Questões de Concurso sobre Endocrinologia

 
 
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A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma endocrinopatia comum em mulheres em idade reprodutiva, associada à anovulação crônica e hiperandrogenismo. Seu diagnóstico requer abordagem clínica, laboratorial e ultrassonográfica criteriosa, após exclusão de outras causas de irregularidade menstrual e hiperandrogenismo. A respeito do diagnóstico da SOP, assinale a alternativa correta.


A

A SOP é um diagnóstico que pode ser feito assim que ocorre a menarca, mesmo antes da regularização dos ciclos menstruais.


B

A base do tratamento medicamentoso da SOP é o uso de anticoncepcional oral combinado e de ansiolítico.


C

Para diagnóstico da SOP, é necessária a dosagem seriada de estradiol e testosterona em diferentes fases do ciclo menstrual.


D

O diagnóstico da SOP deve seguir critérios clínicos, laboratoriais e ultrassonográficos, após exclusão de outras causas de disfunção ovariana.


E

A presença de ovários policísticos ao ultrassom é suficiente para confirmar o diagnóstico, independentemente dos sintomas clínicos.

Pacientes com infecção pelo HIV podem apresentar diversas alterações endócrinas e metabólicas, decorrentes tanto da própria infecção quanto do uso prolongado da terapia antirretroviral. Essas alterações exigem acompanhamento clínico cuidadoso, a fim de prevenir complicações. Entre as doenças metabólicas mais comumente associadas ao HIV, está(ão)


A

hipertireoidismo.


B

hiperparatireoidismo.


C

hipogonadismo hipogonadotrófico e hipertireoidismo.


D

dislipidemia e resistência insulínica.


E

hipoparatireoidismo e hiperuricemia.

A paratireoidectomia é o tratamento de escolha para o hiperparatireoidismo primário em situações clínicas e laboratoriais específicas. Considerando o exposto, é uma indicação de cirurgia


A

a presença de nefrolitíase bilateral e osteíte fibrosa cística.


B

cálcio sérico maior que 1 mg/dL acima do limite superior da normalidade.


C

clearance de creatinina menor que 30 mL/min/1,73 m².


D

T-score menor que –4,5 na densitometria óssea.


E

idade menor que 35 anos.

Júlia, 32 anos, procura atendimento médico devido a emagrecimento de 8 kg nos últimos dois meses, associado à poliúria e à polidipsia. Relata que realizou exames há cerca de oito meses, sem alterações relevantes. Pesa 62 kg e mantém hábitos alimentares saudáveis, além de praticar exercícios físicos cinco vezes por semana.


Com base nesse caso clínico, assinale a alternativa correta.


A

O fato de a paciente ser magra descarta a hipótese de diabetes autoimune latente do adulto (LADA).


B

O LADA é caracterizado pela ausência de autoanticorpos pancreáticos.


C

O tratamento com sulfonilureia é geralmente suficiente, não havendo necessidade de insulina.


D

O LADA é uma forma de diabetes autoimune de progressão lenta, podendo iniciar sem necessidade imediata de insulina.


E

O LADA apresenta características típicas de resistência insulínica e hiperinsulinemia.

Anti-ICA é direcionado exclusivamente contra insulina endógena.


A

A síndrome de Cushing ACTH-independente corresponde a 80–90% dos casos e geralmente é causada por carcinoma adrenal.


B

O diagnóstico de síndrome de Cushing é feito através de três dosagens séricas seriadas de cortisol.


C

O ACTH é usado para diferenciar se a causa é adrenal ou hipofisária.


D

A síndrome de Cushing exógena cursa sempre com ACTH elevado.


E

A principal causa endógena é carcinoma adrenal maligno.

Homem 48a, IMC 28, HbA1c 6,2%, triglicerídeos 680 mg/dL em jejum. Sem álcool, sem diabetes estabelecido, sem hipotireoidismo. Qual conduta é prioritária para reduzir risco imediato?


A

Prescrever estatina isolada como primeira e única medida imediata.


B

Iniciar medidas intensivas de estilo de vida e farmacoterapia para hipertrigliceridemia grave (ex.: fibrato; considerar ômega-3), visando prevenir pancreatite.


C

Apenas orientar dieta e repetir em 6 meses.


D

Tratar com ácido nicotínico como primeira linha obrigatória no SUS.

Mulher de 55 anos, conhecida portadora de hipotireoidismo primário autoimune em tratamento com levotiroxina 75 mcg/dia há 6 meses, comparece à UBS para reavaliação. Relata fadiga persistente e intolerância ao frio. Exame físico: bradicardia (FC 58 bpm), pele seca. Exames laboratoriais: TSH 12,5 mUI/L (ref. 0,4-4,5), T4 livre 0,8 ng/dL (ref. 0,9-1,8). Qual o ajuste mais adequado da dose de levotiroxina?


A

Manter 75 mcg/dia e reavaliar em 6 meses.


B

Reduzir para 50 mcg/dia.


C

Aumentar para 100 mcg/dia e reavaliar TSH em 6 semanas.


D

Associar liotironina 5 mcg/dia.


E

Solicitar anticorpos anti-TPO antes de ajustar.

Assinale a opção correta, no que se refere a doenças endócrinas.


A

A síndrome de Cushing não está relacionada ao adenoma corticotrófico hipofisário.


B

As mulheres com tireotoxicose apresentam hipermenorreia com frequência, enquanto os homens apresentam exacerbação da libido e, muitas vezes, comportamento sexual compulsivo.


C

A terapia clínica com fármacos antitireoidianos e betabloqueadores, tratamento ideal de acompanhamento a longo prazo de adenoma tóxico, pode normalizar a função da tireoide.


D

A apresentação mais comum e com manifestação clínica da tireoidite crônica é a tireoidite de Riedel.


E

Os portadores de síndrome de Cushing apresentam risco de trombose venosa profunda, com embolia pulmonar subsequente, devido a um estado de hipercoagulabilidade associado.

Assinale a alternativa correta com relação ao tratamento de diabetes tipo 2, segundo as atuais recomendações da Sociedade Brasileira de Diabetes.


A

Os inibidores de DPP-IV necessitam de ajuste na dose, de acordo com a taxa de filtração glomerular; exceto a sitagliptina e a linagliptina, que não necessitam de ajuste.


B

A dose da metformina deve ser reduzida em 50% (não ultrapassando 1 g ao dia) quando a TFG estiver entre 30-45 mL/min/1,73 m2. Os níveis de vitamina B12 deverão ser avaliados anualmente após 4 anos do início da metformina.


C

Em adultos com muito alto risco cardiovascular, com sobrepeso e HbA1c ≥ 0,5% acima do alvo, recomendase, inicialmente, um inibidor de SGLT2 em monoterapia para redução de eventos cardiovasculares, redução do peso e da glicemia.


D

A semaglutida é contraindicada em portadores de taxa de filtração glomerular (TFG) inferior a 20 mL/min/1,73 m².


E

A tirzepatida é contraindicada na presença de história pessoal ou familiar de neoplasia endócrina múltipla tipo 1.

Homem, 46 anos, assintomático, constatou níveis elevados de cálcio em um check-up e foi encaminhado ao endocrinologista. Não apresenta nefrolitíase nem fraturas. Dentre os exames: cálcio 10,6 mg/dL (primeira amostra), 10,7 mg/dL (segunda amostra); VR 8,5 a 10,2 mg/dL; albumina normal; PTH 200 pg/mL (VR 10 e 65 pg/mL); 25 (OH) vitamina D 15 ng/mL; creatinina 0,8 mg/dL (VR 0,6 a 1,1 mg/dL); densitometria normal.


Assinale a alternativa correta com relação a esse caso.


A

Há indicação de paratiroidectomia com a maior urgência possível.


B

Deve-se prescrever hidroclorotiazida para aumentar hipercalciúria.


C

Pode-se adotar conduta expectante com monitorização da calcemia.


D

A reposição de vitamina D está contraindicada.


E

Deve-se instituir restrição de leite e derivados.

Uma das metas indicadas para portadores de risco cardiovascular extremo, segundo a Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2025, é:


A

Não HDL–colesterol < 100 mg/dL.


B

Apob < 45 mg/dL.


C

LDL–colesterol < 45 mg/dL.


D

LDL < 50mg/dL.


E

Porcentagem de redução de LDL–colesterol > 30%.

Mulher, 28 anos, refere palpitações, irritabilidade, fraqueza e tremores há 1 mês. Está amamentando há 3 meses após uma gestação sem intercorrências. Ao exame físico, encontra-se agitada e taquicárdica, com tiroide levemente aumentada de volume. Dentre os exames, apresenta T4 L: 3,3 ng/dL (0,8 a 1,8 ng/dL); TSH: < 0,01 m UI/L (VR 0,4 a 4,5 mUI/L) e TRAb negativo.


Qual deve ser a conduta nesse caso?


A

Prescrição de metimazol.


B

Prescrição de propranolol e solicitação de cintilografia de tiroide com iodo radioativo.


C

Prescrição de propranolol.


D

Prescrição de propiltiouracil.


E

Dose terapêutica de iodo radioativo.

A dosagem de Hemoglobina glicada (HbA1c) é de extrema importância no acompanhamento da Diabetes. Um paciente diabético chega ao laboratório para a realização da HbA1c.


Seu resultado é de 8,2%. Isso nos indica:


A

Glicemia bem controlada.


B

Controle glicêmico inadequado, com média de glicemia elevada.


C

Média de glicemia, com certeza, dentro da faixa de normalidade.


D

Controle glicêmico aceitável para qualquer faixa etária.


E

Não há necessidade de avaliar o tratamento medicamentoso.

Homem de 69 anos, com doença renal crônica estágio 4, hiperparatireoidismo secundário e uso crônico de diurético tiazídico, procura a emergência por dor súbita, intensa, com edema e calor em joelho direito há 36 horas, associada a febre de 38,3 ºC. Refere episódios prévios autolimitados em outras articulações. Punção articular revela: líquido turvo; 65.000 leucócitos/mm³ (88% neutrófilos); cristais romboides, fracamente birrefringentes positivos; Gram direto: negativo. Qual é a conduta mais adequada nesse momento?


A

Tratar como gota aguda com colchicina ajustada para DRC.


B

Tratar como pseudogota com anti-inflamatórios e observação.


C

Repetir punção articular em 24 horas para confirmação.


D

Aguardar cultura do líquido sinovial antes de definir conduta.


E

Iniciar antibiótico empírico intravenoso e drenagem articular.

A doença de Graves é a causa mais comum de hipertireoidismo em países com ingestão suficiente de iodo. O diagnóstico é essencialmente clínico. Com relação a essa patologia, analisar os itens.


I. A combinação de anticorpos antirreceptor de TSH elevados, TSH suprimido e níveis elevados de hormônios tireoidianos circulantes é o padrão para o diagnóstico.

II. O hipertireoidismo não tratado, particularmente nos idosos, pode resultar em arritmias cardíacas, insuficiência cardíaca de alto débito e perda mineral óssea.

III. A doença de Graves não é uma doença tireoidiana autoimune associada a hipertireoidismo.


Está CORRETO o que se afirma:


A

Apenas nos itens I e II.


B

Apenas nos itens I e III.


C

Apenas nos itens II e III.


D

Em todos os itens.

Um paciente de 39 anos apresenta amígdalas hipertróficas de coloração laranja-amarelada, hepatoesplenomegalia e neuropatia periférica. O perfil lipídico revela níveis indetectáveis de Lipoproteína de Alta Densidade (HDL) e níveis muito baixos de Apolipoproteína A-I (ApoA-I). Qual é o diagnóstico?


A

Hipercolesterolemia Familiar (FH) homozigótica.


B

Deficiência da enzima Lecitina-Colesterol Aciltransferase (LCAT).


C

Doença de Tangier.


D

Deficiência familiar de Lipase Lipoproteica (LPL).

Mulher de 58 anos, com diabetes mellitus tipo 2 (DM2) há 8 anos, em uso de metformina 2 g/dia, apresenta hemoglobina glicada (HbA1c) de 8,1%.

Possui insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida e doença renal crônica estágio 3 (TFG 52 mL/min/1,73 m 2 ).

Considerando as comorbidades da paciente, a melhor estratégia a ser associada ao tratamento atual é:


A

Adição de sulfonilureia.


B

Adição de tiazolidinediona.


C

Início de insulina basal isolada.


D

Adição de inibidor do cotransportador sódio-glicose tipo 2 com benefício cardiorrenal.


E

Substituição por inibidor de dipeptidil peptidase-4 (DPP-4).

A compreensão do mecanismo de retroalimentação (feedback) do eixo hipotálamo-hipófise-tireoide é indispensável para a correta interpretação dos exames laboratoriais na prática clínica.

Assinale a alternativa correta sobre esse controle fisiológico.


A

A TBG (globulina ligadora de tiroxina) controla diretamente a secreção de TRH (hormônio liberador de tireotropina) e TSH (hormônio estimulador da tireoide), conforme sua concentração plasmática.


B

O aumento dos níveis livres de T3 e T4 exerce feedback negativo sobre o hipotálamo e a hipófise, reduzindo a secreção de TRH e TSH.


C

A secreção de TSH (hormônio estimulador da tireoide) ocorre de forma independente dos níveis circulantes de T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina) livres.


D

O T3 (triiodotironina) estimula diretamente a hipófise, aumentando a secreção de TSH (hormônio estimulador da tireoide) circulante.


E

O TSH (hormônio estimulador da tireoide) atua diretamente no hipotálamo, estimulando a liberação de TRH (hormônio liberador de tireotropina).

Mulher de 48 anos, com obesidade e diabetes Mellitus tipo 2, procura atendimento por dor epigástrica intensa e contínua há 18 horas, irradiada para o dorso, acompanhada de náuseas e vômitos. Há 4 meses iniciou semaglutida subcutânea, com aumento da dose há 3 semanas. Nega episódios prévios de pancreatite e refere consumo eventual de álcool.

Ao exame, está hemodinamicamente estável, afebril e apresenta dor à palpação do epigástrio, sem sinais de irritação peritoneal.

Exames laboratoriais mostram lipase de 1.480 U/L, aproximadamente seis vezes o limite superior da normalidade, bilirrubina total de 0,9 mg/dL, ALT 32 U/L, AST 29 U/L, triglicerídeos 168 mg/dL e cálcio total 9,2 mg/dL. Ultrassonografia abdominal evidencia vesícula biliar com dois cálculos móveis, medindo 4 e 5 mm, sem espessamento parietal; colédoco com 4 mm, sem cálculo identificado.

Considerando a abordagem diagnóstica e etiológica desse quadro, bem como o uso de semaglutida, assinale a opção correta.


A

O diagnóstico de pancreatite aguda está estabelecido, e a colelitíase constitui etiologia concorrente relevante; a semaglutida deve ser suspensa diante da pancreatite, mas sua relação causal com o episódio não pode ser estabelecida apenas pela associação temporal.


B

O diagnóstico de pancreatite aguda está estabelecido, e a presença de colelitíase torna a etiologia biliar suficientemente provável para afastar participação da semaglutida, que pode ser mantida durante a investigação.


C

O diagnóstico de pancreatite aguda permanece provável, mas requer tomografia contrastada para confirmação; até a definição radiológica, não é possível atribuir o episódio à litíase biliar nem indicar suspensão da semaglutida.


D

O diagnóstico de pancreatite aguda está estabelecido, e a relação temporal após o aumento da dose torna a semaglutida a etiologia mais provável; a colelitíase incidental não modifica substancialmente essa atribuição causal.


E

O diagnóstico de pancreatite aguda está estabelecido, e a diferenciação entre etiologia biliar e medicamentosa depende inicialmente de colangiorressonância; a suspensão da semaglutida deve ser decidida após essa investigação.

 
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