Questões de Concurso sobre Endocrinologia

 
 
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Uma mulher de 39 anos procura atendimento devido a fadiga progressiva há 5 meses, associada à diminuição da memória, apatia e intolerância ao frio. Relata ainda ganho de peso leve, constipação intestinal e redução da motivação para atividades rotineiras. Nega uso de medicamentos, viagens recentes ou outras comorbidades.


Refere hemorragia pós-parto volumosa há 3 anos, com necessidade de transfusão sanguínea. Desde então, apresenta irregularidade menstrual, evoluindo para amenorreia completa há cerca de um ano.


Ao exame físico: pressão arterial de 94/60 mmHg, pulso de 55 bpm, pele seca, rarefação dos pelos pubianos e axilares, afinamento da porção lateral das sobrancelhas e tireoide pequena e indolor. O exame neurológico revela bradicinesia leve e hiporreflexia difusa.


Exames laboratoriais: hemoglobina de 7,3 g/dL, sódio sérico de 131 mEq/L, TSH baixo e T4 livre reduzido.


A ressonância magnética de encéfalo evidencia sela túrcica vazia.


Dos mecanismos a seguir, assinale o que explica melhor o quadro clínico dessa paciente.


A

Autoanticorpos contra a tireoperoxidase (anti-TPO).


B

Necrose isquêmica da hipófise anterior após hemorragia puerperal.


C

Aumento da globulina ligadora de tiroxina (TBG) induzido por estrogênio.


D

Deficiência dietética de iodo.


E

Uso inadvertido de hormônio tireoidiano exógeno.

Paciente, masculino, 40 anos com triglicerídeos: 1600 mg/dL, colesterol total: 320 mg/dL. Refere dor abdominal recorrente.


O risco imediato e o tratamento são, respectivamente,


A

hepatopatia - ômega-3.


B

IAM - atorvastatina 80 mg/dia.


C

AVC - ácido nicotínico.


D

xantomas – plasmaférese.


E

pancreatite aguda - fenofibrato 200 mg/dia.

Paciente de 58 anos com osteoporose (T-score= -3,1 em coluna lombar) e hipercalcemia. Cálcio total: 11,9 mg/dL, cálcio iônico: 1,48 mmol/L (VR: 1,12-1,32), PTH: 105 pg/mL (VR: 15-65), 25-OH-vitamina D: 22 ng/mL, creatinina: 0,9mg/dL, calciúria aumentada com antecedente de cálculo renal.


O diagnóstico e a conduta para o caso são:


A

hiperparatireoidismo primário - indicada cirurgia por osteoporose.


B

hiperparatireoidismo secundário - otimizar vitamina D.


C

hipercalcemia hipocalciúrica familiar - não há indicação cirúrgica.


D

hiperparatireoidismo terciário - indicada paratireoidectomia subtotal.


E

intoxicação por vitamina D - suspender suplementação.

Criança de 12 anos com LDL: 195 mg/dL. Pai com IAM aos 35 anos. Triglicerídeos: 80 mg/dL, HDL: 35 mg/dL.


O diagnóstico e o tratamento são, respectivamente,


A

Hipercolesterolemia familiar heterozigota e estatina.


B

Dislipidemia poligênica e dieta apenas.


C

Hipertrigliceridemia familiar e fibrato.


D

Disbetalipoproteinemia e niacina.


E

Deficiência de lipase hepática e observação.

Paciente DM1, 18 anos, em uso de bomba de insulina, apresenta hiperglicemia persistente (> 250 mg/dL) e cetonemia.


A primeira medida a ser tomada é


A

aplicar insulina com seringa ou caneta e trocar todo o sistema de infusão.


B

aumentar a taxa basal na bomba.


C

fazer bolus corretivo pela bomba.


D

iniciar hidratação oral.


E

afastar causa infecciosa.

Homem, 45 anos, IMC 36 kg/m², hipertenso e portador de diabetes mellitus tipo 2 mal controlado (HbA1c 9,0 %), queixa-se de queda da libido e fadiga há 8 meses. Nega uso de opioides, anabolizantes ou corticoterapia. Refere roncos altos e sonolência diurna. Ao exame: circunferência abdominal 118 cm; ginecomastia ausente; testículos 20 mL bilaterais; pressão arterial 138 × 86 mmHg. Exames (colhidos 7 h): testosterona total 310 ng/dL (VR 300– 1000); SHBG 17 nmol/L (VR 18–55) Testosterona livre calculada 65 pg/mL (VR 70–220); LH 3,5 IU/L (VR 1,5–9,3); FSH 4,2 IU/L (VR 1,4–18); Prolactina 11 ng/mL (VR 2–18); TSH 2,1 mIU/L.


A contém a conduta mais adequada, segundo as recomendações atuais para hipogonadismo masculino funcional, é


A

iniciar imediatamente reposição com cipionato de testosterona 200 mg IM a cada 2 semanas, pois a testosterona total < 300 ng/dL já confirma hipogonadismo.


B

solicitar polissonografia, intensificar controle metabólico e recomendar perda ponderal, repetindo mensuração de testosterona matinal após 3–6 meses antes de considerar terapia androgênica.


C

prescrever anastrozol 1 mg VO em dias alternados para reduzir conversão periférica de testosterona em estradiol, elevando os níveis séricos de testosterona endógena


D

introduzir clomifeno 25 mg/dia, pois o LH normal confirma ejeção reduzida de GnRH hipotalâmico, sendo esta a primeiralinha em hipogonadismo funcional.


E

iniciar hCG 1500 UI SC 3 ×/semana para estimular esteroidogênese testicular, mantendo acompanhamento semestral de hematócrito e PSA.

Uma paciente de 34 anos apresenta-se com amenorreia secundária há 8 meses, galactorreia bilateral e cefaleia fronto-parietal. A dosagem de prolactina sérica é de 150 ng/mL (valor de referência < 25 ng/mL). A ressonância magnética da sela túrcica revela um adenoma hipofisário de 8 mm de diâmetro, sem compressão quiasmática. Qual a conduta terapêutica inicial apropriada?


A

Solicitar dosagem de macroprolactina e, se confirmada sua presença, manter conduta expectante, pois a hiperprolactinemia é clinicamente não significativa.


B

Indicar cirurgia transesfenoidal para ressecção do microadenoma, uma vez que a paciente apresenta cefaleia.


C

Iniciar tratamento com um agonista dopaminérgico, como a cabergolina, em doses progressivas, com reavaliação clínica e laboratorial em 3 a 6 meses.


D

Iniciar terapia de reposição estroprogestativa para regularizar o ciclo menstrual e prevenir a perda de massa óssea, mantendo a observação do adenoma.

Uma mulher de 28 anos, com IMC de 32 kg/m², procura atendimento por irregularidade menstrual (ciclos de 45-60 dias) e hirsutismo (escore de Ferriman-Gallwey = 10). A ultrassonografia pélvica mostra ovários de volume aumentado com múltiplos pequenos folículos periféricos. As dosagens hormonais revelam testosterona total elevada e relação LH/FSH de 2,5. Qual é o diagnóstico mais provável?


A

Tumor ovariano produtor de androgênios.


B

Síndrome dos ovários policísticos (SOP).


C

Hiperplasia adrenal congênita forma não clássica.


D

Hipotireoidismo primário.

As Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), como diabetes e obesidade, representam um grande desafio para a saúde pública global. No Brasil, o Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das DCNT estabelece metas e diretrizes. Qual das seguintes ações NÃO é um dos eixos prioritários deste plano?


A

Cuidado integral.


B

Promoção da saúde.


C

Vigilância, informação, avaliação e monitoramento.


D

Foco exclusivo no tratamento medicamentoso de alta complexidade para as DCNT já estabelecidas.

Um paciente de 65 anos, assintomático, realiza exames de rotina que mostram cálcio sérico total de 11,2 mg/dL (VR: 8,6-10,3 mg/dL) e PTH intacto de 110 pg/mL (VR: 15-65 pg/mL). A densitometria óssea revela T-score de -2,7 no rádio distal. A função renal e a calciúria de 24 horas são normais. Qual a conduta apropriada?


A

Observação clínica com monitoramento anual do cálcio sérico e da densidade óssea.


B

Uso de calcimiméticos, como o cinacalcete, para controle da hipercalcemia.


C

Tratamento com bisfosfonatos para a osteoporose, sem abordagem cirúrgica.


D

Indicação de paratireoidectomia.

Um homem de 35 anos apresenta queixa de diminuição da libido, disfunção erétil e fadiga há cerca de 2 anos. Exames laboratoriais, coletados às 8h da manhã em duas ocasiões distintas, mostram testosterona total de 180 ng/dL e 195 ng/dL (VR: 300-900 ng/dL). As dosagens de LH e FSH estão em níveis baixos. A prolactina é normal. Qual é o diagnóstico e o próximo passo na investigação?


A

Hipogonadismo de início tardio; iniciar reposição com testosterona sem investigação adicional.


B

Hipogonadismo hipogonadotrófico; solicitar ressonância magnética da região hipotálamo-hipofisária.


C

Disfunção sexual psicogênica; encaminhar para avaliação psiquiátrica.


D

Hipogonadismo hipergonadotrófico; solicitar cariótipo para investigar Síndrome de Klinefelter.

Analise as afirmativas a seguir a respeito da abordagem de um nódulo tireoidiano.


I.A ultrassonografia cervical é o método de imagem de escolha para avaliação inicial, permitindo caracterizar o nódulo quanto a tamanho, composição (sólido, cístico, misto), ecogenicidade, margens, formato e presença de microcalcificações.

II.A punção aspirativa por agulha fina (PAAF) é indicada para a maioria dos nódulos > 1 cm com características ultrassonográficas suspeitas, sendo o procedimento mais acurado para diferenciar lesões benignas de malignas.

III.A dosagem do TSH sérico não é necessária na avaliação inicial, uma vez que a maioria dos nódulos tireoidianos ocorre em pacientes eutireoidianos.


Está correto o que se afirma em:


A

II e III, apenas.


B

I e II, apenas.


C

I, II e III.


D

I e III, apenas.

O manejo do paciente com Diabetes Mellitus é complexo e idealmente realizado por uma equipe multiprofissional para otimizar os desfechos clínicos e a qualidade de vida. Acerca do trabalho em equipe, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:


(__)A equipe multiprofissional no cuidado ao diabetes geralmente inclui médico, enfermeiro, nutricionista e psicólogo, podendo contar também com educador físico, podólogo e assistente social.

(__)O modelo de cuidado multiprofissional pressupõe que cada profissional atue de forma isolada em sua especialidade, comunicando-se apenas por meio de relatórios no prontuário do paciente.

(__)A educação em saúde, realizada pela equipe, é um componente essencial para o autocuidado, capacitando o paciente a tomar decisões informadas sobre seu tratamento no dia a dia.

(__)A principal vantagem do trabalho em equipe é a redução de custos para o sistema de saúde, sem impacto significativo na melhoria da adesão ao tratamento ou no controle glicêmico.


Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:


A

V, F, F, V.


B

V, V, F, F.


C

V, F, V, F.


D

F, V, V, F.

Analise as afirmativas a seguir sobre as causas e a investigação da puberdade precoce.


I.A puberdade precoce central (PPC) é dependente de gonadotrofinas e resulta da ativação prematura do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, seguindo a sequência normal de eventos puberais.

II.Em meninos, a maioria dos casos de PPC é idiopática, enquanto em meninas, é mais comum encontrar uma lesão no sistema nervoso central como causa subjacente.

III.O teste de estímulo com análogo do GnRH, que mostra uma resposta puberal do LH (pico de LH > 5 UI/L), é o padrão-ouro para confirmar o diagnóstico de PPC.


Está correto o que se afirma em:


A

I e III, apenas.


B

II e III, apenas.


C

I e II, apenas.


D

I, II e III.

Um paciente com Diabetes Mellitus tipo 1, em uso irregular de insulina, comparece à ESF com queixa de poliúria, polidipsia, náuscas, vômitos e dor abdominal. Ao exame físico, apresenta-se desidratado e com hálito cetônico. A gasometria arterial revela: pH de 7,10; PaCO2 de 20 mmHg; bicarbonato de 10 mEqg/L. Diante desse quadro, qual o distúrbio ácido-base apresentado pelo paciente e qual a principal medida terapêutica a ser instituída?


A

Acidose respiratória; oxigenoterapia.


B

Alcalose respiratória; reposição de bicarbonato de sódio.


C

Alcalose metabólica; correção da hipocalemia.


D

Acidose mista; administração de diurético de alça.


E

Acidose metabólica; hidratação venosa com solução salina isotônica e insulinoterapia.

Um paciente de 54 anos, com histórico de diabetes mellitus tipo 2 há 10 anos, apresenta glicemia de jejum de 180 mg/dL, HbA1c de 9,2%, neuropatia periférica, nefropatia incipiente e IMC de 32 kg/m². Ele é atendido em uma Unidade de Atenção Primária à Saúde.


Considerando as diretrizes brasileiras para o manejo do Diabetes Mellitus tipo 2, classifique como VERDADEIRAS (V) ou FALSAS (F) as afirmativas abaixo:


( ) O alvo terapêutico de HbA1c para esse paciente pode ser menos rígido devido à presença de comorbidades renais e risco aumentado de hipoglicemia, sendo aceitável meta entre 7,0-8,5 %.

( ) O tratamento inicial deve incluir metformina, salvo contraindicações, associada precocemente a inibidor de SGLT2 ou agonista de GLP-1, visando proteção cardiovascular e renal.

( ) A avaliação de risco cardiovascular deve incluir tratamento de dislipidemia com estatina, sendo que o uso de estatina de alta intensidade pode estar indicado mesmo sem histórico de eventos prévios, caso o risco seja elevado.

( ) O uso de insulina basal é formalmente contraindicado neste estágio inicial do tratamento e deve ser evitado até esgotar todas as opções de antidiabéticos orais.


Assinale a sequência CORRETA:


A

V – V – V – F


B

V – F – V – V


C

F – V – V – F


D

V – V – F – F

Em um paciente com hipertensão arterial e histórico de síndrome metabólica, a via de produção de tromboxano A2 (TXA2) é particularmente relevante. Considerando as propriedades do TXA2 e suas interações endócrinas, qual das seguintes alterações laboratorialmente observadas seria mais consistente com a ativação dessa via?


A

Aumento da agregação plaquetária e elevação dos níveis séricos de lipídios, refletindo resistência à insulina.


B

Aumento dos níveis de prostaciclina, resultando em vasoconstrição e aumento da pressão arterial.


C

Elevação dos níveis de ácidos graxos livres, levando a um aumento na lipólise e resistência à leptina.


D

Redução da atividade da enzima conversora de angiotensina (ECA), resultando em menor formação de angiotensina II.


E

Aumento da excreção urinária de sódio, levando à hiponatremia e diminuição do volume intravascular.

Qual é uma causa comum de hipofosfatemia e qual é um sintoma clínico associado a essa condição?


A

Consumo excessivo de fósforo na dieta, levando a hipofosfatemia assintomática.


B

Uso excessivo de diuréticos, que pode causar fraqueza muscular e osteomalácia.


C

Hiperparatireoidismo primário, que geralmente é assintomático.


D

Deficiência de vitamina D, que causa aumento da absorção intestinal de fósforo.


E

Diabetes mellitus, que não está relacionado à hipofosfatemia.

Qual dos seguintes metabólitos é produzido em excesso pelos tumores carcinoides e está diretamente relacionado ao desenvolvimento do flushing (rubor facial) característico da síndrome carcinoide?


A

Serotonina.


B

Histamina.


C

Bradicinina.


D

Substância P.


E

Calcitonina.

O paciente típico com hiperaldosteronismo primário apresenta as seguintes características clínico-laboratoriais, EXCETO:


A

hipertensão.


B

hipocalemia.


C

supressão de renina.


D

alcalose metabólica.


E

edema periférico.

 
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