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Bebê de cinco meses de idade, previamente hígido, é admitido na UTI pediátrica após apresentar episódio súbito de sonolência intensa e dificuldade para mamar, segundo relato da cuidadora. Há vômitos intermitentes nas últimas 6 horas. A história familiar é considerada inconsistente, e não há relato de queda ou trauma doméstico claro. Ao exame físico observou-se: lactente letárgico, hipotônico, com fontanela tensa, pupilas desiguais (anisocoria leve), múltiplos hematomas de padrão linear em região dorsal e braços, sem fraturas aparentes. Os sinais vitais aferidos foram: FC 165 bpm, FR 38 irpm, PA 72/44 mmHg, SpO₂ 94% em ar ambiente. Os exames iniciais revelaram: glicemia 92 mg/dl, discreta anemia, plaquetas normais, coagulograma normal.
Considerando a situação apresentada e os achados clínicos, assinale a opção que corresponde à conduta inicial recomendada para o paciente.
alta hospitalar com orientação à família, hidratação oral rigorosa e acompanhamento ambulatorial em 48 horas, considerando que o quadro pode ser viral transitório
levantar suspeita de síndrome do bebê sacudido, realizar tomografia computadorizada de crânio e avaliação oftalmológica, internação em UTI pediátrica com monitorização neurológica, notificação compulsória e investigação multidisciplinar de abuso
observar evolução clínica na enfermaria, solicitar exames de imagem apenas se houver convulsões ou piora do estado neurológico
prescrever antibiótico empírico por suspeita de meningite, mantendo analgesia leve e monitoramento ambulatorial
solicitar ultrassonografia transfontanelar isoladamente para descartar hemorragia intracraniana, sem necessidade de avaliação oftalmológica
Paciente criança em idade pré-escolar apresenta febre alta, odinofagia, prostação e recusa alimentar. A tomografia de crânio é normal. A análise do líquido cefalorraquidiano revela: proteína 50 mg/dl, glicose 49 mg/dl, glicemia capilar 84 mg/dl e 10 células mononucleares. O paciente evolui com piora do nível de consciência, necessitando de intubação orotraqueal e transferência para a UTI.
Do quadro clínico e dos achados laboratoriais apresentados na situação hipotética precedente é correto concluir que a hipótese diagnóstica mais provável é
síndrome de Reye.
meningite bacteriana.
encefalite herpética/viral.
abscesso cerebral.
trombose de seios venosos cerebrais.
Um lactente de quatro meses de idade, com peso de 5 kg, previamente hígido e eutrófico, foi internado na UTI pediátrica, em ventilação mecânica, com quadro de bronquiolite grave causada por vírus sincicial respiratório.
Considerando o suporte nutricional enteral, assinale a opção que corresponde à conduta recomendada nas primeiras 48 horas de internação do paciente mencionado na situação hipotética apresentada.
aguardar o desmame da ventilação mecânica para iniciar dieta oral
manter o paciente em jejum absoluto para evitar risco de aspiração e síndrome de realimentação
iniciar nutrição enteral trófica (10-20 mL/kg/dia) com fórmula infantil, via sonda enteral, e progredir conforme tolerância
iniciar nutrição enteral com fórmula hipercalórica em volume pleno (150 mL/kg/dia)
iniciar nutrição parenteral total imediatamente para atingir metas calóricas plenas
Uma criança de 10 meses foi internada devido a uma pneumonia causada por Streptococcus pneumoniae, associada a infecção por covid-19, e evoluiu com síndrome de desconforto respiratório agudo pediátrico, choque séptico, disfunção de múltiplos órgãos e sistemas e hemorragia cerebral intraparenquimatosa bilateral com evolução para pupilas médio-fixas. A criança, portadora da síndrome de Down e da síndrome de West, vinha em uso de altas doses de corticosteroide para o controle da síndrome de West. Foi realizado USG de SNC com doppler, que mostrou ausência de fluxo cerebral, e a criança evoluiu a óbito.
Com base nesse contexto, assinale a alternativa que apresenta a ordem correta de colocação das causas do óbito no preenchimento do atestado de óbito.
Síndrome de Down, síndrome de West, pneumonia por pneumococo e covid-19, choque séptico, hemorragia cerebral intraparenquimatosa bilateral, hipertensão intracraniana.
Parada cardiorrespiratória, hipertensão intracraniana, hemorragia intracraniana, choque séptico, pneumonia, síndrome de Down, síndrome de West.
Hipertensão intracraniana, hemorragia cerebral intraparenquimatosa bilateral, choque séptico, pneumonia por pneumococo e covid-19, síndrome de Down, síndrome de West.
Morte cerebral, hipertensão intracraniana, hemorragia cerebral, choque séptico, síndrome de Down, síndrome de West.
Síndrome de Down, pneumonia, síndrome de desconforto respiratório pediátrico, hemorragia intracraniana, hipertensão intracraniana.
Assinale a alternativa que descreve corretamente uma conduta essencial no manejo de crianças com dengue grave na UTI, de acordo com as diretrizes mais recentes do Ministério da Saúde.
A administração de fluidos intravenosos deve ser feita em altas taxas iniciais, com base nos níveis de hematócrito, independentemente da estabilidade hemodinâmica, para prevenir o choque hipovolêmico.
A transfusão de plaquetas deve ser realizada em todos os casos de trombocitopenia abaixo de 20.000, devido ao risco de sangramento do sistema nervoso central na criança, independentemente da presença de sangramentos ativos.
O uso de antibióticos profiláticos é indicado para prevenir infecções secundárias em todas as crianças com dengue grave.
A realização de tromboelastograma é indicada nos casos de dengue grave com sangramento ativo para avaliar melhor a coagulação, visto que se sabe que, nos casos de sangramento, a causa é multifatorial, e não apenas devido à trombocitopenia.
A monitorização contínua da pressão arterial, do hematócrito e da diurese é fundamental para ajustar a reposição volêmica e evitar sobrecarga hídrica.
A síndrome hemolítico-urêmica (SHU) é uma causa importante de LRA na infância, caracterizada por microangiopatia trombótica. No tratamento a pacientes com SHU, deve-se considerar que o(a):
reposição volêmica precoce deve ser evitada, pois pode aumentar o risco de sobrecarga hídrica e piorar a função renal
diálise deve ser evitada em caso de comprometimento do sistema nervoso central (SNC), devido aos riscos relacionados ao fluxo cerebral
transfusão de plaquetas pode agravar a deposição intravascular, sendo reservada para casos de sangramento ativo ou procedimentos invasivos
uso de antibióticos, em caso de associação com a Escherichia coli, produtora de toxina Shiga, é recomendado para reduzir a liberação da toxina e prevenir complicações renais
Pré-escolar com crise convulsiva generalizada recebeu diazepam 2 doses e fez uma apneia. Após 3 min de Ventilação com Pressão Positiva (VPP) com bolsa-máscara, mantém quadro de apneia. Qual é a conduta correta a ser tomada?
Entubação e flumazenil.
VPP e naloxona.
Flumazenil e retomar ventilação de oxigênio por máscara com reservatório.
Flumazenil e aguardar retomada da ventilação.
Entubação e ventilação mecânica (IMV).
Criança de 7 anos vítima de atropelamento é admitida com Escala de Coma de Glasgow (ECG) 7 (ocular 1, verbal 2, motor 4), anisocoria (pupila direita midriática e fotorreagente lenta) e postura de descerebração à direita. A tomografia computadorizada de crânio evidencia hematoma extradural frontotemporal esquerdo com desvio de linha média de 12 mm. Qual das seguintes condutas representa a abordagem neurocrítica e cirúrgica mais adequada e prioritária para esse paciente?
Administrar manitol 20% (1 g/kg), hiperventilar para PaCO2 <30 mmHg, solicitar parecer neurocirúrgico e manter PAM >60 mmHg.
Intubação orotraqueal com sequência rápida (mantendo estabilização cervical), sedação e analgesia, manter normocapnia (PaCO2 35-40 mmHg), solução salina hipertônica (3-5 mL/kg a 3%) e encaminhamento para craniotomia de urgência para drenagem do hematoma e controle de PIC.
Iniciar dexametasona para controle do edema cerebral, monitorizar PIC de forma não invasiva com Doppler transcraniano e aguardar melhora da anisocoria antes de considerar cirurgia.
Realizar punção lombar para alívio da PIC, administrar fenitoína profilática e programar cirurgia apenas se houver piora neurológica ou aumento do desvio da linha média em TC de controle.
Realizar craniotomia descompressiva de urgência.
Criança de 1 ano e 11 meses, 12 kg, com histórico de tosse persistente há cerca de 15 dias, deu entrada no pronto-socorro. A partir da hipótese diagnóstica de estado de mal asmático, a criança recebeu salbutamol em nebulização três vezes sem melhora, metilprednisolona 2 mg/kg e sulfato de magnésio 50 mg/kg em 30 minutos. Como não houve melhora, optou-se por instalar cateter nasal de alto fluxo, 20 litros/minuto com FiO2 de 50%; com isso, manteve-se saturação de oxigênio de 92%. O paciente foi encaminhado para a UTI com desconforto respiratório moderado, frequência respiratória de 55, retração intercostal e subdiafragmática, estável hemodinamicamente. A família nega broncoespasmo pregresso e infecção de vias aéreas superiores – mas a irmã mais velha, de 5 anos, teve gripe há uma semana – e relata que a criança teria melhorado após uso de prednisolona por cinco dias, mas depois voltou a tossir e, de ontem para hoje, apresentou piora do desconforto respiratório. Relata ainda que a criança sofreu um engasgo durante o almoço há cerca de 15 dias, comendo arroz integral. Já havia passado em consulta com o pediatra e também fez uma avaliação com um pneumologista, que a medicou com salbutamol e prednisolona .
A figura a seguir apresenta a radiografia de tórax dessa paciente:

(Arquivo pessoal; imagem usada com autorização)
Nesse caso, a hipótese diagnóstica e a conduta corretas são, respectivamente:
insuficiência respiratória por aspiração de corpo estranho; solicitar broncoscopia de urgência.
insuficiência respiratória por crise asmática; realizar ataque de salbutamol endovenoso (10 mcg/kg a 15 mcg/kg em 10 minutos) e iniciar infusão contínua (0,1 mcg/kg/minuto), titulando rapidamente – se não houver melhora clínica, realizar intubação e iniciar ventilação mecânica invasiva.
insuficiência respiratória por bronquiolite; tentar ventilação não invasiva – se não houver melhora, realizar intubação e iniciar ventilação mecânica invasiva.
insuficiência respiratória por crise asmática; tentar ventilação não invasiva – se não houver melhora, realizar intubação e iniciar ventilação mecânica invasiva.
insuficiência respiratória por crise asmática; tentar uso de salbutamol contínuo utilizando o dispositivo Aerogen, que consegue atingir melhores níveis do beta-agonista no pulmão.
Com relação aos procedimentos terapêuticos realizados na UTI pediátrica e aos seus riscos, assinale a alternativa correta.
O uso da via intraóssea é indicado como primeira opção de acesso nos casos de ressuscitação cardiopulmonar, antes mesmo de se tentar o acesso venoso periférico, mas, nos casos de choque hipotensivo e estado de mal epiléptico, normalmente são feitas pelo menos duas tentativas antes de realizar a via intraóssea devido aos riscos inerentes ao procedimento.
Com relação ao acesso venoso central e aos riscos relacionados à sua obtenção, a via femoral é muito utilizada nas situações de emergência por ser de fácil obtenção e por estar distante dos locais mais nobres onde se realiza a ressuscitação, longe do tórax e da via aérea. Assim sendo, é uma via de escolha na PCR nos locais onde não há material para a realização de uma punção intraóssea.
Com relação ao acesso venoso central e aos riscos relacionados à sua obtenção, a veia subclávia é um acesso fácil de obter e muito confortável para as crianças, sendo indicado para uso em situações em que o cateter será necessário por tempo prolongado, mesmo levando em consideração os seus riscos de pneumotórax e hemotórax.
O acesso venoso central pela veia jugular interna é um dos mais utilizados em pediatria pela facilidade de obtenção e pelo menor risco de pneumotórax e hemotórax se comparado à via subclávia. Uma das complicações relacionadas à punção da via jugular é o desenvolvimento da síndrome de Claude Bernard-Horner.
O uso prolongado de ventilação pulmonar mecânica não é isento de complicações pulmonares, como atelectrauma, barotrauma, volutrauma e biotrauma, mesmo com o uso de ventilação protetora. Além disso, as complicações de via aérea também são bastante frequentes, sendo assim indicada a realização de traqueostomia em crianças ventiladas por um período superior a trinta dias.
Paciente do sexo masculino, 4 anos, com histórico de epilepsia em uso regular de ácido valproico há 8 meses, sem outras comorbidades, é levado ao pronto atendimento com queixa de dor abdominal epigástrica intensa há dois dias, associada a náuseas e vômitos. Ao exame físico, apresenta-se em regular estado geral, desidratado (2+/4+), com dor à palpação epigástrica, sem sinais de irritação peritoneal. Está afebril, anictérico, com padrão evacuatório preservado. Os exames laboratoriais revelam: TGO: 28 U/L (VR até 40); TGP: 30 U/L (VR até 41); amilase: 450 U/L (VR até 100); lipase: 650 U/L (VR até 60). Gama GT, bilirrubinas e transaminases normais. Considerando os achados clínicos e laboratoriais, qual é o diagnóstico mais provável?
Hepatite aguda de etiologia medicamentosa.
Colecistite alitiásica associada a uso de anticonvulsivante.
Gastrite aguda funcional por irritação gástrica.
Pancreatite aguda induzida por ácido valproico.
As hemorragias intracranianas em prematuros geralmente ocorrem nos três primeiros dias de vida, quando o mecanismo de autorregulação se apresenta mais frágil. A classificação de Papile e cols, é o sistema mais amplamente utilizado para graduar as hemorragias intracranianas em prematuros.
Um prematuro que tenha hemorragia da matriz germinativa associada a componente hemorrágico intraventricular, porém sem dilatação ventricular, é classificado na categoria
Grau I.
Grau II.
Grau III.
Grau IV.
Grau V.
No início de 2024, foi publicada no JAMA uma nova definição para sepse e choque séptico pediátrico. Com base nos critérios de Phoenix apresentados a seguir, uma criança de 10 meses, 8 kg, com quadro de infecção pulmonar em tratamento com amoxacilina e clavulanato há 1 dia, é internada na UTI, sonolenta, com Glasgow -11, desconforto respiratório, pálida, já em uso de cateter nasal de alto fluxo de oxigênio: 15 litros/minuto com FiO2 de 50%, FC: 178, PA: 60 x 30, tempo de enchimento capilar: 5 segundos após receber 60 mL/kg de soro fisiológico, saturação de oxigênio de 92% (última gasometria arterial com PaO2 : 60 em FiO2 de 50% e lactato de 35 mg/dL: 3,89 mmol/L), crepitação em todo hemitórax direito, RX tórax com condensação em todo hemitórax direito, hemograma com leucocitose de 19.000 com neutrofilia, plaquetas: 110.000, PCR aumentado, tempo de protrombina: 23 segundos, INR: 1,9 tempo de tromboplastina parcial ativada: 45 segundos, RN: 1,6, fibrinogênio: 90 mg/dL e D-dímero: não coletado.
Tabela 1 – Escore de Sepse de Phoenix (Phoenix Sepsis Score – PSS) em crianças

PaO2 : pressão parcial arterial de oxigênio; FiO2 : fração inspirada de oxigênio; SpO2 : saturação de pulso de oxigênio; VMI: ventilação mecânica invasiva; DVA: drogas vasoativas; RNI: razão normalizada internacional (tempo de atividade de protrombina do paciente/controle; ECGlasgow: escala de coma de Glasgow).
a: O PSS pode ser calculado na ausência de algumas variáveis (lactato não medido ou sem medicações vasoativas usadas; nesse caso, usar pressão no escore cardiovascular). Obter exames de acordo com orientação médica. Idades não são ajustadas para prematuridade. Critérios não são aplicáveis a hospitalizações para nascimento, recém-nascidos com idade gestacional menor do que 37 semanas ou aqueles com 18 anos ou mais.
b: SpO2 : FiO2 usada apenas se SpO2 ≤ 97%.
c: Disfunção respiratória de 1 ponto aplica-se a qualquer paciente sob oxigenoterapia, alto fluxo, ventilação mecânica invasiva (VMI) e não invasiva (VNI) e inclui uma PaO2 : FiO2 < 200 e SpO2 : FiO2 < 220 em cças que não estão recebendo VMI. Para crianças sob VMI com PaO2 : FiO2 < 200 e SpO2 : FiO2 < 220, ver critério para 2 e 3 pontos.
d: Medicações vasoativas (DVA) inclui qualquer dose de epinefrina, norepinefrina, dopamina, dobutamina, milrinone e/ou vasopressores para choque.
e: Variação de lactato é de 0,5 a 2,2 mmol/L (arterial ou venoso).
f: Idade não é ajustada para prematuridade, e o critério não se aplica a hospitalizações para nascimento, crianças com idade pós-concepcional menor do que 37 semanas ou aqueles com 18 anos ou mais.
g: Use medida da pressão arterial média (PAM), preferencialmente invasiva, se disponível, ou não invasiva). Se PAM invasiva não for disponível, usar a PAM calculada (1/3 x sistólica + 2/3 x diastólica) como alternativa.
h: Valores coagulação: plaquetas: 150 a 450 x 103 /
i: O subescore de disfunção neurológica foi pragmaticamente validado em pacientes sedados e não sedados e naqueles recebendo ou não VMI.
j: A Escala de Coma de Glasgow mede o nível de consciência baseado na resposta verbal, ocular e motora (varia de 3-15, com um escore mais alto indicando melhor função neurológica).
(Fonte: Shlapback LJ et al.6 )
Como o quadro deve ser classificado, com base no escore de Phoenix, e qual a conduta deve ser adotada imediatamente?
Choque séptico por sepse de origem pulmonar, pois não respondeu à infusão de volume; deve-se introduzir droga vasoativa imediatamente.
Infecção grave por uma pneumonia; deve-se trocar antibiótico imediatamente.
Edema agudo de pulmão pela infusão excessiva de soro fisiológico; deve-se administrar furosemida, imediatamente.
Sepse com foco de origem pulmonar; deve-se introduzir droga vasoativa imediatamente e, a partir disso, será classificado como choque séptico.
Sepse grave; deve-se intubar imediatamente, devido ao quadro de insuficiência respiratória.
Uma lactente de 3,5 meses, pesando 6 kg e com uma superfície corpórea de 0,42 m2 , deu entrada na UTI pediátrica com um quadro de insuficiência respiratória franca decorrente de uma pneumonia. Optou-se pela intubação, e foi iniciada pré-oxigenação.
Com relação à pré-oxigenação nessa criança, assinale a alternativa correta.
Em ar ambiente, a fração alveolar de oxigênio é 16%, a fração alveolar de CO2 é 5% e a fração alveolar de nitrogênio é 79%. A capacidade residual funcional da criança varia de 20 a 30 mL/kg, ou seja, em torno de 150 mL. Em ar ambiente, essa criança tem uma reserva de oxigênio de 24 mL. Se o seu consumo de oxigênio gira em torno de 90 mL por minuto, em apneia e em ar ambiente, ela teria uma queda de saturação grave em dezesseis segundos. Se realizar a pré-oxigenação por três a cinco minutos, a fração alveolar de oxigênio passa a ser 95%, a de CO2 se mantém em 5% e a de nitrogênio zera, então a reserva de oxigênio passa a ser em torno de 140 mL, e o tempo seguro de apneia passa a ser de um minuto e meio.
Em ar ambiente, a fração alveolar de oxigênio é 21%, a fração alveolar de CO2 é 5% e a fração alveolar de nitrogênio é 74%. A capacidade residual funcional da criança varia de 20 a 30 mL/kg, ou seja, em torno de 150 mL. Em ar ambiente, essa criança tem uma reserva de oxigênio de 50 mL. Se o seu consumo de oxigênio gira em torno de 90 mL por minuto, em apneia e em ar ambiente, ela teria uma queda de saturação grave em trinta segundos. Se realizar a pré-oxigenação por três a cinco minutos, a fração alveolar de oxigênio passa a ser 95%, a de CO2 se mantém em 5% e a de nitrogênio zera, então a reserva de oxigênio passa a ser em torno de 270 mL, e o tempo seguro de apneia passa a ser de três minutos.
Em ar ambiente, a fração alveolar de oxigênio é 16%, a fração alveolar de CO2 é 5% e a fração alveolar de nitrogênio é 79%. A capacidade residual funcional da criança é de 50 mL/kg, ou seja, em torno de 300 mL. Em ar ambiente, essa criança tem uma reserva de oxigênio de 48 mL. Se o seu consumo de oxigênio gira em torno de 90 mL por minuto, em apneia e em ar ambiente, ela teria uma queda de saturação grave em trinta segundos. Se realizar a pré-oxigenação por três a cinco minutos, a fração alveolar de oxigênio passa a ser 95%, a de CO2 se mantém em 5% e a de nitrogênio zera, então a reserva de oxigênio passa a ser em torno de 450 mL, e o tempo seguro de apneia passa a ser de cinco minutos.
Em ar ambiente, a fração alveolar de oxigênio é 21%, a fração alveolar de CO2 é 5% e a fração alveolar de nitrogênio é 74%. A capacidade residual funcional da criança varia de 20 a 30 mL/kg, ou seja, em torno de 150 mL. Em ar ambiente, essa criança tem uma reserva de oxigênio de 9 mL. Se o seu consumo de oxigênio gira em torno de 90 mL por minuto, em apneia e em ar ambiente, ela teria uma queda de saturação grave em seis segundos. Se realizar a pré-oxigenação por três a cinco minutos, a fração alveolar de oxigênio passa a ser 95%, a de CO2 se mantém em 5% e a de nitrogênio zera, então a reserva de oxigênio passa a ser em torno de 540 mL, e o tempo seguro de apneia passa a ser de seis minutos.
Na criança, o tempo necessário para a pré-oxigenação é bem menor que no adulto (de três a cinco minutos no adulto e de trinta segundos a um minuto na criança), e isso é decorrente de uma capacidade residual funcional menor na criança. Porém, o tempo seguro de apneia também é menor para a criança, pois a reserva de oxigênio do adulto chega a cerca de 1.000 mL, o que dá cerca de sete minutos de tempo seguro de apneia, enquanto, para uma criança de 6 kg, chega no máximo a 540 mL, o que dá cerca de seis minutos de tempo seguro de apneia.
Com relação ao suporte nutricional em crianças criticamente enfermas, assinale a alternativa correta.
Nos primeiros dias de terapia intensiva pediátrica, o suporte nutricional deve ser preferencialmente parenteral, em especial nas crianças em estado grave com algum grau de instabilidade hemodinâmica e submetidas a procedimentos cirúrgicos, para evitar complicações graves, como vômitos e broncoaspiração.
A oferta calórica inicial deve ser alta para evitar catabolismo excessivo, mesmo sem a realização de calorimetria direta para estimativa precisa das necessidades metabólicas.
A nutrição enteral deve ser iniciada o mais precocemente possível, considerando a tolerância gastrointestinal e uma estabilidade clínica razoável.
A suplementação de micronutrientes, como zinco e selênio, não influencia na resposta inflamatória em crianças clinicamente enfermas.
O uso de fórmulas hipercalóricas e hiperproteicas é recomendado a todos os pacientes pediátricos gravemente enfermos, independentemente do diagnóstico específico, pois com frequência levam-se alguns dias para se atingir a oferta de volume adequada de dieta, e o uso dessas fórmulas permite alcançar o aporte calórico e proteico mais rapidamente.
Menina de 7 anos é encaminhada para ambulatório devido a dor abdominal. Nos exames iniciais nota-se elevação importante de transaminases, quinze vezes o limite superior da normalidade, bilirrubina direta (BD) de 2,0 mg/dL (normal < 0,3 mg/dL), INR 1,0, proteína totais de 10 g/dL e albumina de 3,5 g/dL. Com base nos dados apresentados, assinale a alternativa a seguir que contém os principais exames para investigar a hipótese diagnóstica mais provável.
Ultrassonografia de abdome do fígado e sistema porta com doppler.
Fator antinúcleo (FAN), antimúsculo liso e anti-LKM1.
Painel genético para colestases hereditárias.
Fator antinúcleo (FAN), antimitocôndria e ANCA.
Antígeno hepático solúvel e dosagem sérica de sais biliares.
O escore de Phoenix é uma ferramenta utilizada para avaliar a gravidade do choque séptico em pacientes pediátricos.
Assinale a alternativa que descreve corretamente um valor avaliado por esse escore e sua possível implicação clínica.
O escore de Phoenix avalia apenas parâmetros hemodinâmicos, como pressão arterial média, excluindo fatores como função renal e perfusão tecidual, o que limita sua aplicabilidade clínica em ambientes de terapia intensiva pediátrica.
Um aumento do escore de Phoenix está associado a uma menor probabilidade de mortalidade, sugerindo que a intervenção precoce e eficaz é menos crítica em estágios iniciais do choque séptico.
Níveis elevados de lactato sérico, que podem indicar hipoperfusão tecidual, são considerados no escore de Phoenix, sendo um marcador relevante para a estratificação de risco das crianças com choque séptico.
O escore de Phoenix utiliza exclusivamente marcadores inflamatórios, como a proteína C-reativa (PCR), para calcular a gravidade, ignorando variáveis clínicas, como a frequência respiratória ou o tempo de enchimento capilar.
A principal limitação do escore de Phoenix é a sua incapacidade de prever complicações secundárias ao choque séptico, como insuficiência multiorgânica, reduzindo sua utilidade na tomada de decisões clínicas.
Na síndrome do desconforto respiratório agudo pediátrico, as estratégias ventilatórias e os objetivos terapêuticos são:
ventilação com volume corrente de 10 a 12mL/kg e FR baixa para manter o volume minuto adequado
PEEP elevada com pico de pressão necessário para manter volume corrente de 10mL/kg
ventilação com volume corrente de 5 a 8mL/kg, com pressão de platô limite de 30cmH2O
PEEP baixa com pico de pressão até 20cmH2O e FR alta
Uma criança de 67 dias de vida é avaliada devido à icterícia. Os exames iniciais demonstram elevação de bilirrubina direta, gama-glutamil transferase (GGT) normal, transaminases elevadas 1,5 vezes o limite superior da normalidade. No exame físico, além da icterícia, nota-se fígado a 2 cm do rebordo costal direito de consistência firme, traube ocupado, mas não palpa baço e, ao abrir a fralda, nota-se fezes de coloração esbranquiçada. Considerando a principal hipótese diagnóstica para o quadro descrito, assinale a alternativa correta.
Como a GGT está baixa, atresia de vias biliares está descartada, devendo-se investigar síndrome de Alagille.
O principal exame para prosseguir a investigação é uma colangiorressonância.
Se a biópsia hepática demonstrar ductopenia, está fechado o diagnóstico de atresia de vias biliares.
Deve-se colher exame genético para investigar colestase intra-hepática familiar progressiva (PFIC, em inglês) do tipo 3 (deficiência de MDR3).
Mesmo com GGT baixa, a principal suspeita diagnóstica ainda é atresia de vias biliares.
A terapia de substituição renal (TSR) tem um papel bem estabelecido na UTI pediátrica, sendo a diálise peritoneal (DP) uma opção viável para pacientes com lesão renal aguda (LRA). Em relação à DP, é correto afirmar que:
a remoção de fluidos na DP ocorre de forma mais rápida e intensa do que na hemodiálise intermitente, o que a torna ideal para situações de instabilidade hemodinâmica
pode ser escolha preferencial em pacientes com acesso vascular difícil ou risco elevado de complicações associadas ao uso de anticoagulantes
está associada a maior mortalidade em comparação com outras formas de terapia de substituição renal na injúria renal aguda
a eficácia da DP no controle metabólico e na correção da uremia é limitada, pois não permite ajustes na depuração molecular