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Uma criança de 3 anos, 15 kg, portadora de leucemia linfoide aguda, recebeu quimioterapia ambulatoriamente há sete dias e está internada na UTI pediátrica, proveniente do ambulatório, por quadro de neutropenia febril. Ao exame clínico de entrada na UTI, encontra-se sonolenta e só reagindo a estímulos dolorosos; sem abertura ocular; gemente; com retirada inespecífica a dor; descorada; com frequência respiratória igual a 55; retração intercostal, subdiafragmática e de fúrcula; saturação de 81% em máscara não reinalante; ausculta pulmonar com roncos esparsos; pressão arterial de 72 x 35; frequência cardíaca igual a 175; pulsos finos; tempo de enchimento capilar de 0,5 segundo; hiperemia em região do tórax anterior, onde tem um cateter implantado; petéquias e sufusões hemorrágicas nos membros; temperatura de 38,8 ºC. Foi transferida recebendo segunda expansão de 20 mL/kg de soro fisiológico, 30 minutos após entrada no centro de oncologia.
Assinale a alternativa que apresenta corretamente os diagnósticos e o tratamento inicial adequado.
Diagnósticos: choque hipotensivo distributivo séptico hiperdinâmico, insuficiência respiratória aguda, infecção grave provavelmente relacionada ao cateter, neutropenia febril.
Conduta: instalar cateter nasal de alto fluxo, com fluxo de 15 litros em FiO2 de 100%, obter novo acesso venoso, administrar mais 20 mL/kg de soro fisiológico e, ao mesmo tempo, iniciar antibioticoterapia de amplo espectro. Administrar antitérmico.
Diagnósticos: choque hipotensivo distributivo séptico hipodinâmico, desconforto respiratório, infecção grave provavelmente relacionada ao cateter, neutropenia febril.
Conduta: instalar cateter nasal de alto fluxo, com fluxo de 30 litros em FiO2 de 100%, obter novo acesso venoso, iniciar adrenalina contínua em bomba de infusão e, ao mesmo tempo, iniciar antibioticoterapia de amplo espectro. Administrar antitérmico.
Diagnósticos: choque hipotensivo distributivo séptico hiperdinâmico, insuficiência respiratória aguda, infecção grave provavelmente relacionada ao cateter, neutropenia febril.
Conduta: iniciar ventilação com pressão positiva em FiO2 de 100% para proceder intubação em sequência rápida de intubação com rocurônio e quetamina; ao mesmo tempo, obter novo acesso venoso para iniciar antibioticoterapia de amplo espectro após coleta de culturas e iniciar também noradrenalina contínua.
Diagnósticos: choque hipotensivo distributivo séptico hipodinâmico, desconforto respiratório, infecção grave provavelmente relacionada ao cateter, neutropenia febril.
Conduta: acoplar em ventilação não invasiva e se preparar para intubação em sequência rápida com uso de succinilcolina e etomidato, obter novo acesso venoso, iniciar noradrenalina contínua em bomba de infusão e, ao mesmo tempo, iniciar antibioticoterapia de amplo espectro. Solicitar radiografia de tórax e exames laboratoriais, incluindo culturas.
Diagnósticos: choque hipotensivo distributivo séptico hiperdinâmico, insuficiência respiratória aguda, infecção grave provavelmente relacionada ao cateter, neutropenia febril.
Conduta: iniciar ventilação com pressão positiva em FiO2 de 100% para proceder intubação em sequência rápida de intubação com rocurônio, midazolam e fentanil e, ao mesmo tempo, obter novo acesso venoso para iniciar antibioticoterapia de amplo espectro e iniciar também noradrenalina contínua. Chamar o cirurgião com urgência para a retirada do cateter venoso central totalmente implantado.
Um lactente é avaliado por episódios recorrentes de estridor e apneia desde o nascimento. Durante a investigação, suspeita-se de uma compressão vascular da traqueia. Considerando as diferentes anomalias vasculares que podem causar obstrução das vias aéreas, o método diagnóstico considerado mais eficaz para identificar e auxiliar no planejamento do tratamento é:
broncoscopia
laringoscopia direta
tomografia computadorizada
radiografia de tórax com contraste
Um adolescente de 15 anos é encontrado desacordado após ingestão desconhecida de múltiplos comprimidos de “remédio para emagrecer” (possivelmente contendo anfetaminas ou sibutramina) e “calmantes” (benzodiazepínicos e/ou antidepressivos tricíclicos). Chega ao PS com rebaixamento do nível de consciência (ECG 6), taquicardia sinusal (FC 140 bpm), QRS alargado (130 ms) ao ECG, e duas crises convulsivas tônico-clônicas generalizadas na sala de emergência. Qual das seguintes abordagens terapêuticas e de suporte é a mais completa e adequada para esse paciente na fase aguda?
Administrar naloxona e volume.
Administrar flumazenil para reverter os benzodiazepínicos, carvão ativado em dose única e iniciar fenitoína para controle das convulsões e do QRS alargado.
Proceder à intubação orotraqueal, administrar benzodiazepínico IV para as convulsões (por exemplo, diazepam), bicarbonato de sódio IV para o QRS alargado e hipotensão, considerar lavagem gástrica se a ingestão for muito recente (<1h) e se for grande a quantidade de substâncias cardiotóxicas.
Fazer observação clínica rigorosa, administrar naloxona pela suspeita de opioides associados, iniciar amiodarona para a taquicardia e QRS alargado, e aguardar melhora espontânea do íleo para iniciar dieta enteral.
Forçar diurese com furosemida, administrar fisostigmina para a síndrome anticolinérgica suspeita pelo QRS alargado e iniciar dieta enteral mínima assim que o paciente estiver consciente.
Criança de 2 anos, previamente hígida, após brincar com peças pequenas, apresenta quadro súbito de engasgo, tosse paroxística, cianose e estridor inspiratório. A radiografia de tórax em inspiração e expiração forçada sugere hiperinsuflação pulmonar à direita. A broncoscopia rígida é indicada sob anestesia geral. Durante a tentativa de remoção de um fragmento de amendoim localizado no brônquio principal direito via broncoscopia rígida, o paciente desenvolve dessaturação abrupta (SatO2 cai para 75%), enfisema subcutâneo em pescoço e tórax superior, e instabilidade hemodinâmica com taquicardia e hipotensão. Qual é a complicação intraoperatória mais provável e qual é a conduta imediata essencial?
Pneumotórax hipertensivo à direita – interromper o procedimento, realizar descompressão torácica imediata com agulha no 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular direita, seguida de drenagem torácica.
Laringoespasmo severo – administrar succinilcolina, ventilar com O2 a 100% sob pressão positiva e, se refratário, preparar para cricotireoidostomia.
Reação anafilática ao látex do equipamento ou ao anestésico – administrar adrenalina intramuscular, anti-histamínicos, corticoides e suspender agentes suspeitos.
Deslocamento do corpo estranho para a carina, causando obstrução bilateral – tentar empurrar o corpo estranho para um dos brônquios principais e reoxigenar.
Edema pulmonar por pressão negativa (pós-obstrutivo) após remoção parcial do corpo estranho – administrar diuréticos, manter ventilação com PEEP e restringir fluidos.
Uma criança de 2 meses e 15 dias, 5 kg, dá entrada na Unidade de Terapia Intensiva transferida de outro serviço com diagnóstico de bronquiolite. Ela utiliza uma máscara com reservatório não reinalante com 12 litros por minuto de oxigênio, acesso venoso periférico, correndo soro de manutenção basal. Ao avaliar, ela encontra-se muito sonolenta, cianótica e respirando com bastante dificuldade. Ao monitorizá-la, observam-se: frequência cardíaca (FC): 52, ritmo sinusal sem bloqueio, frequência respiratória (FR): 5, com muito esforço respiratório, retração intercostal, subdiafragmática e de fúrcula e batimento de aleta nasal, oximetria de pulso com saturação de oxigênio de 78%.
Assinale a alternativa que apresenta a conduta inicial correta.
Aumentar o fluxo na máscara com reservatório não reinalante para 15 litros por minuto de oxigênio, aspirar a via aérea e administrar uma dose de atropina 0,1 mg no acesso venoso periférico.
Palpar pulso, e se pulso presente, iniciar ventilação com pressão positiva; aspirar a via aérea, se necessário; observar se ventilação está adequada pela observação da expansibilidade torácica; se ventilação adequada, e mesmo assim mantiver FC abaixo de 60 e sinais de instabilidade hemodinâmica, iniciar RCP de alta qualidade; e se necessário, administrar adrenalina diluída 1:10000, na dose de 0,5 mL.
Palpar pulso e se pulso presente, como FC menor que 60, iniciar RCP de alta qualidade imediatamente, com 15 compressões para cada 2 ventilações; aspirar a via aérea, se necessário; checar acesso venoso, e se estiver bom, administrar adrenalina diluída 1:10000, na dose de 0,5 mL.
Não é necessário palpar pulso, pois a criança tem FC: 52 no monitor, mas como este se encontra abaixo de 60, deve-se iniciar RCP de alta qualidade imediatamente; aspirar a via aérea e intubar precocemente, pois a principal causa de PCR neste caso é hipoxemia, que deve ser revertida rapidamente; se FC não subir, administrar atropina na dose de 0,1 mg.
Instalar rapidamente um cateter nasal de alto fluxo, que é a terapia de escolha para a bronquiolite; iniciar com fluxo de 10 litros por minuto e fração inspirada de oxigênio de 50%. Administrar dose teste de salbutamol de 200 mcg e metilprednisolona de 100 mg, pois pode ser uma primeira crise asmática.
Um lactente de 1,5 mês sofre um acidente automobilístico; embora estivesse no banco traseiro, estava sendo transportado no colo da mãe e foi arremessado contra o vidro dianteiro do carro.
Com relação aos cuidados no atendimento inicial desse lactente, é correto afirmar:
nessa idade, a musculatura e os ligamentos são muito mais elásticos, sendo muito mais rara a ocorrência de fraturas cervicais e de lesão medular; assim, não se recomenda o uso de colar cervical profilaticamente.
o lactente tem a cabeça relativamente maior e mais pesada do que o restante do corpo; dessa forma, a lesão em sistema nervoso central é mais comum, devendo o socorrista iniciar o atendimento pela avaliação neurológica.
nessa idade, a musculatura e os ligamentos são mais flexíveis, sendo que pode ocorrer lesão medular sem que ocorra fratura dos ossos; assim, a realização de uma ressonância magnética da coluna cervical é essencial na avaliação inicial do quadro.
deve-se iniciar a avaliação pela observação da via aérea, a colocação do colar cervical e a avaliação da ventilação.
o crânio apresenta maior plasticidade e deformidade (ossos menos rígidos e suturas ainda abertas), possibilitando a distribuição da força do trauma entre o crânio, o cérebro e as veias corticais, o que reduz as chances de lesão.
Visando à estabilização e ao bem-estar físico e psicológico de uma criança admitida na UTI devido a maus-tratos, o manejo inicial adequado envolve a conduta essencial de
realizar exames físicos detalhados. O médico intensivista é o profissional responsável pelo preenchimento da ficha de notificação de violência, que é compulsória; depois, essa ficha é encaminhada ao Conselho Tutelar pelo serviço social.
estabelecer uma abordagem multidisciplinar, incluindo pediatria, psicologia e serviço social, para garantir a saúde física e mental da criança e planejar intervenções futuras.
priorizar o uso de medicamentos sedativos, para evitar a agitação da criança e auxiliar no seu processo de recuperação psicológica.
Iniciar o processo de alta o mais rápido possível, visando a reduzir o impacto emocional de uma internação prolongada nessa criança.
limitar a comunicação com os responsáveis legais até que o quadro esteja resolvido, evitando assim situações de conflito dentro do ambiente hospitalar.
Um pré-escolar de 3 anos é trazido à emergência pela mãe, que o encontrou sonolento e com um frasco vazio de “chumbinho” (raticida ilegal à base de carbamato) ao lado. Ao exame, o paciente está miótico, com sialorreia intensa, broncorreia audível, fasciculações musculares e bradicardia (FC 50 bpm). Além das medidas de suporte de vias aéreas, ventilação e oxigenação, qual é a combinação de antídotos específica e prioritária para o tratamento dessa intoxicação?
Atropina e pralidoxima.
Naloxona e flumazenil.
Acetilcisteína e carvão ativado.
Bicarbonato de sódio e azul de metileno.
Atropina e bicarbonato de sódio.
Uma criança de 6 anos foi submetida à retirada de um tumor cerebral (provável meduloblastoma), sem intercorrências. Agora se encontra no pós-operatório imediato.
Qual das estratégias a seguir é mais crítica para prevenir complicações neurológicas no período pós-operatório?
Evitar a administração de fluidos intravenosos para prevenir edema cerebral. Manter manitol de horário e dexametasona de horário.
Manter sedação e analgesia contínuas para evitar movimentação espontânea e programar extubação para 48 horas após a cirurgia pelo risco de edema cerebral pós-manipulação. Realizar controle tomográfico antes da extubação
Manter soro de manutenção, restrito, com oferta de sódio de 3 mEq/100 kcal/dia e potássio de 2,5 mEq/100 kcal/dia até alimentação plena.
Realizar vigilância neurológica rigorosa e suporte hídrico adequado com a utilização de soro isotônico para prevenir hiponatremia, que pode ser deletéria no pós-operatório.
Iniciar quimioterapia e radioterapia precocemente para evitar a recidiva do tumor, que pode levar a complicações neurológicas precoces.
Um menino de 7 anos, previamente hígido, é internado na UTI pediátrica com quadro de sepse secundária a pneumonia. Nos exames laboratoriais, apresenta o seguinte:
De acordo com os critérios KDIGO para classificação de LRA em crianças, como esse paciente deve ser classificado?
Sem LRA.
LRA estágio 1.
LRA estágio 2.
LRA estágio 3.
Não é possível classificar sem biomarcadores adicionais.
Paciente de 3 anos de idade foi encontrado pelos familiares em uma piscina na casa dos avós, retirado da água inconsciente e levado ao pronto atendimento. Na chegada, relatado tempo de submersão de cerca de 3 minutos. Paciente encontra-se inconsciente, pálido, SatO2: 86% em máscara não reinalante, ausculta respiratória com murmúrio vesicular presente bilateralmente e estertores difusos. FR: 35 irpm, FC: 88 bpm, PA: 78 x 55 mmHg, TEC: 3 segundos.
Qual a melhor conduta ventilatória inicial nesse caso?
Manter oxigênio em máscara não reinalante.
Proceder intubação orotraqueal para ventilação mecânica invasiva.
Iniciar ventilação não invasiva com pressão positiva contínua (CPAP).
Iniciar ventilação não invasiva em dois níveis de pressão (BiPAP).
A sequência rápida de intubação (SRI) é uma técnica amplamente utilizada em emergências pediátricas para garantir o controle seguro da via aérea, promovendo sedação e paralisia neuromuscular de forma rápida, com o objetivo de minimizar complicações como vômito, aspiração, tosse e aumento da pressão intracraniana. A escolha adequada dos fármacos é essencial, devendo considerar as condições clínicas do paciente. Em relação aos agentes indutores utilizados na SRI, assinalar a alternativa que possui indicação preferencial em pacientes com asma grave, por seu efeito broncodilatador.
Cetamina.
Midazolam.
Propofol.
Fentanil.
Médico integra a equipe de plantão responsável pelo atendimento de uma paciente de 5 anos, com diagnóstico de tumor no sistema nervoso central, internada na unidade de terapia intensiva pediátrica e em preparo para procedimento neurocirúrgico. A paciente evolui com rebaixamento do nível de consciência (glasgow 6), bradicardia e hipertensão, o que leva a equipe a optar pela intubação orotraqueal.
Considerando o procedimento de intubação em pacientes pediátricos com hipertensão intracraniana, assinale a alternativa correta.
A pré-oxigenação é uma etapa não obrigatória nesse caso, visto que a paciente apresenta respiração espontânea.
Etomidato e rocurônio são medicações adequadas para sequência rápida de intubação nesse caso.
É importante ventilar, com o objetivo de obter uma PCO2 < 30 mmHg, para diminuir a pressão intracraniana.
Evitar o uso de bloqueador neuromuscular seria a melhor escolha, visando estabilidade hemodinâmica.
Paciente de 10 anos, com antecedente de asma de difícil controle, apresenta tosse seca, sem febre, há dois dias. Ao exame físico, regular estado geral, consciente, sibilos inspiratórios e expiratórios difusos, FR = 48 ipm, tiragens de fúrcula, intercostal e subdiafragmática, tempo expiratório prolongado, SatO2 = 88%, em ar ambiente. Realizadas inalações com salbutamol e ipratrópio e dose de ataque de metilprednisolona, sem qualquer melhora do quadro. Mantido em máscara não reinalante a 15 L/min, com SatO2 = 95%. Radiografia de tórax apenas com sinais de hiperinsuflação.
Em face do exposto,assinale a alternativa que contém a conduta adequada a ser realizada nesse momento, para melhora do quadro respiratório.
Intubação orotraqueal com cânula 6 com cuff. Manter paciente bem sedado. Iniciar ventilação com modo pressão controlado, com PEEP baixo, FR baixa, e tempo inspiratório alto.
Iniciar ventilação não invasiva em modo BIPAP e manter paciente sedado com dexmedetomidina.
Iniciar ventilação não invasiva em modo BIPAP e iniciar terbutalina endovenosa contínua.
Manter paciente em máscara não reinalante e iniciar sulfato de magnésio endovenoso 50 mg/kg, em 30 minutos.
Certa paciente com cardiopatia congênita complexa (atresia pulmonar), já tendo sido submetida à cirurgia paliativa de shunt sistêmico-pulmonar (cirurgia de Blalock- Taussig) no período neonatal e cirurgia de Glenn bidirecional aos 6 meses de idade, foi internada aos 12 meses de vida e faleceu por pneumonia bacteriana complicada por choque séptico.
Com base na situação hipotética, assinale a opção que apresenta a causa básica para o preenchimento da declaração de óbito.
cardiopatia congênita complexa
parada cardiorrespiratória
sepse secundária a pneumonia adquirida na comunidade
pneumonia adquirida na comunidade
choque séptico
Um lactente de 14 meses encostou no fio desencapado de uma tomada residencial e recebeu choque elétrico de baixa tensão (220 V). Os pais relataram grito intenso, seguido de desmaio breve (~30 segundos). Ao exame físico constatou-se: pontos de entrada e saída visíveis em mão direita e pé esquerdo, pele avermelhada com discreta formação de vesículas e edema leve local. O lactente está irritável, taquicárdico (180 bpm), taquipneico (45 irpm), PA 70/45 mmHg, mucosas secas, diurese diminuída (<0,5 mL/kg/h). Dados adicionais: não há convulsões, ECG inicial normal.
Com base na situação precedente, assinale a opção que apresenta a conduta inicial indicada no caso de queimadura elétrica pediátrica.
alta precoce com orientação para hidratação oral, pomada tópica e retorno em 48 horas para reavaliação
iniciar reposição volêmica IV agressiva, monitorar diurese, avaliar ECG seriado/contínuo, analgesia IV adequada, limpeza e curativo estéril das lesões; solicitar exames de eletrólitos, creatinina e enzimas musculares (CK) para monitoramento de rabdomiólise
aplicar compressas frias locais e antibiótico sistêmico de rotina; encaminhar para cirurgia de queimaduras apenas se houver necrose.
cobrir queimaduras com pomada antibiótica, manter analgesia e monitoração do ECG continuo
administrar apenas analgésico oral e observar sinais vitais na enfermaria; radiografia de tórax e ECG apenas se houver sintomas cardiorrespiratórios
Uma lactente de 8 meses, pesando 10 kg, com história de cansaço, vômitos pós-alimentares e febre baixa até 37,5 ºC é internada na Unidade de Terapia Intensiva com uma hipótese diagnóstica de choque séptico após ter recebido expansões volêmicas de 40 mL/kg de cristaloide em 1 hora e antibioticoterapia no pronto-socorro. Ao exame físico, observam-se via aérea pérvia, expansibilidade pulmonar bilateral simétrica, uso de musculatura acessória, crepitações pulmonares bilaterais nas bases, saturação de 92% em máscara não reinalante com fluxo de 15 litros de oxigênio por minuto, frequência respiratória de 65, tempo de enchimento capilar de 5 segundos, extremidades frias, frequência cardíaca de 175 e pressão arterial de 75x55, hepatometria com fígado a 4 cm do rebordo costal direito e doloroso à palpação, Glasgow de 14, pele pálida, sem manchas e com temperatura de 37,2 ºC.
Assinale a alternativa que apresenta a classificação do tipo de choque e conduta a ser adotada.
Choque cardiogênico compensado, classificação de insuficiência cardíaca congestiva classe c; deve-se introduzir droga inotrópica e vasodilatadora como, por exemplo, milrinona ou dobutamina.
Choque séptico hipodinâmico hipotensivo; deve-se introduzir droga vasopressora como, por exemplo, noraepinefrina.
Choque séptico hiperdinâmico compensado; deve-se introduzir droga inotrópica e vasodilatadora como, por exemplo, epinefrina.
Choque cardiogênico compensado, classificação de insuficiência cardíaca congestiva classe b; deve-se introduzir diurético de alça.
Choque cardiogênico hipotensivo, classificação de insuficiência cardíaca congestiva classe d; deve-se introduzir dobutamina associada a epinefrina em dose baixa.
Em uma unidade de terapia intensiva pediátrica, observou-se um aumento da incidência de infecções relacionadas à assistência à saúde, especialmente aquelas causadas por organismos multirresistentes.
A estratégia que apresenta maior eficácia na prevenção de infecções hospitalares nessas condições consiste
na redução do uso de antimicrobianos empíricos para evitar resistência bacteriana.
na instalação de secador para secar as mãos após a realização da higiene delas.
na utilização prolongada de dispositivos invasivos para garantir monitoramento contínuo.
no isolamento de todos os pacientes da UTI, independentemente de status de infecção, para reduzir o risco de infecção cruzada.
na implementação rigorosa de protocolo de higiene das mãos com vigilância ativa e uso criterioso de antimicrobianos.
Uma criança de 11 anos deu entrada no pronto-socorro com cefaleia e dor torácica associadas à temperatura de 38,5 ºC. Clinicamente, apresentava uma ausculta com diminuição do murmúrio vesicular na base esquerda, tempo de enchimento capilar de 4 segundos e pressão arterial de 90 x 55. Foi puncionado acesso venoso, foram iniciadas expansões volêmicas de 20 mL/kg por duas vezes no pronto-socorro, e a criança foi encaminhada para a UTI. Foram solicitados exames laboratoriais e raio-X de tórax (figura a seguir). Na entrada na UTI, constatou-se PA igual a 66 x 40.
Hemograma: Hb: 14,3; Ht: 42,5; leucócitos: 9.500 (3 metamielócitos; 7 bastonetes; 73 segmentados; 1 eosinófilo; 0 basófilo; 14 linfócitos; 2 monócitos); plaquetas: 200.000; PCR: 13,9 mg/dL (normal: abaixo de 0,5 mg/dL); TGO: 15; TGP: 15; CPK: 64; D-dímero: 226; troponina T de alta sensibilidade: 7,27 ng/L (normal: inferior a 14 ng/L).

(Arquivo pessoal; imagem usada com autorização)
Com relação à hipótese diagnóstica, à conduta realizada no pronto-socorro (PS) e à conduta a ser realizada na UTI, assinale a alternativa correta.
Diagnóstico: sepse e provável choque séptico, tanto pelos critérios da American Heart Association (AHA) e do Suporte Avançado de Vida em Pediatria como pelo escore de Phoenix (2024); meningite evidenciada pela presença de cefaleia e febre, além de radiografia de tórax praticamente normal. Conduta: no PS, o liquor deveria ter sido coletado, bem como deveria ter sido iniciado antibiótico; na UTI, deve ser iniciado corticoide pela refratariedade ao volume.
Diagnóstico: choque, pelos critérios da American Heart Association (AHA) e do Suporte Avançado de Vida em Pediatria, mas não pelos critérios de sepse ou choque séptico do escore de Phoenix (2024). Conduta: no PS, deveria ter sido aberto protocolo de sepse por infecção de origem pulmonar e deveriam ter sido coletados lactato e gasometria, além de ter sido iniciado antibiótico; na UTI, deve-se passar cateter venoso central e iniciar adrenalina contínua.
Diagnóstico: sepse e provável choque séptico, tanto pelos critérios da American Heart Association (AHA) e do Suporte Avançado de Vida em Pediatria como pelo escore de Phoenix (2024); meningite evidenciada pela presença de cefaleia e febre, além de radiografia de tórax praticamente normal. Conduta: abrir protocolo de sepse, realizar tomografia de crânio, coletar liquor e iniciar antibiótico ainda no PS; na UTI, deve ser iniciada adrenalina contínua pelo acesso periférico e, depois, deve-se obter um acesso venoso central.
Diagnóstico: choque, pelos critérios da American Heart Association (AHA) e do Suporte Avançado de Vida em Pediatria, mas não pelos critérios de sepse ou choque séptico do escore de Phoenix (2024). Conduta: no PS, deveria ter sido iniciada dobutamina pelo aumento de área cardíaca na radiografia de tórax e provável choque cardiogênico; na UTI, deve-se reduzir a dobutamina e associar milrinona, que é a droga de escolha para o tratamento do choque cardiogênico.
Diagnóstico: choque, pelos critérios da American Heart Association (AHA) e do Suporte Avançado de Vida em Pediatria, mas não pelos critérios de sepse ou choque séptico do escore de Phoenix (2024). Conduta: no PS, deveria ter sido aberto protocolo de sepse por infecção de origem pulmonar e deveriam ter sido coletados lactato e gasometria, além de ter sido iniciado antibiótico; na UTI, deve-se iniciar adrenalina em veia periférica e, em até duas horas, obter acesso venoso central para manutenção da adrenalina contínua.
Uma criança de doze anos de idade, com quadro de febre e desconforto respiratório, refere história de asma prévia sem seguimento. Foram iniciadas cânula nasal de alto fluxo (CNAF) e, posteriormente, ventilação não invasiva (VNI), sem sucesso. A equipe decidiu por intubação orotraqueal e ventilação mecânica. Os parâmetros ventilatórios iniciais revelaram: pressão de insuflação (PI): 15 cm H2O; PEEP: 5 cm H2O; FiO2: 40%; frequência respiratória (FR): 16 irpm; tempo inspiratório (TI): 0,9 s; complacência pulmonar estática: 19 mL/cm H2O e resistência das vias aéreas: 25 cm H2O/L/s.
Considerando a fisiopatologia da crise asmática grave e os parâmetros da mecânica pulmonar fornecidos, assinale a opção que apresenta a alteração fisiopatológica principal que justifica a falha da ventilação não invasiva e a necessidade de intubação orotraqueal no paciente da situação precedente.
diminuição da capacidade de difusão alveolocapilar, que compromete as trocas gasosas de oxigênio
redução significativa da complacência pulmonar, o que indica um pulmão “rígido” com dificuldade de expansão
aumento acentuado da resistência das vias aéreas, o que leva à hiperinsuflação dinâmica e à incapacidade de gerar fluxo expiratório adequado
desequilíbrio ventilação-perfusão (V/Q) grave, devido à consolidação pulmonar secundária à pneumonia
aumento da complacência da caixa e da resistência pulmonar, resultando em diminuição da pressão intratorácica positiva