representar risco imediato à vida ou causar sequelas, a depender de sua magnitude. Sobre esses distúrbios, assinale a alternativa correta:


A

A gravidade da desidratação pediátrica é determinada exclusivamente pela etiologia da perda hídrica, sendo irrelevante a intensidade ou o tipo de perda salina envolvida.


B

A desidratação deve ser caracterizada apenas pelo grau de perda hídrica, não sendo necessária a avaliação da proporção entre perdas de água e de sais.


C

Os distúrbios do sódio apresentam maior risco de comprometimento do sistema nervoso central, enquanto os distúrbios do potássio estão associados principalmente ao risco de arritmias cardíacas, exigindo atenção e tratamento cuidadosos.


D

Os distúrbios do cálcio, magnésio e fósforo são os mais ameaçadores à vida, sendo responsáveis, principalmente, por alterações cardíacas graves.


E

Os distúrbios hidroeletrolíticos em pediatria raramente ocorrem em situações de emergência e, em geral, não demandam caracterização detalhada para definição terapêutica.

 
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