Questões de Concurso sobre Endocrinologia

 
 
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A classifi cação de Brodsky descreve as úlceras diabéticas em relação à profundidade da lesão e à presença ou não de isquemia. Ao classifi cá-las em um grau 2B, conclui-se que ele apresenta úlcera:


A

superficial, com gangrena parcial


B

superficial, com gangrena no pé todo


C

profunda, com exposição óssea e sem isquemia


D

profunda, expondo tendão com isquemia e sem gangrena

Paciente pós-tireoidectomia total apresenta parestesias periorais e câimbras. Sinal de Chvostek positivo. Cálcio iônico: 0,95 mmol/L (VR: 1,12-1,32), PTH: < 5 pg/mL (VR: 15-65), magnésio: 2,2 mg/dL, fósforo: 5,7 mg/dL.


O tratamento agudo é


A

gluconato de cálcio 10% 20 mL EV em 10 minutos.


B

carbonato de cálcio 500 mg VO 3x/dia.


C

calcitriol 0,25 mcg VO 2x/dia.


D

sulfato de magnésio 2g EV.


E

PTH recombinante SC.

Homem de 40 anos com hipopituitarismo pós-cirúrgico em reposição hormonal, apresenta quadro súbito de adinamia, vômitos e hipotensão. PA: 80/50 mmHg, FC: 110 bpm. Sódio: 128 mEq/L, potássio: 4,8 mEq/L, glicemia: 52 mg/dL.


O diagnóstico mais provável é


A

diabetes insípidus.


B

insuficiência adrenal aguda.


C

hipotireoismo central.


D

hipogonadismo hipergonadotropico.


E

síndrome da secreção inapropriada de ADH.

Gestante de 28 semanas com diabetes diagnosticado na gestação apresenta glicemias capilares em jejum: 95-105 mg/dL, pós-prandiais: 150-170 mg/dL, e circunferência abdominal fetal alterada, apesar de dieta.


O tratamento é


A

insulina NPH + regular.


B

metformina 850 mg 2x/dia.


C

glibenclamida 5 mg/dia.


D

iniciar apenas NPH.


E

intensificar dieta.

Mulher, 34 anos, com hipotireoidismo primário bem controlado com levotiroxina 100 mcg/dia, inicia uso de sulfato ferroso e omeprazol. No exame de acompanhamento foi observado TSH 12 mUI/L (VR: 0,4 - 4,4).


Assinale a opção que apresenta a melhor explicação e a conduta para o caso.


A

Má adesão - reforçar orientações.


B

Interferência na absorção - orientar tomada com intervalo de 4 horas.


C

Progressão da doença - aumentar dose para 125 mcg.


D

Interferência laboratorial - repetir exame.


E

Desenvolvimento de tireoidite - adicionar prednisona.

Mulher de 69 anos com osteoporose grave (T-score -3,7), múltiplas fraturas vertebrais. Em uso de alendronato há 5 anos sem melhora.


A melhor opção terapêutica é


A

trocar para denosumabe 60 mg SC semestral.


B

trocar para ibandronato mensal.


C

aumentar dose de alendronato.


D

trocar pra bifosfonato IV.


E

iniciar teriparatida 20 mcg SC diário ou romozosumabe 210mg SC mês.

Homem de 27 anos com hipertensão resistente. Potássio: 2,9 mEq/L, aldosterona: 25 ng/dL (VR: 3-16), renina: 0,1 ng/mL/h (VR: 0,5-2,5), relação aldosterona/renina: 250. TC: nódulo adrenal esquerdo de 1,8 cm.


O próximo passo é


A

fazer cateterismo de veias adrenais.


B

fazer adrenalectomia esquerda.


C

aplicar teste de supressão com fludrocortisona.


D

manter acompanhamento clínico e reposição de potássio.


E

aplicar teste postural.

Um homem de 61 anos, IMC 33 kg/m², não diabético (HbA1c 5,6%), com histórico de infarto agudo do miocárdio há 3 anos, em uso regular de AAS, atorvastatina, bisoprolol e enalapril, procura o endocrinologista para manejo de peso. PA 128/78 mmHg, circunferência abdominal 108 cm. LDL-c 68 mg/dL, triglicerídeos 180 mg/dL, PCR ultrassensível 3,8 mg/L.


Considerando os achados do SELECT e as características deste paciente, assinale a alternativa correta:


A

Semaglutida 2,4 mg/semana reduziu eventos cardiovasculares maiores (MACE) em 20% comparada ao placebo, com benefício evidente apenas após 24 meses de tratamento, sugerindo que o efeito é mediado pela perda ponderal.


B

O paciente preenche critérios de inclusão do SELECT, sendo esperada redução de aproximadamente 20% no desfecho composto de morte cardiovascular, infarto não-fatal e AVC não-fatal, com curvas de separação iniciando-se aproximadamente em 8-12 semanas.


C

A redução de eventos cardiovasculares foi proporcional à perda de peso alcançada, com NNT (número necessário para tratar) de 65 pacientes por 38 meses para prevenir um MACE, indicando custo-efetividade favorável apenas em pacientes com IMC ≥ 30 kg/m².


D

Os benefícios cardiovasculares foram independentes da redução de HbA1c, peso corporal ou pressão arterial basal, com maior magnitude de efeito em pacientes com insuficiência cardíaca prévia (redução de 40% em MACE).


E

A semaglutida deve ser evitada neste caso pelo aumento de 16% no risco de litíase biliar sintomática e pancreatite aguda observado no SELECT, superando o benefício cardiovascular em prevenção secundária.

Homem de 52 anos com síndrome metabólica. Circunferência abdominal: 107 cm, glicemia jejum: 117 mg/dL, HDL: 35 mg/dL, triglicerídeos: 190 mg/dL, PA: 135/80 mmHg.


A intervenção de maior impacto é


A

perda de 5-10% do peso corporal.


B

estatina de alta potência.


C

metformina 850 mg 2x/dia.


D

fibrato 200 mg/dia.


E

IECA.

Uma criança de seis anos, do sexo feminino, vai a uma emergência devido a convulsões. Ao fazer o exame clínico, não foram encontrados outros sinais neurológicos, mas foram observados pelos pubianos em estágio III de Tanner e mamas com início de desenvolvimento, também em estágio III de Tanner. Ao realizar ressonância nuclear magnética, foi encontrado tumor sugestivo de hamartoma.


Diante desse quadro, é podemos afirmar que:


A

o achado na ressonância não tem relação com os achados clínicos mamários e genitais.


B

trata-se de um caso de puberdade precoce de causa periférica.


C

a causa da puberdade precoce dessa paciente não tem tratamento.


D

esse é um caso de hipogonadismo hipergonadotrófico de causa central.


E

o hamartoma cerebral pode ser a causa de puberdade precoce central.

A síndrome da secreção inapropriada de hormônio antidiurético (SIADH) é uma causa frequente de hiponatremia hipotônica euvolêmica.


A partir das informações clínicas e fisiopatológicas conhecidas sobre a SIADH, analise as afirmativas a seguir:


I. O tratamento de escolha para SIADH sintomática grave é solução salina hipertônica (3%), podendo ser, neste caso, administrada em bolus de 100–150 mL.

II. Deve-se considerar, no diagnóstico diferencial, a necessidade de excluir doenças como o hipotireoidismo e a insuficiência adrenal.

III. A restrição hídrica faz parte do tratamento inicial para casos crônicos leves ou moderados.

IV. Entre as causas secundárias, destacam-se neoplasias, uso de antidepressivos e doenças pulmonares ou do sistema nervoso central.


Está correto o que se afirma em


A

I e II, apenas.


B

II e III, apenas.


C

I, II e III, apenas.


D

II, III e IV, apenas.


E

I, II, III e IV

Sobre a fisiopatologia e o manejo da osteoporose pós-menopausa, analise as proposições a seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa


( ) O exame de escolha para diagnóstico é a densitometria óssea por DXA, preferencialmente em coluna lombar e fêmur proximal.

( ) O cálcio e a vitamina D isoladamente são suficientes para reverter o processo osteoporótico.

( ) O uso de estrógenos é obrigatório após a menopausa, independentemente de sintomas.

( ) A presença de fratura vertebral exclui o diagnóstico de osteoporose.


As afirmativas são, respectivamente,


A

V – F – F – F.


B

V – V – F – F.


C

F – V – F – V.


D

F – F – F – F.


E

V – F – V – F.

Um homem de 60 anos procura atendimento com queixa de constipação e episódios de distensão abdominal há cerca de quatro meses. Apesar do aumento da ingestão de água, as fezes permanecem ressecadas e em pequenas quantidades. Nega sangramento retal ou perda de peso. Relata saciedade precoce, com episódios de náuseas após as refeições.


Refere diabetes mellitus de longa duração, com queixas de disfunção erétil, formigamento e parestesias nos pés. Faz uso de metformina e insulina basal-bolus, e nega o uso de opioides ou medicamentos anticolinérgicos.


Nega viagens recentes ou uso de antibióticos. Tentou suplementos de fibras, mas eles pioram a distensão abdominal sem melhorar a frequência das evacuações. Nega dor localizada no quadrante inferior direito ou epigástrica. Não há fezes oleosas nem resíduo gorduroso nas evacuações.


O exame físico revela mucosas secas e abdome levemente distendido e timpânico, com ruídos hidroaéreos diminuídos, sem dor à palpação. Observa-se hipotensão ortostática sem taquicardia compensatória e redução da sensibilidade dolorosa em padrão de “bota” nos dois pés. O exame da tireoide é normal, e o toque retal não mostra alterações.


A endoscopia digestiva alta evidencia resíduos alimentares sem identificação de lesões grosseiras em esôfago, estômago e duodeno. Colonoscopia de rastreamento realizada no ano anterior: normal.


HbA1C: 8,5%. Creatinina: 1,0 mg/dL. Glicemia de jejum: 195 mg/dL.


O mecanismo mais provavelmente responsável pelos sintomas gastrointestinais deste paciente é a(o)


A

neuropatia autonômica diabética.


B

insuficiência pancreática exócrina.


C

má absorção de ácidos biliares.


D

deficiência de lactase.


E

supercrescimento bacteriano no intestino delgado.

O hipotireoidismo subclínico, caracterizado por elevação isolada de TSH com T4 livre normal, tem sido foco de intenso debate, sobretudo em idosos e gestantes. A American Thyroid Association (2022) recomenda abordagem individualizada, ponderando risco cardiovascular, presença de anticorpos antitireoidianos e vulnerabilidades específicas. Estudos populacionais (Biondi & Cappola, Lancet Diabetes Endocrinol, 2022) destacam que a sobretratamento pode induzir fibrilação atrial em idosos, ao passo que a subtratamento em gestantes impacta neurodesenvolvimento fetal. Considerando tais evidências, qual proposição melhor expressa os critérios terapêuticos atuais?


A

A reposição é recomendada em gestantes, mesmo em casos leves, em razão do risco para desenvolvimento fetal e complicações obstétricas.


B

O manejo se fundamenta unicamente em valores séricos de TSH, sem necessidade de integrar contexto clínico ou fatores individuais de risco.


C

Em idosos assintomáticos com TSH levemente elevado, deve-se optar preferencialmente por terapia imediata para evitar iatrogenia metabólica.


D

A conduta deve desconsiderar autoanticorpos tireoidianos, pois estes não interferem na progressão para hipotireoidismo clínico manifesto.


E

Pacientes com TSH >10 mUI/L devem receber levotiroxina, independentemente de sintomas, dado o risco cardiovascular e de progressão para hipotireoidismo clínico.

A hipercalcemia grave, frequentemente associada a neoplasias, constitui emergência endócrina. As recomendações da Endocrine Reviews (2022) e UpToDate (2023) apontam a necessidade de intervenção precoce combinada. Nesse sentido, qual proposição representa a conduta inicial e subsequente mais consistente?


A

A hidratação vigorosa com solução salina isotônica, isoladamente, costuma resolver definitivamente a hipercalcemia tumoral.


B

O manejo adequado integra hidratação, drogas anti-reabsortivas (bisfosfonatos/denosumabe), calcitonina e tratamento etiológico.


C

A calcitonina promove efeito sustentado por vários dias, dispensando medidas antireabsortivas subsequentes.


D

O denosumabe não possui papel em hipercalcemia refratária por neoplasia, sendo reservado a osteoporose isolada.


E

Os bisfosfonatos intravenosos reduzem o cálcio sérico em minutos, sendo sua ação plena imediata.

A literatura recente destaca a utilização de biomarcadores como NGAL e KIM-1 para detecção precoce da lesão renal aguda, muitas vezes antes da elevação da creatinina sérica. Diretrizes KDIGO reforçam que a identificação antecipada é determinante para prevenir progressão para insuficiência renal estabelecida. Considerando esse cenário, qual proposição expressa a utilidade desses marcadores?


A

Estabelecem prognóstico de longo prazo, mas não antecipam a detecção de lesão renal inicial.


B

Permitem avaliar risco de mortalidade hospitalar, sem correlação direta com alterações funcionais renais.


C

Antecipam diagnóstico de lesão tubular aguda, precedendo a elevação sérica de creatinina plasmática.


D

Substituem completamente exames tradicionais, dispensando monitoramento da função renal sérica.


E

Refletem unicamente resposta inflamatória sistêmica, sem especificidade para injúria renal aguda.

A síndrome de Cushing, seja na forma endógena (dependente ou independente de ACTH) ou iatrogênica (exposição exógena a glicocorticoides), permanece desafio clínico pela sobreposição fenotípica e diferenças prognósticas. Revisões recentes (European Society of Endocrinology Clinical Practice Guideline, 2021; Lacroix et al., JCEM, 2022) ressaltam que a distinção envolve não apenas o eixo HPA, mas também implicações cardiovasculares, metabólicas e de supressão adrenocortical prolongada. Considerando essas perspectivas, qual proposição sintetiza com maior rigor as diferenças entre as formas endógena e iatrogênica?


A

O excesso endógeno de cortisol deriva de secreção autônoma tumoral, enquanto o iatrogênico decorre da administração crônica de glicocorticoides exógenos, ambos cursando com repercussões metabólicas similares.


B

O hipercortisolismo endógeno pode coexistir com secreção ectópica de ACTH, enquanto a forma iatrogênica associa-se à inibição persistente do eixo hipotálamo-hipófiseadrenal, prolongando o risco de insuficiência adrenal.


C

A forma endógena está mais vinculada a risco imediato de insuficiência adrenal aguda, enquanto a iatrogênica se associa preferencialmente a complicações cardiovasculares crônicas.


D

O hipercortisolismo endógeno tende a regredir após ressecção tumoral, enquanto a forma iatrogênica reverte espontaneamente após interrupção abrupta da droga.


E

O diagnóstico diferencial depende unicamente de testes hormonais funcionais no endógeno e de anamnese medicamentosa no iatrogênico, sem necessidade de integração clínica.

A tríade de Whipple, formulada em 1938 e ainda utilizada como critério diagnóstico, foi revista em consensos recentes da American Diabetes Association (2023) e por Cryer (2021), que enfatizam a integração entre sintomas neuroglicopênicos, parâmetros bioquímicos e resposta terapêutica. No entanto, sua interpretação atual não se restringe ao enunciado clássico, devendo ser articulada a protocolos diferenciais de insulinoma, hipoglicemia factícia e formas pós-prandiais. Nesse horizonte, qual proposição expressa com maior acurácia a formulação contemporânea?


A

A hipoglicemia factícia é descartada quando a dosagem isolada de insulina encontra-se elevada, independentemente de C-peptídeo ou pesquisa de agentes orais.


B

O diagnóstico diferencial deve priorizar causas exógenas como drogas hipoglicemiantes e etanol, reservando a investigação endógena apenas para casos persistentes após exclusão.


C

A tríade de Whipple é estabelecida pela associação entre sintomas compatíveis, glicemia reduzida documentada e reversão dos sintomas após normalização glicêmica, configurando critério clínico-laboratorial integrado.


D

A hipoglicemia funcional pós-prandial é considerada diagnóstico primário diante de sintomas em jejum, dispensando avaliação de glicemia durante os episódios.


E

O protocolo de investigação baseia-se unicamente em testes provocativos prolongados, sendo a tríade de Whipple utilizada apenas como critério histórico.

Pesquisas contemporâneas indicam que a resistência insulínica não se restringe ao metabolismo glicídico, mas envolve disfunção endotelial mediada por menor biodisponibilidade de óxido nítrico, predispondo a eventos aterotrombóticos. Ensaios de coorte sugerem forte associação entre hiperinsulinemia compensatória e progressão de aterosclerose subclínica. Diante desse quadro, qual proposição traduz esse vínculo?


A

Decorre de ativação plaquetária persistente, mediada por citocinas inflamatórias sem ação endotelial.


B

Relaciona-se à diminuição da biodisponibilidade de óxido nítrico, promovendo disfunção vascular precoce.


C

Corresponde apenas a distúrbio metabólico glicêmico, sem repercussão sobre hemodinâmica vascular.


D

Explica-se pela inibição da lipogênese hepática, prevenindo progressão aterosclerótica em longo prazo.


E

Vincula-se unicamente à redução da secreção pancreática de insulina, sem impacto sobre vasos sistêmicos.

No contexto da crise tireotóxica, as diretrizes da American Thyroid Association ressaltam que o bloqueio beta não seletivo com propranolol deve preceder o uso de tionamidas, por reduzir a conversão periférica de T4 em T3, sendo o iodo inorgânico administrado apenas após essa etapa. Considerando essas recomendações, qual sequência terapêutica é mais adequada para estabilização inicial de paciente com doença de Graves e fibrilação atrial de alta resposta ventricular?


A

Ivabradina associada a tionamida oral e bloqueio tardio da organificação tireoidiana.


B

Propranolol seguido de tionamida oral e administração posterior de iodo inorgânico.


C

Amiodarona isolada explorando efeito iódico direto e supressão imediata da atividade hormonal.


D

Digoxina isolada utilizando estímulo vagal cardíaco e controle indireto da frequência atrial.


E

Diltiazem associado a PTU oral e inibição periférica da conversão tiroxina-triiodotironina.

 
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