Questões de Concurso sobre Neonatologia

 
 
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A presença do pediatra na assistência perinatal é essencial para garantir a redução da morbimortalidade neonatal e a realização de intervenções oportunas.


Nesse sentido, qual das seguintes alternativas está correta?


A

O pediatra deve estar presente no parto apenas em casos de recém-nascidos de alto risco, pois o obstetra é responsável pela avaliação inicial de bebês saudáveis.


B

A consulta pré-natal com o pediatra é fundamental para identificar fatores de risco e orientar os pais sobre cuidados neonatais, incluindo aleitamento materno, vacinação e sinais de alerta.


C

O exame físico neonatal pode ser realizado até 24 horas após o nascimento, pois a observação inicial do recém-nascido a termo normalmente descarta alterações graves.


D

O clampeamento do cordão umbilical deve ser realizado imediatamente ao nascimento, para reduzir o risco de icterícia neonatal e evitar complicações hemodinâmicas.


E

O atendimento neonatal imediato deve ser realizado apenas em bebês prematuros ou com complicações no parto, pois recém-nascidos a termo em boas condições não necessitam de avaliação pediátrica inicial.

Gabriel, um recém-nascido de 12 dias de vida, previamente saudável e sem intercorrências no parto, é levado ao pronto-socorro devido a episódios de letargia, sucção débil e vômitos frequentes. A mãe relata que o bebê tornou-se progressivamente mais irritado e apresentou períodos de hipotonia alternando com espasticidade. No exame físico, Gabriel está hipotônico, hiporresponsivo e com respiração irregular, apresentando perfusão capilar prolongada (5 segundos), hipotermia (35,8°C) e sinais discretos de desidratação.


Os exames laboratoriais mostram:

• Hipoglicemia (glicemia: 35 mg/dL)

• Acidose metabólica com ânion-gap aumentado

• Hiperamonemia (amônia: 180 µmol/L)

• Lactato elevado (4,8 mmol/L)

• Corpos cetônicos ausentes na urina


A análise inicial levanta a suspeita de um erro inato do metabolismo (EIM), possivelmente um defeito no ciclo da ureia ou acidemia orgânica, necessitando de manejo imediato para evitar descompensação metabólica grave.


Qual a conduta mais adequada para esse recém-nascido?


A

Realizar apenas suporte clínico inicial com hidratação venosa e observação por 24 horas antes de prosseguir com exames metabólicos específicos, pois a maioria dos recém-nascidos com hipoglicemia melhora espontaneamente.


B

Iniciar suporte metabólico imediato com interrupção da alimentação proteica, administração de glicose endovenosa (8 – 12 mg/kg/min) para evitar catabolismo e uso de fármacos específicos, como benzoato de sódio ou L-carnitina, dependendo do erro metabólico suspeito.


C

Prescrever dieta rica em proteínas para compensar as perdas metabólicas e fornecer substrato energético adequado, prevenindo maior catabolismo e favorecendo a recuperação neurológica.


D

Administrar bicarbonato de sódio endovenoso para correção rápida da acidose metabólica e reduzir os níveis de lactato, garantindo estabilização hemodinâmica do paciente.


E

Indicar exsanguineotransfusão urgente para remoção das substâncias tóxicas do sangue, pois esse é o tratamento padrão para recém-nascidos com suspeita de EIM.

O suporte respiratório em recém-nascidos prematuros é um dos principais desafios na Neonatologia, exigindo um equilíbrio entre garantir a ventilação adequada e evitar lesões pulmonares.


Qual das alternativas a seguir representa a melhor estratégia inicial para o suporte respiratório em um recém- -nascido prematuro de 28 semanas de idade gestacional, sem apneia, mas apresentando sinais moderados de desconforto respiratório?


A

A intubação traqueal imediata e a ventilação mecânica são as estratégias mais indicadas para todos os prematuros abaixo de 28 semanas de idade, independentemente do quadro respiratório inicial.


B

O uso de ventilação mecânica invasiva é sempre preferível ao suporte não invasivo em recém-nascidos prematuros, pois garante um melhor controle da oxigenação e da ventilação.


C

A abordagem inicial mais recomendada é o uso imediato de CPAP nasal logo após o nascimento, evitando a intubação precoce e reduzindo o risco de displasia broncopulmonar.


D

A administração precoce de surfactante deve ser feita via intubação traqueal profilática em todos os prematuros abaixo de 30 semanas de idade, pois essa abordagem melhora a oxigenação e reduz complicações respiratórias.


E

O CPAP nasal deve ser evitado nos primeiros dias de vida em prematuros extremos, pois pode aumentar o risco de barotrauma pulmonar e pneumotórax.

Recém-nascido pequeno para idade gestacional apresenta microcefalia, baixa implantação das orelhas, fronte inclinada, aplasia de cútis do escalpo, polidactilia, microftalmia e onfalocele. O diagnóstico mais provável é que seja portador da síndrome de


A

Patau.


B

Turner.


C

Edwards.


D

Zika congênita.


E

Toxoplasmose congênita.

A respeito das infecções congênitas, é correto afirmar:


A

atualmente a toxoplasmose congênita não precisa ser investigada em todos os recém-nascidos.


B

a citomegalia congênita pode causar calcificações intracerebrais difusas, grosseiras e a forma clínica mais comum de apresentação dessa infecção é a assintomática.


C

a sífilis congênita vem apresentando prevalência elevada no Brasil, provavelmente por falta de bons exames de triagem para essa infecção.


D

a síndrome de infecção congênita pelo vírus Zika, citomegalia congênita e toxoplasmose congênita podem causar calcificações intracerebrais.


E

o pênfigo palmo-plantar é causado pela citomegalia congênita.

Você é chamado para realizar uma sala de parto cesariana eletiva, sem que a mãe tenha entrado em trabalho de parto, de uma menina de 39 semanas de gestação. O Apgar foi 8 no primeiro minuto e 9 no quinto minuto. Após 30 minutos de vida, a menina apresentou taquipneia com 75 incursões por minuto, leve gemência expiratória e retrações subcostais. O exame físico revela bebê acianótica, com saturação de oxigênio de 92% em ar ambiente, tórax simétrico, sem murmúrios adventícios, frequência cardíaca de 140 bpm, temperatura de 36,8ºC, e perfusão periférica preservada. Você solicita um raio-X de tórax que revelou hiperinsuflação pulmonar, com congestão vascular peri-hilar e leve aumento do líquido nas fissuras interlobares.

Nesse caso, o diagnóstico mais provável e a conduta a ser tomada são, respectivamente,


A

síndrome do desconforto respiratório neonatal e surfactante exógeno.


B

taquipneia transitória do recém-nascido e monitorização clínica e oxigenoterapia, se necessário, com expectativa de melhora em 24-72 horas.


C

pneumonia neonatal precoce e iniciar antibioticoterapia empírica com ampicilina e gentamicina.


D

cardiopatia congênita e solicitar ecocardiograma.


E

hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido e iniciar oxigênio com alta concentração e considerar a ventilação mecânica.

A triagem neonatal para hipotireoidismo congênito é feita com a dosagem de TSH em papel filtro entre o 3o e o 5o dias de vida. Utilizando esse método, que diagnóstico de hipotireoidismo congênito, dentre os abaixo, pode deixar de ser triado?


A

Agenesia de tireoide


B

Hipotireoidismo transitório


C

Disormonogênese


D

Hipotireoidismo central

Assinale a alternativa que diferencia eritema tóxico neonatal de outros exantemas do período e sustenta condução conservadora.


A

Vesículas agrupadas em base eritematosa desde o nascimento, Tzanck com células gigantes e risco alto de disseminação sistêmica precoce.


B

Pústulas flácidas ao nascer com crostas residuais pigmentadas e neutrófilos ao esfregaço, recorrendo em surtos semanais prolongados.


C

Máculas eritematosas com descamação fina palmo-plantar após 24 horas, cultura positiva para candida e necessidade de antifúngico sistêmico.


D

Pápulo-pústulas sobre base eritematosa em tronco e face a partir do segundo dia, esfregaço com eosinófilos e resolução espontânea sem cicatriz.


E

Lesões alvo com bolhas tensas e eosinofilia periférica importante, evoluindo com hiperpigmentação persistente após semanas.

Recém-nascido de 29 semanas, 1.150 g, parto cesáreo por pré-eclâmpsia materna, apresenta desconforto respiratório precoce (gemido, batimento de asa de nariz, retrações subcostais) com necessidade de CPAP nasal em 6 cmH20 e FiO2 0,35 para manter SpO2 de 90 a 92%. Radiografia de tórax: padrão de vidro fosco difuso com broncograma aéreo.


Com base nas recomendações atuais de manejo da Síndrome de Desconforto Respiratório (SDR) em prematuros, assinale a alternativa correta.


A

A intubação precoce e a administração profilática de surfactante devem ser feitas rotineiramente em todos os RN < 32 semanas, independentemente da clínica ou da FiO2 necessária.


B

O uso de CPAP nasal precoce em sala de parto e manutenção em CPAP está associado à redução de intubação, displasia broncopulmonar e mortalidade, sendo a estratégia preferencial em RN estáveis com SDR.


C

A estratégia INSURE (intubação, surfactante, extubação precoce) deve ser utilizada somente em prematuros com SDR grave, definidos por necessidade de FiO2 > 0,6 em CPAP.


D

A administração de corticosteroide antenatal não reduz a incidência de SDR nem a mortalidade neonatal, tendo benefício apenas em casos de ameaça de parto antes de 28 semanas.


E

A repetição de doses de surfactante está contraindicada devido ao risco de hemorragia pulmonar, devendo-se optar por ventilação mecânica convencional caso persista a hipóxia após a primeira dose.

Sobre a hiperbilirubinemia neonatal, assinale a alternativa correta.


A

A indicação do tratamento da icterícia baseia-se em normogramas que levam em consideração a idade gestacional, as horas de vida do recém-nascido e a presença de fatores de risco para hiperbilirrubinemia. O tratamento deve sempre ser realizado com fototerapia, independentemente do valor de bilirrubina encontrado. Em geral, não há necessidade de terapias adjuvantes quando a fototerapia for realizada de forma adequada.


B

A avaliação diária da bilirrubina transcutânea ajuda a monitorar a elevação da bilirrubina e a diferenciar aqueles que estão evoluindo de forma patológica. Ela pode ser usada como um método inicial de avaliação da icterícia e com isso diminuir o número de coletas de exame. De forma geral, não há necessidade, nem indicação de coletar a bilirrubina sérica quando há a disponibilidade de realização da bilirrubina transcutânea.


C

A hiperbilirubinemia é mais frequente naquelas crianças nascidas a termo, que não estão se alimentando adequadamente e que perderam menos de 10% do peso de nascimento. Níveis elevados de bilirrubina estão associados a risco de encefalopatia bilirrubínica, kernicterus, risco de morte ou de deficiências.


D

A icterícia torna-se visível a partir de valores >8mg/dl de bilirrubina e, tipicamente, tem progressão cefalocaudal. O predomínio é de bilirrubina indireta e a icterícia fisiológica costuma aparecer após 12h de vida, alcançando o pico entreo 2º e o 4º dia no termo e 5º dia em pretermos.


E

Os recém-nascidos pré-termo tardios possuem maior risco de apresentar hiperbilirrubinemia, isso ocorre porque o pré-termo tardio apresenta excreção diminuída da bilirrubina por um sistema hepático imaturo, atraso da consolidação da nutrição enteral com consequente reabsorção da bilirrubina, e diminuição dos níveis séricos da albumina que, por consequência, aumentam a bilirrubina livre ou não conjugada.

Em relação à preparação para a assistência neonatal em sala de parto, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais indicada.


A

Todo material necessário para a reanimação deve ser separado e estar acessível antes do nascimento.


B

O preparo para atender o RN na sala de parto consiste na realização de anamnese materna e presença de equipe treinada em reanimação neonatal.


C

É fundamental que haja em qualquer nascimento pelo menos 1 profissional de saúde treinado e capacitado para iniciar de forma adequada a reanimação neonatal, de preferência o pediatra.


D

Quando se antecipa o nascimento de um concepto de alto risco, é necessário a presença de um profissional treinado e capacitado a reanimar o RN de maneira plena, rápida e efetiva, de preferência o pediatra.


E

O material necessário para a reanimação é destinado à aspiração de vias aéreas, ventilação e administração de medicações.

Gestante de 22 semanas e 5 dias, ruptura prematura de membranas há 24 horas, em trabalho de parto ativo. O ultrassom fetal recente mostra peso estimado de 480 g. A família é orientada pela equipe sobre as possibilidades e riscos do atendimento ao recém-nascido. Considerando as recomendações atuais sobre o limite de viabilidade e conduta em sala de parto, assinale a alternativa correta.


A

Todo recém-nascido ≥ 22 semanas deve obrigatoriamente receber reanimação completa, independentemente do peso estimado ou condições associadas.


B

O limite de viabilidade é universal, definido em 22 semanas em todos os países, devendo a decisão pela reanimação ser exclusivamente médica.


C

Entre 22 e 25 semanas, a conduta deve ser individualizada, baseada em prognóstico, recursos disponíveis e decisão compartilhada com a família.


D

O uso de corticoide antenatal não influencia os desfechos de sobrevivência ou morbidade nos prematuros em limite de viabilidade.


E

A suspensão da reanimação neonatal só é eticamente aceitável em casos de malformações congênitas letais, nunca em situações de prematuridade extrema.

Considerando que a reanimação neonatal é uma das intervenções mais críticas em sala de parto, analisar os itens.


I. A ventilação com pressão positiva é a intervenção central em apneia ou bradicardia acentuada após o nascimento.

II. A relação de compressões para ventilação é de três para um quando há necessidade de massagem cardíaca.

III. O uso de oxigênio misto guiado por oximetria evita hiperóxia.

IV. A adrenalina por via endotraqueal apresenta eficácia superior à via intravenosa.

V. O aquecimento e a prevenção de hipotermia são etapas iniciais fundamentais.


Está CORRETO o que se afirma:


A

Apenas nos itens I, II e V.


B

Apenas nos itens III e IV.


C

Apenas nos itens I, II, III e V.


D

Em todos os itens.

O diagnóstico e o manejo da icterícia neonatal dependem da idade em horas de vida e da presença de fatores de risco. Assinalar a alternativa que expressa CORRETAMENTE o critério para indicação de fototerapia.


A

Transcutânea acima do percentil cinquenta garante baixo risco e dispensa nova avaliação laboratorial.


B

Prematuros tardios utilizam a mesma curva de termo, com limiares idênticos para intervenção.


C

A avaliação por hora de vida, associada à presença de hemólise e prematuridade, determina limiares distintos para fototerapia e exsanguineotransfusão.


D

Bilirrubina limítrofe em 24 horas autoriza observação domiciliar sem reavaliação.

Recém-nascido prematuro de 26 semanas, com 10 dias de vida, encontra-se em ventilação mecânica. Apresenta piora progressiva da oxigenação e o ecocardiograma revela persistência do canal arterial (PCA) com fluxo bidirecional, predominando da direita para a esquerda.


Qual o tratamento indicado em relação à cardiopatia?


A

Ibuprofeno por via oral ou intravenosa.


B

Paracetamol por via enteral.


C

Fechamento cirúrgico ou por cateterismo do canal arterial.


D

Conduta expectante, sem intervenção medicamentosa ou cirúrgica.

Um recém-nascido com suspeita de atresia de esôfago realiza radiografia de abdome que evidencia ar no estômago.


Das interpretações a seguir, a que está correta é:


A

está descartado o diagnóstico de atresia de esôfago.


B

pode haver atresia de esôfago com fístula traqueoesofágica no coto proximal e sem fístula distal.


C

pode haver atresia de esôfago com fístula traqueoesofágica distal e sem fístula proximal.


D

pode haver atresia de esôfago com ou sem fístula traqueoesofágica.

Recém-nascido com 27 semanas de idade gestacional e peso ao nascimento de 880 g, nascido por cesariana devido à eclâmpsia materna, apresentou boa vitalidade inicial, sendo admitido em UTI.


Neste caso, a prescrição de cafeína deve ser realizada


A

ainda no primeiro dia de vida.


B

mediante necessidade de ventilação mecânica.


C

caso necessite FiO2 acima de 35%.


D

se houver diagnóstico de asfixia perinatal.

Durante as orientações de alta de uma recém-nascida a termo, que não apresentou intercorrências durante a internação na maternidade, a mãe questiona qual é a melhor posição para colocar o bebê para dormir.


A orientação deve ser a seguinte:


A

sempre em posição supina.


B

em posição supina ou de lado.


C

em posição supina apenas se não houver refluxo gastroesofágico grave.


D

em posição prona somente se estiver sob supervisão.

Recém-nascido de 29 semanas de idade gestacional, com peso de 1.150 g, nascido de parto vaginal sem intercorrências, recebe cuidados iniciais em sala de parto, com boa vitalidade e respiração espontânea. Após estabilização inicial, é mantido em CPAP nasal com FiO2 de 0,35.


Nas primeiras duas horas de vida, apresenta piora do desconforto respiratório, com aumento da necessidade de oxigênio (FiO2 de 0,45 para manter SatO2 ≥ 90%) e piora das retrações.


De acordo com as diretrizes da SBP, qual é a conduta recomendada nesse momento?


A

Realizar intubação e iniciar ventilação mecânica invasiva.


B

Administrar corticoterapia sistêmica antes da aplicação do surfactante.


C

Administrar surfactante por técnica de mínima invasão.


D

Manter o CPAP nasal e observar, pois a FiO2 ainda está abaixo de 60%.

Um médico é chamado com urgência para a sala de parto de uma gestante com 34 semanas e 2 dias, submetida à cesariana devido a corioamnionite. Ao chegar, encontra o recém-nascido em berço aquecido, envolto em saco plástico, recebendo nebulização de oxigênio. O neonato apresenta saturação pré-ductal de 63%, frequência cardíaca (FC) de 78 bpm, hipotonia, taquidispneia e cianose.


Após a aspiração de boca e narinas, qual deve ser a conduta imediata?


A

Iniciar compressões torácicas associadas à ventilação com pressão positiva por máscara.


B

Reposicionar a via aérea, iniciar ventilação com pressão positiva por máscara e reavaliar a FC.


C

Proceder à intubação orotraqueal e ventilação mecânica invasiva imediata.


D

Manter nebulização de oxigênio e encaminhar o recém-nascido para a UTI neonatal.

 
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